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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

A VITÓRIA DE MARCELO CRIVELLA E A TEOCRACIA DE EDIR MACEDO


Marcelo Crivella
Crivella se afastou de tom religioso na campanha à prefeitura do Rio

O artigo abaixo foi publicado no site DW.

O avanço dos evangélicos, agora também no Executivo

Vitória de Marcelo Crivella no Rio é marco na trajetória de pastores na política brasileira. Segundo especialistas, conquista de prefeituras faz parte de projeto amplo de ocupar governos e até mesmo a Presidência.

A vitória do bispo licenciado Marcelo Crivella na eleição municipal do Rio de Janeiro, neste domingo (30/10), marca uma nova etapa na trajetória dos pastores evangélicos na política brasileira. Eleito com 59,37% dos votos válidos, Crivella vai comandar a prefeitura da segunda maior cidade do Brasil e uma das principais vitrines do país, com orçamento de 31 bilhões de reais.

Com essa vitória, o projeto político dos pastores evangélicos finalmente conseguiu ir além do nicho que vem sendo cultivado na Câmara Federal – além dos Legislativos estaduais e municipais – e mostrar que também tem força em eleições majoritárias.

Sua ascensão também deve catapultar a influência do PRB, o partido dominado por membros da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). A denominação religiosa é comandada por Edir Macedo, que é também tio de Crivella e controla a Rede Record, a segunda maior emissora de TV do país. "É uma igreja com um projeto de poder que apresenta condições de colocá-lo em prática. A própria estrutura da Universal parece a de um partido ou de uma empresa", afirma Edin Abumanssur, professor de Sociologia da Religião da PUC-SP.
O PRB registrou um aumento de 31% no número de prefeitos e 33% no de vereadores nestas eleições. Em 2017, vai administrar 105 prefeituras. Mas o avanço dos evangélicos não se deu apenas com o PRB.
Neste ano, as 26 capitais brasileiras contaram com mais de 250 candidatos que se identificaram como "pastores", "missionários" ou "bispos" de diversas denominações. Na cidade como São Paulo, a bancada de evangélicos subiu de sete para treze vereadores (quase um quarto do total da Câmara).

A ascensão de Crivella e de outras figuras é influenciada pelo aumento da proporção de evangélicos no país. O Brasil continua sendo o maior país católico do mundo, mas o último censo mostrou que a população de evangélicos subiu de 15,4% em 2000 para 22,2% naquele ano. Segundo pesquisa do instituto Datafolha, 33% dos 4,9 milhões de eleitores registrados no Rio se identificam como evangélicos. Um levantamento antes do pleito mostrou que 91% deles apoiavam a candidatura de Crivella.

Imagem e retórica

Políticos evangélicos já exercem influência decisiva na política carioca e fluminense desde o final dos anos 90. O Estado do Rio já foi governado entre 1999 e 2006 por uma orquestração de políticos evangélicos que contou com Anthony Garotinho. Só que nenhum deles iniciou a trajetória política nas fileiras de uma igreja ou é tão fortemente identificado com uma denominação específica como Crivella, que se licenciou como bispo da IURD para disputar sua primeira eleição para o Senado, em 2002.

Para vencer a prefeitura do Rio, Crivella acabou tendo que moderar seu tom. Em 2008, quando se lançou pela primeira vez à prefeitura, foi derrotado ainda no primeiro turno. À época, fez uso de discurso religioso e provocou controvérsia ao atacar um de seus adversários, que defendia direitos de homossexuais, afirmando com desprezo que este promovia "o homem com homem".

Resultado de imagem para TEMPLO DE SALOMÃO 
Megatemplo da Igreja Universal em São Paulo

"Nem todo o Brasil é evangélico. Eles podem formar uma bancada numa eleição proporcional, mas esses votos não são suficientes para conquistar o Executivo. Para ir além dos seus fiéis, os políticos evangélicos têm que fazer concessões, especialmente no tom religioso. Elas não precisam tanto ser nos costumes, já que o brasileiro em geral é conservador", afirma Abumanssur.

Para Christina Vital, professora de Ciências Sociais da Universidade Federal Fluminense (UFF), Crivella ofereceu diferentes motivos para votar do que simplesmente a religião. "Ele enfatizou muito o discurso do cuidado com a população, sobre a qualidade dos serviços. A própria IURD tem um lado liberal na economia que tem apelo entre empresários. No Legislativo, os pastores podem falar só para sua base, mas no Executivo tem que falar com toda a sociedade", afirmou.

Em um debate na eleição deste ano, Crivella exemplificou sua nova abordagem para conquistar eleitores fora do nicho evangélico ao responder a uma acusação de um adversário. "Você está preocupado com a minha igreja? E a fila dos hospitais? Interessa para eles se eu sou católico, espírita, umbandista ou evangélico?", disse o político na ocasião.

