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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

APOCALIPSE — INTRODUÇÃO E AS CARTAS ÀS SETE IGREJAS DA ÁSIA - SERMÃO 033 — LAODICEIA — PARTE 005


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Pintura de William Holman Hunt

O objetivo dessa série é apresentar os três primeiros capítulos do Livro do Apocalipse. Neles vamos encontrar uma REVELAÇÃO muito especial da pessoa de Jesus Cristo. Cremos que é disso que a Igreja dos nossos Dias precisa: Um encontro pessoal e profundo com o Senhor que diz de si mesmo: Eu sou o Alfa e Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso. No Final de cada estudo o leitor encontrará os links para os estudos seguintes:

Texto: Apocalipse 3:14—22
Introdução.

A. Na mensagem de hoje queremos abordar, de modo particular o texto de —
Apocalipse 3:19—20
19 Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te.
20 Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.
B. A mensagem desses versículos não está dirigida apenas aos membros da igreja em Laodiceia, mas a todos os crentes de todas as épocas.
C. Como falamos no início da série a mensagem ou mensagens contidas nessas cartas, além de valerem para as igrejas originais para as quais foram enviadas, servem também para todos nós, durante todas as épocas da igreja.
D. Isso é verdadeiro porque os problemas enfrentados por aquelas igrejas e as atitudes que muitas delas tinham com relação ao Senhor Jesus Cristo, são parecidas e até mesmo idênticas com as situações que enfrentamos hoje, como deixamos bem claro durante nossas mensagens anteriores.
E. Mas hoje não queremos nos ocupar de falsos mestres, de falsos profetas, de falsos ensinamentos, de apostasia, de morte espiritual, de imoralidades sexuais e tantas outras coisas que encontramos presentes nas cartas anteriores. Hoje queremos falar do acerca do...

