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quarta-feira, 10 de julho de 2013

HAITIANOS ADEPTOS DO VODU BUSCAM NO CANDOMBLÉ ALTERNATIVA A IGREJAS


Foto Joao Fellet/BBC Brasil

A BBC em português nesse outro artigo nos mostra que não são apenas as igrejas evangélicas que disputam os corações e as mentes dos haitianos que estão imigrando para o Brasil. Os cultos afro-braslileiros também querem os haitianos conforme podemos ver na reportagem a seguir:

João Fellet

Enviado especial da BBC Brasil a Porto Velho

Atualizado em  3 de julho, 2013 - 14:27 (Brasília) 17:27 GMT

Haitianos (à esq.) acompanharam cerimônia de candomblé em Porto Velho

Enquanto grande parte dos cerca de 3 mil imigrantes haitianos em Porto Velho recorre a igrejas evangélicas para satisfazer suas demandas espirituais, alguns começam a buscar alternativas entre as tradições religiosas que africanos legaram tanto a seu país quanto ao Brasil.

A BBC Brasil acompanhou a primeira visita de três haitianos a um terreiro de candomblé na capital de Rondônia. O encontro foi organizado a pedido deles pela estudante de história da Universidade Federal de Rondônia Jéssica Caroline, que realiza uma pesquisa sobre os imigrantes.

Adeptos do vodu, Jorby Beaubrun, de 24 anos, Obenson Experience, 26, e Wilbert Derancier, 42, chegaram ao Brasil no início do ano. Em conversa com Caroline, eles disseram sentir falta dos rituais no país natal e se surpreenderam ao saber que Porto Velho também abrigava templos de religiões de matriz africana.

Segundo a base de dados da CIA (órgão de inteligência dos EUA), metade da população haitiana pratica o vodu, embora 96% se digam cristãos. O culto, levado ao país por africanos escravizados, tem parentesco com as principais linhagens do candomblé do Brasil.

Ao chegar ao terreiro antes de uma cerimônia numa noite de sexta-feira, os haitianos receberam abraços do babalorixá Pai Silvano, o sacerdote da casa.

Por três horas, eles acompanharam os trabalhos sentados, enquanto iniciados dançavam numa roda ao centro, ao som de tambores e cantos em coro.

Naquele terreiro, pratica-se o candomblé Ketu, linhagem predominante no Brasil. O culto foi trazido ao país por africanos de etnia iorubá (também chamada de nagô), oriundos da atual Nigéria e alguns países vizinhos.
"Sem vodu não existe vida para nós, o vodu é a nossa vida”, diz Jorby Beaubrun, haitiano.

Os haitianos se animavam quando as batidas aceleravam e não reagiam quando alguns sacerdotes passaram a incorporar orixás (divindades), alterando discretamente seus semblantes. O trio só estranhou a ausência de animais no terreiro naquela noite. "No vodu no Haiti, sempre matam cabras, galinhas e porcos em homenagem às divindades", explicou Beaubrun.

Mesmo assim, ele disse ter gostado da experiência. "Vou falar com outros haitianos para que também venham. Porque sem vodu não existe vida para nós, o vodu é a nossa vida."

Candomblé Jeje

Caso tivessem visitado um terreiro de candomblé Jeje, os três provavelmente se identificariam ainda mais com as práticas.

Minoritária no candomblé praticado no Brasil, essa linhagem foi trazida ao país principalmente por africanos do antigo reino de Daomé (hoje território do Benim), também na costa ocidental da África.

O humbono mejitó (sacerdote Jeje) Pai Dansy, de Santo André (SP), diz que o candomblé Jeje e o vodu haitiano são "praticamente o mesmo culto".

Segundo ele, as maiores diferenças entre eles são os nomes das divindades – que, no Haiti, se alteraram por influência da principal língua local, o creole.

Foto Joao Fellet/BBC Brasil
No candomblé Jeje, aliás, as divindades se chamam voduns, e não orixás.

A Visita foi organizada por estudante de história da Universidade Federal de Rondônia

Ele afirmou que, nos próximos meses, pretende visitar Porto Velho para procurar sacerdotes voduístas haitianos e convidá-los a uma grande cerimônia em setembro no kwe (terreiro) de Santo André. "Eles vão se sentir em casa", diz.

Caso os laços entre haitianos e adeptos de religiões afro-brasileiras se estreitem, o historiador da Universidade Federal de Rondônia (Unir) Marco Teixeira diz que os terreiros podem recuperar um papel histórico.

O pesquisador diz que, durante a escravidão, as religiões de matrizes africanas cumpriam o papel hoje exercido no Brasil pelas igrejas evangélicas. "Elas eram o único ponto de referência positivo que essa população recebia ao desembarcar no Brasil. O terreiro oferecia lar, família, cuidado, tratamento e referência ao escravo."

Para ele, porém, os terreiros não têm desempenhado essa função em relação aos haitianos.

