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domingo, 21 de junho de 2015

EVANGÉLICOS FINALMENTE SAEM DO ARMÁRIO



O artigo abaixo é de autoria de Rogério Ribeiro e foi publicado no site Gnotícias.

O dia em que os evangélicos “saíram do armário”.

Por Rogério Ribeiro

“Sair do armário” requer coragem, ou, um “empurrãozinho”.

E foi este segundo, o responsável por botar o “verdadeiro mundo evangélico” através de seus vergonhosos representantes, pra fora.

Eles tentaram segurar a tensão de todo jeito, mas não deu outra: Todo mundo viu!

Tentaram sem sucesso, mostrar o “amor”, a “compaixão”, o “exercício Cristão”, mas… nada.

De nada adiantou a investida interesseira e o mundo terminou vendo o que muita gente suspeitava: Eles em sua maioria foram forjados na religiosidade e preconceito (só não se sabe onde começa um e onde termina o outro).

Daí foi só vergonha…

E por mais que líderes ou celebridades gospels tentassem controlar o escândalo, toda a fala ou “confissão positiva” em vídeos de conclamação, e posts “fervorosos” afirmando uma “igreja perseguida”, não adiantou…

Há quem acredite e diga em uma repetição imbecil, que estão convictos de que tudo isso é uma intriga da mídia e de certos setores e que isso, definitivamente não corresponde à “igreja”… Que tudo isso não passa de uma simples perseguição a um grupo que, nas palavras da cantora Aline Barros, “mostrou que não pode ser ignorado!”

Um grupo que, na fala do insano Thalles Roberto, não pode aturar isso (informando inclusive, já ter mandado cair fogo dos céus em o nome do Senhor…).

Isso sem falar no desserviço da família “Dó-ré-Mí” Valadão - marqueteira, que só se pronuncia quando interessa, da Nivea Soares em seu discurso “afaga-ego” para a alienada vidinha “cristã” e de muitos outros que contribuem para a vergonha de terem mostrado sua verdadeira índole ao mundo, ao invés de uma postura verdadeiramente, Cristã…

(eu sei, eu sei… é pedir muito desse pessoal…).

E nada… nada foi capaz de tirar dos olhos do mundo a “tarja” que conseguiram estes, ao “saírem do armário”.

Diante do “empurrãozinho” de um mundo que “frustra” a sua vidinha “pré-céu”, eles estão mais sem-vergonha do que qualquer parada gay em um momento de orgia, causando repulsa e nojo ao mundo que não suporta mais a sede de justiça.

Entretanto, absortos na efervescência de sua convicção, se julgam aquecidos e continuam “em paz”, mesmo fora do armário que os escondia…

Mesmo que Jesus os considere “mornos”…

A ponto de vomitá-los.

Rogério Ribeiro.

"As opiniões ditas pelos colunistas são de inteira e única responsabilidade dos mesmos, as mesmas não representam a opinião do Gospel+ e demais colaboradores."

Profile photo of Rogério Ribeiro

Rogério Ribeiro é Teólogo sem "ranços". Cineasta, roteirista e cronista, escreve também no blog "edição de amanhã"; blog secular de sucesso, onde faz da crítica, um alerta para os que o leem, além de outros sites. É autor de "Descansado sobre a Relva", livro que fala do relacionamento pessoal com Jesus Cristo, acima de qualquer coisa ou "impedimento" proposto pelo mundo religioso. Observador atento, Rogério Ribeiro aceitou o dever alertar e, desde então, é um compromissado "atalaia" dos nossos dias, às ordens de um só Senhor: Jesus Cristo.

O artigo original poderá ser visto por meio do link abaixo:


Que Deus abençoe a todos. E que tenha profunda misericórdia dessa turma que pretende ser o que nunca foram: cristãos verdadeiros.

