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segunda-feira, 14 de março de 2016

VIVENDO A VIDA CRISTÃ — ESTUDO 008 — EMPECILHOS PARA VIVER A VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTE 004



A vida Cristã é um dos maiores mistérios da humanidade. Trata-se da própria presença do Espírito Santo habitando nos crentes verdadeiros para transformá-los, dia a dia, em pessoas cada vez mais parecidas com a pessoa do Senhor Jesus Cristo. Essa série de estudos pretende discutir a fundo essa questão e esperamos que a mesma possa não apenas abençoar, mas também impactar poderosamente a vida de cada um dos leitores.

Empecilhos a Vida Cristã

É sempre possível, mesmo tendo as melhores das intenções, sermos enganados em alguma área vital da nossa crença — convicções. Esses tipos de enganos certamente irão produzir ações incorretas. Essas ações estarão em desacordo com a perfeita vontade de Deus. Cedo ou tarde esses enganos tornam-se verdadeiras barreiras à Vida Cristã.

Se vamos ser cristãos bem sucedidos nós precisamos honestamente procurar e, ao encontrarmos, derrubarmos essas barreiras. Deus só pode nos livrar através da verdade e para isto Ele exige de nós honestidade. Não é à toa que Satanás, nosso inimigo, é chamado de “aquele que barra o caminho” — 1 Tessalonicenses 2:18 — e de mentiroso, conforme — João 8:44. Abaixo segue uma pequena lista das mentiras e barreiras mais comuns levantadas pelo nosso adversário. Junto com as mentiras de Satanás fornecemos uma série de versículos bíblicos os quais constituem a resposta — verdade — de Deus para aquelas.

4. Que oração e estudo bíblico não são imprescindíveis para obedecermos a vontade de Deus.

Mateus 6:5—6

5 E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa.

6  u, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.

Marcos 11:24

Por isso, vos digo que tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco.

João 16:24

Até agora nada tendes pedido em meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa.

Tiago 4:3

Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres.

Romanos 15:30—32

30 Rogo-vos, pois, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e também pelo amor do Espírito, que luteis juntamente comigo nas orações a Deus a meu favor,

31 para que eu me veja livre dos rebeldes que vivem na Judéia, e que este meu serviço em Jerusalém seja bem aceito pelos santos.


Filipenses 4:6—7

6 Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças.

7 E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.

Colossenses 4:2

Perseverai na oração, vigiando com ações de graças.

2 Timóteo 3:16—17 na Nova Tradução na Linguagem de Hoje

16 Pois toda a Escritura Sagrada é inspirada por Deus e é útil para ensinar a verdade, condenar o erro, corrigir as faltas e ensinar a maneira certa de viver.

17 E isso para que o servo de Deus esteja completamente preparado e pronto para fazer todo tipo de boas ações.

Hebreus 4:1—3

1 Temamos, portanto, que, sendo-nos deixada a promessa de entrar no descanso de Deus, suceda parecer que algum de vós tenha falhado.

2 Porque também a nós foram anunciadas as boas-novas, como se deu com eles; mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, visto não ter sido acompanhada pela fé naqueles que a ouviram.

3 Nós, porém, que cremos, entramos no descanso, conforme Deus tem dito: Assim, jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso. Embora, certamente, as obras estivessem concluídas desde a fundação do mundo.

1 Pedro 2:1—3

1 Despojando-vos, portanto, de toda maldade e dolo, de hipocrisias e invejas e de toda sorte de maledicências,

2 desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação,

3 se é que já tendes a experiência de que o Senhor é bondoso.

OUTROS ARTIGOS ACERCA DE “VIVENDO A VIDA CRISTÔ

ESTUDO 001 — COMO RECONCILIAR O PASSADO

ESTUDO 002 — INTRODUÇÃO GERAL

ESTUDO 003 — UMA DESCRIÇÃO DA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA —PARTE 001

ESTUDO 004 — UMA DESCRIÇÃO DA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA —PARTE 002

ESTUDO 005 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTE 001

ESTUDO 006 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTE 002

ESTUDO 007 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTE 003

ESTUDO 008 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA —PARTE 004

ESTUDO 009 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTES 005 e 006

ESTUDO 010 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTES 007 e 008

ESTUDO 011 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTES 009 e 010

ESTUDO 012 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTES 011 e 012

ESTUDO 013 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTES 013 a 015

Que abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

JONATHAN EDWARDS: A AGONIA DE CRISTO — UM ESTUDO — PARTE 008


Concepção artística de Cristo orando no getsêmane

O material abaixo é parte de um livro escrito por Jonathan Edwards que foi publicado em forma de e-book por:

Fonte: CCEL.org │ Título Original: “Christ’s Agony”

As citações bíblicas desta tradução são da versão ACRF (Almeida Corrigida Revisada Fiel).

Tradução por Camila Almeida │ Revisão William Teixeira

facebook.com/oEstandarteDeCristo
Issuu.com/oEstandarteDeCristo

A AGONIA DE CRISTO

Por Jonathan Edwards

“E, posto em agonia, orava mais intensamente; e o Seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue que corriam até ao chão.”

– Lucas 22:44 –


CONTINUAÇÃO...

II. Que a alma de Cristo em Sua agonia no jardim esteve em uma grande e séria luta e conflito em Sua oração a Deus. O labor e esforço da alma de Cristo em oração era uma parte de Sua agonia, e foi, sem dúvida, uma parte indicada no texto, quando se diz que Cristo estava em agonia; pois, como já vimos, a palavra é usada especialmente nas Escrituras em outros lugares como esforço ou luta com Deus em oração. A partir deste fato, e a partir do evangelista mencionar o Seu ser posto em agonia, e Seu orar fervorosamente na mesma frase, bem podemos entender isso como menção ao o Seu esforço em oração, como parte de Sua agonia. As palavras do texto parecem expor como Cristo estava em agonia na oração: “E, posto em agonia, orava mais intensamente; e o Seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue que corriam até ao chão”. Esta linguagem parece implicar, assim, quanto o trabalho e a seriedade da alma de Cristo foram tão grandes em Sua luta com Deus em oração, que Ele estava em uma pura agonia, e todo em um suor de sangue.

