Este estudo é parte de uma Análise do Livro do Gênesis. Nosso interesse é
ajudar todos os leitores a apreciarem a rica herança que temos nas páginas da
História Primeva da Humanidade. No final de cada estudo o leitor encontrará
direções para outras partes desse estudo.
O Livro do Gênesis
O Princípio de Todas as Coisas
בְּרֵאשִׁית בָּרָא אֱלֹהִים אֵת הַשָּׁמַיִם וְאֵת הָאָרֶץ
Eretz
ha ve-et Hashamaim et Elohim Bará Bereshit
Terra a
e céus os
Deus criou princípio No
Gênesis
1:1
CONTINUAÇÃO
XII —
Gênesis 11 — “Deram com uma Planície na Terra de Sinear”.
E.
Arqueologia: O Que Sabemos Acerca da Chamada Torre de Babel — CONTINUAÇÃO.
8. O Primeiro Estágio da Torre.
Bem no centro desse
complexo de edifícios encontrava-se a grande torre, composta de estágios ou
plataformas elevadas e que era chamada pelos babilônios de “Torre de Babel” ou
“Ziqqurat Bâbîli”. À medida que a torre se elevava a dimensão dos estágios
diminuía. Aparentemente os estágios eram quadrados em seu formato, apesar da
base da torre ser retangular. O primeiro estágio media 100 metros de
comprimento por 100 metros de largura e tinha a altura de 36 metros. Este
estágio estava decorado de acordo com as técnicas características da
arquitetura Assírio-Babilônica.
9. Os Estágios Seguintes.
O segundo estágio media
86 metros de comprimento por 86 metros de largura e tinha uma altura de cerca
de 20 metros. Do terceiro estágio até o quinto foi mantida uma mesma altura
fixada em 7 metros aproximadamente. As plataformas por sua vez tinham as
seguintes medidas:
O Terceiro estágio media
67 metros de comprimento por 67 metros de largura.
O Quarto estágio media
57 metros de comprimento por 57 metros de largura.
O Quinto estágio media
47 metros de comprimento por 47 metros de largura.
O Sexto estágio está omitido,
mas assume-se que tivesse aproximadamente 37 de comprimento por 37 metros de
largura.
10. A Capela no Topo da Torre.
NesSa plataforma
encontrava-se aquilo que foi chamado de sétimo estágio por Smith e que
consistia do “templo superior ou o santuário de deus Bel-Merodaque”. O templo media cerca de 27 metros de
comprimento, por 20 metros de largura e 17 metros de altura. Smith não menciona
nenhuma estátua, mas é de se supor que a mesma existisse entronizada na parte
mais alta do templo. Somando-se todas as alturas mencionadas nós podemos
concluir que a altura total da torre era de 100 metros, o que corresponde à
mesma medida do comprimento da sua base.
Por essa descrição que
acabamos de fazer é impossível dizer se a torre era uma construção bela aos
olhos. Mas certamente podemos deduzir que havia certos simbolismos em suas
medidas.
11. A Descrição Feita por Heródoto.
A descrição de Heródoto
concorda com a descrição feita pelos babilônios. Segundo o historiador grego a
estrutura externa do templo media 403 metros de cada lado e no centro desta
estrutura estava uma torre quadrada que media 102 metros de cada lado. Para
Heródoto a torre era composta de oito estágios, mas isto se deve ao fato de que
ele considerava a base e o templo no topo como dois estágios distintos dos
outros seis. De acordo com essa descrição o topo era alcançado mediante o
galgar de escadas que circundavam a torre. A linguagem não nos permite afirmar
categoricamente que existia uma escadaria em forma de espiral, mas esta
possibilidade existe. No meio do caminho o peregrino encontrava um conjunto de
assentos onde podia descansar e recobrar o fôlego.
No topo da última
plataforma havia uma construção onde se encontravam um grande divã bem
revestido — de acordo com George Smith esse divã media 5 metros de comprimento
por 2 metros de largura — e uma mesa de ouro. Não havia nenhuma imagem e nem
era permitido nenhum ser humano passar a noite ali. A única exceção era feita
para uma mulher local escolhida pelo próprio deus. De acordo com os sacerdotes
locais esta divindade costumava visitar o local pessoalmente com certa frequência
quando aproveitava e descansava no divã. Heródoto deixa claro que não
acreditava nestas tolices. Ele menciona duas outras situações similares a essa.
