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quarta-feira, 6 de julho de 2016

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 011 — A HISTÓRIA — A BUSCA PELO JESUS HISTÓRICO — PARTE 001



Esse é um estudo especial que irá abordar temas de grande interesse, tais como: 1. Deus 2. Os seres humanos e o mundo criado 3. Jesus e Sua missão como o CRISTO. 4. O Espírito Santo. 5. A vida cristã. 6. A Igreja. 7. O futuro e etc. Esperamos que a mesma possa ajudar todos os nossos leitores a conhecerem melhor o que o Novo Testamento ensina acerca de tudo o que nos é importante.

INTRODUÇÃO GERAL

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO E A HISTÓRIA

A BUSCA PELO JESUS HISTÓRICO — PARTE 001

Os problemas que existem entre a História e a Teologia são da maior importância no contexto dos estudos relativos à Teologia do Novo Testamento. Uma das maiores acusações que são feitas contra a nossa fé cristã tem a ver com a alegação que a mesma não está fundamentada em fatos históricos. Como iremos demonstrar, tal acusação não passa duma grande bobagem, pois os argumentos usados para defender tal ponto de vista são muito mais frágeis do que os argumentos usados para defender a verdade e a historicidade da Bíblia.

Como acontece na grande maioria dos casos, os maiores ataque feitos contra a fé cristã não se originam do lado de fora da Igreja, mas do lado de dentro. Eles partem de pessoas, geralmente incrédulas — o joio — que se encontram dentro da própria Igreja. Não é diferente quando o assunto é a historicidade dos Evangelhos e, principalmente, a historicidade da pessoa e da obra do Senhor Jesus Cristo. O debate é antigo e iremos ver, de modo geral, como através dos séculos a Igreja combateu os erros ensinados por inúmeros hereges. Todavia, foi apenas a partir do século XVIII com Hermann Samuel Reimarus que a discussão moderna teve início. Essa discussão se estende até os nossos dias. Velhos argumentos dos séculos XVIII e XIX são, periodicamente, reciclados e apresentados como novos fazendo a alegria de autores, editores e leitores que entendem pouco, ou até mesmo, quase nada acerca da verdade como revelada nas Escrituras Sagradas.

A. ANTECEDENTES HISTÓRICOS DA BUSCA MODERNA PELO JESUS HISTÓRICO

Com o surgimento do Racionalismo, a capacidade de raciocínio humano foi entronizada como o elemento mais importante para a descoberta e o entendimento do mundo ao nosso redor. Um dos desdobramentos naturais do Racionalismo foi o Iluminismo cuja pretensão era explicar, nos mínimos detalhes, a “verdade” sobre todas as áreas do conhecimento humano. É óbvio que, sendo a religião cristã uma área importante desse conhecimento, a mesma tenha sido analisada por essa ótica defeituosa do raciocínio humano. A premissa básica do Iluminismo era secularizar — remover tudo o que era sobrenatural — de todas as áreas do pensamento e da vida humana. Tudo precisava ser explicado de forma natural sem nenhuma interferência sobrenatural. As consequências de tal abordagem sobre a revelação bíblica e a fé cristã devem ser claras.

Os pressupostos filosóficos adotados pelo Iluminismo podem ser facilmente encontrados no Racionalismo de descartes, Espinosa e Leibniz e também no Empirismo de Locke, Berkeley, Hume e outros. Essa duas escolas filosófica que eram opostas entre si foram como que, miraculosamente, unidas pelo filósofo Alemão Immanuel Kant, o maior expoente do Iluminismo. Foi Kant — viveu entre 1724 e 1804 — quem criou a distinção entre o que ele chamou de universo não fenomenal e universo fenomenal. Em outros termos podemos dizer que essa distinção era entre o que é metafísico daquilo que é físico. Ele também estabeleceu uma distinção entre a razão prática — a fé — e a razão pura. Essas distinções formuladas por Kant são a base de todo o pensamento moderno e são fundamentais para a nossa compreensão da fé e da história em nossos dias. Apesar de rejeitar as distinções de Kant, não deixamos de reconhecer sua importância para o entendimento da Teologia em nossos dias e, especialmente, para o entendimento das questões relacionadas à busca do Jesus histórico.