No que depender de Pai Silvano, o cenário vai mudar. "Podemos fazer um intercâmbio com eles. É um orgulho para nós que eles interajam com a gente no terreiro, trazendo sua experiência, seus conhecimentos e passando alguma coisa para nós", afirma.

"A porta está aberta para todos."

O artigo original poderá ser visto por meio desse link aqui:


ARTIGOS ACERCA DOS HAITIANOS NOS BRASIL


Grande Abraço e que Deus possa abençoar a todos.

Alexandros Meimaridis

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terça-feira, 9 de julho de 2013

HAITIANOS EM RONDÔNIA são alvo das igrejas evangélicas



O site da BBC em português publicou a seguinte notícia:

João Fellet

Enviado especial da BBC Brasil a Porto Velho

Atualizado em 3 de julho, 2013 - 12:58 (Brasília) 15:58 GMT

Foto Joao Fellet/BBC Brasil 
Foto

Igreja Adventista do Sétimo Dia de Porto Velho oferece cestas básicas a haitianos recém-chegados
Num templo da Assembleia de Deus no centro de Porto Velho, ao menos cem fiéis cantam em coro, ouvem pregações e oram em conjunto. Ao longo das três horas de cerimônia, não se ouve uma única palavra em português. Todos ali são haitianos.

Atraídos por empregos nas hidrelétricas do rio Madeira, desde 2011 ao menos 3 mil imigrantes do país caribenho se mudaram para a capital de Rondônia, segundo o governo local. E no Estado com o maior percentual de evangélicos do país (33,8%, ante 22,2% da média brasileira), algumas igrejas travam uma disputa por suas "almas".

Foto Joao Fellet/BBC Brasil
Haitianos adeptos do vodu buscam no candomblé alternativa a igrejas

A Assembleia de Deus foi a primeira na cidade a erguer um templo só para o grupo. A maioria dos fiéis passou a frequentá-la após se mudar para Porto Velho, seduzida pelos cultos em creole, a língua mais falada do Haiti.

Quem conduz as cerimônias é o haitiano Pierrelus Pierre. Antes de migrar para o Brasil, ele já era pastor da Assembleia de Deus na República Dominicana. "Vim para o Brasil para trabalhar, só que quando cheguei aqui a história mudou", ele diz à BBC Brasil.

Poucas semanas após mudar-se para Porto Velho, Pierre conheceu o líder da Assembleia de Deus na cidade, o pastor Joel Holden. O pastor o convidou, então, a assumir a pregação a seus compatriotas na igreja que viria a ser erguida para o grupo.

"Aqui na igreja haitiana a gente se sente em casa"

Gildrin Denis, operário haitiano

A estratégia surtiu efeito: desde a inauguração do edifício, há dois anos, os cultos estão sempre cheios.
"Já fui a igrejas brasileiras que são muito legais, muito bacanas. Mas aqui na igreja haitiana a gente se sente em casa", diz o operário Gildrin Denis, de 25 anos.

Denis afirma que, no Haiti, frequentava uma igreja pentecostal que não existe no Brasil e que se converteu à Assembleia de Deus "para manter o padrão". "Tenho dezenas e dezenas de amigos haitianos em Porto Velho e todos eu vejo aqui na igreja, fizemos amizade aqui."

Supervisor da Congregação Haitiana da Assembleia de Deus na cidade, o pastor brasileiro Evanildo Ferreira da Silva diz que a igreja já converteu ao menos cem imigrantes. Ao serem batizados, eles recebem uma carteirinha com foto e dados pessoais.

Foto Joao Fellet/BBC Brasil
Pierrelus Pierre veio ao Brasil para trabalhar, mas semanas depois virou pastor

Silva acompanha os cultos em silêncio, sentado no palco. Ele só se levanta para as músicas, que ocupam boa parte da cerimônia e são comandadas por baterista, baixista e guitarrista haitianos.

Um assistente, também brasileiro, é encarregado de coletar o dízimo. O pastor diz, no entanto, que os haitianos "estão com dificuldade de fazer essa parte aí". "Estamos tentando adaptá-los a essa cultura nossa, de contribuição, até porque a igreja precisa pagar luz, telefone, ar-condicionado."

Paralelamente, afirma Silva, há um trabalho para fazê-los abandonar as tradições do vodu, culto levado ao Haiti por africanos escravizados. "Eles chegam com uma cultura africana, de candomblé, mas na igreja são doutrinados a abandonar essas práticas."

Devagarzinho

Segundo a base de dados da CIA, órgão de inteligência dos EUA, embora 80% dos haitianos sejam católicos e 16%, evangélicos, metade da população do país pratica o vodu.

Silva diz que a igreja tem lidado com as diferenças culturais com "muita prudência, devagarzinho, senão de repente eles podem até espalhar."

