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sexta-feira, 20 de maio de 2016

OS EVANGÉLICOS E A CRISE POLÍTICA QUE O BRASIL ENFRENTA


Evangélicos
Evangélicos ainda são vistos com uma significativa dose de preconceito

O artigo abaixo foi publicado pelo site da revista CartaCapital e é de autoria de Juliano Spyer.

A crise política e os evangélicos

Sobre a disputa a respeito do impeachment, pentecostalismo e pensar fora da bolha.
por Juliano Spyer

O Brasil vive um momento de tensão entre pessoas favoráveis e contrárias ao impeachment. Por causa das redes sociais, a exposição das diferenças também provoca rachas no âmbito privado entre amigos e entre familiares. Mas milhares de brasileiros estão alheios a esse assunto.

Em um texto que circula online, um morador do Morro do Viradouro, no Rio de Janeiro, justifica o alheamento das classes populares do debate político nacional. Segundo ele, a ideia de que esteja ocorrendo um golpe, por exemplo, não faz sentido para quem vive o cotidiano de assassinatos e torturas da época da ditadura.

Outro grupo que também faz parte das camadas populares e que é também desprezado pelas classes médias educadas é o dos evangélicos.

Esse desentendimento aparece, por exemplo, em um artigo da The Economist sobre as justificativas dadas por deputados que votaram durante a sessão sobre o impeachment. A revista preferiu enfatizar o estereotipo carnavalesco (pouco sério) do País e perdeu a oportunidade de mostrar como a maior parte dos motivos se referiam a família, religião e Deus. Estes são temas relevantes para os 25% de brasileiros que hoje se identificam como evangélicos.
Analistas de marketing usam a expressão “pensar fora da caixa” para se referir a ser criativo. Uma versão etnográfica dessa expressão pode ser “pensar fora da bolha”; neste caso, a bolha é a classe social.

Em círculos educados, evangélicos são vistos no melhor caso como fanáticos religiosos, mas mais frequentemente são percebidos como ignorantes, retrógrados e mal intencionados. Nos 15 meses em que morei num povoado trabalhador no litoral da Bahia para uma pesquisa de campo, tive uma experiência mais nuançada desse fenômeno.

Este grupo é moralmente conservador, mas está longe dos estereótipos cultivados dentro da bolha. As ambições de atingir sucesso financeiro são na maior parte dos casos o desejo de fazer parte do mesmo mundo de consumo que os afluentes habitam. Para além disso, a contribuição dos evangélicos à sociedade é quase completamente ignorada.

As organizações evangélicas estão frequentemente mais presentes e ativas do que o governo na vida das populações vulneráveis. Além do apoio espiritual, grupos pentecostais promovem a alfabetização ativamente em suas comunidades e também intermediam o contato de fieis com serviços especializados com advogados e médicos.

Ao “reciclarem almas” de dependentes químicos e criminosos, oferecem um serviço não reconhecido, mas valioso para a sociedade – muito melhor do que a polícia pode sonhar em oferecer.

Isso não serve para negar a moral conservadora abraçada por este grupo em temas como aborto e casamento gay, ou para justificar a atuação de alguns políticos evangélicos. Trata-se aqui de uma visão baseada na experiência etnográfica.

Há 100 milhões de brasileiros – metade da população do País – na chamada ‘nova classe média’ (na verdade, uma nova classe trabalhadora), e o pentecostalismo tem uma contribuição ainda desprezada nesse processo de mudança socioeconômica.

A dificuldade de aceitar o evangélico talvez resida no fato de eles não se enquadrarem na visão idealizada e vitimizada do pobre. Ressalta-se o fanatismo e despreza-se como eles valorizam a educação (inclusive a superior). Menciona-se o conservadorismo, mas esquece-se da redução da violência doméstica e do alcoolismo nas famílias evangélicas.

Os evangélicos estão vencendo os estigmas e a condição de pobreza ligados à história de desigualdade do Brasil. Ter um olhar generoso e interessado em vez de preconceituoso em relação a essa população pode ajudar a entender por que eles também estão alheios ao debate sobre o impeachment.

*Juliano Spyer é antropólogo do projeto Why We Post da University College London. Ele pesquisa os efeitos das novas mídias na mobilidade social das classes populares emergentes.

O artigo original poderá ser visto por meio do link abaixo:


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.

domingo, 8 de novembro de 2015

UMA ABORDAGEM POUCO ORTODOXA DOS CHAMADOS EVANGÉLICOS



O artigo abaixo foi publicado pelo site da Revista Superinteressante da Editora Abril.

Evangélicos

Não dá mais para fingir que não vemos. Um a cada cinco brasileiros já é evangélico - e o número continua crescendo. Se você quer entender o Brasil e antever o futuro, precisa antes saber como isso foi acontecer.

Por Redação da Revista Supernteressante

O texano Kenneth Hagin, nascido em 1917, era uma criança doente. Desde os 9 anos, ficou confinado na casa do avô. Aos 16, desenganado pelos médicos, infeliz e preso a uma cama, tinha poucas esperanças de ver sua vida melhorar. Um ano depois, em agosto de 1934, Hagin teve uma revelação. Ele compreendeu de repente o significado de um versículo do Evangelho de São Marcos. A passagem do Novo Testamento dizia: “Tudo quanto em oração pedires, credes que recebeste, e será assim convosco”. Hagin então ergueu as mãos para o céu e agradeceu a Deus pela cura, mesmo sem ver sinal de melhora. Então levantou-se da cama. Estava curado.

A mensagem, que Hagin popularizou por meio de mais de 100 livros, é clara: Deus é capaz de dar o que o fiel desejar. Basta ter fé e acreditar que as próprias palavras têm poder. Sendo assim, para os verdadeiros devotos, nunca faltará dinheiro ou saúde. Essa doutrina ficou conhecida como “teologia da prosperidade”. A crença foi incorporada anos depois por várias igrejas. Ela é central no mais impressionante fenômeno religioso do Brasil contemporâneo: a explosão evangélica.

No começo, essa explosão se deu em silêncio, praticamente ignorada pelas classes médias. Os templos evangélicos surgiam nas cidadezinhas perdidas e nas periferias miseráveis das metrópoles. Já não é mais assim. No primeiro dia de 2004, a Igreja Pentecostal Deus é Amor inaugurou no coração de São Paulo o seu novo templo. A obra tem tamanho de shopping center, arquitetura de gosto duvidoso e comporta 22 mil pessoas sentadas.
É cinco vezes maior que a católica Catedral da Sé, lá perto.

