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sexta-feira, 3 de junho de 2016

SILAS MALAFAIA CONVOCOU OS EVANGÉLICOS PARA UMA FARSA


Eles

AVISO AOS LEITORES: ANTES DE QUALQUER MANIFESTAÇÃO DE MÍ, MÍ, MÍ, SOLICITAMOS A TODOS QUE LEIAM NOSSO ARTIGO ATÉ O FIM E, SÓ ENTÃO, SE MANIFESTEM.

Agora que o chamado pacto — ou golpe — para a remoção da presidenta Dilma ficou patente aos olhos de todos, a situação dos golpistas é muito frágil e delicada.

Deve ser óbvio para todos que o governo interino não tem apoio popular, seja da parte dos batedores de panelas — que bateram panelas contra Temer durante sua primeira entrevista ao Fantástico da Rede Globo — seja da parte daqueles que vestiram as camisas da CBF sob a alegação que pretendiam combater a corrupção — rir para não chorar.

O que fazer então? Chamem os evangélicos para socorrerem o governo golpista e sem apoio popular. Afinal, os evangélicos já estão acostumados a serem usado como massa de manobra e, para isso, não faltam aproveitadores de plantão. 

Silas Malafaia chegou ao despudor de afirmar, acompanhado do impoluto senador Magno Malta, que Romeiro Jucá é um homem de princípios cristãos. Sério mesmo? Acerca de Jucá, Silas disse o seguinte:

“Romero Jucá é um amigo da comunidade evangélica. É um homem que defende ideais e princípios cristãos. Então, ele tem nosso apoio. Ele tem feito um trabalho gigantesco. Não é um político que chega aqui na quarta de manhã para sair na quarta à noite. É alguém que trabalho firme, duro e forte. Então tem o nosso apoio e como eu sou um pastor desejo que Deus o abençoe, o ilumine e lhe dê sabedoria para continuar essa jornada.”

O pronunciamento poderá ser visto por meio desse link aqui:


Alguém poderia objetar que o vídeo é antigo. Com certeza, mas isso não muda suas afirmações, que tinham a nítida impressão de convencer os incautos da probidade do, agora defenestrado, Romeiro Jucá. Se o Silas quer corrigir esse erro do passado, poderá gravar novo vídeo onde assuma sua culpa pelo que falou.

Mas muito bem. Os evangélicos então foram convocados para participarem de um mega ato profético — ocorrido no dia 1º de Junho de 2016. Primeiro vamos entender o que são tais atos proféticos e depois vamos analisar a proposta hipócrita envolvida no embuste proposto pelo pastor falastrão.  

O que são os chamados atos proféticos? Os “Atos Proféticos” são uma excrescência da chamada Teologia da Prosperidade. A intenção dos mesmos é determinar o futuro, como se meros seres humanos, que não passam de pó, tivessem a prerrogativa de determinar acontecimentos futuros. Trata-se da chamada confissão positiva aplicada ao futuro. Como podemos ver, não se lida nesses atos de seguir a revelação bíblica e sim da mais grossa manifestação de heresia. Como alguém já disse: existe a má-cumba e a boa-cumba que é praticada pelos evangélicos por meio de idiotices como esses tais atos proféticos. Os atos proféticos são heréticos porque assumem que Deus abriu mão de sua Soberania a favor de tolices inventadas pelos seres humanos. Estou enojado.

Segundo os defensores dessa heresia, eles têm autoridade para falar em nome de Deus e determinar o rumo dos acontecimentos futuros. Antes de prosseguir, gostaria de perguntar aos leitores que já participaram de tais atos, quanto efetivamente mudaram o rumo dos acontecimentos futuros? Quantos Atos Proféticos já foram realizados em minha cidade afirmando que ela seria do Senhor Jesus — implicando uma conversão em massa — e nada, absolutamente nada aconteceu. Hoje nem tem mais “crentes” declarando que São João pertence ao Senhor Jesus. O mesmo, eu sei, é verdade com todas as cidades onde se encontram os leitores. Isso deve bastar.

Os atos proféticos não passam, em sua essência, duma manifestação religiosa sincrética onde crenças evangélicas se misturam com práticas mágicas.

