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domingo, 26 de março de 2017

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 014 — A HISTÓRIA — A BUSCA PELO JESUS HISTÓRICO — PARTE 004


Resultado de imagem para a busca pelo jesus histórico

Esse é um estudo especial que irá abordar temas de grande interesse, tais como: 1. Deus 2. Os seres humanos e o mundo criado 3. Jesus e Sua missão como o CRISTO. 4. O Espírito Santo. 5. A vida cristã. 6. A Igreja. 7. O futuro e etc. Esperamos que a mesma possa ajudar todos os nossos leitores a conhecerem melhor o que o Novo Testamento ensina acerca de tudo o que nos é importante.

INTRODUÇÃO GERAL

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO E A HISTÓRIA

A BUSCA PELO JESUS HISTÓRICO — O FIM DA VELHA ESCOLA — PARTE 004

c. DIVERSIDADE DENTRO DO MOVIMENTO DA VELHA ESCOLA DA BUSCA PELO JESUS HISTÓRICO

De acordo com o estudioso Karl Adams em sua obra The Christ of Faith[1] depois dos ensinamentos de Strauss — ver estudo anterior na lista abaixo — nós podemos observar o surgimento de três tipos diferentes de abordagens quanto à busca pelo Jesus Histórico pela velha escola:

1. A abordagem mitológica.

2. A abordagem representada pelas chamadas vidas liberais de Jesus.

3. A abordagem escatológica.

Apesar do próprio Strauss ter abandonando a abordagem mitológica na segunda edição de sua obra em 1864, a mesma ainda continuou como uma abordagem básica para a velha escola da busca pelo Jesus histórico. Isso foi possível devido à continuada influência da ideia representada pelo filósofo Hegel que defendia o conceito que a força criativa seminal da história não estava centrada em qualquer personagem histórico, e sim em ideias. Desse modo, o cristianismo não é o resultado da vida e da obra de Jesus de Nazaré, mas da ideia da união entre Deus e o homem. Todavia, a abordagem mitológica não teve muitos adeptos depois de Strauss. A mesma ficaria aguardando o surgimento do teólogo Rudolf Karl Bultmann — 1884 a 1976 — para ser, novamente, explorada sob a ótica do existencialismo.

A segunda imagem de Cristo que emergiu da escola velha da busca pelo Jesus histórico foi aquela representada pelas vidas liberais de Cristo. Ao contrário da visão mitológica de Strauss e da ênfase hegeliana, esse grupo enfatizava que a história não é feita de ideias, mas de personalidades. Desse modo, para esse pessoal, o fator mais importante para explicar a existência do cristianismo era a personalidade de Jesus. Mas, diziam eles, para que a verdadeira personalidade de Jesus possa vir à tona é necessário que a mesma seja redescoberta pela utilização das ferramentas da moderna ciência da história. Afinal, não podemos nos esquecer que eles ainda representavam a velha escola da busca pelo Jesus histórico. Qualquer elemento sobrenatural ou miraculoso precisava ser descartado. Era necessário que Jesus fosse entendido como um ser humano comum — independentemente de quão extraordinário ou único ele pareça ter sido. Daí, podemos entender o alvo principal da escola liberal de teologia, de provar como não histórico qualquer coisa que seja sobrenatural ou misteriosa na vida de Jesus. Como resultado disso, a imagem de Jesus que surge é típica do liberalismo teológico: Jesus se parece mais com o filósofo grego Sócrates do que consigo mesmo. Os autores de maior destaque dessa bordagem são facilmente identificáveis como sendo: Adolf Von Harnack, Wilhelm Herrmann e Ernst Troeltsch.

A terceira abordagem é representada pela chamada imagem escatológica de Jesus. Essa escola rejeitou tanto a abordagem mitológica quanto a da visão liberal, porque percebia nas mesmas pressuposições dogmáticas, que fazia com seus proponentes enxergassem naquilo que produziam suas próprias pressuposições. Por seu lado, eles defendiam que uma leitura objetiva e factual das fontes conduziria o leitor — mais é uma pressuposição! — a enxergar a Jesus de uma perspectiva escatológica. Apesar da evidente pressuposição, essa escola se considerava como a única verdadeiramente fiel à pesquisa histórica em busca de Jesus. Representantes importantes dessa escola são:Willhelm Bousset, Albert Schweitzer, Julius Wellhausen e outros. Como afirma Karl Adam na obra mencionada acima: “com a ajuda espinhosa de uma crítica textual, eles tentaram descobrir a pedra fundamental livrando-se, com isso, de todo e qualquer extrato secundário ou terciário”. Mas, de forma patética, muito pouco de qualquer pedra fundamental foi descoberta. Não demorou muito para que o valor da abordagem escatológica fosse reconhecido pelo fato de chamar a atenção para um elemento negligenciado, mas à mesma faltava autenticidade em sua exagerada ênfase que pendia rigorosamente para um lado. Alguns elementos da abordagem escatologia, estão reaparecendo nas teologias de Wolfhart Pannenberg e Jürgen Moltmann.