Há meio século os evangélicos são a religião que mais cresce no país. Nos últimos 20 anos, mais que triplicou o número de fiéis: de 7,8 milhões de pessoas em 1980 para 26,4 milhões em 2001, um pulo de 6,6% para 15,6% da população brasileira. Em 2010 já ultrapassava os 40 milhões, Hoje representa cerca de 22% de toda população brasileira. Em algumas cidades, foram criados vagões de trem exclusivos para crentes, em que as pessoas podem viajar ouvindo pregações bíblicas. Em outras, não parece longe o dia em que eles representarão mais de 50% dos habitantes. Com mais de 400 anos de atraso, finalmente estamos sentindo os efeitos da Reforma protestante que varreu a Europa no século 16.

Um terreninho do Céu

Evangélicos, é importante esclarecer, é a mesma coisa que protestantes. As duas palavras são sinônimas. Ou seja, evangélicas são praticamente todas as correntes nascidas do racha entre o teólogo alemão Martinho Lutero e a Igreja Católica, em 1517. O alemão estava especialmente chateado com o comportamento dos padres, que, segundo ele, tinham virado corretores imobiliários do céu, comercializando indulgências – vagas no Paraíso para quem pagasse.

Lutero abriu a primeira fenda no até então indevassável poder papal sobre as almas do Ocidente. A ele se seguiram outros. Na Inglaterra, o rei Henrique VIII criou sua própria dissidência do catolicismo – depois batizada de anglicanismo – só porque o papa não queria que ele se divorciasse e casasse de novo. Na Suíça, Ulrico Zwinglio e João Calvino aprofundaram as reformas de Lutero. Zwinglio pregava o princípio que fundamentaria todo o movimento: o cristão deve seguir apenas a Bíblia (os católicos aceitam influências de teólogos, como Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino). Já Calvino foi o responsável pela introdução do puritanismo, que combinava regras rígidas de conduta com uma fervorosa dedicação ao trabalho. No começo do século 20, o sociólogo alemão Max Weber publicou o texto clássico A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, no qual atribui a essa invenção de Calvino o sucesso do capitalismo em países evangélicos.

Todos esses movimentos estimulavam o fim do monopólio da Igreja sobre a interpretação da Bíblia. Cabia a todo e qualquer cristão ler as Escrituras e tirar delas o que quisesse. Os protestantes recusavam a idéia de que um único líder – o papa – deveria guiar os rumos da religião. Foi isso que começou a fragmentação do movimento em diversas correntes, com pequenas diferenças doutrinárias. Surgem os batistas, os metodistas, os presbiterianos...

Mas o Brasil colonial passou quase imune à avalanche protestante. Houve apenas algumas exceções, como os calvinistas franceses e holandeses que invadiram o país – o primeiro culto evangélico por estas terras foi celebrado por franceses no Rio de Janeiro, em 1557, só 57 anos depois da missa católica inaugural. Era proibido realizar cultos de qualquer religião que não o catolicismo no território português.

A liberdade religiosa no Brasil só veio com a independência, na Constituição de 1824, ainda que impondo restrições de que as reuniões acontecessem em locais que não tivessem “aparência exterior de templo”. No mesmo ano, alemães fundaram a primeira comunidade luterana do Brasil. Logo depois chegaram as correntes missionárias, como os metodistas, dispostas a pregar nas ruas para salvar almas. Eles caíram nas graças da elite intelectual republicana que, impressionada com a “ética protestante”, defendia a presença de evangélicos como condição para a modernização do país.

Mas os protestantes que prosperaram no Brasil pouco tinham a ver com a tal ética protestante de Weber. No início do século 20, a fundação de duas igrejas seria decisiva para definir o perfil evangélico nacional: a Congregação Cristã no Brasil, inaugurada em São Paulo pelo italiano Luigi Francescon, em 1910, e a Assembléia de Deus, aberta um ano depois em Belém pelos suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg. Apesar da origem européia, eles chegaram ao país via Estados Unidos, onde se envolveram com uma nova corrente protestante, o pentecostalismo, um grupo que crescia em popularidade por lá desde a virada do século.

Começou aí o que o sociólogo Paul Freston chama de “a primeira onda do pentecostalismo brasileiro”. O movimento era desaprovado tanto por católicos quanto pelos protestantes “históricos”, como são conhecidas as correntes diretamente ligadas a Lutero e Calvino. Nem uns nem outros gostavam da principal característica da doutrina pentecostal: a exacerbação dos poderes sobrenaturais do Espírito Santo (a palavra “pentecostalismo” vem de uma passagem da Bíblia que diz que, num dia de Pentecostes – a Páscoa judaica –, o Espírito Santo desceu aos apóstolos e começou a operar milagres). O mais notável desses poderes é a capacidade que Deus tem de curar imediatamente qualquer problema de saúde – daí as cenas de aleijados abandonando muletas e míopes pisando nos óculos. O pentecostalismo cresceu na classe baixa, promovendo cultos de adoração fervorosa e improvisada, bem dissonantes dos protestantes tradicionais, tão formais quanto contidos.

Para participar das novas congregações, os fiéis eram obrigados a se submeter a rígidas normas comportamentais. Os pentecostais eram os “crentes” estereotípicos: mulheres de cabelos compridos e saia, homens de terno e Bíblia na mão. As palavras essenciais para entender suas rotinas de vida são ascetismo, ou a recusa de usufruir os prazeres da carne, e sectarismo, o isolamento do restante da sociedade. Por trás delas, está a idéia de que o cristão deve se manter concentrado em Deus. Só assim ele pode evitar que o Diabo ganhe espaço na sua vida. Para os pentecostais, o mundo é simples: o que não é de Deus é o Diabo.

A Deus é Amor, aquela que acabou de abrir um megatemplo no centro de São Paulo, é uma das mais rigorosas entre as pentecostais. Ela proíbe freqüentar praias, praticar esportes ou participar de festas. Às mulheres, é vetado cortar o cabelo e depilar. Crianças com mais de 7 anos não podem jogar bola, graças a um versículo bíblico que diz “desde que me tornei homem, eliminei as coisas de criança”. Tantas regras têm compensação: para os pentecostais, o melhor da vida está reservado aos fiéis para depois da morte.

Até a década de 50, esse modelo reinou sozinho no pentecostalismo nacional. Fez sucesso, mas ficou restrito a grupos relativamente pequenos. A chegada da “segunda onda”, no entanto, traria uma novidade. É o que se convencionou chamar de “neopentecostalismo”. Em 1951 desembarcou aqui a Igreja do Evangelho Quadrangular, inaugurando no país o pentecostalismo de costumes liberais. “Todas essas igrejas que fazem sucesso hoje são nossas filhas, netas ou bisnetas”, diz o pastor Neslon Agnoletto, do conselho nacional da Quadrangular. De fato, inovações como os hinos com ritmos populares, a forte utilização do rádio e regras de comportamento menos duras, todos ingredientes indispensáveis do “evangelismo de massas”, foram práticas importadas pela Quadrangular, fundada nos Estados Unidos em 1923.