A primeira refere-se à cidade de Tebas no Egito e a outra à cidade de Pátara.
12. Os Construtores da Torre.
Nós já tivemos a
oportunidade de mencionar que a Bíblia não nos informa exatamente quem eram as
pessoas que compunham o grupo que chegou à planície de Sinear e que decidiu
construir a torre e sua cidade. Como os registros mais antigos que dispomos
acerca desta torre foram produzidos por indivíduos que falavam o idioma
sumério-acadiano, podemos apenas supor que os construtores tenham sido os
ancestrais destes povos. Por outro lado, fica bem evidente que eles não
acreditavam no que seus ancestrais lhes ensinaram acerca da fidelidade e
cuidados do Deus único e verdadeiro —
Deuteronômio 7:9
Saberás, pois, que o SENHOR, teu Deus, é
Deus, o Deus fiel, que guarda a aliança e a misericórdia até mil gerações aos
que o amam e cumprem os seus mandamentos.
13. As Tradições Referentes à Destruição da
Torre de Babel.
O texto bíblico do livro
do Gênesis não apresenta nenhuma informação específica acerca do exato motivo
porque a construção tanto da cidade quanto da torre foram paralisadas. Existe,
entretanto, uma antiga tradição judaica que diz que a torre foi rachada no
meio, do seu topo até seus alicerces, por um fogo enviado dos céus. Esta
opinião existe porque refere-se ao atual estado da torre de “Birs-Nimroud”
localizada em Borsippa e apontada por alguns como a verdadeira “Torre de
Babel”, mas como já vimos esta torre não se encontra no sítio arqueológico da
Babilônia da Antiguidade. Outra tradição fala acerca de um vento impetuoso que
teria derrubado a torre sobre aqueles que labutavam para edificá-la.
14. O Significado de “Babel”.
Existem
dois significados bastante distintos para o termo Babel. Um diz respeito ao
significado hebraico que encontramos na Bíblia e outro é o significado to termo
no idioma original. Assim temos:
1. Em
hebraico o termo בָּבֶל — Babel — tem sua
etimologia derivada da expressão “balal” que quer dizer “confundir ou
misturar”, daí o significado encontrado em Gênesis
11:9
onde lemos: “Chamou-se-lhe,
por isso, o nome de Babel, porque ali confundiu o SENHOR a linguagem de toda a
terra...”
2.
O significado na língua sumério-akadiana é, todavia, bastante diferente. A
expressão original naquele idioma era “bâb-îli” que significa “portão de deus
ou portão dos deuses”. Descobertas arqueológicas recentes indicam que,
eventualmente, o nome original da torre, antes da ação de Deus que causou a
paralisação das obras e a dispersão dos construtores, teria sido “Babalam” que
significava “lugar de ajuntamento”.
15.
A Destruição Definitiva da Torre e da Cidade de Babilônia.
De acordo com a narrativa bíblica é apenas natural que a
construção da torre e da cidade tivessem cessado quando a confusão de línguas
se estabeleceu. Com a partida dos construtores a paralisação da construção
tornou-se irreversível. Todavia, de acordo com alguns historiadores, o grupo
que permaneceu naquele lugar, reiniciou as obras tão logo a população voltou a
crescer. Esse esforço acabou por transformar a cidade da Babilônia na cidade
mais importante de todos os tempos. Babilônia se tornou uma cidade arquétipo —
modelo ou padrão — de tudo o que as cidades sempre representaram em termos da
rebeldia humana contra Deus, bem como em termos da arrogância humana em querer
povoar a terra em seus próprios termos em vez de fazê-lo nos termos de Deus.
Mesmo no último livro da Bíblia encontramos reflexos desta cidade arquétipo e
somos informados da sua queda final e definitiva — ver Apocalipse 18.