Até aqui vimos como a velha escola da busca pelo Jesus histórico desejava ser objetiva e desprovida de pressuposições com o objetivo de redescobrir o verdadeiro Jesus da história. Para realizar seus intentos, essas pessoa tiveram que romper com a ortodoxia e abandonarem os dogmas das igrejas patrísticas, medievais e da Reforma. Foi o iluminismo que trouxe a mudança radical da perspectiva dogmática para a perspectiva histórica. Mas o resultado obtido foi muito diversificado e bastante contraditório. Os diversos tipos de abordagem foram apresentadas acima, mas, por falta de tempo, não podemos analisar as subdivisões dentro de cada uma dessas abordagens. Como disse Joachim Jeremias: “A imagem racionalista de Jesus como um pregador da moralidade; a visão dos idealista acerca do homem ideal; os estetas exaltaram a Jesus como mestre das palavras e os socialistas como um amigo dos pobres e um reformador social; ao mesmo tempo em que pretensos estudioso o transformaram apenas num personagem de ficção”[2] Jeremias prossegue dizendo que:”Jesus foi modernizado. Essas vida de Jesus são fruto exclusivo da criatividade dos seus autores. ... O dogma foi substituído pela psicologia e pela fantasia”. Além disso, Carl Braaten em sua obra History e Hermeneutics[3], nos apresenta uma análise devastadora da velha escola da busca pelo Jesus histórico. Ele diz:

“Os biógrafos de Jesus do século XIX eram como cirurgiões plásticos reconstruindo a face de seus pacientes às suas imagens e semelhanças, ou como um artista que pinta a si mesmo no quadro que está criando. Existia, em muitos casos, uma semelhança inequívoca entre o que escreviam acerca da religião de Jesus com suas próprias condições religiosas. Também acontecia do autor geralmente conseguir encontrar o que estava procurando. Quer dizer, ele descobria muitas coisas acerca de Jesus, alegadamente em cima da sua pesquisa puramente histórica, na justa medida em que necessitava das informações para fazer avançar sua própria teologia. Não existe nada que possa promover mais o ceticismo de uma pessoa quando considera os estudos do Novo Testamento, do que a comparação, facilmente feita, entre aquilo que o pesquisador alega ter descoberto historicamente, com sua necessidade teológica daquele mesmo momento”.

Nessa parte final da nossa análise acerca da busca pelo Jesus histórico realizada pela velha escola, nós ignoramos intencionalmente o filósofo dinamarquês Sören Kierkegaard, apesar dele ter vivido naquele período, entre 1813—1855. Assim procedemos porque Kierkegaard não teve sobre a velha escola nenhum impacto que possamos considerar como sendo notável. Sua influência só foi plenamente sentida durante o período chamado de neo-ortodoxia, no qual se sobressai a pessoa do teólogo Karl Barth. Outro importante autor que não foi mencionado é o russo Martin Kähler que escreveu O Jesus Histórico e o Cristo Bíblico Histórico. O título original na língua alemã as duas palavras — historie e geschichte — que se tornaram muito importantes nas fases subsequentes da busca pelo Jesus histórico. Os dois, todavia, serão citados na próxima fase da busca.

A busca pelo Jesus histórico da velha escola demonstrou o verdadeiro espírito do Iluminismo e do início da chamada ciência histórico-crítica aplicada à teologia. Hoje fica evidente — como demonstramos nos artigos dessa série —que a alegação de que eles desejavam ser objetivos e sem desposarem nenhuma pressuposição, era de fato, o único mito nessa história toda. Tudo o que a velha escola da busca pelo Jesus histórico conseguiu fazer foi criar um Cristo ebionita, o que é equivalente a dizer o seguinte: eles criaram um Cristo humano. A divindade de Jesus foi negada com base na PRESSUPOSIÇÃO com a qual o movimento se originou. Jesus foi considerado apenas como um ser humano natural típico, do qual todos os elementos divinos e sobrenaturais foram retirados logo de cara. Desse modo o termo histórico foi substituído na velha escola da busca pelo Jesus histórico por mero historicismo. Ou seja, uma história distorcida sem a presença da pregação.

A velha escola da busca pelo Jesus histórico criou o ambiente necessário para os desenvolvimentos posteriores da busca numa espécie de gangorra teológica. É praticamente impossível entendermos Karl Barth e Rudolf Bultman, se não levarmos em conta o background na velha escola e do liberalismo.Os dois tentaram fugir do impasse representado pelas posições da velha escola e do liberalismo, mas tudo o que conseguiram foi apenas desenvolver uma visão do evangelho que paira sobre a história como um disco voador que nunca aterrissa na História.