Deus é um office-boy

Para resumir, neopentecostalismo quer dizer que Monique Evans, Gretchen e Marcelinho Carioca podem agora se considerar “crentes”. Para isso, algumas adaptações aconteceram: saem os homens de terno e as mulheres de pêlos nas pernas, entram pessoas que se vestem com roupas comuns e não se animam a seguir normas rígidas de conduta. A primeira inovação foi riscar do mapa o ascetismo, o sectarismo e a crença de que a melhor parte da vida está reservada para o Paraíso. “A preocupação dos neopentecostais é com esta vida. O que interessa é o aqui e o agora”, afirma o sociólogo Ricardo Mariano, autor de Neopentecostais – Sociologia do Novo Pentecostalismo no Brasil.

Outra diferença é a radicalização da divisão do Universo entre Deus e o Diabo. Para os neopentecostais, os homens não são responsáveis pelos atos de maldade que cometem: é o Diabo que os leva a pecar. Numa sessão de descarrego da Igreja Universal, o pastor explicou que, se o fiel enfrenta um problema há mais de três meses, é provável que esteja carregando um encosto. “Se a dificuldade completar um ano, daí não há dúvida: a culpa é do demônio”, disse para a congregação. Ele não se referia só a entraves financeiros ou comportamentais. A receita vale para tudo, inclusive para doenças incuráveis. Assim, expulsar o demônio do corpo é a receita única para todos os males, de casamento infeliz até câncer no pulmão.

O ritual é feito aos gritos de “sai, capeta”, às vezes com lágrimas escorrendo pelo rosto e transes que terminam no exorcismo. Os cultos tornaram-se mais ativos, incluindo aplausos para Jesus e música gospel. Mas a inovação mais profunda do neopentecostalismo foi a aplicação da teologia da prosperidade, aquela exposta no primeiro parágrafo desta reportagem. Graças a ela, o neopentecostalismo ganhou o apelido de “fé de resultados”.

“A teologia da prosperidade faz o fiel encarar Deus como um office-boy”, diz o cientista da religião e pastor Paulo Romeiro, autor de Supercrentes – O Evangelho Segundo os Profetas da Prosperidade. “O crente dá ordens e determina o que pretende. Não há qualquer reconhecimento das fragilidades humanas e de suas necessidades em relação a um Deus superior”, afirma Romeiro. No Brasil, além da Universal, a Renascer em Cristo, a Sara Nossa Terra e a Internacional da Graça de Deus adotam a teologia da prosperidade.

A força de enxurrada com que o neopentecostalismo cresceu desorganizou todo o protestantismo. “Há uma verdadeira perda de identidade no movimento evangélico mundial. O pentecostalismo flexibilizou suas exigências comportamentais e até os protestantes históricos passaram a aceitar a participação mais ativa do fiel no culto e algumas manifestações sobrenaturais”, afirma o pastor batista Joaquim de Andrade, pesquisador da Agência de Informações da Religião. Mais e mais, boa parte do mundo protestante aceita a teologia da prosperidade.

A onda de mudança foi bater até onde a Reforma de Lutero não tinha chegado: nas praias do catolicismo. A influência neopentecostal sobre a renovação carismática católica é tão grande que seu maior expoente no Brasil, padre Marcelo Rossi, é acusado de ter gravado hinos religiosos tirados de templos evangélicos.

Promessas de um novo mundo

Mas por que cada vez mais pessoas abandonam suas religiões para tornarem-se evangélicas? Nos anos 60, a nova religião era vista como uma forma de migrantes de zonas rurais enfrentarem a falta de valores e regras da sociedade moderna e estabelecerem relações de solidariedade na metrópole. Demorou dez anos para essa hipótese ser desacreditada por estudos que mostraram que as igrejas eram compostas igualmente pelos pobres nascidos e viventes na cidade e no campo.

Houve espaço para teorias conspiratórias: o avanço evangélico seria um plano dos Estados Unidos (ou do Diabo) para dominar a América Latina. A hipótese foi defendida a sério pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, que na década de 80 enviou memorando ao Vaticano, citado no livro de Mariano, afirmando que a CIA, aliada à direita brasileira, acelerava a “expansão dessa religião alienante no continente para frear a proliferação da Igreja Católica progressista”.

Mas essas explicações não convencem ninguém e o avanço neopentecostal exigiu um novo foco nos estudos. Em seu mais recente trabalho, o ainda não publicado “Análise Sociológica do Crescimento Pentecostal no Brasil”, Mariano afirma que as motivações para a conversão estariam nas soluções mágicas oferecidas. “Uma grande parcela da população não tem acesso ao serviço de saúde – e, quando tem, recebe atendimento precário e mal entende os médicos. É muito mais fácil, e faz mais sentido, acreditar que os problemas são causados pelo demônio e se tratar na igreja”, afirma o sociólogo.

Não é apenas a questão médica que está em jogo. A dualidade entre Deus e o Diabo é uma das mais eficientes respostas para a eterna pergunta sobre como é possível existirem tantas coisas ruins. Um presidiário pode culpar a influência do demônio pelo passado violento – uma explicação para o sucesso da religião nas prisões. Essa dualidade também pode estar na raiz da popularidade evangélica entre ex-viciados em drogas – e de sua comprovada eficácia na luta contra o vício. O apelo pode efetivamente ajudar ex-criminosos e ex-viciados a deixarem seus “maus hábitos” para trás. Com isso, os neopentecostais respondem satisfatoriamente às questões dos nossos tempos – coisa que outras religiões nem sempre conseguem fazer.

Juntando tudo, o que se tem é uma religião que escancara uma ambição materialista e imediata na relação com Deus. Um apelo e tanto, que parece ter especial atração para os mais pobres. Estaríamos, portanto, diante de uma mudança naquilo que as pessoas esperam da experiência religiosa? “Não”, responde o estudioso de religiões Antonio Flávio Pierucci, da Universidade de São Paulo. “A maior parte das religiões tem esse viés materialista. As pessoas sempre rezam com o objetivo de pedir e receber algo. A diferença é que os evangélicos assumem essa faceta sem se envergonhar.”

