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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

GEOGRAFIA DO ANTIGO TESTAMENTO – PARTE 2 - O EGITO


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Este estudo é parte de uma breve introdução ao Antigo Testamento. Nosso interesse é ajudar todos os leitores a apreciarem a rica herança que temos nas páginas da Antiga Aliança. No final de cada estudo o leitor encontrará direções para outras partes desse estudo 

INTRODUÇÃO AO ANTIGO TESTAMENTO

Capítulo 2 – Onde Ocorreram os Eventos Narrados do A. T.?

2. O Egito.

Na região do Egito antigo não existiam cadeias de montanhas, mas a presença de desertos e de um rio, o rio Nilo[1], acabaram por reproduzir muitas das características geográficas que tornaram possível a civilização Mesopotâmica.

 
Foto de Satélite do Rio Nilo com seu magnificente delta.

Todavia existe uma diferença muito importante concernente ao desenvolvimento destas duas civilizações. Enquanto a Mesopotâmia encontramos um desenvolvimento lento e gradual desde a Idade da Pedra até o começo da história humana, o Egito parece ter, da noite para o dia, pulado do Período Neolítico — teve seu fim por volta do ano 4200 a.C. — para uma cultura urbana. Mas existem muitos historiadores que acreditam que tal desenvolvimento, mesmo súbito, pode ser atribuído a prováveis influências da Mesopotâmia no Vale do Nilo. Especula-se inclusive, que o desenvolvimento de hieróglifos - do latim hiroglyphicos que quer dizer escrita sagrada — pode ter sido influenciado pela escrita cuneiforme da Mesopotâmia.


Hieróglifos do Egito  


Heródoto

Heródoto de Halicarnassus, que é considerado o primeiro historiador da Antiguidade, descreveu o Egito de um modo muito apropriado dizendo que ele era “uma dádiva do Nilo”[2]. O Nilo é sem dúvida, a característica geográfica de maior relevância do Egito. Como tal ele teve um papel importante tanto na história quanto na perspectiva cultural do povo que habitou às suas generosas margens. No seu último trecho o rio Nilo se estende por 960 kilometros no deserto do norte da África até ao Mar Mediterrâneo. Desta maneira o rio proporciona um grande contraste entre os campos férteis às suas margens e os desertos que existe de ambos os lados[3]. O contraste causado pelas margens negras do rio Nilo emolduradas pelas areias vermelhas e escaldantes dos desertos eram uma permanente lembrança do contraste que existia entre a vida abundante em energia provida pelo rio Nilo, e a morte representada pela esterilidade das areias dos desertos. Os egípcios chamavam o solo rico do vale do Nilo de “terra preta” e os areias do deserto mais adiante de “terra vermelha”[4]. Estas expressões denotavam a grande consideração que os egípcios nutriam pelas águas do Nilo e o temor pavoroso que nutriam pelos desertos.


Trecho do rio Nilo e das terras ao seu redor

A vasta maioria da população do Egito antigo vivia nas terras férteis do vale do rio, que se estendiam por não mais do que quinze kilometros da margem do rio. O rio Nilo não possui afluentes e o tempo absolutamente seco dos desertos impedem a formação de nuvens de chuva sobre o Egito. Assim, não chove sobre todo o país, com uma única exceção que é a costa às margens do mar Mediterrâneo. Desde os primeiros registros escritos nós podemos observar que os egípcios sabiam o quanto dependiam do rio Nilo para manter a fertilidade da chamada “terra preta” da qual dependia a subsistência da nação. Os egípcios acreditavam que o seu rei—deus — o faraó — era o verdadeiro responsável pelas cheias anuais do Nilo. Esta cheia anual era de importância vital para a prosperidade no Egito, pois as águas traziam camadas ricas em sedimentos que renovavam o solo, tornando a “terra preta” do Egito em um dos solos mais férteis do mundo. Mas os egípcios não entendiam que a estação das chuvas intensas no hemisfério sul era a verdadeira causa responsável pelas inundações que, de forma previsível, aconteciam todo mês de junho, e que alcançavam seu auge em setembro. A partir daí um decréscimo constante era notado até que as águas voltassem ao seu nível normal no mês de novembro.

