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sábado, 27 de junho de 2015

EVANGÉLICOS?


malafaia-martin.jpgSilas Malafaia e Martin Luther King: duas faces da mesma moeda?

O artigo abaixo foi publicado pelo site da revista Carta Capital e é de autoria do Jornalista Ricardo Alexandre.

Afinal, quem são “os evangélicos”?

por Ricardo Alexandre

Homofóbicos, cortejados pela presidente, fundamentalistas. Massa de manobra de Silas Malafaia, conservadores, determinantes no segundo turno das eleições. De tanto que se falou sobre os evangélicos nas últimas semanas, nos jornais e nas redes sociais, talvez caiba uma pergunta: afinal, quem são “os evangélicos”?

A resposta mais honesta não poderia ser mais frustrante: os evangélicos são qualquer pessoa, todo mundo, ou, mais especificamente, ninguém. São uma abstração, uma caricatura pintada a partir do que vemos zapeando pelos canais abertos misturado ao que lemos de bizarro nos tabloides da internet com o que nosso preconceito manda reforçar. Dizer que “o voto dos evangélicos decidirá a eleição” é tão estúpido quanto dizer a obviedade de que 22,2% dos brasileiros decidirão a eleição. Dizer que “os evangélicos são preconceituosos”, significa dizer que o ser humano é preconceituoso. É não dizer nada, na verdade.

Acreditar que há uma hegemonia de pensamento, de comportamento ou de doutrina evangélica é, em parte, exatamente acreditar no que Silas Malafaia gosta de repetir, mas é, em parte, desconhecer a história. A diversidade de pensamento é a razão de existir da reforma protestante. E continuou sendo pelos séculos seguintes, quando as igrejas reformadas do século 16 deram origem ao movimento evangélico, aos pentecostais, e estes aos neopentecostais, todos microdivididos até o limite do possível, graças, novamente, à diversidade de pensamento – sobre forma de governo, vocação e pequenos e grandes pontos doutrinários. E boa parte dessas denominações não tem sequer organização central nem “presidência”, muito menos representantes possíveis, com as decisões sendo tomadas nas comunidades locais, por votação democrática.

Assim como não existe “os evangélicos” também não existe “os pentecostais”, nem “os assembleianos”: dizer que Malafaia é o “papa da Marina Silva” como disse Leonardo Boff, apenas porque ambos são membros da Assembléia de Deus, é ignorar que, por trás dos 12,3 milhões de membros detectados pelo IBGE, a denominação é rachada entre ministérios Belém, Madureira, Santos, Bom Retiro, Ipiranga, Perus e diversos outros, cada um com seu líder, sua politicagem e sua aplicação doutrinária. A Assembléia de Deus Vitória em Cristo de Malafaia, aliás, sequer pertence à Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil.

Ignorância parecida se manifesta em relação ao uso do termo “fundamentalista”, como sinônimo de “literalista”, aquele incapaz de metaforizar as verdades morais dos livros da Bíblia. A teologia cristã debate há dois mil anos sobre a observação, interpretação e aplicação dos escritos sagrados, quais são alegóricos e quais são históricos, quais são “poesias” e quais devem ser tomados ao pé da letra. O deputado Jean Wyllys, colunista da Carta Capital, do alto de alguma autoridade teológica presumida, já chegou à sua conclusão: o que não for leitura liberal, é fundamentalista e, portanto, uma ameaça às minorias oprimidas. (Liberalismo teológico é uma corrente do final do século 19 que propôs uma leitura crítica das escrituras, completamente alegorizada, negando sua autoridade sobrenatural, a existência dos milagres, e separando história e teologia).

Só que isso simplesmente não é verdade. Dentro da multifacetação das igrejas de tradição evangélicas, há as chamadas “inclusivas”, mas há diversas igrejas históricas, tradicionais, teologicamente ortodoxas, que acreditam nos absolutos da “sola scriptura” da Reforma Protestante, mas que têm política acolhedora e amorosa com as minorias. Algumas criaram pastorais para tratar da questão homossexual, outras trabalham para integrá-los em seus quadros leigos; ou, ainda, como disse o pastor batista Ed René Kivitz, estão mais dispostos a aprender como tratar “uma pessoa que está diante de mim dizendo ter sido rejeitado pela família, pela igreja” do que discutir a literalidade dos textos do Velho Testamento.