Alexandros Meimaridis

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quarta-feira, 29 de abril de 2015

OS PAÍSES MAIS E MENOS RELIGIOSOS DO MUNDO


Penitentes da irmandade do 'Cristo de la Buena Muerte' em uma procissão durante a Semana Santa na cidade espanhola de Zamora
Penitentes da irmandade do 'Cristo de la Buena Muerte' em uma procissão durante a Semana Santa na cidade espanhola de Zamora(Cesar Manso/AFP)

A o site da Revista VEJA publicou uma lista com os países mais religiosos e menos religiosos do mundo. Vale à pena conferir

Lista: Conheça os países mais e os menos religiosos do mundo

Pesquisa apontou que África e Oriente Médio são as regiões mais religiosas do planeta, enquanto a Oceania e o leste europeu apresentam os índices mais baixos

A Tailândia foi considerada o país mais religioso do mundo em uma pesquisa realizada pela empresa WIN/Gallup International e divulgada nesta semana pelo jornal britânico Daily Telegraph. O levantamento contou com entrevistas feitas pessoalmente, por telefone ou por e-mail com 64.000 pessoas em 65 países diferentes. Os tailandeses tiveram índice de 94% de pessoas que dizem seguir alguma crença - número muito superior ao da China, que, em último lugar, aparece com apenas 7% de religiosos entre sua população.

A África e o Oriente Médio, com índices de 86% e 82%, respectivamente, são as regiões com maior número de religiosos no mundo. A Oceania e o leste europeu, com 44% e 43%, respectivamente, são os locais com a menor presença de fiéis. A pesquisa mostrou que os jovens, especialmente aqueles com idades entre 25 e 34 anos, são as pessoas mais religiosas. Os fiéis também são maioria entre pessoas de todos os níveis de educação. Aproximadamente 80% dos entrevistados com pouca formação e 60% dos que cursaram uma universidade se disseram religiosos.

O Brasil conta com presença elevada de religiosos. Entre os entrevistados, 79% das pessoas disseram seguir alguma crença, enquanto 16% não se consideraram religiosos. Somente 2% da população são ateístas convictos e 3% não souberam ou não quiseram opinar.
O instituto de pesquisa também fez uma projeção com relação à presença de religiosos no mundo em 2050. A expectativa é de que o número de ateus caia no Oriente, mas não no Ocidente. No Brasil, especificamente, a estimativa é de que 86,4% da população seja composta por cristãos, 9,3% não terão religião e 4% seguirão crenças populares. Judeus, muçulmanos, budistas e hindus corresponderão, cada um, a 0,5% da população brasileira.

Segundo o Daily Telegraph, os resultados do levantamento foram divulgados um mês após o Centro de Pesquisa Pew, em Washington, dizer que o Islã será a religião dominante no mundo em 2100. Confira abaixo os cinco países mais religiosos. segundo a WIN/Gallup International.

Os cinco países mais religiosos do mundo

1 de 5(Foto: Damir Sagolj/Reuters)
Tailândia

Tailândia

Porcentagem de pessoas religiosas: 94%
Porcentagem de pessoas que não se consideram religiosas: 1%
Porcentagem de ateus convictos: 1%
Não sabem ou não quiseram responder à pesquisa: 3%


Armênia
2 de 5(Foto: Karen Minasyan/AFP)

Armênia

Porcentagem de pessoas religiosas: 93%
Porcentagem de pessoas que não se consideram religiosas: 3%
Porcentagem de ateus convictos: 2%
Não sabem ou não quiseram responder à pesquisa: 2%


Bangladesh
3 de 5(Foto: Munir Uz Zaman/AFP/VEJA)

Bangladesh

Porcentagem de pessoas religiosas: 93%
Porcentagem de pessoas que não se consideram religiosas: 5%
Porcentagem de ateus convictos: 0%
Não sabem ou não quiseram responder à pesquisa: 1%


Geórgia
4 de 5(Foto: David Mdzinarishvili/Reuters/VEJA)

Geórgia

Porcentagem de pessoas religiosas: 93%
Porcentagem de pessoas que não se consideram religiosas: 6%
Porcentagem de ateus convictos: 1%
Não sabem ou não quiseram responder à pesquisa: 0%