GRANDE AMOR DE JESUS POR TODOS OS QUE SÃO SEUS

I. As Palavras de Abertura da Passagem

A. Nunca é demais repetir que quem está falando aqui nesses versos é o próprio Senhor Jesus Cristo.
B. Independentemente de tudo o que iremos dizer hoje, uma verdade precisa ficar bem marcada em nossas mentes: JESUS NOS AMA! Mesmo no meio do pecado, da desobediência e da rebeldia, ELE NOS AMA.
C. Mas o amor de Jesus por nós não é do tipo daquele amor que vê, até mesmo um filho fazendo algo errado, e vem passar a mão na cabeça. Não, Jesus nos ama e porque nos ama ele diz: Eu repreendo e disciplino a quantos amo – verso 19.
D. A ideia aqui é a seguinte: Todos aqueles que falham na sua caminhada cristã, o amor divino precisa conduzir à disciplina. Mas, não falhamos todos nós? Com certeza e por isso, todos nós devemos saber que: porque o Senhor nos ama ele irá nos disciplinar.
E. Esse processo começa com uma palavra de repreensão. A expressão grega é ἐλέγχω eléncho — que tem em si a ideia de trazer à luz ou expor aquilo que está errado. A intenção em expor o que está errado é nos humilhar e também nos despertar para agir do modo esperado por Deus, como veremos logo em seguida.
F. A disciplina divina é um conceito antigo e podemos ver isso em passagens como —
Provérbios 3:11—12
11 Filho meu, não rejeites a disciplina do SENHOR, nem te enfades da sua repreensão.
12 Porque o SENHOR repreende a quem ama, assim como o pai, ao filho a quem quer bem.
G. Esses versos acima junto com as palavras de Jesus nos ensinam que o amor verdadeiro exige disciplina.
H. Dessa forma as palavras de Jesus no início do verso 19 se complementam e concordam com o ensino bíblico que encontramos em outras passagens. Porque Jesus nos ama ele nos REPREENDE E NOS DISCIPLINA. Tudo isso é para o nosso próprio bem. Toda disciplina deve ser —
2 Timóteo 2:25—26
Disciplinando com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade, mas também o retorno à sensatez, livrando-se eles dos laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele para cumprirem a sua vontade.
I. O resultado desse tipo de disciplina em nossas vidas deve ser...
II. Sê Pois Zeloso e Arrepende-te.
A. Na segunda parte de Apocalipse 3:19 nós encontramos dois verbos que concluem a ideia iniciada na parte I da mensagem.
B. Devemos ser zelosos e nos arrepender. Existe algo nessas palavras, no texto original grego que deve chamar nossa atenção:
1. Primeiro o verbo ζήλευε Zéleue — que é traduzido por zeloso está no tempo presente do imperativo. Trata-se, portanto de um comando que deve ser obedecido imediatamente. O sentido é que devemos desejar de modo sincero e fervoroso nos esforçar para acertar a situação — qualquer situação — que o Senhor Jesus esteja nos mostrando.
2. Já o segundo verbo μετανόησον metanóeson — traduzido por arrepende-te indica uma mudança de mente com verdadeiro pesar pelos pecados cometidos. Esse verbo está no tempo grego aoristo que é um tempo que indica um início para determinada ação, mas não indica um final para mesma. Assim, o Senhor nos ensina que esse processo deve ser contínuo em nossas vidas. Todas as vezes que o Espírito Santo apontar para algum pecado em nossas vidas nós precisamos nos arrepender e pedir perdão ao Senhor.   
C. No caso da igreja em Laodiceia tal arrependimento era necessário porque eles em vez de ouvirem a Cristo estavam dando ouvidos às suas próprias mentiras de que a prosperidade mundana e o sucesso material indicavam que o relacionamento deles com Deus estava em ordem. Esse pensamento errado se manifesta em nossos dias por meio dessa mentirosa teologia chamada de Teologia da Prosperidade. Uma verdadeira praga que está assolando e destruindo a igreja cristã no Brasil.
D. Depois da disciplina amorosa, da demonstração de zelo e de arrependimento da parte dos cristãos, o Senhor Jesus então se apresenta cheio de amor compassivo, como podemos ler em Apocalipse 3:20.
III. O Amor Compassivo de Jesus — Apocalipse 3:20
A. Esse verso tem sido mal entendido e mal aplicado, todas as vezes que os pregadores fazem uso do mesmo para chamar incrédulos para a salvação. Ver quadro de Holman Hunt: “A Luz do Mundo”.
B. É óbvio que tal interpretação não se encaixa no contexto. Aqui Jesus está chamado os crentes, pessoas como você e eu. É um chamado para que uma igreja fraca se arrependa e se volte para o nosso Deus. O convite é semelhante ao que temos em —
Isaías 55:1—2
1  Ah! Todos vós, os que tendes sede, vinde às águas; e vós, os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite.
2  Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão, e o vosso suor, naquilo que não satisfaz? Ouvi-me atentamente, comei o que é bom e vos deleitareis com finos manjares.
C. A posição de Jesus batendo à porta é um verdadeiro desafio para cada um de nós. Devemos ter a coragem de abrir a porta do nosso coração e convidá-lo para participar da nossa vida. Por que resistimos tanto? Porque amamos mais ao pecado do que ao Senhor. É uma triste realidade, mas é verdadeira.  
D. Mas esse verso tem uma promessa maravilhosa: ele diz que: se ouvirmos a Jesus batendo e abrirmos a porta para ele entrar, ele irá, de fato entrar em nossas vidas com seu poder transformador e com o desejo claro de manter conosco a mais profunda comunhão. A fé cristã trata de RELACIONAMENTOS, lembram?
E. Cristo está agora mesmo à porta do coração de cada um de nós batendo e anunciando-se. Note que o Senhor não força a entrada. Ele apenas se torna disponível para nós. Somos nós que temos que tomar a decisão de permitir sua entrada.  
F. Cristo se apresenta à porta e espera uma resposta. O crente deve então, responder em arrependimento e “abrir a porta” para Cristo. A metáfora prossegue com Cristo mencionando uma refeição entre ele e o crente que abrir a porta e recebê-lo. No Oriente, compartilhar de uma refeição é o mesmo que compartilhar a própria vida. Meu pai costumava dizer que: “quando nos sentamos ao redor da mesa para uma refeição, nós paramos de envelhecer!”
G. A promessa de Jesus é de uma bênção, de uma profunda comunhão com aquele que é o único que pode nos oferecer perdão e reconciliação com Deus.
H. Nisso temos uma visão da própria eternidade conforme lemos em apocalipse 21:1—22:5.

