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segunda-feira, 24 de abril de 2017

ATOS DOS APÓSTOLOS - SERMÃO 029 – A DEFESA DE ESTÊVÃO – PARTE 003 - OBEDIÊNCIA


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Esse material é parte de uma série de mensagens pregadas no Livro dos Atos dos Apóstolos. As mensagens cobrem todos os 28 capítulos do Livro de Atos e no final de cada mensagem, você poderá encontrar links para outras mensagens.

Texto: Atos 7:17—43
Introdução

A. Temos tido a oportunidade de estudar a vida desse cristão chamado Estêvão.

B. Vimos que ele tinha uma compreensão profunda e penetrante das implicações da vida de Jesus, o Messias.

C. Seus argumentos eram poderosos e a única maneira de enfrentá-lo era inventando mentiras contra ele.

D. Ele foi acusado diante do Sinédrio Judaico — a corte suprema dos judeus — de:

1. Falar mal do Templo em Jerusalém; de que o mesmo seria destruído.

2. Falar mal contra Moisés e a lei que Deus havia concedido ao povo de Israel através daquele legislador.

E. A defesa de Estêvão estava centrada em dois aspectos principais:

1. Primeiro era mostrar que Deus nunca teve a intenção de estabelecer um Templo permanente entre os seres humanos e que o Templo em Jerusalém precisava mesmo ser abandonado para que a verdadeira mensagem de salvação, através do Messias de Israel, pudesse alcançar todas as pessoas ao redor do mundo — ver

João 4:23—24

23 Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque o Pai procura a tais que assim o adorem.

24 Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.

2. A segunda era mostrar que desde o início da sua história e até aqueles dias, o povo de Israel nunca havia dado a mínima nem para Moisés e muito menos para a Lei Divina, a qual eles faziam questão de desobedecer sempre.

F. Para ilustrar seus argumentos, Estêvão escolhe certos personagens e certas histórias do Antigo Testamento. Ele não inventa nada, nem introduz nenhuma revelação nova. Ele apenas aponta para grandes verdades que sempre estiveram presentes nas Escrituras e que os israelitas sempre fizeram questão de ignorar.

G. Vamos continuar analisando as palavras de Estêvão que nos apresentam as

 BASES SOBRE AS QUAIS ESTÁ FUNDAMENTADA A IGREJA DO NOVO TESTAMENTO — PARTE 3

I. O Que Já Aprendemos até Aqui

A. Que o Deus da Glória se manifesta onde quer, quando quer e a quem ele quer. Nesse sentido, ele não é o Deus exclusivo de ninguém.

B. O Deus da Glória é um Deus móvel e não pode ser confinado a nenhum tipo de prédio ou construção, por mais magnífico que seja.

C. O povo de Deus é um povo peregrino e Deus acompanha seu povo em todas as suas peregrinações.

D. Deus acompanhou Abraão, Isaque e Jacó em suas peregrinações. Deus esteve com José em todas as suas angústias. José foi um tipo que serviu bem para ilustrar a vida de Jesus.

1. A inveja dos irmãos de José é semelhante à inveja que a liderança judaica sentia com relação a Jesus!

2. José é novamente comparado a Jesus, pois as palavras de Pedro ainda ecoavam nos seus ouvidos quando disse:

Atos 2:36

Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.

3. A comparação entre José e Jesus prossegue. Apesar de ser maltratado e até crucificado, Jesus está pronto para perdoar e estender a reconciliação a seus algozes como José fez com os seus irmãos que o haviam vendido como escravo para o Egito.

II. Moisés, como Legislador e Tipo de Cristo — Atos 7:17—43

A. Passado o tempo prometido por Deus a Abraão, chegou a hora de Deus cumprir sua palavra — versos 17—19.

B. Moisés nasce para se tornar o escolhido de Deus, para libertar o povo da escravidão, mas os israelitas não o reconheceram nem o aceitaram como tal — versos 20—29. O mesmo aconteceu com Jesus que não foi reconhecido e nem aceito pelos israelitas, pois veio para o que era seus e os seus não o receberam.

