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domingo, 25 de novembro de 2012

INTRODUÇÃO AO PENTATEUCO – PARTE 3


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Este estudo é parte de uma breve introdução ao Antigo Testamento. Nosso interesse é ajudar todos os leitores a apreciarem a rica herança que temos nas páginas da Antiga Aliança. No final de cada estudo o leitor encontrará direções para outras partes desse estudo 

Capítulo 4 – Introdução ao Pentateuco – Parte 3

O Nascimento do Povo de Deus

שְׁמַע יִשְׂרָאֵל יְהוָה אֱלֹהֵינוּ יְהוָה אֶחָד
                    Ehad   Adonai  Eloheinu   Adonai   Israel     Shemá
              
                   Um é  O SENHOR Nosso Deus O SENHOR Israel Ouve

Deuteronômio 6:4

III. Quais são os principais temas do Pentateuco? - Continuação

G. Aliança.


Aliança de Deus com Noé

Para a maioria de nós a palavra aliança está mais relacionada ou ao objeto circular que colocamos nos dedos ou a acordos e tratados entre empresas e países. Mas para os judeus do Antigo Testamento a expressão בְרִיתberit – aliança englobava todos os tipos de relações humanas. As alianças eram o elemento que unia as pessoas em obrigações comuns, fossem essas a de um casamento, comerciais ou mesmo a simples palavra empenhada. Dessa maneira é apenas natural que o relacionamento com Deus fosse visto como o estabelecimento de uma aliança entre Deus e os seres humanos.

No Pentateuco nós encontramos claramente o estabelecimento de três destas alianças:

·       A aliança feita a Noé de que Deus nunca mais iria destruir a terra por meio de um dilúvio — Gênesis 9:9.


·       A aliança feita por Deus a Abraão — Gênesis 15:18 e 17:4.


·       A aliança estabelecida no Monte Sinai com Moisés e o os Israelitas e que está registrada no assim chamado “livro da aliança” — Êxodo 24:7.


Apesar de alianças serem estabelecidas entre “iguais” de forma geral, quando falamos de alianças no contexto religioso existe sempre a implicação de que se trata de uma relação entre alguém maior e outro menor. A forma de aliança utilizada entre Deus e o povo de Israel como descrita nos livros do Êxodo e do Deuteronômio foi grandemente iluminada pela arqueologia moderna ao descobrir como funcionavam as alianças de suseranidade que existiam entre os reis e seus vassalos no meio dos Hititas. Estas alianças possuíam os seguintes elementos:

·       Uma introdução Histórica.


·       Uma lista de estipulações.


·       Bênçãos e Maldições invocadas sobre as partes.


·       Um juramento solene.


·       Uma cerimônia religiosa destinada a selar a aliança.


A grande maioria desses elementos que acabamos de alistar podem ser vistas nas alianças que encontramos no Pentateuco e por extensão em todo o Antigo Testamento. Mas, para nós, muito mais importante do que a “forma” é o significado teológico das alianças. Entre as alianças que encontramos no Pentateuco nós podemos notar as seguintes características:

1. Todas elas foram ou estão baseadas em uma iniciativa da parte de Deus.


Arco-Íris Wallpaper
O arco da aliança entre Deus e Noé


Deus decidiu agir de forma misericordiosa e soberana. No caso da aliança com Noé, Deus fez uma promessa incondicional de nunca mais julgar a humanidade mediante um dilúvio — ver Gênesis 9:11. Deus também escolheu soberanamente a Abraão e aos seus descendentes para serem o meio através do qual a misericórdia de Deus poderia alcançar toda a raça humana decaída. Esta eleição do povo de Israel foi como que cimentada através do que Deus disse em Êxodo 6:7.