O que eu proponho agora, nesta segunda proposição, é com a ajuda de Deus, explicar esta parte da agonia de Cristo, que consistiu na agonia e luta de Sua alma em oração; o que é o mais digno duma investigação particular, sendo que, provavelmente, é apenas pouco compreendida; embora, como aparece na sequência, o correto entendimento disto é de grande utilidade e consequência na Divindade. Não é como eu concebo comumente bem compreendido o que se entende quando se diz no texto que Cristo orava mais intensamente; ou o que foi a coisa pelo que Ele lutou com Deus, ou qual foi o assunto desta fervorosa oração, ou qual foi a razão dEle ter tão sério em oração neste momento. E, portanto, para definir toda esta questão de uma forma clara, eu particularmente investigo:

1. De que natureza era essa oração.

2. Qual foi o assunto desta fervorosa oração de Cristo ao Pai.

3. Em que capacidade Cristo ofereceu esta oração a Deus.

4. Por que Ele foi tão sério em Sua oração.

5. Qual foi o sucesso dessa Sua luta sincera com Deus em oração; e depois fazer algum avanço.

I. De que natureza foi esta oração de Cristo.

Orações que são feitas para Deus podem ser de vários tipos. Alguns são confissões por parte do indivíduo, ou expressões de seu senso de sua própria indignidade diante de Deus, e são, portanto, os pronunciamentos de penitência a Deus. Outros são doxologias ou orações destinadas a expressar o sentimento que a pessoa tem da grandeza e glória de Deus. Tais são muitos dos salmos de Davi. Outros são discursos de agradecimento ou expressões de gratidão e louvor pelas misericórdias recebidas. Outros são pronunciamentos submissos, ou expressões de submissão e resignação à vontade de Deus, no qual aquele que aborda a Majestade do Céu exprime a conformidade de sua vontade com a vontade soberana de Deus; dizendo: “Seja feita, Senhor, a Tua vontade” como Davi, em 2 Samuel 15:26: “Se, porém, disser assim: Não tenho prazer em ti; eis-me aqui, faça de mim como parecer bem aos Seus olhos”. Outras são petições ou súplicas; através da qual a pessoa que ora pede a Deus e clama a Ele por algum favor desejado por ele.

Disso resulta a pergunta é: de qual desses tipos foi a oração de Cristo, que lemos no texto.

Resposta. Foi principalmente de súplica. Não foi penitencial ou confessional; pois Cristo não tinha pecado ou indignidade para confessar. Nem era uma doxologia ou uma ação de graças ou simplesmente uma expressão de submissão; pois nenhum deles concorda com o que é dito no texto, ou seja, que orava mais intensamente. Quando alguém diz orar fervorosamente, implica um sincero pedido de algum benefício, ou favor desejado; e não apenas uma confissão, ou submissão, ou ação de graças. Então, o que diz o apóstolo desta oração, em Hebreus 5:7: “O qual, nos dias da Sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia”, mostra que era petição ou uma súplica sincera por algum benefício desejado. Não são confissões, ou doxologias, ou ações de graças ou resignações, que são chamadas de “súplicas” e “grande clamor”, mas petições por algum benefício desejado ardentemente. E, tendo, assim, resolvido a primeira questão, e mostrado que esta fervorosa oração de Cristo foi da natureza de uma súplica por algum benefício ou favor que Cristo ardentemente desejava, eu passo a investigar,

II. Qual foi o assunto desta súplica; ou que favor e benefício foi que Cristo tão ardentemente suplicou nesta oração da qual temos um relato no texto. Agora, as palavras do texto são expressam este assunto. Diz-se que Cristo, “posto em agonia, orava mais intensamente”, mas ainda assim, não é dito pelo que Ele orou tão fervorosamente. E aqui está a maior dificuldade em entender deste relato: o que foi aquilo pelo que Cristo tão ardentemente desejou, pelo que Ele tanto lutou com Deus naquele momento. E embora não seja expressamente dito no texto, as Escrituras não nos deixaram sem luz suficiente nesta questão. E quanto mais eficazmente para evitar erros, eu responderia,

1. Negativamente, aquilo pelo que Cristo orou tão fervorosamente, neste momento, não foi para que aquele cálice amargo que Ele tinha que beber passasse dEle. Cristo, antes, havia orado por isso, como no versículo seguinte, apenas um antes do texto, dizendo: “Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua”. É depois disso que nós temos um relato que Cristo, posto em agonia, orava mais intensamente; mas não devemos entender que, orava mais intensamente do que Ele tinha feito antes, que o cálice passasse dEle. Que esta não foi a única coisa que Ele tanto orou fervorosamente nesta segunda oração, as seguintes coisas parecem comprovar:

[1] Esta segunda oração foi depois que o anjo havia aparecido para Ele do céu, fortalecendo-O, para mais alegremente tomar o cálice e beber. Os evangelistas nos informam que quando Cristo veio ao jardim, começou a entristecer-se, e muito sobrecarregado, e que Ele disse que Sua alma estava cheia de tristeza até a morte, e que, em seguida, Ele foi e orou a Deus, que, se fosse possível o cálice passasse dEle. Lucas diz nos versículos 41 e 42: “E apartou-se deles cerca de um tiro de pedra; e, pondo-se de joelhos, orava, Dizendo: Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua”. E então, depois disso, é dito no versículo seguinte, que apareceu um anjo do céu que o fortalecia. Agora isso pode ser entendido não o contrário do que o anjo lhe apareceu, fortalecendo-O e incentivando-O a passar por Sua grande e difícil obra, tomar o cálice e bebê-lo. Assim devemos supor, que agora Cristo foi mais fortalecido e encorajado a continuar com Seus sofrimentos: e, portanto, não podemos supor que, depois disso, Ele oraria mais intensamente do que antes de ser liberto de Seus sofrimentos; e, claro, que era sobre outra coisa que Cristo mais intensamente orava, depois do fortalecimento do anjo, e não que o cálice passasse dEle. Ainda que Cristo pareça ter uma maior visão dos Seus sofrimentos dada a Ele após este fortalecimento do anjo do que antes, que causou a tal agonia, ainda assim, Ele foi mais fortalecido e capacitado a uma maior visão deles, Ele teve mais força e coragem para lidar com estas apreensões horríveis, do que antes. Sua força para suportar sofrimentos é aumentada com o senso dos Seus sofrimentos.

