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quinta-feira, 24 de março de 2016

BRASIL: ÍNDICE DE ASSASSINATOS ATINGE RECORDE HISTÓRICO EM 2014


Segundo dados do 'Atlas da Violência 2016', houve 59.627 homicídios no País, o que o torna o campeão mundial de mortes

O material abaixo foi publicado pelo jornal o Estado de São Paulo e é da autoria de Alfredo Mergulhão.

BRASIL REGISTRA EM 2014 O MAIOR NÚMERO DE ASSASSINATOS DA HISTÓRIA
ALFREDO MERGULHÃO - O ESTADO DE S. PAULO

RIO - O Brasil se tornou o país campeão mundial de assassinatos, em números absolutos, com os 59.627 homicídios registrados em 2014, de acordo com o Atlas da Violência 2016, divulgado nesta terça-feira, 22, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). A quantidade de crimes registrados pela pesquisa representa 13% dos homicídios no mundo naquele ano.

Os dados captados pelos pesquisadores também revelaram que a maioria dos crimes foi cometida com armas de fogo, que a violência avançou para o interior e os principais afetados continuam sendo jovens e negros.

Entre 2004 e 2014, a maior diminuição da taxa foi observada na microrregião de São Paulo (-65%), ao passo que a microrregião de Senhor do Bonfim, na Bahia, teve aumento de 1.136,9%

A taxa obtida pelos pesquisadores é de 29,1 homicídios por 100 mil habitantes, em 2014, aumento de 10% na comparação com 2004.

Os pesquisadores classificaram os dados como uma “tragédia” que traz implicações na saúde, na dinâmica demográfica e, em consequência, no processo de desenvolvimento econômico e social. “Nós somos um país doente, com quase 60 mil homicídios em um ano, o que nos coloca em uma situação muito grave. Está na hora de fazer um pacto entre os governos federal, estadual, municipal e a sociedade civil para mitigar esse problema”, defendeu o economista Daniel Cerqueira, do Ipea.
Jovens. As principais vítimas da escalada da violência são os jovens brasileiros, sobretudo os do sexo masculino. Das mortes de homens na faixa etária de 15 a 29 anos, 46,4% são ocasionadas por homicídios. A situação fica ainda mais grave na análise dos assassinatos de homens com idade entre 15 e 19 anos: o indicador passa para 53%.

VEJA QUAIS SÃO AS 20 CIDADES MAIS VIOLENTAS DO PAÍS
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Rafael Arbex/Estadão

Segundo dados do Mapa da Violência 2015, estudo organizado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), é na Bahia que se concentra o maior número de homicídios do Brasil. Foi no Estado que aconteceram 10,4 mil dos 112 mil homicídios registrados na pesquisa, entre 2010 e 2012, e não é surpresa que seis municípios baianos apareçam entre os 20 mais violentos do País nesse período. Confira o ranking a seguir


20º Município: Conde (PB); População: 22.154; Taxa média de homicídios por 100 mil habitantes (2010/2011/2012): 73,7; Número absoluto de homicídios por arma de fogo: 459

19º Município: Marechal Deodoro (AL); População: 47.504; Taxa média de homicídios por 100 mil habitantes (2010/2011/2012): 75,8; Número absoluto de homicídios por arma de fogo: 108

18º Município: Santa Rita (PB); População: 121.994; Taxa média de homicídios por 100 mil habitantes (2010/2011/2012):    76,0; Número absoluto de homicídios por arma de fogo: 278

17º Município: Serra (ES); População: 422.569; Taxa média de homicídios por 100 mil habitantes (2010/2011/2012): 77,4; Número absoluto de homicídios por arma de fogo: 981

16º Município: São Miguel dos Campos (AL); População: 56.319; Taxa média de homicídios por 100 mil habitantes (2010/2011/2012): 78,7; Número absoluto de homicídios por arma de fogo: 133

15º Município: Buritis (RO); População: 33.397; Taxa média de homicídios por 100 mil habitantes (2010/2011/2012):    78,8; Número absoluto de homicídios por arma de fogo: 79

14º Município: Itaparica (BA); População: 20.994; Taxa média de homicídios por 100 mil habitantes (2010/2011/2012): 82,6; Número absoluto de homicídios por arma de fogo: 52

13º Município: Itabuna    (BA); População: 205.885; Taxa média de homicídios por 100 mil habitantes (2010/2011/2012): 84,0; Número absoluto de homicídios por arma de fogo: 519

12º Município: Rio Largo (AL); População: 68.952; Taxa média de homicídios por 100 mil habitantes (2010/2011/2012): 84,6; Número absoluto de homicídios por arma de fogo: 175