A História registra que Felipe da Macedônia, bem como seu
filho Alexandros, o grande, se dedicaram a limpar todo o entulho encontrado no
local da antiga cidade da Babilônia e se empenharam em reconstruir o grande
templo de Bel-Merodaque que era parte do enorme complexo onde se encontrava
também a “Torre de Babel”. A morte prematura de Alexandros e a incapacidade
mental de Felipe de administrar um império de tamanha magnitude acabaram por
paralisar as obras iniciadas na cidade de Babilônia.
De acordo com o Rabi Yehanan, citado pelo Talmude
Babilônico[1], a “Torre de
Babel” ficou sem ser reparada desde o evento narrado na Bíblia em Gênesis 11.
Em suas palavras “a torre era muito alta. Seu terço mais alto foi destruído e
precipitado para o solo, outro terço foi completamente queimado e o último
terço ainda estava em pé quando da destruição da cidade de Babilônia por Ciro[2].
Outros artigos acerca dO LIVRO DE GÊNESIS
001
— Introdução e Esboço
002
— Introdução ao Gênesis — Parte 2 — Teorias Acerca da Criação
003
— Introdução ao Gênesis — Parte 3 — A História Primeva e Sua Natureza
004
— Introdução ao Gênesis — Parte 4 — A Preparação para a Vida Na Terra
005
— Introdução ao Gênesis — Parte 5 — A Criação da Vida
006
— Introdução ao Gênesis — Parte 6 — O DEUS CRIADOR
007
— Introdução ao Gênesis — Parte 7 — OS NOMES DO DEUS CRIADOR, OS CÉUS E A TERRA
008 – Gênesis — A Criação de Deus - Parte 1
– A Criação de Deus Dia a Dia – O Primeiro Dia — Parte 1
009 – Gênesis — A Criação
de Deus - Parte 8A – A Criação de Deus Dia a Dia – O Primeiro Dia — Parte 2
010 — Estudo de Gênesis —
A Criação de Deus - Parte 9 – A Criação de Deus Dia a Dia – O Segundo e o
Terceiro Dia
011
— Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 10 — A Criação de Deus Dia a Dia — O Quarto
Dia
012 — Estudo de Gênesis —
A Criação de Deus — Parte 11 — A Criação de Deus Dia a Dia — O Quinto Dia
013 — Estudo de Gênesis —
A Criação de Deus — Parte 12 — A Criação de Deus Dia a Dia — O Sexto Dia —
Parte 1
013A — Estudo de Gênesis
— A Criação de Deus — Parte 12A — A Criação de Deus Dia a Dia — O Sexto Dia —
Parte 2
014
— Estudo de Gênesis
— A Criação de Deus — Parte 13 — Teorias Evolutivas
015 — Estudo de Gênesis —
Gênesis 2 — Parte 14 — GÊNESIS 2A
016 — Estudo de Gênesis —
Gênesis 2 — Parte 15 — GÊNESIS 2B
017 — Estudo de Gênesis —
Gênesis 3 — Parte 16 — GÊNESIS 3A
018 — Estudo de Gênesis —
Gênesis 3 — Parte 17 — GÊNESIS 3B
019 — Estudo de Gênesis —
Gênesis 3 — Parte 18 — GÊNESIS 3C
020 — Estudo de Gênesis —
Gênesis 3 — O Livre Arbítrio — Parte 19
021 — Estudo de Gênesis —
Gênesis 3 — O Dois Adãos — Parte 20
022 — Estudo de Gênesis —
Gênesis 4 — A Era Pré-Patriarcal e a Mulher de Caim — Parte 21
023 — Estudo de Gênesis —
Gênesis 4 — Caim, O Primeiro Construtor de Uma Cidade — Parte 22
024 — Estudo de Gênesis —
Gênesis 4 — Caim, Como Assassino e Fugitivo da Presença de Deus — Parte 23
025 — Estudo de Gênesis —
Gênesis 4 — Caim, Como Primeiro Construtor de uma Cidade e Pseudo-Salvador da
Humanidade — Parte 24
026 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — A Conclusão
Acerca de Caim — Parte 25
027 — Estudo de Gênesis — Gênesis 5 — Sete e
outros Patriarcas Antediluvianos — Parte 26
028 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — A
Perversidade Humana, Os Filhos de Deus e as Filhas dos Homens— Parte 27A
029 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — OS
Nefilim e os Guiborim — Os Gigantes e os Valentes — Parte 27B
030 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — A
Maldade do Coração Humano— Parte 27C.
