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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

PARA ENTENDER O PERIGO QUE A ARÁBIA SAUDITA REPRESENTA PARA O MUNDO


Abdullah

O final: Abdullah nada mudou de verdade em mais de nove anos de reinado e adulação da mídia ocidental — Hassan Ammar/AFP


O artigo abaixo foi publicado pelo site da Revista Carta Capital e é da autoria de Antonio Luiz M. C. Costa

Nem a morte os separa

Os EUA renovam uma aliança de 70 anos com o fundamentalismo mais reacionário do Oriente Médio

por Antonio Luiz M. C. Costa 

Não se poderia culpar o proverbial marciano se ele apontasse a Arábia Saudita como a superpotência dominante do nosso planeta. Barack Obama não julgou a manifestação contra o atentado ao Charlie Hebdo, da qual participaram todos os principais líderes europeus, importante o suficiente para enviar sequer um funcionário de segundo escalão. François Hollande teve de satisfazer-se com a solidariedade da embaixadora. Mas, ante a morte do rei Abdullah e a entronização de seu irmão Salman, encurtou uma supostamente histórica viagem à Índia para prestar homenagem ao novo soberano saudita, acompanhado por uma comitiva na qual se incluíam o secretário de Estado, o diretor da CIA, o chefe do Comando Central do Pentágono e algumas das principais lideranças democratas e republicanas do Congresso.

Ao mesmo tempo, a Casa Branca e os principais órgãos da mídia dos Estados Unidos não poupam esforços para apresentar o finado autocrata como um líder visionário, um grande reformista, um modernizador moderado e esclarecido e um pacifista. Piada de péssimo gosto. Em quase dez anos de reinado, quase nada mudou em suas instituições absolutistas e fundamentalistas.  Organizações civis são proibidas, salvo para fins de caridade. Eleições (salvo municipais), partidos, Parlamento e oposição continuam a ser tabus. Não há código de leis, pessoas são rotineiramente decapitadas, mutiladas e torturadas conforme os caprichos de juízes religiosos e um blogueiro acaba de ser condenado a mil chibatadas e dez anos de prisão por pedir liberdade de expressão. Mulheres não podem dirigir nem sair de casa ou fazer compras sem autorização de seu guardião (pai, irmão ou marido). O nepotismo não é abuso, é norma: os cargos são preferencialmente reservados aos 7 mil príncipes da família real.

Sobre o suposto pacifismo, bastaria lembrar a pressão saudita por um ataque estadunidense ao Irã, a repressão violenta aos protestos da minoria xiita, a intervenção em Bahrein e o apoio ao brutal golpe militar do Egito. Mas há muito mais: não só a ideologia da Al-Qaeda e do Estado Islâmico é o mesmo wahabismo ou neossalafismo que é a doutrina oficial do Estado saudita desde suas origens no século XVIII, como ambas as organizações terroristas foram apoiadas, financiadas e armadas pela Arábia Saudita para combaterem os regimes xiitas de Damasco e Bagdá, simpáticos ao Irã. Muito do dinheiro veio de doadores privados, mas a monarquia certamente conhece seus nomes e não quer ou não ousa intervir. Era assim antes dos atentados de 11 de setembro (cujos organizadores e executores, assim como Osama bin Laden, eram na maioria sauditas) e continuou a acontecer depois.

Segundo Laure Mandeville, do jornal francês Le Figaro, a inteligência dos EUA está cada vez mais preocupada com o papel da Arábia Saudita na propagação do jihadismo salafista e com a crescente adesão de seus militares às suas vertentes mais extremas. Em 2014, a monarquia saudita pôs o Estado Islâmico na lista de organizações terroristas, começou a participar das operações de bombardeio do Estado Islâmico lideradas pelo Pentágono e a construir uma cerca de 700 quilômetros em sua fronteira norte, para evitar a infiltração de militantes. Entretanto, isso não a protege do recrutamento de simpatizantes do califa em suas próprias fileiras: em 5 de janeiro, o general Oudah al-Belawi, enviado à fronteira norte para avaliar a lealdade de unidades duvidosas, foi assassinado por um ataque suicida do Estado Islâmico, certamente informado de sua presença por informantes dentro do próprio Exército.

