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sexta-feira, 2 de junho de 2017

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 017 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO A MATEUS — PARTE 012 — O IDIOMA EM QUE MATEUS FOI ESCRITO


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Essa série pretende disponibilizar as informações mais importantes acerca de cada um dos 27 livros que compõem o Novo Testamento. Desde que lançamos nossa série de Introdução ao Antigo Testamento, muitos leitores têm nos questionando acerca de algum material semelhante com respeito ao Novo Testamento. Então, aproveitando que iniciamos uma série de estudos acerca dos manuscritos do Novo Testamento — tecnicamente chamada de “baixa crítica” — estamos usando essa oportunidade para lançar uma série que trate também do texto do Novo Testamento em si, e da interpretação geral do mesmo — “alta crítica”.

I. O EVANGELHO DE MATEUS

J. O Idioma em que o Evangelho Mateus Foi Escrito.

O debate que trata da busca para se determinar em que idioma o Evangelho de Mateus foi escrito originalmente prossegue. As duas propostas que permanecem são:
1. Mateus teria escrito seu evangelho originalmente na língua aramaica.

2. Mateus teria produzido seu evangelho no idioma grego.

Entre os defensores que propõem a língua aramaica como o idioma original, nenhum se sobressai tanto quanto o teólogo alemão Joachin Jeremias, morto em 1979.

Jeremias, tomando como base uma discussão anterior a ele mesmo e que continua presente em nossos dias acerca das chamadas Impssissima Vox — o que Jesus falou como está registrado nos evangelhos — e a Ipssissima Verba — a próprias palavras que Jesus teria usado em aramaico — se deu ao trabalho de traduzir o Evangelho de Mateus do grego de volta para o que alegava ser o original em aramaico, com o intuito de descobrir as próprias palavras que Cristo teria utilizado durante seus muitos ensinamentos.

Dentro do grupo de proponentes de um original em aramaico estão outros teólogos[1] que também defendem que o Evangelho de Mateus em aramaico teria sido o primeiro evangelho a ser escrito, do qual Marcos e Lucas estariam dependentes. Uma discussão mais abrangente quanto ao primeiro evangelho que foi escrito será apresentada quando discutirmos a questão envolvendo o que chamado de Problema Sinótico.

Para nós, pessoalmente, achamos que Mateus escreveu seu texto originalmente em grego mesmo, apesar dele não demonstrar amplo domínio da sintaxe literária. Todavia, Mateus foi muito cuidadoso ao evitar o uso de expressões vulgares, algo que poderia ter facilmente acontecido com alguém que não dominava o idioma no qual estava escrevendo. Por outro lado, temos que admitir que como Jesus ensinava em aramaico, existe sim, um background aramaico perceptível no Evangelho de Mateus. Mas não ao ponto defendido por Jeremias e outros.

OUTROS ESTUDOS ACERCA DA INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO GERAL AOS EVANGELHOS — ESTUDO 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 002 — A FORMA LITARÁRIA DOS EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 003 — MOTIVOS PORQUE OS EVANGELHOS FORAM ESCRITOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 004 — O LUGAR OCUPADO PELOS QUATRO EVANGELHOS NO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 005 —  A MELHOR FORMA DE ABORDAR OS QUATRO EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 006 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 007 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 002

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 008 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 003

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 009 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 004

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 010 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 005

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 011 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 006

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 012 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 007

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 013 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 008

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 014 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 009

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 015 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 010 — AUTOR — PARTE 002

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 016 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 011 — DATA DA COMPOSIÇÃO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 017 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 012 — IDIOMA ORIGINAL
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/06/introducao-ao-novo-testamento-estudo.html

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 018 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MARCOS — PARTE 001 — CARACTERÍSTICAS — PARTE 001.
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____________________________________________________
[1] Charles, Fox Burney, R. A. Torrey e Mathew Black.

sexta-feira, 3 de março de 2017

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 016 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 011 — A DATA DA COMPOSIÇÃO


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Essa série pretende disponibilizar as informações mais importantes acerca de cada um dos 27 livros que compõem o Novo Testamento. Desde que lançamos nossa série de Introdução ao Antigo Testamento, muitos leitores têm nos questionando acerca de algum material semelhante com respeito ao Novo Testamento. Então, aproveitando que iniciamos uma série de estudos acerca dos manuscritos do Novo Testamento — tecnicamente chamada de “baixa crítica” — estamos usando essa oportunidade para lançar uma série que trate também do texto do Novo Testamento em si, e da interpretação geral do mesmo — “alta crítica”.

