
ESTE ESTUDO É PARTE DE UMA SÉRIE DE ESTUDOS APRESENTADOS EM NOSSA IGREJA ATENDENDO À SOLICITAÇÃO DE UM DOS NOSSOS MEMBROS ACERCA DE “QUEM” PODERIA SER A MULHER MENCIONADA EM APOCALIPSE 12:1? NO FINAL DESSE ESTUDO VOCÊ ENCONTRARÁ OS LINKS PARA OS OUTROS ESTUDOS DESSA SÉRIE.
VI. Uma Interpretação
Histórica, Filológica e Teológica de Apocalipse 12.
1. Viu-se grande sinal
no céu, a saber, uma mulher vestida do sol com a lua debaixo dos pés e uma
coroa de doze estrelas na cabeça — Apocalipse 12:1.
A narrativa contida em Apocalipse é um quiasma que faz parte do soar das sete trombetas de Deus. De modo mais específico ela é um parêntese da sétima e última trombeta. A quinta trombeta que produz o primeiro “ai” — ver Apocalipse 8:13 — foi introduzida em Apocalipse 9:1 onde lemos: O quinto anjo tocou a trombeta, e vi uma estrela caída do céu na terra. E foi-lhe dada a chave do poço do abismo. A sexta trombeta, com o consequente segundo “ai” é mencionada em Apocalipse 9:13, que diz: O sexto anjo tocou a trombeta, e ouvi uma voz procedente dos quatro ângulos do altar de ouro que se encontra na presença de Deus. Por fim soa a sétima trombeta trazendo o terceiro “ai” em Apocalipse 11:15—19, e que nos conduz até o início do capítulo 12 onde João nos diz: Viu-se grande sinal no céu. Pronto, aqui nos encontramos no clímax da visão apocalíptica de João. Vamos analisar mais de perto essa afirmação:
Viu-se grande sinal no
céu — Na
Antiguidade as pessoas acreditavam que sinais no céu representavam mudanças na
Terra. Assim temos a curiosa história dos Magos que vieram do Oriente, porque
viram brilhar no céu uma estrela que os guiou até onde estava o menino Jesus.
Note que os Magos foram tomados de grande alegria por ver a estrela. Depois
entraram na casa onde Maria e Jesus estavam e adoraram a Jesus — não a Maria —
oferecendo-lhe presentes dignos de um
1.
Rei — ouro.
2.
Sacerdote — incenso.
3.
Profeta — mirra. Ver Mateus 2:9—11.
De passagem devemos notar que os magos encontraram
Maria e o menino Jesus em uma casa em Belém e não mais na estrebaria. Portanto,
existe um erro histórico na tradição dos presépios os quais colocam os magos
presentes na estrebaria. Os magos nunca estiveram na estrebaria!
Herodes, sendo um homem típico do seu tempo, sabia bem o significado daquele presságio anunciado pelos magos. Diante disso, ele procurou juntar informações que pudessem levá-lo a eliminar aquele que considerava como um rival potencial — ver Mateus 2:1—8.
Nos dias de Nero um cometa foi visto no céu — no ano
60 d. C. O surgimento de tal portento celestial, segundo as pessoas daqueles
dias, só poderia significar uma coisa: a morte do atual imperador e a ascensão
de outro em seu lugar. A morte da mãe do imperador acontecida pouco tempo antes — Agripina — apenas agravou ainda mais a situação. Mas Nero só veio a falecer
em 9 de Junho o ano 68 d. C.
Os leitores de João esperam ansiosos por sua
explicação do que significa esse grande sinal.
A expressão grega σημεῖον — semeîon — sinal, prodígio, portento, i.e., uma ocorrência incomum, que
transcende o curso normal da natureza é usada de duas formas distintas no livro
do Apocalipse:
· No singular σημεῖον — semeîon — sinal, é usado para
descrever algo extraordinário no céu como temos em Apocalipses 12:1, 3; 15:1.
Esses sinais — com a palavra grega no singular no Apocalipse são atos de Deus
e, geralmente apontam para o fim dos tempos, para a consumação de todas as
coisas – ver Lucas 21:11, 25; Atos 2:19.
· No plural σημεῖα — semeîa — sinais é usada no livro
do Apocalipse, exclusivamente para se referir a sinais praticados pelo Diabo e
seus representantes — a besta e o falso profeta — cujo objetivo é enganar as
pessoas — ver Apocalipse 13:13—14; 16:14 e 19:20.
· Esses sinais praticados pelo
Diabo e seus representantes não passam de uma zombaria feita em cima dos
verdadeiros sinais realizados por Jesus Cristo — ver João 2: 11, 23.
