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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

CARNAVAL É RELIGIÃO, MAS NÃO TEM NADA A VER COM A VERDADEIRA FÉ CRISTÃ

As mais variadas religiões sempre fizeram parte do imaginário do carnaval Foto: André Mello / Editoria de Arte


O artigo abaixo foi publicado no site do G1 e é de autoria de Stéfano Salles

CARNAVAL E RELIGIÃO: A MISTURA ENTRE FÉ E FOLIA

Relação ganha força após apoio da arquidiocese à Estácio de Sá

As mais variadas religiões sempre fizeram parte do imaginário do carnaval - André Mello / Editoria de Arte

POR STÉFANO SALLES

RIO - As cores do pavilhão carregado pela porta-bandeira, cortejada com elegância pelo mestre-sala, são as mesmas do padroeiro. No início do carnaval carioca, era possível reconhecer o orixá de cada agremiação apenas pelo ritmo do toque das caixas da bateria. Nos ensaios da atualidade, os sons ainda estão presentes e são comuns os pontos de umbanda e candomblé, entoados como proteção. As tradições transformaram as escolas de samba em bastiões de resistência da cultura africana, mas elas sempre se mantiveram abertas a fiéis de outros credos. Uma convivência que nem sempre fez por merecer nota 10 em harmonia.

Carnavalesco no xadrez

Proibida pela Arquidiocese do Rio, escultura do Cristo Mendigo arrebatou o público no carnaval de 1989, mesmo coberta por sacos de lixo - Arthur Cavalieri/7-2-1989 / Agência O Globo

Católico fervoroso, o carnavalesco Chico Spinosa não esquece o carnaval de 2000, quando uma escultura de Nossa Senhora dos Navegantes o levou para o xadrez da 4ª DP (Central). A imagem seria utilizada no desfile daquele ano, que tinha como enredo “Terra dos Papagaios... navegar foi preciso!”, mas foi contestada judicialmente pela Arquidiocese, que acusou o artista de vilipêndio de objeto de culto religioso.

— Foi uma loucura. A sala onde fiquei tinha banco, cadeira, mas também grades. Eu fiquei em uma cela! Saí duas horas depois, mas a escultura só foi liberada no dia seguinte, levada pela bateria da escola, que seguiu em procissão até o barracão, na Avenida Venezuela. Foi lindo — lembra Spinosa, crime com pena de um a 12 meses de detenção e multa. A obra acabaria fora da festa.

A tumultuada relação entre as escolas de samba e a Igreja Católica teve como clímax a proibição do Cristo Mendigo de Joãosinho Trinta, no desfile da Beija-Flor, em 1989. Naquele ano, o carnavalesco cobriu a escultura com sacos pretos e ela foi à avenida com a inscrição: “Mesmo proibido, olhai por nós”, e ficou com o segundo lugar. No desfile das campeãs, a escola tirou os plásticos e revelou a imagem, para delírio do público.

Arena de tradições

Baianas da Imperatriz Leopoldinense no desfile das campeãs de 2011 - Fabio Rossi /12-03-2011 / Agência O Globo

Além das referências às religiões de matriz africana, as escolas de samba preservam elementos de sua cultura, como o respeito à ancestralidade, visível na ala das baianas e na velha guarda. Os segredos dos desfiles, os carnavalescos escondem a sete chaves em seus barracões, como pais de santo que preservam do público não iniciado os fundamentos da religião. Durante o carnaval, os templos não abrem: é o lorogun, período de descanso que marca o início de um ano litúrgico.

Apesar de várias composições anteriores fazerem referências diretas e indiretas à africanidade, a primeira leva de sambas-enredo dedicados aos orixás e religiões do continente surgiu em 1975, com a Unidos da Tijuca, que apresentou na avenida a “Magia africana no Brasil e seus mistérios". No ano seguinte, o Império Serrano apresentou o enredo "A lenda das sereias, rainhas do mar", e há quem garanta que Iemanjá teria incorporado em diversos componentes da agremiação da Serrinha durante o desfile, o que teria atrapalhado a evolução e proporcionado um desfile mais lento. Professor da UFRJ respeitado nas áreas de pesquisa de carnaval e religiosidade, Luiz Antônio Simas não duvida, mas acha improvável.

— É impossível dizer se isso aconteceu, mas no carnaval há uma cultura de oralidade que propaga essas coisas. É um espaço muito propenso para fantasias. Também há quem diga que ocorreu algo semelhante com a Grande Rio em 1994, quando a escola fez uma homenagem à umbanda, com "Os santos que a África não viu". Essas histórias podem ser fruto da criatividade dos oradores, mas o certo é que, atualmente, ninguém faz um enredo desses sem tomar cuidados e ouvir um pai de santo — analisa.

Em harmonia com o além

O pai de santo Osmane d'Odé é diretor espiritual do Salgueiro e acompanha os trabalhos feitos na quadra e no barracão da escola, na Cidade do Samba - Guilherme Leporace / Agência O Globo

Mais do que acolher foliões, as escolas buscam fomentar a pluralidade religiosa. Este ano, o Salgueiro vai apresentar o enredo “A ópera dos malandros”, inspirado no espetáculo de Chico Buarque, repleto de referências a Zé Pelintra, entidade associada à boemia. Há dois anos, a escola tem um diretor espiritual: o pai de santo Osmane d’Odé. Ele guia a presidente Regina Celi nos momentos de indecisão e busca proteger a agremiação de turbulências.

— Não tem mistério: eu sou uma espécie de conselheiro da presidente e busco manter a escola equilibrada. Faço aconselhamento, banhos e ofereço ajuda espiritual, tudo o que um pai de santo faz, mas as decisões cabem sempre à presidente. O segredo está na simplicidade: não há o que inventar — ensina o líder religioso, que acompanha os trabalhos na quadra da escola e na Cidade do Samba.

A africanidade esteve presente no último título do Salgueiro, em 2009, quando a vermelho e branco contou a história do tambor.

O padre cai no samba

Fanático pelo Salgueiro, o padre Wagner Toledo desfila pela escola desde 2003 - Fabio Rossi / Agência O Globo

Osmane não é a única liderança espiritual respeitada no cotidiano do Salgueiro. O padre Wagner Toledo, da Igreja Santa Rita, desfila pela agremiação religiosamente desde 2003, quando a diretoria buscava um padre salgueirense para celebrar a missa de 50 anos da escola. Antes do seminário ele era componente da agremiação e chegou a duvidar da aptidão para a vida religiosa.

— Pensava: como posso ser padre com essa paixão pelo carnaval? Mas a inclinação falou mais alto. No seminário, não tinha televisão, rádio, nada para acompanhar os desfiles. Algumas vezes eu recebi liberação para acompanhar a apuração. A ansiedade era enorme — revela.

No início, a participação do padre nos desfiles foi vista com desconfiança, superada com a aproximação das personalidades do carnaval à igreja. Frequentemente, ele realiza as missas de aniversário da escola e de São Sebastião, padroeiro do Salgueiro, e de São Jorge, padroeiro da Estácio.

— Eu tenho consciência de que ali não sou apenas eu mesmo: estou representando a minha instituição. Então, ultimamente, tenho desfilado junto com a velha guarda. Quando acaba minha participação, vou para o camarote. As pessoas me tratam como padre mesmo: pedem bênçãos, beijam a minha mão e me afastam do tumulto — afirma.

Assistente de Toledo, Kenny Erik, de 21 anos, estuda para ser padre. Ele torcia pela Mocidade, mas trocou de paixão.

— Sou Salgueiro. O padre me converteu — garante.

Berço de transformações

Enredo da Estácio sobre São Jorge tem o aval da Arquidiocese do Rio, algo inédito no carnaval - Antônio Scorza / Agência O Globo

A umbanda esteve presente desde o início da Estácio de Sá. Em 1928, antes de fundar a Deixa Falar, que daria origem ao Leão, documentos históricos revelam que Ismael Silva teria consultado os orixás para a nova empreitada. A religião ainda goza de prestígio na quadra da agremiação, com espaço dedicado a ela, no qual uma mãe de santo oferece consultas à diretoria. Em 1975, com o nome de Unidos de São Carlos, foi a primeira a ter problemas com a igreja, que proibiu o uso de imagens sacras e quase inviabilizou o enredo "Festa do Círio de Nazaré", que amargou o 10º lugar.