Seria injusto, no entanto, listar apenas explicações sociológicas para justificar a onda de conversões. Poucas religiões têm tanta disposição para atrair fiéis como os evangélicos. Templos são abertos nos mais distantes rincões e pastores dedicam-se com fervor. As igrejas estão à frente das demais no entendimento de que evangelizar é como convencer um consumidor a comprar. “Os depoimentos de fiéis na TV e no rádio são o apelo de marketing para demonstrar a eficiência dos serviços”, diz Ari Pedro Oro, antropólogo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e organizador do livro Igreja Universal do Reino de Deus. As igrejas seduzem com um produto atraente e oferecem bom serviço. São religiosamente adeptas da mais pura e simples mentalidade empresarial.

Crescei e mutiplicai

Em novembro do ano passado, um evangélico foi ao Programa do Ratinho pedir a devolução dos dízimos que havia dado à igreja. Argumentava que o pastor lhe prometera prosperidade em troca do dinheiro. Sem melhorar de vida, o fiel, como se fosse um consumidor lesado, foi ao Ratinho pedir o dinheiro de volta.

Essa história ilustra de modo brilhante a relação que as neopentecostais criaram com seus fiéis-clientes. Elas prestam um serviço. E eles pagam. É bom lembrar que dar dinheiro a Deus, seja através da caridade ou de doações, é parte da doutrina de diversas religiões, incluindo todas do braço judaico-cristão. Com a teologia da prosperidade, no entanto, o dinheiro ganhou nova função. Agora é preciso dar para receber. Num de seus livros, Edir Macedo, o líder da Universal, explica que devemos formar uma “sociedade com Deus”. “O que nos pertence (nossa vida, nossa força, nosso dinheiro) passa a pertencer a Deus; e o que é d’Ele (as bênçãos, a paz, a felicidade, a alegria, tudo de bom) passa a nos pertencer”, afirma o bispo.

É uma leitura polêmica do Evangelho. A idéia de que dar dinheiro é parte de uma relação de troca com Deus desperta calafrios em muitos religiosos. “É uma contradição. A Reforma protestante começou justamente porque Lutero se levantou contra a venda das indulgências”, diz o pastor Paulo Cezar Brito, líder da Igreja Evangélica Maranata, uma pentecostal que rejeita a teologia da prosperidade.

“Templo é dinheiro”, diz a maldosa adaptação do ditado popular. “Deus é o caminho, Edir Macedo é o pedágio”, diz outra. Na cabeça de muita gente, as igrejas evangélicas são ótimas opções de carreira para quem pretende enriquecer facilmente. Não dá para negar que muitos realmente ganharam dinheiro com a fé alheia – em especial os líderes das grandes igrejas. Como em qualquer empresa moderna, pastores hábeis que trazem muito dinheiro para a igreja ganham bem – ninguém confirma a informação, mas comenta-se que alguns salários se parecem com os de astros de futebol, na casa das várias dezenas de milhares de reais. Mas essas afirmações escondem também um preconceito. Em termos legais, não há diferença entre um templo evangélico e qualquer outro local de cultos religiosos. A Constituição garante a todos – evangélicos, católicos ou budistas – a mesma isenção de vários tributos, entre eles o IPTU e o Imposto de Renda.

Além disso, o crescimento da concorrência faz ser cada vez mais difícil sobreviver entre tantas denominações evangélicas. Calcula-se que uma congregação precise ter no mínimo 50 integrantes para recolher dízimos e doações em quantidade suficiente para cobrir as despesas mínimas, como aluguel e contas de luz e água. Nessas horas, ser a religião dos pobres não é vantagem. Por isso, cada denominação procura seu nicho de atuação. A Assembléia de Deus prefere abrir templos dentro de bairros isolados, enquanto a Universal opta pelas grandes vias de acesso – uma decisão que pouco tem a ver com a fé, segue mais a lógica da competição de qualquer mercado capitalista.

O maior país católico do mundo pode estar se tornando uma nação de maioria evangélica? Dificilmente, concorda a maioria dos especialistas. Mas eles discordam na hora de prever o ritmo do crescimento. De um lado, estão os que acham que o boom já passou e que a Igreja Católica, com a renovação carismática, equilibrou o jogo. Do outro, pesquisadores que veem no frágil compromisso dos brasileiros com a religião um prato cheio para os neopentecostais. Cerca de 80% dos nossos católicos se dizem não-praticantes. É um enorme mercado para os evangélicos.

Não é à toa que a maioria dos convertidos vem do catolicismo. Mas, na hora de afirmar a identidade e escolher um adversário, o pentecostalismo ataca o candomblé e a umbanda. E vai na jugular, às vezes escorregando para a intolerância religiosa. Em quase todos os templos é possível ouvir que essas religiões cultuam o Diabo. Também há casos de ataques a terreiros estimulados por pastores. Pode-se dizer que a briga contra as religiões afro-brasileiras, e não contra o catolicismo, o verdadeiro rival, seja uma estratégia de marketing. Quando enfrentaram os católicos, os evangélicos levaram um contra-ataque duro, que envolveu denúncias de charlatanismo e estelionato e ameaçou a sobrevivência das igrejas, além de provavelmente afastar fiéis. A popularidade dos evangélicos chegou ao fundo do poço quando um pastor da Universal chutou na TV uma estátua de Nossa Senhora Aparecida (os evangélicos não cultuam imagens).

Mas, embora esses episódios possam dar a impressão de que o fanatismo religioso esteja em alta no Brasil, muitos especialistas defendem a tese de que o crescimento evangélico seja um indício do contrário: de que cada vez mais gente rejeita a religião. É o que sugerem pesquisas mostrando concentrações de evangélicos nas mesmas regiões onde há altos índices de pessoas “sem religião” – caso do estado do Rio e da zona leste paulistana. “As pessoas estão experimentando uma nova crença. Se perceberem que não está dando certo, que Deus não é tão fiel, podem desistir da busca”, diz o sociólogo Pierucci. “Abandonar a religião oficial é o primeiro passo de saída do mundo religioso”, afirma.

Um indício de que a conversão ao mundo evangélico significa um arrefecimento do fervor religioso é o fato de que as neopentecostais exigem poucas mudanças nos fiéis. O resultado é que, quanto mais crescem, menos os evangélicos mudam a cara do país – bem ao contrário da revolução que ocorreu na Europa com as idéias de Lutero e Calvino. Prova disso é a programação da Rede Record, comprada pela Igreja Universal com o dinheiro do dízimo, que pouco difere das concorrentes.