I. O EVANGELHO DE MATEUS

I. A Data da Composição do Evangelho de Mateus

A data em que os evangelhos que temos no Novo Testamento foram escritos é motivo de grandes debates entre os estudiosos. Isso se deve ao fato de que antes de fixar qualquer data, os especialistas estão interessados em determinar, acima de tudo, qual foi o evangelho que foi escrito primeiro. Essa discussão tem a ver com o chamado Problema Sinótico, que será objeto de nossa atenção mais adiante. Todavia, nosso interesse em tentar identificar uma data aproximada para a composição do Evangelho de Mateus, não pode ficar sujeita a discussões secundárias.

Como falamos antes, quando tratamos da autoria dos evangelhos — são todos anônimos — o mesmo se aplica quando vamos falar da data de composição de Mateus: as evidências que temos são escassas. Ideias como as defendidas por Burnett Hillman Streeter[1],  têm influenciado gerações de estudiosos dos evangelhos, especialmente quando argumenta a favor da existência de material secundário — não produzido pelo autor original — no Evangelho de Mateus. Suas afirmações não passam de opiniões desprovidas de fundamento — muita convicção, mas poucas provas. O que Streeter escreveu é controlado, em grande parte por pressuposições que dizem respeito ao valor relativo das fontes utilizadas pelo evangelista. Uma excelente resposta aos argumentos de Streeter pode ser encontrada na obra já mencionada de John A. T. Robinson, de Cambridge, intitulada: Rdating the New Testament.

Outra linha de argumentação semelhante a essa que acabamos de mencionar diz respeito ao conceito que, nós podemos encontrar no Evangelho de Mateus, materiais pontuais que apontam para interesses eclesiásticos ou explicativos que vão muito além do período da igreja primitiva — período que se estende até o ano 100. Mas, como aconteceu antes, a força dos argumentos apresentados está diretamente relacionada ao modo como interpretamos as passagens onde a igreja é mencionada. Se alguém que está trabalhando com o texto de Mateus achar que o Senhor Jesus não poderia ter antecipado o surgimentos da igreja, então qualquer coisa pode ser afirmada acerca das passagens em que a mesma é mencionada no evangelho objeto de nosso interesse. Inclusive, que as mesmas foram produzidas em outra época fora do período coberto pela igreja primitiva. Mas a realidade é que o caráter de Jesus nos permite entender que Ele, não somente enxergou a existência futura da igreja cristã, como fez provisões adequadas para a mesma.

A capacidade de Jesus de conhecer o futuro é tão ignorada por muitos estudiosos modernos do evangelho, a ponto das datas de composição de Mateus, Marcos e Lucas serem todas emboladas ao redor da discussão da data original da produção de Marcos. A negação da capacidade de Jesus enxergar o futuro é, geralmente, apresentada mediante o uso dos seguintes argumentos:

1. Como Cristo era incapaz de saber o futuro, assim é o argumento, segue-se que o Evangelho de Marcos foi produzido apenas alguns anos antes da destruição de Jerusalém. Para justificar esse argumento usam-se as seguintes referências: Marcos 13 e Mateus 24:15.

2. Mateus certamente fez uso de Marcos, portanto, foi escrito depois da queda de Jerusalém.

3. Uma vez que tanto Inácio de Antioquia — morto no ano 110 — como o Didaquê — ou Ensino dos Doze Apóstolos — parecem fazer menção ao Evangelho de Mateus, tal menção pode indicar que Mateus alcançou uma notoriedade maior que Marcos, apesar desse último ter sido escrito primeiro.

4. Portanto, a data mais provável para a composição de Mateus pode ser fixada entre os anos 80—100. Essa é a opinião de muitos estudiosos.

O próprio Streeter, mencionado acima, aponta para o ano 85, mas admite que não tem como provar, matematicamente, sua afirmação.

Todavia, se admitirmos que Jesus era capaz de prever o futuro, incluindo a queda de Jerusalém então, o suporte principal de sustentação acerca da data da composição de Marcos desaba e outros dados podem ser utilizados para a fixação das datas de composição, tanto de Mateus como de Marcos. Entretanto, temos que admitir que existe pouco ou quase nenhum material dentro dos próprios evangelhos que possa nos ajudar na fixação das datas de composição dos mesmos. Todas as tentativas, nunca deixarão de ser apenas suposições.  