2. Todas elas implicavam em uma revelação especial da parte de Deus.


Moisés vê a Glória de Deus

Deus se apresentou a Abraão dizendo para ele não temer, pois o próprio Deus era seu מָגֵן magen - escudo – ver Gênesis 15:1. Deus também se apresentou a Abraão em Gênesis 17:1 como sendo o אֵל שַׁדַּי El Shadday – o Deus Todo-Poderoso – ver também Gênesis 28:3; 35:11; 48:3. Para Moisés, em um primeiro momento, Deus se apresentou, em Êxodo 3:14 como אֶהְיֶה אֲשֶׁר אֶהְיֶה - eheyeh asher eheyeh – EU SOU O QUE EU SOU. Mais adiante, em Êxodo 6:3 Deus se revelou como sendo o SENHOR que é representado no texto hebraico por יְהוָה. Este nome é composto por quatro consoantes em hebraico que correspondem às seguintes letras em português YHVH. As vogais que combinavam com estas consoantes, como sabemos[1] não são conhecidas. As marcas vogais vistas em associação às consoantes acima pertencem realmente à palavra hebraica אֲדֹנָי Adonay – Deus[2]. Mais adiante ainda, Deus diz a Moisés: “Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão – Êxodo 20:2[3]”. Este versículo resume de maneira perfeita o sentido da revelação especial de Deus acerca dos eventos que haviam culminado com a saída do povo de Israel do Egito. E daí em diante, esse seria um dos nomes mais utilizados por Deus mesmo para lembrar o povo de Israel o tipo de relacionamento — via Aliança — que eles tinham com Deus. Mais adiante, em outro capítulo, faremos um estudo acerca dos Nomes de Deus no Antigo Testamento.

3. Todas as Alianças apresentavam exigências religiosas — rituais — e morais ao povo de Deus.


Leis rituais da Antiga Aliança

O estabelecimento das alianças como encontradas no Pentateuco apresentam estas duas características: exigências religiosas e morais são feitas ao povo de Deus. As exigências rituais ou religiosas podem ser vistas na prática da circuncisão — ver Gênesis 17:10; na guarda do Sábado — ver Êxodo 20:8—11; e por todas as detalhadas exigências acerca da adoração e dos sacrifícios devidos.

H. A Lei.
 
A lei de Deus representada pelos 10 Mandamentos

A idéia da Lei de Deus é central no Pentateuco e como vimos os próprios judeus chamaram os escritos de Moisés de תּוֹרָה toráhinstrução, ensino ou lei. Na sua forma mais simples a Lei de Deus encontra-se, de forma resumida, em Êxodo 20 e Deuteronômio 5. Mas existem várias outras coleções associadas aos 10 mandamentos. Entre estas coleções podemos citar:

·       O Livro da Aliança – Êxodo 21 — 23.


·       O Código de Santidade – Levítico 17 — 26.


·       As leis de Deuteronômio – Deuteronômio 12 — 26.

 

Código de Hamurabi

Muitas comparações têm sido feitas entre a Lei de Deus e outros códigos legais que existiam no Antigo Oriente Próximo. Entre estes códigos o mais notório é o código conhecido como “Código de Hamurabi”[4]. Existem diversas similaridades entre o Código de Hamurabi e a Lei dada por Deus a Moisés. Estas similaridades têm levado muitos críticos a duvidarem da inspiração da revelação concedida a Moisés. Mas será mesmo que as similaridades provam que Deus não se revelou a Moisés? Ou será que tais similaridades provam apenas que o povo de Israel era um povo inserido no contexto global do Antigo Oriente Próximo? Israel não era um povo constituído de seres alienígenas, como extraterrestres. Era um povo inserido na cultura e na experiência comum de todos os habitantes daquela região. Isto, por si só, explica as similaridades. Os críticos que são tão rápidos em apontar as similaridades procuram ignorar por completo as diferenças que são realmente cruciais nesta questão. O que torna a Lei concedida ao povo de Israel através do legislador Moisés distinta de outros códigos legais da época pode ser resumido como segue:

·       Um monoteísmo (crença em um único Deus) absoluto — Deuteronômio 6:4. 

·       A preocupação absoluta pelos menos privilegiados — escravos, órfãos, viúvas, estrangeiros, mulheres, pobres etc. 

·       O espírito comunitário que existia baseado no בְרִיתberit – aliança e que devia governar todas as relações entre o povo e Deus e uns com os outros. Os Dez Mandamentos, por exemplo, podem ser divididos entre as obrigações para com Deus — os quatro primeiros mandamentos — e as obrigações para com o próximo — os seis últimos mandamentos. Era a aliança com Deus que vinculava os judeus uns aos outros e todos eles com Deus. Este fato não existe em nenhuma outra cultura e se repete somente na igreja cristã mediante a Nova Aliança em Cristo Jesus. 

Outra distinção característica da Lei de Deus quando comparada a outras leis do Antigo Oriente Próximo pode ser vista no fato de que muitos mandamentos são ordenados em uma forma que é chamada de apodíctica[5], que consiste na afirmação do tipo “Amarás o SENHOR teu Deus” ou na negação do tipo “Não terás outros deuses diante de mim”. Todas as outras leis do Antigo Oriente Próximo estão baseadas em cláusulas chamadas casuístas do tipo “Quando um homem.... então...”. A forma apodíctica é então peculiar aos Israelitas e os Dez Mandamentos são considerados um exemplo único!