Para justificar a farsa, Silas Malafaia utiliza um tema querido dos brasileiros em geral: a luta contra a corrupção. Esse tema dá à convocação, certo ar de seriedade. Vejam o que o Silas afirmou acerca de seu ato profético numa entrevista concedida à BBC Brasil:

BBC Brasil - O que significa o termo profético?

Silas Malafaia - Um ato profético é fazer declarações sobre o futuro de um país. Profecia é coisa que ainda vai se cumprir, correto? É algo que vai acontecer e que se antecipa. Nós vamos declarar que o Brasil vai ser próspero, vai ter paz e vai ficar livre da corrupção, da crise econômica. Isso tudo é profético.

BBC Brasil - Então sua profecia é que crise econômica e corrupção vão terminar junto com o governo.

Silas Malafaia - Isso aí. É isso aí. É isso aí mesmo. O ato profético é para isso, é para declarar que a corrupção vai acabar, que toda a bandalheira vai ser exposta, que não vai ter derramamento de sangue, porque os 'esquerdopatas' têm o DNA da baderna, da desordem.

BBC Brasil - Não parece é difícil bancar uma profecia de fim da crise econômica e da corrupção, pastor?

Silas Malafaia - Não é difícil, não, rapaz. Na Bíblia, em épocas em que Israel vivia períodos de crise e fome, levantava um profeta que dizia que viria um tempo de paz e prosperidade. E aquilo tudo mudava. Então nós conhecemos esta prática. Agora, eu, além de liberar a palavra profética, vou 'sacudir a roseira' sobre o que está acontecendo, não tenha dúvida.

A entrevista de Silas Malafaia para a BBC Brasil poderá ser lida na íntegra por meio desse link:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/03/160326_malafaia_entrevista_rs_if

Silas afirmou que seu ato profético iria determinar o fim da corrupção no Brasil, tão logo a presidenta fosse afastada. Alguém aí acredita nisso? Mas a realidade foi bem mais dura com Silas e seu ato profético: depois da presidenta ter sido afastada, o que vimos foi o governo ser assaltado por uma verdadeira quadrilha de malfeitores acusados das mais graves denúncias, incluindo o planejamento e a execução do golpe parlamentar, midiático e plutocrático.

Enquanto isso, continuamos aguardando pelo cumprimento bombástico do objetivo do tal ato profético. Esperamos, para breve, o início da inexorável derrocada da corrupção no Brasil, a menos que Silas Malafaia tenha pregado outra de suas peças no povo evangélico, que foi prestigiar o governo golpista e o tal ato profético.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

ÓDIO NO BRASIL: UMA PRESENÇA CONSTANTE

A história do ódio no Brasil
Quadro retratando o assassinato de Tiradentes

O artigo abaixo foi escrito por Frederico Di Giacomo Rocha.

A história do ódio no Brasil
Publiquei esse texto originalmente no meu projeto Glück.

“Achamos que somos um bando de gente pacífica cercados por pessoas violentas”. A frase que bem define o brasileiro e o ódio no qual estamos imersos é do historiador Leandro Karnal. A ideia de que nós, nossas famílias ou nossa cidade são um poço de civilidade em meio a um país bárbaro é comum no Brasil. O “mito do homem cordial”, costumeiramente mal interpretado, acabou virando o mito do “cidadão de bem amável e simpático”. Pena que isso seja uma mentira. “O homem cordial não pressupõe bondade, mas somente o predomínio dos comportamentos de aparência afetiva”, explica o sociólogo Antônio Cândido. O brasileiro se obriga a ser simpático com os colegas de trabalho, a receber bem a visita indesejada e a oferecer o pedaço do chocolate para o estranho no ônibus. Depois fala mal de todos pelas costas, muito educadamente.