Para Kant o universo metafísico é o de Deus, da liberdade e da imortalidade. Apenas a razão prática ou a fé tem acesso a esse universo. O universo físico, por sua vez, está acessível aos sentidos humanos e pode ser controlado pelo exercício da razão pura. Todas as ciências humanas se ocupam, exclusivamente, do mundo físico, daquilo que pode ser percebido pelos sentidos. De fato, todas as ciências, a partir de Kant, adotaram essa forma de pensamento e aceitaram a distinção de Kant entre o universo não fenomenal do universo fenomenal. Foi exatamente essa forma de raciocínio que permitiu o surgimento de uma distinção fundamental no campo da Teologia. Estamos falando da distinção dicotômica ente Historie e Geschichte. Essa dicotomia por sua vez, nos remete para a filosofia dos gigantes gregos: Sócrates, Platão e Aristóteles.

A distinção ensinada por Kant dissociou Deus e Sua revelação de todos os aspectos do pensamento humano e, claro, não deixou de afetar a própria Teologia. As pressuposições da história foram mudadas para rejeitar e excluir qualquer elemento considerado sobrenatural. E esse fato está na raiz do que estamos chamando da busca moderna pelo Jesus histórico. A partir de Kant a ênfase dos estudos da história foi completamente colocada sobre a base que todos os fenômenos históricos precisavam ser avaliados, puramente, a partir de elementos naturais, numa relação direta de causa e efeito. Todos os elementos relacionados com a revelação e as ações divinas na história são excluídas como ponto de partida. De posse das ferramentas modernas supridas pelo Iluminismo o historiador precisa fazer duas perguntas: O que realmente aconteceu?  O que realmente aconteceu? Começando com essas perguntas esperava-se que o historiador pudesse respondê-las de modo objetivo deixando de lado todas as pressuposições. A ideia era simples: vamos retirar todos os dogmas antigos da Igreja cristã. Vamos excluir todas as afirmações previamente feitas pela Igreja e pela Teologia. Vamos examinar as escrituras como sendo apenas um livro humano. Colocando de lado toda e qualquer pressuposição o historiador tem a responsabilidade de descobrir quem, na realidade, foi esse tal de Jesus. Desse modo, alegava-se que o historiador objetivo poderia nos dizer, exatamente, como as coisas aconteceram. Mas logo alguém afirmou o seguinte: a ideia de que é possível entramos na história sem nenhum pressuposto é tão ingênua que se parece mais com a ideia que um historiador pode ser neutro em sua abordagem. Mas, à medida que avançarmos em nossa análise ficará claro que tais pressuposições mostraram-se completamente falsas.

Quando o Iluminismo começou a influenciar as áreas do conhecimento humano não demorou muito para que tal influência atingisse a Teologia e os teólogos em cheio. No século XIX teólogos como Friedrich Schleiermacher e Albrecht Ritschl abandonaram os estudos teológicos para mergulhar de cabeça na história com a intenção de tornar a teologia aceitável no meio científico à luz da filosofia kantiana. Todavia, ainda nos dias de Kant, o filósofo Gotthold Lessing — viveu entre 1729 e 1891 — levantou a seguinte questão: É possível que um fato acidental da história humana tenha significado eterno? Essa pergunta é extremamente importante, especialmente para nós os cristãos. Não podemos negligenciar a mesma nem aceitar os pífios argumentos desenvolvidos para ofuscá-la. E não existe nenhum modo de respondermos a essa pergunta, senão por meio de afirmações relacionadas com a fé. Por exemplo, a cruz de Cristo é um exemplo típico do que estamos falando. O mesmo foi um evento tremendamente importante. Nossa salvação eterna depende desse fato glorioso acerca de Cristo —

Romanos 4:25

O qual foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação.

De fato, todos os eventos relacionados à pessoa de Jesus foram tremendos — sua encarnação, sua crucificação e sua ressurreição. E tudo isso aconteceu na história da Palestina duma vez por todas e, como diz Karl Barth, o que Deus fez não pode ser modificado por ninguém. Está feito e ponto. Dessa forma, todos os que se propõem abordar a história a partir de pressuposições iluministas — isto é, pressuposições meramente humanas — precisam responder à seguinte pergunta: de que maneira um avento acontecido na história passada na longínqua Palestina pode ter importância eterna? Não é difícil perceber que ao fazermos tal pergunta, nós estamos dirigindo nossa atenção para o coração da fé cristã. A pergunta de Lessing é, de fato, a pergunta que os proponentes originais da busca histórica pelo verdadeiro Jesus se propuseram a responder.

CONTINUA...