11º Município: Arapiraca (AL); População: 218.140; Taxa média de homicídios por 100 mil habitantes (2010/2011/2012): 84,7; Número absoluto de homicídios por arma de fogo: 554

10º Município: Cabedelo     (PB); População: 60.226; Taxa média de homicídios por 100 mil habitantes (2010/2011/2012): 86,9; Número absoluto de homicídios por arma de fogo: 157

9º Município: Guaíra (PR); População: 31.013; Taxa média de homicídios por 100 mil habitantes (2010/2011/2012):    88,1; Número absoluto de homicídios por arma de fogo: 82

8º Município: Maceió (AL); População: 953.393; Taxa média de homicídios por 100 mil habitantes (2010/2011/2012): 88,8; Número absoluto de homicídios por arma de fogo: 2541

7º Município: Lauro de Freitas (BA); População: 171.042; Taxa média de homicídios por 100 mil habitantes (2010/2011/2012): 91,4; Número absoluto de homicídios por arma de fogo: 469

6º Município: Campina Grande do Sul    (PR): População: 39.404; Taxa média de homicídios por 100 mil habitantes (2010/2011/2012): 92,2; Número absoluto de homicídios por arma de fogo: 109

5º Município: Porto Seguro    (BA); População: 131.642; Taxa média de homicídios por 100 mil habitantes (2010/2011/2012): 92,9; Número absoluto de homicídios por arma de fogo: 367

4º Município: Mata de São João    (BA); População: 41.527; Taxa média de homicídios por 100 mil habitantes (2010/2011/2012): 93,1; Número absoluto de homicídios por arma de fogo: 116

3º Município: Pilar (AL); População: 33.623; Taxa média de homicídios por 100 mil habitantes (2010/2011/2012): 95,2; Número absoluto de homicídios por arma de fogo: 96

2º Município: Ananindeua (PA); População: 483.821; Taxa média de homicídios por 100 mil habitantes (2010/2011/2012):    104,9; Número absoluto de homicídios por arma de fogo: 1522

1º Município: Simões Filho (BA); População: 121.416; Taxa média de homicídios por 100 mil habitantes (2010/2011/2012): 126,0; Número absoluto de homicídios por arma de fogo: 459

A mortalidade de jovens no Brasil é um fenômeno observado desde os anos 80 do século passado. No decorrer das décadas, a pesquisa constatou que as vítimas estão cada vez mais jovens. O pico de homicídios em 1980 era aos 25 anos. Em 2014, já estava nos 21 anos.

Além da juventude, outra característica dos homicídios é a prevalência de negros entre as vítimas. Em 2014, para cada não negro que sofreu homicídio, 2,4 indivíduos negros foram mortos. No período analisado, foi registrado crescimento de 18,2% na taxa de homicídio de negros e pardos, enquanto houve redução de 14,6% na de brancos, amarelos e indígenas.

Mulheres. O estudo também observou aumento da violência de gênero. Entre 2004 e 2014, a taxa de homicídio de mulheres por 100 mil habitantes aumentou 11,6%. Só no último ano analisado na pesquisa, foram 4.757 mulheres vítimas de mortes por agressão, ou 13 por dia.
Os três Estados com maiores taxas de letalidade contra as mulheres foram Roraima (9,5), Goiás (8,8) e Alagoas (7,3).

Também chamou a atenção dos pesquisadores a falta de dados confiáveis relativos à violência policial. Há uma discrepância entre os números do Ministério da Saúde com aqueles informados pelas Secretarias Estaduais de Segurança Pública. O estudo sustenta que é evidente a subnotificação dessas mortes, em geral violentas.

AS 50 CIDADES MAIS VIOLENTAS DO MUNDO


Jorge Silva/ Reuters - Caracas - Venezuela, quase 120 homicídios por 100.000 hbitantes

As 50 cidades mais violentas do mundo

A ONG mexicana Seguridad, Justicia Y Paz divulgou o ranking das 50 cidades mais violentas do mundo em 2015. Na lista, que só contabiliza municípios com pelo menos 100.000 habitantes, 21 são brasileiros, com destaque para algumas capitais do Nordeste, consideradas as cidades com maior índice de homicídios no País. Confira o levantamento! Homicídios por 100.000 habitantes.

