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sábado, 27 de maio de 2017

GRUPO MAÇÔNICO EXIGE RENÚNCIA DE MICHEL TEMER E DIRETAS JÁ



Um grupo maçônico denominado Maçons Progressistas do Brasil — MPB — lançou um manifesto exigindo a renuncia do Sr. Michel Temer da presidência da República e eleições diretas já.
O material abaixo foi publicado no site do Jornalista Esmael de Moraes de Curitiba.

URGENTE: Manifesto da Maçonaria exige renúncia de Temer e Diretas Já
26 de maio de 2017 por Esmael

A Maçonaria Brasileira lançou manifesto nesta sexta-feira (26/5/2017) pedindo a renúncia do ilegítimo Michel Temer e Diretas Já para todos os níveis.

O documento assinado pelos “Maçons Progressistas do Brasil-MPB” exige “a imediata renúncia do Sr Michel Temer e a convocação de eleições diretas e gerais para que o povo opine sobre os rumos que o país deve tomar”.

Na carta manifesto, os maçons afirmam que o atual ocupante do Palácio do Planalto encontra-se desprovido de qualquer patrimônio moral, atributo indispensável ao governante maior da nação brasileira.

Leia a íntegra do manifesto dos maçons:

Carta Aberta aos Brasileiros

Nós, Maçons Progressistas do Brasil – MPB, movimento organizado, suprapartidário, que zela pelos valores democráticos, pela pluralidade de ideias e pela justiça social, propugnados na constituição cidadã de 1988, vimos a público manifestar nosso profundo descontentamento com o estado atual de completo descrédito por que passa o governo brasileiro sob a presidência do Sr Michel Temer.

Compreendemos que após assumir o comando do país via golpe parlamentar travestido de impeachment e levado a cabo pelo então presidente da câmara, Eduardo Cunha, o Sr Michel Temer tem trabalhado para destruir as garantias e direitos sociais duramente conquistados pelo povo brasileiro durante décadas de luta. Sabemos que o programa de governo que vem sendo implementado pelo presidente ilegítimo foi rechaçado nas urnas. Por isso entendemos que este governo não tem legitimidade sequer para propor as alterações que almeja nas legislações trabalhista e previdenciária, muito menos para implementar medidas que comprometem o futuro do país, transferindo a empresas estrangeiras riquezas naturais do nosso Brasil.

Além de carecer de legitimidade, o atual ocupante do Palácio do Planalto encontra-se desprovido de qualquer patrimônio moral, atributo indispensável ao governante maior da nação brasileira. Não bastava o áudio no qual o Ex-ministro do planejamento, Romero Jucá, foi flagrado detalhando o golpe e associando as figuras do então deputado Eduardo Cunha a Michel Temer na trama, agora o próprio Temer é flagrado em conversas nada republicanas com um diretor da empresa JBS. Conversas estas que versam sobre compra de juízes e promotores, além de pagamentos para garantir o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha.

Diante desses e de outros fatos, tornamos pública nossa posição de exigir a imediata renúncia do Sr Michel Temer e a convocação de eleições diretas e gerais para que o povo opine sobre os rumos que o país deve tomar.

Pra finalizar, colhemos excerto de texto sagrado, para asseverar que: a nossa luta é para que “Corra, porém, o juízo como as águas, e a justiça como o ribeiro impetuoso”(Amós 5,24). E que assim seja!
Fraternalmente,

Maçons Progressistas do Brasil-MPB

O artigo original poderá ser visto por meio desse link aqui:


O documento original poderá ser visto por meio desse link:


NOSSO COMENTÁRIO:

Numa hora em que sobram evidências da prática dos mais diversos crimes praticados por personalidades da República, nos chama a atenção que um grupo maçônico lance um manifesto como esse, citando, inclusive, uma passagem das Escrituras Sagradas, enquanto igrejas protestantes e evangélicas em geral, permanecem em silêncio.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.                   

Os comentários não representam a opinião do Blog O Grande Diálogo; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

SILAS MALAFAIA CONVOCOU OS EVANGÉLICOS PARA UMA FARSA


Eles

AVISO AOS LEITORES: ANTES DE QUALQUER MANIFESTAÇÃO DE MÍ, MÍ, MÍ, SOLICITAMOS A TODOS QUE LEIAM NOSSO ARTIGO ATÉ O FIM E, SÓ ENTÃO, SE MANIFESTEM.