O rio Nilo é como o nosso rio São Francisco com respeito à direção com que se desloca. Como o nosso “velho Chico”, o rio Nilo corre do sul para o norte. Este fato somente é suficiente para causar fortes contrastes entre o norte e o sul do Egito antigo. O sul que era chamado de Alto Egito tinha como sua principal distinção o comprimento do Nilo. Já o norte, chamado de Baixo Egito, era distinguido pelo delta criado e através do qual o Nilo se abre e desemborca no Mar Mediterrâneo. Esse contraste resultou em diferenças significativas de linguagem, de cultura e da maneira de ver a vida. O Alto Egito era provinciano e conservador e dependia da criação de gado e das plantações às margens do Nilo. O Baixo Egito, por sua vez, interessava-se pelo comércio devido ao seu acesso aos portos da Europa e Ásia. Por este motivo o Baixo Egito era constituído por pessoas que possuíam uma compreensão do mundo que era, de forma predominante, internacional e cosmopolita. Unir estes dois grupos tão distintos foi a primeira grande tarefa dos faraós. Não é à toa que os primeiro faraós a estabelecerem um firme controle sobre os dois reinos – do norte e do sul — se preocuparam em fundar e manter a cidade de Mênfis. Esta cidade tinha uma localização estratégica, a meio caminho, por assim dizer, entre os dois reinos e se localizava próxima de onde se inicia o delta do rio Nilo, ou seja, mais ou menos onde o Alto Egito terminava e onde começava o Baixo Egito. A cidade de Mênfis teve papel primordial na unificação do Egito.

Mênfis - A capital do Antigo Impérios

Por estar cercado por deserto ao leste e ao oeste e por contar com a proteção do mar Mediterrâneo ao norte o Egito, ao contrário da Mesopotâmia, gozava de certa reclusão do mundo exterior. O mar e os desertos serviam como barreiras geográficas. Isto representou para o Egito certos privilégios não desfrutados pelos mesopotâmicos. Ameaças ocasionais, todavia, surgiam aqui e ali. A Líbia ao oeste era um incômodo bem como algumas invasões procedentes do mar Mediterrâneo. Mas a preocupação mais comum quanto à segurança dos egípcios eram os invasores da Ásia, do outro lado da extensão de água que hoje chamamos de Canal de Suez. Com raras exceções, entretanto, os egípcios foram capazes de conter tais ameaças simplesmente com ações políticas. Comparado à Mesopotâmia, o Egito estava relativamente livre de invasões. Como resultado não encontrou um grande número de infiltrações étnicas e culturais como as que pontilharam a história da Mesopotâmia.

Norte da África


Canal de Suez

O Egito não experimentou as dramáticas mudanças de poder registradas pela Mesopotâmia. O que observamos na história do Egito é a ascensão e queda das dinastias naturais do próprio país. Algumas dessas dinastias viram o Egito desenvolver grandes impérios de relevância internacional para toda a história do antigo Oriente Próximo. Os períodos de força imperial egípcia podem ser divididos da seguinte maneira:

  • Antigo Império - dinastias 3 a 6 - que se estende de 2700 até 2200 a.C.


  • Médio Império - dinastias 11 a 13 - que se estende de 2000 até 1700 a.C.


  • Novo Império - dinastias 18 a 20 - que se estende de 1550 até 1100 a.C.

É bastante possível que o Egito do tempo dos patriarcas estivesse, provavelmente, no período do Médio Império. Por sua vez o Egito em que Moises viveu e do Êxodo, deve ter sido aquele representado pelo Novo Império. Quando Davi consolidou a monarquia em Israel, o Egito já havia perdido sua posição de superpotência internacional, apesar de continuar a ser de grande influência cultural.

Outros artigos acerca da Introdução ao Antigo Testamento:

A. O Texto do Antigo Testamento
001 – O CÂNON DO ANTIGO TESTAMENTO

002 – A INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA

003 – A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 1 = Os Escribas e O Texto Massorético — TM

004 – A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 2 = O Texto Protomassorético e o Pentateuco Samaritano

005 – A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 3 = Os Manuscritos do Mar Morto e os Fragmentos da Guenizá do Cairo

006 - A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 4 = A Septuaginta ou LXX

007 - A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 5 = Os Targuns e Como Interpretar a Bíblia

B. A Geografia do Antigo Testamento

001 – INTRODUÇÃO E MESOPOTÂMIA

Que Deus Abençoe a Todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.