Conclusão:
A. A igreja em Laodiceia é um paralelo perfeito demais para alguns dos maiores problemas que enfrentamos na igreja do século XXI.

B. A prosperidade nos tornou mornos. Estamos satisfeitos e impressionados conosco mesmos e com o que construímos: grandes igrejas, belos prédios, orçamentos enormes e etc. 

C. No meio disso tudo, nos esquecemos que Deus deseja, acima de tudo, apenas o nosso coração. É incrível, mas muitos pregadores, conferencistas, músicos e etc., já se deram conta que é possível enriquecer muito no ministério cristão. E eles fazem isso mesmo. Exploram os irmãos de todas as maneiras que podem.

D. Quando isso ocorre é impossível colocarmos Deus no centro de controle das nossas vidas. O engano é sutil: estou enriquecendo servindo o Senhor. É a sopa no mel. Mas em tudo isso não existe verdadeira adoração. Estamos completamente envolvidos por shows da fé, por falsas promessas, por manipuladores profissionais. Com isso Deus já faz tempo, deixou de ser parte de nossas prioridades.

E. A fé cristã em vez de ser caracterizada pelo nosso Relacionamento com Deus e com o Senhor Jesus Cristo por meio do Espírito Santo, virou apenas um “seguro para a vida eterna, ou um seguro contra o incêndio do fogo do inferno”.

F. Vai dar muita pena de todas essas pessoas que pensam que podem usar Deus para benefício próprio no dia do grande julgamento.

G. O ensinamento central dessa carta é nos advertir que Deus deseja o melhor de nós para Si.

H. Se para nós as posses mundanas forem, a qualquer momento, mais importantes do que o próprio Senhor Jesus, então nossa atitude também lhe dá ânsia de vômito.

I. A resposta que Deus espera de cada um de nós é de arrependimento — mudança de mente — e com a presença de Jesus em nossas vidas obter a vitória sobre os nossos anseios centrados em coisas materiais e terrenas.

