Mostrando postagens com marcador Discipulado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Discipulado. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 12 de setembro de 2017

O DISCIPULADO CRISTÃO - SERMÃO 003/004 – COMUNHÃO E INTERDEPENDÊNCIA


Imagem relacionada

Nossa série acerca do Discipulado Cristão irá apresentar os elementos fundamentais para uma vida cristã que agrada a Deus e que realmente vale a pena ser vivida. Infelizmente, o discipulado cristão tem sido esquecido e completamente abandonado pela vasta maioria do povo chamado cristão, que prefere trocar o seguir a Cristo por frequentar cultos de cura, de libertação e de prosperidade e também cultos que não passam de verdadeiro entretenimento puro e simples. Precisamos retornar, com urgência, ao verdadeiro chamado do que significa ser um verdadeiro seguidor de Jesus Cristo. Que Deus abençoe a todos à medida que acompanham e compartilham esses estudos uns com os outros.


VIVENDO A VIDA COMUM DOS SANTOS DE DEUS

Texto: Romanos 12:5.  
Introdução.

A. Nosso propósito nesta série é incentivar a comunidade a deixar de ser um grupo de seguidores ocasionais do Senhor Jesus até nos tornarmos em um corpo de verdadeiros discípulos de Jesus nos moldes do chamado feito por Jesus em —
Marcos 8:34—35
Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho salvá-la-á.
B. Temos que nos lembrar, todavia, que nesta caminhada não estamos sós, Jesus nos prometeu:
Mateus 28:20
Eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.
C. Além do mais, Jesus também nos deixou na companhia uns dos outros e nos ordenou dizendo que:
João 13:34
Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros.
D. Aqui está a única maneira que existe para provarmos ao mundo e para as pessoas ao nosso redor que somo verdadeiros discípulos de Jesus: amor, verdadeiro amor de uns aos outros. Foi o próprio Senhor quem disse:
João 13:35
Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.
E. Para entendermos as implicações contidas no mandamento que Jesus nos deu que devemos amar uns aos outros, nós precisamos entender aquilo que o Novo Testamento ensina acerca de

COMUNHÃO e INTERDEPENDÊNCIA
Introdução.
A. Quando aceitamos a Jesus como nosso Senhor e Salvador nós somos unidos ao Senhor pela ação do Espírito Santo e passamos a fazer parte daquilo que o Novo Testamento chama de Corpo de Cristo que Sua Igreja:
1 Coríntios 12:13
Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito.
1 Coríntios 12:27
Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo.
B. Mas além de nos unir com Jesus, a ação do Espírito Santo também nos une uns aos outros:
Romanos 12:5
Assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros.
C. Essa nossa união com Cristo e uns com os outros é, como dissemos, fruto da ação do Espírito Santo.
D. Mas é nossa obrigação cuidarmos para que esta união espiritual seja preservada —
Efésios 4:3
Esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz.
E. Para melhor compreender nossa responsabilidade nessa questão, envolvendo a união que temos, porque estamos todos em Cristo, nós precisamos entender o significado Bíblico da “Comunhão Cristã”.
I. A Primeira Grande Implicação de Estarmos Unidos com Cristo e Unidos Uns aos Outros é: Comunhão.
A. A Palavra grega usada para se referir a comunhão é κοινωνία koinonía.
B. Mas qual é o significado do termo grego que é traduzido por comunhão em português?
C. É mais fácil exemplificar do que definir o significado da expressão κοινωνία koinonía.
1. No Novo Testamento:
A etimologia da Palavra é: Qualidade daquilo que é comum, daquilo que pode ser compartilhado e, em que todas as pessoas envolvidas podem participar.
2. Partindo desta compreensão, o Novo Testamento usa Comunhão para descrever três coisas a saber:
Comunhão Implica Nas Seguintes Verdades.

a. Compartilhar e repartir bens materiais e, até mesmo dinheiro, visando satisfazer as necessidades de outras pessoas; uma doação ou oferta.

Romanos 15:26

2 Coríntios 8:4

2 Coríntios 9:13

Hebreus 13:6

b. Uma associação íntima e pessoal entre os crentes e Deus e, entre crentes e crentes.

1 Coríntios 1:9

2 Coríntios 13:13

Gálatas 2:9

Filipenses 2:1

1 João 1:3, 6 - 7

c. União na participação ou compartilhar no serviço de pregação do evangelho, no sofrimento e em diversas outras atividades comuns ao povo de Deus.

