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sexta-feira, 14 de julho de 2017

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 018 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MARCOS — CARACTERÍSTICAS — 001

o-evangelho-de-cristo

Essa série pretende disponibilizar as informações mais importantes acerca de cada um dos 27 livros que compõem o Novo Testamento. Desde que lançamos nossa série de Introdução ao Antigo Testamento, muitos leitores têm nos questionando acerca de algum material semelhante com respeito ao Novo Testamento. Então, aproveitando que iniciamos uma série de estudos acerca dos manuscritos do Novo Testamento — tecnicamente chamada de “baixa crítica” — estamos usando essa oportunidade para lançar uma série que trate também do texto do Novo Testamento em si, e da interpretação geral do mesmo — “alta crítica”.

II. O EVANGELHO DE MARCOS

O Evangelho de Marcos atravessou os séculos praticamente ignorado, até tronar-se central nas discussões levantadas pela chamada crítica textual do século XIX. Comentários antigos em Marcos são raros, o que indica claramente que o mesmo tinha um apelo muito pequeno. Mateus era considerado bem mais importante e, como Marcos era visto apenas como uma reprodução menor de Mateus, não é à toa que o mesmo era ignorado. Todavia, essa abordagem não era parte da postura da igreja primitiva acerca de Marcos já que o mesmo era considerado como sendo o registro feito por Marcos das reminiscências do apóstolo Pedro. Marcos alcançou uma posição de destaque nas discussões acerca dos evangelhos ao ser colocado no centro do chamado Problema Sinótico — falaremos acerca desse problema mais adiante.

A. CARACTERÍSTICAS

1. Um Evangelho de Ação

Não é difícil para nenhum leitor perceber que para Marcos a ação é mais importante que o discurso. Os ensinamentos de Cristo são sempre apresentados no contexto de algum tipo de narrativa. A história se move em passos rápidos até culminar na crucificação de Jesus. Alguns exemplos do que estamos falando serão suficientes para estabelecer esse fato:
a. Marcos descreve como o telhado de uma casa foi removido para que um paralítico pudesse ser colocado diante de Jesus — Marcos 2:4.

b. Marcos descreve Jesus dormindo com sua cabeça sobre um travesseiro dentro de um barco em meio a uma forte tormenta — Marcos 4:37—38.

c. Marcos nos fala de como a multidão foi ordeiramente dividida e assentada quando da multiplicação dos pões e dos peixes — Marcos 6:39.

d. Marcos descreve a forma como um surdo-mudo foi curado por Jesus, isto é, como Jesus colocou seu dedo no ouvido e também na língua do homem — Marcos 7:33.

e. Marcos descreve a restauração gradual da vista a um cego — Marcos 8:23—25.

f. Marcos descreve como Pedro estava se aquecendo junto com os servos da casa do sumo sacerdote — Marcos 14:54.

É óbvio que todas estas descrições são fruto de alguém que, certamente, foi testemunha ocular do que está sendo dito, mas existem opiniões ao contrário, que discutiremos adiante.

Marcos não tem um prólogo, ou melhor, tem um prólogo brevíssimo — Marcos 1:1 — e já inicia seu evangelho com o aparecimento de João Batista. Depois da narrativa envolvendo João Batista, inclusive o relacionamento dele com Jesus por ocasião do batismo do Senhor, Marcos mergulha imediatamente no ministério de Jesus e nos confrontos com mos fariseus que se estenderão por todo o evangelho, culminando com a crucificação de Jesus. O Evangelho de Marcos tem as seguintes divisões principais:

PRÓLOGO E A MISSÃO DE JOÃO BATISTA — MARCOS 1:1—13.

A FASE INICIAL DO MINISTÉRIO DE JESUS — MARCOS 1:14  — 3:6.

A FASE TARDIA DO MINISTÉRIO NA GALILEIA — MARCOS 3:7 — 6:13.

JESUS SE RETIRA DA GALILEIA — MARCOS 6:14 — 8:30.

A VIAGEM ATÉ JERUSALÉM — MARCOS 8:31 — 10:52.