Neste carnaval, a vermelho e branco apresentará o enredo “Salve Jorge! O guerreiro na fé”, concebido por Chico Spinosa, que assinará o desfile ao lado dos jovens Amauri Santos e Tarcísio Zanon, dupla responsável por trazer o Leão de volta para o Grupo Especial após nove anos. Devoto do santo guerreiro e diante de um novo desafio de um carnaval religioso, Spinosa foi em busca do apoio da arquidiocese que, pela primeira vez, permitiu que uma escola de samba homenageasse um de seus símbolos.

— O cardeal dom Orani Tempesta aprovou a homenagem, e nós prometemos um desfile respeitoso, sem nudez ou vulgaridade. Esse é um enredo desenvolvido em parceria com a arquidiocese, que fez vistorias ao nosso barracão, avaliou as fantasias e acompanhou o processo. Isto do entendimento do Papa Francisco, de que é necessário aproximar o sagrado do profano para diminuir a violência. Todos ficamos muito felizes: esse carnaval é a redenção do Cristo Mendigo — celebra, como um milagre.

Desfile de tolerância

O carnavaleso Tarcísio Zanon posa diante do carro Catedral de São Jorge, que reproduz imagens de afrescos bizantinos - Fabio Rossi / Agência O Globo

Apesar do aval da igreja, o sincretismo não ficou fora. Além de uma escultura de São Jorge com quase seis metros de altura, a escola vai levar para a avenida uma imagem de Ogum. Caçula entre os carnavalescos do Grupo Especial, Tarcísio Zanon, de 28 anos, lembra que, diferentemente da homenagem feita pelo Império da Tijuca em 2007, com “O intrépido Santo Guerreiro”, a Estácio levará para a Sapucaí uma história de devoção.

—São Jorge já foi mostrado de forma sincrética. Agora, nós vamos contar a história dele, do nascimento na Capadócia à fé dos cariocas. Tudo com muito respeito, mas sem abrir mão das mulheres sexys, que fazem parte da cultura da festa. Muito deste apoio da igreja se deve às orientações do Papa Francisco, que busca aproximar o sagrado do profano, e ao diálogo permanente aberto pelo cardeal dom Orani — explica.

O professor Luiz Antônio Simas entende que a concessão da arquidiocese é um reconhecimento à importância da cultura popular, que pode estar relacionado ao crescimento das igrejas neopentecostais. Para ele, o samba da Estácio não deixou de lado o sincretismo.

— As igrejas evangélicas estão ocupando o espaço dos terreiros e casas de santo das comunidades, e a igreja católica enxerga isto. Não dava mais para ir contra o carnaval e atrapalhar a manifestação cultural. O samba da Estácio tem elementos facilmente identificáveis pelos iniciados: fala de feijoada, a comida de Ogum, e de axé, a energia da construção no candomblé. São referências pouco explícitas, mas profundamente respeitosas a todos os credos — enaltece.

O artigo original poderá ser visto por meio desse link aqui:


Que Deus tenha misericórdia de todos.

Alexandros Meimaridis


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sábado, 21 de novembro de 2015

VOCÊ SABE QUAIS SÃO AS 8 MAIORES RELIGIÕES DO MUNDO?


O artigo abaixo foi publicado pelo site da revista Superinteressante com dados atualizados até 23/01/2012  

As 8 maiores religiões do mundo

Por Carolina Vilaverde

Com tantas doutrinas espalhadas pelo mundo, é até difícil adivinhar quais têm os maiores números de seguidores. Por exemplo, uma delas tem seu principal núcleo de praticantes no Brasil. Você sabe qual é? Confira na lista que a SUPER preparou com as principais religiões do mundo:
Allan Kardec e Preto Velho - Foto divulgação

8. Espiritismo (aprox. 13 milhões de adeptos)
Espiritismo não é exatamente uma religião, mas também entra na lista. A sobrevivência do espírito após a morte e a reencarnação são as bases dessa doutrina, que surgiu na França e se expandiu pelo mundo a partir da publicação de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec (1857). É no Brasil que se encontra a maior comunidade espírita do mundo: 1,3% da população do país é espírita.


Judaísmo - Foto divulgação.

7. Judaísmo (aprox. 15 milhões de adeptos)
Atualmente, a maior parte dos judeus do mundo vive em Israel e nos Estados Unidos, para onde migraram fugindo da perseguição nazista. Mesmo assim, os judeus representam somente 1,7% da população norte-americana. Enquanto isso, na Argentina, nossos hermanos judeus são 2% da população.


6. Sikhismo (aprox. 20 milhões de adeptos)
Embora pouco difundido, o Sikhismo é a sexta maior religião do mundo.  A doutrina monoteísta foi fundada no século 16 por Guru Nanak e se baseia em seus ensinamentos. O sikhismo nasceu na província de Punjab, na Índia, e grande parte de seus seguidores ainda vivem na região. Eles representam 1,9% da população da Índia e 0,3% de Fiji.

Foto divulgação

5. Budismo (aprox. 376 milhões de adeptos)

A doutrina baseada nos ensinamentos de Siddharta Gautama, o Buda (600 a.C.), busca a realização plena da natureza humana. A existência é um ciclo contínuo de morte e renascimento, no qual vidas presentes e passadas estão interligadas. Como era de se esperar, essa religião oriental é a principal doutrina em vários países do sudeste asiático, como Camboja, Laos, Birmânia e Tailândia. No Japão, é a segunda maior religião do país: 71,4% da população é praticante (muitos japoneses praticam mais de uma religião e, portanto, são contados mais de uma vez).

Foto divulgação

4. Religião tradicional chinesa (aprox. 400 milhões de adeptos)

“Religião tradicional chinesa” é um termo usado para descrever uma complexa interação entre as diferentes religiões e tradições filosóficas praticadas na China. Os adeptos da religião tradicional chinesa misturam credos e práticas de diferentes doutrinas, como o Confucionismo, o Taoismo, o Budismo e outras religiões menores. Com mais de 400 milhões de praticantes, eles representam cerca de 6% da população mundial.


3. Hinduísmo (aprox. 900 milhões de adeptos)

Baseado nos textos Vedas, o hinduísmo abrange seitas e variações monoteístas e politeístas, sem um corpo único de doutrinas ou escrituras. Os hindus representam mais de 80% da população na Índia e no Nepal. Mesmo com tamanha variedade, são apenas a terceira maior religião do mundo. Porém, ostentam um título mais original: o maior monumento religioso do planeta. Trata-se do templo Angkor Wat – depois convertido em mosteiro budista –, que tem cerca de 40 quilômetros quadrados e foi construído no Camboja no século XII.


Templo Angkor Wat no Cambodja. Foto divulgação



2. Islamismo (aprox. 1,6 bilhões de adeptos)

A medalha de prata na lista das religiões é dos muçulmanos. Segundo projeções, daqui vinte anos, eles serão mais de um quarto da população mundial. Se esse cenário se concretizar, o número de muçulmanos nos Estados Unidos vai mais do que dobrar e um quarto da população israelense será praticante do islamismo. Além disso, França e Bélgica se tornarão mais de 10% islâmicas.


1. Cristianismo (aprox. 2,2 bilhões de adeptos)

Mesmo com o crescimento de outras religiões, o cristianismo continua sendo a doutrina com mais adeptos no mundo todo. Porém, seus seguidores têm mudado de perfil. Há um século, dois terços dos cristãos viviam na Europa. Hoje, os europeus representam apenas um quarto dos cristãos. Mas, o interessante mesmo é apontar onde o cristianismo mais cresceu no último século: na África Subsaariana. De 1910 para cá, a população cristã da região saltou de 9 para 516 milhões de adeptos.

Imagens: Getty Images, exceto onde indicado.
Fonte: Pew Research Forum on Religion & Public Life e The Association of Religion Data Archives.

O artigo original poderá ser visto por meio do seguinte link:


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis


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domingo, 25 de outubro de 2015

A CRISTANDADE E A ESCRAVIZAÇÃO DA RAÇA NEGRA


O artigo abaixo foi publicado pelo CRI — Christian Reserach Intstitute — e é de autoria do professor de história Jeffrey B. Russell. O material foi traduzido pelo blog “O Grande Diálogo”.