[2.] Cristo, antes de Sua segunda oração, teve uma intimação da parte do Pai, que não era a Sua vontade de que o cálice passasse dele. A vinda do anjo do céu para fortalecê-lo deve ser assim entendida. Cristo em primeiro lugar, ora para que, se fosse a vontade do Pai, o cálice pudesse passar; mas isso não foi a Sua vontade; e então Deus, imediatamente após isto, envia um anjo para fortalecê-lo e encorajá-Lo a tomar o cálice, o que era uma indicação clara para Cristo que era a vontade do Pai que Ele deveria tomá-lo, e que Ele não passasse dele. E assim Cristo o recebeu; como é evidenciado a partir do relato que Mateus oferece sobre esta segunda oração. Mateus 26:42: “E, indo segunda vez, orou, dizendo: Pai meu, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade”. Ele fala como quem agora tinha uma indicação, uma vez que Ele orou antes, que esta não era a vontade de Deus. E Lucas nos diz como, a saber, por ter Deus enviado um anjo. Mateus nos informa, como Lucas o faz, que em Sua primeira oração, Ele orou para que, se fosse possível o cálice passasse dEle; mas então Deus envia um anjo para significar que não era a Sua vontade, e para encorajá-Lo a tomá-lo. E então, Cristo tendo recebido esta indicação clara que não era a vontade de Deus que o cálice passasse dEle, rende-se à mensagem que recebeu, e diz: ó, Meu Pai, se é assim como Tu agora indicas, seja feita a Tua vontade. Portanto, podemos seguramente concluir que pelo que Cristo orava mais intensamente depois disso, não era para que o cálice passasse dEle, mas por outra coisa; pois Ele não iria orar mais fervorosamente, do que Ele fez antes, para que o cálice passasse dEle, depois de Deus ter sinalizado que não era Sua vontade que isso passasse dEle; supor isto seria uma blasfêmia. E então,

[3] A linguagem da segunda oração, tal como é referida por Mateus: “Pai meu, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade”, mostra que Cristo não ora, então, para que o cálice passasse dEle. Isto certamente não é orar mais fervorosamente para que o cálice passasse, é sim uma entrega a esta questão, e uma interrupção de instá-la mais, e submissão a isso como algo determinado pela vontade de Deus, feita conhecida pelo anjo. E,

[4] A partir do relato do apóstolo sobre esta oração, no capítulo 5 de Hebreus, as palavras do apóstolo foram estas: “O qual, nos dias da Sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia”. O grande clamor e lágrimas de que o apóstolo fala, são, sem dúvida, o mesmo que Lucas fala no texto, quando Ele diz, “ele posto em agonia, orava mais intensamente”, pois esta foi a imagem mais nítida e séria do clamor de Cristo, o qual não temos qualquer relato em algum lugar. Mas, de acordo com o relato do apóstolo, aquilo que Cristo temia e pelo que clamou tão fortemente a Deus nesta oração, era algo que Ele foi ouvido, algo que Deus concedeu o Seu pedido, e, portanto, não era que o cálice passasse dEle. Tendo assim mostrado o que não foi pelo que Cristo orou nesta séria oração, eu prossigo para mostrar,


CONTINUA...




OUTRAS PARTES DESSE ESTUDO PODERÃO SER VISTAS POR MEIO DOS LINKS ABAIXO

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — ALGUMAS CITAÇÕES DESSE 
ESTUDO PARTE 001

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — ALGUMAS CITAÇÕES DESSE ESTUDO PARTE 002

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — ALGUMAS CITAÇÕES DESSE ESTUDO PARTE 003

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 004

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 005

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 006 —http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/08/jonathan-edwards-agonia-de-cristo-um.html

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 007 —http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/10/jonathan-edwards-agonia-de-cristo-um.html

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 008 —

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 009 —

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 010 — APLICAÇÃO 001

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 011 — APLICAÇÃO 002

UMA BREVE BIOGRAFIA DE JONATHAN EDWARDS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/08/jonathan-edwards-uma-breve-biografia.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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terça-feira, 11 de agosto de 2015

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus – ESTUDO 010 — AS REGIÕES CELESTIAIS — EFÉSIO 1:3



NESSA SÉRIE NÓS ESTAMOS TRATANDO DE DOIS ASPECTOS IMPORTANTES ACERCA DA VERDADEIRA IGREJA: 1) A IGREJA COMO CORPO DE CRISTO; E 2) A IGREJA NO PLANO ETERNO DE DEUS. CONVIDAMOS TODOS OS NOSSOS LEITORES A ACOMPANHAREM ESSA SÉRIE E COMPARTILHAREM A MESMA COM TODOS OS SEUS CONHECIDOS, AMIGOS E IRMÃOS. OUTROS ESTUDOS DESSA SÉRIE PODERÃO SER ENCONTRADOS POR MEIO DE LINKS NO FIM DE CADA ESTUDO.

Nas regiões celestiais – A palavra grega ἐπουρανίοις epouraníois é traduzida de várias maneiras na ARA — versão de Almeida Revista e Atualizada no Brasil — conforme podemos ver abaixo:

Mateus 18:35 — Jesus se refere ao Pai como Pai Celeste.

João 3:12 — Jesus se refere às coisas celestiais em oposição às coisas celestiais.

1 Coríntios 15:40 — Paulo fala de corpos celestiais em oposição aos corpos terrestres.

1 Coríntios 15:48 — Paulo fala da diferença entre os homens terrenos — formados do pó da terra — e os celestiais — recriados em Cristo.

1 Coríntios 15:49 — Paulo repete o conceito do verso anterior, reforçando o conceito de que devemos manifestar em nossas vidas, atualmente, a evidência de que somos nova criação.

Efésios 1:3 — Paulo fala de como Deus nos tem abençoado nas regiões celestiais.

Efésios 1:20 — Paulo fala do fato que Cristo está vivo e assentado à direita de Deus nos lugares celestiais.

Efésios 2:6 – Paulo diz que pelo fato de estarmos “em Cristo”, nós estamos agora mesmo, assentados com Cristo nos lugares celestiais! Note as implicações que esta verdade deve ter em nossas vidas neste tempo presente.

Efésios 3:10 — Paulo diz que o que Deus fez a nosso favor, como acabamos de descrever, serve para demonstrar a sabedoria de Deus aos principados e potestades nos lugares celestiais.

Efésios 6:12 — Paulo diz que nossa verdadeira luta é contra os principados, as potestades, os dominadores deste mundo tenebroso e contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes.

Filipenses 2:10 — Paulo diz que chegará o dia em que ao nome de Jesus todo joelho se dobrará nos céus, na terra e debaixo da terra.

2 Timóteo 4:18 — Paulo fala da esperança de chegar ao reino celestial.

Hebreus 3:1 — O autor fala que nós somos participantes da vocação celestial e no contexto no exorta a sermos fieis a Deus.

Hebreus 6:4 — O autor fala do dom celestial.