O candidato chegou a dizer na TV: "eu jamais misturei política com religião" – apesar de sua ficha demonstrar que isso não é verdade. No Senado, ele promoveu projetos que beneficiavam diretamente igrejas, como uma proposta de isentar do pagamento de IPTU os imóveis alugados utilizados para cultos.

Voos mais altos

Para Abumanssur, mesmo que Crivella tenha apenas disfarçado sua tendência religiosa, não vai ser tão simples para ele implementar uma agenda religiosa numa cidade como o Rio. "Existem questões jurídicas e políticas difíceis de contornar. A principal pauta dos evangélicos está ligada aos costumes. Só que isso não é tema de competência de uma prefeitura", afirmou.

Segundo Abumanssur, o provável papel de Crivella será de mostrar a um público mais amplo que pastores são capazes de administrar uma cidade. "Não tenho dúvidas de que a Universal quer alçar voos mais altos."

Vital também afirma que Crivella deve deixar a religião de lado na administração e mostrar uma face amigável de políticos religiosos. "Existem, sim, áreas em que se pode promover uma agenda religiosa em uma prefeitura, como a educação. Mas Crivella deve se concentrar em fazer uma gestão eficiente para produzir uma vitrine para os evangélicos e expandir o eleitorado", afirma. "Ele é parte de um projeto amplo de ocupação do Executivo, que quer conquistar governos e até mesmo a Presidência e que, aí sim, vai deixar sua marca na cultura e na sociedade. Esse projeto envolvendo o Executivo também deseja influenciar o Judiciário."

Em 2012, mesmo ano em que sugeriu que os gays podem ser fruto de aborto malsucedido, Crivella declarou durante um encontro com pastores da IURD registrado em vídeo que os brasileiros ainda vão "eleger um presidente da República que vai trabalhar para nós e nossas igrejas".

O artigo original poderá ser visto por meio do link abaixo:


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sexta-feira, 20 de maio de 2016

OS EVANGÉLICOS E A CRISE POLÍTICA QUE O BRASIL ENFRENTA


Evangélicos
Evangélicos ainda são vistos com uma significativa dose de preconceito

O artigo abaixo foi publicado pelo site da revista CartaCapital e é de autoria de Juliano Spyer.

A crise política e os evangélicos

Sobre a disputa a respeito do impeachment, pentecostalismo e pensar fora da bolha.
por Juliano Spyer

O Brasil vive um momento de tensão entre pessoas favoráveis e contrárias ao impeachment. Por causa das redes sociais, a exposição das diferenças também provoca rachas no âmbito privado entre amigos e entre familiares. Mas milhares de brasileiros estão alheios a esse assunto.

Em um texto que circula online, um morador do Morro do Viradouro, no Rio de Janeiro, justifica o alheamento das classes populares do debate político nacional. Segundo ele, a ideia de que esteja ocorrendo um golpe, por exemplo, não faz sentido para quem vive o cotidiano de assassinatos e torturas da época da ditadura.

Outro grupo que também faz parte das camadas populares e que é também desprezado pelas classes médias educadas é o dos evangélicos.

Esse desentendimento aparece, por exemplo, em um artigo da The Economist sobre as justificativas dadas por deputados que votaram durante a sessão sobre o impeachment. A revista preferiu enfatizar o estereotipo carnavalesco (pouco sério) do País e perdeu a oportunidade de mostrar como a maior parte dos motivos se referiam a família, religião e Deus. Estes são temas relevantes para os 25% de brasileiros que hoje se identificam como evangélicos.
Analistas de marketing usam a expressão “pensar fora da caixa” para se referir a ser criativo. Uma versão etnográfica dessa expressão pode ser “pensar fora da bolha”; neste caso, a bolha é a classe social.

Em círculos educados, evangélicos são vistos no melhor caso como fanáticos religiosos, mas mais frequentemente são percebidos como ignorantes, retrógrados e mal intencionados. Nos 15 meses em que morei num povoado trabalhador no litoral da Bahia para uma pesquisa de campo, tive uma experiência mais nuançada desse fenômeno.

Este grupo é moralmente conservador, mas está longe dos estereótipos cultivados dentro da bolha. As ambições de atingir sucesso financeiro são na maior parte dos casos o desejo de fazer parte do mesmo mundo de consumo que os afluentes habitam. Para além disso, a contribuição dos evangélicos à sociedade é quase completamente ignorada.

As organizações evangélicas estão frequentemente mais presentes e ativas do que o governo na vida das populações vulneráveis. Além do apoio espiritual, grupos pentecostais promovem a alfabetização ativamente em suas comunidades e também intermediam o contato de fieis com serviços especializados com advogados e médicos.

Ao “reciclarem almas” de dependentes químicos e criminosos, oferecem um serviço não reconhecido, mas valioso para a sociedade – muito melhor do que a polícia pode sonhar em oferecer.

Isso não serve para negar a moral conservadora abraçada por este grupo em temas como aborto e casamento gay, ou para justificar a atuação de alguns políticos evangélicos. Trata-se aqui de uma visão baseada na experiência etnográfica.