OUTROS ARTIGOS ACERCA DA TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 001

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 002

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 003

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 004

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 005

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 6

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 007
TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 008

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 009

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 010

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 011

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 012


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Alexandros Meimaridis

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quinta-feira, 30 de junho de 2016

ENCONTROS DE PODER — 040 — O PERIGO DA IDOLATRIA



Atenção esse artigo é parte de uma série onde pretendemos tratar dos alegados encontros de poder e de curas maravilhosas que nos são apresentadas todos os dias pelos pastores midiáticos. No final de cada estudo você encontrará links para outros estudos.

Continuação...

No século V a.C, Empédocles argumentava a favor da ideia que os elementos, que são originais e construtivos mereciam serem chamados de “deuses”, uma vez que tudo era feito a partir deles. Mas não havia unanimidade acerca de qual deus representava qual elemento. Alguns, por exemplo, não identificavam o fogo com Zeus e sim com a deusa Héstia. Nesse sentido, os elementos funcionam apenas como características dos deuses. A divinização dos elementos era algo comum em toda extensão do período Greco-romano. Filo, um judeu da dispersão, reflete isso, no primeiro século a.C., ao afirmar: “Alguns têm deificado os quatro elementos: terra, água, ar e fogo”.

Em nossos dias, os cristãos têm enormes dificuldades para entenderem e apreciarem a impessoalidade desses elementos divinizados. Mas isso não é algo incomum fora dos círculos cristãos influenciados, especialmente, pelas doutrinas orientais. Para as pessoas imersas na cultura Greco-romana o conceito de divindade não envolvia pessoalidade, mas representava apenas um conceito vago de presença não consciente. Nesse sentido, tudo o que veio primeiro era considerado digno de ser adorado. Tal adoração não era lógica, necessariamente, mas apenas perceptiva e sensorial. Por esse motivo, Paulo enfatiza a superioridade de Cristo, quando comparado com esses poderes em passagens como —

Colossenses 2:15—20

15 Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;

16 pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele.

17 Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste.

18 Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia,

19 porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude

20 e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus.

A expressão στοιχεῖαstoicheîa rudimentos, tem um sentido distinto em —

Colossenses 2:20

Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças.

Aqui Paulo se dirige aos Colossenses com uma pergunta hipotética. Seu receio era que os Colossenses acabassem sucumbindo às pregações de mestres itinerantes que infestavam as cidades da Ásia menor naqueles dias. Paulo desejava que os Colossenses continuassem avançando e que não retrocedessem nunca. Como eles, antes de se converterem, participavam ativamente do mundo pagão da cultura Greco-romana, é certo que, para eles, a expressão στοιχεῖαstoicheîa rudimentos, se referia a rituais e práticas do paganismo. Esses eram os rituais para os quais eles haviam morrido no batismo, mas para os quais estavam agora correndo o risco de retornarem pela influência dos falsos mestres. Dessa forma a expressão στοιχεῖαstoicheîa rudimentos, faz mesmo referência aos elementos comuns da religião seja pagã ou judia.

Como verdades parciais, os elementos tanto da filosofia como da piedade contêm apenas uma sombra da realidade —

Colossenses 2:17

Porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo.

e esses mesmos elementos fracassam, por completo, quando tentam explicar Deus, seja por meio da razão —

Colossenses 2:8

Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo.

seja por meio da adoção de rituais —

Colossenses 2:11, 16

11 Nele, também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo.

16 Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados.

ou por meio da automortificação —

Colossenses 2:20—23

20 Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças:

21 não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro,

22 segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem.

23 Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade.

O desejo de Paulo é que os Colossenses permaneçam “mortos” no que diz respeito às práticas humanas e para que não se rendam às falsas reivindicações pagãs, uma vez que as mesmas os fariam tropeçar e se desviarem da verdade e os fariam escravos de preceitos retirados da lei judaica. A similaridade com a atual judaização da fé evangélica, que vemos em nossos dias, é mesmo desconcertante.

Portanto, a expressão grega στοιχεῖαstoicheîa rudimentos, recebe sua definição apropriada pelo contexto que estamos analisando. Em Colossenses 2:8 a mesma fazia referência a certa ênfase sincrética e especulativa com relação aos elementos, como sendo os princípios fundamentais de toda realidade. Já em Colossenses 2:20 ela significa a totalidade das crenças e práticas que orientam a vida de qualquer indivíduo. Estamos falando de todas essas noções rudimentares e atos ritualísticos, socialmente aceitáveis, que caracterizam o todo da vida humana, seja em que sociedade que for.