OUTRAS MENSAGENS ACERCA DO APOCALIPSE: INTRODUÇÃO E CARTAS ÀS SETE IGREJAS

APOCALIPSE 1:1—20 — SERMÃO 001 — INTRODUÇÃO AO LIVRO DO APOCALIPSE
APOCALIPSE 1:1—20 — SERMÃO 002 — UMA VISÃO DE JESUS CRISTO — PARTE 001
APOCALIPSE 1:1—20 — SERMÃO 003 — UMA VISÃO DE JESUS CRISTO — PARTE 002
APOCALIPSE 2:1—7 — SERMÃO 004 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM ÉFESO — PARTE 001
APOCALIPSE 2:1—7 — SERMÃO 005 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM ÉFESO — PARTE 002
APOCALIPSE 2:8—11 — SERMÃO 006 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM ESMIRNA — PARTE 001
APOCALIPSE 2:8—11 — SERMÃO 007 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM ESMIRNA — PARTE 002
APOCALIPSE 2:12—17 — SERMÃO 008 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM PÉRGAMO — PARTE 001
APOCALIPSE 2:12—17 — SERMÃO 009 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM PÉRGAMO — PARTE 002
APOCALIPSE 2:12—17 — SERMÃO 010 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM PÉRGAMO — PARTE 003
APOCALIPSE 2:12—17 — SERMÃO 011 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM PÉRGAMO — PARTE 004
APOCALIPSE 2:12—17 — SERMÃO 012 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM PÉRGAMO — PARTE 005 FINAL
APOCALIPSE 2:18—29 — SERMÃO 013 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM TIATIRA — PARTE 001
APOCALIPSE 2:18—29 — SERMÃO 014 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM TIATIRA — PARTE 002
APOCALIPSE 2:18—29 — SERMÃO 015 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM TIATIRA — PARTE 003
APOCALIPSE 2:18—29 — SERMÃO 016 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM TIATIRA — PARTE 004
APOCALIPSE 2:18—29 — SERMÃO 017 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM TIATIRA — PARTE 005
APOCALIPSE 2:18—29 — SERMÃO 018A/B — UMA CARTA PARA A IGREJA EM TIATIRA — PARTE 006A/B
APOCALIPSE 3:1—6 — SERMÃO 019 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM SARDES— PARTE 001
APOCALIPSE 3:1—6 — SERMÃO 020 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM SARDES— PARTE 002
APOCALIPSE 3:1—6 — SERMÃO 021 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM SARDES— PARTE 003
APOCALIPSE 3:1—6 — SERMÃO 022 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM SARDES— PARTE 004
APOCALIPSE 3:1—6 — SERMÃO 023 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM SARDES— PARTE 005 — FINAL
Apocalipse 3:7—13 — SERMÃO 024 – UMA CARTA PARA A IGREJA EM FILADÉLFIA — PARTE 001
Apocalipse 3:7—13 — SERMÃO 025 – UMA CARTA PARA A IGREJA EM FILADÉLFIA — PARTE 002
Apocalipse 3:7—13 — SERMÃO 026 – UMA CARTA PARA A IGREJA EM FILADÉLFIA — PARTE 003
Apocalipse 3:7—13 — SERMÃO 027 – UMA CARTA PARA A IGREJA EM FILADÉLFIA — PARTE 004
Apocalipse 3:7—13 — SERMÃO 028 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM FILADÉLFIA — PARTE 005
Apocalipse 3:14—22 — SERMÃO 029 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM LAODICEIA — PARTE 001
Apocalipse 3:14—22 — SERMÃO 030 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM LAODICEIA — PARTE 002
Apocalipse 3:14—22 — SERMÃO 031 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM LAODICEIA — PARTE 003
Apocalipse 3:14—22 — SERMÃO 032 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM LAODICEIA — PARTE 004
Apocalipse 3:14—22 — SERMÃO 033 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM LAODICEIA — PARTE 005


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

SERMÃO EM ÁUDIO — ORANDO AS ESCRITURAS SAGRADAS — PARTE 002



Você poderá ouvir o sermão de domingo pregado na Igreja Presbiteriana Boas Novas que tratou do tema: ORANDO AS ESCRITURAS DE DEUS — PARTE 002. Foi uma mensagem voltada para incentivar os membros da Igreja a utilizarem porções das Escrituras Sagradas em suas orações. Para ter acesso à mesma basta clicar no link abaixo para ser direcionado diretamente para a página do sermão em áudio. Se desejar você também poderá fazer o download do mesmo.


Você poderá acompanhar a mensagem em áudio com o esboço da mesma em mãos acessando o link abaixo:


Que Deus abençoe a todos

Alexandros Meimaridis

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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

JONATHAN EDWARDS: A AGONIA DE CRISTO — UM ESTUDO — PARTE 011 — APLICAÇÃO 002 — FINAL


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O material abaixo é parte de um livro escrito por Jonathan Edwards que foi publicado em forma de e-book por:

Fonte: CCEL.org │ Título Original: “Christ’s Agony”

As citações bíblicas desta tradução são da versão ACRF (Almeida Corrigida Revisada Fiel).

Tradução por Camila Almeida │ Revisão William Teixeira

facebook.com/oEstandarteDeCristo

Issuu.com/oEstandarteDeCristo

A AGONIA DE CRISTO
Por Jonathan Edwards
Lucas 22:44

E, posto em agonia, orava mais intensamente; e o Seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue que corriam até ao chão.