Obregón — México —Homicídios - 90 / População - 318.184 / Taxa de Homicídios - 28,29

Maracaíbo — Venezuela — Homicídios - 477 / População - 1.653.211 / Taxa de Homicídios - 28,85

Macapá — Brasil — Homicídios - 138 / População - 456.171 / Taxa de Homicídios - 30,25

Johanesburgo — África do Sul — Homicídios - 1.344 / População - 4.434.827 / Taxa de Homicídios - 30,31

Victoria — México — Homicídios - 107 / População - 350.862 / Taxa de Homicídios - 30,50

Pereira — Colômbia — Homicídios - 153 / População - 469.612 / Taxa de Homicídios - 32,58

Curitiba — Brasil — Homicídios - 1.121 / População - 3.230.061 / Taxa de Homicídios - 34,71

Porto Alegre — Brasil — Homicídios - 1.479 / População - 4.258.926 / Taxa de Homicídios - 34,73

Nelson Mandela Bay — África do Sula — Homicídios - 413 / População - 1.152.115 / Taxa de Homicídios - 35,85

Durban — África do Sula — Homicídios - 1.237 / População - 3.442.361 / Taxa de Homicídios - 35,85

Campina Grande — Brasil — Homicídios - 146 / População - 405.072 / Taxa de Homicídios - 36,04
Campos dos Goytacazes — Brasil — Homicídios - 175 / População - 483.970 / Taxa de Homicídios - 36,16

Aracajú — Brasil — Homicídios - 349 / População - 925.744 / Taxa de Homicídios - 37,70

Recife — Brasil — Homicídios - 1.492 / População - 3.914.317 / Taxa de Homicídios - 38,12
Vitória da Conquista — Brasil — Homicídios - 132 / População - 343.230 / Taxa de Homicídios - 38,46

Tijuana — Máxico —Homicídios - 668 / População - 1.708.679 / Taxa de Homicídios - 39,09
Gran Barcelona — Venezuela — Homicídios - 334 / População - 833.328 / Taxa de Homicídios - 40,08

Kingston — Jamaica — Homicídios - 492 / População - 1.196.040 / Taxa de Homicídios - 41,14

New Orleans — Estados Unidos da América — Homicídios - 164 / População - 395.710 / Taxa de Homicídios - 41,44

Vitória — Brasil — Homicídios - 802 / População - 1.910.101 / Taxa de Homicídios - 41,99

Teresina — Brasil — Homicídios - 360 / População - 844.245 / Taxa de Homicídios - 42,64

Goiânia — Brasil — Homicídios - 847 / População - 1.952.607 / Taxa de Homicídios - 43,89

Detroit — Estados Unidos da América — Homicídios - 295 / População - 672.193 / Taxa de Homicídios - 43,89

Feira de Santana — Brasil — Homicídios - 281 / População - 617.528 / Taxa de Homicídios - 45,50

Belém — Brasil — Homicídios - 1.101 / População - 2.402.437 / Taxa de Homicídios - 45,83

Cidade da Guatemala — Guatemala — Homicídios - 1.528 / População - 3.239.185 / Taxa de Homicídios - 47,17

Cumaná — Venezuela — Homicídios - 199 / População - 416.587 / Taxa de Homicídios - 47,77

Manaus — Brasil — Homicídios - 985 / População - 2.057.711 / Taxa de Homicídios - 47,87

Cuiabá — Brasil — Homicídios - 412 / População - 849.083 / Taxa de Homicídios - 48,52

São Luís — Brasil — Homicídios - 802 / População - 1.511.678 / Taxa de Homicídios - 53,05

Barquisemeto — Venezuela — Homicídios - 719 / População - 1.308.163 / Taxa de Homicídios - 54,96

Baltimore — Estados Unidos da América — Homicídios - 343 / População - 623.911 / Taxa de Homicídios - 54,98

Maceió — Brasil — Homicídios - 564 / População - 1.013.773 / Taxa de Homicídios - 55,63
Culiacán — México — Homicídios - 518 / População - 923.546 / Taxa de Homicídios - 56,09

João Pessoa – Brasil — Homicídios - 643 / População - 1.100.956 / Taxa de Homicídios - 58,40

St. Louis — Estados Unidos da América — Homicídios - 188 / População - 317.416 / Taxa de Homicídios - 59,23

Salvador — Brasil — Homicídios - 1.996 / População - 3.291.830 / Taxa de Homicídios - 60,63

Natal — Brasil — Homicídios - 921 / População - 1.518.221 / Taxa de Homicídios - 60,66

Fortaleza — Brasil — Homicídios - 2.422 / População - 3.985.297 / Taxa de Homicídios - 60,77
Ciudad Guayana — Venezuela — Homicídios - 547 / População - 877.547 / Taxa de Homicídios - 62,33