C. Moisés se encontra com o Deus da Glória no Sinai, em uma experiência jamais repetida nem no tabernáculo, nem no templo em Jerusalém — versos 30—33. Mas através da vinda de Jesus pode ser repetida em qualquer lugar e ser experimentada por qualquer pessoa.

D. Naquele tempo além de prover a libertação do povo da escravidão no Egito, Deus prometeu a vinda de outro profeta, mais tarde identificado como Filho de Davi e Messias — versos 34—37.

E. Através de Moisés Deus concedeu Suas Leis ao povo de Israel, mas os israelitas não estavam interessados de verdade na revelação de Deus — versos 38—43.

F. Para Estêvão a desobediência no deserto, quando os israelitas saíram do Egito é um ato contínuo que culmina com a denúncia semelhante do profeta Amós, setecentos anos mais tarde. Em Nenhum momento os israelitas demonstraram desejo de guardar os mandamentos de Deus e honrar a Moisés. 

Conclusão

A. Nós cometemos um erro terrível, todas as vezes que:

1. Valorizamos mais os aspectos externos daquilo que Deus nos concede do que os aspectos internos e que realmente fazem diferença em nossas vidas. Por exemplo:

a. Quando valorizamos mais o prédio, a construção, o edifício daquilo que chamamos igreja, em vez de valorizar a igreja verdadeira que é composta das pessoas.

b. Quando nos apegamos a aspectos externos das práticas cristãs — como o batismo — especialmente quanto à forma do mesmo — e a ceia do Senhor — e não damos importância à verdadeira santificação sem a qual ninguém verá o Senhor —

Hebreus 12.14

Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor,

c. Quando valorizamos a liderança de forma doentia e desprezamos os irmãos, especialmente os mais simples e humildes.

B. A prova mais contundente de que os israelitas não tinham verdadeiro interesse na Lei de Deus naqueles dias estava mais do que evidente no julgamento de Estêvão:

1. Os “defensores da Lei” transgrediam contra a mesma apresentando falsos testemunhos contra Estêvão. A lei é clara:

Êxodo 20:16

Não darás falso testemunho contra teu próximo.

2. A intenção daquelas pessoas não era fazer justiça e sim, defender interesses.

C. Todas essas questões que vimos hoje têm profundas implicações sobre nossas vidas.

D. Qual é o significado das palavras quando dizemos: eu sou cristão? Essas palavras não significam absolutamente nada, se...

1. Não reconhecemos que o Deus da glória é um Deus livre que não precisa nem de nós nem de lugares apropriados de adoração. Templos precisam ser tratados com o desprezo necessário.

2. Não mantivermos uma vida de peregrinos sobre essa terra — veja os riscos de ficar rico e as duras palavras da Bíblia para aqueles que têm dinheiro —

1 Timóteo 6:7—10 e 17—19

7 Porque nada trouxemos para este mundo e manifesto é que nada podemos levar dele.

8 Tendo, porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes.

9 Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína.

10 Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.

17 Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos;

18 que façam o bem, enriqueçam em boas obras, repartam de boa mente e sejam comunicáveis;

19 que entesourem para si mesmos um bom fundamento para o futuro, para que possam alcançar a vida eterna.

3. Nosso caminhar diário não for controlado pela palavra de Deus que nos ensina:

a. Amar a Deus. Como? Sendo obedientes.

b. Amar nossos cônjuges e filhos. Como? Colocando-nos a serviço deles.

c. Amar nossos irmãos da comunidade. Como? Buscando formas de servi-los da melhor maneira possível.

d. Amar nosso próximo. Como? Compartilhando com eles as palavras de Salvação que Deus nos oferece de graça através de Jesus.

D. Eu temo muito que a vasta maioria da igreja cristã, daqueles que se chamam pelo próprio nome do Senhor Jesus Cristo, não passa de uma raça tão odiosa e desobediente quanto eram os israelitas dos dias de Estêvão.

E. Felizmente não temos que responder pelo outros, mas certamente cada um de nós terá que dar contas de si mesmo a Deus. Como vai sua vida cristã? É genuína? É verdadeira? Ou tudo não passa apenas de pretensão? De fachada? 