Talvez o trunfo evangélico para conquistar almas seja sua capacidade de adaptação. Com a rejeição à centralização da interpretação bíblica herdada da Reforma protestante, qualquer um pode abrir um templo e pregar como quiser. Assim, enquanto seus “irmãos” se expandiam em áreas pobres, a Igreja Bola de Neve cresceu 1 100% em três anos orando para os ricos. Seus dez templos, cuja marca registrada são as pranchas de surfe como púlpito e os hinos religiosos em ritmo de reggae, funcionam em áreas de classe média-alta de São Paulo e cidades de praia como Florianópolis, Itacaré e Guarujá. O público são jovens da classe A e B, com curso superior. Para quem está acostumado a fiéis pobres e pouco instruídos, a Bola de Neve é uma surpresa desconcertante. Para os evangélicos, somente mais uma prova de que a obra de Deus chegará a todos os corações.

Sérgio Gwercman

O artigo original poderá ser visto por meio do seguinte link:


NOSSO COMENTÁRIO

O artigo apesar de falho em vários aspectos tem méritos e deve ser lido por todas as pessoas interessadas no fenômeno que atende pelo nome de “Evangélicos”.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos. 

segunda-feira, 30 de março de 2015

CONTRA A MENTIRA, APENAS A MAIS PURA VERDADE



De repente, eles começaram a surgir de todos os lados. Existe um espírito de unidade no ar. Várias igrejas que, do ponto de vista histórico estavam tão distantes umas das outras quanto a Terra está da lua, agora estão unindo forças para promover a mensagem evangélica e ganhar almas para Jesus. As propostas variam:

• Alguns defendem a ideia de que podemos todos nos unir sob os braços amorosos da grande mãe Maria. Ver artigo nesse blog aqui:

 http://ograndedialogo.blogspot.com/2011/02/evangelicos-nao-devem-se-esquecer-da.html

• Outros defendem a ideia de que o batismo com o Espírito Santo e o consequente falar em línguas estranhas poderia ser a solução definitiva para todas as divisões que existem entre os cristãos. Ver artigo nesse blog aqui:

http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2012/12/fe-pentecostal-e-falar-em-novas-linguas.html

• Tem aqueles que acreditam que uma forma unificada de liturgia, com coreografias, danças e música contemporânea seria capaz de realizar o truque de unir todos os cristãos.

• Por fim vamos encontrar aqueles que defendem a união baseada em alvos comuns como lutar contra o aborto ou o homossexualismo. Ver artigo nesse blog aqui:

http://ograndedialogo.blogspot.com/2011/01/aborto-uso-de-embrioes-humanos-lei-da.html

• Qualquer insistência com relação à verdade é logo tachada de “pregação de ódio” contra outras denominações. Com isso, paramos de denunciar o erro para nos acomodar no colo da mentira.

Independentemente da abordagem, o fato que permanece é que todos os cristãos devem estar bastante sensíveis a todas essas propostas. Elas são atraentes e sedutoras e ninguém vai querer dar a impressão que não anseia pela união dos cristãos. Será? Mas a que custo iremos fazer isso? Não podemos nos esquecer que a união das igrejas cristãs baseadas em qualquer coisa que não seja, exclusivamente, nosso amor pela verdade, não produz verdadeira unidade como deve manifestar a noiva de Cristo – 

Efésios 5:25—27

25  Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela,

26  para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra,

27  para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito.

Produz, isso sim, aquilo que a Bíblia chama de uma verdadeira prostituta, como mencionada em  Timóteo 3—4 e Apocalipse 17—18.

Os elementos que mencionamos acima – Maria, dom de línguas e música contemporânea – já têm frutificado unindo católicos e evangélicos em várias ocasiões, como foi o caso das últimas eleições majoritárias que tivemos no Brasil no ano de 2010 e  2104, apenas para citar o exemplo mais próximo e mais óbvio. Todavia devemos deixar claro que esse tipo de aliança é considerada por Deus uma verdadeira abominação. Algumas Escrituras não deixam a menor dúvida acerca do que estamos falando:

Mateus 7:15

Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores.

 Romanos 16:17

Rogo-vos, irmãos, que noteis bem aqueles que provocam divisões e escândalos, em desacordo com a doutrina que aprendestes; afastai-vos deles.

2 Coríntios 6:14—18

Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo? Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei, serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso .

1 Timóteo 4:1—6

Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência, que proíbem o casamento e exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade; pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável, porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificado. Expondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Cristo Jesus, alimentado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido.

2 Timóteo 2:16—17

Evita, igualmente, os falatórios inúteis e profanos, pois os que deles usam passarão a impiedade ainda maior. Além disso, a linguagem deles corrói como câncer; entre os quais se incluem Himeneu e Fileto.

Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.

Nosso chamado, como encontrado em Judas 3 é para batalharmos diligentemente “pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos”. Mas esse pessoal todo mencionado acima ensina e defende um sem número de doutrinas que são francamente contrárias àquelas que encontramos nas Escrituras. Algumas não são apenas erradas, mas são positivamente heréticas.

Um dos ensinamentos que mais me chama a atenção em programas pentecostais e carismáticos – sejam evangélicos sejam católicos – são as orações feitas ao Espírito Santo. Alguém poderia me ajudar a encontrar algum versículo onde somos ensinados a orar ao Espírito Santo? Por outro lado Jesus nos ensinou a orar ao nosso Pai – ver Mateus 6:9. Todavia esse pessoal que alega estar cheio do Espírito Santo adota essa práticas por que estão realmente cheio do espírito de desobediência a Deus e Sua Palavra. Quando ouço esse povo orando ao Espírito Santo eu sei que tudo não passa de um verdadeiro engodo. As visões mencionadas são falsas, as profecias fajutas e tudo o que resta é apenas confusão e desordem. Era exatamente isso que estava acontecendo na igreja de Corinto. Por esse motivo Paulo escreveu, para ajudá-los a proceder de forma correta – ver 2 Coríntios 14.

Todavia nós estamos vendo e veremos cada vez mais, programas unindo batistas, presbiterianos, pentecostais de todos os matizes, católicos romanos e, ultimamente, emergentes, nessa abominável união.

Devemos nos lembrar que, acima de tudo, Deus procura adoradores que o adorem em Espírito e verdade, como Jesus mesmo disse:

João 4:23—24

Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.

A verdade, meus irmãos e irmãs. Somente ela será capaz de unir os crentes verdadeiros ao redor do Senhor Jesus para que haja um só rebanho e um só pastor – ver João 10:16.

Que Deus abençoe a todos

Alexandros Meimaridis 

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domingo, 22 de fevereiro de 2015

A UNÇÃO DAS VASSOURAS E O BESTEIROL QUE NÃO TEM FIM


"Pastô" consagra óleo para "Unxir" Vassouras. Não deixe de levar a sua!