Olhemos o dicionário: cordial significa referente ou próprio do coração. Ou seja, significa ser mais sentimental e menos racional. Mas o ódio também é um sentimento, assim como o amor.  (Aliás os neurocientistas têm descoberto que ambos sentimentos ativam as mesmas partes do cérebro.) Nós odiamos e amamos com a mesma facilidade. Dizemos que “gostaríamos de morar num país civilizado como a Alemanha ou os Estados Unidos, mas que aqui no Brasil não dá para ser sério.” Queremos resolver tudo num passe de mágica. Se o político é corrupto devemos tirar ele do poder à força, mas se vamos para rua e “fazemos balbúrdia” devemos ser espancados e se somos espancados indevidamente, o policial deve ser morto e assim seguimos nossa espiral de ódio e de comportamentos irracionais, pedindo que “cortem a cabeça dele, cortem a cabeça dele”, como a rainha louca de Alice no País das Maravilhas. Ninguém para 5 segundos para pensar no que fala ou no que comenta na internet. Grita-se muito alto e depois volta-se para a sala para comer o jantar. Pede-se para matar o menor infrator e depois gargalha-se com o humorístico da televisão. Não gostamos de refletir, não gostamos de lembrar em quem votamos na última eleição e não gostamos de procurar a saída que vai demorar mais tempo, mas será mais eficiente. Como escreveu Sérgio Buarque de Holanda, em “Raízes do Brasil“, o criador do termo “homem cordial” : “No Brasil, pode dizer-se que só excepcionalmente tivemos um sistema administrativo e um corpo de funcionários puramente dedicados a interesses objetivos e fundados nesses interesses. Ao contrário, é possível acompanhar, ao longo de nossa história, o predomínio constante das vontades particulares que encontram seu ambiente próprio em círculos fechados e pouco acessíveis a uma ordenação impessoal” Ou seja, desde o começo do Brasil todo mundo tem pensando apenas no próprio umbigo e leva as coisas públicas como coisa familiar. Somos uma grande família, onde todos se amam. Ou não?

O já citado Leandro Karnal diz que os livros de história brasileiros nunca usam o termo guerra civil em suas páginas. Preferimos dizer que guerras que duraram 10 anos (como a Farroupilha) foram revoltas. Foram “insurreições”. O termo “guerra civil” nos parece muito “exagerado”, muito “violento” para um povo tão “pacífico”. A verdade é que nunca fomos pacíficos. A história do Brasil é marcada sempre por violência, torturas e conflitos. As decapitações que chocam nos presídios eram moda há séculos e foram aplicadas em praça pública para servir de exemplo nos casos de Tiradentes e Zumbi. As cabeças dos bandidos de Lampião ficaram expostas em museu por anos. Por aqui, achamos que todos os problemas podem ser resolvidos com uma piada ou com uma pedrada. Se o papo informal não funciona devemos “matar” o outro. Duvida? Basta lembrar que por aqui a república foi proclamada por um golpe militar. E que golpes e revoluções “parecem ser a única solução possível para consertar esse país”. A força é a única opção para fazer o outro entender que sua ideia é melhor que a dele? O debate saudável e a democracia parecem ideias muito novas e frágeis para nosso país.

Cabeças do bando de Lampião
Bando de Lampião - foto de 1938

Em 30 anos, tivemos um crescimento de cerca de 502% na taxa de homicídios no Brasil. Só em 2012 os homicídios cresceram 8%. A maior parte dos comentários raivosos que se lê e se ouve prega que para resolver esse problema devemos empregar mais violência. Se você não concorda “deve adotar um bandido”. Não existe a possibilidade de ser contra o bandido e contra a violência ao mesmo tempo.  Na minha opinião, primeiro devemos entender a violência e depois vomitar quais seriam suas soluções. Por exemplo, você sabia que ocorrem mais estupros do que homicídios no Brasil? E que existem mais mortes causadas pelo trânsito do Brasil do que por armas de fogo? Sim, nosso trânsito mata mais que um país em guerra. Isso não costuma gerar protestos revoltados na internet. Mas tampouco alivia as mortes por arma de fogo que também tem crescido ano a ano e se equiparam, entre 2004 e 2007, ao número de mortes em TODOS conflitos armados dos últimos anos. E quem está morrendo? 93% dos mortos por armas de fogo no Brasil são homens e 67% são jovens. Aliás, morte por arma de fogo é a principal causa de mortalidade entre os jovens brasileiros. Quanto à questão racial, morrem 133% mais negros do que brancos no Brasil. E mais: o número de brancos mortos entre 2002 e 2010 diminuiu 25%, ao contrário do número de negros que cresceu 35%. É importante entender, no entanto, que essas mortes não são causadas apenas por bandidos em ações cotidianas. Um dado expressivo: no estado de São Paulo ocorreram 344 mortes por latrocínio (roubo seguido de morte) no ano de 2012. No mesmo ano, foram mortos 546 pessoas em confronto com a PM. Esses números são altos, mas temos índices ainda mais altos de mortes por motivos fúteis (brigas de trânsito, conflitos amorosos, desentendimentos entre vizinhos, violências domésticas, brigas de rua, etc.). Entre 2011 e 2012, 80% dos homicídios do Estado de São Paulo teriam sido causados por esses motivos que não envolvem ação criminosa. Mortes que poderiam ter sido evitadas com menos ódio. É importante lembrar que vivemos numa sociedade em que “quem não reage, rasteja”, mas geralmente a reação deve ser violenta. Se “mexeram com sua mina” você deve encher o cara de porrada, se xingaram seu filho na escola “ele deve aprender a se defender”, se falaram alto com você na briga de trânsito, você deve colocar “o babaca no seu lugar”. Quem não age violentamente é fraco, frouxo, otário. Legal é ser ou Zé Pequeno ou Capitão Nascimento.  Nossos heróis são viris e “esculacham”