CRISTANDADE E ESCRAVIDÃO DOS NEGROS

A escravidão tem existido em praticamente todas as sociedades desde o início do que chamamos de civilização até os dias de hoje. Mesmo em nossos dias, quando tal prática é universalmente considerada ilegal, a mesma continua sendo praticada ilegalmente em todos os lugares.  Escravos podem ser cativos conquistados numa guerra, ou os filhos desses povos conquistados nessas mesmas guerras. Como escravos são tratados como “mercadorias” e podem ser comprados e vendidos. Algumas vezes encontramos famílias que vendem seus filhos como escravos. As condições da escravidão variam de acordo com o tempo e o lugar. Muitos não têm nenhum direito e podem ser torturados e mortos de acordo com a vontade de seus proprietários. Outros têm certos direitos garantidos, e alguns, especialmente na Antiguidade, podiam alcançar a libertação e, ocasionalmente, adquirirem fortunas e poder, mas a crueldade e a indiferença é sempre a maior das características. As condições de transporte em navios negreiros europeus e caravanas árabes eram degradantes no limite máximo. Os que morriam eram descartados como “lixo” e nas rotas marítimas os tubarões conheciam os navios negreiros e os seguiam de perto aguardando o lançamento de corpos ao mar. A persistência de tamanha perversidade é uma das maiores característica da queda da raça humana no pecado.

A história da cristandade com relação à escravidão pode ser dividida em quatro períodos:

1) Dos dias de Cristo até o ano 400 d.C aproximadamente.

2) De 400 d.C até 1500 d.C.

3) De 1500 até 1750.

4. De 1750 em diante.

ESCRAVIDÃO E A CRISTANDADE PRIMITIVA

A escravidão era comum entre os antigos israelitas, como também na grande maioria das sociedades daqueles dias. Não temos nenhum registro de Cristo ter falado qualquer coisa acerca da escravidão, mas suas atitudes e suas palavras acerca do amor de Deus por suas criaturas tinham fortes implicações quanto a tal prática. Paulo afirmou que senhores e escravos têm a mesma importância diante de Deus — ver Efésios 6:9. Os apóstolos enfrentaram uma situação nos impérios persa e romano, onde a cristandade se estabeleceu primeiro e onde a escravidão era universalmente praticada. O ensino apostólico, como o do próprio Senhor Jesus, não possuía uma agenda social ou política específica. O objetivo de Jesus e dos apóstolos era trazer todas as pessoas de todas as nações, condição social e cor da pele para dentro do reino de Deus. Uma vez que a escravidão era uma realidade social, os apóstolos ensinavam que o s senhores deveriam tratar bem seus escravos e que os escravos deveriam ser obedientes aos seus senhores — ver Efésios 6:5; Colossenses 3:22; 4:1; 1 Timóteo 6:1; 2 Pedro 2:18.

A compra e a venda de escravos — dando a eles desse modo o mesmo tratamento de objetos ou animais foi condenado no Novo Testamento como um pecado egrégio — ver 1 Timóteo 1:10. Os próprios escravos consideravam a cristandade um certo progresso em sua condição, uma vez que um bom número de escravos estavam entre os primeiros convertidos à fé cristã. Uma vez que a maioria dos cristãos eram relativamente pobres, poucos tinham condições de manter escravos. Os ensinamentos cristãos contra a prática da escravidão foram gradualmente crescendo até os anos 300 d.C. e a escravidão como instituição foi condenada como pecaminosa por Agostinho de Hipona — 354—430 — no Oriente e por João Crisóstomo — 347—407 — no Ocidente e também por outros líderes cristãos. A cristandade se estabeleceu como religião no império romano no ano 395 d.C., e por volta do ano 400 d.C., a escravidão se encontrava num declínio acelerado. Essa melhora foi causada em parte por causa da moralidade cristã; em parte por causa do crescimento da população germânica que não tinha escravos e, parcialmente, porque o declínio militar do império romano estava produzindo menos prisioneiros e, consequentemente menos escravos. Nesse meio tempo os cristãos começaram a pressionar as autoridades a favor dos direitos dos escravos. Os escravos podiam participar juntamente com outros cristãos dos momentos de adoração do povo de Deus sem que se fizesse nenhuma distinção entre eles e as pessoas livres. Escravos podiam servir o povo na capacidade de diáconos e presbíteros, e não foram poucos os que chegaram a ser nomeados bispos. O casamento dos escravos era reconhecido e permitia-se o casamento de escravos com pessoas livres.

A CONQUISTA ISLÂMICA E A ESCRAVIDÃO

Durante a Idade Média, havia pouca escravidão em terras da cristandade. Entretanto, durante os anos 600 e 700, a conquista de territórios controlados pela cristandade pelo Islã, que começando no Oriente Médio se estendia pela África, Espanha e Ilhas do Mediterrâneo, acabou por reintroduzir a escravidão onde a cristandade havia erradicado a mesma.

As únicas terra da cristandade que mantinham escravos eram os territórios adjacentes às terras controladas por muçulmanos. Chamamos essas áreas de infectadas pelos vizinhos. O próprio Maomé tinha escravos, e os muçulmanos estavam acostumados tanto com escravos brancos como negros. A escravidão foi algo legal em muitos países árabes tendo sido abolida na Arábia Saudita apenas em 1962 e na Mauritânia em 1981. Estima-se que cerca de 15 milhões de escravos foram levados para países árabes oriundos da região do Saara e regiões mais ao sul da África. Na Europa a escravidão tornou-se praticamente extinta depois de 700 d.C. Todavia, ao que parece, alguns escravos continuavam existindo em partes da Europa, pois nos anos 800 ouvimos falar duma rainha francesa que tentou abolir a escravidão por completo.

A “servidão” que era muito comum na Europa era tanto essencialmente quanto na prática, diferente da escravidão. Esses servos eram, quase sempre, trabalhadores agriculturais. Apesar dos servos estarem ligados a seus senhores para produzir bens e serviços a favor dos mesmos, e mesmo que não pudessem se ausentar dos domínios de seus senhores sem a autorização expressa dos mesmos, ainda assim tinham certos direitos fundamentais garantidos: eles podiam se casar, podiam comprar e vender bens que lhes pertencessem e não podiam nem ser torturados ou mortos. Teólogos da cristandade, especializados na história da Idade Média, raramente abordam a questão da escravidão uma vez que a mesma era, de fato, muito rara, mas quando escreveram acerca desse assunto eles foram bem claros em afirmar que tal prática era um grave pecado, tanto contra a lei natural quanto com relação a Lei divina. Tomás de Aquino que viveu entre 1225—1274, afirmou que a escravidão era contrária à lei natural por causa do fato de que Jesus morreu por todos os seres humanos de forma igual.

O AUMENTO DA ESCRAVIDÃO POR MEIO DA INSTALAÇÃO DE PORTOS

A partir dos anos 1400, os interesses econômicos e políticos triunfaram sobre a moralidade, pois a escravidão, mais uma vez, tornou-se algo muito lucrativo, e passou a ser praticada em grande escala. Durante a Idade Média o comércio com as Índias e com a China era conduzido através da, assim chamada, Rota da Seda, que atravessava o Oriente Médio e a Ásia Central. Mas esse caminho era longo, perigoso e frequentemente bloqueado por forças hostis. No século XV os portugueses, pioneiros marítimos da Europa, estabeleceram uma rota marítima dando a volta pelo sul da África e seguindo em direção para o Leste, o que se tornou na maior rota comercial com o Oriente.

Tal rota passava por muitos portos onde existiam escravos negros. O fato de que negros africanos mantinham escravos é atualmente considerado como algo politicamente incorreto de ser mencionado, mas trata-se de fato, e ninguém está aqui fazendo qualquer tipo de afirmação quanto a depravação por parte dos africanos, uma vez que, praticamente quase todas as sociedades — chineses, maias, astecas, árabes, nativos estadunidenses, mongóis, gregos, romanos — tinham escravos. Os negros africanos, como os romanos e os persas antes deles, faziam escravos de territórios conquistados. Os portugueses não tinham nenhum tipo de escrúpulo de comprar esses escravos negros e foi, exatamente, um navio português que trouxe os primeiros escravos negros para a Europa em 1441. A partir daí, a vasta maioria de escravos na Europa eram duma única raça: negra. Assim que os africanos souberam que os europeus estavam dispostos a adquirir escravos negros, eles trouxeram cada vez mais e mais negros para serem vendidos nos portos da África. Por volta de 1600 os próprios europeus haviam se instalado nas costas da África e passaram a “produzir” seus próprios escravos no Oeste daquele continente. A perversidade da escravidão moderna da raça negra teve, então, seu início.