Alguns cristãos têm visto as palavras de Jesus no Sermão da Montanha — ver Mateus 5 — 7 — como sendo uma rejeição da Lei de Deus a favor da Sua nova lei baseada no amor. Mas esta interpretação é equivocada. Jesus não estava criticando a Lei de Deus e sim a forma como os rabinos judeus estavam interpretando esta mesma Lei. A fórmula “ouvistes o que foi dito aos antigos” não é uma referência à Lei do Antigo Testamento. É antes uma referência aos rabinos que iniciavam suas próprias interpretações do que a Lei queria dizer com algo que dizia respeito ao que havia sido dito aos antigos, seguida da sua própria interpretação. Jesus usa a mesma fórmula dos rabinos, que o povo já estava acostumado a ouvir, para descortinar a motivação que existia por trás dos mandamentos dados por Deus, motivação esta, que havia passado de toda despercebida pelos intérpretes da Sua época.

Outros há que têm criticado os Dez Mandamentos alegando que os mesmos são negativos demais. Mas estes críticos se esquecem que os mandamentos alistados em Êxodo 20 são precedidos pelas muito positivas palavras que dizem: “Então, falou Deus todas estas palavras: Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão – Êxodo 20:1—2”. O motivo negativo dos mandamentos está plenamente explicado pelo aspecto positivo de Quem o SENHOR era e do que Ele esperava do Seu povo. Todos aqueles que foram beneficiários da grandiosa libertação representada pela saída do Egito — ver Deuteronômio 4:20 — e que estavam agora vivendo sob a soberana vontade do Eterno — ver Êxodo 19:4 —  tinham a obrigação de demonstrar um comportamento que fosse completamente distinto de todos os outros povos. Este é o motivo porque os Dez Mandamentos são introduzidos pelas majestosas palavras de “Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão – Êxodo 20:2”.

Os Dez Mandamentos são constituídos de ordens relativas a situações específicas que envolvem: adoração, trabalho, vida familiar, casamento, respeito pela vida e pela propriedade e uma justiça elementar. Para todas estas áreas da vida humana Deus tem uma palavra que é tanto explícita como inescapável. Jesus não se opôs a estas verdades. Pelo contrário Ele cumpriu os mandamentos e ao mesmo tempo os expandiu!

O mesmo não pode ser dito da Lei Cerimonial com seus elaborados rituais e que ocupa a maior parte do Livro do Levítico e de outras partes do Pentateuco. A diferença entre a Lei Moral e a Lei Cerimonial pode ser vista no propósito que existia para cada uma delas. A Lei Cerimonial tinha o propósito de ensinar tanto a forma como os judeus deveriam se comportar i.e. como um povo santo, quanto à forma como deveria adorar a um Deus que era também santo – ver Levítico 19:2 e Números 15:40. Por estes motivos além de fornecer detalhada instrução acerca de como adorar a Deus — sistema sacrificial, de purificação, os festivais, etc. Deus também supriu Seu povo com formas específicas de como manter a pureza dos rituais, para não contaminar os rituais, o que tornaria os mesmos inúteis, os judeus deveriam se manter livres de qualquer contaminação advinda de fontes externas, especialmente aquelas originárias das religiões que existiam em Canaã nos dias do Êxodo e da conquista sob Josué.


A Cruz de Cristo como o fim da Lei do Antigo Testamento

Estas normas e regulamentos não se aplicam mais à igreja cristã, apesar de terem muitos princípios a nos ensinar, porque em Cristo toda a Lei Cerimonial foi cumprida e abolida — ver Hebreus 9:1—12. De forma semelhante todo o sistema sacrificial foi abolido pelo sacrifício oferecido pelo Senhor Jesus — ver Hebreus 10:1—18. O mesmo também é verdade para todo o restante da Lei, uma vez que depois de cumprida em Cristo a mesma foi definitivamente abolida conforme Romanos 10:4 — Porque o τέλος télos — fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê. τέλος télos — fim, aqui significa: término, o limite no qual algo deixa de ser (sempre do fim de um ato ou estado, mas não do fim de um período de tempo)[6]