Atos 2:42

1 Coríntios 10:16(2x)

2 Coríntios 6:14

Filipenses 1:5

Filipenses 3:10

Filemon 6

II. A Segunda Grande Implicação de Estarmos Unidos com Cristo e Unidos Uns aos Outros é: Interdependência.

Não Existe Vida Cristã Independente da Convivência com Outros Irmãos.

A. Dependemos uns dos outros, porque precisamos dos talentos que Deus mesmo tem concedido a todo o Seu povo.

B. Todo cristão possui pelo menos um dom e este dom precisa ser exercitado em benefício de todo o corpo de Cristo — a igreja local onde o crente participa —

1 Pedro 4:10

Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.

C. O texto de 1 Pedro 4:10 possui duas implicações importantes:

1. Em primeiro lugar, o dom concedido por Deus precisa ser exercitado em SERVIÇO a favor dos outros crentes. Seremos uma comunidade eternamente capenga enquanto dependermos de uma meia dúzia de irmãos e irmãs para fazerem todo o serviço, enquanto a grande maioria não passa de meros expectadores.

2. Em segundo lugar nós temos a obrigação de agir como bons despenseiros da graça de Deus. Essas palavras de Pedro fazem referência ao ensinamento do Senhor Jesus relativo à parábola dos talentos – ver Mateus 25:13—30. Como é que você tem administrado o talento ou talentos que recebeu de Deus? Como servo bom e fiel ou como servo mau e negligente. Note que o servo mau e negligente da parábola contada por Jesus não perdeu o talento recebido. Ele foi caracterizado como:

a. Πονηρὲ ponirè — mau. Essa é a mesma palavra que é usada em outros lugares do Novo Testamento para fazer referência ao próprio diabo que é a personificação do mal — João 17:15.

b. ὀκνηρέ okniré — negligente no sentido de lento ou indolente. Descreve uma pessoa que “anda para trás”.

A Importância da Glória de Deus ou da Glorificação de Deus.

A. O alvo supremo da vida do cristão, individualmente e, da comunidade cristã como coletividade, é somente um e o mesmo: produzir ou causar a Glorificação da Pessoa e do nome de Deus.

B. Deus é glorificado quando a Igreja manifesta:

1. Genuíno amor corporativo —

João 13:34—35

34 Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros.

35 Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.

2. Unidade entre os crentes —

João 17:20—23

20 Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra;

21 a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.

22 Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos;

23 eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim.

3. Aumento constante na capacidade de imitar ou se parecer cada vez mais com o próprio Senhor Jesus —

2 Coríntios 3:17—18

17 Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.

18 E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.

Efésios 4:11—14

11 E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres,

12 com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo,

13 Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo,

14 para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro.

4. Capacidade efetiva de ministrar tanto para a própria Igreja—edificação espiritual—quanto para o mundo—evangelismo. A Igreja se reúne para se edificar e, a Igreja se espalha para evangelizar — ver Mateus 28:18—20 e Efésios 4:11—16.

Mateus 28:18—20

18 Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra.

19 Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;

20 ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.

5. Adoração e Louvor produzidos por pessoas unidas de verdade —

Romanos 15:5—6

5 Ora, o Deus da paciência e da consolação vos conceda o mesmo sentir de uns para com os outros, segundo Cristo Jesus,


6 para que concordemente e a uma voz glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.

Conclusão:

A. Temos chamado essa série presente de mensagens de: “Discipulado Cristão”.

B. Quanto lemos o Novo Testamento percebemos que existem duas idéias fundamentais que devem nortear o povo de Deus. Elas são:

1. Comunhão. Esta palavra implica:

a. Compartilhar e repartir bens materiais e mesmo dinheiro visando satisfazer as necessidades de outras pessoas.

b. Uma associação íntima e pessoal entre os crentes e Deus e entre crentes e crentes.

c. União na participação ou compartilhar no serviço de pregação do evangelho, no sofrimento e em diversas outras atividades comuns ao povo de Deus.

2. Interdependência — Precisamos e dependemos uns dos outros se queremos ser, de verdade, aquilo que Deus mesmo deseja que sejamos: Igreja ou Corpo de Cristo.

3. São estes conceitos de comunhão e interdependência que produzem a atmosfera de amor que é tão essencial para tornar efetivo tudo o que a Igreja faz.

4. São eles também que nos facultam a oportunidade de participarmos de forma efetiva no ministério corporativo da Igreja. Cada crente deve fazer sua parte, tanto na edificação do Corpo de Cristo, quanto na evangelização dos perdidos.

Que Deus assim nos ajude a bem viver a vida comum que nos tem concedido. Amém.

OUTROS ESTUDOS ACERCA DA SÉRIE “O DISCIPULADO CRISTÃO”

ESTUDO 001 — O CUSTO DO DISCIPULADO

ESTUDO 002 — UMA PROPOSTA DE VIDA
Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.