Logo a Espanha, França, Inglaterra e outros países de Europa estavam participando do tráfico de escravos. Nos 1500 os europeus fizeram diversas tentativas para  escravizar os povo indígenas das Américas do norte e do sul, mas isso provou-se uma atividade de pouco lucratividade, o que fez com que os negros africanos se tornassem, quase que exclusivamente, nos seres favoritos para servirem como escravos. Os primeiros escravos vindos da África chegaram na América do Norte a bordo de um navio holandês que aportou na cidade de Jamestown, na Virgínia, em 1619. Até a proclamação da abolição da escravatura nos EUA, cerca de 15 milhões de escravos negros e escravas negras foram transportados, como animais, através das águas do Atlântico. Outro tanto foi transportado para o norte pelos mercadores árabes. O número de trinta milhões excede até mesmo os piores genocídios. E esse número não inclui a enorme quantidade de seres humanos negros que morreram antes de chegarem nos portos de destino. Seus corpos mortos eram lançados no mar, de forma inclemente, onde eram devorados por tubarões que costumavam seguir os navios desde a saída e ficavam atrás dos mesmos durante toda a viagem. Holandeses e ingleses eram bem mais ativos no tráfico de negros do que portugueses e espanhóis, apesar dos portugueses terem levado cerca de três milhões e meio de negros até o Brasil. Em 1849 quase metade da população do Rio de Janeiro era de negros africanos.

OS CRISTÃOS CONDENAM A ESCRAVIDÃO

A condenação da escravidão pelos verdadeiros cristãos seguiu, imediatamente, o renascimento de tal prática desumana e imoral. Apesar do Papa Nicolau V ter concedido permissão em 1452 para que “cristãos” escravizassem muçulmanos e prisioneiros pagãos, essa era uma verdadeira aberração papal. Em 1435 Eugênio IV excomungou os “cristãos” que estavam escravizando os habitantes das ilhas canárias — o mais antigo reduto português e espanhol no Atlântico —; em 1462 Pio II declarou a escravidão como “um grande crime”; em 1537, Paulo III exigiu a libertação de todos os índios estadunidenses, como também fez Gregório XIV em 1591. Urbano VIII — 1623—1644 — condenou toda espécie de escravidão, incluindo a de pessoas negras e a santa inquisição adotou a mesma postura em 1686. Apesar da cristandade declarar a escravidão como algo imoral, muitos “cristãos” preferiam o lucro à teologia moral.
  
A ação melhor sucedida, do ponto de vista prático, contra a escravidão foi feita por Jesuítas católicos no Paraguai, onde de 1609 até 1768 eles criaram uma República livre para os índios guaranis. Essa república foi completamente destruída por ordem das coroas da Espanha e Portugal atendendo a exigências de escravagistas locais.

Condenações teológicas e até mesmo oficiais tiveram pequeno ou nenhum impacto em um comércio que não parava de crescer e se tornava cada vez mais lucrativo, por causa das extensas plantações de cana e de tabaco nas Índias Ocidentais e também nas ilhas do mar do Caribe, onde as condições dos escravos era bastante agravada, pois tinham que trabalhar em grupos, sob os olhares de feitores a serviço dos proprietários, que se encontravam na Europa. Dentre os códigos civis europeus que regulavam a escravidão o Código Negro Espanhol era o mais leniente, pois permitia o gozo de feriados, o direito de vender o excesso produzido além daquilo exigido pelos proprietários e também respeitava o casamento entre os escravos.  Já o Código Noir dos franceses era bem mais restrito e o Código de Barbados, dos ingleses, nas Índias Orientais era o mais perverso, pois permitia a tortura e até mesmo o assassinato dos escravos. Tudo isso, apesar do entendimento cristão, que os ingleses alegavam seguir, afirmar que a escravidão violava a liberdade de consciência e a integridade da alma e do corpo.

Teólogos podem ter debatido, se algum deles participou, de fato nesse debate, se os negros tinham alma, mas na prática os negros eram tratados como se não tivessem alma. De fato, muitos senhores de escravos procuravam conduzi-los à cristandade, para que aprendessem a colocar a esperança da liberdade no outro mundo. Depois da proclamação da independência dos EUA, quando a cultura do algodão tornou-se a principal do sul da daquele país, o uso da mão de obra escrava e negra se transformou em algo muito maior e bem mais abusivo. Enquanto muitos escravos da casa grande eram tratados relativamente bem, os escravos no campo eram tratados de forma desumana, como engrenagens na enorme máquina industrial que necessitava cultivar e vender algodão, de forma lucrativa. Por volta 1790 havia mais de 292.000 escravos na Virgínia, e mais de 694.000 em todo o país. Apenas o estado de Massachusetts havia abolido a escravidão. O tráfico de escravo nos EUA  tornou-se, então, praticamente, um tráfico interno, ao longo dos rios do interior, particularmente ao longo do rio Mississipi, onde a expressão          "descer o rio" significava seguir numa direção de miséria e morte nos campos de algodão.

À medida que o tráfico de escravos tornava-se cada vez mais e mais desumano, reiteradas vozes começaram a serem ouvidas contra o mesmo a partir de 1750. O iluminismo secular estava divido quanto a questão que envolvia a escravidão. Thomas Jefferson tinha escravos e foi incapaz de libertá-los mesmo quando de sua morte. Para efeitos do censo e do direito de votar, a constituição estadunidense, tão elogiada, originalmente considerava os negros apenas como representando 3/5 de um ser humano. Iluministas como Voltaire, o barão de Montesquieu, o marquês de Mirabeau e Edmund Baker continuavam aceitando a escravidão. Por outro lado, figuras como Adam Smith, Dennis Diderot, Jacques Turgot, Samuel Johnson e o marquês de Condorcet condenavam a mesma. Nessa época verdadeiros cristãos se encontravam sempre nas frentes de luta contra o comércio de escravos, bem como da própria escravidão. Em 1754, o quacre John Woolman lançou uma cruzada contra o comércio de escravos dentro dos EUA, e já em 1771 o estado de Massachusetts tornou ilegal a importação de escravos. Em 1791 o estado da Carolina do Norte declarou a morte de um escravo como assassinato, e o estado da Geórgia fez o mesmo em 1816. Na Inglaterra, William Wilbeforce — 1759—1833 —fundou a Sociedade pela Abolição do Tráfico de Escravos em 1787, algo que teve todo o apoio de John Wesley — 1703—1791 — fundador do metodismo.

O movimento contra a escravidão teve duas fases: primeiro, a abolição do tráfico. E, segundo — depois do primeiro objetivo ter sido alcançado — a abolição da instituição da escravatura e a consequente libertação de todos os escravos. Sob uma pesada pressão moral por parte dos cristãos, países protestantes tornaram ilegal o tráfico de escravos: a Dinamarca em 1803; o Reino Unido em 1807; os EUA  em 1808; e a Holanda em 1848. Do lado católico romano, Pio VII exigiu a abolição de todo o tráfico em 1815 e em 1839 Gregório XVI enviou uma carta pastoral endereçada a todos os católicos condenando todo tipo de escravidão. A França aboliu o tráfico de escravos em 1831.

Os reformadores agora se voltaram para a abolição da escravatura. A Sociedade Contra a Escravidão dos EUA foi fundada em 1833 — a maioria dos seus membros eram pastores protestantes — e o Partido do Solo Livre foi fundada em 1848. Em 1833 o Reino Unido aboliu a escravidão por completo, como também fez a França em 1848. Nas repúblicas espanhol-americanas a escravidão foi abolida primeiro na Argentina em 1813 e por último na Venezuela em 1854. Notoriamente, os Estados Unidos da América não aboliu a escravidão até 1865, mas escritores abolicionistas tais como Lyman Beecher, Lucy Stone, Charles Finney e William Lloyd Garrison agitaram as consciências do protestantes do norte do país.

Um dos mais severos golpes contra a escravatura foi a obra escrita pela filha de Lyman Beecher, Harriet, intitulada "A Cabana do Pai Tomás" em 1852. Sejam quais tenham sido as várias causas da Guerra Civil nos EUA, a mesma foi em primeiro lugar uma guerra contra a escravidão. A Espanha não aboliu a escravidão em Cuba até 1886, e o Brasil foi a última nação chamada cristã a abolir os escravos em 1888.