Agora que o chamado pacto — ou golpe — para a remoção da presidenta Dilma ficou patente aos olhos de todos, a situação dos golpistas é muito frágil e delicada.

Deve ser óbvio para todos que o governo interino não tem apoio popular, seja da parte dos batedores de panelas — que bateram panelas contra Temer durante sua primeira entrevista ao Fantástico da Rede Globo — seja da parte daqueles que vestiram as camisas da CBF sob a alegação que pretendiam combater a corrupção — rir para não chorar.

O que fazer então? Chamem os evangélicos para socorrerem o governo golpista e sem apoio popular. Afinal, os evangélicos já estão acostumados a serem usado como massa de manobra e, para isso, não faltam aproveitadores de plantão. 

Silas Malafaia chegou ao despudor de afirmar, acompanhado do impoluto senador Magno Malta, que Romeiro Jucá é um homem de princípios cristãos. Sério mesmo? Acerca de Jucá, Silas disse o seguinte:

“Romero Jucá é um amigo da comunidade evangélica. É um homem que defende ideais e princípios cristãos. Então, ele tem nosso apoio. Ele tem feito um trabalho gigantesco. Não é um político que chega aqui na quarta de manhã para sair na quarta à noite. É alguém que trabalho firme, duro e forte. Então tem o nosso apoio e como eu sou um pastor desejo que Deus o abençoe, o ilumine e lhe dê sabedoria para continuar essa jornada.”

O pronunciamento poderá ser visto por meio desse link aqui:


Alguém poderia objetar que o vídeo é antigo. Com certeza, mas isso não muda suas afirmações, que tinham a nítida impressão de convencer os incautos da probidade do, agora defenestrado, Romeiro Jucá. Se o Silas quer corrigir esse erro do passado, poderá gravar novo vídeo onde assuma sua culpa pelo que falou.

Mas muito bem. Os evangélicos então foram convocados para participarem de um mega ato profético — ocorrido no dia 1º de Junho de 2016. Primeiro vamos entender o que são tais atos proféticos e depois vamos analisar a proposta hipócrita envolvida no embuste proposto pelo pastor falastrão.  

O que são os chamados atos proféticos? Os “Atos Proféticos” são uma excrescência da chamada Teologia da Prosperidade. A intenção dos mesmos é determinar o futuro, como se meros seres humanos, que não passam de pó, tivessem a prerrogativa de determinar acontecimentos futuros. Trata-se da chamada confissão positiva aplicada ao futuro. Como podemos ver, não se lida nesses atos de seguir a revelação bíblica e sim da mais grossa manifestação de heresia. Como alguém já disse: existe a má-cumba e a boa-cumba que é praticada pelos evangélicos por meio de idiotices como esses tais atos proféticos. Os atos proféticos são heréticos porque assumem que Deus abriu mão de sua Soberania a favor de tolices inventadas pelos seres humanos. Estou enojado.

Segundo os defensores dessa heresia, eles têm autoridade para falar em nome de Deus e determinar o rumo dos acontecimentos futuros. Antes de prosseguir, gostaria de perguntar aos leitores que já participaram de tais atos, quanto efetivamente mudaram o rumo dos acontecimentos futuros? Quantos Atos Proféticos já foram realizados em minha cidade afirmando que ela seria do Senhor Jesus — implicando uma conversão em massa — e nada, absolutamente nada aconteceu. Hoje nem tem mais “crentes” declarando que São João pertence ao Senhor Jesus. O mesmo, eu sei, é verdade com todas as cidades onde se encontram os leitores. Isso deve bastar.

Os atos proféticos não passam, em sua essência, duma manifestação religiosa sincrética onde crenças evangélicas se misturam com práticas mágicas.

Para justificar a farsa, Silas Malafaia utiliza um tema querido dos brasileiros em geral: a luta contra a corrupção. Esse tema dá à convocação, certo ar de seriedade. Vejam o que o Silas afirmou acerca de seu ato profético numa entrevista concedida à BBC Brasil:

BBC Brasil - O que significa o termo profético?