Dessa maneira, nós podemos resumir o uso de στοιχεῖαstoicheîa rudimentos, da seguinte maneira de acordo com os contextos em que a mesma aparece:

1. O verdadeiro ABC dos princípios elementares da fé — Hebreus 5:12; Gálatas 4:9.

2. Os elementos básicos dos quais o universo é constituído — 2 Pedro 3:10, 12.

3. Os elementos básicos que constituem a existência religiosa comum tanto a gentios como a judeus — rituais, festivais, leis, crenças — Gálatas 4:3, 9; Colossenses 2:20.

4. Os primeiros elementos ou princípios fundamentais do Universo físico — Colossenses 2:8.

Diante desse resumo nós podemos afirmar que a preocupação de Paulo, ao tratar de cada um dos aspectos mencionados acima, tinha a ver com o sério problema chamado idolatria. Que essa era mesmo sua preocupação maior é facilmente percebido pelo risco que todos nós corremos de começarmos a adorar os princípios básicos da existência. Isso acontece sempre quando nos entregamos a práticas religiosas por mero costume e sem reflexão, ou quando adotamos ideais filosóficos e até mesmo ideológicos. Sempre que isso acontece, então στοιχεῖαstoicheîa rudimentos, tornam-se verdadeiros deuses funcionais nas vidas das pessoas. Nesse estado, tais pessoas, passam a se dedicar a esses falsos deuses e a se distanciarem do Deus verdadeiro e do Seu Cristo, que são os primeiros e os últimos responsáveis por chamar tudo à existência, pelo mero poder de suas palavras, quando nada existia! Em estudos futuros falaremos mais dessa adoração idólatra.

CONTINUA...

LISTAS DOS ESTUDOS DE ENCONTROS DE PODER

001 — Introdução =

002 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = Expressões Diversas

003 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀρχῆ — arché e ἄρχων — árchon.

004 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἐξουσίαις – exousías – potestades, autoridades.

005 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = δυνάμεις — dunámeis — poderes.

006 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = Θρόνοι— thrónoi — tronos.

007 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = κυριοτῆς — kuriotês — domínio.

008 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ὀνόματι — onómati — nome.

009 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἄγγελοs — ággelos — anjo.

010 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = δαιμονίον — daimoníon — demônioπνεῦμα τὸ πονηρὸν — pneûma tò poniròn — espírito malignoἀγγέλους τε τοὺς μὴ τηρήσαντας τὴν ἑαυτῶν ἀρχὴν— angélous te toùs me terèsantas tèn eautôn archèn — anjos, os que não guardaram o seu estado original ou anjos caídos.

011 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações.

012 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações — Parte 2.

013 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações — Parte 3 — Final.

014 — A Evidência do Novo Testamento – Parte 1 — Introdução

015 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 2 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 2:6—8 — Parte 1

016 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 3 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 2:6—8 — Parte 2

017 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 3 — As Passagens Disputadas — Romanos 13:1—3

018 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 4 — As Passagens Disputadas — Romanos 8:31—39

019 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 5 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 15:24—27a — PARTE 1

020 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 6 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 15:24—27a — PARTE 2

021 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 7 — As Passagens Disputadas — Colossenses 3:13—15 — PARTE 1

022 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 8 — As Passagens Disputadas — Colossenses 3:13—15 — PARTE 2

023 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 9 — As Passagens Disputadas — Efésios 1:20—23 — AS REGIÕES CELESTIAIS — PARTE 1

024 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 10 — As Passagens Disputadas — Efésios 1:20—23 — AS REGIÕES CELESTIAIS — PARTE 2

025 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 11 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 3

026 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 12 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 4

027 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 13 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 5

028 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 14 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 6

029 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 15 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 7 — A DESTRUIÇÃO DA MORTE E DE SEUS ALIADOS

030 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — A CRIAÇÃO DE TODAS AS COISAS POR MEIO DE E PARA O PRÓPRIO CRISTO

031 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — TENTANDO DEFINIR OS PODERES

032 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — TENTANDO DEFINIR OS PODERES —PARTE 002

033 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 17 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 001

034 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 18 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 002

035 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 19 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 003

036 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 20 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 004

037 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 21 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 005

038 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 22 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 006

039 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 23 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 007

040 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 24 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 008

041 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 25 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 009

042 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 26 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 010

043 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 27 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 011 — O PRÍNCIPE DA POTESTADE DO AR
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/02/encontros-de-poder-043-evidencia-do.html



044 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 28 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 012 — AS FORÇAS ESPIRITUAIS DO MAL — PARTE 001

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis.