***
Se tivesse nascido no Brasil, Gandhi não seria um homem sábio, mas um “bundão” ou um “otário”.
***

O discurso de ódio invade todos os lares e todos os segmentos. Agora que o gigante acordou e o Brasil resolveu deixar de ser “alienado” todo mundo odeia tudo. O colunista da Veja odeia o âncora da Record que odeia o policial que odeia o manifestante que odeia o político que odeia o pastor que odeia o “marxista” que odeia o senhor “de bem” que fica em casa odiando o mundo inteiro em seus comentários nos portais da internet. Para onde um debate rasteiro como esse vai nos levar? Gritamos e gritamos alto, mas gritamos por quê?

Política não é torcida de futebol, não adianta você torcer pela derrota do adversário para ficar feliz no domingo. A cada escândalo de corrupção, a cada pedreiro torturado, a cada cinegrafista assassinado, a cada dentista queimada, a cada homossexual espancado; todos perdemos. Perdemos a chance de conseguir dialogar com o outro e ganhamos mais um motivo para odiar quem defende o que não concordamos.

***



Eu também me arrependo muitas vezes de entrar no calor das discussões de ódio no Brasil; seja no Facebook, seja numa mesa de bar. Às vezes me pergunto se eu deveria mesmo me pronunciar publicamente sobre coisas que não conheço profundamente, me pergunto por que parece tão urgente exprimir minha opinião. Será essa a versão virtual do “quem não revida não é macho”? Se eu tivesse que escolher apenas um lado para tentar mudar o mundo, escolheria o lado da não-violência. Precisamos parar para respirar e pensar o que queremos e como queremos. Dialogar. Entender as vontades do outro. O Brasil vive um momento de efervescência, vamos usar essa energia para melhorar as coisas ou ficar nos matando com rojões, balas e bombas? Ou ficar prendendo trombadinhas no poste, torturando pedreiros e chacinando pessoas na periferia? Ou ficar pedindo bala na cabeça de políticos? Ficar desejando um novo câncer para o Reinaldo Azevedo ou para o Lula? Exigir a volta da ditadura? Ameaçar de morte quem faz uma piada que não gostamos?

Se a gente escutasse o que temos gritado, escrito e falado, perceberíamos como temos descido em direção às trevas interiores dos brasileiros às quais Nélson Rodrigues avisava que era melhor “não provocá-las. Ninguém sabe o que existe lá dentro.”

Será que não precisamos de mais inteligência e informação e menos ódio? Quando vamos sair dessa infantilidade de “papai bate nele porque ele é mau” e vamos começar a agir como adultos? Quando vamos começar a assumir que, sim, somos um povo violento e que estamos cansados da violência? Que queremos sofrer menos violência e provocar menos violência? Somos um povo tão religioso e cristão, mas que ignora intencionalmente diversos ensinamentos de Jesus Cristo. Não amamos ao nosso inimigo, não damos a outra face, não deixamos de apedrejar os pecadores. Esquecemos que a ira é um dos sete pecados capitais. Gostamos de ficar presos na fantasia de que vivemos numa ilha de gente de bem cercada de violência e barbárie e que a única solução para nossos problemas é exterminar todos os outros que nos cercam e nos amedrontam.