I. O Êxodo.


O Êxodo

O Êxodo, descrito no Pentateuco nos primeiros 12 capítulos do livro do Êxodo é um destes eventos mais marcantes e recorrentes da Bíblia. Foi através deste acontecimento que numa só noite Deus forjou a nação de Israel. Para os judeus este foi o maior ato salvífico de Deus para o qual todos os judeus de todas as épocas olham com reverência e gratidão. O Êxodo foi uma intervenção direta de Deus na História da Humanidade visando livrar o povo de Israel da situação de opressão em que se encontrava sob o jugo do Faraó no Egito — ver Êxodo 3:7. O Êxodo foi realmente um ato onde o poder de Deus se manifestou de uma maneira verdadeiramente inusitada — ver Êxodo 6:6. Foi uma demonstração de poder sobre os falsos deuses egípcios, uma demonstração de supremacia.

 
A celebração da Páscoa

Deus ordenou que o Êxodo fosse relembrado anualmente através da פֶּסַח pesachFesta da Páscoa ou do “passar por ciam” — ver Êxodo 12:1—14; 26—27. Todas as gerações posteriores ao Êxodo deveriam se lembrar que eles pertenciam a um povo que havia sido redimido de forma misericordiosa pelo SENHOR de uma perversa escravidão. Eles foram encorajados a se lembrarem do passado e advertidos dos perigos acerca de esquecerem o que Deus havia feito por eles — ver Deuteronômio 6:10—12.

Como evento histórico o Êxodo foi único e definitivo. Mas o fato de que Deus fez tal ato uma vez é prova bastante de que Ele pode fazê-lo novamente. Quando o povo de Israel encontrava-se exilado na terra da Babilônia muitos ansiavam por um segundo êxodo — ver Isaías 51:9—12. Por modo semelhante quando o Senhor Jesus veio a este mundo Sua obra redentora foi descrita em termos do Êxodo — ver Lucas 9:31 onde encontramos literalmente a expressão ἔξοδον - êxodon – partida.

Esses são os principais temas do Pentateuco e estão presentes, de uma maneira ou de outra, em praticamente toda sua extensão. Existe, todavia, outro tema que também ocorre com tão grande regularidade, que chega a ser até deprimente — ver Deuteronômio 31:26—27 — que é a pecaminosidade e a dureza de coração do povo de Israel. Entre suas atitudes mais perturbadoras podemos destacar as seguintes:

Sua dureza e lerdeza em aceitar Moisés como o libertador enviado da parte de Deus. 

Estavam sempre reclamando das dificuldades da viagem. 

Chegaram ao ponto de desejar retornar ao Egito — aquela fornalha ardente — o qual glamourizaram com palavras – ver Números 11:4—6. 

Recusaram-se terminantemente a entrar na terra prometida — ver Números 14:1— 4.

Outros artigos acerca da Introdução ao Antigo Testamento

A. O Texto do Antigo Testamento

001 – O CÂNON DO ANTIGO TESTAMENTO

002 – A INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA

003 – A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 1 = Os Escribas e O Texto Massorético — TM

004 – A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 2 = O Texto Protomassorético e o Pentateuco Samaritano

005 – A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 3 = Os Manuscritos do Mar Morto e os Fragmentos da Guenizá do Cairo

006 - A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 4 = A Septuaginta ou LXX

007 - A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 5 = Os Targuns e Como Interpretar a Bíblia

B. A Geografia do Antigo Testamento

001 – INTRODUÇÃO E MESOPOTÂMIA

002 – O EGITO

003 – A SÍRIA—PALESTINA

C. A História do Antigo Testamento

001 — OS PATRIARCAS DA NAÇÃO DE ISRAEL

002 — NASCE A NAÇÃO DE ISRAEL

003 — A NAÇÃO DE ISRAEL: O REINO UNIDO

004 — O REINO DIVIDIDO E O CATIVEIRO BABILÔNICO

D. A Introdução ao Pentateuco

001 — O PENTATEUCO — O QUE É E DO QUE TRATA O PENTATEUCO


002 — O PENTATEUCO — PARTE 2 — OS TEMAS PRINCIPAIS DO PENTATEUCO — PARTE 1


003 — O PENTATEUCO — PARTE 2 — OS TEMAS PRINCIPAIS DO PENTATEUCO — PARTE 2

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.

O material contido neste estudo foi, em parte, adaptado e editado das seguintes obras, que o autor recomenda para todos os interessados em aprofundar os conhecimentos acerca do Antigo Testamento:

Bibliografia


Arnold, Bill T. e Beyer, Bryan E. Descobrindo o Antigo Testamento. Editora Cultura Cristã, São Paulo, 2001.