Os comentários não representam a opinião do Blog O Grande Diálogo; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

domingo, 23 de julho de 2017

EDUCAÇÃO CRISTÃ — ESTUDO 024 — DISCIPLINA NA IGREJA — PARTE 001 - DISCIPULADO


Imagem relacionada

I. Termos Chaves Para a Disciplina no Novo Testamento[1]:

A. μαθητεύσατε matheteúsate — fazei discípulos.

A disciplina, como os vocábulos cognatos “discípulo” e “fazer discípulos, tem sua idéia original, como a raiz no grego indica, na prática da antiguidade de um aluno seguir um mestre ou pensador. Um sábio ou um rabino atraía jovens adeptos que admiravam o seu mestre e ficavam convictos da veracidade de suas idéias. Estavam dispostos a serem moldados, tanto pelo seu pensamento, como pelas suas ações. Nos evangelhos, “Os Doze” seguiram a Jesus com esse intuito. No livro de Atos, os crentes são chamados μαθηταὶ — mathetaì —discípulos, alunos, não numa escola, mas leais seguidores que procuravam conhecer e praticar os ensinamentos de vida de Jesus. O vocábulo μαθητεύσατε — matheteúsate — fazei discípulos em Mateus 28:20, deve ser comparado com Διδάσκαλος  — didáskalos — mestre e com διδάσκω — didásko — ensino, que aparecem em outras referências do Novo Testamento. O discípulo almeja aprender fatos, entender idéias, ganhar uma nova cosmovisão como qualquer aluno. Mas apenas quando tem um compromisso de vida com o mestre, num sentido global, é que o estudante passa a ser um discípulo —

Lucas 14:26—33

26 Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.

27 E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo.

28 Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir?

29 Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem zombem dele,

30 dizendo: Este homem começou a construir e não pôde acabar.

31 Ou qual é o rei que, indo para combater outro rei, não se assenta primeiro para calcular se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil?

32 Caso contrário, estando o outro ainda longe, envia-lhe uma embaixada, pedindo condições de paz.

33 Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo.

Nesse círculo de ideias, a disciplina dá a impressão de formar uma pessoa em conformidade com o caráter e mente do mestre. Paulo diz aos efésios: “Não foi assim que ἐμάθετε  emáthete — aprendestes a Cristo — literalmente, “fostes feitos discípulos de Cristo” — , se é que de fato o tendes ἠκούσατε  ekoúsate — ouvido, e nele fostes ἐδιδάχθητε  edidáschthete — instruídos —

Efésios 4:20—21

20 Mas não foi assim que aprendestes a Cristo,

21 se é que, de fato, o tendes ouvido e nele fostes instruídos, segundo é a verdade em Jesus.

Como em Mateus 28:19—20, primeiro o neófito se torna discípulo, entregando-se de corpo e alma ao Senhor. Depois recebe a instrução necessária para observar o que o Mestre manda. Se um discípulo sabe o que seu Senhor e mestre quer, mas não o faz, põe em dúvida a submissão assumida com o senhor, ao qual prometeu seguir —

Mateus 21:28—32

28 E que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Chegando-se ao primeiro, disse: Filho, vai hoje trabalhar na vinha.

29 Ele respondeu: Sim, senhor; porém não foi.

30 Dirigindo-se ao segundo, disse-lhe a mesma coisa. Mas este respondeu: Não quero; depois, arrependido, foi.

31 Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram: O segundo. Declarou-lhes Jesus: Em verdade vos digo que publicanos e meretrizes vos precedem no reino de Deus.

32 Porque João veio a vós outros no caminho da justiça, e não acreditastes nele; ao passo que publicanos e meretrizes creram. Vós, porém, mesmo vendo isto, não vos arrependestes, afinal, para acreditardes nele.

O discipulado cristão requer a tomada do ζυγόν  Zugón — jugo de Cristo. Isso que dizer que se  requer que o discípulo aprenda os ensinamentos de Jesus e compartilhe seu caráter πραΰς εἰμι καὶ ταπεινὸς — praús eimi kaì tapeivòs  — manso e humilde,  de coração — ver Mateus 11:28—30. Tanto a instrução como os valores do Mestre devem ser transmitidos aos que creem n’Ele, por intermédio da igreja até a consumação dos séculos — ver Mateus 28:18—20; Atos 2:41—47.