031 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — A
Corrupção Humana Sobre a Face da Terra e Deus Pode se Arrepender? — Parte 27D.
032 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — Noé e
a arca que ele construiu orientado por Deus — Parte 28A.
033 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — Noé e
a arca que ele construiu orientado por Deus — Parte 28B.
034 — Estudo de Gênesis — Gênesis 7 — Noé e
a arca que ele construiu orientado por Deus — Parte 29 — O Dilúvio Foi Global
Ou Local?
035 — Estudo de Gênesis — Gênesis 8 — A
promessa que Deus Fez a Noé e seus descendentes — Parte 30 — Nunca Mais
Destruirei a Terra Pela Água
036 — Estudo de Gênesis — O Valor Perene do Dilúvio para todas as
Gerações — PARTE 001
037 — Estudo de Gênesis — O Valor Perene do
Dilúvio para todas as Gerações — PARTE 002
038 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus
com Noé — PARTE 001
039 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus
com Noé — PARTE 002
040 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus
com Noé — PARTE 003
041 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus
com Noé — PARTE 004 — A NATUREZA DA ALIANÇA ENTRE DEUS E NOÉ
042 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus
com Noé — PARTE 005 — OS FILHOS DE NOÉ — PARTE 001
043 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus
com Noé — PARTE 006 — OS FILHOS DE NOÉ — PARTE 002 — OS NEGROS SÃO
AMALDIÇOADOS?
044 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus
com Noé — PARTE 007 — OS FILHOS DE NOÉ — PARTE 003 — A CONTRIBUIÇÃO DOS FILHOS
DE NOÉ PARA A HUMANIDADE
045 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES
— PARTE 001 — OS DESCENDENTES DE JAFÉ
046 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES
— PARTE 002 — OS DESCENDENTES DE CAM: NEGROS, AMARELOS E VERMELHOS
047 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES
— PARTE 003 — OS DESCENDENTES DE SEM E A ORIGEM DOS HEBREUS
048 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES
— PARTE 004 — A TÁBUA DAS NAÇÕES É UM DOCUMENTO ÚNICO NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE
049 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 001
050 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 002
051 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 003
052 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 004
053 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 005
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/08/genesis-estudo-053-torre-de-babel-parte.html
054 — Estudo de Gênesis — A
GENEALOGIA DOS SEMITAS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/11/genesis-estudo-054-genealogia-dos.html
Que
Deus abençoe a todos.
Alexandros
Meimaridis
PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem
que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:
Desde já agradecemos a todos.
Os comentários não
representam a opinião do Blog O Grande Diálogo; a responsabilidade é do autor
da mensagem, sujeito à legislação brasileira.
[1] Talmud — Consiste de vastas anotações e comentários feitos ao
Mishná. Os estudiosos que produziram esses materiais são chamados de “amoraim”.
Existem duas tradições: 1) A primeira produziu o que ficou conhecido como o
Talmude Palestino — Talmud Yerushalami — por volta do ano 400 d. C.; 2) A
segunda produziu o massivo Talmude Babilônico — Talmud Bavli — por volta do ano
500 d. C. As tradições são completamente independentes e por ter demorado mais
para ser escrito e por ser bem mais extenso, o Talmude Babilônico é mais
estimado que o Talmude Palestino.
[2] Ciro – Nascido entre os anos de 590 — 580 a. C na Média ou Pérsis —
atual Irã — faleceu no ano de 529 a. C. e ficou conhecido pelo epíteto de “o
grande”. Foi um grande conquistador e o fundador do Império Acaemeniano,
centrado na Pérsia e que se estendia desde o Mar Egeu até o rio Indu. Suas
glórias foram cantadas pelo soldado e poeta grego Xenofontes em sua obra
“Ciropaedia”. Nessa obra Ciro é descrito como sendo o monarca ideal. Os persas
o consideravam o “pai do seu povo”. Na história bíblica, Ciro aparece como o
libertador dos judeus do cativeiro babilônico.
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