Archer, Gleason L. Jr. A Survey of the Old Testament. The Zondervan Corporation, Grand Rapids, 1980.

Champlin, Russel Norman. Enciclopédia de Bíblia, Teologia, e Filosofia. Editora Hagnos, São Paulo, 6ª Edição, 2002.

Francisco, Edson de Faria. Manual da Bíblia Hebraica – Introdução ao Texto Massorético. Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, São Paulo, 1ª Edição, 2003.

Harrison, Roland Kenneth. Introduction to the Old Testament. William B. Eerdmans Publishing Company, Grand Rapids, 1979.

The Fundamentals. Edição Eletrônica disponível na Internet, 2006.

Walton, John H. Chronological Charts of The Old Testament. The Zondervan Corporation, Grand Rapids, 1978.

Würthwein, Ernst. The Text of the Old Testament. William B. Eerdmans Publishing Company, Grand Rapids, Reprinted, 1992.

Enciclopédias e Softwares

__________Biblioteca Digital da Bíblia. Sociedade Bíblica do Brasil, Barueri, 2006.

__________The Lion Handbook to the Bible. Lion Publishing, Herts, 1978.

__________The New Encyclopaedia Brtannica. Encyclopaedia Britannica Inc., Chicago, 15th Edition, 1995.


[1] Ver a primeira parte série “O TEXTO DO ANTIGO TESTAMENTO” onde discutimos os detalhes acerca de como a língua hebraica foi vocalizada.

[2] Ver nosso artigo separado que explica como o tetragrama hwhy – YHVH virou o curioso nome Jeová. O mesmo pode ser acessado através do seguinte link: http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2012/11/como-o-tetragrama-yhvh-virou-o-curioso.html

[3] אָנֹכִי יְהוָה אֱלֹהֶיךָ אֲשֶׁר הוֹצֵאתִיךָ מֵ‍אֶרֶץ מִצְרַיִם מִ‍בֵּית עֲבָדִים

[4] O Código de Hamurabi — Amu é grande — é a mais completa coleção de leis da antiga Babilônia e foi compilado durante o reino de Hamurabi entre os anos de 1792—1750 a.C. — com uma margem de erro de 60 anos para mais ou para menos. O reino de Hamurabi foi o sexto reino da primeira dinastia babilônica. Esse código é composto de decisões legais tomadas durante o reinado de Hamurabi. Essa compilação foi por sua vez gravada, em escrita cuneiforme acádica, em uma estela — pedra — de diorito negro medindo cerca de 2,10m de altura. Essa pedra foi colocada no templo do deus Marduk na cidade de Babilônia. Marduk era o único deus verdadeiramente nacional de todo o império Babilônico. O Código de Hamurabi compreende 282 decisões envolvendo questões relacionadas a provisões econômicas — preços, tarifas, comércio local e internacional; leis relativas à família — casamento e divórcio; leis criminais — assaltos, roubos — e leis civis — débitos, escravatura, etc. As penas fixadas, curiosamente, variavam de acordo com a posição social dos ofensores além das circunstâncias envolvidas. A pedra contendo o Código de Hamurabi foi roubada do povo iraniano pelos franceses em 1902 e encontra-se atualmente em exposição no Museu do Louve em Paris.

[5] Diz-se do que é demonstrável ou do que é evidente, valendo, pois, de modo necessário.

[6]Strong, J., & Sociedade Bíblica do Brasil. (2002; 2005). Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong (H8679). Sociedade Bíblica do Brasil.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

HISTÓRIA DO ANTIGO TESTAMENTO – PARTE 2 — NASCE A NAÇÃO DE ISRAEL.




Este estudo é parte de uma breve introdução ao Antigo Testamento. Nosso interesse é ajudar todos os leitores a apreciarem a rica herança que temos nas páginas da Antiga Aliança. No final de cada estudo o leitor encontrará direções para outras partes desse estudo 

INTRODUÇÃO AO ANTIGO TESTAMENTO

Capítulo 3 – Quando Ocorreram os Eventos Narrados do A. T.?

I. Quais são os Acontecimentos descritos pelo Antigo Testamento? — ver no final dessa série a tabela contendo os: Períodos Arqueológicos da História do Antigo Oriente Próximo.