MINISTÉRIO EM JERUSALÉM — MARCOS 11:1 — 13:37.

A NARRATIVA DA PAIXÃO — MARCOS 14:1 — 15:47

A RESSURREIÇÃO DE JESUS — MARCOS 16

Usando o esboço acima sugerimos que os leitores leiam o Evangelho de Marcos. A leitura do evangelho completa leva cerca de 90 minitos.

Marcos é, fundamentalmente, uma narrativa concreta da fida de Jesus. Ele nos conta as ações do Mestre de uma forma bastante objetiva. O evangelho está, praticamente, desprovido de apelos emocionais e o conteúdo dos ensinamentos de Jesus é bem menor do que aquele que encontramos nos outros evangelhos sinóticos de Mateus e Lucas. Os ensinamentos de Jesus em Marcos são breves afirmações que sempre fazem parte de alguma narrativa. E apesar de termos muitos desses ensinamentos nesse evangelho, é bem evidente que Marcos está bem mais interessado nas ações do que nos ensinamentos de Jesus propriamente ditos. Por esse motivo, o conteúdo de Marcos não está muito envolvido em debates teológicos. Para os que tiverem interesse nesse tipo de abordagem de Marcos, recomendamos o excelente livro de Ralph Martin Mark Evangelist and Theologian da série Contemporary Evagelicals Perspectives, publicado pela Zondervan Publishing House.  

CONTINUA...

OUTROS ESTUDOS ACERCA DA INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO GERAL AOS EVANGELHOS — ESTUDO 001
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 002 — A FORMA LITARÁRIA DOS EVANGELHOS
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 003 — MOTIVOS PORQUE OS EVANGELHOS FORAM ESCRITOS
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 004 — O LUGAR OCUPADO PELOS QUATRO EVANGELHOS NO NOVO TESTAMENTO
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 005 —  A MELHOR FORMA DE ABORDAR OS QUATRO EVANGELHOS
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 006 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 001
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 007 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 002
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 008 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 003
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 009 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 004
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 010 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 005
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 011 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 006
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 012 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 007
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 013 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 008
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 014 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 009
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 015 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 010 — AUTOR — PARTE 002
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 016 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 011 — DATA DA COMPOSIÇÃO
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 017 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 012 — IDIOMA ORIGINAL
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 018 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MARCOS — PARTE 001 — CARACTERÍSTICAS — PARTE 001.
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/07/introducao-ao-novo-testamento-estudo_14.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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quarta-feira, 27 de julho de 2016

NOSSA RIQUEZA EM CRISTO — ESTUDO 038B — EFÉSIOS 3:8—12 — AS INSONDÁVEIS RIQUEZAS DE CRISTO — PARTE 002 — A IGREJA EDIFICADA SOBRE CRISTO


 
Esse artigo é parte da série "Em Cristo" e é muito recomendável que o leitor procure conhecer todos os aspectos das verdades contidas nessa série, com aplicações para os nossos dias. No final do artigo você encontrará um link para o estudo posterior

38 – Efésios 3:8—12 - A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo e manifestar qual seja a dispensação do mistério, desde os séculos, oculto em Deus, que criou todas as coisas, para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais, segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor, pelo qual temos ousadia e acesso com confiança, mediante a fé nele.

CONTINUAÇÃO...

Para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida — Nessa porção dos versículos 8 a 12 de Efésios capítulo 3 que estamos estudando agora, Paulo introduz a expressão grega ἐκκλησία ekklesía — pronuncia-se eclissía — traduzida pela expressão igreja. Ah! A Igreja do Senhor. Quantas aberrações não existem ao redor deste nome: IGREJA. Quantos crimes não se têm perpetrado em nome da igreja e por extensão em nome de Deus? Quanta imoralidade não se tem praticado sob a coberta da igreja? Quanto abuso espiritual não se tem imposto sob a alegação de que é o melhor para a igreja? Estas situações servem para demonstrar muito bem o quão importante deve ser para nós a doutrina de igreja. Precisamos entender qual era a intenção do Senhor quando planejou a igreja e quando a implementou, para podermos evitar os grandes abismos em que as chamadas “igrejas cristãs” se encontram atualmente. Não desejamos escrever um compêndio de eclesiologia — doutrina da igreja propriamente dita — e sim responder apenas a uma pergunta que consideramos da maior importância:

O que é a Igreja? uma interpretação de mateus 16:18

Para responder a esta pergunta de maneira apropriada é necessário começarmos com uma exegese — interpretação — do texto de Mateus 16:18 que diz:

κἀγὼ δέ σοι λέγω ὅτι σὺ εἶ Πέτρος, καὶ ἐπὶ ταύτῃ τῇ πέτρᾳ οἰκοδομήσω μου τὴν ἐκκλησίαν καὶ πύλαι ᾅδου οὐ κατισχύσουσιν αὐτῆς.[1]

Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

No texto acima, tanto no original grego quanto no português, existem cinco expressões que estão sublinhadas. E são essas expressões que irão ocupar nossa exposição. Assim temos:

1. A ênfase neste versículo está na expressão “eu te digo” que faz um perfeito paralelo com a frase anterior proferida por Jesus no verso imediatamente anterior, quando Ele diz: “... não foi carne e sangue quem to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus”. O paralelo que existe é entre a revelação concedida pelo Pai e esta agora que será concedida pelo Filho. Não existe nenhum tipo de contraste que possa ser representado pelas frases “tu és o Cristo X tu és Pedro”. Note que no verso 17 Cristo chama Pedro pelo seu próprio nome que é Simão — este nome pode ser uma forma diminutiva de Simeão que quer dizer “Deus ouviu” ou, como outros têm sugerido o significado poderia ser “impulsivo” ou “nariz arrebitado”. Em João 1:42 nós lemos que Jesus mudou, profeticamente falando, o nome de Simão para  Κηφᾶς Kefâs — Cefas que quer dizer “pedregulho” e de onde se deriva a forma grega Πέτρος Pétros — pedregulho e esse nome sugere estabilidade. Em João 1:42 era uma profecia, agora, diante das revelações recebidas do Pai e do Filho e, especialmente, diante da confissão feita – Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo — ver Mateus 16:16 — a impulsividade de Simão começa a dar lugar à estabilidade de Pedro.

2. Existe, todavia, no texto grego um evidente jogo de palavras entre Πέτρος Pétros — pedregulho ou pequena porção da rocha e πέτρα pétra — rocha no grego. A mesma palavra traduzida aqui por pedra é usada em Mateus 7:24 e traduzida por rocha. Os tradutores optaram por pedra para manter um possível jogo de palavras também em português. Mas, e se o diálogo original se passou em aramaico? A expressão Κηφᾶς Kefâs — Cefas não implicaria no jogo de palavras.

3. ἐκκλησία ekklesía — igreja. Essa palavra era usada no grego em que o Novo Testamento foi escrito, conhecido como “grego koiné” ou comum, para descrever uma assembleia regular dos cidadãos de uma cidade — ver Atos 19:39 —  bem como para descrever uma congregação dispersa — ver Atos 8:1—3. Mateus é o único dos quatro evangelistas a usar a palavra ἐκκλησία ekklesía — igreja como tendo sido proferida por Cristo. Jesus usou esta palavra propositadamente. Da mesma maneira como a palavra grega ἐκκλησία ekklesía — igreja foi usada na tradução feita das escrituras hebraicas para o grego conhecida como Septuaginta — ver Deuteronômio 31:30 e Salmo 107:32 — para representar a congregação de Israel reunida no Antigo Testamento, essa mesma palavra, ἐκκλησία ekklesía — igreja, também representa o novo Israel no Novo Testamento. O estudo do Salmo 89 é crucial para entendermos Mateus 16:18. O texto do Salmo 89 na Septuaginta — LXX — nos oferece os seguintes elementos:

οἰκοδομήσω oikodoméso — Salmo 89:5: Para sempre estabelecerei — Salmos 89:4 na Almeida Revista e Atualizada no Brasil que segue o texto Massorético — TM — em vez da Septuaginta — LXX.