Rever a história da velha escola acerca da busca pelo Jesus histórico nos ensina uma importante lição. Existe um relacionamento inevitável entre a Palavra e Cristo, entre a Escritura e o Cristo revelado na Palavra. Não é difícil notarmos como a chamada alta crítica — do Iluminismo — minou a autoridade das Escrituras e influenciou a busca pelo Jesus histórico pela escolha velha. Sempre que alguém perde a fé na Palavra revelada de Deus, o passo seguinte é também a perda do reconhecimento do Cristo da Palavra.

É nossa convicção que nós podemos aprender a lição da história e pela graça de Deus alcançarmos uma convicção ainda maior da estratégica interrelação entre a história e a pregação. Jesus de Nazaré e os eventos acerca da sua pessoa como revelados nas Escrituras têm um significado eterno. O próprio Evangelho, a pregação, está arraigada na história: na própria pessoa de Jesus, o Filho encarnado de Deus que morreu na cruz por nós naquela sexta-feira e que ressuscitou para nossa justificação no domingo da ressurreição.
  
CONTINUA...

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[1] Adam, Katl. The Christ of Faith. Pantheon, New York, 1957.
[2] Jeremias, Joachim. The Problem of the Historical Jesus. Fortress Press, Philadelphia, 1972.
[3] Braaten, Carl. New Directions in Theology Today: Volume II History and Hermeneutics. Westminster Press, Philadelphia, 1974.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 011 — A HISTÓRIA — A BUSCA PELO JESUS HISTÓRICO — PARTE 001



Esse é um estudo especial que irá abordar temas de grande interesse, tais como: 1. Deus 2. Os seres humanos e o mundo criado 3. Jesus e Sua missão como o CRISTO. 4. O Espírito Santo. 5. A vida cristã. 6. A Igreja. 7. O futuro e etc. Esperamos que a mesma possa ajudar todos os nossos leitores a conhecerem melhor o que o Novo Testamento ensina acerca de tudo o que nos é importante.

INTRODUÇÃO GERAL

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO E A HISTÓRIA

A BUSCA PELO JESUS HISTÓRICO — PARTE 001

Os problemas que existem entre a História e a Teologia são da maior importância no contexto dos estudos relativos à Teologia do Novo Testamento. Uma das maiores acusações que são feitas contra a nossa fé cristã tem a ver com a alegação que a mesma não está fundamentada em fatos históricos. Como iremos demonstrar, tal acusação não passa duma grande bobagem, pois os argumentos usados para defender tal ponto de vista são muito mais frágeis do que os argumentos usados para defender a verdade e a historicidade da Bíblia.

Como acontece na grande maioria dos casos, os maiores ataque feitos contra a fé cristã não se originam do lado de fora da Igreja, mas do lado de dentro. Eles partem de pessoas, geralmente incrédulas — o joio — que se encontram dentro da própria Igreja. Não é diferente quando o assunto é a historicidade dos Evangelhos e, principalmente, a historicidade da pessoa e da obra do Senhor Jesus Cristo. O debate é antigo e iremos ver, de modo geral, como através dos séculos a Igreja combateu os erros ensinados por inúmeros hereges. Todavia, foi apenas a partir do século XVIII com Hermann Samuel Reimarus que a discussão moderna teve início. Essa discussão se estende até os nossos dias. Velhos argumentos dos séculos XVIII e XIX são, periodicamente, reciclados e apresentados como novos fazendo a alegria de autores, editores e leitores que entendem pouco, ou até mesmo, quase nada acerca da verdade como revelada nas Escrituras Sagradas.

A. ANTECEDENTES HISTÓRICOS DA BUSCA MODERNA PELO JESUS HISTÓRICO

Com o surgimento do Racionalismo, a capacidade de raciocínio humano foi entronizada como o elemento mais importante para a descoberta e o entendimento do mundo ao nosso redor. Um dos desdobramentos naturais do Racionalismo foi o Iluminismo cuja pretensão era explicar, nos mínimos detalhes, a “verdade” sobre todas as áreas do conhecimento humano. É óbvio que, sendo a religião cristã uma área importante desse conhecimento, a mesma tenha sido analisada por essa ótica defeituosa do raciocínio humano. A premissa básica do Iluminismo era secularizar — remover tudo o que era sobrenatural — de todas as áreas do pensamento e da vida humana. Tudo precisava ser explicado de forma natural sem nenhuma interferência sobrenatural. As consequências de tal abordagem sobre a revelação bíblica e a fé cristã devem ser claras.