O material contido nesses estudos foi, em parte, adaptado e editado das seguintes obras, que o autor recomenda para todos os interessados em aprofundar os conhecimentos acerca do Antigo Testamento:
 
Bibliografia

Aharoni, Yahanan; Avi-Yonah, Michael; Rainey, Anson F. e Safrai, Ze’ev. Atlas Bíblico. Casa Publicadora das Assembléias de Deus – CPAD, Rio de Janeiro, 1998,

Arnold, Bill T. e Beyer, Bryan E. Descobrindo o Antigo Testamento. Editora Cultura Cristã, São Paulo, 2001.

Durant, Will. The History of Civilization Volume 1 – Our Oriental Herritage. Simon and Schuster, New York, 1963.

Heródoto de Halicarnassus. The Histories. Penguin Books Ldt, Middlisex, reprinted, 1986.

Hallo, William W. e Simpson, William Kelly. The Ancient Near East: A History. Nova York, Harcourt Brace Jovanovich, 1971.

King, Philip J. American Archaeology in the Mideast: A History of the American Schools of Oriental Research. ASOR, Philadelphia, 1983.

Millard, Alan; Stanley, Brian e Wrigth, David. Atlas Vida Nova da Bíblia e História do Cristianismo. Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, São Paulo, reimpressão, 1998.

Schoville, Keith N. Biblical Arcaheology in Focus. Baker Book House, Grand Rapids, 1978.

Wilson, John A. The Culture of Ancient Egypt. Chicago University Press, Chicago, 1951.

__________Britannica Atlas. Encyclopaedia Britannica Inc., Chicago, 1996.


Enciclopédias

__________The New Encyclopaedia Brtannica. Encyclopaedia Britannica Inc., Chicago, 15th Edition, 1995.


[1] O Rio Nilo – Bahr An-nil ou Nahr An-nil – é o mais extenso rio da África — 6650 km — e corre do sul para o norte. O rio se inicia no lago Vitória no Quênia e tem seu estuário no mar Mediterrâneo através de um magnificente delta. Sua bacia ocupa incríveis 3.349.000 Km2. O Nilo deságua cerca de 3100 metros cúbicos de água por segundo no mar Mediterrâneo. 

[2] Heródoto de Halicarnassus. The Histories. Penguin Books Ldt, Middlisex, (reprinted), 1986.

[3] Os desertos são: a oeste o AS-SARAH AL GHARBIYAH – Deserto do Saara – e no leste AS-SARAH ASH SHARQUIYAH – Deserto da Arábia.

[4] Hallo, William W. e Simpson, William Kelly. The Ancient Near East: A History. Nova York, Harcourt Brace Jovanovich, 1971.

domingo, 28 de outubro de 2012

GEOGRAFIA DO ANTIGO TESTAMENTO – PARTE 1 - A MESOPOTÃMIA



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Este estudo é parte de uma breve introdução ao Antigo Testamento. Nosso interesse é ajudar todos os leitores a apreciarem a rica herança que temos nas páginas da Antiga Aliança. No final de cada estudo o leitor encontrará direções para outras partes desse estudo 

INTRODUÇÃO AO ANTIGO TESTAMENTO


Capítulo 2 – Onde Ocorreram os Eventos Narrados do A. T.?

Introdução.

A Revelação contida no Novo Testamento é distinta daquela contida no Antigo Testamento. A história registrada no Novo Testamento nos fala que Deus se revelou à humanidade por meio da encarnação, ou seja, na pessoa de Jesus de Nazaré, Deus tomou a forma humana. Isso significa que a revelação de Deus ocorreu em um tempo e lugar específicos. Assim, para entendermos o Novo Testamento, precisamos estudar os acontecimentos da vida de Jesus e da igreja primitiva[1]. A história e a geografia do mundo palestino durante o primeiro século apresentam um pano de fundo importante para a leitura do Novo Testamento.