Hebreus 8:5 — O autor diz que o sistema religioso concedido aos judeus não passava de uma mera figura ou sombra das coisas celestiais. Em Cristo nós temos a própria essência das coisas celestiais.

Hebreus 9:23 — O autor fala do fato que as coisas terrenas podiam ser purificadas com os sacrifícios ensinados no Antigo Testamento, mas as próprias coisas celestiais precisavam ser purificadas pelo próprio sacrifício de Jesus.

Hebreus 11:16 — O Autor fala da aspiração do santos do Antigo Testamento pela pátria celestial.

Hebreus 12:22 — O autor fala do fato que nós nos aproximamos da Jerusalém celestial.

Para entender a seriedade deste fato é necessário ler —
Hebreus 12:18—29

18 Ora, não tendes chegado ao fogo palpável e ardente, e à escuridão, e às trevas, e à tempestade,

19 e ao clangor da trombeta, e ao som de palavras tais, que quantos o ouviram suplicaram que não se lhes falasse mais,

20 pois já não suportavam o que lhes era ordenado: Até um animal, se tocar o monte, será apedrejado.

21 Na verdade, de tal modo era horrível o espetáculo, que Moisés disse: Sinto-me aterrado e trêmulo!

22 Mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos, e à universal assembléia

23 e igreja dos primogênitos arrolados nos céus, e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados,

24 e a Jesus, o Mediador da nova aliança, e ao sangue da aspersão que fala coisas superiores ao que fala o próprio Abel.

25 Tende cuidado, não recuseis ao que fala. Pois, se não escaparam aqueles que recusaram ouvir quem, divinamente, os advertia sobre a terra, muito menos nós, os que nos desviamos daquele que dos céus nos adverte,

26 aquele, cuja voz abalou, então, a terra; agora, porém, ele promete, dizendo: Ainda uma vez por todas, farei abalar não só a terra, mas também o céu.

27 Ora, esta palavra: Ainda uma vez por todas significa a remoção dessas coisas abaladas, como tinham sido feitas, para que as coisas que não são abaladas permaneçam.

28 Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor;

29 porque o nosso Deus é fogo consumidor.

Como podemos notar a palavra ἐπουρανίοις epouraníois é usada no Novo Testamento de forma consistente para se referir a um lugar, mas esse lugar não está limitado nem física, nem geograficamente. Os lugares celestiais não são uma localidade e sim a extensão onde Deus exerce sua soberania, autoridade e poder.

Em termos modernos — das ciências físicas — os lugares celestiais seriam como um campo ou vários campos. Desta maneira os lugares celestiais não podem ser reduzidos à uma esfera invisível e intangível somente, já que a autoridade, poder e soberania de Deus são exercidos também sobre a vida humana, sobre a conduta dos seres humanos, sobre a história da humanidade.

1. Existe mais de um céu? Se sim, quantos?

No mundo antigo as pessoas acreditavam que existiam 7 planetas. Estes eram: a Lua, Mercúrio, Vênus, o Sol, Marte, Júpiter e Saturno. Acreditavam também que existiam sete céus ou esferas, uma ao redor de cada um dos planetas. Em todos os monumentos em honra ao deus Mitra[1] encontramos sete altares ou piras, consagrados aos sete planetas. Alguns escritores que procuraram fazer um sincretismo entre o conhecimento pagão e a revelação Bíblica defendiam a idéia que as sete lâmpadas do candelabro que Deus mandou Moisés fazer para iluminar o tabernáculo eram representativas dos sete planetas. Entre estes autores podemos citar Orígenes de Alexandria e Philo Judaeus.

De acordo com as crenças produzidas pelo homem desde a mais remota antiguidade a alma humana desejosa de retornar ao infinito, que era considerado como o originador de todas as almas, precisava ascender, da mesma forma como havia descendido através das sete esferas. Na iniciação dos mistérios de Mitra, o candidato tinha que passar por sete graus ou estágios de iniciação dos quais uma escada com sete degraus, representando os sete planetas, era o símbolo. Durante a celebração dos mistérios de Mitra em Roma encontramos novamente a mesma escada com sete degraus que representavam as sete esferas dos sete planetas.

Representação artística da Escada de Jacó

Sincretistas alegam que a visão que Jacó teve —

Gênesis 28:11—19

11 Tendo chegado a certo lugar, ali passou a noite, pois já era sol-posto; tomou uma das pedras do lugar, fê-la seu travesseiro e se deitou ali mesmo para dormir.

12 E sonhou: Eis posta na terra uma escada cujo topo atingia o céu; e os anjos de Deus subiam e desciam por ela.

13 Perto dele estava o SENHOR e lhe disse: Eu sou o SENHOR, Deus de Abraão, teu pai, e Deus de Isaque. A terra em que agora estás deitado, eu ta darei, a ti e à tua descendência.

14 A tua descendência será como o pó da terra; estender-te-ás para o Ocidente e para o Oriente, para o Norte e para o Sul. Em ti e na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra.

15 Eis que eu estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei voltar a esta terra, porque te não desampararei, até cumprir eu aquilo que te hei referido.

16 Despertado Jacó do seu sono, disse: Na verdade, o SENHOR está neste lugar, e eu não o sabia.

17 E, temendo, disse: Quão temível é este lugar! É a Casa de Deus, a porta dos céus.

18 Tendo-se levantado Jacó, cedo, de madrugada, tomou a pedra que havia posto por travesseiro e a erigiu em coluna, sobre cujo topo entornou azeite.

19 E ao lugar, cidade que outrora se chamava Luz, deu o nome de Betel.

se refere a esta mesma escada mas a suposição é presunçosa demais para ser levada a sério. Os mistérios de Mitra eram normalmente celebrados em cavernas onde haviam 4 entradas marcadas com os quatro pontos que marcam as estações, dois equinócios[2] e dois solstícios[3]; dentro das cavernas havia também 7 portais marcados cada um com um dos nomes dos sete planetas através dos quais os participantes tinham que passar descendo ou subindo.

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Os sete céus conforme os antigos

Mas de onde teriam surgido estas teorias de que existem sete céus, e que eram tão comuns na antiguidade? Desde a Babilônia com sua pirâmide vitrificada com sete andares, cada uma de uma cor, passando pela religião iraniana do deus Mitra e culminando com a fusão da religião com a filosofia grega nos Mistérios de Mitra, esses mistérios constituíam uma das religiões mais influentes nos dias do Novo Testamento.