Historiadores seculares, geralmente por questões ideológicas procuram diminuir, de maneira grosseira, a importância da fé cristã nos processos de abolição da escravidão. É muito importante notar que a escravidão era imensamente lucrativa tanto no Caribe quanto no sul do EUA, e isso custou aos governos enormes valores a título de compensação pelo "confisco" de suas propriedades. Os interesses econômicos e políticos seguiram o dinheiro, por isso havia pouco ou nenhum interesse na abolição dos escravos. O verdadeiro interesse estava centrado, quase que exclusivamente, na moral dos líderes cristãos que deram início e alimentaram os movimentos de direitos civis até os anos 1960 do século XX. Agora, uma vez que a escravidão continua a existir em muitas outras formas, ainda há muito para ser feito.

Jeffrey B. Russell é professor de história e publicou 19 livros. Sua última obra foi "Exposing Myths About Chistianity" ou "Expondo os Mitos Acerca da Cristandade". O livro foi publicado pela Inter-Varsity Press em 2012.

O arquivo original poderá ser visto por meio desse link aqui:


A tradução do material acima é do Blog O Grande Diálogo.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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quarta-feira, 29 de abril de 2015

OS PAÍSES MAIS E MENOS RELIGIOSOS DO MUNDO


Penitentes da irmandade do 'Cristo de la Buena Muerte' em uma procissão durante a Semana Santa na cidade espanhola de Zamora
Penitentes da irmandade do 'Cristo de la Buena Muerte' em uma procissão durante a Semana Santa na cidade espanhola de Zamora(Cesar Manso/AFP)

A o site da Revista VEJA publicou uma lista com os países mais religiosos e menos religiosos do mundo. Vale à pena conferir

Lista: Conheça os países mais e os menos religiosos do mundo

Pesquisa apontou que África e Oriente Médio são as regiões mais religiosas do planeta, enquanto a Oceania e o leste europeu apresentam os índices mais baixos

A Tailândia foi considerada o país mais religioso do mundo em uma pesquisa realizada pela empresa WIN/Gallup International e divulgada nesta semana pelo jornal britânico Daily Telegraph. O levantamento contou com entrevistas feitas pessoalmente, por telefone ou por e-mail com 64.000 pessoas em 65 países diferentes. Os tailandeses tiveram índice de 94% de pessoas que dizem seguir alguma crença - número muito superior ao da China, que, em último lugar, aparece com apenas 7% de religiosos entre sua população.

A África e o Oriente Médio, com índices de 86% e 82%, respectivamente, são as regiões com maior número de religiosos no mundo. A Oceania e o leste europeu, com 44% e 43%, respectivamente, são os locais com a menor presença de fiéis. A pesquisa mostrou que os jovens, especialmente aqueles com idades entre 25 e 34 anos, são as pessoas mais religiosas. Os fiéis também são maioria entre pessoas de todos os níveis de educação. Aproximadamente 80% dos entrevistados com pouca formação e 60% dos que cursaram uma universidade se disseram religiosos.

O Brasil conta com presença elevada de religiosos. Entre os entrevistados, 79% das pessoas disseram seguir alguma crença, enquanto 16% não se consideraram religiosos. Somente 2% da população são ateístas convictos e 3% não souberam ou não quiseram opinar.
O instituto de pesquisa também fez uma projeção com relação à presença de religiosos no mundo em 2050. A expectativa é de que o número de ateus caia no Oriente, mas não no Ocidente. No Brasil, especificamente, a estimativa é de que 86,4% da população seja composta por cristãos, 9,3% não terão religião e 4% seguirão crenças populares. Judeus, muçulmanos, budistas e hindus corresponderão, cada um, a 0,5% da população brasileira.

Segundo o Daily Telegraph, os resultados do levantamento foram divulgados um mês após o Centro de Pesquisa Pew, em Washington, dizer que o Islã será a religião dominante no mundo em 2100. Confira abaixo os cinco países mais religiosos. segundo a WIN/Gallup International.

Os cinco países mais religiosos do mundo

1 de 5(Foto: Damir Sagolj/Reuters)
Tailândia

Tailândia

Porcentagem de pessoas religiosas: 94%
Porcentagem de pessoas que não se consideram religiosas: 1%
Porcentagem de ateus convictos: 1%
Não sabem ou não quiseram responder à pesquisa: 3%


Armênia
2 de 5(Foto: Karen Minasyan/AFP)

Armênia

Porcentagem de pessoas religiosas: 93%
Porcentagem de pessoas que não se consideram religiosas: 3%
Porcentagem de ateus convictos: 2%
Não sabem ou não quiseram responder à pesquisa: 2%


Bangladesh
3 de 5(Foto: Munir Uz Zaman/AFP/VEJA)

Bangladesh

Porcentagem de pessoas religiosas: 93%
Porcentagem de pessoas que não se consideram religiosas: 5%
Porcentagem de ateus convictos: 0%
Não sabem ou não quiseram responder à pesquisa: 1%


Geórgia
4 de 5(Foto: David Mdzinarishvili/Reuters/VEJA)

Geórgia

Porcentagem de pessoas religiosas: 93%
Porcentagem de pessoas que não se consideram religiosas: 6%
Porcentagem de ateus convictos: 1%
Não sabem ou não quiseram responder à pesquisa: 0%


Marrocos
5 de 5(Foto: Fadel Senna/AFP/VEJA)

Marrocos

Porcentagem de pessoas religiosas: 93%
Porcentagem de pessoas que não se consideram religiosas: 4%
Porcentagem de ateus convictos: 1%
Não sabem ou não quiseram responder à pesquisa: 2%

Os cinco países menos religiosos do mundo


Holanda
1 de 5(Foto: Cris Toala Olivares/Reuters)

Holanda

Porcentagem de pessoas religiosas: 26%
Porcentagem de pessoas que não se consideram religiosas: 51%
Porcentagem de ateus convictos: 15%
Não sabem ou não quiseram responder à pesquisa: 8%


República Tcheca
2 de 5(Foto: Istock/Getty Images)

República Tcheca

Porcentagem de pessoas religiosas: 23%
Porcentagem de pessoas que não se consideram religiosas: 45%
Porcentagem de ateus convictos: 30%
Não sabem ou não quiseram responder à pesquisa: 2%


Suécia
3 de 5(Foto: AFP/VEJA)

Suécia

Porcentagem de pessoas religiosas: 19%
Porcentagem de pessoas que não se consideram religiosas: 59%
Porcentagem de ateus convictos: 17%
Não sabem ou não quiseram responder à pesquisa: 6%


Japão
4 de 5(Foto: The Asahi Shimbun/Getty Images)

Japão

Porcentagem de pessoas religiosas: 13%
Porcentagem de pessoas que não se consideram religiosas: 31%
Porcentagem de ateus convictos: 31%
Não sabem ou não quiseram responder à pesquisa: 25%


China
5 de 5(Foto: Wong Campion/Reuters)

China

Porcentagem de pessoas religiosas: 7%
Porcentagem de pessoas que não se consideram religiosas: 29%
Porcentagem de ateus convictos: 61%
Não sabem ou não quiseram responder à pesquisa: 3%

O artigo original do site da Revista VEJA poderá ser visto por meio desse link aqui:


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Alexandros Meimaridis

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domingo, 26 de abril de 2015

A VERDADEIRA CIRCUNCISÃO E O VERDADEIRO BATISMO


Esse esboço de sermão é parte da série "Exposição da Epístola aos Efésios" e é muito recomendável que o leitor procure conhecer todos os aspectos das verdades contidas nessa exposição, com aplicações para os nossos dias. No final do artigo você encontrará um link para outros estudos dessa série.

EXPOSIÇÃO DA EPÍSTOLA DE PAULO AOS EFÉSIOS

Uma exposição adicional ao sermão 0015 de Efésios que poderá ser visto por meio desse link aqui:

http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/04/efesios-21112-sermao-015-nossa-precaria.html

Filipenses 3:3

Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne.
Porque nós é que somos a circuncisão  

Para entendermos exatamente aquilo que o apóstolo Paulo está dizendo aqui é necessário respondermos às seguintes perguntas: O que era a circuncisão? E qual era propósito da mesma?

A. A circuncisão: o que é? – fisicamente falando.

1. Os termos usados nas línguas originais são:

a. No hebraico = מּוּלֹת  mulot — circuncisão.

b. No grego = περιτομή  peritomí — circuncisão.

2. No português — circuncisão — do latim circumcisione, quer dizer: rito de iniciação, que consiste em cortar o prepúcio. Prepúcio é a pele que cobre a glande ou “cabeça” do órgão sexual masculino. O procedimento cirúrgico que remove esta pele é chamado de postectomia.