Os pressupostos filosóficos adotados pelo Iluminismo podem ser facilmente encontrados no Racionalismo de descartes, Espinosa e Leibniz e também no Empirismo de Locke, Berkeley, Hume e outros. Essa duas escolas filosófica que eram opostas entre si foram como que, miraculosamente, unidas pelo filósofo Alemão Immanuel Kant, o maior expoente do Iluminismo. Foi Kant — viveu entre 1724 e 1804 — quem criou a distinção entre o que ele chamou de universo não fenomenal e universo fenomenal. Em outros termos podemos dizer que essa distinção era entre o que é metafísico daquilo que é físico. Ele também estabeleceu uma distinção entre a razão prática — a fé — e a razão pura. Essas distinções formuladas por Kant são a base de todo o pensamento moderno e são fundamentais para a nossa compreensão da fé e da história em nossos dias. Apesar de rejeitar as distinções de Kant, não deixamos de reconhecer sua importância para o entendimento da Teologia em nossos dias e, especialmente, para o entendimento das questões relacionadas à busca do Jesus histórico.

Para Kant o universo metafísico é o de Deus, da liberdade e da imortalidade. Apenas a razão prática ou a fé tem acesso a esse universo. O universo físico, por sua vez, está acessível aos sentidos humanos e pode ser controlado pelo exercício da razão pura. Todas as ciências humanas se ocupam, exclusivamente, do mundo físico, daquilo que pode ser percebido pelos sentidos. De fato, todas as ciências, a partir de Kant, adotaram essa forma de pensamento e aceitaram a distinção de Kant entre o universo não fenomenal do universo fenomenal. Foi exatamente essa forma de raciocínio que permitiu o surgimento de uma distinção fundamental no campo da Teologia. Estamos falando da distinção dicotômica ente Historie e Geschichte. Essa dicotomia por sua vez, nos remete para a filosofia dos gigantes gregos: Sócrates, Platão e Aristóteles.

A distinção ensinada por Kant dissociou Deus e Sua revelação de todos os aspectos do pensamento humano e, claro, não deixou de afetar a própria Teologia. As pressuposições da história foram mudadas para rejeitar e excluir qualquer elemento considerado sobrenatural. E esse fato está na raiz do que estamos chamando da busca moderna pelo Jesus histórico. A partir de Kant a ênfase dos estudos da história foi completamente colocada sobre a base que todos os fenômenos históricos precisavam ser avaliados, puramente, a partir de elementos naturais, numa relação direta de causa e efeito. Todos os elementos relacionados com a revelação e as ações divinas na história são excluídas como ponto de partida. De posse das ferramentas modernas supridas pelo Iluminismo o historiador precisa fazer duas perguntas: O que realmente aconteceu?  O que realmente aconteceu? Começando com essas perguntas esperava-se que o historiador pudesse respondê-las de modo objetivo deixando de lado todas as pressuposições. A ideia era simples: vamos retirar todos os dogmas antigos da Igreja cristã. Vamos excluir todas as afirmações previamente feitas pela Igreja e pela Teologia. Vamos examinar as escrituras como sendo apenas um livro humano. Colocando de lado toda e qualquer pressuposição o historiador tem a responsabilidade de descobrir quem, na realidade, foi esse tal de Jesus. Desse modo, alegava-se que o historiador objetivo poderia nos dizer, exatamente, como as coisas aconteceram. Mas logo alguém afirmou o seguinte: a ideia de que é possível entramos na história sem nenhum pressuposto é tão ingênua que se parece mais com a ideia que um historiador pode ser neutro em sua abordagem. Mas, à medida que avançarmos em nossa análise ficará claro que tais pressuposições mostraram-se completamente falsas.

Quando o Iluminismo começou a influenciar as áreas do conhecimento humano não demorou muito para que tal influência atingisse a Teologia e os teólogos em cheio. No século XIX teólogos como Friedrich Schleiermacher e Albrecht Ritschl abandonaram os estudos teológicos para mergulhar de cabeça na história com a intenção de tornar a teologia aceitável no meio científico à luz da filosofia kantiana. Todavia, ainda nos dias de Kant, o filósofo Gotthold Lessing — viveu entre 1729 e 1891 — levantou a seguinte questão: É possível que um fato acidental da história humana tenha significado eterno? Essa pergunta é extremamente importante, especialmente para nós os cristãos. Não podemos negligenciar a mesma nem aceitar os pífios argumentos desenvolvidos para ofuscá-la. E não existe nenhum modo de respondermos a essa pergunta, senão por meio de afirmações relacionadas com a fé. Por exemplo, a cruz de Cristo é um exemplo típico do que estamos falando. O mesmo foi um evento tremendamente importante. Nossa salvação eterna depende desse fato glorioso acerca de Cristo —

Romanos 4:25

O qual foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação.