A história aponta de maneira muito objetiva para uma lenda egípcia conhecida como “A Visão de Hermes”. De acordo com o historiador francês e pesquisador das religiões da antiguidade, Édoaurd Schuré, esta visão “não estava escrita em papiro algum, apenas existia marcada em sinais simbólicos nas estrelas pintadas na cripta secreta e só era conhecida do profeta”. A sua explicação era transmitida de pontífice para pontífice.

Apesar de não sermos iniciados nos mistérios de Osíris, aqui vão porções da “Visão de Hermes” que nos ajudam a compreender o entendimento que o mundo antigo tinha a respeito do céu ou dos céus.

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“Em um certo dia, Hermes adormeceu, após ter meditado sobre a origem das coisas. Um pesado torpor tomou o seu corpo; mas, à medida que o corpo entorpecia o seu espírito alava-se nos espaços.

Então, afigurou-se-lhe que um ser imenso, sem forma determinada, o chamava pelo seu nome.

Hermes: Quem és tu? Pergunta-lhe aterrorizado.

Osíris: Eu sou Osíris, a Inteligência suprema, que tudo posso desvendar. O que desejas?

Hermes: Descobrir a origem dos seres, ó divino Osíris, e conhecer Deus.

Osíris: Serás satisfeito.
---------------
Hermes: ...faz-me ver a vida dos mundos, o caminho das almas, de onde vem o homem e para onde vai.

Osíris: Que tudo se faça segundo o teu desejo.

Hermes torna-se mais pesado que uma pedra e rola através dos espaços... Finalmente vê-se no cimo de uma montanha... os seus membros pareciam pesar-lhe como se fossem de ferro.

Osíris: Ergue os braços e olha!

Então o iniciado viu um espetáculo maravilhoso passado no espaço infinito, no céu estrelado que o envolvia em sete esferas luminosas. De um só olhar, Hermes abrangeu os sete céus, dispostos sobre a sua cabeça como sete globos transparentes e concêntricos de que ele ocupava o centro sideral. O último era cingido pela Via Láctea. Rolava, em cada uma dessas esferas um planeta acompanhado de um gênio de forma, sinais e luz dessemelhantes. Enquanto Hermes deslumbrado contemplava a sua floração esparsa e os seus movimentos majestosos, a Voz dizia-lhe:

Osíris: Olha, escuta, e compreende. Tu vês as sete esferas de toda a vida. Realiza-se através delas a queda das almas e a sua ascensão. Os sete Gênios são os sete raios do Verbo-Luz. Cada um deles mantém uma esfera do Espírito, uma fase da vida das almas. O mais próximo de ti é o Gênio da Lua, de sorriso inquietante e coroado por uma foice de prata. Preside aos nascimentos e às mortes. Ele desagrega as almas dos corpos e atrai-as com os seus raios. Acima dele o pálido Mercúrio indica o caminha às almas descendentes e ascendentes com o seu caduceu[4], que encerra a Ciência. Mais acima, é a brilhante Vênus, que guarda o espelho do Amor, em que as almas por sua vez se esquecem e reconhecem. Mais alto, o gênio do Sol ostenta o facho triunfal da eterna Beleza. Mais alto ainda, Marte brande o gládio da Justiça. Entronizado sobre a esfera azulada, Júpiter empunha o cetro do poder supremo, que é a inteligência divina. Nos confins do mundo, sob os signos do Zodíaco, Saturno sustém o globo da sabedoria universal.

Hermes: Eu vejo, as sete regiões que compõem o mundo visível e invisível: vejo os sete raios do Verbo-Luz, do Deus único, que as atravessa e por eles a governa. Mas, ó meu mestre, como se realiza a viagem dos homens através de todos os mundos?

Osíris: Vês uma semente luminosa cair das regiões da Via Láctea na sétima esfera? São germens de almas. Elas vivem como vapores ligeiros na região de Saturno, felizes, sem cuidados e não tendo consciência da sua felicidade. Mas, caindo de esfera em esfera, revestem invólucros cada vez mais pesados. Em cada encarnação[5] adquirem um novo sentido corporal, conforme o meio em que habitam. A sua energia vital aumenta; porém, à medida que entram em corpos mais espessos, vão perdendo a recordação da sua origem celeste. Assim se realiza a queda das almas, que vêm do divino Éter. Cada vez mais cativas da matéria, cada vez mais embriagadas pela vida, elas precipitam-se como uma chuva de fogo, com estremecimentos devolúpia, através das regiões da Dor, do Amor e da Morte até à sua prisão terrestre, onde tu próprio gemes retido pelo centro ígneo da terra e onde a vida divina te parece um sonho em vão”.

Essa era a visão que o mundo antigo tinha dos céus. Tudo muito bem “explicadinho” para que Hermes não se perdesse em sua viagem astral. Essas interpretações, apesar de visivelmente fantasiosas, continuam presentes nos nossos dias em todas as formas de espiritismo[6] que continuam ensinando as mesmas antigas “ficções” de que os seres humanos evoluem para baixo e para cima através de sucessivas reencarnações através do espaço sideral.

Mas o que é que a Bíblia ensina? Em primeiro lugar devemos destacar que, diferentemente das religiões humanas da antiguidade que procuravam explicar aos seus iniciados, nos mínimos detalhes, as questões mais profundas que um ser humano pode fazer — Quem sou? De onde eu vim? Por que estou aqui? Para onde vou? — a revelação bíblica é bastante discreta e sóbria não elaborando detalhes acerca da vida futura. De fato ao contrário de Osíris que podia “desvendar todas as coisas”, o que é um desejo humano perene, o Deus da Bíblia tem reservado certas coisas para seu próprio conhecimento –

Deuteronômio 29:29

As coisas encobertas pertencem ao SENHOR, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei.

No Antigo Testamento a palavra usada para céu — mesmo quando traduzida no singular em nossa versão de Almeida Revista e Atualizada – ARA – ver, por exemplo, Gênesis 7:19 — está sempre no plural. No original a palavra só aparece no singular quando é usada na expressão “céu dos céus”. Isto não quer dizer que os autores bíblicos do Antigo Testamento tinham uma visão de que a estrutura do universo consistia de vários céus que formavam esferas concêntricas, umas em cima das outras, como as camadas de uma cebola cortada pela metade. Analisando os versículos do Antigo Testamento onde a expressão hebraica הַשָּׁמַיִם hasshamayim — os céus aparece podemos deduzir que no Antigo Testamento a revelação de Deus indicava a existência de, pelo menos dois céus, e possivelmente três —

1 Reis 8:27

Mas, de fato, habitaria Deus na terra? Eis que os céus e até o céu dos céus não te podem conter, quanto menos esta casa que eu edifiquei.