A família real também convocou seus clérigos a deslegitimar o Estado Islâmico, mas essa é uma tarefa ingrata, pois não há diferença entre suas próprias doutrinas e as do autoproclamado califa Ibrahim Al-Baghdadi. Apenas este é mais intransigente ao aplicá-las sem “mas” ou “poréns”, sem fazer concessões às elites nem acordos com o Ocidente.

A Arábia Saudita é igualmente um foco de doutrinas fundamentalistas e terrorismo. Acontece ser também dona das maiores e mais lucrativas reservas de petróleo do mundo e do quarto maior orçamento militar, atrás apenas de EUA, China e Rússia e à frente de potências tradicionais como França e Reino Unido. É o maior importador de armas ocidentais e, além disso, segundo fontes da inteligência ouvidas pela BBC, tem um acordo secreto com o Paquistão para obter armas nucleares em troca de petróleo e financiamento.

A aliança com os EUA de fevereiro de 1945, quando Franklin Roosevelt recebeu o rei Abdulaziz ibn Saud (pai de todos os sucessores: Saud em 1953, Faisal em 1964, Khalid em 1975, Fahd em 1982, Abdullah em 2005 e Salman em 2015) a bordo de um cruzador no Canal de Suez e ofereceu-lhe proteção e assistência militar em troca de garantia de acesso às suas reservas de petróleo, uma base militar em Dhahran e a não oposição do reino à imigração judaica na Palestina e eventual fundação de Israel. Desde então, apesar das tensões causadas pelas guerras árabes-israelenses e dos choques do petróleo, os termos do acordo foram mantidos. A família Saud precisou cada vez mais desse pacto para resistir aos desafios internos e externos e os EUA para controlar o fornecimento de petróleo ao Ocidente e combater o avanço do socialismo e do nacionalismo no Oriente Médio.

Mesmo quando isso implicou colaborar com o Ocidente contra outros muçulmanos, os sauditas foram um aliado confiável contra os soviéticos, o nasserismo, o Irã, os movimentos democráticos árabes e a Irmandade Muçulmana, uma vertente rival e menos reacionária do fundamentalismo que na Primavera Árabe, com apoio do Catar e sua Al-Jazeera, ameaçou mudar o mapa político do Oriente Médio e aliar o Egito ao Irã e ao Hamas. Neste momento seus interesses voltam a convergir no Iêmen, onde um governo amigável para com os EUA e os sauditas acaba de ser derrubado por rebeldes xiitas simpáticos ao Irã. Mas essa Realpolitik, inconsistente com o wahabismo, sempre foi vista com desconfiança por parte dos súditos.

Desde 1945, clérigos ultraconservadores protestam contra a presença dos infiéis na base de Dhahran. A aliança explícita com Washington e a presença massiva de tropas do Pentágono em terras sauditas na Guerra do Golfo de 1990 levou essa insatisfação a outro patamar. Foi nessa ocasião que Bin Laden rompeu com a monarquia, elegeu os EUA como seu principal inimigo e recebeu apoio moral e financeiro de parte da elite saudita. Essa presença militar foi um dos motivos alegados pela Al-Qaeda para os atentados de 11 de setembro, que na época, segundo o serviço de inteligência saudita, tiveram o apoio de 95% dos sauditas de 25 a 41 anos.

A reação à Primavera Árabe gerou uma aliança informal com Israel, que foi certamente mal recebida pelos mesmos setores. Em 2011, a Alemanha consultou Israel sobre a venda de 200 tanques aos sauditas e Benjamin Netanyahu a aprovou sem restrições: esmagar as revoltas árabes é prioritário. Desde então, o Mossad e a inteligência saudita mantêm reuniões regulares e, apesar das críticas oficiais à política de Israel na Palestina, nos bastidores os sauditas felicitam Israel pelos bombardeios em Gaza contra o Hamas.