Silas Malafaia - Um ato profético é fazer declarações sobre o futuro de um país. Profecia é coisa que ainda vai se cumprir, correto? É algo que vai acontecer e que se antecipa. Nós vamos declarar que o Brasil vai ser próspero, vai ter paz e vai ficar livre da corrupção, da crise econômica. Isso tudo é profético.

BBC Brasil - Então sua profecia é que crise econômica e corrupção vão terminar junto com o governo.

Silas Malafaia - Isso aí. É isso aí. É isso aí mesmo. O ato profético é para isso, é para declarar que a corrupção vai acabar, que toda a bandalheira vai ser exposta, que não vai ter derramamento de sangue, porque os 'esquerdopatas' têm o DNA da baderna, da desordem.

BBC Brasil - Não parece é difícil bancar uma profecia de fim da crise econômica e da corrupção, pastor?

Silas Malafaia - Não é difícil, não, rapaz. Na Bíblia, em épocas em que Israel vivia períodos de crise e fome, levantava um profeta que dizia que viria um tempo de paz e prosperidade. E aquilo tudo mudava. Então nós conhecemos esta prática. Agora, eu, além de liberar a palavra profética, vou 'sacudir a roseira' sobre o que está acontecendo, não tenha dúvida.

A entrevista de Silas Malafaia para a BBC Brasil poderá ser lida na íntegra por meio desse link:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/03/160326_malafaia_entrevista_rs_if

Silas afirmou que seu ato profético iria determinar o fim da corrupção no Brasil, tão logo a presidenta fosse afastada. Alguém aí acredita nisso? Mas a realidade foi bem mais dura com Silas e seu ato profético: depois da presidenta ter sido afastada, o que vimos foi o governo ser assaltado por uma verdadeira quadrilha de malfeitores acusados das mais graves denúncias, incluindo o planejamento e a execução do golpe parlamentar, midiático e plutocrático.

Enquanto isso, continuamos aguardando pelo cumprimento bombástico do objetivo do tal ato profético. Esperamos, para breve, o início da inexorável derrocada da corrupção no Brasil, a menos que Silas Malafaia tenha pregado outra de suas peças no povo evangélico, que foi prestigiar o governo golpista e o tal ato profético.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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quinta-feira, 26 de maio de 2016

MICHEL TEMER E A ARTE DE INTERPRETAR DIVERSOS "PAPÉIS" NA VIDA

Miniatura
Foto do Dia - 14/05 - Temer participa de ritual em loja maçônica.

Com sua súbita ascensão à condição de presidente interino da República Federativa do Brasil -  e não como Estados Unidos do Brasil, como acredita nosso Ministro das Relações Exteriores, José Serra - surgiu uma pergunta intrigante: Quem realmente é Michel Temer - Michel Miguel Elias Temer Lulia?

Para ajudar nosso leitores decidirem da melhor forma possível acerca de quem é Michel Temer, oferecemos abaixo os seguintes materiais:

A. Um vídeo em que Michel Temer aparece discursando numa reunião promovida pelo chamado bispo Manoel Ferreira da AD Madureira. Nesse vídeo, Temer:

1. Se derrete em elogios sobre, sua excelência, o deputado Eduardo Cunha. Isso é algo que não nos surpreende. O Vídeo é anterior à eleição de Dilma Rousseff.

2. O que nos surpreende é a forma como ele também se derrete em elogios com relação à Presidenta Dilma Vana Rousseff, como sendo uma mulher de grande fé. Ele também, de forma única, canta as loas do governo e da pessoa do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva afirmando, entre outras coisas o seguinte: a) Que Lula mudou o Brasil com o bolsa família; b) Que Lula tirou 30 milhões de brasileiros da fome e da miséria; c) Que Lula mudou o conceito que o mundo tinha acerca do Brasil e etc. É óbvio que o ex-presidente Lula, não poderia, com essas credenciais, transformar-se no patético "pixuleco" em que tentaram transformá-lo.

Mas o leitor não precisa acreditar em minhas palavras. Poderá checar tudo isso pelo vídeo que pode ser visto por meio desse link aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=GrugVB2h8lY

2. Um artigo escrito pelo professor de Semiótica Wilson Roberto Vieira Ferreira, baseado no vídeo acima, que pode ser lido abaixo:

Vídeo de Michel Temer exibe canastrice como força da propaganda

Maio 01, 2016 Wilson Roberto Vieira Ferreira


O vice-presidente Michel Temer em vídeo numa igreja onde tece elogios ao presidente da Câmara Eduardo Cunha diante de atentos evangélicos. 