Mesmo sem uma revelação do mesmo tipo, isto é, sem uma encarnação por parte da divindade, a verdade de Deus também foi revelada no Antigo Testamento. Deus se revelou em tempos e lugares específicos para pessoas e grupos específicos de pessoas. Portanto, é importante que os cristãos conheçam e se familiarizem com os locais em que os eventos narrados no Antigo Testamento tiveram lugar.

I. Os Locais Onde Ocorreram os Eventos Narrados no Antigo Testamento?

A nação de Israel da Antiguidade ocupava apenas uma pequena parte de uma área maior conhecida como o Antigo Oriente Próximo. Esta região é conhecida e chamada em nossos dias como Oriente Médio. Os limites desta extensão de terra são os seguintes: 
    
    

  • No Leste as Montanhas Zagros[2].
     

  • No Oeste o mar Mediterrâneo.

      

  • Ao Norte, os limites do Antigo Oriente Próximo se estendiam até o Mar Cáspio e o Mar Negro, tendo entre eles as montanhas do Cáucaso[3].
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  • Ao sul, o Antigo Oriente Próximo fazia fronteira com o Deserto da Arábia e os dois corpos de água conhecidos como Mar Vermelho e Golfo Pérsico.

A terra conhecida desde tempos imemoriais como “Terra de Canaã”, ocupava uma pequena, mas bastante importante porção de terra do Antigo Oriente Próximo. A localização privilegiada da Terra de Canaã, no entroncamento entre três continentes – África, Ásia e Europa – acabaram por transformá-la em um pedaço estrategicamente importante ao longo da história antiga. Tal posição privilegiada despertou o interesse de todas as nações da Antiguidade que tentaram, de todas as maneiras possíveis, manter uma posição de domínio ou pelo menos de certo favorecimento sobre a mesma. Esta atitude se manifestava por dois motivos, a saber:


  • A região era importante por causa da necessidade que existia de comunicação e comércio entre os três continentes que a mesma interligava
  • Para nós que estamos estudando o Antigo Testamento compreendermos esta situação nos ajuda a entender a enormidade de influências culturais a que estavam sujeitos seus habitantes daquela região, incluindo-se ai, o povo de Israel.

A. O Antigo Oriente Próximo.

Quando estudamos o Antigo Oriente Próximo logo entendemos que o mesmo está dividido em três sub-regiões geográficas. Estas regiões estão unidas por um arco de terra fértil que foi chamado desde a Antiguidade de “Crescente Fértil — ele tem o formato de uma meia lua. A maior parte “da área do Antigo Oriente Próximo era desértica e pouco propícia à manutenção da vida humana. As poucas terras férteis estavam enquadradas entre montanhas quase intransponíveis ao norte e vastos desertos ao Sul. Todavia dentro da área que chamamos de Crescente Fértil existiam terras planas e abundância de água. A Bíblia e a arqueologia moderna concordam que esta é a região onde se originou a civilização humana.


Mapa do Crescente Fértil

As três regiões geográficas contidas no Antigo Oriente Próximo eram: Mesopotâmia[4], Egito e Síria-Palestina. Como não existe vida sem água, essas três regiões foram marcadas na Antiguidade por importantes culturas ligadas aos rios.

1. A Mesopotâmia.


A Mesopotâmia

O que acabamos de referir acima fica melhor evidenciado pela primeira região conhecida como Mesopotâmia, que se localizava entre os Rios Eufrates[5] e Tigre[6]. Esta região iniciava no Golfo Pérsico ao sul e se estendia rumo noroeste, ao longo da curva do Rio Eufrates. O limite leste é o Rio Tigre que corre aos pés das Montanhas Zagros no moderno Irã. Nos dias de hoje, todo o Iraque e partes do Irã, da Síria e o Líbano compõe a área conhecida como Mesopotâmia.