Marrocos
5 de 5(Foto: Fadel Senna/AFP/VEJA)

Marrocos

Porcentagem de pessoas religiosas: 93%
Porcentagem de pessoas que não se consideram religiosas: 4%
Porcentagem de ateus convictos: 1%
Não sabem ou não quiseram responder à pesquisa: 2%

Os cinco países menos religiosos do mundo


Holanda
1 de 5(Foto: Cris Toala Olivares/Reuters)

Holanda

Porcentagem de pessoas religiosas: 26%
Porcentagem de pessoas que não se consideram religiosas: 51%
Porcentagem de ateus convictos: 15%
Não sabem ou não quiseram responder à pesquisa: 8%


República Tcheca
2 de 5(Foto: Istock/Getty Images)

República Tcheca

Porcentagem de pessoas religiosas: 23%
Porcentagem de pessoas que não se consideram religiosas: 45%
Porcentagem de ateus convictos: 30%
Não sabem ou não quiseram responder à pesquisa: 2%


Suécia
3 de 5(Foto: AFP/VEJA)

Suécia

Porcentagem de pessoas religiosas: 19%
Porcentagem de pessoas que não se consideram religiosas: 59%
Porcentagem de ateus convictos: 17%
Não sabem ou não quiseram responder à pesquisa: 6%


Japão
4 de 5(Foto: The Asahi Shimbun/Getty Images)

Japão

Porcentagem de pessoas religiosas: 13%
Porcentagem de pessoas que não se consideram religiosas: 31%
Porcentagem de ateus convictos: 31%
Não sabem ou não quiseram responder à pesquisa: 25%


China
5 de 5(Foto: Wong Campion/Reuters)

China

Porcentagem de pessoas religiosas: 7%
Porcentagem de pessoas que não se consideram religiosas: 29%
Porcentagem de ateus convictos: 61%
Não sabem ou não quiseram responder à pesquisa: 3%

O artigo original do site da Revista VEJA poderá ser visto por meio desse link aqui:


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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domingo, 28 de dezembro de 2014

LUIZ FELIPE PONDÉ FALA DA RELIGIOSIDADE DOS BRASILEIROS


O filósofo Luiz Pondé

O material abaixo foi publicado pela revista Cristianismo hoje

Entrevista com o professor e escritor Luiz Felipe Pondé

O filósofo e cientista da religião analisa a religiosidade no Brasil e identifica qualidades na postura evangélica de combater o relativismo.

Escrito por  Carlos Fernandes

Um dos maiores críticos da moda do politicamente correto, o filósofo e escritor Luiz Felipe de Cerqueira e Silva Pondé é daqueles intelectuais que parecem não se preocupar muito com as repercussões do que diz. Critica o PT no governo com a mesma acidez com que debocha do sujeito que passa horas no Facebook procurando causas nobres para defender e posar de bom moço. “Para os defensores do politicamente correto, tudo é justificado dizendo que você é pobre, gay, negro ou índio”, ironiza. Pernambucano de 55 anos, graduou-se em Medicina na juventude, mas foi com a Filosofia – na qual chegou ao pós-doutorado – que Pondé se tornou conhecido e respeitado no meio acadêmico. Pela densidade de suas obras, como Conhecimento na desgraça: Ensaio da epistemologia pascaliana ou Crítica e profecia: Filosofia da religião em Dostoiévski, pode parecer à primeira vista um eremita de biblioteca, escrevendo coisas que um simples mortal não compreende. Mas, não – em sua coluna semanal na Folha de São Paulo, Pondé trata de temas da vida cotidiana e analisa relacionamentos humanos como num papo de mesa de escritório. O intelectual fala até mesmo de futebol, como em Amarelou, texto escrito pouco depois do indescritível vexame brasileiro na Copa do Mundo.