De fato, todos os eventos relacionados à pessoa de Jesus foram tremendos — sua encarnação, sua crucificação e sua ressurreição. E tudo isso aconteceu na história da Palestina duma vez por todas e, como diz Karl Barth, o que Deus fez não pode ser modificado por ninguém. Está feito e ponto. Dessa forma, todos os que se propõem abordar a história a partir de pressuposições iluministas — isto é, pressuposições meramente humanas — precisam responder à seguinte pergunta: de que maneira um avento acontecido na história passada na longínqua Palestina pode ter importância eterna? Não é difícil perceber que ao fazermos tal pergunta, nós estamos dirigindo nossa atenção para o coração da fé cristã. A pergunta de Lessing é, de fato, a pergunta que os proponentes originais da busca histórica pelo verdadeiro Jesus se propuseram a responder.

CONTINUA...

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terça-feira, 26 de abril de 2016

OS PROTESTANTES E A ALEMANHA SOB O NAZISMO



Um seminário teológico REFORMADO na Alemanha nazista

Stephen Nichols

Quando a igreja luterana alemã apoiou os nazistas em 1933, um seleto grupo de líderes dentro da igreja formou um movimento de resistência eclesiástica, o qual veio a se chamar de Igreja Confessante. Eles logo fundaram cinco novos seminários para treinar a próxima geração de ministros. Aproveitaram um jovem professor de teologia da Universidade de Berlim para dirigir o seminário recém criado em Zingst e posteriormente em Finkenwalde.

O modelo predominante para a educação teológica na Alemanha era amplamente acadêmico e as universidades dominaram a educação ministerial. Desde o Iluminismo (Aufklarung em alemão) os pastores alemães tinham digladiado pela respeitabilidade ao lado de médicos e advogados – profissionais das disciplinas mais “respeitáveis”. Eruditos no estudo bíblico e teólogos tinham de fazer o mesmo em contraposição aos seus colegas na academia. Após um punhado de palestras para futuros ministros e teólogos na Friedrich Wilhelm University, em Berlin, Dietrich Bonhoeffer sentiu que este tipo de ethos educacional estava errado – e era, por fim, danoso – para a igreja em geral.

Então, o novo seminário em Finkenwalde deu a Bonhoeffer uma oportunidade para traçar um curso diferente para a educação ministerial. Ele focaria sua escola na Escritura, oração e confissão teológica, e como Herr Direktor, Bonhoeffer poderia sustentar estes três pilares como achasse por bem. Mas nem todos concordaram. O altaneiro Karl Barth, por exemplo, protestou, dentre outros líderes na Igreja Confessante. Muitos estudantes seguiram o exemplo, contrariando as inovações de Bonhoeffer. Formidável demais para ser demitido, ele se manteve firme, e acabou ganhando tanto seus alunos como seus críticos.

Infelizmente, a história de Finkenwalde não acaba com sucesso – pelo menos não como a palavra “sucesso” é frequentemente definida, com os requisitos métricos de números e proezas. A maioria dos alunos de Bonhoeffer nunca chegou ao ministério pastoral. Vinte e sete foram presos. O seminário, como um todo, teve uma vida curta, fechado pela Gestapo após dois anos apenas.

Dito isto, o que foi realizado ali durante aqueles dois anos merece nota. Então, vamos considerar os três pilares de Bonhoeffer para a educação no seminário: Escritura, oração e confissão teológica.

Construa sobre a Palavra

Depois de alguns meses em operação, Bonhoeffer escreveu uma carta para as igrejas mantenedoras explicando a missão do seminário:
O caráter especial de um seminário da Igreja Confessante deriva da difícil situação na qual temos sido colocados devido ao conflito na igreja. A Bíblia constitui o ponto focal de nosso trabalho. Ela tem se tornado para nós uma vez mais o ponto de partida e o centro de nosso labor teológico e de toda a nossa ação cristã.1

Que esse foco bíblico era “especial” mostra porque a igreja luterana alemã murchou sob o governo nazista. A igreja como um todo há muito havia se afastado de suas amarras bíblicas. Sem um sólido fundamento bíblico, a igreja simplesmente não possuía os recursos necessários para se envolver nas questões éticas da década de 1930, a qual, em seguida, levou tragicamente às atrocidades na década de 1940 e da Segunda Guerra Mundial.

As palavras de Bonhoeffer também revelam sua convicção de que a Bíblia deve permanecer como o ponto central na educação ministerial e na igreja. A Escritura como o ponto focal em Finkenwalde implicava que os estudantes seriam treinados em hebraico e grego. Eles receberiam instrução no conteúdo bíblico. “A congregação”, Bonhoeffer disse uma vez, “é construída unicamente sobre a Palavra de Deus”2. Bonhoeffer exigia que os alunos praticassem a lectio divina, lendo um Salmo e capítulos do Antigo e do Novo Testamento a cada dia. Os alunos também tinham de meditar numa passagem selecionada a cada semana. Ele tinha a intenção de ajudá-los a formar os hábitos corretos.