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segunda-feira, 20 de abril de 2015

DEUS E A RAZÃO HUMANA: DEUS É NOSSO CULTO RACIONAL — ROMANOS 12:1


 William Lane Craig: "Sem Deus, não é possível explicar a existência de valores e deveres morais objetivos"
William Lane Craig: "Sem Deus, não é possível explicar a existência de valores e deveres morais objetivos" (Divulgação/VEJA)

O material abaixo foi publicado pelo site da Revista VEJA

"É possível acreditar em Deus usando a razão", afirma William Lane Craig

O filósofo e teólogo defende o cristianismo, a ressurreição de Jesus e a veracidade da Bíblia a partir de construção lógica e racional, e se destaca em debates com pensadores ateus

Por: Marco Túlio Pires

"Se você acha que a religião é um conto de fadas, não acredite. Mas se o cristianismo é a verdade — como penso que é — temos que acreditar nele independente das consequências. É o que as pessoas racionais fazem, elas acreditam na verdade. A via contrária é o pragmatismo. 'Isso Funciona? Não importa se é verdade, quero saber se funciona'"

William Lane Craig

Quando o escritor britânico Christopher Hitchens, um dos maiores defensores do ateísmo, travou um longo debate nos Estados Unidos, em abril de 2009, com o filósofo e teólogo William Lane Craig sobre a existência de Deus, seus colegas ateus ficaram tensos. Momentos antes de subir ao palco, Hitchens — que morreu em dezembro de 2011 aos 62 anos — falou a jornalistas sobre a expectativa de enfrentar Craig.

"Posso dizer que meus colegas ateus o levam bem a sério", disse. "Ele é considerado um adversário muito duro, rigoroso, culto e formidável", continuou. "Normalmente as pessoas não me dizem 'boa sorte' ou 'não nos decepcione' antes de um debate — mas hoje, é o tipo de coisa que estão me dizendo". Difícil saber se houve um vencedor do debate. O certo é que Craig se destaca pela elegância com que apresenta seus argumentos, mesmo quando submetido ao fogo cerrado.

O teólogo evangélico é considerado um dos maiores defensores da doutrina cristã na atualidade. Craig, que vive em Atlanta (EUA) com a esposa, sustenta que a existência de Deus e a ressurreição de Jesus, por exemplo, não são apenas questões de fé, mas passíveis de prova lógica e racional. Em seu currículo de debates estão o famoso químico e autor britânico Peter Atkins e o neurocientista americano Sam Harris. Basta uma rápida procura no Youtube para encontrar uma vastidão de debates travados entre Craig e diversos estudiosos. Richard Dawkins, um dos maiores críticos do teísmo, ainda se recusa a discutir com Craig sobre a existência de Deus.

Em artigo publicado no jornal inglês The Guardian, Dawkins afirma que Craig faz apologia ao genocídio, por defender passagens da Bíblia que justificam a morte de homens, mulheres e crianças por meio de ordens divinas. "Vocês apertariam a mão de um homem que escreve esse tipo de coisa? Vocês compartilhariam o mesmo palco que ele? Eu não, eu me recuso", escreveu. Na entrevista abaixo, Craig fala sobre o assunto.

Autor de diversos livros — entre eles Em Guarda — Defenda a fé cristã com razão e precisão (Ed. Vida Nova), lançado no fim de 2011 no Brasil, — Craig é doutor em filosofia pela Universidade de Birmingham, na Inglaterra, e em teologia pela Universidade de Munique, Alemanha. O filósofo esteve no Brasil para o 8º Congresso de Teologia da Editora Vida Nova, em Águas de Lindóia, entre 13 e 16 de março. Durante o simpósio, Craig deu palestras e dedicou a última apresentação a atacar, ponto a ponto, os argumentos de Richard Dawkins sobre a inexistência de Deus.

Perfil

Nome: William Lane Craig

Profissão: Filósofo, teólogo e professor universitário na Universidade de Biola, Califórnia

Nascimento: 23 de agosto de 1949

Livros destacados: Apologética Contemporânea — A veracidade da Fé Cristã; Em Guarda, Defenda a fé cristã com razão e precisão; ambos publicados no Brasil pela editora Vida Nova

Principal contribuição para a filosofia: Craig foi responsável por reformular o Argumento Cosmológico Kalam (variação do argumento cosmológico que defende a existência de uma primeira causa para o universo) nos seguintes termos: 1) Tudo que começa a existir tem uma causa de existência. 2) O universo começou a existir. 3) Portanto, o universo tem uma causa para sua existência.