Que Deus nos ajude e nos dê forças para sermos sinceros no nosso compromisso com Ele mesmo e uns com os outros.

OUTRAS MENSAGENS DO LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS

SERMÃO 001 — INTRODUÇÃO AO LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS — Lucas 1:1—4 e Atos 1:1—2

SERMÃO 002 — INTRODUÇÃO AO LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS — PARTE 2 — Lucas 1:1—4 e Atos 1:1—2

SERMÃO 003 — A TRANSIÇÃO DO VOLUME ANTERIOR — Atos 1:1—5

SERMÃO 004 — A NOVA DIREÇÃO EXPLICADA — Atos 1:6—8

SERMÃO 005 — A ASCENSÃO DE JESUS — Atos 1:9—11

SERMÃO 006 — PERSEVERANDO UNÂNIMES — Atos 1:12—26

SERMÃO 007 — O DIA DO PENTECOSTES – PARTE 001 — Atos 2:1—4

SERMÃO 008 — O DIA DO PENTECOSTES – PARTE 002 — Atos 2:5—15

SERMÃO 009 — A PROFECIA DE JOEL — Atos 2:14—21

SERMÃO 010 — O PRIMEIRO SERMÃO — PARTE 001 — Atos 2:22—36

SERMÃO 011 — O PRIMEIRO SERMÃO — PARTE 002 — Atos 2:37—41

SERMÃO 012 — A VIDA DOS PRIMEIROS CRISTÃOS — Atos 2:42—47

SERMÃO 013 — A VIDA DOS PRIMEIROS CRISTÃOS — Atos 2:42—47 — PARTE 002

SERMÃO 014 — A CURA DE UM PARALÍTICO DE NASCENÇA — Atos 3:1—10

SERMÃO 015 — A EXALTAÇÃO DE JESUS E A CONDENAÇÃO DOS HOMENS — Atos 3:11—21

SERMÃO 016 — SALVAÇÃO E REFRIGÉRIO: BÊNÇÃOS DAS DUAS VINDAS DE JESUS— Atos 3:17—21

SERMÃO 017 — JESUS CUMPRE AS PROFECIAS DO ANTIGO TESTAMENTO — Atos 3:22—26

SERMÃO 018 — INÍCIO DAS PERSEGUIÇÕES — Atos 4:1—22

SERMÃO 019 — A IGREJA ORA EM COMUNHÃO — Atos 4:23—31

SERMÃO 020 — A IGREJA VIVE EM COMUNHÃO — Atos 4:32—37

SERMÃO 021 — ANANIAS E SAFIRA — Atos 5:1—11

SERMÃO 022 — A COMUNIDADE DOS CRENTES — Atos 5:12—16

SERMÃO 023 — PRISÃO, JULGAMENTO, AÇOITES = ALEGRIA E O PARECER DE GAMALIEL — Atos 5:17—42

SERMÃO 024 — DIVERSIDADE DE DONS = CRESCIMENTO DA IGREJA — Atos 6:1—7

SERMÃO 025 — UM HOMEM CHAMADO ESTÊVÃO — Atos 6:8—12

SERMÃO 026 — ACUSAÇÕES CONTRA UM HOMEM HONESTO — Atos 6:13—15

SERMÃO 027 — A DEFESA DE ESTÊVÃO E O DEUS DA GLÓRIA — Atos 7:1—8

SERMÃO 028 — A DEFESA DE ESTÊVÃO E A MOBILIDADE DE DEUS — Atos 7:9—16

SERMÃO 029 – A DEFESA DE ESTEVÃO – Parte 3 — Atos 7:17—43
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/04/atos-dos-apostolos-sermao-029-defesa-de.html

SERMÃO 030 — A DEFESA DE ESTEVÃO — Três Acusações Devastadoras — Parte 4 — Atos 7:44—53
Alexandros Meimaridis

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sábado, 3 de setembro de 2016

EDUCAÇÃO CRISTÃ - ESTUDO 015 - O QUE O NOVO TESTAMENTO ENSINA ACERCA DA IGREJA - PARTE 003


Resultado de imagem para CRISTO É NOSSO EXEMPLO

O propósito dessa série é introduzir o leitor na vasta gama de materiais relacionados à Educação Cristã. Nosso foco central estará sempre localizado nos chamados “Ministérios da Igreja” que refletem a vida prática ou o dia a dia do que deve estar acontecendo em todas as igrejas locais.