O terreno físico da Mesopotâmia é típico de toda aquela região: altas cadeias de montanhas ao norte e leste e desertos escaldantes ao sul. Esta mistura é certamente responsável pelo clima imprevisível da região. Além disso, as águas dos rios Eufrates e Tigre são cheias de caprichos e movimentos de inundações e secas realmente súbitas. Estes fatores consistiam em um perigo constante e real para todos os habitantes da Mesopotâmia. Em decorrências dessas realidades, enchentes e secas, especialmente a região sul da Mesopotâmia, variava sempre entre um terreno desértico e um terreno pantanoso. Se invasores conseguissem vencer o deserto ou as montanhas não havia nenhum outro tipo de defesa natural para proteger seus habitantes.

Mesmo diante destas realidades e da permanente possibilidade de invasões, a Mesopotâmia era capaz de proporcionar uma vida relativamente tranquila para aqueles viviam por ali, especialmente na região sul, onde as águas dos rios podiam ser canalizadas para a irrigação das plantações ou serem navegadas com fins comerciais.

Existe um inusitado consenso entre os estudiosos da Antiguidade quanto ao fato que a civilização humana teria se iniciado na base das montanhas ao Norte do rio Tigre, quando os mesopotâmicos do Período Neolítico - cerca de 7.000 a.C. - começaram a cultivar plantas, domesticar animais e colher frutos para seu sustento. A Bíblia nos ensina que o Jardim do Éden estava plantado exatamente entre quatro rios, dois dos quais são o Eufrates e o Tigre – ver Gênesis 2:10. De que maneira poderia Moisés, que escreveu o livro do Gênesis e que viveu por volta de 5600 anos depois da data estabelecida pelos historiadores para o início da civilização humana, saber que a mesma teve origem precisa e exatamente no mesmo local apontado pelos historiadores? A resposta pode ser uma somente: Deus revelou.

Foi no sul da Mesopotâmia que, entre 3500 a 3300 a.C., os sumérios inventaram a escrita, quando descobriram que podiam usar marcas cuneiformes[7] em diferentes materiais para representar palavras[8]. A escrita cuneiforme — do latim cunes que quer dizer cunha e do latim forma que quer dizer formato — era mais facilmente reproduzida em porções de barro úmido, que era um material muito fácil de ser encontrado naquelas partes da Mesopotâmia. Era comum “assar” as placas de barro no sol ou em forno. Dessa maneira, eram obtidas placas extremamente duráveis com escrita cuneiforme, e muitos milhares destas placas já foram encontradas por arqueólogos modernos. A escrita cuneiforme também podia ser entalhada em metais e pedras, mas estas práticas eram bem menos comuns.


   Alfaberto Cuneiforme
     

  
   Placas com escrita cuneiforme

Aquela vida, razoavelmente tranquila do sul era motivo de inveja, especialmente dos povos vindos do norte. Como não possuíam defesas naturais os habitantes do sul precisavam manter atenção permanente sobre possíveis ameaças externas. A história antiga da mesopotâmia está pontilhada pelo fluxo de inúmeros grupos. Este fluxo foi o responsável por muitas alternâncias de poder naquela região. Os sumérios foram sucedidos por uma longa séria de povos semitas, de diferentes nacionalidades. Durante o último quarto do terceiro milênio – entre 2250 e 2000 a.C., o primeiro grupo de semitas, os acádios, chegou ao poder e ocupou o sul da Mesopotâmia junto com os sumérios. Todavia tal domínio não foi muito extenso, pois na virada do milênio, outro grupo semita, conhecido como os amoritas, começou a chegar à região em grandes números. Os amoritas são importantes porque dominaram a Mesopotâmia pelos 1000 anos seguintes da história. Eles estabeleceram um grande foco de poder ao sul, na cidade de Babilônia, no Eufrates, e ao norte, em Assur e Nínive, ao longo do rio Tigre. A herança dos amoritas pode ser vista pelo fato dos babilônios ao sul e dos assírios ao norte terem sido os dois grupos mais importantes na Mesopotâmia e que tiveram, como iremos ver, um papel significativo na história do Antigo Testamento.
Babilônia

Nínive


Outros artigos acerca da Introdução ao Antigo Testamento

A. O Texto do Antigo Testamento

001 – O CÂNON DO ANTIGO TESTAMENTO
002 – A INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA

003 – A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 1 = Os Escribas e O Texto Massorético — TM

004 – A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 2 = O Texto Protomassorético e o Pentateuco Samaritano

005 – A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 3 = Os Manuscritos do Mar Morto e os Fragmentos da Guenizá do Cairo

006 - A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 4 = A Septuaginta ou LXX
 
007 - A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 5 = Os Targuns e Como Interpretar a Bíblia 


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.