A performance “videogênica” de Temer é mais um exemplo da força da canastrice na propaganda política – fenômeno ignorado até aqui pela Ciência Política. Em uma atuação exagerada, “overacting”, autoconsciente e fake, Temer parece fazer uma caricatura das caricaturas de personagens como Silvio Santos ou Raul Gil. Tal como a canastrice estudada de Geraldo Alckmin, Temer é mais um personagem político cuja força não vem das estratégias de sedução, persuasão ou da arbitrariedade de golpes militares. Paradoxalmente surge da banalidade de personagens que enfadonhamente imitam outros personagens canastrões com os quais estamos habituados em telenovelas, cinema e programas de auditório. Por que as massas se conformam com essa replicação banal dos simulacros midiáticos?

Circula nas redes sociais um vídeo no qual o vice-presidente Michel Temer faz rasgados elogios ao presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Sem data, o discurso foi realizado em alguma igreja evangélica durante campanha de apoio a Cunha - veja o vídeo abaixo.

O vídeo é mais um exemplo do fenômeno da canastrice na propaganda, fenômeno que parece ser ignorado pela Ciência Política sempre privilegiando explicações sociológicas ou ideológicas em cada análise de conjuntura.

A canastrice domina a propaganda política: políticos emitindo discursos em performances exageradas, fakes, forçadas porque carregadas de clichês que fazem alusões a atores e personalidades midiáticas igualmente canastrões.

Ironicamente, esses discursos e performances não espontâneas e caricatas tornam-se críveis porque o tempo inteiro são alusivos à ficção midiática. Na sua banalidade da imitação dos simulacros televisivos e cinematográficos com os quais convivemos diariamente, deixamos de perceber a natureza falsa e "teatral" das performances.



A performance de Temer

As mãos gesticulam nervosamente em movimentos circulares fazendo, juntamente com a proximidade do microfone na, gravata lembrar a figura do apresentador Silvio Santos e seu indefectível microfone pendurado no pescoço.

Peito empolado, metido em um terno com um corte reto e muito ajustado ao corpo. Cabeça maneia constantemente tentando enfatizar cada pronome oblíquo, lembrando os clichês de seriedade de apresentadores de telejornal como William Bonner.

Em outros momentos a mão aberta é levada à altura da barriga tentando simular formalidade e neutralidade ao discurso propagandístico – que, em si, como discurso propagandístico, não tem nada de neutro ou imparcial.

Às vezes a mesma mão aberta é levada ao plexo num clichê de oratória para tentar enfatizar uma suposta sinceridade e autenticidade ao discurso. Lábios estalam como recurso para criar uma pausa enfática.  Tudo é um grande overacting!

Estranhamente há algo que lembra o personagem criado pelo governador de São Paulo Geraldo Alckmin – a “calma estoica”: quando sorri, parece sentir alguma dor profunda. Um sorriso vincado, certamente resultante de alguma intervenção plástica no rosto mas que consegue um excelente rendimento midiático como um personagem “estoico” – sobre esse estoicismo na política clique aqui.

Isso o transforma em um personagem para quem o Destino parece ter lhe confiado alguma missão sacrificial.

Por isso Alckmin levou a impagável alcunha de “picolé de chuchu diet” como fosse alguma espécie de asceta sofredor fake.

Para reforçar essa imagem, Temer parece sempre se deixar mostrar de perfil criando uma estranha analogia física com Robespierre, a importante personalidade da Revolução Francesa. Conhecido como “o incorruptível” e impor o regime sanguinário do Terror, terminou tragicamente na guilhotina. O que confere ainda mais um ar de drama à performance canastrona.



Temer também parece seguir o mesmo script do governador de São Paulo (será que estamos diante de uma escola paulista de canastrice na política?) – o bom mocismo com sua esposa “bela, recatada e do lar”, a calma estoica dos sofredores e a sinceridade excessivamente autoconsciente das mãos. Porém, com uma esposa quarenta e três anos mais jovem, o que dá a necessária pitada de virilidade e sexualidade, necessária para dar alguma vida a um simulacro que copia outros simulacros midiáticos.