V. O Ensinamento do Novo Testamento Acerca da Igreja — Parte 003


E. Entendendo Melhor o Que é a Igreja


2 – A Igreja é o “Corpo de Cristo”

A expressão mais comum nos escritos do Apóstolo Paulo para descrever a Igreja é: σώματος τοῦ Χριστοῦ sómatos toû ChristoûCorpo de Cristo. Esta expressão nos dá, em linhas gerais, uma explicação complementar acerca do significado da Igreja como povo de Deus. Mas de forma mais específica, a expressão σώματος τοῦ Χριστοῦ sómatos toû ChristoûCorpo de Cristo descreve o modelo existencial da Igreja centrado na pessoa de Cristo — Modelo Cristológico. Essa expressão nos revela a união toda especial que existe entre Cristo e a Igreja como povo de Deus e o novo Israel.

a. Corpo e Corpo de Cristo em Romanos e 1 Coríntios.

Em Romanos 12:3—8 os cristãos são exortados a conhecerem qual é seu próprio lugar na Igreja como um todo.

Romanos 12:3—8

3 Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um.

4 Porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função,

5 assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros,

6 tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada: se profecia, seja segundo a proporção da fé;

7 se ministério, dediquemo-nos ao ministério; ou o que ensina esmere-se no fazê-lo;

8 ou o que exorta faça-o com dedicação; o que contribui, com liberalidade; o que preside, com diligência; quem exerce misericórdia, com alegria.

E para elucidar esse ensino, Paulo usa a figura do corpo humano, no qual existem muitos membros, mas os membros não têm todos uma mesma função. Dessa mesma forma cada cristão deve se conscientizar que nós, mesmo sendo muitos, somos um só corpo, em Cristo. E individualmente, somos membros uns dos outros.

Em 1 Coríntios 12:14—27 o mesmo tema é desenvolvido de uma forma mais extensa. Nessa passagem a verdadeira natureza do “corpo de Cristo”, é demonstrada na sua unidade e diversidade, com aplicações indiretas contínuas à Igreja — ver versos 15—27. É importante frisarmos que o conceito de corpo vai muito além da mútua unidade e diversidade que existe entre os cristãos. De fato o autor crê que o conceito do corpo de Cristo antecede ao conceito elucidativo oferecido pelo apóstolo Paulo acerca do corpo humano. Note, cuidadosamente, a argumentação de Paulo nessa passagem. Paulo não argumenta partindo da premissa do relacionamento dos cristãos dentro da Igreja — como um corpo —  passando então para o relacionamento da Igreja para com Cristo. Pelo contrário, seus argumentos são exatamente o oposto: porque a Igreja é o corpo de Cristo é que ela deve se comportar como um “corpo” humano.

Assim temos o seguinte: em Romanos 12 nos é dito que da mesma forma que em um corpo nós temos muitos membros, mas os membros não têm todos uma mesma função, assim também nós, mesmo sendo muitos, somos um só corpo em Cristo, e ao mesmo tempo somos,  individualmente, membros uns dos outros. Que a Igreja é um corpo e deve se conduzir como tal está estabelecido pelo fato que “os muitos” são um corpo “em Cristo”.

Em 1 Coríntios 12 nos é dito que: da mesma forma que o corpo é um e tem muitos membros assim também com Cristo. Ou seja: a Igreja não é o corpo por sua própria existência como comunidade. Ela é o corpo por causa da união que experimenta com Cristo. Como disse o Apóstolo Paulo:

1 Coríntios 12:27

Ora, vós sois corpo de Cristo.