ἐκκλησίᾳ ἁγίων ekklesía agíon  — Salmo 89:6 — Assembleia dos Santos — Salmos 89:5 na Almeida Revista e Atualizada no Brasil que segue o texto Massorético — TM — em vez da Septuaginta — LXX.

κατισχύσει — Salmo 89:22 — A minha mão será firme com ele — Salmos 89:21 na Almeida Revista e Atualizada no Brasil que segue o texto Massorético — TM — em vez da Septuaginta — LXX.

χριστόν Christón — Salmo 89:39 e 52 — teu ungido — messias. Salmos 89:38 e 51 na Almeida Revista e Atualizada no Brasil que segue o texto Massorético – TM – em vez da Septuaginta – LXX.

ᾅδου ádou — Salmo 89:49 — Ou que livre sua alma das garras do sepulcro. Salmos 89:48  na Almeida Revista e Atualizada no Brasil que segue o texto Massorético — TM — em vez da Septuaginta — LXX.

Note que todas as palavras do versículo de Mateus 16:18 que são as mais relevantes,

κἀγὼ δέ σοι λέγω ὅτι σὺ εἶ Πέτρος, καὶ ἐπὶ ταύτῃ τῇ πέτρᾳ οἰκοδομήσω μου τὴν ἐκκλησίαν καὶ πύλαι ᾅδου οὐ κατισχύσουσιν αὐτῆς.[2]

podem ser encontradas no Salmo 89. Deve ficar evidente que a afirmativa de Jesus não tem nada a ver com Pedro já que a mesma faz referência a um Salmo que foi escrito cerca de 1000 anos antes de Pedro existir. O salmo 89 é um salmo messiânico e reflete a vitória do ungido de Deus sobre Seus inimigos, incluído a morte. Somente Jesus tem estes atributos. Ele é o Χριστὸς o Christós — o Messias — o Ungido do Senhor, aquele que vai οἰκοδομήσω — oikodoméso — edificar(ei) Sua ἐκκλησία ekklesía — igreja e as portas do ᾅδου ádou inferno, não κατισχύσουσιν katischúsousin — prevalecerão contra ela!

Não devemos ter nenhuma dúvida de que Cristo tinha em mente o Salmo 89 ao fazer a afirmação que fez para Pedro em Mateus 16:18 e que, em nenhuma hipótese ele poderia, sob nenhuma perspectiva, estar se referindo a Pedro quando disse aquelas palavras. O pensamento do Senhor, certamente, estava no Salmo 89.

Além disso, em 1 Pedro 2:5 o apóstolo Pedro declara: “também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados οἰκοδομεῖσθε oikodomeîsthe — casa espiritual. Difícil escaparmos da conclusão que Pedro está fazendo uma referência direta a Mateus 16:18. Mais adiante em 1 Pedro 2:9—10 Pedro nos dá prova concludente de que está se referindo à igreja como um todo e não a algum corpo local de cristãos — ver também 1 Pedro 1:1. A Igreja é então uma GRANDE CASA ESPIRITUAL. É o Israel de Deus e não a nação judaica que está sendo descrito aqui.

Quem é a Rocha? Não é Pedro, nem primariamente nem exclusivamente. Pedro, com a resposta que deu — Tu és o Cristo — forneceu a dica para a ilustração sobre qual rocha a igreja seria edificada. Cristo é a rocha:

1 Pedro 2:6—8

Pois isso está na Escritura: Eis que ponho em Sião uma pedra angular, eleita e preciosa; e quem nela crer não será, de modo algum, envergonhado. Para vós outros, portanto, os que credes, é a preciosidade; mas, para os descrentes, A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular e: Pedra — πέτρα pétra — rocha de tropeço e rocha de ofensa. São estes os que tropeçam na palavra, sendo desobedientes, para o que também foram postos.

É exatamente porque a igreja está sendo edificada sobre Cristo que a perpetuidade da mesma está garantida.