A instrução necessária par cristão que segue a Cristo deve ser recebida pelo ensino e pelo exemplo da Igreja. Ela não é recebida através de nenhum tipo de revelação mística. Pelo ministério da palavra lida, pregada e ensinada, e pela exortação e exemplo daqueles que têm a responsabilidade de ensinar na igreja local. Entre esses estão incluídos os presbíteros, bispos ou pastores, os dirigentes e professores da escola bíblica, e os membros destacados que lideram qualquer ministério de ensino – crianças, adolescentes, jovens, casais, etc. – e que acabam influenciando mais os pensamento e práticas cristãs dos recém-convertidos, levando-os a adotar os hábitos tradicionais de sua comunidade. Paulo falou deste processo da seguinte forma: “Revistam-se do Senhor Jesus Cristo” — Romanos 13:14 — quando essa influência é, exatamente, a que deveria ser — ver Romanos 15:14.

Evidentemente há grande variedade entre as distintas denominações e grupos evangélicos quanto ao estilo de vida que o “vestir-se de Cristo” representa. Entre essas variedades temos: o comprimento do cabelo, deixar ou não crescer a barba, as mulheres vestirem ou não calças compridas, frequentar ou não o cinema e ter ou não uma televisão, entre muitos outras. Elas fornecem claros reflexos da maneira como cada igreja impõe sua interpretação do que significa ser um bom discípulo de Jesus Cristo. Outros grupos enfatizam a transformação ganhando novas atitudes de coração — ver Romanos 12:1—2 — deixando cada membro escolher como deve se vestir ou que lugares deve frequentar como embaixador do Senhor — ver Gálatas 5:1, 13; 2 Coríntios 5:20.

As escolhas feitas pelo novo cristão podem ser erradas porque ele não conhece ainda os princípios bíblicos em que deve basear seus novos valores. Mas nunca tal discípulo deve pensar, que as opções são apenas suas. Jesus Cristo sendo Senhor da vida tem “toda autoridade” — ver Mateus 28:18 — de escolher para nós, seus seguidores o que Ele mesmo achar necessário e conveniente —

1 Pedro 2:21
Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos.

Os apóstolos foram escolhidos como mestres insubstituíveis dos que viriam a crer no Senhor: “ensinando-os a guardar todas as cousas que vos tenho ordenado” — ver Mateus 28:20a. Com essa finalidade produziram os evangelhos e epístolas. A legitimidade das regras impostas sobre os membros de qualquer igreja deve ser mantida unicamente se seu ensino e prática têm base no fundamento dos apóstolos e profetas — Atos 2;42; Efésios 2:20. Por esse motivo, não aceitamos os falsos ensinamentos como os que querem promover uma sucessão apostólica espúria, nem aqueles movimentos que se baseiam em profetas e profetisas e que ensinam coisas contrárias ao que nos é apresentado nas Escrituras Sagradas.

Há uma necessidade incessante de cada crente avaliar, à luz das Escrituras se é realmente a vontade de Deus, o Pai da família, conformar-se à “lei” da igreja a qual pertence. Os cristãos neófitos de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica, pois receberam a Palavra com avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as cousas eram de fato assim — ver Atos 17:11. Essa também deve ser nossa atitude básica.
        
Foi a falta desse autoexame de si mesma que permitiu a Igreja, a partir do século quarto em diante, afastar-se para muito longe da verdade e práticas bíblicas. Lutero foi um dos reformadores que reconheceu que todo cristão compartilha o direito de exercer seu ministério, porque pertence ao sacerdócio universal. A hierarquia não tem exclusiva autorização divina para interpretar as Escrituras. A Igreja também necessita reformar-se constantemente — Ecclesia reformata, semper reformanda. Mas essa incumbência só é possível se os membros seguem a disciplina da Palavra que Deus inspirou para ser “útil para o ensino, para a repreensão, para a correção para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”— ver 2 Timóteo 3: 16—17. A leitura alternativa da Nova Tradução na Linguagem de Hoje enriquece e facilita muito nossa compreensão desse texto, ela diz:

16 Pois toda a Escritura Sagrada é inspirada por Deus e é útil para ensinar a verdade, condenar o erro, corrigir as faltas e ensinar a maneira certa de viver.

17 E isso para que o servo de Deus esteja completamente preparado e pronto para fazer todo tipo de boas ações.

Quando percebermos que o alvo principal da pregação, o ensino e a leitura da Bíblia é de conduzir “discípulos” à perfeição — ver Colossenses 1:28 — e habilitá-los para fazer boas obras — inclusive testemunhar efetivamente conforme Efésios 2:10e Tito 2:14 — entenderemos por que casos de disciplina drástica — aquela que acaba destruindo a pessoa — na igreja são um sinal de fracasso, pelo menos parcial, por parte da mesma.