B. Nasce uma Nação – ver Deuteronômio 4:32—34.

O período que vai de 1550 a 1200 a.C., é chamado pelos arqueólogos de Nova Idade de Bronze. Este período foi caracterizado por um tempo de comércio internacional intenso e de equilíbrio entre as potências mundiais. Os egípcios conseguiram dar um fim à dominação dos hicsos e entraram naquele que foi seu período de maior força política e que ficou conhecido como o Novo Império - dinastias 18 a 20, de 1550—1100 a.C. Este fato torna ainda mais impressionante e significativa a libertação do povo judeu do jugo egípcio, independente da data em que êxodo teria acontecido, já que as duas prováveis datas – século 15 ou século 13 a.C. – encontram-se dentro do período do Novo Império do Egito.

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Novo Império Egípcio

Durante a Nova Idade de Bronze o Egito gozou de hegemonia enquanto a Mesopotâmia passou por um tempo de fraqueza política. Após a queda do Antigo Império Babilônico de Hamurabi, o sul da Mesopotâmia foi invadido e passou a ser controlado por um grupo de estrangeiros originários das Montanhas Zagros[1]: os cassitas. A dinastia cassita reinou por um período que durou mais de trezentos anos e trouxe paz e estabilidade à Babilônia, porém não trouxe superioridade militar. Os cassitas preferiam fazer uso de tratados de paz e outros meios não-militares de diplomacia, para defender suas fronteiras. Eles adotaram muitos elementos tradicionais da cultura babilônica, inclusive o idioma babilônico acádio o qual, durante esse período, tornou-se a língua franca daquela época. Os cassitas elevaram todo o sul da Mesopotâmia a um novo nível de prestígio internacional.

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Montanhas Zagros

Uma das primeiras iniciativas dos poderosos soberanos egípcios do Novo Império foi tentar controlar as áreas costeiras da Síria-Palestina, a estrada costeira para a Fenícia – a Via Maris - e a Núbia, ao sul. Uma vez estabelecidos tais controles, os egípcios passaram a dominar o intercambio mercantil com o Mar Egeu e com o resto da Ásia ocidental. Este domínio possibilitou o Egito alcançar incríveis níveis de prosperidade e riqueza. No ápice desse império, Amenotep IV, da décima oitava dinastia, tornou-se faraó em 1353 a.C. Em ato realmente surpreendente Amenotep IV mudou seu nome para Akenaton e tentou implantar uma espécie de monoteísmo em uma terra acostumada a adorar centenas de deuses.

Akenathon

Além disso, ele mudou a capital do seu reino para trezentos quilômetros ao norte de Tebas, para a moderna Tel El Amarna em 1348 a.C. Durante um período de aproximadamente dez anos, Akenaton elevou de forma seguida, a imagem do deus-sol, Aton, à posição de divindade suprema, e quase conseguiu implantar o monoteísmo religioso. Após a morte de Akenaton a corte retornou para a cidade de Tebas e a cidade de Tel El Amarna foi abandonada. Todavia, centenas de placas de barro escritas em babilônico foram encontradas em duas expedições arqueológicas em 1890 e 1970 - as chamadas cartas de Amarna. O conteúdo destas cartas revelou que as mesmas haviam sido escritas por reis-vassalos na Síria-Palestina e governantes da Anatólia e Mesopotâmia e as mesmas refletem a situação política que existia em suas regiões durante a metade do século 14 a.C. Ao fim do reinado de Akenaton o Egito começou a perder seu poderio internacional sobre o oeste da Ásia. Muitas cidades da Síria-Palestina assumiram sua independência, em parte por causa da negligência dos egípcios e em parte porque estes já não tinham o poderio militar de antes.

Tel El Amarna

No extremo norte do Crescente Fértil, na região conhecida por Anatólia, o Império Hitita havia se expandido para o leste e obtido o controle de toda a Ásia Menor ocidental bem como do norte da Síria. Durante mais de 100 anos, os hititas mantiveram, graças à uma forte liderança real, o controle da Síria, tendo expandido seu domínio quase até Damasco. Entre os anos de 1344—1239 a.C., os reis hititas lutaram contra os faraós da décima nona dinastia do Egito, com os quais acabaram chegando a um verdadeiro impasse, concernente ao poder, na metade do século 13. Próximo do final da Nova Idade do Bronze – por volta de 1200 a.C. - o faraó Ramsés II e o rei hitita Hattushili III concordaram em fazer um acordo de paz visando dar fim às hostilidades entre as duas nações.