O panorama da questão pode ser melhor entendido em entre a cruz e o arco-íris: A complexa relação dos cristãos com a Homoafetividade (de Marília de Camargo César, da Editora Autêntica), livro que tive a honra de editar. Nele, o pastor batista e sociólogo americano Tony Campolo, ex-conselheiro do presidente Bill Clinton, diz: “Se você vai dizer à comunidade homossexual que em nome de Jesus você a ama (...) não teria que lutar por políticas públicas que demonstrem que você as ama? Pode haver amor sem justiça? Eu luto pela justiça em favor de gays e lésbicas, porque em nome de Jesus Cristo eu os amo.” Campolo, entretanto, faz distinção entre direitos e casamento: “O governo não deve se envolver nem declarar, de forma alguma, o que é casamento, quem pode ou não se casar”, ele disse. “Governo existe para garantir os direitos das pessoas. Casamento é um sacramento da igreja – governos não devem decidir quem deve ou não receber esse sacramento.” Campolo acredita que esta será a visão dominante entre cristãos americanos “em cinco ou seis anos”.

Entre os evangélicos brasileiros, há quem pense desde já como Campolo – distinguindo união civil de casamento. Há quem pense de forma ainda mais radical: que a união civil, com implicações patrimoniais e status de família, deveria valer não apenas para casais homossexuais, mas para irmãos, primos ou quem quer que se entenda como família. Há quem defenda o acolhimento dos gays nas igrejas, mas que se reserve o celibato para eles. Quem, embora sabendo que mais da metade das famílias brasileiras já não são no formato pai-mãe-filhos, ainda luta para restabelecer esse padrão idealizado. Há, sim, quem acredite que o seu conjunto de doutrinas e o seu modo de vida são fundamentais. Há aqueles ainda que, enquanto discutimos aqui, estão mais preocupados se a melhor tradução do grego é a João Ferreira de Almeida ou a Nova Versão Internacional. E há quem acorde diariamente acreditando ser o porta-voz do “povo de Deus”, pague espaço em redes de televisão para multiplicar esse delírio (mas, a julgar pelo 1% de intenção de voto do Pastor Everaldo, somente ativistas gays e jornalistas desmotivados acreditam nesse discurso). Esses são “os evangélicos”.

Na fatídica sexta-feira em que o PSB divulgou seu programa de governo, enquanto Malafaia gritava no Twitter em CAPSLOCK furibundo, o pastor presbiteriano Marcos Botelho, postou: “Marina, que bom que você recebeu os líderes do movimento LGBTs, receba as reivindicações com a tua coerência e discernimento de sempre e um compromisso com o estado laico que é sua bandeira. Vamos colocar uma pedra em cima dessa polarização ridícula entre gays e evangélicos que só da IBOPE para líderes políticos e pastores oportunistas.”

Botelho não representa “os evangélicos” porque não existe “os evangélicos”. Mas Marcos Botelho existe e é evangélico. Assim como existe William Lane Craig, o filósofo que convida periodicamente Richard Dawkins para um debate público, do qual este sempre se esquiva; existe o geneticista Francis Collins vencendo o William Award da Sociedade Americana de Genética Humana; existe o presidente Jimmy Carter, dando aula na escola bíblica no domingo e sendo entrevistado para a capa da Rolling Stone por Hunter Thompson na segunda-feira; existe o pastor congregacional inglês John Harvard tirando dinheiro do próprio bolso para fundar uma universidade “para a glória de Deus” nos Estados Unidos que leva seu sobrenome até hoje; existe o pastor batista Martin Luther King Jr., como o maior ativista de todos os tempos; existe o jovem paulista Marco Gomes, o “melhor profissional de marketing do mundo”, pedindo licença para “falar uma coisa sobre os evangélicos”. E existe o Feliciano, o Edir Macedo, a Aline Barros, o Thalles Roberto, o Silas Malafaia e o mercado gospel. Como existe bancada evangélica, mas existem os que lutaram pela “separação entre igreja e estado” na constituição, e existem os que acreditam que levar Jesus Cristo para a política é trabalhar não para si, mas para os menos favorecidos.

Existe o amor e existe a justiça, como existe o preconceito, o dogmatismo, o engano, o medo, a vaidade e a corrupção. Não porque somos evangélicos, mas porque somos humanos.

Ricardo Alexandre é jornalista e escritor, radialista e blogueiro, Prêmio Jabuti 2010, ex-diretor de redação das revistas Bizz, Época São Paulo e Trip. E é membro da Igreja Batista Água Viva em Vinhedo, interior de São Paulo.