O meio evangélico, especialmente pentecostal e neopentecostal, virou uma balbúrdia sem precedentes. Não bastasse o enorme besteirol que temos denunciado aqui, a cada novo dia nos deparamos com bobagens maiores, mais anárquicas e mais degradantes.

Veja o caso desse homem infeliz, vestido como um palhaço que alega estar no monte Carmelo em Israel ungindo uma garrafa de óleo (??) para depois, retornando ao Brasil usar esse óleo para ungir as “VASSOURAS” das pessoas, de tal modo que todos possam varrer o mal de suas vidas, casa, local de trabalho e etc.

Onde está a polícia que não prende um estelionatário desses?

Onde está a secretária da saúde que não manda internar um abestado desse porte?

Vejam, caros leitores, com seus próprios olhos o vídeo em que o patético pastor consagra o óleo para ungir as vassouras por meio desse link aqui:


Imagens da unção das vassouras em corres e ao vivo:






Até quando Senhor?

OUTROS Artigos acerca do BESTEIROL QUE NÃO TEM FIM























































Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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sábado, 11 de outubro de 2014

A SUFICIÊNCIA DAS ESCRITURAS.



Se existe uma questão que está muito em evidência em nossos dias é essa envolvendo a suficiência das Escrituras. Durantes os séculos as Escrituras sempre sofreram ataques de todos os tipos. Mas começando no século XIX as coisas se intensificaram com o surgimento de poderosas falsas religiões que não aceitam a suficiência das Escrituras Sagradas. Entre esses falsos movimentos nós podemos citar:

1. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos últimos Dias ou Mormonismo

2. A Igreja Adventista do Sétimo Dia e todas suas derivações.

3. As Testemunhas de Jeová.

4. A Ciência Cristã.

5. O Unitarismo.

6. Neo-gnosticismo e Confissão Positiva de E. W. Kenyon.

7. O Espiritismo.

8. Teosofia

9. Etc.

Mas nunca vimos tantos ataques em profusão e agressividade como agora, especialmente por parte dos falsos ensinamentos de E. W. Kenyon ressuscitados e ampliados no meio pentecostal, Neo-pentecostal e da Terceira, Quarta e Quinta onda pentecostais, e pelo surgimento massivo de judaizantes que pretendem conhecer mais as Escrituras que todos mundo junto.

O Artigo abaixo foi publicado pelo site da Editora Fiel e é de autoria de Kevin DeYoung.

Que Diferença a Suficiência das Escrituras Faz na Sua Vida?

Kevin DeYoung
Primamos muito pela doutrina da suficiência das Escrituras. Mas, que diferença faz a suficiência das Escrituras na sua vida cristã? Deixe-me propor quatro maneiras que deveriam fazer uma enorme diferença.

Primeiro, com a suficiência das Escrituras mantemos a tradição em seu lugar. A tradição certamente tem um lugar na compreensão da palavra de Deus e na formulação das convicções doutrinárias da Igreja. A diversidade mais facilmente esquecida hoje é a diversidade dos mortos. Devemos aprender com os grandes mestres que vieram antes de nós. Devemos permanecer firmes sobre os credos ecumênicos da igreja. E, para aqueles de nós em tradições confessionais – como luteranos, anglicanos, presbiterianos e reformados – temos que nos comprometer a apoiar nossos padrões confessionais de forma séria, cuidadosa e com integridade. Mas mesmo esses grandes credos, catecismos e confissões são valiosos apenas enquanto resumem o que é ensinado nas Escrituras. Nenhum texto secundário e feito pelo homem pode substituir ou ser autorizado a subverter a nossa lealdade e conhecimento da Bíblia.

A suficiência das Escrituras fortalece o grito da Reforma de sola Scriptura, ou “Somente a Escritura”. Isso não significa que devemos tentar abordar a Bíblia sem a ajuda de bons professores, recursos escolares e fórmulas doutrinárias testadas. “Somente” não significa “por si só” (nuda Scriptura), mas que a Escritura somente é a autoridade final. Tudo deve ser testado contra a palavra de Deus. A tradição não tem um papel de igualdade com a Bíblia em saber a verdade. Em vez disso, a tradição tem um papel de confirmação, iluminação e apoio. Não podemos aceitar inovações doutrinárias, como a infalibilidade papal, o purgatório, a concepção imaculada ou a veneração de Maria, porque essas doutrinas não podem ser encontradas na Palavra de Deus e contradizem o que é revelado nas Escrituras. Embora possamos respeitar os nossos amigos católicos e ser gratos por muitos aspectos da sua fé e testemunho social, não devemos vacilar em nossa fidelidade à sola Scriptura. Está implícito na compreensão bíblica da sua própria suficiência.

Segundo, porque a Escritura é suficiente, não acrescentaremos ou retiraremos da palavra de Deus. Ao nos achegarmos à Bíblia, devemos sempre lembrar que estamos lendo um livro pactual. E documentos pactuais normalmente concluem com uma maldição de inscrição pactual. Vemos essa maldição em Deuteronômio 4:2 e 12:32, onde os israelitas são advertidos contra acrescentar à lei mosaica ou retirar qualquer coisa dela (cf. Provérbios 30.5-6). Da mesma forma, vemos o mesmo tipo de maldição na conclusão do Novo Testamento em Apocalipse 22.18-19 – “Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro; e, se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das coisas que se acham escritas neste livro”. Esta forte admoestação, no final de toda a Bíblia, é um lembrete forte de que não devemos acrescentar nada à Escritura – para torná-la melhor, mais segura ou mais de acordo com as nossas suposições – e não devemos retirar nada dela, mesmo se a experiência, revistas acadêmicas ou o humor da cultura insistir que devemos.

Terceiro, visto que a Bíblia é suficiente, podemos esperar que a palavra de Deus seja relevante em todos os aspectos da vida. Deus nos deu tudo o que precisamos para a vida e a piedade (2 Pedro1.3) porque a Escritura é suficiente para nos tornar sábios para a salvação e santos para o Senhor (2 Timóteo 3.14-17). Se aprendermos a ler a Bíblia para baixo (em nossos corações), do outro lado (o enredo da Escritura), para fora (para o fim da história) e para cima (para a glória de Deus, na face de Cristo), descobriremos que cada parte da Bíblia é proveitosa para nós. Afirmar a suficiência das Escrituras não é sugerir que a Bíblia nos diz tudo o que queremos saber sobre tudo, mas que ela nos diz tudo o que precisamos saber sobre o que mais importa. A Escritura não oferece informações completas sobre todos os assuntos, mas em todas as disciplinas que ela trata, só diz o que é verdadeiro. E, em sua verdade, temos conhecimento suficiente para abandonar o pecado, encontrar o Salvador, tomar boas decisões, se Deus quiser, e chegar à raiz dos nossos problemas mais profundos.