Cali — Colômbia — Homicídios - 1.523 / População - 2.369.821 / Taxa de Homicídios - 64,27

Cidade do Cabo — África do Sul — Homicídios - 2.451 / População - 3.740.026 / Taxa de Homicídios - 65,53

Palmira — Colômbia — Homicídios - 216 / População - 304.735 / Taxa de Homicídios - 70,88

Valência — Venezuela — Homicídios - 1.125 / População - 1.555.739 / Taxa de Homicídios - 72,31

Distrito Central — Honduras — Homicídios - 882 / População - 1.199.802 / Taxa de Homicídios - 73,51

Maturin — Venezuela — Homicídios - 505 / População - 584.166 / Taxa de Homicídios - 86,45
Acapulco — México — Homicídios - 903 / População - 862.176 / Taxa de Homicídios - 104,73

San Salvador — El Salvador — Homicídios - 1.918 / População - 1.767.102 / Taxa de Homicídios - 108,54

San Pedro Sula — Honduras — Homicídios - 885 / População - 797.065 / Taxa de Homicídios - 111,03

Caracas — Venezuela — Homicídios - 3.946 / População - 3.291.830 / Taxa de Homicídios - 119,87

Crimes avançam no interior e diminuem nos grandes centros

A incidência de assassinatos avançou pelo interior do Brasil, em localidades menos populosas, enquanto houve redução nas áreas mais povoadas. A difusão de homicídios aconteceu sobretudo no Nordeste. Das 20 microrregiões mais violentas, 14 ficam em Estados nordestinos. A de São Luís (MA) encabeça a lista, com taxa de 84,9 homicídios por 100 mil habitantes.

Os maiores aumentos no indicador, de 2004 a 2014, também foram registrados no Nordeste. A microrregião de Senhor do Bonfim (BA) teve o crescimento mais expressivo, de 1.136,9% neste período. A de São Paulo está na outra ponta da estatística, com diminuição de 65% na taxa de homicídios. “A redução da taxa em grandes cidades vem a reboque do que aconteceu no Sudeste, que melhorou a investigação, fez experiências de polícia atuando com as comunidades e projetos que atingiram cidades mergulhadas na violência das regiões metropolitanas”, disse o economista Daniel Cerqueira, do Ipea. Em relação às cidades pequenas, a principal explicação está relacionada ao aumento de renda, que atraiu mercados ilícitos.

O avanço geográfico da violência está acompanhado da circulação de armas de fogo, responsáveis por 76,1% dos 59.627 homicídios no Brasil em 2014. Em 2003, quando foi sancionado o Estatuto do Desarmamento, o porcentual era de 77% dos 39.325 homicídios.

Os pesquisadores minimizam a redução no período. A pesquisa fez a projeção para um cenário no qual o Estatuto do Desarmamento não tivesse sido sancionado. O resultado mostra que haveria 41% homicídios a mais caso a lei não estivesse em vigor. O porcentual corresponde a 22.776 vidas poupadas.


O artigo original poderá ser visto por meio do link abaixo:


Que Deus tenha misericórdia da raça humana assassina.

Alexandros Meimaridis

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sábado, 25 de janeiro de 2014

O VATICANO E A PEDOFILIA



O material abaixo foi publicado pelo site do jornal “O Estado de São Paulo” e nos informa acerca da decisão tomada pela ONU de acusar formalmente o Vaticano de “ocultar” casos de abusos praticados contra crianças por seus sacerdotes e outros membros da estrutura administrativa da Igreja Católica Apostólica Romana.

Segue a notícia:

ONU ACUSA VATICANO DE 'SISTEMA DE OCULTAÇÃO' DE ABUSOS CONTRA CRIANÇAS

Sacerdote diz que crimes sexuais contra menores na Igreja 'não têm desculpas'

16 de janeiro de 2014

Jamil Chade - Correspondente - O Estado de S. Paulo

GENEBRA - A Organização das Nações Unidas (ONU) acusa o Vaticano de manter um "sistema de ocultação" de crimes sexuais contra crianças, de não colaborar com a Justiça e pede que a Santa Fé revele qual a dimensão dos casos envolvendo padres pelo mundo. Nesta quinta-feira, 16, o papado de Francisco enfrenta seu primeiro grande teste internacional, ao ser examinado pelo Comitê de Direitos da Criança das Nações Unidas sobre o que tem feito para proteger menores contra abusos sexuais.