O ᾅδου ádou — inferno é tecnicamente o mundo invisível, correspondendo ao שְׁאוֹל sheol hebraico, à terra dos que partiram, a morte. O apóstolo Paulo usa a expressão θάνατος thánatos morte na citação que faz de Oséias 13:14 em 1 Coríntios 15:55. Em Oséias 13:14, na tradução das Escrituras hebraicas para o grego conhecida como a Septuaginta, encontramos tanto a palavra ᾅδου ádou — inferno como a palavra θάνατος thánatos — morte e as duas querem dizer a mesma coisa. A expressão ᾅδου ádou — inferno é muito comum em túmulos da Ásia Menor, o que testemunha seu uso comum na religião da Grécia antiga. Os pagãos costumavam dividir o ᾅδου ádou — inferno em duas partes: Elisium e Tártaros. Já os Judeus, nos dias de Cristo — ver Lucas 16:19—31 — o dividiam em: Seio de Abraão e Inferno, propriamente dito. No Antigo Testamento o conceito representado pela expressão “portas do ades ou portas do sheol” nunca admite nenhum outro significado que não seja a morte — θάνατος thánatos. Assim temos que: é a morte que dá acesso ou que funciona como porta de passagem, à região tenebrosa —

Jó 38:17

Porventura, te foram reveladas as portas da morte ou viste essas portas da região tenebrosa?

Salmos 9:13

Compadece-te de mim, SENHOR; vê a que sofrimentos me reduziram os que me odeiam, tu que me levantas das portas da morte.


Salmo 107:18

A sua alma aborreceu toda sorte de comida, e chegaram às portas da morte.

Isaías 38:10

Eu disse: Em pleno vigor de meus dias, hei de entrar nas portas do além; roubado estou do resto dos meus anos.

Aqui, em Mateus 16:18 não temos o ᾅδου ádou — inferno, atacando a Igreja e sim a proclamação do fato de que a morte — θάνατος thánatos —  que funciona como a porta do inferno, não ter qualquer possibilidade de vencer a Igreja. O Senhor Jesus venceu a morte mediante Sua ressurreição. Sua vitória é nossa maior garantia de que nós também iremos vencer. Nunca é demais nos lembrar das palavras do próprio Senhor quando disse:

João 14:19

Ainda por um pouco, e o mundo não me verá mais; vós, porém, me vereis; porque eu vivo, vós também vivereis.

Esse é exatamente o argumento usado pelo apóstolo Paulo em 1 Coríntios15.

A Igreja está edificada sobre o messianismo do seu Senhor, e a morte — θάνατος thánatos  — que é o portão do ᾅδου ádou — inferno, não prevalecerá contra a ἐκκλησία ekklesía — igreja, pois não conseguirá manter prisioneiro seu Senhor e Cristo, que é o Filho do Deus Vivo. Naquele momento, esta era ainda uma verdade envolta em certo mistério, mas em breve ela seria proclamada com todas suas implicações —

Atos 2:22—32

22 Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis;

23 sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos;

24 ao qual, porém, Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte; porquanto não era possível fosse ele retido por ela.

25 Porque a respeito dele diz Davi: Diante de mim via sempre o Senhor, porque está à minha direita, para que eu não seja abalado.

26 Por isso, se alegrou o meu coração, e a minha língua exultou; além disto, também a minha própria carne repousará em esperança,

27 porque não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção.

28 Fizeste-me conhecer os caminhos da vida, encher-me-ás de alegria na tua presença.

29 Irmãos, seja-me permitido dizer-vos claramente a respeito do patriarca Davi que ele morreu e foi sepultado, e o seu túmulo permanece entre nós até hoje.

30 Sendo, pois, profeta e sabendo que Deus lhe havia jurado que um dos seus descendentes se assentaria no seu trono,
31 prevendo isto, referiu-se à ressurreição de Cristo, que nem foi deixado na morte, nem o seu corpo experimentou corrupção.