Essa é uma questão que, por enquanto, precisar ser deixada como não resolvida. Assim, devemos afirmar que a definição de uma data precisa para a composição do Evangelho de Mateus afeta muito pouco nosso entendimento do mesmo.

OUTROS ESTUDOS ACERCA DA INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO GERAL AOS EVANGELHOS — ESTUDO 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 002 — A FORMA LITARÁRIA DOS EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 003 — MOTIVOS PORQUE OS EVANGELHOS FORAM ESCRITOS

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INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 008 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 003

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INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 011 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 006

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 012 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 007

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 013 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 008

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 014 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 009

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 015 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 010 — AUTOR — PARTE 002

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 016 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 011 — DATA DA COMPOSIÇÃO
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INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 017 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 012 — IDIOMA ORIGINAL
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INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 018 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MARCOS — PARTE 001 — CARACTERÍSTICAS — PARTE 001.
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[1] B. H. Streeter. The Four Gospels: A Study of the Origins. London, Macmillan, 1956.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 015 — MATEUS — PARTE 010 - AUTOR - PARTE 002


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Essa série pretende disponibilizar as informações mais importantes acerca de cada um dos 27 livros que compõem o Novo Testamento. Desde que lançamos nossa série de Introdução ao Antigo Testamento, muitos leitores têm nos questionando acerca de algum material semelhante com respeito ao Novo Testamento. Então, aproveitando que iniciamos uma série de estudos acerca dos manuscritos do Novo Testamento — tecnicamente chamada de “baixa crítica” — estamos usando essa oportunidade para lançar uma série que trate também do texto do Novo Testamento em si, e da interpretação geral do mesmo — “alta crítica”.

I. O EVANGELHO DE MATEUS

H. O Autor do Evangelho de Mateus

Há vários elementos internos que corroboram a autoria do Evangelho de Mateus ao publicano assim chamado —

Mateus 9:9

Partindo Jesus dali, viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu.

Vejamos então algumas dessas evidências internas:

1. Mateus é o único dos evangelhos sinóticos — Mateus, Marcos e Lucas — que faz ume referência direta a Mateus com sendo um publicano ou coletor de taxas ou imposto.

Mateus 10:3

Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu.

Essa forma de referir-se a si mesmo é vista como uma maneira de demonstrar gratidão ao Senhor pelo chamado recebido que o libertou daquela vida de ganância e exploração de outras pessoas.

2. As passagens sinóticas do chamamento de Mateus dizem o seguinte:

Marcos 2:14

Quando ia passando, viu a Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu.

Lucas 5:27

Passadas estas coisas, saindo, viu um publicano, chamado Levi, assentado na coletoria, e disse-lhe: Segue-me!

De acordo com os textos acima, o homem que Jesus chamou para segui-lo e que trabalhava na coletoria de taxas e impostos era chamado Levi. É evidente que os três evangelhos estão tratando da mesma história. O Evangelho de Mateus, como citado acima, identifica esse mesmo homem pelo nome de Mateus. As listas dos evangelhos sinóticos são unânimes em apontar entre os apóstolos um único homem de nome Mateus — Ver Mateus 10:2—4; Marcos 3:16—18; Lucas 6:13—16. Essa mesma lista é ainda confirmada por —

Atos 1:13

Quando ali entraram, subiram para o cenáculo onde se reuniam Pedro, João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, filho de Tiago.

Já Mateus 10:13 citada a cima, identifica esse Mateus com o mesmo coletor de impostos. Assim o círculo se fecha de maneira conclusiva: Mateus e Levi são uma e a mesma pessoa.

3. Existem outras interpretações disponíveis acerca da identificação de Mateus, o publicano, mas elas se caracterizam ou por serem fantasiosas demais, ou por não apresentarem nenhum indício de prova concreta.

4. Outro elemento interno que chama nossa atenção é a concordância entre a atenção dedicada aos detalhes, algo essencial à função de Mateus como coletor de taxas, e a forma metódica como ele organizou o material em seu evangelho, algo que já foi discutido em detalhes em estudos anteriores.

5. Outra característica que nos chama a atenção é que, Mateus é o único dos evangelhos sinóticos que na narrativa acerca da controvérsia sobre o pagamento do tributo — Mateus 22:15—22; Marcos 12:13—17; Lucas 20:20—26 — chama, a princípio, a moeda utilizada para tal de νόμισμα — nómisma  — que é traduzida por moeda do tributo e cujo sentido literal é moeda estatal, enquanto Marcos e Lucas se referem à mesma como sendo apenas δηνάριον — denárion — era também uma moeda romana de parta usada para remunerar um dia de trabalho.