Luiz Felipe Pondé também se destaca no estudo e crítica da religião. Professor de Ciências da Religião na respeitada Pontifícia Universidade Católica, ele tem origem judaica, já foi ateu e hoje flerta filosoficamente com o divino. “Sou basicamente pessimista, cético, descrente, quase na fronteira da melancolia”, admite. Mesmo assim, enxerga no mundo uma beleza e uma misericórdia no mundo que não consegue explicar pelas vias racionais: “Acho Deus a hipótese mais elegante que existe acerca do universo e da vida”. Nesta conversa com CRITIANISMO HOJE – a segunda consecutiva da revista com grandes autores nacionais –, Pondé fala sobre o momento religioso no Brasil, desde as consequências do crescimento evangélico até ao significado da inauguração recente do chamado Templo de Salomão, em São Paulo. “Com ele, a Igreja Universal quer se reposicionar no mercado da fé”, sintetiza, sem rodeios. “Os evangélicos mais éticos sofrem com o efeito de massificação do neopentecostalismo”. Com o perdão do lugar-comum, a entrevista é imperdível.

CRISTIANISMO HOJE – Que tipo de contribuição a fé evangélica, que a cada dia cresce mais no Brasil, pode trazer a um país onde, até poucas décadas, o catolicismo era praticamente absoluto?

LUIZ FELIPE PONDÉ – Antes de tudo, esse crescimento traz contribuições para o mercado religioso: mais opções e mais competição dentro do espectro cristão. Os evangélicos têm uma história combativa distante da chave marxista, coisa que a Igreja católica perdeu há muito tempo. Eles valorizam a iniciativa pessoal, já que o protestantismo é marcado pela capacidade de produzir riqueza, isso é muito bom para o país. Há um maior aprofundamento da ética cristã clássica, no caso do protestantismo não avivado. Do ponto de vista dos chamados hábitos morais, esse crescimento pode implicar numa guinada conservadora.  No geral, eu diria que o enfrentamento do relativismo comum de nossa época, algo típico dos evangélicos, é bom para o debate público.

O que o senhor chama de “guinada conservadora” é, necessariamente, ruim?

O problema é que guinadas conservadoras em moral podem complicar a tolerância entre diferentes, e isso pode ser uma desvantagem. Mas, por outro lado, elas tornam a vivência do Cristianismo no Brasil mais intensa.

Observa-se, nas igrejas e instituições religiosas, de modo geral, um contínuo processo de esvaziamento. Já se fala, hoje, em “evangélicos nominais”, assim como, durante muito tempo, consagrou-se a figura do “católico não-praticante”.

O processo de secularização ocidental, por si só, explica o fenômeno?
Acho que o secularismo é, sim, uma das causas. E, também, a distância, muitas vezes observada, entre a religião e as demandas cotidianas da vida contemporânea. Por outro lado, a institucionalização das religiões é mal recebida pela população de maior formação cultural e acadêmica, e isso também é um fato. Por isso, vemos espiritualidades que mesclam elementos de várias crenças, misturando, por exemplo, o Budismo com um “jeito Jesus de ser”, amoroso, tolerante – isso ajuda a aceitar a fé fora ditames institucionais. Há outros fatores que explicam esse esvaziamento. O mundo contemporâneo é pautado por projetos centrados em soluções rápidas e com baixo comprometimento cotidiano. Cria-se uma fé no estilo Facebook, e aí, a tendência é mesmo à diminuição. O Facebook gera pessoas com muitas bravatas e pouco comprometimento.

O senhor fala muito de seu desconforto com a moda do politicamente correto, que inclusive é tema de um de seus livros. A pregação cristã sobre pecado, juízo divino e inferno pode ser considerada o contrário disso. Essa moda não pode acarretar, no médio prazo, uma pressão irresistível sobre a religião?

Já acarretou. O politicamente correto é um fenômeno de mercado. A sociedade de mercado produz forte ressentimento devido à produtividade de uns em comparação com a baixa produção de outros; logo, a noção do politicamente correto ajuda a acalmá-lo. O Cristianismo clássico combate o politicamente correto, porque ajuda a aprofundar a critica à condição humana. Na filosofia, ele continua tendo peso; mas, na pastoral, temo que caia sob a tutela da teologia da prosperidade, associada à sensibilidade mau-caráter do politicamente correto.