32 A este Jesus Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas.

A Igreja permanecerá eternamente porque Cristo irá vencer os portões do ᾅδου ádou — inferno que são representados pela θάνατος thánatos — a morte e retornar vitorioso dentre os mortos —

2 Timóteo 1:8—1

Não te envergonhes, portanto, do testemunho de nosso Senhor, nem do seu encarcerado, que sou eu; pelo contrário, participa comigo dos sofrimentos, a favor do evangelho, segundo o poder de Deus, que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos, e manifestada, agora, pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus, o qual não só destruiu a morte, como trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o evangelho, para o qual eu fui designado pregador, apóstolo e mestre e, por isso, estou sofrendo estas coisas; todavia, não me envergonho, porque sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele Dia.

Como Jesus vive eternamente, Ele mesmo é o garantidor da perpetuidade da Igreja, que é Seu povo.

Conclusões acerca da exegese ou interpretação de Mateus 16:18:

1. A ênfase está em “Eu digo”. É o Senhor Jesus quem fala.

2. A Igreja é: assembleia local e congregação dispersa = povo de Deus.

3. A Igreja é Local e Universal = grande casa espiritual.

4. A rocha sobre a qual a Igreja está sendo edificada é Cristo —

Efésios 2:20

Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular.

5. A Igreja permanecerá para sempre. Cristo é quem garante.

6. A morte não tem qualquer possibilidade de vencer a Igreja.

O plano de Deus, apesar de não ter começado dinamicamente ao tempo de Mateus 16:18 estava, todavia, destinado a pleno sucesso. Nas palavras de Tiago encontradas em —

Atos 15:14

Deus, primeiramente, visitou os gentios, a fim de constituir dentre eles um povo para seu nome.

nós temos o propósito de Deus para os nosso dias.

Mas, voltemos a pergunta formulada no início dessa parte:

O que é a Igreja?

CONTINUA...
LISTA DE OUTROS ESTUDOS DA SÉRIE “EM CRISTO”:

O estudo introdutório dessa série, número 000, pode ser encontrado aqui:

O estudo número 001 dessa série — Justificação Gratuita — pode ser encontrado aqui:

O estudo 002 dessa série — Nossa Identidade com Cristo — poderá ser encontrado aqui:

O estudo 003 dessa séria — Mortos para o Pecado, Mas Vivos para Deus — poderá ser encontrado aqui:

O estudo 004 dessa série — O Salário do Pecado X o Dom Gratuito de Deus — poderá ser encontrado aqui:

O estudo 005 dessa série — Nenhuma Condenação em Cristo Jesus — poderá ser encontrado aqui:

O estudo 006 dessa série — Nada Pode nos Separar do Amor de Deus — poderá ser encontrado aqui:

O estudo 007 — Somos Membros uns dos Outros em Cristo — poderá ser encontrado aqui:

O estudo 008 — Santificados em Cristo Jesus — poderá ser encontrado aqui:

O estudo 009 — A Graça de Deus em Cristo Jesus — poderá ser encontrado aqui:

O estudo 010 — Somos de Deus em Cristo — poderá ser encontrado aqui:

O estudo 011 — Somos Espirituais em Cristo — poderá ser encontrado aqui:

O estudo 012 — Somos Loucos, Fracos e Desprezíveis Porque Estamos em Cristo — poderá ser encontrado aqui:

O estudo 013 — Somos Gerados em Cristo — poderá ser encontrado aqui:

O estudo 014 — Nossa Esperança em Cristo Não se Limita a Essa Vida Apenas — poderá ser encontrado aqui:

O estudo 015 — Todos Serão Vivificados em Cristo — poderá ser encontrado aqui:

O estudo 016 — Todos São Amados em Cristo — poderá ser encontrado aqui:

O estudo 17 — Somos Todos Ungidos em Cristo — poderá ser encontrado aqui:

O estudo 18 — Não Mercadejamos a Palavra de Deus — poderá ser encontrado aqui:

O estudo 19 — O Véu é Removido em Cristo — poderá ser encontrado aqui:

O estudo 20 — Somos Novas Criaturas em Cristo — poderá ser encontrado aqui:

O estudo 21 — Deus Estava em Cristo Reconciliando Consigo o Mundo — poderá ser encontrado aqui:

Os estudos 22 e 23 — Sendo Conhecido em Cristo — poderão ser encontrados aqui:

O estudo 24 — Nossa Liberdade em Cristo — poderá ser encontrado aqui:

O estudo 25 — Justificação Pela fé em Cristo — poderá ser encontrado aqui:

O estudo 26 — Filhos de Deus em Cristo — poderá ser encontrado aqui:

O estudo 27 — Revestidos em Cristo — poderá ser encontrado aqui:

O estudo 28A — Nossa Unidade em Cristo — PARTE 001 poderá ser encontrado aqui:

O estudo 28B — Nossa Unidade em Cristo — PARTE 002 poderá ser encontrado aqui:

O estudo 029 — Somente a Fé Que Atua Pelo Amor Tem Valor em Cristo

O estudo 030A — A Bênção com Que Somos Abençoados em Cristo – Parte 001

O estudo 030B — A Bênção com Que Somos Abençoados em Cristo – Parte 002

O estudo 030C — A Bênção com Que Somos Abençoados em Cristo – Parte 003 — E a Chamada Visão de Hermes

O estudo 030D — A Bênção com Que Somos Abençoados em Cristo – Parte 004 — O Ensinamento Bíblico Acerca do Céu

O estudo 031 — Desvendando-nos o Mistério da Sua Vontade Em Cristo

O estudo 032 — Para o Louvor da Glória de Deus em Cristo

O estudo 033 — Ressuscitados em Cristo e Assentados nos Lugares Celestiais

O estudo 034 — Mostra a Suprema Riqueza da Sua Graça em Bondade para conosco em Cristo.

O estudo 035 — Mostra como somos salvos em Cristo para a prática de boas obras manifestadas por meio de uma vida de santidade.

O Estudo 036 — Nos Fala de Como Somos Aproximados de Deus Porque Estamos em Cristo.

O Estudo 037 — Nos Fala de Como Somos Co-herdeiros, Co-participantes e Membros dum mesmo Corpo

O Estudo 038A — Nos Fala das Insondáveis Riquezas de Cristo — Parte 001 — Cristo o Mistério Revelado de Deus

O Estudo 038B — Nos Fala das Insondáveis Riquezas de Cristo — Parte 002 — A Igreja Edificada Sobre Cristo

O Estudo 038C — Nos Fala das Insondáveis Riquezas de Cristo — Parte 003 — O Que é a Verdadeira Igreja de Cristo

O Estudo 038D — Nos Fala das Insondáveis Riquezas de Cristo — Parte 004 — O Que é a Verdadeira Igreja de Cristo — O Corpo de Cristo

O Estudo 038E — Nos Fala das Insondáveis Riquezas de Cristo — Parte 005 — O Que é a Verdadeira Igreja de Cristo — A Plenitude de Cristo

O Estudo 038F — Nos Fala das Insondáveis Riquezas de Cristo — Parte 006 — O Que é a Verdadeira Igreja de Cristo — Os Eleitos Por Deus em Cristo
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/08/nossa-riqueza-em-cristo-estudo-038f.html

O Estudo 039 — Nos Fala De Como Devemos Glorificar a Deus Porque Estamos em Cristo — Jesus e a Glória de Deus
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/10/nossa-riqueza-em-cristo-estudo-039.html

O Estudo 040 — Nos Fala De Como Deus Nos Perdoou em Cristo
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/01/nossa-riqueza-em-cristo-040-deus-nos.html

O Estudo 041 — Nos Fala de Sermos Ousados em Cristo Para Falar
O Estudo 042/043 — Nos fala de nos gloriarmos ou alegrarmos em Cristo
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/03/nossa-riqueza-em-cristo-042043.html



O Estudo 044 — Nos fala de: exortação, Consolação de Amor, Comunhão, Afetos e Misericórdias em Cristo
Que Deus abençoe a todos.
Alexandros Meimaridis
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[1]Black, M., Martini, C. M., Metzger, B. M., & Wikgren, A. The Greek New Testament 4th edition. United Bible Societies, Federal Republic of Germany, 1993, c1979.

[2]Black, M., Martini, C. M., Metzger, B. M., & Wikgren, A. The Greek New Testament 4th edition. United Bible Societies, Federal Republic of Germany, 1993, c1979.