Concluído podemos afirmar que não existem questões objetivas e prova práticas que nos conduzam a rejeitar as fortes evidências externas a favor do fato que Mateus, o publicano, foi o autor do evangelho que leva seu nome. As provas internas também ajudam a corroborar nossa conclusão nesse sentido. Reconhecemos que tal conclusão é limitada por cauda das fontes que temos disponíveis, o que possibilita o surgimento de inúmeros argumentos e especulações diversas. Muitos estudiosos modernos rejeitam a autoria apostólica do Evangelho de Mateus, mas não têm nada melhor para nos oferecer.

OUTROS ESTUDOS ACERCA DA INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO GERAL AOS EVANGELHOS — ESTUDO 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 002 — A FORMA LITARÁRIA DOS EVANGELHOS

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INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 010 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 005

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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 014 — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 009


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O chamado de Mateus por Hendrick Terbrugghen .

Essa série pretende disponibilizar as informações mais importantes acerca de cada um dos 27 livros que compõem o Novo Testamento. Desde que lançamos nossa série de Introdução ao Antigo Testamento, muitos leitores têm nos questionando acerca de algum material semelhante com respeito ao Novo Testamento. Então, aproveitando que iniciamos uma série de estudos acerca dos manuscritos do Novo Testamento — tecnicamente chamada de “baixa crítica” — estamos usando essa oportunidade para lançar uma série que trate também do texto do Novo Testamento em si, e da interpretação geral do mesmo — “alta crítica”.

I. O EVANGELHO DE MATEUS

H. O Autor do Evangelho de Mateus

Creio que já afirmamos antes que todos os quatro Evangelhos que temos no Novo Testamento são anônimos, ou seja, não existe uma indicação precisa acerca do seu autor, e o Evangelho de Mateus não é exceção.

Todavia, temos registros de que por volta do ano 125 da Era Cristã esse evangelho já era atribuído a certo Mateus sob o título: DE ACORDO COM MATEUS.

Pelo título acima podemos concluir que algum tipo de autoria foi atribuída ao material, no caso específico, a autoria foi atribuída a certo Mateus. Mas devemos reafirmar que tal título não é, nem nuca foi parte do material original que foi produzido, rigorosamente, por alguém anônimo, mas que desde a mais remota antiguidade foi atribuído a Mateus, o apóstolo de Jesus.

Apesar de tudo o que acabamos de afirmar, é importante destacarmos alguns fatos:

1. Como o nome do autor não aparece no corpo do texto em si, então devemos aceitar, a princípio, que o mesmo foi produzido por um anônimo.

2. A ausência de paralelos em sua forma literária — ver estudos anteriores na lista publicada abaixo — também não nos ajuda a identificar o autor. Nem mesmo o Evangelho de Lucas, que fala em primeira pessoa nos versos iniciais nos permite identificar o médico amado como o autor do Evangelho que leva seu nome.

3. O testemunho mais antigo disponível é uma citação de Papias, um dos chamados Pais da Igreja — viveu entre 70 a 163 — que encontramos na História Eclesiástica de Eusébio[1]. A citação de Papias diz o seguinte: Mateus reuniu, de forma ordenada, na língua hebraica, as sentenças [de Jesus] e cada um as interpretava conforme sua capacidade.

Que Papias estivesse se referindo ao Mateus canônico na citação acima é algo que só foi contestado nos dias do liberal Schleiermacher em pleno século XIX. O argumento usado no século XIX para contestar a autoria de Mateus do Evangelho que lhe é atribuído se baseava no fato de que as cópias mais antigas disponíveis do mesmo estavam escritas em grego e não em língua hebraica como afirma Papias. Além disso, os liberais do século XIX também alegavam estranhar uma dependência gritante do Evangelho de Mateus do chamado Evangelho de Marcos.

Todavia, apesar da citação de Papias mencionar que Mateus reuniu o material de Jesus na língua hebraica não representa, necessariamente, que Papias alguma vez tenha visto qualquer escrito atribuído a Mateus que não fosse escrito na língua grega.