3. A circuncisão, portanto, consiste na remoção, através de um corte, da pele que reveste a glande do pênis masculino e é um costume que existe desde a Antiguidade entre povos de todas as raças espalhadas pelas Américas, África e Austrália.

B. A circuncisão na Antiguidade do Crescente Fértil.

1. A circuncisão foi adotada pelos povos semitas que habitavam a Palestina e o Egito — hebreus, árabes, moabitas, amonitas, edomitas e egípcios, mas era desconhecida dos semitas que habitavam na região do rio Eufrates na Mesopotâmia.

2. Na terra de Canaã, os filisteus não usavam praticar a circuncisão, daí receberem o epíteto de “incircuncisos”.

3. A prática da circuncisão antecedia a obtenção de certos privilégios políticos e religiosos —

Êxodo 12:48

Porém, se algum estrangeiro se hospedar contigo e quiser celebrar a Páscoa do SENHOR, seja-lhe circuncidado todo macho; e, então, se chegará, e a observará, e será como o natural da terra; mas nenhum incircunciso comerá dela.

Ezequiel 44:9

Assim diz o SENHOR Deus: Nenhum estrangeiro que se encontra no meio dos filhos de Israel, incircunciso de coração ou incircunciso de carne, entrará no meu santuário.

Apesar de não sabermos exatamente como essa prática da circuncisão começou acreditamos que a mesma tenha íntima relação com as práticas religiosas da Antiguidade.

C. A circuncisão no Antigo Testamento.

No Antigo Testamento quando lemos o livro de Gênesis capítulo 17, que narra o estabelecimento da aliança feita entre Deus e Abraão —

Gênesis 17:2

Farei uma aliança entre mim e ti e te multiplicarei extraordinariamente.

nós podemos notar que a circuncisão foi vista como sendo o “meio” pelo qual o pacto foi ratificado ou confirmado —

Gênesis 17:10—11

10 Esta é a minha aliança, que guardareis entre mim e vós e a tua descendência: todo macho entre vós será circuncidado.

11 Circuncidareis a carne do vosso prepúcio; será isso por sinal de aliança entre mim e vós.

Por meio daquele acordo ou aliança, o Deus Eterno assumia a responsabilidade de ser o Deus de Abraão e seus descendentes —

Gênesis 17:8

Dar-te-ei e à tua descendência a terra das tuas peregrinações, toda a terra de Canaã, em possessão perpétua, e serei o seu Deus.

Abraão viria tornar-se pai de numerosas multidões e o fundador de uma linhagem real —

Gênesis 17:4—6

4 Quanto a mim, será contigo a minha aliança; serás pai de numerosas nações.

5 Abrão já não será o teu nome, e sim Abraão; porque por pai de numerosas nações te constituí.

6 Far-te-ei fecundo extraordinariamente, de ti farei nações, e reis procederão de ti.

Para se manter a aliança com o Deus Eterno era necessário que, daquele momento em diante, todo macho, nascido no meio dos descendentes de Abraão e todos os outros que desejassem participar da aliança, fosse circuncidado ao oitavo dia —

Gênesis 17:12—13

12 O que tem oito dias será circuncidado entre vós, todo macho nas vossas gerações, tanto o escravo nascido em casa como o comprado a qualquer estrangeiro, que não for da tua estirpe.

13 Com efeito, será circuncidado o nascido em tua casa e o comprado por teu dinheiro; a minha aliança estará na vossa carne e será aliança perpétua.

De acordo com as ciências médicas, os dois elementos mais importantes relacionados com a coagulação do sangue humano são, a vitamina K e a proteína chamada de protrombina. Estes dois elementos atingem níveis ideais exatamente no oitavo dia de vida. Com isto, praticamente não existe perda de sangue durante o processo de circuncisão efetuado ao oitavo dia, pois o organismo está mais do que preparado para estancar o sangue. No meio de outros povos e outras culturas a circuncisão não é praticada na infância e sim, durante a puberdade, quando os meninos iniciam o processo de passagem entre a vida infantil e a vida juvenil e adulta. Para os hebreus, todavia, a circuncisão significava a ratificação do pacto ou aliança feita entre Deus e Abraão e seus descendentes. Por este motivo, quanto antes fosse praticada, melhor. Esta foi a mesma lógica utilizada pelos pais da igreja – aqueles que lideraram a igreja do Senhor durante o secundo século a.D. — do ano 100 até o ano 200 — para introduzir o batismo infantil. Se estamos em uma aliança com Deus, e, de fato, estamos em uma Nova Aliança com Deus, porque demorarmos em estender aos nossos filhos e filhas o privilégio de serem alistados como membros desta aliança. Aqueles que se preocupam com a idade dos batizandos — infantes ou pessoas maiores — ou que dão suprema importância ao modo — imersão total, imersão parcial, aspersão ou efusão — bem como à quantidade de água envolvida — muita água ou pouca água — no processo de batismo, valorizam mais o ato em si, dando ao mesmo uma importância imprópria e acabam por não enxergar o verdadeiro propósito do batismo como símbolo da aliança que temos com Deus, aliança esta que está completamente estendida aos nossos filhos e filhas.

Os judeus que saíram do Egito estavam circuncidados, mas toda aquela geração pereceu no deserto devido à incredulidade de seus corações. A geração nascida no deserto não foi circuncidada até que eles entraram na terra prometida —

Josué 5:1—9

1 Sucedeu que, ouvindo todos os reis dos amorreus que habitavam deste lado do Jordão, ao ocidente, e todos os reis dos cananeus que estavam ao pé do mar que o SENHOR tinha secado as águas do Jordão, de diante dos filhos de Israel, até que passamos, desmaiou-se-lhes o coração, e não houve mais alento neles, por causa dos filhos de Israel.

2 Naquele tempo, disse o SENHOR a Josué: Faze facas de pederneira e passa, de novo, a circuncidar os filhos de Israel.

3 Então, Josué fez para si facas de pederneira e circuncidou os filhos de Israel em Gibeate-Haralote.

4 Foi esta a razão por que Josué os circuncidou: todo o povo que tinha saído do Egito, os homens, todos os homens de guerra, eram já mortos no deserto, pelo caminho.

5 Porque todo o povo que saíra estava circuncidado, mas a nem um deles que nascera no deserto, pelo caminho, depois de terem saído do Egito, haviam circuncidado.

6 Porque quarenta anos andaram os filhos de Israel pelo deserto, até se acabar toda a gente dos homens de guerra que saíram do Egito, que não obedeceram à voz do SENHOR, aos quais o SENHOR tinha jurado que lhes não havia de deixar ver a terra que o SENHOR, sob juramento, prometeu dar a seus pais, terra que mana leite e mel.

7 Porém em seu lugar pôs a seus filhos; a estes Josué circuncidou, porquanto estavam incircuncisos, porque os não circuncidaram no caminho.

8 Tendo sido circuncidada toda a nação, ficaram no seu lugar no arraial, até que sararam.

9 Disse mais o SENHOR a Josué: Hoje, removi de vós o opróbrio do Egito; pelo que o nome daquele lugar se chamou Gilgal até o dia de hoje.

O dia em que Josué circuncidou os filhos de Israel foi marcado como o dia efetivo, em que Deus removeu – literalmente גִּלְגָּל  gileggal — um a roda, um rolo — ou rolou, de sobre o povo de Israel tudo o que a vida de escravidão no Egito havia significado para eles.

D. O significado Espiritual da Circuncisão.

O significado espiritual da circuncisão pode ser encontrado em versículos como:

Deuteronômio 10:15—16

Tão somente o SENHOR se afeiçoou a teus pais para os amar; a vós outros, descendentes deles, escolheu de todos os povos, como hoje se vê. Circuncidai, pois, o vosso coração e não mais endureçais a vossa cerviz.

Deuteronômio 30:6

O SENHOR, teu Deus, circuncidará o teu coração e o coração de tua descendência, para amares o SENHOR, teu Deus, de todo o coração e de toda a tua alma, para que vivas.

Jeremias 9:25—26

Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que castigarei a todos os circuncidados juntamente com os incircuncisos: ao Egito, e a Judá, e a Edom, e aos filhos de Amom, e a Moabe, e a todos os que cortam os cabelos nas têmporas e habitam no deserto; porque todas as nações são incircuncisas, e toda a casa de Israel é incircuncisa de coração.