Mas quando tudo for só pó e solidão, quem iremos culpar pelo ódio que ainda carregaremos dentro de nós?

O artigo original poderá ser vidto por meio desse link aqui:


Que Deus abençoe e ajude a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.   

domingo, 28 de dezembro de 2014

LUIZ FELIPE PONDÉ FALA DA RELIGIOSIDADE DOS BRASILEIROS


O filósofo Luiz Pondé

O material abaixo foi publicado pela revista Cristianismo hoje

Entrevista com o professor e escritor Luiz Felipe Pondé

O filósofo e cientista da religião analisa a religiosidade no Brasil e identifica qualidades na postura evangélica de combater o relativismo.

Escrito por  Carlos Fernandes

Um dos maiores críticos da moda do politicamente correto, o filósofo e escritor Luiz Felipe de Cerqueira e Silva Pondé é daqueles intelectuais que parecem não se preocupar muito com as repercussões do que diz. Critica o PT no governo com a mesma acidez com que debocha do sujeito que passa horas no Facebook procurando causas nobres para defender e posar de bom moço. “Para os defensores do politicamente correto, tudo é justificado dizendo que você é pobre, gay, negro ou índio”, ironiza. Pernambucano de 55 anos, graduou-se em Medicina na juventude, mas foi com a Filosofia – na qual chegou ao pós-doutorado – que Pondé se tornou conhecido e respeitado no meio acadêmico. Pela densidade de suas obras, como Conhecimento na desgraça: Ensaio da epistemologia pascaliana ou Crítica e profecia: Filosofia da religião em Dostoiévski, pode parecer à primeira vista um eremita de biblioteca, escrevendo coisas que um simples mortal não compreende. Mas, não – em sua coluna semanal na Folha de São Paulo, Pondé trata de temas da vida cotidiana e analisa relacionamentos humanos como num papo de mesa de escritório. O intelectual fala até mesmo de futebol, como em Amarelou, texto escrito pouco depois do indescritível vexame brasileiro na Copa do Mundo.

Luiz Felipe Pondé também se destaca no estudo e crítica da religião. Professor de Ciências da Religião na respeitada Pontifícia Universidade Católica, ele tem origem judaica, já foi ateu e hoje flerta filosoficamente com o divino. “Sou basicamente pessimista, cético, descrente, quase na fronteira da melancolia”, admite. Mesmo assim, enxerga no mundo uma beleza e uma misericórdia no mundo que não consegue explicar pelas vias racionais: “Acho Deus a hipótese mais elegante que existe acerca do universo e da vida”. Nesta conversa com CRITIANISMO HOJE – a segunda consecutiva da revista com grandes autores nacionais –, Pondé fala sobre o momento religioso no Brasil, desde as consequências do crescimento evangélico até ao significado da inauguração recente do chamado Templo de Salomão, em São Paulo. “Com ele, a Igreja Universal quer se reposicionar no mercado da fé”, sintetiza, sem rodeios. “Os evangélicos mais éticos sofrem com o efeito de massificação do neopentecostalismo”. Com o perdão do lugar-comum, a entrevista é imperdível.

CRISTIANISMO HOJE – Que tipo de contribuição a fé evangélica, que a cada dia cresce mais no Brasil, pode trazer a um país onde, até poucas décadas, o catolicismo era praticamente absoluto?

LUIZ FELIPE PONDÉ – Antes de tudo, esse crescimento traz contribuições para o mercado religioso: mais opções e mais competição dentro do espectro cristão. Os evangélicos têm uma história combativa distante da chave marxista, coisa que a Igreja católica perdeu há muito tempo. Eles valorizam a iniciativa pessoal, já que o protestantismo é marcado pela capacidade de produzir riqueza, isso é muito bom para o país. Há um maior aprofundamento da ética cristã clássica, no caso do protestantismo não avivado. Do ponto de vista dos chamados hábitos morais, esse crescimento pode implicar numa guinada conservadora.  No geral, eu diria que o enfrentamento do relativismo comum de nossa época, algo típico dos evangélicos, é bom para o debate público.