Esdras 9:6

Meu Deus! Estou confuso e envergonhado, para levantar a ti a face, meu Deus, porque as nossas iniquidades se multiplicaram sobre a nossa cabeça, e a nossa culpa cresceu até aos céus.

Mas a informação que temos não nos permite definir um número preciso.

No Novo Testamento a expressão grega οὐρανὸς ouranòs — céu — no singular — é usada tanto para descrever o local onde o trono de Deus está quanto o espaço onde os pássaros voam —

Mateus 5:34

Eu, porém, vos digo: de modo algum jureis; nem pelo céu, por ser o trono de Deus.

Mateus 6:26.

Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves?

Por sua vez a expressão que Paulo usa em Efésios 1:3 é ἐπουρανίοις epouraníois e a mesma é traduzida por lugares celestiais, o que por si só já indica a existência de pelo menos dois céus. Mas o próprio apóstolo Paulo nos fala em —

2 Coríntios 12:1—4

1  Se é necessário que me glorie, ainda que não convém, passarei às visões e revelações do Senhor.

2  Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos, foi arrebatado até ao terceiro céu (se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe)

3  e sei que o tal homem (se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe)

4  foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir.

que um homem — a modéstia não lhe permite usar seu próprio nome — se no corpo ou fora do corpo, somente Deus sabe, foi arrebatado até ao terceiro céu, chamado de paraíso, onde ouviu palavras inefáveis — que não podem ser pronunciadas —, as quais não é lícito ao homem referir. Assim, a revelação no Novo Testamento nos ensina que existem três céus, pelo menos. Se o terceiro céu mencionado por Paulo for onde está o trono de Deus — Paulo chama o terceiro céu de Paraíso, mas não faz menção à presença de Deus — então existem somente 3 céus. Se o trono de Deus não está no terceiro céu então existirão tantos céus quanto tiverem que existir até que cheguemos ao céu onde o trono de Deus está. O apóstolo João, na revelação que recebeu do Senhor Jesus — o livro do Apocalipse —, foi chamado ao céu οὐρανὸς ouranòs onde “em espírito” teve a visão que descreve em Apocalipse 4. Em nenhum momento, em todo o livro do Apocalipse João menciona uma hierarquia de céus — primeiro, segundo, etc., mas usa a palavra do mesmo modo que Jesus em Mateus 5 e 6 como foi indicado acima. O que distingue a visão de João da de Paulo é que João menciona, de forma explícita, a presença do trono de Deus no céu para o qual ele foi chamado, mas como acabamos de falar, João não menciona nenhuma hierarquia.

Independentemente da Bíblia não mencionar uma hierarquia, esse conceito surgiu na tradição cristã através dos escritos, pseudo epigráficos, de um indivíduo chamado Dionísio, o areopagita. O verdadeiro Dionísio é personagem bíblico.

Quando Paulo esteve em Atenas, por volta do ano 51 a.D. começou pregando o evangelho, como era seu costume, primeiro nas sinagogas dos judeus. Depois Paulo levou sua pregação para a praça pública onde argumentou com filósofos epicureus[7] e estoicos[8]. Estes por sua vez acabaram por levá-lo para o Areópago[9], onde Paulo fez o discurso que está registrado em —

Provável localização do areópago em Atenas. A placa de Bronze à direita tem o texto abaixo:

Atos 17:16—34

16 Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se revoltava em face da idolatria dominante na cidade.

17 Por isso, dissertava na sinagoga entre os judeus e os gentios piedosos; também na praça, todos os dias, entre os que se encontravam ali.

18 E alguns dos filósofos epicureus e estóicos contendiam com ele, havendo quem perguntasse: Que quer dizer esse tagarela? E outros: Parece pregador de estranhos deuses; pois pregava a Jesus e a ressurreição.

19 Então, tomando-o consigo, o levaram ao Areópago, dizendo: Poderemos saber que nova doutrina é essa que ensinas?

20 Posto que nos trazes aos ouvidos coisas estranhas, queremos saber o que vem a ser isso.

21 Pois todos os de Atenas e os estrangeiros residentes de outra coisa não cuidavam senão dizer ou ouvir as últimas novidades.

22 Então, Paulo, levantando-se no meio do Areópago, disse: Senhores atenienses! Em tudo vos vejo acentuadamente religiosos;

23 porque, passando e observando os objetos de vosso culto, encontrei também um altar no qual está inscrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Pois esse que adorais sem conhecer é precisamente aquele que eu vos anuncio.

24 O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas.

25 Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais;

26 de um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação;

27 para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós;

28 pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas têm dito: Porque dele também somos geração.

29 Sendo, pois, geração de Deus, não devemos pensar que a divindade é semelhante ao ouro, à prata ou à pedra, trabalhados pela arte e imaginação do homem.

30 Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam;

31 porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos.

32 Quando ouviram falar de ressurreição de mortos, uns escarneceram, e outros disseram: A respeito disso te ouviremos noutra ocasião.

33 A essa altura, Paulo se retirou do meio deles.

34 Houve, porém, alguns homens que se agregaram a ele e creram; entre eles estava Dionísio, o areopagita, uma mulher chamada Dâmaris e, com eles, outros mais.

De acordo com o texto de Atos, no final da pregação de Paulo alguns creram encontrando-se entre esses um homem chamado Dionísio. Tudo o que sabemos, verdadeiramente histórico, acerca desse homem, encontramos em Atos 17:34  e se resume ao seu nome, Dionísio e à sua função, areopagita, que indica que ele era um dos doze juízes do Areópago em Atenas. Mas o fato dele ser um dos doze juízes nos revela algumas verdades a mais. Para alcançar a posição de juiz no Areópago era necessário que o indivíduo tivesse ocupado antes a posição de άρχον árchon — governador da cidade de Atenas. E para ocupar a posição de governador era necessário que fosse reconhecido pela comunidade como homem inteligente, dotado de sabedoria e ser pessoa de conduta exemplar. Até aqui tudo é histórico.