O ar professoral (constantemente o queixo se levanta enquanto os lábios se apertam em um movimento circunflexo) é exageradamente estudado e autoconsciente. Mas, paradoxalmente, o ritmo e ênfases no discurso de Temer são quase idênticos às falas de Silvio Santos repetidas há décadas em cada domingo – definitivamente, existe uma escola paulista de canastrice!

Alguns internautas tentaram comparar a performance de Temer ao demoníaco personagem de Al Pacino no filme O Advogado do Diabo (1997). Temer é exageradamente canastrão (desculpem o pleonasmo!) para se equiparar à atuação necessariamente satânica que Pacino teve que performar. Talvez o overacting de Eduardo Cunha, com seus olhos que jamais piscam, se aproxime mais do cheiro de enxofre daquele infernal advogado.

A canastrice na propaganda política

A canastrice de Michel Temer está dentro dessa verdadeira zona cinza da Política – não é mais um fenômeno estritamente ideológico-político. Sua força não vem do terror, da ditadura, da persuasão, manipulação ou sedução.

Paradoxalmente, vem da banalidade da imitação quando vemos um político que repete a atuação de atores canastrões e de apresentadores de programas de auditório como Silvio Santos (a principal referência), mas também de Raul Gil ou dos falecidos Flávio Cavalcanti e Blota Júnior.

Assim como também no passado Hitler e Mussolini, amantes do cinema, inspiraram suas performances caricatas em astros da época como Chaplin e nos galãs canastrões hollywoodianos como um Rodolfo Valentino vestido de sheik das arábias másculo e romântico.

Michel Temer: entre o "Advogado do Diabo" e Robespierre

Essa banalidade que definitivamente estetizou a política desde os tempos do nazi-fascismo aproveita-se de uma inversão do nosso aparelho perceptivo com a massificação das imagens desde o cinema – começamos a tomar o real não por ele mesmo, mas a partir de imagens anteriormente feitas sobre a realidade. Vemos a realidade a partir dos simulacros que precedem o próprio real.

Julgamos o que vemos, como algo real ou ficcional, falso ou verdadeiro, ironicamente a partir do simulacro – o banal, aquilo que está para além da realidade e da ficção.

A canastrice é filha da Hiper-realidade da Disneylândia e do seu verdadeiro pai, Walt Disney – aquele que normatizou as conexões dos simulacros com o mundo real no século XX.

A força de personagens políticos como Alckmin e Temer não vem mais da ideologia ou da força política de revoluções sangrentas, golpes militares ou do terror. Mas da banalidade onde personagens do mundo político já não possuem mais auras idealistas, heroicas, messiânicas ou revolucionárias: apenas replicam enfadonhamente os personagens canastrões com os quais convivemos diariamente em telenovelas, filmes e programas de auditório.

Cada vez mais vemos exemplos de políticos à direita do espectro político que não mais seguem o figurino do moralismo histérico de um Carlos Lacerda ou de um Jânio Quadros. Sem arroubos proféticos ou messiânicos, limitam-se à banalidade da imitação - a canastrice que imita outra canastrice, que, por sua vez, foi uma caricatura exagerada de outro personagem e assim por diante.

Parece que o ar enfadonho e canastrão destas figuras ajudam a nos conformar com o sabor amargo de futuro. O futuro como mais uma cena de algum melodrama qualquer.

O artigo original do professor Wilson poder ser visto por meio do seguinte link:

http://cinegnose.blogspot.com.br/2016/05/video-de-michel-temer-exibe-canastrice.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis


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segunda-feira, 9 de maio de 2016

OS EVANGÉLICOS E O FUTURO GOVERNO TEMER


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Culto na Câmara dos Deputados com a presença de Eduardo Cunha

O artigo abaixo foi publicado no site do DCM — Diário do Centro do Mundo — por seu editor adjunto, Kiko Nogueira. O artigo é da autoria do bispo da tradição episcopal Hermes Fernandes, que expôs a mentira e as falácias de Marco Feliciano acerca do continente africano.

O que esperar de um governo fruto de um golpe, sustentado por porta vozes de Deus?