Quarto, a doutrina da suficiência das Escrituras nos convida a abrir nossas Bíblias para ouvir a voz de Deus. Não muito tempo atrás, eu estava em um grupo de aconselhamento da denominação onde nos foi dito para encontrarmos nossas “normas” como uma comunidade. Quando sugeri que a nossa primeira norma deveria ser testar tudo à luz da palavra de Deus, foi-medito – e isto é uma citação exata – que “não estamos aqui para abrir nossas Bíblias”. O objetivo do grupo, aparentemente, era que nós ouvíssemos nossos corações e uns aos outros, mas nem tanto de forma que ouvíssemos a Deus. Mais tarde, na mesma reunião denominacional, um pastor da América do Sul abordou todo o corpo. Ao perceber uma propaganda na parte de trás sobre um evento em que iríamos “descobrir” a visão de Deus para a nossa denominação, o homem disse: “Descobrir? Espero que vocês encontrem o que estão procurando. E tentem não demorar muito”. Foi uma alfinetada bem colocada em relação à tendência na Igreja estadunidense de planejar, e sonhar, e esquematizar, e projetar uma visão, e se envolver em discernimento mútuo, tudo enquanto, ao mesmo tempo, a clara voz de Deus permanece negligenciada em nosso colo.

O artigo original do site da Editora Fiel poderá ser visto por meio desse link aqui:


Kevin DeYoung Kevin DeYoung

É o pastor principal da University Reformed Church, em East Lansing (Michigan). Obteve sua graduação pelo Hope College e seu mestrado em teologia pelo Gordon-Conwell Teological Seminary. É preletor em conferências teológicas e mantém um blog na página do ministério ­ The Gospel Coalition. 

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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domingo, 22 de junho de 2014

MENINA CURANDEIRA DE 10 ANOS DE SÃO GONÇALO RJ


Foto: Simone Marinho: A missionária Alani Santos, de 10 anos, atende a fiéis na igreja onde seu pai é pastor.

O material abaixo foi publicado pelo site do Jornal o Globo:

Menina ‘milagreira’ de São Gonçalo vira destaque na mídia estrangeira

Aos 10 anos, Alani chama a atenção da imprensa internacional por supostas curas que realiza na igreja do pai

POR BARBARA MARCOLINI

RIO - "Na próxima semana vem o 'New York Times', na outra, uma TV italiana e uma francesa", explica o pastor Adauto dos Santos, pai de Alani, 10 anos. Conhecida como “missionarinha”, a menina teria o dom de curar enfermidades e, todas as segundas-feiras, participa dos cultos na igreja evangélica fundada pelo pai, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. Os milagres atribuídos a ela já foram notícia no jornal britânico “The Guardian”, na edição francesa da revista “Marie Claire” e no canal americano ABC. Só este ano, explica Adauto, 14 veículos internacionais já procuraram a menina. Além de um fenômeno no universo evangélico, Alani é um sucesso midiático.

O olhar doce e a voz serena reforçam o aspecto angelical da menina de grandes olhos castanhos e cabelos levemente cacheados. Acostumada a dar entrevistas desde os 6 anos, Alani já tem todas as respostas na ponta da língua. Deus a escolheu como veículo para seus milagres, explica. Como em uma releitura do Velho Testamento, a mãe, estéril, recebera de três pastores a notícia de que o Todo Poderoso lhe enviaria uma pérola, conta ela. Ainda dentro da barriga já se sabia que Alani não seria uma menina comum: quem encostasse no ventre materno sentia um arrepio.

— O primeiro milagre aconteceu quando ela tinha 51 dias — conta o pai. — Uma moça com a barriga grande como a de uma grávida veio à igreja pedir ajuda. Fechei meus olhos, e algo dizia que não deveria orar por ela. Vi então a mãozinha da minha filha sobre a sua barriga. Chamei minha mulher, que estava na igreja com ela, e coloquei a bebê para tocá-la. Quando ela colocou a mão, a barriga murchou.

Casal chegou ao Rio há 10 anos

Adauto, de 47 anos, e a mulher Sandra, de 36, chegaram no estado do Rio há 10 anos. O casal deixou o município de Pacaembu, no interior de São Paulo, e foi para Maricá, também na Região Metropolitana, atendendo a um chamado do irmão mais velho de Adauto, conhecido como Pastor Adão. Foi também por influência do irmão, que conheceu a igreja evangélica quando estava preso no Carandiru, condenado por roubo de carros, que o pai de Alani se converteu, há 20 anos. O pastor, porém, evita falar sobre seu próprio passado.

— Não é edificante, prefiro falar sobre o meu presente. Já fui preso também, mas não gosto de trazer lembranças. Passado é passado — desconversa o pastor quando questionado sobre o motivo que o levara à prisão.

A bordo de uma caminhonete Toyota Hilux de cabine dupla — cujas parcelas ainda estão sendo pagas, frisa o pastor — a família dos Santos chega à igreja Missão Internacional de Milagres, criada por Adauto há um ano e meio. Um cartaz com a foto de Alani anuncia que os milagres são realizados às segundas-feiras.

O espaço amplo, vizinho a um supermercado, fica na principal rua de Alcântara, bairro de classe média baixa de São Gonçalo. O local é iluminado por lâmpadas frias e mobiliado com cadeiras de plástico brancas, como as usadas à beira da piscina. No palco, um painel com a foto de uma praia de água azul-turquesa e letras que compõem a palavra “JESUS” serve de cenário para um pastor. Os fieis ainda são escassos, mas ao longo de duas horas de pregação chegam a cerca de 50.

Sob aplausos, Alani sobe ao palco, canta duas músicas e dá lugar ao pai. O pastor Adauto lembra os feitos realizados ali, entre eles a cura de suas pedras na vesícula. Ele reitera que apenas quem tem fé recebe a graça desejada e garante que, mesmo que o sintoma não desapareça imediatamente, a cura acontece no momento em que as mãos de Alani tocam no fiel.

Ao exemplo do pai, a menina também prega, até que, por volta das 21h, chega o momento. Mais de uma dezena de fieis se aproximam do palco. O pastor pergunta sobre os seus problemas. Alani se posiciona na frente de cada um, fecha os olhos e coloca as mãos sobre suas cabeças. Homens de terno e mulheres segurando lençóis se preparam para socorrer quem desmaiar — o que não é raro.