Os liberais do século XIX e continuando até nosso próprio século[2], inventaram e defendem, entre várias teorias, a seguinte, como forma de explicar a afirmação de Papias e a dependência de Mateus do Evangelho de Marcos: pare eles Mateus teria sido o autor duma fonte principal do Evangelho de Mateus, chamada de A Fonte dos Logia ou de Mateus Aramaico. Para esses críticos, sem apontarem evidências sólidas, o título Segundo Mateus não passa duma hipótese sem fundamento.

Diante disso, é importante estabelecermos o que sabemos com exatidão, antes de saltarmos para as conclusões como fazem os liberais. Da mesma tradição de onde Papias recolheu sua tradição podemos derivar apenas a correção do uso do nome Mateus. Disso podemos presumir que trata-se do mesmo Mateus citado em todas as listas dos 12 apóstolos — Mateus 10:3; Marcos 3:18; Lucas 6:15; Atos 1:13 —, mas que é designado como sendo cobrador de impostos ou publicano apenas no Evangelho de Mateus:

Mateus 10:3
Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu.  

De acordo com o estudioso Martin Hengel[3], utilizando a análise feita por R. T. France em sua obra Matthew — evanegslist and teacher[4], bem cedo, provavelmente antes do ano 100 d.C., as igrejas só aceitavam que fossem lidos em suas reuniões, materiais cuja autoria não estivesse clara, logo no início do texto. Isso era, particularmente importante, no que diz respeito aos evangelhos já que existiam dois, três e, possivelmente quatro, disponíveis e era importante caracterizá-los pelo nome do seu respectivo autor. Tais nomes, começaram a ser percebidos pelas comunidade cristãs com sendo os “títulos” dessas obras. De acordo com Hengel, chega a ser absurda a ideia de que os evangelhos poderiam ter circulado durante cerca de 60 anos, de forma anônima, e depois, subitamente, já no século II, terem recebido atribuições unânimes a certos autores. De acordo com Hengel, os quatro evangelhos canônicos — Mateus, Marcos, Lucas e João — jamais foram aceitos como sendo anônimos.

Outra distinção importante que precisamos reconhecer é que anonimato não é equivalente a pseudoautoria. Obras com falsas atribuições de autores — chamadas tecnicamente de pseudoepigráficas — tornarem-se um problema para a igreja ainda durante o século I. Isso motivou a mesma a rejeitar, unanimemente, a autoridade de qualquer obra sobre a qual pesasse a suspeita de ser pseudônima.

CONTINUA...

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[1] Eusébio.  A História da Igreja de Cristo até Constantino. Penguin Books, London, 1989.
[
2] Gundry, Robert, H. Matthew: A Commentary on His Literary and Theological Art. William B. Eerdmans, Grand Rapids, 1982.

[3] Hengel, Martin. Studies in the gospel of Mark. Wipf & Stock Pub., Eugene, March, 2003.

[4] France. R. T. Matthew — evanegslist and teacher. Wipf & Stock Pub., Eugene, October, 2004.

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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 013 — MATEUS — PARTE 008 - ESTRUTURA - PARTE 002


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Concepção Renascentista do "Chamado de Mateus" - o cobrador de taxas. Obra de Caravaggio.

Essa série pretende disponibilizar as informações mais importantes acerca de cada um dos 27 livros que compõem o Novo Testamento. Desde que lançamos nossa série de Introdução ao Antigo Testamento, muitos leitores têm nos questionando acerca de algum material semelhante com respeito ao Novo Testamento. Então, aproveitando que iniciamos uma série de estudos acerca dos manuscritos do Novo Testamento — tecnicamente chamada de “baixa crítica” — estamos usando essa oportunidade para lançar uma série que trate também do texto do Novo Testamento em si, e da interpretação geral do mesmo — “alta crítica”.

I. O EVANGELHO DE MATEUS

G. Estrutura do Evangelho de Mateus — CONTINUAÇÃO.

O Evangelho de Mateus apresenta uma estrutura bem mais elaborada que os outros Evangelhos, o que possibilitou seu uso mais amplo Igreja Primitiva. Por sua estrutura, não é difícil percebermos que estamos diante dum autor que possui uma mente extremamente ordeira como os detalhes a seguir irão deixar claro.