Ramsés II

Múmia de Ramsés II

É provável que o menino Moisés tenha nascido entre os descendentes da tribo de Levi durante a Nova Idade do Bronze. Naqueles dias o povo de Israel estava sofrendo sob o pesado jugo da escravidão no Egito. Nos dias em que Moisés nasceu, o faraó estava tentando controlar o rápido crescimento da população israelita mandando matar a todos os meninos israelitas recém-nascidos. Da mesma maneira como havia acontecido com o nascimento de Isaque e com a ascensão de José no Egito, o menino Moisés foi miraculosamente salvo pela própria filha do faraó e cresceu na corte real egípcia, como filho da filha do faraó. No Egito Moisés cresceu com direito a receber uma educação que refletia o apogeu da cultura egípcia - ver Atos 7:22.

 
Moisés

No tempo determinado por Deus, Moisés foi chamado para liderar o povo de Israel e libertá-lo da escravidão do Egito. Os egípcios acreditavam que o faraó, que era considerado um deus, controlava a ordem cósmica. Mas o Deus verdadeiro, além de libertar Seu povo, pretendia ainda trazer severo juízo tanto sobre a multidão de divindades que existia no Egito, quanto sobre o próprio faraó-deus. Para alcançar estes propósitos o SENHOR decidiu trazer uma série de pragas cujo propósito era provar, acima de tudo, quem realmente estava em pleno controle de todas as coisas. As pragas acabaram por demonstrar tanto a superioridade quanto a majestade de יהוה - YHVH[2] – palavra que significa o ETERNO, o Deus dos israelitas[3]. A saída do povo de Israel do Egito sob Moisés marcou o nascimento da nação de Israel como que tendo sido forjada na fornalha de fogo que o Egito representava – ver Deuteronômio 4:20.  Deus conduziu Seu povo até o monte Sinai, também chamado de monte Horebe e, ali celebrou uma aliança com eles – ver Êxodo 19:4—6. Juntamente com a aliança o povo recebeu de Deus um conjunto completo de Leis que deveriam regular o relacionamento do povo com Deus, bem como o relacionamento que deveria existir entre os membros do povo de Deus entre si.

Monte Sinai ou Horebe

De maneira surpreendente o povo de Israel rejeitou a aliança com Deus e se recusou a entrar na terra prometida temendo o que lhe poderia acontecer. A viagem de Horebe até Cades levou 11 dias. De Cades até a terra de Canaã não seriam necessárias mais do que 2 semanas. Mas o povo preferiu não se arriscar, em flagrante desobediência a Deus. Tal ato foi a demonstração mais explícita de falta de fé e de confiança em Deus. Israel, a nova nação, rejeitou a aliança de Deus no deserto e recusou-se a entrar na terra prometida. O resultado? O povo de Israel teve que vagar pelo deserto por 40 anos até que toda aquela geração de incrédulos perecesse – ver Deuteronômio 2:14. Finalmente, quando estavam para entrar na terra prometida, nas planícies de Moabe, no lado oeste do Jordão em frente a Jericó, Deus recolheu a Moisés o qual não pode entrar na terra prometida – ver Números 27:12—13. O povo passou a ser liderado por Josué. Sob sua liderança Israel conquistou a terra prometida e assentou-se nela. Assim foram cumpridas as promessas feitas a Abraão, Isaque e Jacó.


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Josué e Calebe

O estabelecimento de datas precisas continua a representar uma dificuldade considerável. Todavia, podemos, usando a latitude disponível, dizer que o êxodo dos israelitas do Egito aconteceu em algum momento durante a época do Novo Império da história do Egito. A data do êxodo do Egito foi fixada pelos estudiosos em dois momentos possíveis – 1446 a.C. e 1275 a.C., aproximadamente. Um dos maiores problemas nesta discussão tem a ver com a incapacidade dos historiadores de estabelecer quem era, exatamente, o faraó mencionado no livro do Êxodo. Opiniões variam entre Tutmose III ou Amenotep II, ambos da décima oitava dinastia para aqueles que defendem a data mais antiga. Os que aceitam a data mais recente insistem que o faraó não era outro senão Ramsés II da décima nona dinastia. A dificuldade dos historiadores, todavia, não deve nos levar a pensar, de maneira equivocada, que a narrativa do livro do Êxodo seja lendária. Existem elementos históricos suficientes no livro do Êxodo que fazem referências diretas tanto a práticas quanto a costumes que são plenamente compatíveis com aqueles registrados em outros povo e culturas durante a Nova Idade do Bronze.