Ver vídeo sobre Alani por meio desse link aqui:


Repercussão da Espanha à Rússia

Imagens de Alani tocando enfermos, que imediatamente desabam no chão ou têm crises de choro, já rodaram o mundo. O pastor Adauto faz questão de enumerar os veículos internacionais que já foram conferir: “L’Hebdo”, da Suíça, “Polityka”, da Polônia, “Marie Claire”, M6 e Canal Arte, da França, RTL, da Bélgica, ABC News e Vocativ, dos Estados Unidos, NOS, da Holanda, “The Guardian”, da Inglaterra, além do canal NatGeo e TVs da Rússia, Espanha, Itália e Colômbia, das quais não se lembra o nome. No site criado para a menina, há instruções de como chegar até a Igreja vindo do Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio.

Correspondente dos sites americanos MSNBC e Vocativ, o jornalista Ramon Iriarte foi um dos que visitaram a igreja nos últimos meses. Segundo Iriarte, a reportagem em vídeo feita para o Vocativ, publicada em abril, foi vista por quase 1 milhão de pessoas — o que, na sua opinião, demonstra o interesse do público estrangeiro pelo tema. O jornalista diz não se considerar uma pessoa religiosa, e argumenta que os aspectos positivos ou negativos de cultos como os de Alani e seu pai devem ser avaliados pelo público.
— O pentecostalismo no Brasil é um bom exemplo desse fenômeno crescente que está estourando por toda a América Latina. Alani foi o personagem perfeito para tornar a história atraente para a audiência internacional — justifica. — A matéria obviamente transcende Alani e sua família, e acho importante analisar o papel dessas organizações no centro das sociedades contemporâneas e sua relação com a economia, a democracia representativa e o estado.

O assédio da imprensa fez com que a escola particular Seiva Cristã, onde Alani estuda, criasse um esquema especial para entrevistas. A coordenadora pedagógica Carla Corrêa explica que os pedidos para entrar na escola devem ser enviados por e-mail com antecedência, a aluna pode sair de sala por não mais que 15 minutos, e os outros alunos não devem ser filmados ou entrevistados.

— Se começarmos a abrir muito a escola, ela será evidenciada como diferente entre os outros. Ela é uma excelente aluna, mas é encarada como qualquer outra — explica.

Para a professora da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO/UFRJ) Cristina Rego Monteiro, o interesse da mídia estrangeira por histórias como a de Alani não é novidade. Ela argumenta que o simples fato de uma menina de 10 anos atrair centenas de pessoas em busca de supostos milagres já é um fato relevante, tanto no Rio como em qualquer lugar do mundo. Somado a isso, o interesse pela cultura brasileira aumenta às vésperas de grandes eventos internacionais.

— Esse aspecto da cultura brasileira, da fé, de uma organicidade cultural, que para o estrangeiro é exótico, chama atenção. A imprensa internacional joga uma carga em cima do exotismo, isso não é novidade — avalia Cristina, lembrando que o sensacionalismo não é uma regra nesses casos. — Dependendo da qualidade do veículo, você não encontra mais esse uso vulgar dos estereótipos que não correspondem a uma realidade geral. Você tem a imprensa sensacionalista, mas essa usa o senso comum dentro dos próprios países também.

Sem esconder sua preferência pelos veículos internacionais, o pai de Alani explica que passou a evitar a mídia brasileira por alegar ser alvo de calúnias. Adauto diz que já foi investigado pelo Ministério Público e pelo Conselho Tutelar, mas as denúncias de exploração de menor nunca foram comprovadas.

— Ela tem mais tempo para brincar do que qualquer criança de classe alta, que faz inglês, futebol, natação… — compara. — Não vejo mal sobre a exposição. Ela não é atriz ou modelo, ela ajuda as pessoas.

Sentada ao fundo da igreja na última segunda-feira, Isaura Klem de Souza, de 84 anos, ouvia o culto com a cabeça baixa. A visão lhe fora tomada há 8 anos pelo glaucoma. Ao ser tocada por Alani, dona Isaura sentiu um calafrio. Mas as manchas brancas continuavam sobre sua íris.

— Tinha fé de que sairia daqui enxergando, mas eu sei que essas coisas vêm devagarinho. Vou continuar vindo aqui. Se um dia essa sombra sair dos meus olhos, eu volto a enxergar.

A operadora de telecomunicações Eliana Carvalho, de 55 anos, também esperava por um milagre. Há um mês vinha sentindo dores na barriga, e o médico lhe indicara alguns exames. Diante da menina, desabou no chão.

— Parecia que Deus estava me tocando, sentia meu corpo leve. Agora não tenho mais dor — contou a mulher, depois de ter sua barriga examinada pelos presentes e dar três voltas correndo, a pedido do pastor.

O artigo original do site do O Globo poderá ser visto por meio desse link aqui:


NOSSO COMENTÁRIO.

É sempre bom lembrar que milagres, sinais e maravilhas NÃO CONVERTEM NINGUÉM. Podem, quando muito, convencer alguém de algo estranho e misterioso aconteceu ali. Mas conversão é fruto exclusivo da pregação da pura Palavra de Deus, sem nenhum tipo de contaminação:

Romanos 10:17

E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.

A melhor ilustração para isso que estamos dizendo encontra-se numa narrativa dos Evangelhos como segue:

Lucas 17:11—19

11 De caminho para Jerusalém, passava Jesus pelo meio de Samaria e da Galiléia.

12 Ao entrar numa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez leprosos,

13 que ficaram de longe e lhe gritaram, dizendo: Jesus, Mestre, compadece-te de nós!

14 Ao vê-los, disse-lhes Jesus: Ide e mostrai-vos aos sacerdotes. Aconteceu que, indo eles, foram purificados.

15 Um dos dez, vendo que fora curado, voltou, dando glória a Deus em alta voz,

16 e prostrou-se com o rosto em terra aos pés de Jesus, agradecendo-lhe; e este era samaritano.

17 Então, Jesus lhe perguntou: Não eram dez os que foram curados? Onde estão os nove?

18 Não houve, porventura, quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro?

19 E disse-lhe: Levanta-te e vai; a tua fé te salvou.

NOTE BEM:

1. Uma pessoa pode ser objeto de um milagre e não se converter!

2. Dos dez leprosos apenas um foi curado e também salvo. Os outros nove, apesar de curados NÃO FORAM SALVOS.

Isso é suficiente para dar um fim no blá blá blá do pai da menina que ele está interessado na salvação das pessoas. Até acredito que esteja, mas seu método está errado.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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