2. O Uso de Grupos Numéricos

Como sabemos Mateus era um coletor de taxas trabalhando a favor do império romano. Sua forma metódica de pensar também pode ser vista em sua capacidade de agrupar várias palavras de Jesus ou eventos ocorridos na vida do Senhor. Seu número favorito é três, apesar dos números 5 e 7 também ocorrerem.[1] Exemplos do agrupamento de três podem ser vistos em:
a. A divisão da genealogia de Jesus em três partes — ver Mateus 1:17.

b. As três tentações sofridas por Jesus — Mateus 4:1—11.

c. As três ilustrações acerca da justiça, as três proibições e os três mandamentos em Mateus 6:1 — 7:20.

d. O agrupamento de três grupos de milagres envolvendo cura, manifestações de poder e restauração em Mateus 8:1 — 9:34.

e. Várias outras instâncias onde Mateus agrupa três parábolas, três perguntas, três orações e três negações.

Devemos insistir que isso não indica que Mateus atribuía qualquer importância simbólica ao numeral 3, mas que tal uso apenas demonstra a forma organizada como sua mente de contador funcionava. Tal uso também distingue Mateus dos outros autores dos evangelhos — Marcos, Lucas e João — pois demonstra a forma metódica como ele organizava seu material. É possível que Mateus ao usar, de forma tão característica o numeral 3, estivesse influenciado pela palavras da Lei de Moisés que afirmava que todos os fatos deveriam ser confirmados pelas palavras e duas ou três testemunhas. Para Mateus a multiplicação do número de testemunhas — cada grupo de três — deveria funcionar como uma verdadeira autenticação do material incorporado.

2. O agrupamento geral do material utilizado

Dentro da narrativa e dos discursos como organizados por Mateus em seu Evangelho é possível percebermos que seu objetivo é ilustras vários aspectos do ministério de Jesus. Desse modo nós podemos observar o seguinte:
a. Mateus 5 — 7 servem para ilustrar os ensinamentos de Jesus.

b. Mateus 8 — 9:34 servem para ilustrar a obra de Jesus.

c. Em Mateus 12:1—45 encontramos vários dos embates intelectuais travados entre Jesus e os fariseus, o que é imediatamente seguido em Mateus 13 por um brupos de ensinamentos em forma de parábolas.

Por detrás desse objetivo consciente não é difícil notarmos uma estrutura bem pensada que é fácil de ser comparada com textos paralelos encontrados nos evangelhos de Marcos e Lucas. Tal habilidade da parte de Mateus resulta numa apresentação sólida e unificada daquilo que ele nos revela em seu material. Uma vez que compreendemos os procedimentos literários de Mateus fica fácil compreender porque seu trabalho não pode ser classificado dentro das categorias conhecidas daquilo que chamamos de biografia. Pelo contrário, a estrutura literária adotada por Mateus tem a intenção de nos fornecer uma visão tão abrangente quanto possível, das múltiplas facetas da vida e do caráter de Jesus.

Uma última palavra acerca do que acabamos de falar: è importante notarmos que nas narrativas envolvendo a chamada paixão Mateus apresenta um alto nível de convergência com o que está apresentando em Marcos e Lucas tanto no conteúdo, quanto na sequência dos eventos. Isso nos faz pensar que no princípio existia uma estrutura relativamente fixa de relatar esses solenes eventos envolvendo a manifestação do Filho de deus entre os seres humanos.

OUTROS ESTUDOS ACERCA DA INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO GERAL AOS EVANGELHOS — ESTUDO 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 002 — A FORMA LITARÁRIA DOS EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 003 — MOTIVOS PORQUE OS EVANGELHOS FORAM ESCRITOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 004 — O LUGAR OCUPADO PELOS QUATRO EVANGELHOS NO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 005 —  A MELHOR FORMA DE ABORDAR OS QUATRO EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 006 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 007 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 002

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 008 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 003

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 009 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 004

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 010 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 005

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 011 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 006

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 012 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 007

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 013 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 008

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 014 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 009

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 015 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 010 — AUTOR — PARTE 002

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 016 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 011 — DATA DA COMPOSIÇÃO
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/03/introducao-ao-novo-testamento-estudo_3.html

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 017 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 012 — IDIOMA ORIGINAL
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/06/introducao-ao-novo-testamento-estudo.html

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 018 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MARCOS — PARTE 001 — CARACTERÍSTICAS — PARTE 001.
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/07/introducao-ao-novo-testamento-estudo_14.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.


[1] Note os cinco blocos de discursos, os grupos de quatorze — 2x7 — na genealogia de Jesus, as sete parábolas citadas Mateus 13 e os sete “ais” em Mateus 23.

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