O artigo original poderá ser visto por meio do link abaixo:


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

PARA ENTENDER O PERIGO QUE A ARÁBIA SAUDITA REPRESENTA PARA O MUNDO


Abdullah

O final: Abdullah nada mudou de verdade em mais de nove anos de reinado e adulação da mídia ocidental — Hassan Ammar/AFP


O artigo abaixo foi publicado pelo site da Revista Carta Capital e é da autoria de Antonio Luiz M. C. Costa

Nem a morte os separa

Os EUA renovam uma aliança de 70 anos com o fundamentalismo mais reacionário do Oriente Médio

por Antonio Luiz M. C. Costa 

Não se poderia culpar o proverbial marciano se ele apontasse a Arábia Saudita como a superpotência dominante do nosso planeta. Barack Obama não julgou a manifestação contra o atentado ao Charlie Hebdo, da qual participaram todos os principais líderes europeus, importante o suficiente para enviar sequer um funcionário de segundo escalão. François Hollande teve de satisfazer-se com a solidariedade da embaixadora. Mas, ante a morte do rei Abdullah e a entronização de seu irmão Salman, encurtou uma supostamente histórica viagem à Índia para prestar homenagem ao novo soberano saudita, acompanhado por uma comitiva na qual se incluíam o secretário de Estado, o diretor da CIA, o chefe do Comando Central do Pentágono e algumas das principais lideranças democratas e republicanas do Congresso.

Ao mesmo tempo, a Casa Branca e os principais órgãos da mídia dos Estados Unidos não poupam esforços para apresentar o finado autocrata como um líder visionário, um grande reformista, um modernizador moderado e esclarecido e um pacifista. Piada de péssimo gosto. Em quase dez anos de reinado, quase nada mudou em suas instituições absolutistas e fundamentalistas.  Organizações civis são proibidas, salvo para fins de caridade. Eleições (salvo municipais), partidos, Parlamento e oposição continuam a ser tabus. Não há código de leis, pessoas são rotineiramente decapitadas, mutiladas e torturadas conforme os caprichos de juízes religiosos e um blogueiro acaba de ser condenado a mil chibatadas e dez anos de prisão por pedir liberdade de expressão. Mulheres não podem dirigir nem sair de casa ou fazer compras sem autorização de seu guardião (pai, irmão ou marido). O nepotismo não é abuso, é norma: os cargos são preferencialmente reservados aos 7 mil príncipes da família real.

Sobre o suposto pacifismo, bastaria lembrar a pressão saudita por um ataque estadunidense ao Irã, a repressão violenta aos protestos da minoria xiita, a intervenção em Bahrein e o apoio ao brutal golpe militar do Egito. Mas há muito mais: não só a ideologia da Al-Qaeda e do Estado Islâmico é o mesmo wahabismo ou neossalafismo que é a doutrina oficial do Estado saudita desde suas origens no século XVIII, como ambas as organizações terroristas foram apoiadas, financiadas e armadas pela Arábia Saudita para combaterem os regimes xiitas de Damasco e Bagdá, simpáticos ao Irã. Muito do dinheiro veio de doadores privados, mas a monarquia certamente conhece seus nomes e não quer ou não ousa intervir. Era assim antes dos atentados de 11 de setembro (cujos organizadores e executores, assim como Osama bin Laden, eram na maioria sauditas) e continuou a acontecer depois.

Segundo Laure Mandeville, do jornal francês Le Figaro, a inteligência dos EUA está cada vez mais preocupada com o papel da Arábia Saudita na propagação do jihadismo salafista e com a crescente adesão de seus militares às suas vertentes mais extremas. Em 2014, a monarquia saudita pôs o Estado Islâmico na lista de organizações terroristas, começou a participar das operações de bombardeio do Estado Islâmico lideradas pelo Pentágono e a construir uma cerca de 700 quilômetros em sua fronteira norte, para evitar a infiltração de militantes. Entretanto, isso não a protege do recrutamento de simpatizantes do califa em suas próprias fileiras: em 5 de janeiro, o general Oudah al-Belawi, enviado à fronteira norte para avaliar a lealdade de unidades duvidosas, foi assassinado por um ataque suicida do Estado Islâmico, certamente informado de sua presença por informantes dentro do próprio Exército.

A família real também convocou seus clérigos a deslegitimar o Estado Islâmico, mas essa é uma tarefa ingrata, pois não há diferença entre suas próprias doutrinas e as do autoproclamado califa Ibrahim Al-Baghdadi. Apenas este é mais intransigente ao aplicá-las sem “mas” ou “poréns”, sem fazer concessões às elites nem acordos com o Ocidente.

A Arábia Saudita é igualmente um foco de doutrinas fundamentalistas e terrorismo. Acontece ser também dona das maiores e mais lucrativas reservas de petróleo do mundo e do quarto maior orçamento militar, atrás apenas de EUA, China e Rússia e à frente de potências tradicionais como França e Reino Unido. É o maior importador de armas ocidentais e, além disso, segundo fontes da inteligência ouvidas pela BBC, tem um acordo secreto com o Paquistão para obter armas nucleares em troca de petróleo e financiamento.