Muitos, de fato, já buscam outros ares. Dois fiéis que assistiam ao culto da Assembleia de Deus num domingo de junho carregavam o livro Nada a Perder, de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus.

"Estamos tentando adaptá-los a essa cultura nossa, de contribuição, até porque a igreja precisa pagar luz, telefone, ar-condicionado"

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Pastor Evanildo Ferreira da Silva, da Assembleia de Deus

Eles haviam ganhado a obra na semana anterior ao participar, com centenas de haitianos, de um culto da Universal em Porto Velho. Só naquele dia, a igreja de Edir Macedo converteu seis haitianos.

Nem todos, porém, pretendem voltar. Um dos primeiros haitianos a se mudar para Rondônia, o tradutor Jean Onal, de 38 anos, diz que aceitou o convite para o culto da Universal por curiosidade, mas que o tom da cerimônia o desagradou. "Tinha mais de cinco pessoas possuídas, achei muito exagerado.''

Onal, que diz ser adventista, afirma que as igrejas em Porto Velho têm duas estratégias para atrair os imigrantes: enviam-lhes convites impressos ou pedem a haitianos que já as frequentam que levem conhecidos aos cultos.

Ele calcula que ao menos cinco denominações evangélicas na cidade tenham haitianos como crentes. Já a Igreja Católica raramente atrai estrangeiros às suas missas, embora sua pastoral do migrante lecione português a grupos de imigrantes.

Coordenadora das atividades da pastoral, a irmã Orila Travessini diz que a igreja não faz proselitismo com as turmas. Ela nota, porém, que entre os haitianos "há uma grande carência do sobrenatural, de algo que preencha isso".

"Não é um trabalho feito gratuita e desinteressadamente. Há um interesse de conversão em marcha. É uma disputa, um verdadeiro mercado de almas, que pode ser ampliado para um mercado de dízimos."
Marco Teixeira, professor da Universidade Federal de Rondônia

Para Onal, a religiosidade de seus compatriotas reflete as condições sociais adversas que enfrentam. "O Haiti tem muita pobreza, muito desemprego, então as pessoas têm bastante tempo para orar a Deus."

E quando emigram, diz, algumas práticas pregadas por religiões evangélicas – como a proibição ao consumo de álcool – facilitam que encontrem emprego e se adaptem ao novo país, segundo ele.

"Um país que não é pobre sempre tem uma festa no fim de semana para as pessoas gastarem dinheiro. Os haitianos, não: eles se preocupam mais com trabalho e com a igreja, é difícil encontrar alguém com cigarro na mão ou bebendo."

Na Igreja Adventista do Sétimo Dia de Porto Velho, que conta com cerca de 30 fiéis haitianos, a relação entre religião e prosperidade é ainda mais direta. A igreja dá aos haitianos recém-chegados cestas básicas, paga seus aluguéis e os encaminha para entrevistas de emprego com empresários fiéis da igreja.

"Todos os haitianos conosco estão trabalhando, têm celular, bicicleta. O nível financeiro deles têm aumentado", diz o pastor Paulo Praxedes. "O objetivo deles não é serem sustentados ou mantidos por outros, é serem sustentados pelo próprio trabalho deles".

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A Assembleia de Deus foi a primeira na cidade a erguer um templo só para o grupo

Até agosto, a igreja também deve inaugurar uma unidade só para os haitianos. Por ora, o grupo frequenta os cultos regulares da igreja junto ao dos fiéis brasileiros e, numa sala aos fundos, celebra uma cerimônia em creole. A igreja também pretende formar, em breve, um pastor haitiano.

Para Marco Teixeira, professor do departamento de história da Universidade Federal de Rondônia (Unir), que coordena um grupo de estudo sobre os haitianos em Porto Velho, as igrejas evangélicas da cidade "viram nos haitianos um alvo".

Embora avalie como positivo o papel que elas exercem ao recebê-los, dando-lhes segurança, ele diz que as igrejas promovem uma "despersonalização" dos imigrantes.

"Não é um trabalho feito gratuita e desinteressadamente. Há um interesse de conversão em marcha. É uma disputa, um verdadeiro mercado de almas, que pode ser ampliado para um mercado de dízimos."
O pastor Adventista do Sétimo Dia Paulo Praxedes nega, porém, que sua igreja participe de qualquer disputa. "Não somos uma concorrência, nosso interesse é ajudá-los. Muitas vezes esses haitianos chegam ao nosso centro cultural e nem sabemos de que religião eles são".

O pastor Evanildo Silva, da Assembleia de Deus, tampouco endossa a visão de que as igrejas estão competindo pelos imigrantes. Mas afirma que, mesmo que outras denominações venham a assediar os fiéis da Assembleia de Deus, o grupo não vai diminuir.

"Tem muitos haitianos aqui, então tem para todo mundo."

O artigo original poderá ser visto por meio desse link aqui:


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Alexandros Meimaridis

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