Kiko Nogueira

Hermes Carvalho Fernandes é teólogo com doutorado em Ciências da Religião, presidente da REINA (Rede Internacional de Amigos) e bispo sagrado na tradição episcopal. Recentemente, ficou conhecido com um vídeo em que expõe a ignorância de Marco Feliciano sobre a África, ignorância admitida pelo próprio Marco Feliciano.

O vídeo poderá ser visto por meio desse link aqui:


Ele escreveu esse texto para o DCM, explicando a alegria da bancada evangélica com um eventual governo Temer.

É vergonhosa, para não dizer desconcertante, a maneira como os membros da chamada bancada evangélica têm se aproximado do protagonista de uma das mais escandalosas tentativas de golpe da história da república. Jornais noticiaram que Michel Temer abriu espaço em sua disputadíssima agenda para receber no Palácio do Jaburu alguns dos mais proeminentes líderes evangélicos para abençoá-lo como faziam os profetas aos reis no Antigo Testamento.

Dentre eles, o controverso pastor Silas Malafaia e o deputado e também pastor Marco Feliciano. Apesar de gozarem de uma ampla exposição por parte da mídia, ambos estão longe de serem unanimidades entre os evangélicos, não tanto por sua postura reacionária, que, diga-se de passagem, coincide com a da maioria dos evangélicos e católicos no país, mas, sobretudo, por sua conduta agressiva e antiética na comercialização da fé. Vale ressaltar que boa parte da bancada evangélica é formada por adeptos da famigerada teologia da prosperidade. O discurso moralista serve tão somente para angariar votos.

Sem embargo, a bancada evangélica representa o que há de mais retrógrado no cenário político atual. Seus componentes (com raríssimas exceções) foram eleitos para defender exclusivamente os interesses de suas respectivas agremiações religiosas. São bravos em lutar por concessões de rádio e TV, por privilégios para seus líderes, isenções tributárias para as igrejas e captação de verbas para realização de eventos. Entre estes, não há preocupação com os desassistidos, com as minorias, com a justiça social. Então, como poderiam captar votos sem oferecer ao povo alguma promessa concreta?

A resposta é relativamente simples. Descobriram na moralidade cristã a melhor artimanha para enredar os incautos e se elegerem sem muito esforço.  Elaboraram um discurso que coloca a família tradicional sob um ataque acirrado de quem supostamente pretende aniquilá-la. Quem seria o Golias da vez contra o qual o pequeno Davi teria que lutar? A ditadura gayzista! Soa cômico, não fosse trágico. Como alguém em sã consciência poderia dar ouvidos a um discurso tão raso e odioso!

A partir daí, começaram a criar factoides, mentiras deslavadas. Espalharam que havia um projeto de lei que obrigaria pastores a casarem homossexuais, e os que se negassem a fazê-lo sairiam algemados de seus cultos. Depois de derrubada a PL 122, trataram de procurar outro inimigo para continuar sua luta hercúlea pela moral e pelos bons costumes, e assim, garantir seu capital político. A bola da vez é o que eles apelidaram de “ideologia de gênero”, política engendrada no inferno e disseminada pelos comunistas do Partido das Trevas em conluio com o Foro de São Paulo. A partir daí, passaram a assustar aos fiéis afirmando que seus filhos seriam iniciados sexualmente nas escolas. Que o estado incentivaria a prática da pedofilia e a operação de mudança de sexo entre crianças. Que no afã de se instaurar um processo de engenharia social visando coibir o crescimento populacional, as escolas se transformariam em verdadeiras fábricas de homossexuais.

Risível, não? Mas preocupante. Muita gente simples que compõe a maior parte da comunidade evangélica no país comprou a ideia. Seguindo a cartilha de Joseph Goebbels, ministro de propaganda de Hitler, líderes obstinados pelo poder lançaram suas fichas na máxima de que uma mentira contada muitas vezes acabe se tornando verdade. Quão distantes se tornaram d’Aquele carpinteiro cuja voz ecoava pelas ruas da Galileia: Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará!

Seu Messias é Bolsonaro, seu profeta é Malafaia, seu mestre é Olavo de Carvalho e ainda por cima, considera Cunha um gênio. O que mais esperar do mais proeminente representante da bancada evangélica? Refiro-me a Marco Feliciano. Enquanto o Messias reacionário é preparado para 2018, Feliciano, Malafaia e cia. ungem Michel Temer como seu predecessor, uma espécie de João Batista.