Em combinação com a imagem de desperdício, corrupção e nepotismo da família real e as restrições financeiras decorrentes da própria política saudita de derrubar os preços do petróleo para tomar mercado de concorrentes, a acusação de traição à causa muçulmana é explosiva, pois pode legitimar um levante. Pela segurança aparente proporcionada pela aliança com os EUA, a monarquia se dispensou de modernizar suas instituições arcaicas e Washington, satisfeita com sua fidelidade, jamais a pressionou com seriedade nessa direção. Como a população é mantida em passividade forçada e faltam meios de medir, expressar e negociar a insatisfação, esta pode explodir de forma radical quando menos se espere, talvez nos próprios meios militares. Assim como no Paquistão, onde os militares apoiam discretamente o Taleban afegão e Bin Laden abrigou-se por anos às portas da Academia Militar, parte das Forças Armadas pode estar comprometida com a Al-Qaeda ou o Estado Islâmico.

Enquanto isso, o rei Salman, sofre, aos 79 anos, das sequelas de um AVC e do mal de Alzheimer, e seu irmão e herdeiro, Muqrin, de 69 anos, é visto como um continuador de Abdullah. O sobrinho Mohammed bin Nayef, 55 anos, o seguinte na linha de sucessão, será o primeiro da geração de netos de Ibn Saud a subir ao trono. É tido como menos corrupto e mais competente que os irmãos, mas agressivo e implacável, responsável pela execução ou prisão de centenas de opositores não violentos. Educado nos EUA, sobreviveu a um atentado da Al-Qaeda em 2009 e sua nomeação como ministro do Interior, em 2012, foi lamentada por defensores de direitos humanos. Ele é responsável pela política saudita na Síria e no Iraque desde fevereiro de 2014 e logo depois reuniu-se no Marrocos com seus pares de outros países árabes para organizar um esforço conjunto para erradicar a Irmandade Muçulmana. Quer deter as mudanças do mundo à sua volta, não se adaptar a elas. Em outras palavras, a sucessão traz mais do mesmo e nenhum vislumbre de como desarmar a bomba-relógio na qual esse país se tornou.

O artigo original do site da Carta Capital poderá ser visto por meio desse link aqui:


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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sábado, 18 de janeiro de 2014

MUÇULMANOS VISAM ATINGIR CRISTÃOS



O site Breitbart.com publicou um artigo afirmando que: “A Perseguição aos Cristãos é Crescente nos Países Mulçumanos”.

De acordo com a reportagem: “O ataque contra uma igreja Anglicana em 22 de Setembro de 2013, fez com que o Arcebispo da Cantuária, Justin Welby, se manifestasse acerca dos ataques que os cristãos têm sofrido nos países mulçumanos. Segundo Welby, os cristãos têm sido martirizados por sua fé em muitos países mulçumanos e a violência desse último fim de semana é apenas a ponta do iceberg”.

De fato, de acordo com a International Society for Human Rights — Sociedade International para os Direitos Humanos (http://www.ishr.org/) localizada em Frankfurt, na Alemanha, 80% de todos os atos de discriminação religiosa no mundo hoje são praticados contra os cristãos.

O Center for the Study of Global Christianity — Centro para o Estudo Global da Cristandade (http://www.gordonconwell.edu/resources/documents/gd16.pdf) dos Estados Unidos da América, estima que na última década cerca de 100.000 cristãos foram assassinados a cada ano, em situações que o Centro chama de “situação de testemunho”, ou seja, por motivos relacionados à fé cristã.

Apesar de alguns especialistas acharem que esses números são estimativas infladas, os mesmo sinalizam a morte de 11 cristãos a cada hora nos últimos 10 anos.
Todos devem se lembrar do ataque realizado pelo grupo mulçumano al-Shabaab ao Shopping Center Westgate Mall de Nairóbi, no Quênia, em 21 setembro de 2013. O objetivo declarado deles era atingir e matar exclusivamente não mulçumanos. Segundo testemunhas, homens mulheres e crianças foram perfilados e interrogados acerca do Islã. Quem não sabia a resposta correta foi assassinado na mesma hora. Mais de 60 pessoas foram assassinadas. No dia seguinte, suicidas atacaram a Igreja Anglicana de Todos os Santos em Peshawar no Paquistão, matando 85 pessoas e ferindo outras 200.

Como já temos falado antes, cremos que é impossível aceitar o argumento de muitos de que o Islã é uma religião pacífica e que seus membros querem viver em paz junto a outros povos, contanto que não seja nos países onde não são a maioria, é o que nos parece.

A notícia original do site Breitbart poderá ser vista por meio do link a seguir:


Que o Justo Juiz se levante e cumpra sua promessa:

Romanos 12:19

Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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