APLICAÇÃO — FINAL

4. De que maneira os Cristãos devem prosseguir no trabalho que está diante deles? Cristo tinha uma grande obra diante dEle quando isso aconteceu, do que nós temos um relato no texto acima. Apesar de ter sido muito perto do fim de Sua vida, no entanto, Ele, nessa ocasião, quando Sua agonia começou, tinha a principal parte do trabalho que Ele veio fazer no mundo diante dEle. E isso, era ofertar o sacrifício que Ele ofereceu em Seus últimos sofrimentos, e nisso realizar o maior ato de Sua obediência a Deus. E assim os Cristãos têm um grande trabalho a fazer, um serviço que realizarão para Deus, que é efetuado com muita dificuldade. Eles têm estabelecida uma corrida diante deles a qual eles têm que correr, uma guerra que é indicada a eles. Cristo foi o sujeito de uma grande provação no momento de Sua agonia; assim Deus está acostumado a exercitar o Seu povo com grandes provações. Cristo encontrou-se com grande oposição naquela obra que Ele devia cumprir, assim os crentes, semelhantemente, encontraram grande oposição em correr a carreira que está posta diante deles. Cristo, como homem, tinha uma natureza frágil, que era, em si, muito insuficiente para sustentar um conflito, ou para suportar tal carga como a que estava vindo sobre Ele. Assim, os santos têm a mesma natureza humana fraca e, junto com isso, grandes fraquezas pecaminosas que Cristo não tinha, o que lhes colocam sob grandes desvantagens, e aumentam consideravelmente a dificuldade de Seu trabalho. Essas grandes tribulações e dificuldades que estavam diante de Cristo, foram o caminho pelo qual Ele devia entrar no reino dos céus; para que Seus seguidores pudessem esperar que “por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus” — Atos dos Apóstolos 14:22. A cruz foi para Cristo o caminho para a coroa de glória, e assim ela é para os Seus discípulos. As circunstâncias de Cristo e de Seus seguidores nessas coisas são iguais, o Seu caso, portanto, é o mesmo; e, portanto, o comportamento de Cristo em tais circunstâncias foi um exemplo adequado para eles seguirem. Eles devem olhar para o Seu Capitão, e observar de que maneira Ele passou por Sua grande obra, e as grandes tribulações que Ele sofreu. Eles devem observar de que maneira Ele entrou no reino dos céus, e obteve a coroa de glória, e assim eles também devem participar da corrida que se coloca diante deles.

Hebreus 12:1

Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta

Tudo isso se materializa das seguintes maneiras:

(1). Quando os outros estão dormindo eles devem estar acordados, como foi com Cristo. O tempo de agonia de Cristo foi de noite, o tempo em que as pessoas tinham o costume de estar dormindo; foi o tempo em que os discípulos que estavam perto de Cristo estava dormindo; mas Cristo, nessa ocasião, tinha outra coisa a fazer ao invés de dormir; Ele tinha um grande trabalho a fazer; Ele manteve-se acordado, com o coração envolvido neste trabalho. Assim deve ser com os crentes em Cristo; quando as almas de Seus vizinhos estão dormindo em Seus pecados, e sob o poder de uma insensibilidade e preguiça letárgicas, eles devem vigiar e orar, e manter vivo o senso da importância infinita de Suas preocupações espirituais.

1 Tessalonicenses 5:6

Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos, e sejamos sóbrios.

(2). Eles devem seguir em Seu trabalho com intenso labor, como Cristo fez. O momento em que os outros estavam dormindo era um momento em que Cristo estava perto de Sua grande obra, e estava comprometido nisso com todas as Suas forças, agonizante nisso; conflitante e lutando em lágrimas e em sangue. Assim, os Cristãos devem, com o máximo de seriedade, remir o Seu tempo, com as almas comprometidas neste trabalho, passando por meio da oposição que eles encontram nisso, passando por todas as dificuldades e sofrimentos que existem no caminho, correndo com paciência a carreira posta diante deles, lutando contra os inimigos de Sua alma com todas as Suas forças; como aqueles que não lutam contra a carne e o sangue, mas contra os principados e potestades, e os príncipes das trevas deste mundo, e hostes espirituais da maldade nas regiões celestiais.