Os alunos de Finkenwalde e o futuro biógrafo de Bonhoeffer, Eberhard Bethge, entenderam a mensagem. Anos depois, Bethge testificou: “Porque eu sou um pregador da Palavra, não posso expor as Escrituras a menos que as deixe falar para mim todos os dias. Usarei indevidamente a Palavra no meu serviço se não me mantiver meditando sobre ela em oração”.3

A oração faz um pastor

Os cursos de Bonhoeffer sobre oração usavam a Oração do Senhor [o Pai Nosso] e o Catecismo de Lutero para instrução. Ele também exigia que os estudantes orassem, como um tipo de dever de casa. Os críticos o acusaram de que estava sendo legalista; alguém até mesmo chegou a dizer a ele que o tempo era muito urgente para oração e meditação. Bonhoeffer respondeu a estas críticas vigorosamente: “Isso ou mostra uma total falta de compreensão por parte dos jovens teólogos de hoje, ou uma ignorância blasfema de como a pregação e o ensino vêm à existência”.4  Como Bonhoeffer disse uma vez à sua congregação em Londres: “Uma congregação que não ora pelo ministério do seu pastor, não é mais uma congregação. Um pastor que não ora diariamente por sua congregação, não é mais um pastor”.5

Confissão como currículo

Por fim, há o terceiro pilar: a confissão teológica. Como um luterano alemão, o padrão confessional de Bonhoeffer era a Confissão de Augsburg (1530), contida no Livro de Concórdia (1580). Da mesma maneira que a Escritura e a oração foram eclipsadas na igreja luterana, assim também acontecia com a confissão. Como tantas outras denominações no século 20, a igreja luterana alemã professava sua confissão teológica da boca para fora, e não mais do que isso.

Não era assim no seminário de Bonhoeffer. Bethge comenta sobre como a cópia do Livro de Concórdia de Bonhoeffer estava sublinhada, marcada com notas nas laterais, pontos de exclamação e interrogações. É evidente que Bonhoeffer lutou com sua confissão e a levou a sério6. De fato, para Bonhoeffer, a confissão era o currículo da teologia.

Mas ele não estava apenas interessado em que seus alunos conhecessem e lutassem com a teologia, pois também queria que eles a vivessem. A confissão moldaria suas vidas, sua ética, sua pregação e suas igrejas. “Teologia é a submissão ao conhecimento coerente e bem ordenado da palavra de Deus”, ele escreveu. “Ela serve à pura proclamação da palavra na congregação e à edificação da congregação de acordo com a palavra de Deus”.7

Seminários são para a igreja

Então, os seminários existem pra quê? Assim como a teologia que ensinam, eles existem para a igreja. E acerca do que eles deveriam tratar? Assim como a igreja para quem eles existem, eles deveriam tratar sobre a Escritura, a oração e a confissão teológica. Além do mais, estas são as marcas de todos os cristãos em todos os tempos, pois são os hábitos da vida cristã.

Se você deseja conhecer mais sobre a vida de Dietrich Bonhoeffer recomendamos os dois links abaixo:

http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/04/voce-sabe-quem-foi-dietrich-bonhoeffer.html

http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/04/voce-sabe-quem-foi-dietrich-bonhoeffer_10.html

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______________________________
* Texto original disponível em: http://thegospelcoalition.org/blogs/tgc/2013/08/08/seminary-in-nazi-germany/. Tradução de Nelson Ávila, bacharelando em teologia pela Escola Teológica Charles Spurgeon, em Fortaleza-CE.

1  Dietrich Bonhoeffer, "A Greeting from the Finkenwalde Seminary," Oct. 1935, The Way to Freedom (New York: Harper & Row, 1966), 35.

2  Dietrich Bonhoeffer, "Theology and the Congregation," Dietrich Bonhoeffer Works, Vol 16: 1940-1945 (Minneapolis: Fortress Press, 2006), 494.

3  Ibid., 57.

4  Cited in Eberhard Bethge, Dietrich Bonhoeffer: A Biography (Minneapolis: Fortress Press, 2000), 465.

5  Dietrich Bonhoeffer, Oct. 22, 1933, in Dietrich Bonhoeffer Works, Vol 13: London, 1933-1935 (Minneapolis: Fortress Press, 2007), 325.

6  Bethge, Dietrich Bonhoeffer, 449.

7  Bonhoffer, DBW, Vol. 16, 494.         

quinta-feira, 9 de julho de 2015

VIDA, MORTE, ESTADO INTERMEDIÁRIO E ESTADO ETERNO — Estudo 4 - O SER HUMANO CRIADO POR DEUS


Detalhe da "criação do ser humano" de Michelangelo - Capela Sistina - Roma

Essa é uma série cujo propósito é estudar os conceitos bíblicos de vida, morte, estado intermediário e eternidade. No final de cada estudo você irá encontrar links para outros estudos. A Série tem o título Geral de: Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade.