O pensamento único, hegemônico, gera o que o senhor já chamou de “dominância burra” e parece ser a tônica, hoje, no Brasil. Quais são os maiores danos desse tipo de ideologia em um país como o nosso, com baixos níveis de instrução e pensamento crítico?

O cultivo do ressentimento, da repressão da iniciativa privada e individual, o ódio de classe e o populismo. Acho que, no caso de uma nova vitória eleitoral do PT, coisa que pode acontecer, inclusive, graças ao voto evangélico, será uma devastação na economia, na liberdade de imprensa e na manutenção de esquemas de corrupção, sustentada no embuste ideológico [N.da Redação: A entrevista foi concedida antes das eleições de outubro].

A passagem do pastor e deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) pela presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, entre março e dezembro do ano passado, provocou uma grita generalizada, sobretudo por conta de grupos de afirmação homossexual. Figuras evangélicas públicas enfrentam feroz resistência toda vez em que se pronunciam contra a homossexualidade, ainda que o façam por convicção pessoal ou de fé. A quem interessa isso?

Para a Igreja Católica, uma instituição cuja base do clero é socialista, os evangélicos são um risco, porque competem pelo mercado cristão. Mas, de outro ponto de vista, na medida em que os evangélicos formam a base do PT, católicos socialistas e evangélicos oportunistas se dão as mãos institucionalmente. Mesmo levando-se em conta a posição intolerante de muitos pastores que representam parte da opinião pública, os gays perderam a batalha, mesmo porque eles também formam, em grande parte, a base o governo. Portanto, acho que conflitos como esses ainda são perfumaria em política. No plano moral, onde há, de fato, o conflito, acho que os evangélicos têm ainda uma forte chance de resistir à chamada cultura gay, mas isso implica em rupturas políticas com partidos como o PT.

O recentemente inaugurado Templo de Salomão, megaconstrução da Igreja Universal do Reino de deus (Iurd) em São Paulo, gerou fortes críticas por promover a mistura de elementos do Judaísmo com a prática cristã, embora se possa criticar o Cristianismo pregado por Edir Macedo. Quais são, em sua opinião, as verdadeiras intenções da Universal com essa mudança de postura?

O Templo de Salomão está reposicionando a marca da Igreja Universal diante da perda competitividade da Iurd no mercado evangélico, que está muito aquecido. Esse reposicionamento se caracteriza pelo imaginário mágico que o Antigo Testamento carrega e pela ideia equivocada de que povo eleito é retribuído com prosperidade. A Universal quer criar seu novo povo eleito, sob a tutela do sumo sacerdote que é muito íntimo de Deus. Ora, ele recriou o templo judeu, e com isso também atrai sobre si mesmo a ideia de que ele está muito próximo do Messias Jesus. Repare que o afastamento do Judaísmo, pregado por Paulo nos primórdios do Cristianismo, também foi um posicionamento de uma “marca” jovem na época – a então recente seita herética judaica do galileu – em uma disputa no mercado de crenças no Império Romano. Mas não creio que certa “judaização” da Igreja Universal a faça perder consistência teológica, uma vez que só se perde o que se tinha um dia...

Isso não pode contaminar as outras correntes evangélicas?

Ainda é cedo para se dizer. Porém, religião é cultura, é promiscuidade simbólica permanente. Um dia, tudo é contaminado por tudo.

A lógica da recompensa divina à obediência, tão presente no Antigo Testamento, está na base da chamada teologia da prosperidade. Ela prega que, se o crente for fiel – através de contribuições financeiras –, necessariamente será abençoado por Deus. Não é uma apropriação desonesta?