A aliança com os EUA de fevereiro de 1945, quando Franklin Roosevelt recebeu o rei Abdulaziz ibn Saud (pai de todos os sucessores: Saud em 1953, Faisal em 1964, Khalid em 1975, Fahd em 1982, Abdullah em 2005 e Salman em 2015) a bordo de um cruzador no Canal de Suez e ofereceu-lhe proteção e assistência militar em troca de garantia de acesso às suas reservas de petróleo, uma base militar em Dhahran e a não oposição do reino à imigração judaica na Palestina e eventual fundação de Israel. Desde então, apesar das tensões causadas pelas guerras árabes-israelenses e dos choques do petróleo, os termos do acordo foram mantidos. A família Saud precisou cada vez mais desse pacto para resistir aos desafios internos e externos e os EUA para controlar o fornecimento de petróleo ao Ocidente e combater o avanço do socialismo e do nacionalismo no Oriente Médio.

Mesmo quando isso implicou colaborar com o Ocidente contra outros muçulmanos, os sauditas foram um aliado confiável contra os soviéticos, o nasserismo, o Irã, os movimentos democráticos árabes e a Irmandade Muçulmana, uma vertente rival e menos reacionária do fundamentalismo que na Primavera Árabe, com apoio do Catar e sua Al-Jazeera, ameaçou mudar o mapa político do Oriente Médio e aliar o Egito ao Irã e ao Hamas. Neste momento seus interesses voltam a convergir no Iêmen, onde um governo amigável para com os EUA e os sauditas acaba de ser derrubado por rebeldes xiitas simpáticos ao Irã. Mas essa Realpolitik, inconsistente com o wahabismo, sempre foi vista com desconfiança por parte dos súditos.

Desde 1945, clérigos ultraconservadores protestam contra a presença dos infiéis na base de Dhahran. A aliança explícita com Washington e a presença massiva de tropas do Pentágono em terras sauditas na Guerra do Golfo de 1990 levou essa insatisfação a outro patamar. Foi nessa ocasião que Bin Laden rompeu com a monarquia, elegeu os EUA como seu principal inimigo e recebeu apoio moral e financeiro de parte da elite saudita. Essa presença militar foi um dos motivos alegados pela Al-Qaeda para os atentados de 11 de setembro, que na época, segundo o serviço de inteligência saudita, tiveram o apoio de 95% dos sauditas de 25 a 41 anos.

A reação à Primavera Árabe gerou uma aliança informal com Israel, que foi certamente mal recebida pelos mesmos setores. Em 2011, a Alemanha consultou Israel sobre a venda de 200 tanques aos sauditas e Benjamin Netanyahu a aprovou sem restrições: esmagar as revoltas árabes é prioritário. Desde então, o Mossad e a inteligência saudita mantêm reuniões regulares e, apesar das críticas oficiais à política de Israel na Palestina, nos bastidores os sauditas felicitam Israel pelos bombardeios em Gaza contra o Hamas.

Em combinação com a imagem de desperdício, corrupção e nepotismo da família real e as restrições financeiras decorrentes da própria política saudita de derrubar os preços do petróleo para tomar mercado de concorrentes, a acusação de traição à causa muçulmana é explosiva, pois pode legitimar um levante. Pela segurança aparente proporcionada pela aliança com os EUA, a monarquia se dispensou de modernizar suas instituições arcaicas e Washington, satisfeita com sua fidelidade, jamais a pressionou com seriedade nessa direção. Como a população é mantida em passividade forçada e faltam meios de medir, expressar e negociar a insatisfação, esta pode explodir de forma radical quando menos se espere, talvez nos próprios meios militares. Assim como no Paquistão, onde os militares apoiam discretamente o Taleban afegão e Bin Laden abrigou-se por anos às portas da Academia Militar, parte das Forças Armadas pode estar comprometida com a Al-Qaeda ou o Estado Islâmico.

Enquanto isso, o rei Salman, sofre, aos 79 anos, das sequelas de um AVC e do mal de Alzheimer, e seu irmão e herdeiro, Muqrin, de 69 anos, é visto como um continuador de Abdullah. O sobrinho Mohammed bin Nayef, 55 anos, o seguinte na linha de sucessão, será o primeiro da geração de netos de Ibn Saud a subir ao trono. É tido como menos corrupto e mais competente que os irmãos, mas agressivo e implacável, responsável pela execução ou prisão de centenas de opositores não violentos. Educado nos EUA, sobreviveu a um atentado da Al-Qaeda em 2009 e sua nomeação como ministro do Interior, em 2012, foi lamentada por defensores de direitos humanos. Ele é responsável pela política saudita na Síria e no Iraque desde fevereiro de 2014 e logo depois reuniu-se no Marrocos com seus pares de outros países árabes para organizar um esforço conjunto para erradicar a Irmandade Muçulmana. Quer deter as mudanças do mundo à sua volta, não se adaptar a elas. Em outras palavras, a sucessão traz mais do mesmo e nenhum vislumbre de como desarmar a bomba-relógio na qual esse país se tornou.

O artigo original do site da Carta Capital poderá ser visto por meio desse link aqui:


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Alexandros Meimaridis

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