Que Deus abençoe a todos.

Outros artigos acerca da Introdução ao Antigo Testamento

A. O Texto do Antigo Testamento

001 – O CÂNON DO ANTIGO TESTAMENTO

002 – A INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA

003 – A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 1 = Os Escribas e O Texto Massorético — TM

004 – A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 2 = O Texto Protomassorético e o Pentateuco Samaritano

005 – A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 3 = Os Manuscritos do Mar Morto e os Fragmentos da Guenizá do Cairo

006 - A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 4 = A Septuaginta ou LXX

007 - A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 5 = Os Targuns e Como Interpretar a Bíblia

B. A Geografia do Antigo Testamento

001 – INTRODUÇÃO E MESOPOTÂMIA

002 – O EGITO

003 – A SÍRIA—PALESTINA

B. A História do Antigo Testamento

001 – OS PATRIARCAS DA NAÇÃO DE ISRAEL

002 – NASCE A NAÇÃO DE ISRAEL

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.


O material contido neste estudo foi, em parte, adaptado e editado das seguintes obras, que o autor recomenda para todos os interessados em aprofundar os conhecimentos acerca do Antigo Testamento:

Bibliografia

Aharoni, Yahanan; Avi-Yonah, Michael; Rainey, Anson F. e Safrai, Ze’ev. Atlas Bíblico. Casa Publicadora das Assembléias de Deus – CPAD, Rio de Janeiro, 1998,

Arnold, Bill T. e Beyer, Bryan E. Descobrindo o Antigo Testamento. Editora Cultura Cristã, São Paulo, 2001.

Bright, John. História de Israel. Paulus, São Paulo, 6ª Edição, 1980.  

Durant, Will. The History of Civilization Volume 1 – Our Oriental Herritage. Simon and Schuster, New York, 1963.
Heródoto de Halicarnassus. The Histories. Penguin Books Ldt, Middlisex, reprinted, 1986.

Hallo, William W. e Simpson, William Kelly. The Ancient Near East: A History. Nova York, Harcourt Brace Jovanovich, 1971.

Howard, Jr. David M. “Philistines” em People of the Old Testament World, org. Alfred Hoerth, Gerald L. Mattingly e Edwin M. Yamauchi. Baker Book House, Grand Rapids, 1994.

King, Philip J. American Archaeology in the Mideast: A History of the American Schools of Oriental Research. ASOR, Philadelphia, 1983.

Millard, Alan; Stanley, Brian e Wrigth, David. Atlas Vida Nova da Bíblia e História do Cristianismo. Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, São Paulo, reimpressão, 1998.

Schoville, Keith N. Biblical Arcaheology in Focus. Baker Book House, Grand Rapids, 1978.

Wilson, John A. The Culture of Ancient Egypt. Chicago University Press, Chicago, 1951.


__________Britannica Atlas. Encyclopaedia Britannica Inc., Chicago, 1996.

Enciclopédias

__________The New Encyclopaedia Brtannica. Encyclopaedia Britannica Inc., Chicago, 15th Edition, 1995.


Softwares

Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário Aurélio Século XXI. Edição Eletrônica, São Paulo, 2004.





[1] As Montanhas Zagros – Kuhhã Ye Zagros – estão localizadas no país moderno do Irã.

[2] O autor precisa advertir o leitor que a expressão hebraica vocalizada como יְהוָה – é uma combinação das consoantes do nome “ETERNO” representados pelo tetragrama YHVH com as vogais da expressão hebraica אֲדֹנָי Adonai – cujo significado é soberano, e que é comumente traduzida por “Senhor” nas Bíblias na versão de Almeida Revista e Atualizada - ARA.  A combinação das consoantes de uma palavra com as vogais de outra foi a responsável pela “invenção” deste curioso nome que encontramos disperso no meio da cristandade que pode ser grafado, entre outras, das seguintes maneiras: Jeová, Javé, Iavé, Iaweh, Iahveh etc. Esses nomes não existem e só podemos rir da ignorância daqueles que insistem em usá-los como se tivessem  realmente origem Bíblia.

[3] Para ajudar os leitores a reconhecerem os versículos onde o tetragrama יהוהYHVH – o ETERNO é usado no nosso texto em português, os tradutores da versão Almeida Revista e Atualizada – ARA – usam, de maneira consistente, a expressão “SENHOR” grafada com todos os caracteres maiúsculos.