A saber, uma mulher —
Apocalipse 12:a – Existe muita especulação acerca de quem poderia ser essa mulher. Como já
temos visto, a Igreja Católica Romana alega que a mesma é Maria. Essa afirmação
e posição adotada por Roma está baseada nas inúmeras lendas de “deusas” que
deram luz a filhos que algum inimigo tentava destruir. O problema com essa posição
da Igreja Romana é que Maria nunca, nenhuma vez, nos é apresentada nos
Evangelhos, nem no restante do Novo Testamento como sendo uma deusa. Portanto, não teria nenhuma lógica João apresentá-la e, de fato, transformá-la em uma
deusa de alguma espécie. Maria é apenas um ser humano como qualquer um de nós.
A Visão Católica Romana de Maria como a Mulher do Apocalipse 12
Quando estudamos a o
desenvolvimento histórico daquilo que a ICAR chama de “dogmas marianos” nós
podemos perceber um processo bastante evidente que visa tornar Maria igual ao
seu filho Jesus. A tabela abaixo não deixa nenhuma dúvida:
Ensinamentos
|
Relativos a Jesus
|
Relativos a Maria
|
Concepção sem mácula pelo
pecado original
|
Sim
|
Sim
|
Vida sem pecado
|
Sim
|
Sim
|
Trabalho terminado como
Redentor e Mediador
|
Sim
|
Sim
|
Subiu ao Céu com corpo
glorificado
|
Sim
|
Sim
|
Fonte de vida
|
Sim
|
Sim
|
Senhor e Rei — Rainha do Céu
|
Sim
|
Sim
|
Dispensador da graça de Deus
|
Sim
|
Sim
|
Alvo de orações, confiança e
devoção
|
Sim
|
Sim
|
A lista acima não deixa nenhuma dúvida de que Maria é
feita igual ao Filho de Deus pela Igreja Católica Apostólica Romana. A situação
se agrava quando percebemos, de forma bastante clara, que Maria ocupa um lugar,
na prática do dia a dia, muito mais central na devoção dos membros da Igreja
Romana do que aquele ocupado por Jesus, o próprio Filho de Deus e Deus mesmo. A
ICAR, começando pelos exemplos estabelecidos pelos seus sumos pontífices — os
papas — tem permitido que o culto a Maria, independente do nome atribuído a tal
culto – Hiperdulia – se transforme em uma verdadeira e inconveniente
“Mariolatria”, que é promovida em todos os níveis da sua instituição através
das artes, das festas, das formas litúrgicas e da adoração. O próprio papa João
Paulo II era um mariólatra dedicado, especialmente à senhora de Fátima, a quem
ele atribuía a salvação de sua vida quando foi ferido na praça de São Pedro
pelo turco Mehmet Ali Agca, no dia 13 de Maio de 1981.
Mas, felizmente, João não deixou essa porta aberta
para a Igreja Romana transformar Maria em uma deusa segundo os modelos
mitológicos da Antiguidade. A Igreja de Roma age assim apenas porque isso lhe é
conveniente, já que ela mesma é grande patrocinadora da mariolatria reinante, a
ICAR se declara como igreja que pertence a Maria e Maria ocupa uma evidência
bem maior que Jesus. Ninguém em sã consciência se atreveria a negar esses
fatos.
Então, se essa mulher não é Maria, quem é ela? A
posição não católica romana apresenta dois aspectos. Um deles é defendida pelo
grupo que podemos chamar de pré-milenistas — que acreditam num milênio literal
sobre a Terra — e que ainda esperam que as promessas do Antigo Testamento vão
se cumprir no meio do povo de Israel, apesar do Novo Testamento ter fortes
palavras contra tal posição. A posição alternativa é defendida pela maioria dos
amilenistas — aqueles que não acham que a Bíblia ensina um milênio literal na
terra — os quais também não aceitam nenhum tipo de tratamento especial futuro
para o povo de Israel.
Primeiro vamos apresentar o resumo do grupo de
pré-milenistas de acordo com o pastor Warren Wiersbe. Ele diz: “A visão de João
em Apocalipse 12 começa com dois sinais
no céu – ver Apocalipse 12:1—6. O primeiro desses sinais é uma mulher dando
a luz a um filho. Uma vez que essa criança é identificada com Jesus — compare
Apocalipse 12:5; 19:15 e Salmos 2:9 — essa mulher não pode simbolizar a ninguém
mais, senão a nação de Israel. Foi através da nação de Israel que Jesus Cristo
veio a esse mundo — ver Romanos 1:3; 9:4—5. Quando comparamos Apocalipse 12:1
com o material de Gênesis 37:9—10 tal identidade parece mesmo ser a correta.