O Homem como ser Criado – Parte 1

O que é o Homem? — Como ser humano —

Provérbios. 23:7

Porque, como imagina em sua alma, assim ele é; ele te diz: Come e bebe; mas o seu coração não está contigo.

I – A Natureza Humana

O que é o homem é uma questão que tem permeado a filosofia ocidental desde os filósofos pré-socráticos até os nossos dias.

A partir do Iluminismo — Século XVIII — o homem passou a ser visto como uma máquina menor, parte de uma máquina maior, o universo Cósmico, preso dentro de um universo determinista, já que não existe nele — ser humano — nada que transcenda seu lado material.

Assim temos: tudo o que o homem pensa é determinado de forma mecânica por forças irracionais tais como fatores genéticos, secreções químicas, condições do meio ambiente e o inconsciente coletivo.

Como esta filosofia influencia o pensamento de hoje? O ser humano não tem dignidade. Isso está mais que comprovado quando pensamos nos seguintes fatores:

Guerras — Especialmente a Segunda Guerra Mundial que matou:

23 milhões de russos.

5.6 milhões de poloneses.

20 milhões de Chineses

7.5 milhões de Alemães
E muitos outros milhões de várias nacionalidades que elevam o total geral para perto de 60 milhões de seres humanos.[1]

Abortos sob demanda. Ver nosso artigo com o contador de abortos sobre demanda apenas no ano 2915 por meio desse link aqui:


Abandono de crianças nascidas com más formações congênitas.

Eutanásia e suicídios assistidos.

Manipulação genética e clonagem.

A Reação humana a tudo isto é uma corrida para o misticismo com o seguinte resultado: O Homem não é uma máquina, nem um ser como Deus, mas Deus mesmo!

B – A Resposta Cristã

Salmos 8: 3—8

3 Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste,

4 que é o homem, que dele te lembres E o filho do homem, que o visites?

5 Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus e de glória e de honra o coroaste.

6 Deste-lhe domínio sobre as obras da tua mão e sob seus pés tudo lhe puseste:

7 ovelhas e bois, todos, e também os animais do campo;

8 as aves do céu, e os peixes do mar, e tudo o que percorre as sendas dos mares.
1. O Fundamento triplo: A Bíblia vê a vida como:

a. Sendo criada por Deus do nada, ou seja, “ex nihilo”. Fato reconhecido nas mais tradições humanas de todos os lugares.

b. A queda radical do homem no pecado. Fato reconhecido nas mais tradições humanas de todos os lugares.

c. O plano de Deus para a Redenção.

2. Assim temos:

a. O que era o homem na criação? (passado)

b. O que é o homem após a queda? (presente)

O que será o homem após a consumação da Redenção? (futuro)

II – Criação – O Portador da Imagem de Deus –

Gênesis. 1:26—28.

26 Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra.

27 Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.

28 E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra.

A. O homem foi feito para controlar e não para ser controlado de forma mecânica e determinista pelo universo. O Homem foi criado para fazer em um nível finito aquilo que Deus faz a nível infinito.

B. A imagem de Deus no homem simplesmente indica que o homem deve refletir o Criador nas capacidades e habilidades que o separam de todo o resto da criação.

C. A nobilidade, exclusividade, o significado e o valor do ser humano podem ser resumidos em uma palavra: “DIGNIDADE”. E todas essas palavras so se sustentam por ter sido o ser humano criado à Imagem de Deus.

D. Cristo é o perfeito portador desta Imagem.

João. 14:9

Disse-lhe Jesus: Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? Quem me vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai?

Colossenses 1:15

Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação.


E. Como devemos nos ver?  E daí?

Uma breve interpretação de Colossenses 1:15

Este é a imagem do Deus invisívelEssas palavras nos fazem lembrar de textos que vimos acima. Por exemplo, elas nos fazem lembrar Gênesis 1:27, que nos fala de como os seres humanos foram criados à imagem e semelhança do Deus Criador. Nessa condição os seres humanos receberam o domínio sobre todo o resto da criação. Por outro lado, é algo muito importante de ser notado que os versos do Salmos 8 citados há pouco e que descrevem o domínio dos seres humanos sobre o restante da criação, até mesmo com certos detalhes, é interpretado pelo autor da Epístola aos Hebreus como aplicado ao Messias ou Senhor Jesus —

Hebreus 2:5—9

5 Pois não foi a anjos que sujeitou o mundo que há de vir, sobre o qual estamos falando;

6 antes, alguém, em certo lugar, deu pleno testemunho, dizendo: Que é o homem, que dele te lembres? Ou o filho do homem, que o visites?

7 Fizeste-o, por um pouco, menor que os anjos, de glória e de honra o coroaste e o constituíste sobre as obras das tuas mãos.