Bispo Eusébio de Cesárea — 260 – 339 a.D.—, em sua obra “História Eclesiástica” registra o fato, citando outra fonte, de que este Dionísio teria sido o primeiro bispo da cidade de Atenas. Outro autor, Nicéforo, fala de Dionísio como tendo sido martirizado. Todavia, como dissemos, não há meios de provar a veracidade dessas alegações. Suídas — c. 970 a.D — que produziu um dicionário da língua grega repleto de notas biográficas informa que Dionísio, o areopagita, era ateniense de nascimento tendo se destacado por suas realizações literárias. Ainda de acordo com Suídas, Dionísio, teria sido educado primeiramente em Atenas, na Grécia, e também em Heliópolis — cidade do sol — no Egito. Suídas confirma a verdade bíblica de que Dionísio converteu-se ao Cristianismo bem como a tradição de que teria se tornado o primeiro Bispo de Atenas. Outro autor, o filósofo ateniense Aristides — c. século II d.C. —, concorda com a informação de que Dionísio havia sido martirizado por causa da fé cristã.

Esta discussão acerca de Dionísio, o areopagita, é pertinente ao nosso estudo acerca dos “lugares celestiais” porque um grupo de estudos de natureza mística, filosófica e religiosa tem sido atribuído a ele. Esta atribuição é importante porque este corpo literário foi aceito tanto pela Igreja Católica Romana quanto pela Igreja Ortodoxa como literatura “genuinamente cristã”. Uma vez aceito dessa maneira o mesmo acabou influenciando grandemente tanto a teologia quanto a espiritualidade daquelas denominações. Estudos modernos, todavia, têm sido capazes de demonstrar que esse material foi composto depois do século IV d.C. por um ou mais autores neoplatônicos[10]. Alguns acham que esses escritos teriam sido produzidos no século V e mesmo no século VI d.C. Para se ter uma idéia precisa da influência que tais escritos alcançaram na cristandade medieval, basta dizer que os mesmos foram traduzidos para o latim por Johannes Scotus — c. século X d.C. — tendo-se tornado muito populares como um compêndio de misticismo, e chegaram a ser quase tão influentes quanto os escritos do próprio apóstolo Paulo!

Plotinos — 205 – 270 d.C

Esses escritos de caráter profundamente místico e repletos de noções e conceitos do neoplatonismo aplicavam novamente, à teologia cristã as doutrinas cardeais dos filósofos Plotinos — 205 – 270 d.C. —, e Proclus — 410 – 485 d.C. —, que foram os dois maiores expoentes daquela escola filosófica. De fato a história reconhece Proclus como o mais influente filósofo no mundo grego — Bizâncio —, latino — Roma — e Islâmico — Arábia —, simultaneamente. Os ensinos desses filósofos incluíam conceitos acerca da natureza inefável do Um, a extensão da emanação para além da substância divina à alma humana e ao universo. Além disso ensinavam a constituição tríplice de todas as coisas e o conceito do processo mundial como um derramamento eterno e infinito da essência divina, bem como o retorno da essência divina à sua origem. Estes ensinos aboliram as distinções ortodoxas de categorias entre Deus e o universo criado e, como eram completamente panteístas, eram positivamente heréticos.


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 Proclus — 410 – 485 d.C

Independentemente desses fatos, esses escritos alcançaram enorme notoriedade e exerceram notável influência sobre todo misticismo cristão subsequente. Não foram poucos os que, seguindo esses ensinamentos abandonaram a fé histórica e ortodoxa para seguir, de forma apaixonada, essas heresias. Mas a questão mais pervasiva de todas é o ensino acerca da dicotomia, de que existe uma diferença entre a vida espiritual e a vida física. De acordo com esse ensinamento a pessoa devia buscar uma vida espiritual em oposição à vida física controlada pelos cinco sentidos. Essa vida espiritual devia ser buscada porque era um tipo de vida superior à vida física. O resultado desse ensino naqueles dias foi o desenvolvimento de um extenso misticismo, com pessoas pretendendo viver em um nível muito superior à maioria das pessoas. Esta tolice grega se instalou definitivamente na vida da igreja e suas consequências podem ser vistas até os dias de hoje em ensinamentos, igualmente tolos, de que existem cristãos espirituais e cristãos carnais. Pela descrição dada por esses mestres o cristão carnal não passa realmente de um incrédulo que não tem nada de cristão a não ser a aparência pretensiosa e vazia. Em tempos mais recentes esta tolice se manifesta no uso impróprio da expressão “unção” querendo significar que aqueles que a possuem são superiores aos que não a possuem. Muitos existiram que durante as diversas eras da igreja cristã pretenderam viver em um nível superior ao dos demais cristãos, como se fossem mais espirituais como se já estivessem vivendo nos céus! O fato é que Deus concedeu a todos os crentes sua completa bênção espiritual que se manifesta primariamente pela presença gloriosa do seu Espírito Santo em nós presença essa, que é manifestada por toda a extensão do que a Bíblia chama de “lugares celestiais” que corresponde a toda extensão onde o poder e domínio de Deus se manifestam!

2. Conclusão acerca de quantos céus existem:

Apesar de não podermos definir com precisão a resposta para nossa pergunta acerca de “Quantos Céus Existem?” podemos, entretanto, tirar algumas conclusões de tudo o que vimos até aqui.

1. Os “lugares celestiais” não devem ser entendidos somente como um espaço ou localidade. As referências a “trono de poder” — Efésios 1:20 e 2:6 — bem como a principados e poderes nos lugares celestiais não se referem a lugares geograficamente limitados e devem ser entendidos como o ambiente onde poder e autoridade “celestiais” são exercidos.

2. Os lugares celestiais podem ainda ser habitados por seres hostis a Deus e aos homens — Efésios 6:12 —, mas este fato não ameaça nem impede a ordem correta nas regiões celestiais, que consiste e será consumada pela submissão de tudo ao Senhorio de Jesus — Efésios 1:20—23. Ver também Filipenses 2:9—11 e Colossenses 1:18—20.

Em resumo, a menção de “lugares celestiais” ou céus em Efésios 1:3, não possui nenhuma função limitadora da mesma maneira que aconteceu com a expressão “espiritual”. Pelo contrário, o uso da expressão “lugares celestiais” indica a extensão, a eficiência, a validade e a suficiência da bênção que Deus concedeu. Deus mesmo é a fonte da bênção e todas as dimensões da criação e da existência humana, sejam elas reais sejam imaginárias, são permeadas e modificadas por esta bênção, mesmo que ainda alguns elementos permaneçam hostis, conforme Efésios 6:12.