Informações pessoais: William Lane Craig é conhecido pelo trabalho na filosofia do tempo e na filosofia da religião, especificamente sobre a existência de Deus e na defesa do teísmo cristão. Escreveu e editou mais de 30 livros, é doutor em filosofia e teologia em universidades inglesa e alemã e desde 1996 é pesquisador e professor de filosofia na Universidade de Biola, na Califórnia. Atualmente vive em Atlanta, nos EUA, com a esposa. Craig pratica exercícios regularmente como forma de combater a APM (Atrofia Peronial Muscular) uma doença degenerativa do sistema nervoso que lhe causou atrofiamento dos nervos das mãos e pernas. Especialista em debates desde o ensino médio, o filósofo passa a maior parte do tempo estudando.

Por que deveríamos acreditar em Deus?

Porque os argumentos e evidências que apontam para a Sua existência são mais plausíveis do que aqueles que apontam para a negação. Vários argumentos dão força à ideia de que Deus existe. Ele é a melhor explicação para a existência de tudo a partir de um momento no passado finito, e também a para o ajuste preciso do universo, levando ao surgimento de vida inteligente. Deus também é a melhor explicação para a existência de deveres e valores morais objetivos no mundo. Com isso, quero dizer valores e deveres que existem independentemente da opinião humana.

Se Deus é bondade e justiça, por que ele não criou um universo perfeito onde todas as pessoas vivem felizes?

Acho que esse é o desejo de Deus. É o que a Bíblia ensina. O fato de que o desejo de Deus não é realizado implica que os seres humanos possuem livre-arbítrio. Não concordo com os teólogos que dizem que Deus determina quem é salvo ou não. Parece-me que os próprios humanos determinam isso. A única razão pela qual algumas pessoas não são salvas é porque elas próprias rejeitam livremente a vontade de Deus de salvá-las.

Alguns cientistas argumentam que o livre-arbítrio não existe. Se esse for o caso, as pessoas poderiam ser julgadas por Deus? Não, elas não poderiam. Acredito que esses autores estão errados. É difícil entender como a concepção do determinismo pode ser racional. Se acreditarmos que tudo é determinado, então até a crença no determinismo foi determinada. Nesse contexto, não se chega a essa conclusão por reflexão racional. Ela seria tão natural e inevitável como um dente que nasce ou uma árvore que dá galhos. Penso que o determinismo, racionalmente, não passa de absurdo. Não é possível acreditar racionalmente nele. Portanto, a atitude racional é negá-lo e acreditar que existe o livre-arbítrio.

O senhor defende em seu site uma passagem do Velho Testamento em que Deus ordena a destruição da cidade de Canaã, inclusive autorizando o genocídio, argumentando que os inocentes mortos nesse massacre seriam salvos pela graça divina. Esse não é um argumento perigosamente próximo daqueles usados por terroristas motivados pela religião?

A teoria ética desses terroristas não está errada. Isso, contudo, não quer dizer que eles estão certos. O problema é a crença deles no deus errado. O verdadeiro Deus não ordena atos terroristas e, portanto, eles estariam cometendo uma atrocidade moral. Quero dizer que se Deus decide tirar a vida de uma pessoa inocente, especialmente uma criança, a Sua graça se estende a ela.

Se o terrorista é cristão o ato terrorista motivado pela religião é justificável, por ele acreditar no Deus 'certo'?

Não é suficiente acreditar no deus certo. É preciso garantir que os comandos divinos estão sendo corretamente interpretados. Não acho que Deus dê esse tipo de comando hoje em dia. Os casos do Velho Testamento, como a conquista de Canaã, não representam a vontade normal de Deus.

O sr. está querendo dizer que Deus também está sujeito a variações de humor? Não é plausível esperar que pelo menos Ele seja consistente?

Penso que Deus pode fazer exceções aos comandos morais que dá. O principal exemplo no Velho Testamento é a ordem que ele dá a Abraão para sacrificar seu filho Isaque. Se Abraão tivesse feito isso por iniciativa própria, isso seria uma abominação. O deus do Velho Testamento condena o sacrifício infantil. Essa foi uma das razões que o levou a ordenar a destruição das nações pagãs ao redor de Israel. Elas estavam sacrificando crianças aos seus deuses. E, no entanto, Deus dá essa ordem extraordinária a Abraão: sacrificar o próprio filho Isaque. Isso serviu para verificar a obediência e fé dele. Mas isso é a exceção que prova a regra. Não é a forma normal com que Deus conduz os assuntos humanos. Mas porque Deus é Deus, Ele tem a possibilidade de abrir exceções em alguns casos extremos, como esse.