O que o senhor chama de “guinada conservadora” é, necessariamente, ruim?

O problema é que guinadas conservadoras em moral podem complicar a tolerância entre diferentes, e isso pode ser uma desvantagem. Mas, por outro lado, elas tornam a vivência do Cristianismo no Brasil mais intensa.

Observa-se, nas igrejas e instituições religiosas, de modo geral, um contínuo processo de esvaziamento. Já se fala, hoje, em “evangélicos nominais”, assim como, durante muito tempo, consagrou-se a figura do “católico não-praticante”.

O processo de secularização ocidental, por si só, explica o fenômeno?
Acho que o secularismo é, sim, uma das causas. E, também, a distância, muitas vezes observada, entre a religião e as demandas cotidianas da vida contemporânea. Por outro lado, a institucionalização das religiões é mal recebida pela população de maior formação cultural e acadêmica, e isso também é um fato. Por isso, vemos espiritualidades que mesclam elementos de várias crenças, misturando, por exemplo, o Budismo com um “jeito Jesus de ser”, amoroso, tolerante – isso ajuda a aceitar a fé fora ditames institucionais. Há outros fatores que explicam esse esvaziamento. O mundo contemporâneo é pautado por projetos centrados em soluções rápidas e com baixo comprometimento cotidiano. Cria-se uma fé no estilo Facebook, e aí, a tendência é mesmo à diminuição. O Facebook gera pessoas com muitas bravatas e pouco comprometimento.

O senhor fala muito de seu desconforto com a moda do politicamente correto, que inclusive é tema de um de seus livros. A pregação cristã sobre pecado, juízo divino e inferno pode ser considerada o contrário disso. Essa moda não pode acarretar, no médio prazo, uma pressão irresistível sobre a religião?

Já acarretou. O politicamente correto é um fenômeno de mercado. A sociedade de mercado produz forte ressentimento devido à produtividade de uns em comparação com a baixa produção de outros; logo, a noção do politicamente correto ajuda a acalmá-lo. O Cristianismo clássico combate o politicamente correto, porque ajuda a aprofundar a critica à condição humana. Na filosofia, ele continua tendo peso; mas, na pastoral, temo que caia sob a tutela da teologia da prosperidade, associada à sensibilidade mau-caráter do politicamente correto.

O pensamento único, hegemônico, gera o que o senhor já chamou de “dominância burra” e parece ser a tônica, hoje, no Brasil. Quais são os maiores danos desse tipo de ideologia em um país como o nosso, com baixos níveis de instrução e pensamento crítico?

O cultivo do ressentimento, da repressão da iniciativa privada e individual, o ódio de classe e o populismo. Acho que, no caso de uma nova vitória eleitoral do PT, coisa que pode acontecer, inclusive, graças ao voto evangélico, será uma devastação na economia, na liberdade de imprensa e na manutenção de esquemas de corrupção, sustentada no embuste ideológico [N.da Redação: A entrevista foi concedida antes das eleições de outubro].

A passagem do pastor e deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) pela presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, entre março e dezembro do ano passado, provocou uma grita generalizada, sobretudo por conta de grupos de afirmação homossexual. Figuras evangélicas públicas enfrentam feroz resistência toda vez em que se pronunciam contra a homossexualidade, ainda que o façam por convicção pessoal ou de fé. A quem interessa isso?

Para a Igreja Católica, uma instituição cuja base do clero é socialista, os evangélicos são um risco, porque competem pelo mercado cristão. Mas, de outro ponto de vista, na medida em que os evangélicos formam a base do PT, católicos socialistas e evangélicos oportunistas se dão as mãos institucionalmente. Mesmo levando-se em conta a posição intolerante de muitos pastores que representam parte da opinião pública, os gays perderam a batalha, mesmo porque eles também formam, em grande parte, a base o governo. Portanto, acho que conflitos como esses ainda são perfumaria em política. No plano moral, onde há, de fato, o conflito, acho que os evangélicos têm ainda uma forte chance de resistir à chamada cultura gay, mas isso implica em rupturas políticas com partidos como o PT.