A ideia de recompensa, tão inerente à teologia da prosperidade, erra ao entender que a eleição implica em uma dinâmica de retribuição. No Tanach (a Bíblia hebraica), todos os eleitos de Deus sofrem, inclusive Cristo no Novo Testamento. Deus é livre para fazer o que quer e nada nos deve. A Aliança, que nós quebramos, persiste por sua misericórdia, apenas. Acho que o ressentimento típico da herança adâmica se manifesta em toda teologia da retribuição, que é o caso da teologia da prosperidade. Porém, a interpretação na chave retributiva da eleição – a ideia de que Israel é rico e poderoso graças à “magica” do Antigo Testamento – erra porque a história do povo hebreu, apreendida no dia a dia, é de dor e sofrimento. Viver cobrando de Deus a promessa de sucesso e de felicidade é viver em idolatria. Ser eleito pelo Deus de Israel faz de você um sacerdote e de sua vida, um holocausto. A alegria nunca deve ser fruto da lógica retributiva do temor a Deus.

Em um de seus artigos para a Folha de São Paulo, no qual analisou o conflito entre forças israelenses e o grupo islâmico Hamas, o senhor disse que a questão da eleição de Israel por Deus, conforme descrita no Antigo Testamento – e que é a base do sentimento evangélico pró-Israel –, tem sido muito mal interpretada e apropriada, indevidamente, pelo discurso neopentecostal. Pode explicar melhor isso?

Em primeiro lugar, acredito que o apoio dos evangélicos a Israel é corajoso. Ele mostra, independentemente da concordância com suas posições, como o mundo evangélico tem sido uma das últimas resistências ao pensamento único e ao antissemitismo travestido de antissionismo que assola o mundo da mídia e da academia. Quanto à interpretação da eleição de Israel, o Cristianismo, em geral, entende-a mal. A intimidade do povo de Israel com Deus implica menor livre arbítrio do que o dos outros povos. Israel é menos livre. Deus faz uso dele quando quer. Os judeus veem a incompreensão da condição do Estado de Israel hoje como mais uma amostra da solidão de quem tem a mão de Deus sobre sua cabeça.

Figuras midiáticas do segmento neopentecostal, como Edir Macedo, Silas Malafaia e Valdemiro Santiago, entre outros, são vistos, pela sociedade em geral e amplos setores da imprensa, como representantes do movimento evangélico nacional, embora sejam refutados e até condenados por grande número de crentes. Numa sociedade de consumo, em que os veículos de informação, com os mais variados interesses, moldam a opinião pública, como os evangélicos mais preocupados com a ética cristã serão reconhecidos e diferenciados em relação àqueles que fazem da fé um simples instrumento de proveito próprio?

Os evangélicos mais éticos sofrem com o efeito de massificação do neopentecostalismo. Eles têm menos força no mercado de consumo de bens religiosos cristãos. Seu futuro é o futuro de todo mundo que não tem acesso à massificação. As redes sociais podem ajudar um pouco. Creio que um possível caminho é o da produção intelectual e a entrada no debate público de modo erudito, consistente e com elementos da cultura secular. Mais difícil é o preconceito contra evangélicos em geral. Os escândalos envolvendo líderes e políticos evangélicos têm um efeito explosivo como todo efeito de massa associado ao preconceito.

Então, aquela figura do crente como um sujeito correto, confiável e respeitável está definitivamente superada?

Acho que esta imagem está superada. Um misto do crente como o “certinho” reprimido permanece, mas tende a capitular diante dessa outra a outra, ou ficar apenas associada às “igrejas pobres”.

E como fazer para superar esse preconceito social?

Para vencê-lo, massificação neopentecostal não ajuda, porque reforça a imagem de intolerância e abuso da ingenuidade dos fiéis. Acho que os evangélicos mais éticos, como você fala, devem invadir as universidades e ler Nietzsche sem medo.
O senhor diz que deixou de ser ateu, apesar da sua formação em filosofia e toda uma trajetória humanista. Quem é Deus, hoje, para Luiz Felipe Pondé?

Acho Deus a hipótese mais elegante que existe acerca do universo e da vida. Toda vez que vejo a generosidade e a beleza no mundo, sinto que estou diante do milagre. Permaneço filosoficamente ateu, mas, as experiências com a doçura e beleza no mundo me fazem pressentir alguma misericórdia que não sei de onde vem. O que me interessa em teologia é a mística.