O material contido nesses estudos foi, em parte, adaptado e editado das seguintes obras, que o autor recomenda para todos os interessados em aprofundar os conhecimentos acerca do Antigo Testamento:
 

Bibliografia

Aharoni, Yahanan; Avi-Yonah, Michael; Rainey, Anson F. e Safrai, Ze’ev. Atlas Bíblico. Casa Publicadora das Assembléias de Deus – CPAD, Rio de Janeiro, 1998,

Arnold, Bill T. e Beyer, Bryan E. Descobrindo o Antigo Testamento. Editora Cultura Cristã, São Paulo, 2001.

Durant, Will. The History of Civilization Volume 1 – Our Oriental Herritage. Simon and Schuster, New York, 1963.

Heródoto de Halicarnassus. The Histories. Penguin Books Ldt, Middlisex, reprinted, 1986.

Hallo, William W. e Simpson, William Kelly. The Ancient Near East: A History. Nova York, Harcourt Brace Jovanovich, 1971.

King, Philip J. American Archaeology in the Mideast: A History of the American Schools of Oriental Research. ASOR, Philadelphia, 1983.

Millard, Alan; Stanley, Brian e Wrigth, David. Atlas Vida Nova da Bíblia e História do Cristianismo. Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, São Paulo, reimpressão, 1998.

Schoville, Keith N. Biblical Arcaheology in Focus. Baker Book House, Grand Rapids, 1978.

Wilson, John A. The Culture of Ancient Egypt. Chicago University Press, Chicago, 1951.

__________Britannica Atlas. Encyclopaedia Britannica Inc., Chicago, 1996.


Enciclopédias

__________The New Encyclopaedia Brtannica. Encyclopaedia Britannica Inc., Chicago, 15th Edition, 1995.

NOTAS


[1] Os historiadores definem o período da igreja primitiva como aquele que se estende do início da igreja até o ano 100 a.D. aproximadamente.

[2] As Montanhas Zagros – Kuhhã Ye Zagros – estão localizadas no país moderno do Irã.

[3] As Montanhas do Cáucaso — Bol Soj Kaukaz — estão localizadas nos países modernos da Rússia, Geórgia, Armênia e Azerbaijão.

[4] Mesopotâmia — do grego mésos — no meio, entre e potamós — rio e que significa entre-rios e designava a extensão de terra contida entre os rios Eufrates e Tigre.

[5] O rio Eufrates é chamado de Buanunu em sumério, Parattu em acádio, Ufrat em persa antigo, Eufrates em grego e latim, Furat em arábico e Firat em turco.  O Eufrates é o rio mais comprido do oeste da Ásia e se inicia nas planícies da Armênia, na Turquia moderna, e segue rumo sudeste através da Síria e da parte sul do Iraque onde se une ao rio Tigre para formar o que é chamado de Shatt al-'Arab, que termina por desaguar no Golfo Pérsico. A extensão total do Eufrates é de aproximadamente 2.700 km.

[6] O rio Tigre é chamado de Tigra em persa antigo, de Tigres ou Tigris em grego, de Tigris em Latim, de Idiclat em acádio, na Bíblia é chamado de Hiddekel, de Dijla em arábico e de Dicle em turco. O rio Tigre tem sua origem ao Sul das Toros Daglan — Montanhas Taurus na Turquia — e segue em direção sudeste por aproximadamente 1.900 km em direção ao Golfo Pérsico, quando se junta ao Eufrates e juntos, sob o nome de Shatt al-'Arab penetram no Golfo Pérsico. O Shatt al-'Arab possui uma extensão de 193 km.

[7] Escrita Cuneiforme: Sistema de escrita provavelmente inventado pelos sumérios e depois adotado por babilônicos e assírios, constituído de sinais em forma de cunha, produzidos sobre tabletes de argila.

[8] Durant, Will. The History of Civilization Volume 1 – Our Oriental Herritage. Simon and Schuster, New York, 1963.