O que podemos esperar de um governo fruto de uma conspiração golpista apoiado por gente que se apresenta como porta-voz de Deus, mas arrota enxofre?

Bem fez Napoleão Bonaparte ao se recusar ser coroado pelo Papa. Todavia, a história nos ensina que o poder sempre busca legitimação na religião. Napoleão sabia disso, e chegou a afirmar que a religião seria um ótimo tranquilizante para pessoas comuns. O livro de Apocalipse nos apresenta a figura de duas bestas, uma representando o poder político, e a outra o religioso, que numa relação incestuosa ameaça a civilização. A besta que representa o poder religioso se apresenta como tendo a aparência de cordeiro, mas cuja voz é de dragão (Apocalipse 13:11).

O mesmo Silas que hoje faz campanha ostensiva para derrubar um governo democraticamente eleito, não faz muito tempo, surpreendeu seus telespectadores ao agradecer à presidente Dilma pela sanção da Medida Provisória (MP) 668 que, não só ampliou a isenção tributária de igrejas, incluindo as comissões pagas a pastores como ajuda de custo, como também livrou muitas denominações de multas milionárias.
Silas Malafaia e o missionário R. R. Soares foram dois dos principais beneficiários da MP, graças à atuação de ninguém menos que Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Silas se livrou de uma multa de R$ 1,5 milhão, enquanto o presidente da Igreja Internacional da Graça se livrou de uma multa de R$ 220 milhões. Dentre os beneficiários, estariam Robson Rodovalho, bispo da Sara Nossa Terra e Mário de Oliveira, presidente da Igreja do Evangelho Quadrangular.

Se estivesse isolada, talvez a bancada evangélica não fizesse tanto estrago. Mas ao unir-se com as bancadas rural e armamentista, tornaram-se num poderoso bloco conhecido como BBB (boi, bala e bíblia) capaz de impor sua agenda à nação.

Como seguidor de Cristo, devo salientar que o Nazareno passa longe de tudo isso. Duvido muito que Ele compactue com qualquer tentativa de golpe, e muito menos com uma agenda comprometida com a manutenção do status quo. O Cristo que vejo emergir das páginas do Novo Testamento é afeito à causa do excluído, do marginalizado, do penalizado por políticas públicas cruéis, do condenado pelo moralismo cego e hipócrita. Da primeira vez que aqui esteve, Ele frustrou a expectativa de quem apostava de que Ele protagonizasse um golpe que destituísse Herodes, substituindo-o por um legítimo descendente de Davi.

Aos gritos de “Hosanas!”, a multidão que o recebeu à porta da cidade esperava que marchasse em direção ao palácio, porém, Seus planos eram outros. Em vez de ceder à pressão popular, a Sua decisão naquele dia era de que não teria golpe. Herodes podia respirar tranquilo. Quem tinha o que temer eram os mercadores do templo, os exploradores da fé. Munido de chicote, Jesus invadiu o recinto sagrado e os expulsou sem dó, nem piedade.

Engana-se quem pensa que o reino de Deus pregado por Jesus possa ser confundido com agendas políticas. “Meu reino não é deste mundo”, teria dito a Pilatos. Portanto, mantenhamos cada coisa em seu devido lugar. Que o Estado siga laico. E a religião assuma seu papel de inspirar os homens em sua luta pelo bom, belo e justo. Que os líderes religiosos se espelhem em Jesus. Que preguem o amor em vez de destilar o ódio. Que desistam de sua fome pelo poder. Que apontem menos o dedo e estendam mais as mãos. Que sejam pelos oprimidos, denunciando os poderosos e suas astúcias.

E quanto à sua aproximação dos que conspiram pela queda do atual governo, sugiro que leiam o Salmo de número 84, do verso 2 ao verso 4: “Até quando defendereis os injustos, e tomareis partido ao lado dos ímpios? Defendei a causa do fraco e do órfão; protegei os direitos do pobre e do oprimido. Libertai o fraco e o necessitado; tirai-o das garras dos perversos.”

Hermes Fernandes

O artigo original poder ser visto por meio desse link aqui:


Que Deus tenha misericórdia do Brasil.

Alexandros Meimaridis

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