Note que para o profeta Jeremias o povo de Israel não era melhor do que aqueles povos que não eram circuncidados, porque a verdadeira circuncisão, a que realmente conta, é efetuada por Deus e acontece no coração! O profeta Jeremias não dava a mínima importância ao ato externo em si mesmo. Seu interesse estava onde realmente precisava estar: é o coração que importa e não a pele do prepúcio! Tudo isto deve nos ajudar a entender o que o apóstolo Paulo está dizendo aqui em

Filipenses 3:3

Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne.

De fato Paulo usa a expressão grega κατατομή katatomí – cortar ou mutilar – para se referir a esta circuncisão da carne que vem desacompanhada de qualquer transformação genuinamente espiritual —

Gálatas 5:12

Tomara até se mutilassem os que vos incitam à rebeldia.

Esta questão, que envolvia o aspecto se os cristão entre os gentios, deveriam ou não ser circuncidados, fisicamente falando, causou enorme pressão entre os primeiros discípulos ou seguidores de Jesus, que haviam se convertido entre aqueles que não eram judeus. Pessoas que eram judeus e que haviam se convertido à fé em Jesus argumentavam que era necessário circuncidar os convertidos vindos do mundo gentílico. Para estes judeus, a circuncisão obrigatória dos gentios convertidos funcionava como uma espécie de “vingança” pelo que os judeus haviam sofrido nas mãos dos gregos e dos romanos, particularmente no que diz respeito à própria circuncisão, já que em determinadas épocas, os dominadores estrangeiros, proibiram tal prática. Para os judeus a salvação vinha dos judeus e era para os judeus somente — isto se chama exclusivismo e é puro racismo. Por este motivo, para os judeus, era necessário tornar-se judeu primeiro — via circuncisão — para então, tornar-se cristão — via batismo. Paulo permitiu que Timóteo fosse circuncidado “por causa dos judeus” – ver Atos 16:3. Esta foi uma única exceção!

O motivo porque Paulo afirma que nós, os cristãos, somos a circuncisão é porque enquanto os judeus são fisicamente circuncidados a nós, cristãos, nos foi concedido o privilégio de experimentar a verdadeira circuncisão, a que conta para valer, aquela que é do coração. A verdadeira circuncisão é aquela que acontece com todos os que experimentam uma real convicção relacionada à pecaminosidade humana. Ela acontece somente com aqueles que possuem uma verdadeira compreensão acerca da realidade daquilo que somos como pecadores diante de Deus. Esses são aqueles cuja dureza de coração foi removida e que se aperceberam de sua própria iniquidade, quando foram completamente expostos à mesma. São os que experimentam a dor e tristeza acompanhadas da contrição e do arrependimento, diante não apenas daquilo que fazem, mas diante daquilo que são. Somente quando renunciamos, de maneira completa e absoluta, a qualquer prerrogativa representada por nossa própria justiça e nos reconhecemos por aquilo que realmente somos diante de Deus, pecadores inveterados, é que a circuncisão do coração acontece. Temos que experimentar o que o profeta Isaías experimentou quando disse:

Isaías 64:6

Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades, como um vento, nos arrebatam.

Isaías 6:1—5

1 No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo.

2  Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava.

3 E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.

4 As bases do limiar se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça.

5 Então, disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos!

Quando chegamos a nos reconhecer desta maneira, então Deus opera a circuncisão feita por mãos não humanas, a circuncisão do coração, a verdadeira circuncisão. Deus é o autor de tal circuncisão. O louvor devido por essa circuncisão pertence exclusivamente a Deus! E essa circuncisão acontece no coração e não tem nada a ver com a remoção física do prepúcio. Todo aquele que experimenta a verdadeira circuncisão ama o Senhor e o teme. E esse amor e temor é manifestado, de forma prática, em um viver que é coerente com a vontade revelada de Deus. Estes são aqueles a quem o apóstolo Paulo se refere como...

Nós que adoramos a Deus no Espírito — O “objeto” supremo da nossa adoração deve ser sempre Deus e somente Deus. Não podemos, nunca, adorar nenhuma criatura seja viva ou inanimada. Não podemos adorar imagens de pedra, de barro, de metal fundido ou de gesso, nem animais, nem pássaros, nem homens, nem anjos. Somente Deus deve ser adorado. Deus é o único criador e, por esse motivo, o único que deve ser adorado. Orações devem ser elevadas somente a Deus, da mesma maneira que o batismo deve ser administrado em Seu glorioso nome: Pai, Filho e Espírito Santo. De modo semelhante, nossa confiança deve ser depositada exclusivamente em Deus. A adoração que devemos a Deus é tanto interna como externa, tanto pública como privada. Independente destes aspectos, nossa adoração a Deus deve ser sempre em espírito e em verdade —

João 4:23—24

23 Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores.

24 Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.

Isto quer dizer que quando vamos adorar a Deus temos que fazê-lo, com a totalidade daquilo que somos —

Marcos 12:30

Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força.

Além disso, é necessário que nossa adoração seja coerente com as nossas vidas i.e., com o tipo de vida que estamos vivendo. É realmente uma grande tolice pensar que podemos viver de qualquer modo, ignorando as verdades reveladas pela Palavra de Deus, e comparecermos diante de Deus para Lhe prestarmos culto. O povo de Israel tentou fazer exatamente isso, mas foi duramente condenado por Deus nos dias de Isaías, o profeta —

Isaías 1:11—18

11 De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? —diz o SENHOR. Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais cevados e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes.

12 Quando vindes para comparecer perante mim, quem vos requereu o só pisardes os meus átrios?

13 Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e também as Festas da Lua Nova, os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniqüidade associada ao ajuntamento solene.

14 As vossas Festas da Lua Nova e as vossas solenidades, a minha alma as aborrece; já me são pesadas; estou cansado de as sofrer.

15 Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue.

16 Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal.

17 Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas.

18 Vinde, pois, e arrazoemos, diz o SENHOR; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã.

Nossa adoração precisa ser coerente e consistente com o padrão de vida de santidade com que Deus nos capacitou e que realmente espera que vivamos no dia-a-dia. Nos dias de hoje, a vasta maioria dos chamados “crentes evangélicos”, sentem-se livres para viver como bem entenderem. São estes que se dão ao direito de ignorar os mandamentos de Deus conforme suas conveniências. Eles realmente não entendem que precisam ter o coração circuncidado. Não há nenhuma evidência externa de que uma obra da graça de Deus foi realmente feita em seus corações. Eles agem exatamente como agem àqueles que não creem. Ora, se alguém pensa como um incrédulo, fala como um incrédulo e age como um incrédulo, ele é um incrédulo e não um crente.

Essas pessoas conhecem as rotinas dos crentes. Cantam os cânticos, fazem orações, contribuem financeiramente, mas não existe verdadeira obra da graça em seus corações. São mentirosos, pretensiosos, falsos irmãos, politiqueiros e estão nas comunidades apenas pelos privilégios que podem derivar dela. Seus corações, incircuncisos, diga-se de passagem, não estão no serviço cristão e sim no poder e no orgulho. O profeta Isaías nos deu uma perfeita descrição destas pessoas —

Isaías 28:9—19

9 A quem, pois, se ensinaria o conhecimento? E a quem se daria a entender o que se ouviu? Acaso, aos desmamados e aos que foram afastados dos seios maternos?

10 Porque é preceito sobre preceito, preceito e mais preceito; regra sobre regra, regra e mais regra; um pouco aqui, um pouco ali.

11 Pelo que por lábios gaguejantes e por língua estranha falará o SENHOR a este povo,

12 ao qual ele disse: Este é o descanso, dai descanso ao cansado; e este é o refrigério; mas não quiseram ouvir.

13 Assim, pois, a palavra do SENHOR lhes será preceito sobre preceito, preceito e mais preceito; regra sobre regra, regra e mais regra; um pouco aqui, um pouco ali; para que vão, e caiam para trás, e se quebrantem, se enlacem, e sejam presos.

14 Ouvi, pois, a palavra do SENHOR, homens escarnecedores, que dominais este povo que está em Jerusalém.

15 Porquanto dizeis: Fizemos aliança com a morte e com o além fizemos acordo; quando passar o dilúvio do açoite, não chegará a nós, porque, por nosso refúgio, temos a mentira e debaixo da falsidade nos temos escondido.

16 Portanto, assim diz o SENHOR Deus: Eis que eu assentei em Sião uma pedra, pedra já provada, pedra preciosa, angular, solidamente assentada; aquele que crer não foge.