O sr. disse que não é suficiente ter o deus certo, é preciso fazer a interpretação correta dos comandos divinos. Como garantir que a sua interpretação é objetivamente correta?

As coisas que digo são baseadas no que Deus nos deu a conhecer sobre si mesmo e em preceitos registrados na Bíblia, que é a palavra d'Ele. Refiro-me a determinações sobre a vida humana, como "não matarás". Deus condena o sacrifício de crianças, Seu desejo é que amemos uns ao outros. Essa é a Sua moral geral. Seria apenas em casos excepcionalmente extremos, como o de Abraão e Isaque, que Deus mudaria isso. Se eu achar que Deus me comandou a fazer algo que é contra o Seu desejo moral geral, revelado na escritura, o mais provável é que eu tenha entendido errado. Temos a revelação do desejo moral de Deus e é assim que devemos nos comportar.

O sr. deposita grande parte da sua argumentação no conteúdo da Bíblia. Contudo, ela foi escrita por homens em um período restrito, em uma área restrita do mundo, em uma língua restrita, para um grupo específico de pessoas. Que evidência se tem de que a Bíblia é a palavra de um ser sobrenatural?

A razão pela qual acreditamos na Bíblia e sua validade é porque acreditamos em Cristo. Ele considerava as escrituras hebraicas como a palavra de Deus. Seus ensinamentos são extensões do que é ensinado no Velho Testamento. Os ensinamentos de Jesus são direcionados à era da Igreja, que o sucederia. A questão, então, se torna a seguinte: temos boas razões para acreditar em Jesus? Ele é quem ele diz ser, a revelação de Deus? Acredito que sim. A ressurreição dos mortos, por exemplo, mostra que ele era quem afirmava.

Existem provas que confirmem a ressurreição de Jesus?

Temos boas bases históricas. A palavra 'prova' pode ser enganosa porque muitos a associam com matemática. Certamente, não temos prova matemática de qualquer coisa que tenha acontecido na história do homem. Não temos provas, nesse sentido, de que Júlio César foi assassinado no senado romano, por exemplo, mas temos boas bases históricas para isso. Meu argumento é que se você considera os documentos do Novo Testamento como fontes da história antiga, — como os historiadores gregos Tácito, Heródoto ou Tucídides — o evangelho aparece como uma fonte histórica muito confiável para a vida de Jesus de Nazaré. A maioria dos historiadores do Novo Testamento concorda com os fatos fundamentais que balizam a inferência sobre a ressurreição de Cristo. Coisas como a sua execução sob autoridade romana, a descoberta das tumbas vazias por um grupo de mulheres no domingo depois da crucificação e o relato de vários indivíduos e grupos sobre os aparecimentos de Jesus vivo após sua execução. Com isso, nos resta a seguinte pergunta: qual é a melhor explicação para essa sequência de acontecimentos? Penso que a melhor explicação é aquela que os discípulos originais deram — Deus fez Jesus renascer dos mortos. Não podemos falar de uma prova, mas podemos levantar boas bases históricas para dizer que a ressurreição é a melhor explicação para os fatos. E como temos boas razões para acreditar que Cristo era quem dizia ser, portanto temos boas razões para acreditar que seus ensinamentos eram verdade. Sendo assim, podemos ver que a Bíblia não foi criação contingente de um tempo, de um lugar e de certas pessoas, mas é a palavra de Deus para a humanidade.

Os textos da Bíblia passaram por diversas revisões ao longo do tempo. Como podemos ter certeza de que as informações às quais temos acesso hoje são as mesmas escritas há 2.000 anos? Além disso, como lidar com o fato de que informações podem ser perdidas durante a tradução?

Você tem razão quanto a variedade de revisões e traduções. Por isso, é imperativo voltar às línguas originais nas quais esses textos foram escritos. Hoje, os críticos textuais comparam diferentes manuscritos antigos de modo a reconstruir o que os originais diziam. O Novo Testamento é o livro mais atestado da história antiga, seja em termos de manuscritos encontrados ou em termos de quão próximos eles estão da data original de escrita. Os textos já foram reconstruídos com 99% de precisão em relação aos originais. As incertezas que restam são trivialidades. Por exemplo, na Primeira Epístola de João, ele diz: "Estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra". Mas alguns manuscritos dizem: "Estas coisas vos escrevemos, para que o nosso gozo se cumpra". Não temos certeza se o texto original diz 'vosso' ou 'nosso'. Isso ilustra como esse 1% de incerteza é trivial. Alguém que realmente queira entender os textos deverá aprender grego, a língua original em que o Novo Testamento foi escrito. Contudo, as pessoas também podem comprar diferentes traduções e compará-las para perceber como o texto se comporta em diferentes versões.