(3). Este labor e luta devem ser, para que Deus seja glorificado, e Sua própria felicidade eterna obtida em um caminho de fazer a vontade de Deus. Assim foi com Cristo; pelo que Ele tão intensamente se esforçou foi, que Ele pudesse fazer a vontade de Deus, para que Ele mantivesse o Seu mandamento, Seu difícil mandamento, sem falhar nele, e que desta forma, a vontade de Deus fosse feita, para glória de Seu Eterno Grande Nome, e para a Salvação de Seus eleitos, que Ele intencionou por meio de Seus sofrimentos. Aqui está um exemplo que os santos devem seguir nestas santas luta, e corrida, e guerra, que Deus lhes designou; eles devem se esforçar para fazer a vontade de Seu Pai celestial, para que eles possam, como o apóstolo o expressa em

Romanos 12:2:

Experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

e que neste caminho, eles possam glorificar a Deus, e possam vir, por fim, a ser para sempre felizes no gozo de Deus.

(4). Em toda a grande obra que eles têm que fazer, a sua visão deve estar em Deus, para obter Sua ajuda, para que sejam capacitados a superar suas dificuldades. Assim fez o homem Cristo Jesus, Ele se esforçou em Seu trabalho, mesmo em tal agonia e suor sangrento. Mas como Ele se esforçou? Não foi em Sua própria força, mas Seus olhos estavam em Deus, Ele clamou por Ele por Seu auxílio e força para encorajá-Lo, para que Ele não falhasse; Ele vigiou e orou, como Ele desejou que os Seus discípulos fizessem; Ele lutou contra os Seus inimigos e com os Seus grandes sofrimentos, mas, ao mesmo tempo lutou com Deus para obter a Sua ajuda, para capacitá-Lo a fim de obter a vitória. Assim, os santos devem usar a Sua força em Sua trajetória Cristã ao máximo, mas não como dependendo de Sua própria força, mas clamando fortemente a Deus para que por Sua força os faça vencedores.

(5). Dessa forma, eles devem resistir até o fim, como Cristo fez. Cristo, desta forma foi bem sucedido, e obteve a vitória, e ganhou o prêmio; Ele triunfou, e está assentado com o Pai em Seu trono. Assim, os Cristãos devem perseverar e resistir em Sua grande obra até o fim; eles devem continuar a executar Sua corrida até que cheguem ao Seu fim; eles devem ser fiéis até a morte, como Cristo foi; e então, quando eles triunfarem, devem sentar-se com Ele em Seu trono.

Apocalipse 3:21

Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no Seu trono.

5. Por isso, pecadores sobrecarregados e angustiados, se algum tal está presente aqui, que possa ter abundante fundamento de encorajamento para vir a Cristo para salvação. Aqui há um grande incentivo para os pecadores, para que venham a este Sumo Sacerdote que ofereceu tão forte clamor e lágrimas, com o Seu sangue, pela eficácia de Seus sofrimentos na salvação dos pecadores. Pois,
Primeiro. Aqui há grande fundamento de segurança de que Cristo está pronto a aceitar dos pecadores, e conceder-lhes a salvação; pois aqueles Seus fortes clamores que Ele ofereceu na capacidade de nosso Sumo Sacerdote, demonstram quão intensamente desejoso Ele foi disso. Se Ele não estivesse disposto a que os pecadores fossem salvos, sendo eles sempre tão indignos disso, então, porque Ele lutaria assim com Deus por isso, em tal suor sangrento? Clamaria alguém tão fervorosamente a Deus com tais caros clamores, em tão grande esforço e fadiga da alma, por isso, se Ele não desejasse que Deus concedesse o que estava pedindo? Não, certamente! Mas isso mostra quão grandemente o Seu coração foi estabelecido no sucesso de Sua redenção; e, portanto, uma vez que Ele, por tais fervorosas orações, e por tal suor sangrento, obteve a salvação do Pai pelos pecadores, Ele certamente estará pronto para concedê-la a eles, se eles vierem a Ele por ela; caso contrário, Ele frustrará Seu próprio plano; e Aquele que tão intensamente clamou a Deus para que Seu propósito não fosse frustrado, não frustrará, afinal, a Si mesmo.