17 Farei do juízo a régua e da justiça, o prumo; a saraiva varrerá o refúgio da mentira, e as águas arrastarão o esconderijo.

18 A vossa aliança com a morte será anulada, e o vosso acordo com o além não subsistirá; e, quando o dilúvio do açoite passar, sereis esmagados por ele.

19 Todas as vezes que passar, vos arrebatará, porque passará manhã após manhã, e todos os dias, e todas as noites; e será puro terror o só ouvir tal notícia.

Isaías 29:13—16

13 O Senhor disse: Visto que este povo se aproxima de mim e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, que maquinalmente aprendeu,

14 continuarei a fazer obra maravilhosa no meio deste povo; sim, obra maravilhosa e um portento; de maneira que a sabedoria dos seus sábios perecerá, e a prudência dos seus prudentes se esconderá.

15 Ai dos que escondem profundamente o seu propósito do SENHOR, e as suas próprias obras fazem às escuras, e dizem: Quem nos vê? Quem nos conhece?

16 Que perversidade a vossa! Como se o oleiro fosse igual ao barro, e a obra dissesse do seu artífice: Ele não me fez; e a coisa feita dissesse do seu oleiro: Ele nada sabe.

Deus os conhece. Deus sabe o que vai em seus corações. Deus fará justiça! Precisamos urgentemente dar ouvidos às palavras de Tiago quando diz que precisamos nos achegar, com humildade, a Deus; que precisamos purificar nossas mãos e limpar nossos corações; precisamos também afligir-nos, lamentar e chorar ao ponto de nosso riso se converter em copioso choro e nossa alegria em genuína tristeza —

Tiago 4:8—10

8 Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros. Purificai as mãos, pecadores; e vós que sois de ânimo dobre, limpai o coração.

9 Afligi-vos, lamentai e chorai. Converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria, em tristeza.

10 Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará. 

Jesus nos advertiu que, juntamente com os verdadeiros cristãos, que são comparados ao trigo, uma verdadeira multidão de incrédulos, que são comparados ao joio, crescem lado a lado durante a era da igreja.  Somente no juízo final é que o falso será definitivamente separado do verdadeiro — ver Mateus 13:24—30 e 36—43.

E nos gloriamos em Cristo Jesus — Esta expressão indica que nós renunciamos a toda e qualquer confiança que pudéssemos ter em nós mesmos ou em nossas obras pessoais. Essa é uma condição realmente “sine qua non”, quando queremos nos aproximar do Deus verdadeiro. Temos que nos reconhecer por aquilo que somos: pecadores, que precisam desesperadamente da graça do Senhor Jesus. Quando chegamos nesse ponto, estamos prontos para iniciar a nos “gloriar em Cristo”. E, os que se gloriam em Cristo são os únicos verdadeiros adoradores de Deus, são os que verdadeiramente adoram a Deus em Espírito e em verdade. São esses que alcançaram, de fato, aquilo que é apenas contemplado tanto pela circuncisão quanto por outros atos religiosos. Porque nos gloriamos em Cristo, i.e., porque confiamos totalmente em Jesus, em Sua sabedoria, em Sua riqueza em Sua justiça, em Sua pessoa e em Sua graça é que podemos no colocar na posição de...

E não confiamos na carne — A palavra carne, neste versículo, representa tudo aquilo, à parte de Jesus Cristo, em que uma pessoa pode colocar sua esperança, no que diz respeito à salvação eterna da sua alma. Paulo usa o seu próprio exemplo para ilustrar a absoluta falta de valor destas coisas – rituais, cerimônias, hereditariedade, moralismo e legalismo —
Filipenses 3:4—9

4 Bem que eu poderia confiar também na carne. Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais:

5 circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu,

6 quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível.

7 Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo.

8 Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo

9 e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé.

Isso quer dizer que não confiamos naquilo que nossa natureza, que é tão corrompida, pode produzir. Quer dizer também que não confiamos, para a nossa salvação, em nenhum tipo de ordenança ou ritual externo e diretamente relacionado ao nosso corpo físico, tal como, a circuncisão e o batismo. Também não confiamos em relacionamentos de sangue. Os judeus costumavam pensar que, por serem descendentes de Abraão, estavam seguros no seu relacionamento com Deus. Assim, a confiança na carne, a que Paulo está se referindo, tem a ver com vantagens obtidas ou advindas do berço em que alguém nasceu, como se, descender de Abraão, apenas, fosse suficiente para salvar alguém. É óbvio que confiar a salvação eterna a algum tipo de relacionamento de sangue ou parentesco é uma grande tolice, pois o próprio João Batista confrontou os líderes religiosos de seus dias exatamente por este motivo —

Mateus 3:7—9

7 Vendo ele, porém, que muitos fariseus e saduceus vinham ao batismo, disse-lhes: Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura?

8 Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento;

9 e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão.

O que João Batista disse àqueles homens, em outras palavras, era o seguinte: Deus tinha o poder de destruir Israel e criar um novo povo para si, novos filhos de Abraão, e de fato é isto mesmo que Deus fará se Israel não se arrepender. O mesmo é verdadeiro com relação àqueles que confiam ou derivam sua salvação, da obediência externa aos mandamentos da Lei, bem como a tudo aquilo que o ser humano é capaz de fazer, por si mesmo, sem o auxílio de nada ou de ninguém. Nenhuma destas coisas pode produzir verdadeira esperança de salvação. Todos o que querem depositar qualquer confiança, mesmo por menor que seja, em qualquer coisa que vá além de, em Jesus somente, estão enquadrados juntamente com aqueles que confiam na carne. E os que confiam na carne não podem se gloriar em Cristo, não podem adorar a Deus em Espírito e em verdade. O verdadeiro crente confia completa e exclusivamente somente em Jesus, quando o assunto é a salvação eterna da sua alma.

OUTRAS MENSAGENS DA SÉRIE NA EPÍSTOLA AOS EFÉSIOS

ALGUNS ASPECTOS DAS INSONDÁVEIS RIQUEZAS DE CRISTO COMO APRESENTADAS EM EFÉSIOS

EFÉSIOS 1:1—2 — SERMÃO 001 — INTRODUÇÃO À EPÍSTOLA AOS EFÉSIOS

EFÉSIOS 1:3—14 — SERMÃO 002 — TODA SORTE DE BÊNÇÃO ESPIRITUAL

EFÉSIOS 1:4—6 — SERMÃO 003 —A BÊNÇÃO DA NOSSA ELEIÇÃO POR DEUS

EFÉSIOS 1:7—8 — SERMÃO 004 —A BÊNÇÃO DA NOSSA REDENÇÃO

EFÉSIOS 1:9—10 — SERMÃO 005 —A BÊNÇÃO DA UNIFICAÇÃODE TODAS AS COISAS EM CRISTO

EFÉSIOS 1:11—14 — SERMÃO 006 — A BÊNÇÃO DE DEUS EM PERSPECTIVA

EFÉSIOS 1:15—16— SERMÃO OO7 — A IMPORTÂNCIA DA FÉ E DO AMOR

EFÉSIOS 1:16—17 — SERMÃO OO8 — A IMPORTÂNCIA DO ESPÍRITO SANTO EM NOSSAS VIDAS

EFÉSIOS 1:18—21 — SERMÃO OO9 — A ESPERANÇA DO SEU CHAMAMENTO EM NOSSAS VIDAS

EFÉSIOS 1:18—21 — SERMÃO O10 — A RIQUEZA DA GLÓRIA DA SUA HERANÇA NOS SANTOS

EFÉSIOS 1:18—21 — SERMÃO O11 — A SUPREMA RIQUEZA DO SEU PODER

EFÉSIOS 1:22—23 — SERMÃO O12 — A IGREJA E CRISTO COMO PLENITUDE

EFÉSIOS 2:1—3 — SERMÃO O13 — A CONDIÇÃO DO SER HUMANO SEM DEUS

EFÉSIOS 2:4—10 — SERMÃO 014 —  A CONDIÇÃO HUMANA  PELA GRAÇA DE DEUS

O QUE DEUS FEZ POR NÓS — SALVAÇÃO

PARA O QUE DEUS NOS SALVOU?

EFÉSIOS 2:11—12 — SERMÃO 015 — MOSSA PRECÁRIA CONDIÇÃO ANTES DE CRISTO VIR AO MUNDO

A VERDADEIRA CIRCUNCISÃO E O VERDADEIRO BATISMO

Que Deus abençoe a todos

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.