É possível explicar a existência de Deus apenas com a razão? Qual o papel da ciência na explicação das causas do universo?

A razão é muito mais ampla do que a ciência. A ciência é uma exploração do mundo físico e natural. A razão, por outro lado, inclui elementos como a lógica, a matemática, a metafísica, a ética, a psicologia e assim por diante. Parte da cegueira de cientistas naturalistas, como Richard Dawkins, é que eles são culpados de algo chamado 'cientismo'. Como se a ciência fosse a única fonte da verdade. Não acho que podemos explicar Deus em sua plenitude, mas a razão é suficiente para justificar a conclusão de que um criador transcendente do universo existe e é a fonte absoluta de bondade moral.

Por que o cristianismo deveria ser mais importante do que outras religiões que ensinam as mesmas questões fundamentais, como o amor e a caridade?

As pessoas não entendem o que é o cristianismo. É por isso que alguns ficam tão ofendidos quando se prega que Jesus é a única forma de salvação. Elas pensam que ser cristão é seguir os ensinamentos éticos de Jesus, como amar ao próximo como a si mesmo. É claro que não é preciso acreditar em Jesus para se fazer isso. Isso não é o cristianismo. O evangelho diz que somos moralmente culpados perante Deus. Espiritualmente, somos separados d'Ele. É por isso que precisamos experimentar Seu perdão e graça. Para isso, é preciso ter um substituto que pague a pena dos nossos pecados. Jesus ofereceu a própria vida como sacrifício por nós. Ao aceitar o que ele fez em nosso nome, podemos ter o perdão de Deus e a limpeza moral. A partir disso, nossa relação com Deus pode ser restaurada. Isso evidencia por que acreditar em Cristo é tão importante. Repudiá-lo é rejeitar a graça de Deus e permanecer espiritualmente separado d'Ele. Se você morre nessa condição você ficará eternamente separado de Deus. Outras religiões não ensinam a mesma coisa.

A crença em Deus é necessária para trazer qualidade de vida e felicidade?

Penso que a crença em Deus ajuda, mas não é necessária. Ela pode lhe dar uma fundação para valores morais, propósito de vida e esperança para o futuro. Contudo, se você quiser viver inconsistentemente, é possível ser um ateu feliz, contanto que não se pense nas implicações do ateísmo. Em última análise, o ateísmo prega que não existem valores morais objetivos, que tudo é uma ilusão, que não há propósito e significado para a vida e que somos um subproduto do acaso.

Por que importa se acreditamos no deus do cristianismo ou na 'mãe natureza' se na prática as pessoas podem seguir, fundamentalmente, os mesmos ensinamentos?

Deveríamos acreditar em uma mentira se isso for bom para a sociedade? As pessoas devem acreditar em uma falsa teoria, só por causa dos benefícios sociais? Eu acho que não. Isso seria uma alucinação. Algumas pessoas passam a acreditar na religião por esse motivo. Já que a religião traz benefícios para a sociedade, mesmo que o indivíduo pense que ela não passa de um 'conto de fadas', ele passa a acreditar. Digo que não. Se você acha que a religião é um conto de fadas, não acredite. Mas se o cristianismo é a verdade — como penso que é — temos que acreditar nele independente das consequências. É o que as pessoas racionais fazem, elas acreditam na verdade. A via contrária é o pragmatismo. "Isso Funciona?", perguntam elas. "Não importa se é verdade, quero saber se funciona". Não estou preocupado se na Suécia alguns são felizes sem acreditar em Deus ou se há alguma vantagem em acreditar n'Ele. Como filósofo, estou interessado no que é verdade e me parece que a existência desse ser transcendente que criou e projetou o universo, fonte dos valores morais, é a verdade.
(Colaborou Gabriel Castro).

O artigo original publicado no site da Revista VEJA poder ser lido por meio desse link aqui:


NOSSO COMENTÁRIO

1. Várias opiniões de W. L. Craig não refletem as opiniões do Blog o Grande Diálogo.

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Alexandros Meimaridis

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