Há 100 milhões de brasileiros – metade da população do País – na chamada ‘nova classe média’ (na verdade, uma nova classe trabalhadora), e o pentecostalismo tem uma contribuição ainda desprezada nesse processo de mudança socioeconômica.

A dificuldade de aceitar o evangélico talvez resida no fato de eles não se enquadrarem na visão idealizada e vitimizada do pobre. Ressalta-se o fanatismo e despreza-se como eles valorizam a educação (inclusive a superior). Menciona-se o conservadorismo, mas esquece-se da redução da violência doméstica e do alcoolismo nas famílias evangélicas.

Os evangélicos estão vencendo os estigmas e a condição de pobreza ligados à história de desigualdade do Brasil. Ter um olhar generoso e interessado em vez de preconceituoso em relação a essa população pode ajudar a entender por que eles também estão alheios ao debate sobre o impeachment.

*Juliano Spyer é antropólogo do projeto Why We Post da University College London. Ele pesquisa os efeitos das novas mídias na mobilidade social das classes populares emergentes.

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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 007 — O MÉTODO DA TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO


Cópia manuscrita da Bíblia: Antigo e Novo Testamento 

Esse é um estudo especial que irá abordar temas de grande interesse, tais como: 1. Deus 2. Os seres humanos e o mundo criado 3. Jesus e Sua missão como o CRISTO. 4. O Espírito Santo. 5. A vida cristã. 6. A Igreja. 7. O futuro e etc. Esperamos que a mesma possa ajudar todos os nossos leitores a conhecerem melhor o que o Novo Testamento ensina acerca de tudo o que nos é importante.

INTRODUÇÃO GERAL

CONTINUAÇÃO:

O MÉTODO E A NATUREZA DA TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO

Uma das primeiras verdades que precisamos reconhecer dentro desse subtema é o fato de que existem bem poucas discussões sérias e cuidadosas o suficiente acerca da natureza da teologia do Novo Testamento. Consultando mais de uma dúzia de Teologias do Novo Testamento encontramos apenas uma que se propõe a discutir o tema, e ainda de modo bastante abreviado.

A grande quantidade de livros com o título “Teologia do Novo Testamento” ou similares, são em si mesmos testemunhas vivas da grande variedade de abordagens que são adotadas pelos seus autores. Além disso, tais livros provam a falta absoluta de qualquer tipo de concordância, por mínima que seja, acerca da natureza da teologia do Novo Testamento e do verdadeiro objetivo de qualquer autor que decida encarar o desafio de escrever acerca desse assunto.

Todavia, é importante destacar a relevância de dois ensaios, escritos no início do século XX, pelo mérito que possuem, por colocarem em evidência, ainda que de forma abreviada, os problemas e as tensões existentes tanto no método quanto na natureza da teologia do Novo Testamento. Essas evidências são, até hoje, o objeto principal dos estudos produzidos até os nossos dias por teólogos de todos os matizes.

O artigo publicado por William  Wrede[1], levantou uma questão muito importante. Seu artigo pode ser considerado como parte representativa do desenvolvimento da  escola histórica de estudos acerca do Novo Testamento. Essa foi a escola que procurou lidar com o texto do Novo Testamento em termos puramente históricos. Essa escola continua existindo até hoje sendo conduzida por teólogos e não-teólogos que não creem na revelação divina.

Já Adolf Schlatter, o mais conservador dos teólogos alemães da época de F. C. Baur e William Wrede, em seu artigo intitulado “The Nature of New Testament Theology and Dogmatics”, — A Natureza da Teologia do Novo Testamento e a Dodmática —, introduz os princípios nos quais sua própria teologia está baseada. Devido à época em que foi escrito na Alemanha — dominada pelo liberalismo — o artigo de Schlatter teve bem menos influência do que o de William Wrede, mas ainda assim merece toda consideração e atenção da parte de qualquer um que deseja se envolver na produção de duma Teologia do Novo Testamento, nesse início de século XXI. Esses dois artigos serão objeto de nossa atenção no próximo artigo.

Também iremos analisar o ensaio escrito por R. Morgan “The Nature of The New Testament Theology” , — A Natureza da Teologia do Novo Testamento —, e também o artigo escrito por E. Käsemann intitulado “The Problem of New Testament Theology”, — O Problema da Teologia do Novo Testamento. Em seu artigo, Käsemann, estabelece, de forma breve, o que ele mesmo chama de “teses reguladoras” para o estudo da teologia do Novo Testamento.    

CONTINUA...

OUTROS ARTIGOS ACERCA DA TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 001

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 002

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 003

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 004

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 005

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 6

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 007
TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 008

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 009

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 010

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 011

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 012


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[1] Wrede, William. Ueber Aufgabe und Methode der sogenannten Neutestamentlichen Theologie, Göttingen 1897. Esse artigo foi publicado em língua inglesa como "The Task and Methods of New Testament Theology", in Studies in Biblical Theology, 1973.