O recentemente inaugurado Templo de Salomão, megaconstrução da Igreja Universal do Reino de deus (Iurd) em São Paulo, gerou fortes críticas por promover a mistura de elementos do Judaísmo com a prática cristã, embora se possa criticar o Cristianismo pregado por Edir Macedo. Quais são, em sua opinião, as verdadeiras intenções da Universal com essa mudança de postura?

O Templo de Salomão está reposicionando a marca da Igreja Universal diante da perda competitividade da Iurd no mercado evangélico, que está muito aquecido. Esse reposicionamento se caracteriza pelo imaginário mágico que o Antigo Testamento carrega e pela ideia equivocada de que povo eleito é retribuído com prosperidade. A Universal quer criar seu novo povo eleito, sob a tutela do sumo sacerdote que é muito íntimo de Deus. Ora, ele recriou o templo judeu, e com isso também atrai sobre si mesmo a ideia de que ele está muito próximo do Messias Jesus. Repare que o afastamento do Judaísmo, pregado por Paulo nos primórdios do Cristianismo, também foi um posicionamento de uma “marca” jovem na época – a então recente seita herética judaica do galileu – em uma disputa no mercado de crenças no Império Romano. Mas não creio que certa “judaização” da Igreja Universal a faça perder consistência teológica, uma vez que só se perde o que se tinha um dia...

Isso não pode contaminar as outras correntes evangélicas?

Ainda é cedo para se dizer. Porém, religião é cultura, é promiscuidade simbólica permanente. Um dia, tudo é contaminado por tudo.

A lógica da recompensa divina à obediência, tão presente no Antigo Testamento, está na base da chamada teologia da prosperidade. Ela prega que, se o crente for fiel – através de contribuições financeiras –, necessariamente será abençoado por Deus. Não é uma apropriação desonesta?

A ideia de recompensa, tão inerente à teologia da prosperidade, erra ao entender que a eleição implica em uma dinâmica de retribuição. No Tanach (a Bíblia hebraica), todos os eleitos de Deus sofrem, inclusive Cristo no Novo Testamento. Deus é livre para fazer o que quer e nada nos deve. A Aliança, que nós quebramos, persiste por sua misericórdia, apenas. Acho que o ressentimento típico da herança adâmica se manifesta em toda teologia da retribuição, que é o caso da teologia da prosperidade. Porém, a interpretação na chave retributiva da eleição – a ideia de que Israel é rico e poderoso graças à “magica” do Antigo Testamento – erra porque a história do povo hebreu, apreendida no dia a dia, é de dor e sofrimento. Viver cobrando de Deus a promessa de sucesso e de felicidade é viver em idolatria. Ser eleito pelo Deus de Israel faz de você um sacerdote e de sua vida, um holocausto. A alegria nunca deve ser fruto da lógica retributiva do temor a Deus.

Em um de seus artigos para a Folha de São Paulo, no qual analisou o conflito entre forças israelenses e o grupo islâmico Hamas, o senhor disse que a questão da eleição de Israel por Deus, conforme descrita no Antigo Testamento – e que é a base do sentimento evangélico pró-Israel –, tem sido muito mal interpretada e apropriada, indevidamente, pelo discurso neopentecostal. Pode explicar melhor isso?

Em primeiro lugar, acredito que o apoio dos evangélicos a Israel é corajoso. Ele mostra, independentemente da concordância com suas posições, como o mundo evangélico tem sido uma das últimas resistências ao pensamento único e ao antissemitismo travestido de antissionismo que assola o mundo da mídia e da academia. Quanto à interpretação da eleição de Israel, o Cristianismo, em geral, entende-a mal. A intimidade do povo de Israel com Deus implica menor livre arbítrio do que o dos outros povos. Israel é menos livre. Deus faz uso dele quando quer. Os judeus veem a incompreensão da condição do Estado de Israel hoje como mais uma amostra da solidão de quem tem a mão de Deus sobre sua cabeça.

Figuras midiáticas do segmento neopentecostal, como Edir Macedo, Silas Malafaia e Valdemiro Santiago, entre outros, são vistos, pela sociedade em geral e amplos setores da imprensa, como representantes do movimento evangélico nacional, embora sejam refutados e até condenados por grande número de crentes. Numa sociedade de consumo, em que os veículos de informação, com os mais variados interesses, moldam a opinião pública, como os evangélicos mais preocupados com a ética cristã serão reconhecidos e diferenciados em relação àqueles que fazem da fé um simples instrumento de proveito próprio?