A ideia de um Deus criador e sustentador do universo ainda é viável no mundo pós-moderno?

Sim, ela é viável, como mais uma no supermercado de bens invisíveis de sentido para a vida.

O artigo original da Cristianismo Hoje, poderá ser visto por meio do seguinte link:


NOSSOS COMENTÁRIOS

1. As respostas de Luiz Felipe de Cerqueira e Silva Pondé não representam em nenhuma hipótese as opiniões do blog o Grande Diálogo. Todavia achamos que o mesmo tem uma contribuição a fazer para o debate envolvendo os evangélicos hoje em dia no Brasil. Essa é nossa motivação em publicar sua entrevista.

2. Por outro lado como ele mesmo se define como um “ateu” e “Sou basicamente pessimista, cético, descrente, quase na fronteira da melancolia”, não temos mesmo que esperar nenhuma resposta que reflita uma perspectiva cristã e muito menos reformada, vinda de sua parte.
3. Luiz Felipe de Cerqueira e Silva Pondé parece que ao fazer seus cursos de filosofia ficou estanque entre Marx e Nietzsche. Quem tem medo de ler Nietzszche?

4. Também achamos logicamente questionável fazer uma leitura dos dias presentes e depois inseri-la nos dias dos cristãos do primeiro século a.D.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

ESPIRITUALIDADE TORNA AS PESSOAS MAIS RESISTENTES À DEPRESSÃO


Estruturas cerebrais podem ser a chave para entender fatores que impedem a depressão
Estruturas cerebrais podem ser a chave para entender fatores que impedem a depressão (Thinkstock)

O artigo abaixo foi retirado de: VEJA ONLINE

Espiritualidade tem conexão com maior espessura do córtex cerebral, característica notada em pessoas com menor risco de depressão



Cientistas já sabem que alguns aspectos da anatomia cerebral podem indicar o risco de uma pessoa ter depressão. Um deles é a espessura do córtex, membrana que reveste o órgão — ele é mais fino em indivíduos com mais chances de ter a doença. Agora, um novo estudo dá pistas sobre o que pode influenciar nessa característica do córtex: a religiosidade. De acordo com a pesquisa, pessoas que nutrem esse sentimento tendem a ter um córtex cerebral mais espesso e, consequentemente, um risco menor de depressão do que as outras.

O trabalho ainda não conseguiu comprovar, contudo, se a importância dada à espiritualidade aumenta a espessura do córtex cerebral, ou se é o contrário — ou seja, se a maior espessura da membrana predispõe uma pessoa a dar maior importância à religião.

Estudos anteriores já haviam mostrado que, entre pessoas com predisposição genética à depressão – ou seja, com histórico da doença na família –, aquelas que são religiosas podem ter um risco até 90% menor de desenvolver o transtorno do que as que não são religiosas.

Diante dessas evidências, os autores da nova pesquisa buscaram entender de que forma a religiosidade pode se relacionar à depressão. Para isso, eles selecionaram 103 pessoas de 18 a 54 anos, sendo que somente parte delas tinha predisposição genética para a depressão. Por cinco anos, os cientistas analisaram a importância da religião e a frequência com que elas visitavam templos e igrejas, além de submeter os voluntários a exames de ressonância magnética com o objetivo de verificar a anatomia cerebral.

No final do estudo, os pesquisadores observaram que os participantes que davam mais importância a questões espirituais, não importando com que frequência iam a igrejas ou templos, possuíam um córtex mais espesso em algumas áreas do cérebro. Essa associação entre religiosidade e a espessura do córtex aconteceu em todos os participantes, mas foi mais forte entre aqueles que tinham histórico de depressão na família.

A pesquisa foi feita na Universidade Columbia, Estados Unidos, e publicada nesta quarta-feira no periódico JAMA Psychiatry.

O artigo original poderá ser visto por meio desse link aqui:


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Alexandros Meimaridis

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