Qual é então o significado que Paulo queria dar para a expressão σώματος τοῦ Χριστοῦ sómatos toû ChristoûCorpo de Cristo? O sentido mais alinhado com o pensamento do Apóstolo Paulo, como um todo, parece ser que “os muitos”, em virtude da união deles com Cristo, têm “em Cristo” uma nova união de uns para com os outros. As implicações desta união são tremendas, especialmente no que diz respeito à consideração e dedicação ao serviço que devemos ter uns para com os outros. Os cristãos não constituem um corpo porque são membros uns dos outros e sim porque estão em Cristo e, desse modo formam em Cristo um só corpo —

Romanos 12:5

Assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros. 

1 Coríntios 6:15

Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo?

b. Corpo e Cabeça em Efésios e Colossenses.

Em Efésios e Colossenses, Cristo é chamado repetidamente de Χριστὸς κεφαλὴ τῆς ἐκκλησίας Christòs kefalè tîs ekklissías — Cristo cabeça da Igreja — ver Efésios 5:23 e κεφαλὴ τοῦ σώματος kefalè toû sómatoscabeça do corpo — ver Colossenses 1:18. Nas passagens de Efésios e Colossenses a Igreja é chamada repetidas vezes de σώματος τοῦ Χριστοῦ sómatos toû ChristoûCorpo de Cristo — ver referências acima —, e os cristãos de membros do corpo de Cristo — ver Efésios 5:30. Mas nessas epístolas a expressão “corpo” é utilizada em um sentido absoluto para se referir ao corpo de Cristo, sendo ou não acompanhada pelas palavras “sua igreja” — ver Colossenses 1:18, 24; 2:19; 3:15; Efésios 4:4. Esse uso, em sentido absoluto, pode ser claramente visto em Efésios 3:6 onde se diz que “os gentios são co-herdeiros, co-participantes da promessa e membros do mesmo corpo σύσσωμα - sússoma — mesmo corpo.

Efésios 3:6

A saber, que os gentios são co-herdeiros, membros do mesmo corpo e co-participantes da promessa em Cristo Jesus por meio do evangelho;

Os dois — judeus e gentios — se tornaram uma unidade em Cristo. Isto aconteceu quando Cristo, na sua carne, i.e. na sua existência humana, sofreu e morreu por ambos na cruz. Cristo recriou os dois em si mesmo como um novo homem —

Gálatas 3:28

Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.

e essa descrição é equivalente à expressão “um corpo em Cristo”.  Essa nova criação não visa somente uma comunhão espiritual entre judeus e gentios. Cristo já havia unido os dois em si mesmo na cruz, como uma nova humanidade da qual Ele é o representante maior. É por esse ato que a Igreja pode ser chamada de “Seu corpo” ou “um corpo em Cristo”. Ao sofrer e morrer na cruz, Cristo era o representante de todas “as partes” da Igreja e, naqueles momentos, Ele uniu todas as partes em si mesmo criando, então, uma nova unidade e uma nova humanidade.

Um novo elemento que precisa ser introduzido neste momento é a ação do Espírito Santo neste processo. Em Efésios 4:3—16 e Colossenses 3:15—17, o apóstolo Paulo está tratando da paz que deve reinar entre os irmãos. Ele insiste na existência desta paz exatamente porque, afinal de contas, estamos todos unidos em um corpo, o de Cristo. A sequencia é extremamente lógica. Pelo fato do corpo ser um, fala-se então de um só Espírito. E a Igreja é chamada a manter a unidade no Espírito. A unidade já existe, e nós não precisamos criá-la. Infelizmente temos fracassado vergonhosamente neste quesito. Agora note que a intenção do nosso Senhor Jesus Cristo é encher todos os que perfazem um corpo n’Ele, com os dons desse único Espírito.

Os aspectos espirituais do σώματος τοῦ Χριστοῦ sómatos toû ChristoûCorpo de Cristo emergem, com grande nitidez, nas epístolas de Efésios e Colossenses. Cristo é aquele que, tendo sido revestido por Deus com todo o poder e, tendo sido feito “cabeça de todas as coisas”, foi dado à Igreja a qual é Seu corpo —

Efésios 1:20—23

20 O qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais,

21 acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir, não só no presente século, mas também no vindouro.