Os evangélicos mais éticos sofrem com o efeito de massificação do neopentecostalismo. Eles têm menos força no mercado de consumo de bens religiosos cristãos. Seu futuro é o futuro de todo mundo que não tem acesso à massificação. As redes sociais podem ajudar um pouco. Creio que um possível caminho é o da produção intelectual e a entrada no debate público de modo erudito, consistente e com elementos da cultura secular. Mais difícil é o preconceito contra evangélicos em geral. Os escândalos envolvendo líderes e políticos evangélicos têm um efeito explosivo como todo efeito de massa associado ao preconceito.

Então, aquela figura do crente como um sujeito correto, confiável e respeitável está definitivamente superada?

Acho que esta imagem está superada. Um misto do crente como o “certinho” reprimido permanece, mas tende a capitular diante dessa outra a outra, ou ficar apenas associada às “igrejas pobres”.

E como fazer para superar esse preconceito social?

Para vencê-lo, massificação neopentecostal não ajuda, porque reforça a imagem de intolerância e abuso da ingenuidade dos fiéis. Acho que os evangélicos mais éticos, como você fala, devem invadir as universidades e ler Nietzsche sem medo.
O senhor diz que deixou de ser ateu, apesar da sua formação em filosofia e toda uma trajetória humanista. Quem é Deus, hoje, para Luiz Felipe Pondé?

Acho Deus a hipótese mais elegante que existe acerca do universo e da vida. Toda vez que vejo a generosidade e a beleza no mundo, sinto que estou diante do milagre. Permaneço filosoficamente ateu, mas, as experiências com a doçura e beleza no mundo me fazem pressentir alguma misericórdia que não sei de onde vem. O que me interessa em teologia é a mística.

A ideia de um Deus criador e sustentador do universo ainda é viável no mundo pós-moderno?

Sim, ela é viável, como mais uma no supermercado de bens invisíveis de sentido para a vida.

O artigo original da Cristianismo Hoje, poderá ser visto por meio do seguinte link:


NOSSOS COMENTÁRIOS

1. As respostas de Luiz Felipe de Cerqueira e Silva Pondé não representam em nenhuma hipótese as opiniões do blog o Grande Diálogo. Todavia achamos que o mesmo tem uma contribuição a fazer para o debate envolvendo os evangélicos hoje em dia no Brasil. Essa é nossa motivação em publicar sua entrevista.

2. Por outro lado como ele mesmo se define como um “ateu” e “Sou basicamente pessimista, cético, descrente, quase na fronteira da melancolia”, não temos mesmo que esperar nenhuma resposta que reflita uma perspectiva cristã e muito menos reformada, vinda de sua parte.
3. Luiz Felipe de Cerqueira e Silva Pondé parece que ao fazer seus cursos de filosofia ficou estanque entre Marx e Nietzsche. Quem tem medo de ler Nietzszche?

4. Também achamos logicamente questionável fazer uma leitura dos dias presentes e depois inseri-la nos dias dos cristãos do primeiro século a.D.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

PASTOR RESSUSCITA CRIANÇA “MORTA” NO BESTEIROL SEM FIM



Gente é inacreditável o que estão fazendo para enganar as pessoas e para dar a falsa impressão de que o poder de Deus está se manifestando à torto e à direita em todos os lugares.

No vídeo que pode ser acessado pelo link abaixo, um “pastor”, simplesmente ressuscita uma menina que, a todo momento podemos ver respirando e mantendo firme sua cabeça.

Até quando vamos ter que tolerar picaretagens desse tipo sem que a polícia e a justiça não intervenham para dar um basta nessa farra imoral, para dizer o mínimo.

O patético show do tal pastor enganador, entre glórias e aleluias da audiência crédula poderá ser visto por meio link abaixo:


Para meditar:

2 Timóteo 3:13

Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados.

Artigos acerca do BESTEIROL QUE NÃO TEM FIM:


































Que Deus abençoe a todos.  

Alexandros Meimaridis

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