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A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 018 — A Escolha ou Eleição Divina — Efésios 1:4 — PARTE 008 — Por que O Mundo Nos Odeia

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 019 — As Desculpas para Rejeitar a Jesus e o Evangelho da Graça — PARTE 001


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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[1] As legiões romanas favoreciam a adoração do deus Mitra desde que foram introduzidos a esta religião. Essa divindade tinha sua origem no panteão Védico do Hinduísmo, onde se chamava Mitra. Este deus havia chegado à região da Anatólia —Turquia moderna — através dos iranianos e havia se tornado em conjunção com a filosofia grega uma das muitas religiões de mistérios da antiguidade. O interesse das legiões romanas por esta divindade devia-se ao fato de este deus representar a amizade, a integridade, a harmonia e tudo o mais que era necessário para uma bem sucedida manutenção da ordem na existência humana, coisas estas que eram do interesse primordial dos soldados romanos.

[2] Equinócios são pontos da órbita da Terra em que se registra igual duração do dia e da noite, o que sucede nos dias 21 de março e 23 de setembro.

[3] Os solstícios são as Épocas em que o Sol passa pela sua maior declinação boreal — ao norte — ou austral — ao (sul—, e durante a qual cessa de afastar-se do equador. Os solstícios situam-se, respectivamente, nos dias 22 ou 23 de junho para a maior declinação boreal, e nos dias 22 ou 23 de dezembro para a maior declinação austral do Sol. No hemisfério sul, a primeira data se denomina-se solstício de inverno e a segunda solstício de verão; e, como as estações são opostas nos dois hemisférios, essas denominações invertem-se no hemisfério norte.] 

[4] Bastão com duas serpentes enroscadas e com duas asas na extremidade superior — Insígnia do deus Mercúrio. Esta insígnia, a partir do século XVI, foi adotada como símbolo da Medicina. 

[5] Encarnação — Veja como é antiga essa bobagem que o tal de Allan Kardec pretendeu ter descoberto apenas no século XIX!

[6] O espiritismo está presente não somente nos ensinos chamados herméticos ou da religião do deus Mitra, mas pode ser também encontrado entre os gregos nas obras do matemático Pitágoras de Samos, do filósofo Platão de Atenas, em todas as religiões originadas da Índia e na sua versão moderna inventada por Hippolyte-León-Denizard Rivail que se autodenominava como a reencarnação de um poeta celta chamado Allan Kardec. Outras religiões como a Teosofia de Helena Petrovna Blavatsky também capitalizam em cima do espiritismo egípcio, indiano e kardecista. Mesmo religiões que alegam ser cristãs, como o Adventismo do Sétimo Dia e o a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que é conhecida como igreja Mórmon possuem também seus toques de espiritismo.

[7] A filosofia conhecida como Epicureanismo foi fundada por Epicuro —341 — 270 a.C.. Nesse momento o que nos interessa dessa filosofia é sua crença acerca da alma humana. Para os filósofos epicureus a alma era material, constituída de átomos minúsculos e se encontrava espalhada pelo corpo. Desta forma a morte era insignificante já que tanto o corpo como a alma se dissolvem no meio.

[8] O Estoicismo foi fundado por Zeno — 336 — 264 a.C.. Um de seus seguidores, Crísopo — 232 — 204 a.C. —, tinha alunos de regiões distantes como Tarso e Babilônia. O estoicismo como desenvolvido por Crísopo foi favoravelmente recebido em Roma durante a República.  Essa filosofia era bem mais complexa no que diz respeito às implicações teológicas. Os estoicos acreditavam que as forças do universo formam uma força todo pervasiva e assim se mostram panteísta. O panteísmo acredita que Deus é a soma de tudo quanto existe, mas existem também sintomas de deísmo. Esse, por sua vez, acredita na existência de um Deus, destituído de atributos morais e intelectuais, e que poderia ou não haver influído na criação do Universo. Para os estoicos o universo forma uma cadeia de causa e efeito onde nada acontece por acaso. Dentro desta perspectiva o mal se torna inexistente ou relativo. Acreditavam também que a alma é substância material, uma fagulha do fogo divino e que a verdadeira religião consistia em se resignar ao destino. Caso houvesse resistência na resignação, a crença da re-ocorrência cíclica garantia o reaparecimento da alma — reencarnação — para uma nova tentativa.

[9]  Tribunal ateniense, assembléia de magistrados, sábios, literatos, etc., localizado na “Colina de Marte” — Ares em grego — na área adjacente ao Parthenon, na Acrópole ateniense.

[10] A escola filosófica conhecida como Platonismo foi fundada por Platão (427 – 347 a.C.), que juntamente com Sócrates e Aristóteles compões a tríade de “mamutes” filosóficos da cidade antiga de Atenas. Platão era tanto filósofo, quanto poeta e místico, e a ele devemos o registro por escrito dos ensinamentos de Sócrates. Ao misturar filosofia com poesia e misticismo Platão conseguia combinar uma enorme habilidade de raciocínio lógico com vôos poéticos imaginativos e profundos sentimentos místicos. Platão acreditava em um ser criador que ele chamava de Demiurgo. Este Demiurgo molda o mundo real (este em que vivemos) de acordo com o padrão do mundo ideal, tão perfeitamente quanto possível utilizando a matéria. O demiurgo funciona como uma espécie de arquiteto que impõe formatos a matéria pré-existente - esta ideia platônica é muito penetrante e podemos encontrá-la tanto no conceito do “Grande Arquiteto do Universo” da Maçonaria quanto na série de filmes “Matrix” onde o arquiteto faz exatamente o que Platão ensinou. Quando Platão fala da “alma do mundo” ele está falando da sua fé panteísta. Para Platão existem inúmeros outros deuses, além do Demiurgo, mas nenhuma personalidade é atribuída a eles. Platão também acreditava na eternidade das almas já que ensinava que todo conhecimento é apenas reminiscência. Apesar de Platão não ter ocupado um lugar dominante na filosofia grega posterior à sua época, como pode ser facilmente demonstrado, veio a ocupar de maneira quase absoluta, uma posição dominante nos primeiros séculos do Cristianismo. A teologia dos assim chamados “Pais da Igreja” que é chamada de Patrística e que é objeto de estudos na ciência histórica chamada de Patrologia, foi formulada, em sua grande maioria, baseada na super estrutura da filosofia de Platão. Mas a influência de Platão não se resume ao Cristianismo. O Judaísmo também, principalmente através de Filo Judaeus de Alexandria (15 a 10 a.C – 45 a 50 d.C) bem como, em tempos posteriores, a filosofia Islâmica também devem muito à Platão. Sua influência pode ser vista na ênfase da realidade não material, na existência de uma alma imortal distinta do corpo físico, na idéia de uma religião cósmica (a beleza da ordem celestial acima) e seus ensinamentos acerca de uma sociedade justa.