No Antigo Testamento, a nação de Israel é geralmente
comparada com uma mulher e até mesmo com uma mulher em dores de parto: ver
Isaías 54:5; 66:7; Jeremias 3:6—10; Miqueias 4:10; 5:2—3. O mundo apóstata é
comparado com uma meretriz — ver Apocalipse 17:1—2 — e a Igreja é comparada com
a pura noiva de Cristo — Apocalipse 19:7—9”.[1]
Outro grupo de intérpretes, a maioria deles
amilenistas e de convicções reformadas assumem a seguinte posição, representada
aqui pelo teólogo Robert Mounce: “A mulher descrita nesse capítulo do
Apocalipse não é Maria, a mãe de Jesus e sim, a comunidade messiânica ou o que
podemos chamar de Israel ideal”.[2]
Ainda de acordo com esse grupo de autores “a narrativa do apóstolo João não é
uma descrição alegórica do nascimento de Jesus como ser humano. Para eles a
narrativa tem a ver com o nascimento do Messias celestial para uma “mãe” também
celestial antes da criação”.
Sião como a mãe do povo de Deus é um tema recorrente
nas Escrituras Sagradas — ver Isaías 54:1, 5; Ezequiel 16:8; Oséias 2:19—20;
Gálatas 4:26. É da parte do Israel fiel a Deus que o Messias irá proceder. Não
deve causar nenhum tipo de choque que nesse mesmo capítulo, essa mesma mulher
assuma o papel da Igreja de Jesus Cristo conforme lemos no verso 17. Temos que
sempre nos lembrar que o povo de Deus é apenas um, através de toda a história
da redenção. A igreja primitiva em nenhum momento se viu dissociada ou em
descontinuidade com o Israel fiel a Deus do Antigo Testamento.
Fiquem os leitores à vontade para decidir qual das
duas interpretações possui mais méritos para ser crida. Só não deixem que a
Igreja Romana imponha sua interpretação herética sobre o texto sagrado, de que
se trata de Maria.
OUTROS ESTUDOS EM APOCALIPSE 12
001 — INTRODUÇÃO – Literatura Apocalíptica e o Conceito de Quiasmo
002 — INTRODUÇÃO – Tema Central e Significado Perene
003 — APOCALIPSE 12:1A — VIU-SE UM GRANDE SINAL NO CÉU — UMA MULHER — PARTE 1
004 — APOCALIPSE 12:1B — VIU-SE UM GRANDE SINAL NO CÉU — UMA MULHER — PARTE 2
005 — APOCALIPSE 12:2—3 — A MULHER E O DRAGÃO — PARTE 1
006 — APOCALIPSE 12:3 — A MULHER E O DRAGÃO — PARTE 2
007 — APOCALIPSE 12:4 — A MULHER E O DRAGÃO — PARTE 3
008 — APOCALIPSE 12:5 — A MULHER E O FILHO QUE ELA DEU À LUZ
009 — APOCALIPSE 12:6 — A FUGA DA MULHER E A PROVISÃO DIVINA
010 — APOCALIPSE 12:7 — A PELEJA NO CÉU — PARTE 1
011 — APOCALIPSE 12:8 — A PELEJA NO CÉU — PARTE 2
012 — APOCALIPSE 12:9 — O DRAGÃO, A ANTIGA SERPENTE, SATANÁS E O DIABO
013 — APOCALIPSE 12:10 — O DRAGÃO FOI EXPULSO DO CÉU
014 — APOCALIPSE 12:11 — VENCEDORES POR CAUSA DO SANGUE DO CORDEIRO E PORQUE NÃO AMARAM MAIS APRÓPRIA VIDA
015 — APOCALIPSE 12:12 — FESTA NOS CÉUS E DORES NA TERRA
016 — APOCALIPSE 12:13 — O DRAÇÃO FOI ATIRADO PARA A TERRA
017 — APOCALIPSES 12:14 — A MULHER FOGE PARA O DESERTO
018 — APOCALIPSES 12:15—18 — O DRAGÃO DESISTE DA MULHER E VAI PERSEGUIR O RESTANTE DO POVO DE DEUS — FINAL
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/05/apocalipse-121517-o-dragao-persegue-o.htmlQue Deus abençoe a todos.
Alexandros Meimaridis
PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa
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Desde já agradecemos a todos.
[1] Wiersbe,
Warren. The Bible Expository Commentary –
New Testament – Volume II – Efesians — Revelation. David C. Cook, Colorado
Springs, Second Edition, 2008.
[2] Mounce,
Robert. The Book of Revelation em The New
International Commentary on The New Testament. William B. Eerdmans
Publishing Company, Grand Rapids, 1977.