Quem estará disposto a arrancar o olho que nos faz tropeçar antes de primeiro tentar disciplinar o olho errante a ver só o que deve — Mateus 5:29? Cortaria alguém pode cortar um braço antes de fazer o máximo para dominá-lo para fins úteis?

A igreja, mais do que um hospital onde se realizam chocantes amputações de membros externos ou remoção cirúrgica de órgãos cancerosos que ameaçam a vida do corpo, deve ser um lar de médico que ensina seus filhos os segredos da medicina preventiva. Saúde e vitalidade serão mais preciosas para este cirurgião que diariamente está em contato com os que não valorizaram as leis do bem-estar do corpo. Cuidará que seus amados escapem da faca até não haver outro remédio, mesmo no caso dele ser o melhor cirurgião do mundo.

A palavra disciplina pinta o quadro de um mestre seguido por seus discípulos que prestam atenção muito séria às suas palavras, mas almejam imitá-lo também —

1 Coríntios 11:1

Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo.

Filipenses 3:12—14

12 Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus.

13 Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão,

14 prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.

Tudo que seu Senhor é, eles procuram ser. É a disciplina que os ensina e corrige os conceitos errados que os discípulos imaginam caracterizar seu mestre.

A igreja que é capaz de suprir um quadro fiel de Jesus Cristo, no ensino e ação, é uma igreja bem disciplinada. A igreja de Jerusalém descrita com traços tão bem escolhidos por Lucas, revela exatamente o que queremos dizer com disciplina positiva.

Atos 2:42—47

E perseveravam na doutrina dos apóstolos — i.e., o que Jesus ensinara e comissionara para eles transmitirem conforme Mateus 28:20 — e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor: e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos... tinham tudo em comum.....
A excelente qualidade do ensino e vida prática na fé não conseguiram evitar a disciplina negativa que Lucas narra em Atos 5 a respeito de Ananias e Safira. Mesmo assim, a igreja de Jerusalém praticou um alto padrão de disciplina positiva primeiro, não oferecendo qualquer motivo de desculpa aos membros tão drasticamente eliminados.


OUTROS ESTUDOS ACERCA DE EDUCAÇÃO CRISTÃ

001 — A EXCELÊNCIA DA VIDA PESSOAL DAQUELES QUE DESEJAM ENSINAR — PARTE 001

002 — A EXCELÊNCIA DA VIDA PESSOAL DAQUELES QUE DESEJAM ENSINAR — PARTE 002

003 —A EXCELÊNCIA DA VIDA PESSOAL DAQUELES QUE DESEJAM ENSINAR — PARTE 003

004 — A IMPORTÂNCIA DA ALIANÇA COM DEUS

005 — OS ALVOS DA EDUCAÇÃO CRISTÃ

006 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 001 — INTRODUÇÃO — OS COLONIZADORES VÊM EM NOME DE DEUS

007 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 002 — NOSSAS ESCOLAS TEOLÓGICAS

008 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 003 — IGREJAS CORPORATIVISTAS E INSTITUCIONALIZADAS E EDUCAÇÃO CRISTÃ PADRONIZADA

009 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 004 — CONSUMISMO E CELEBRITISMO

010 — O PROPÓSITO SINGULAR DE DEUS PARA OS NOSSOS DIAS

011 — A PALAVRA IGREJA NO NOVO TESTAMENTO

012 — A EXPRESSÃO GREGA “EM CRISTO” — ἐν Χριστῷ

013 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA

014 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 002

015 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 003

016 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 004 — A IGREJA COMO PLENITUDE

017 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 005 — A UNIDADE DA IGREJA CRISTÃ

018 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 006 — HUMILDADE E AMOR EM MEIO À DIVERSIDADE DE DONS
019 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 007 — A IGREJA COMO MISTÉRIO DE DEUS

020 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 008 — COMO A IGREJA É FORMADA OU CRIADA?

021 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — PARTE 009 — QUANDO A IGREJA COMEÇOU?

022 — OS MINISTÉRIOS DO ESPÍRITO SANTO — PARTE 001

023 — OS MINISTÉRIOS DO ESPÍRITO SANTO — PARTE 002
024 — A DISCIPLINA DA IGREJA — PARTE 001 — O DISCIPULADO

Que deus abençoe a todos.
Alexandros Meimaridis
PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:
Desde já agradecemos a todos.
Os comentários não representam a opinião do Blog O Grande Diálogo; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.


[1] O material contido nessa artigo e nos seguintes foi adaptado e ampliado do livro escrito pelo Dr. Russell Shedd – A Disciplina da Igreja. O livro foi originalmente publicado pelas Edições Vida Nova, e não encontra-se atualmente, no catálogo, da editora.