8 Todas as coisas sujeitaste debaixo dos seus pés. Ora, desde que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou fora do seu domínio. Agora, porém, ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas;

9 vemos, todavia, aquele que, por um pouco, tendo sido feito menor que os anjos, Jesus, por causa do sofrimento da morte, foi coroado de glória e de honra, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todo homem.

Mas apesar dessa referência à criação dos seres humanos à imagem de Deus e do consequente domínio estarem no pano de fundo de Colossenses 3:15, a mesma não faz plena justiça à ideia que temos afirmada aqui acerca do Filho de Deus, Jesus. O ser humano, apesar de ter sido criado à imagem de Deus não é Deus. Por outro lado, como a “imagem do Deus invisível de Deus”, Jesus, o Filho, é acima de tudo, ele mesmo, o próprio Deus. Em Cristo:

Romanos 9:5b

O Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre. Amém!

Colossenses 2:9

Porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade.

E mais, é em Cristo que —

Colossenses 2:3

Em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos.

Em segundo lugar, nós podemos afirmar que: como a imagem do Deus invisível, o filho de Deus é revelado. Nos escritos de Paulo essa identificação do Filho com o próprio Deus, o Filho sendo à imagem de Deus ou sendo manifesto ou revelado, não é novidade. A mesma verdade pode ser vista em —

2 Coríntios 4:4

Nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.

Filipenses 2:6

Pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus.

Além disso, as ideias em Colossenses são as mesmas que encontramos em —

Hebreus 1:3

Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas.  

E o apóstolo João expressa essa mesma verdade usando outros termos —

João 1:1, 18

1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

18 Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.

E mais ainda pode ser visto em —

João 10:30, 38

30 Eu e o Pai somos um.

38 Mas, se faço, e não me credes, crede nas obras; para que possais saber e compreender que o Pai está em mim, e eu estou no Pai.

Apocalipse 3:14

Ao anjo da igreja em Laodiceia escreve: Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus.

É no Filho Jesus Cristo, que o Deus invisível tornou-se visível de tal modo que todos nos podemos ver no tempo e na eternidade aquele que é invisível:

1 Timóteo 1:17

Assim, ao Rei eterno, imortal, invisível, Deus único, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém!

1 Timóteo 6:16

O único que possui imortalidade, que habita em luz inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver. A ele honra e poder eterno. Amém!

Assim temos que: se o Filho é a própria imagem do Deus invisível, e se esse Deus invisível é de eternidade a eternidade, segue-se que o Filho, também precisa ser a imagem de Deus eternamente. No que diz respeito à divindade do Filho, a mesma não pode pertencer à categoria do tempo e do espaço. Ele não pode ser uma mera criatura, mas encontra-se completamente separados dos seres humanos e até mesmo de qualquer outra criatura. É isso que o apóstolo Paulo quer dizer ao afirmar —

O primogênito de toda a criaçãoJesus, o Senhor, estava no princípio junto com Pai participando de todo o processo Criador —

João 1:2—3

2  Ele estava no princípio com Deus.

3  Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez.

Para que não tenhamos nenhuma dúvida do que Paulo está afirmando aqui, vejamos o que ele diz em —

Colossenses 1:16

Pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele.
Para terminar é importante destacarmos que essa passagem não é entendida de forma apropriada por muitos evangélicos, inclusive por pregadores midiáticos como o patético Valdemiro Santiago que faz a seguinte afirmação acerca de Jesus:

Muita gente pela tradição da religião, não entende a historia de Jesus. Alguns falam de natal, mas ninguém sabe o dia exato em que Jesus Cristo nasceu. Segundo que Jesus já existia muito antes de tudo. Ele é a imagem do Deus invisível, a encarnação do verbo. Mas ele não é sempiterno, é eterno. O pai que é Deus é sempiterno, aquele que antes dele nunca existiu como ele, nem existirá depois dele, sempre existiu e sempre existirá. A primeira obra dele foi Jesus Cristo, não a partir de Maria, que foi obra do Espirito Santo para ser feito carne, antes ele já existia. “Façamos” é no plural, porque Jesus estava com Ele e a palavra que lemos confirma.[2]

Sendo esse o jesus que Valdomiro Santiago prega, nós podemos afirmar com toda certeza, que esse não é o Jesus da Bíblia e que o jesus de Valdomiro é incapaz de salvar quem quer que seja.

CONTINUA...


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Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos. 



[1] Sommerville, Donald. The Complete Illustrated History of World War Two: An Authoritative Account of the Deadliest Conflict in Human History with Analysis of Decisive Encounters and Landmark Engagements. Lorenz Books,  Leicester, 2008.

[2] Artigo escrito pelo falso apóstolo Valdemiro Santiago e de posse do autor do blog “O Grande Diálogo”