22 E pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja,

23 a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas.

Como tal, Cristo tem à sua disposição todo tipo de dom espiritual — ver Efésios 4:8 em diante. A Igreja como Seu corpo tem comunhão com Cristo, como cabeça de todas as coisas. E é nessa comunhão com Cristo, como “a cabeça da Igreja”, que a Igreja experimenta a maior profundidade na comunhão com o Senhor —

Colossenses 1:18

Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia,

Colossenses 2:10 e 19

10 Também, nele, estais aperfeiçoados. Ele é o cabeça de todo principado e potestade.

19 E não retendo a cabeça, da qual todo o corpo, suprido e bem vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus.

Efésios 4:15—24.

15 Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo,

16 de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.

17 Isto, portanto, digo e no Senhor testifico que não mais andeis como também andam os gentios, na vaidade dos seus próprios pensamentos,

18 obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração,

19 os quais, tendo-se tornado insensíveis, se entregaram à dissolução para, com avidez, cometerem toda sorte de impureza.

20 Mas não foi assim que aprendestes a Cristo,

21 se é que, de fato, o tendes ouvido e nele fostes instruídos, segundo é a verdade em Jesus,

22 no sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano,

23 e vos renoveis no espírito do vosso entendimento,

24 e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.

É nessa comunhão espiritual, que a Igreja, cheia do Espírito de Cristo — ver Efésios 1:23; Colossenses 2:9—10 — deve “efetuar o seu próprio aumento para a edificação de si mesma”. O alvo dessa edificação é conduzir cada cristão individualmente “à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo — Efésios 4:13.  A Igreja consegue atingir esse alvo, à medida que “todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor” — Efésios 4:16.

Qual é o significado de Cristo ser o cabeça da Igreja enquanto corpo de Cristo? Ser cabeça, do ponto de vista bíblico, implica em liderança e autoridade. Mas esta posição de liderança e autoridade não é algo que se sustenta por si mesma. Ela surge como algo exclusivamente pertinente à natureza do próprio relacionamento. No caso de Cristo, ele é o cabeça porque ele mesmo é o salvador ou preservador do corpo inteiro. A Igreja encontra suas origens em Cristo e, por esse motivo, é dependente d’Ele. Foi Cristo quem preparou o caminho para a existência da Igreja e, por esse motivo, a Igreja deve a Cristo sua — da igreja — própria existência. Mas note que, para trazer a Igreja à existência Cristo a amou a ponto de entregar sua própria vida em benefício dela. A liderança e autoridade são, portanto, frutos de um relacionamento de origem e nada tem a ver com superioridade ou mando. Os atos de Cristo que estabeleceram este relacionamento com a Igreja estão grafados de forma indelével nas passagens abaixo:

Marcos 10:43—45

43 Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva;

44 e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos.

45 Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.

Filipenses 2:4—8

4 Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros.

5 Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,

6 pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus;

7 antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana,

8 a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.

Cristo nunca pensou em se utilizar da sua função ou posição para tirar proveito próprio. Antes usou toda sua capacidade para beneficiar aqueles pelos quais ele tinha vindo, i.e., por nós os pecadores! Cristo nos deixou o exemplo de que se quisermos ser grandes no reino de Deus devemos então nos dispor sermos servos dos outros.

CONTINUA...

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http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/03/educacao-crista-estudo-021-o-que-o-novo.html
022 — OS MINISTÉRIOS DO ESPÍRITO SANTO — PARTE 001
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/06/educacao-crista-estudo-022-os.html
023 — OS MINISTÉRIOS DO ESPÍRITO SANTO — PARTE 002
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/06/functionisogramigoogleanalyticsobjectri.htm

024 — A DISCIPLINA DA IGREJA — PARTE 001 — O DISCIPULADO

Que deus abençoe a todos. 
Alexandros Meimaridis 

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Desde já agradecemos a todos.


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