Comitê de Direitos das Crianças examina ações do Vaticano - Jamil Chade/Estadão

O Vaticano admitiu a existência de abusos sexuais cometidos pelo clero contra crianças e alertou que os crimes "não podem ser ignorados por outras prioridades ou interesses". Mas os relatores querem mais transparência por parte do Vaticano. Sara Oviedo Fierro, relatora da ONU, foi uma das que lideraram o questionamento. Segundo ela, a Igreja mantém 200 mil escolas pelo mundo, com 50 milhões de alunos.
"O que tem sido implementado de fato? Quantas pessoas foram consideradas culpadas? Quantos padres foram entregues para a Justiça?", questionou.

Sara Fierro apontou que sanções adotadas pelo Vaticano são vistas como não sendo da mesma magnitude do crime e que o "interesse do clero parece ser mais importante do que o interesse da criança". "Existe um sistema de ocultação dos crimes", afirmou.

A relatora ainda acusa o Vaticano de não estar divulgando os números reais do problema. "Vocês estão dispostos a expor a dimensão do problema ao mundo? Vocês sabem o número de casos. Por que não difundir?"

Já Silvano Tomasi, núncio do Vaticano na ONU, nega que o Vaticano esteja escondendo dados. Segundo ele, desde 2006, a Santa Sé publica o número de casos de abusos sexuais que chegaram até a Igreja. "Em 2012, temos informação sobre 612 casos de abusos sexuais, dos quais 418 deles envolvem crianças", declarou. O Vaticano, porém, admite que não tem e não publica o número final de casos de pessoas que tenham sido punidas ou colocadas na prisão. "O processo não é público", declarou.
Entre 2006 e 2012, o Vaticano confirma que recebeu mais de 3 mil casos de abusos sexuais cometidos pelo clero. Mas não informa quantos foram punidos e nem se os responsáveis foram impedidos de praticar suas missões religiosas.

Para Kirsten Sandberg, presidente do Comitê da ONU, a falta de punição no Vaticano impera. "A maioria dos padres tem se beneficiado da impunidade", acusou. "As leis canônicas impõe o silêncio sobre as vítimas e existem inúmeros casos nos quais a Santa Sé se recusou a colaborar com a Justiça local", completou.
Ativista e vítima de abusos sexuais, Miguel Hurtado também contestou a avaliação do Vaticano: "Os dados estão escondidos. O Vaticano concentra todos esses dados. Publicá-los seria uma forma de prevenir novos casos."

Silvano Tomasi alegou que a Santa Sé tem modificado suas leis e, nos últimos meses, abriu um processo contra um funcionário por abusos sexuais contra crianças fora do território da Cidade do Vaticano. "Não há desculpas. Esses crimes não têm justificativa nas estruturas da Igreja", insistiu.

OMS. Usando dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o núncio do Vaticano indicou que 150 milhões de meninas pelo mundo são alvo de abusos sexuais em diferentes instâncias da sociedade, além de 73 milhões de garotos, numa tentativa de mostrar que o problema não é apenas da Igreja. Tomasi pediu que a ONU faça sugestões para "ajudar" na luta contra o problema e garantiu que novas medidas estão sendo tomadas.

"Os abusos são cometidos pelo clero e outros funcionários da Igreja. Isso é muito sério, porque estão em posição de confiança e devem proteger a criança", disse. "Essa relação é de confiança e por isso é crítica", acrescentou.

O Vaticano aderiu ao tratado que protege menores em 1990 e, em 1994, apresentou uma série de informações para a ONU. Mas passou a permanecer em silêncio até que, em 2012, voltou a dar satisfações para a entidade.

A ONU pediu agora que o Vaticano entregue detalhes de todos os casos conhecidos de abusos sexuais contra crianças. O número estimado seria de 4 mil. Mas a Santa Sé aponta que é responsável pela implementação do tratado de proteção a menores apenas dentro do seu território, a Cidade do Vaticano, onde vivem 31 crianças.

Casos relatados de abusos sexuais para a Santa Sé:

2006 - 362 casos

2007 - 365 casos

2008 - 224 casos (191 deles contra menores)

2009 - 223 casos

2010 - 643 casos

2011 - 599 casos (404 contra menores)

2012 - 612 casos (418 contra menores)

Total: 3.029

Fonte: Vaticano

A notícia original do site do jornal “O Estado de São Paulo” poderá ser vista por meio desse link aqui:


OUTROS ARTIGOS ACERCA DA IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA



































O conteúdo do artigo, por si só, já é mais do que bastante para ajudar todos os leitores a tirarem suas próprias conclusões. Nada mais precisa ser acrescentado.

Que Deus abençoe a todos, especialmente essas crianças abusadas.

Alexandros Meimaridis

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