Segundo. Aqui está o mais forte motivo de segurança de que Deus está pronto para aceitar todos aqueles que vêm a Ele por misericórdia através de Cristo, pois, por isso é que Cristo orou naquelas fervorosas orações, essas orações sempre foram ouvidas, como Cristo diz em

João 11:4

Eu bem sei que sempre me ouves.

E, especialmente, que seus discípulos possam concluir, que ouviram o Seu Sumo Sacerdote naqueles fortes clamores que Ele ofereceu com o Seu sangue, e isto, especialmente na seguinte consideração.

(1). Elas foram as orações mais intensas que já foram feitas. Jacó foi muito intenso, quando Ele lutou com Deus; e muitos outros têm lutado com Deus, com muitas lágrimas; sim, sem dúvida, muitos dos santos têm lutado com Deus, com tal labor interior e lutas como a produzir efeitos poderosos sobre o corpo. Mas tão intenso foi Cristo, tão forte foi o esforço e fervor de Seu coração, que Ele clamou a Deus em um suor sangrento; de modo que se cada intensidade e importunação na oração sempre prevaleceram com Deus, podemos concluir que aquela prevaleceu.

(2). Aquele que, nessa ocasião, orou era a Pessoa mais digna que alguma vez já elevou uma oração. Ele tinha mais merecimento do que quaisquer homens ou anjos tinham diante dos olhos de Deus, segundo o que Ele obteve mais excelente nome do que eles; pois Ele era o Filho unigênito de Deus, infinitamente amável em Sua visão, o Filho em quem Ele declarou uma e outra vez em quem Ele se agradava. Ele era infinitamente próximo e querido por Deus, e tinha dez mil vezes mais merecimento aos Seus olhos do que todos os homens e anjos juntos. E podemos supor que qualquer outra pessoa foi ouvida quando clamou a Deus com tanta intensidade? Será que Jacó, um pobre homem pecador, quando Ele lutou com Deus, obteve de Deus o nome de Israel, e tal elogio, que, como um príncipe, Ele havia lutado com Deus, e prevalecido? E Elias, que era um homem de paixões e sujeito a corrupções como nós, quando orava, intensamente, prevaleceu com Deus de forma a operar aquelas grandes maravilhas? E o Filho unigênito de Deus, quando lutando com Deus em lágrimas e sangue, não prevalecerá, e terá o Seu pedido concedido a Ele?

Certamente, não há espaço para supor tal coisa; e, portanto, não há espaço para duvidar de que Deus dará a salvação àqueles que creem nEle, em Sua solicitação.

(3). Cristo ofereceu estas orações fervorosas com o melhor apelo por uma resposta que já foi oferecido a Deus, a saber, o Seu próprio sangue; que era um equivalente para a coisa que Ele solicitava. Ele não apenas ofereceu fortes clamores, mas Ele os com um preço plenamente suficiente para comprar o benefício que Ele solicitava.

(4). Cristo ofereceu este preço e aqueles fortes clamores, os dois juntos; pois ao mesmo tempo em que Ele estava derramando estes pedidos sinceros pelo sucesso de Sua Redenção na Salvação dos pecadores, Ele também derramou o Seu sangue. Seu sangue caía no chão no mesmo instante em que Seus clamores subiam ao céu. Considerem estas coisas, sobrecarregados e angustiados, pecadores, que estão prontos para duvidar da eficácia da intercessão de Cristo por tais criaturas indignas como eles, e para colocar em questão a prontidão de Deus em aceitá-los por causa de Cristo. Vão para o jardim, onde o Filho de Deus estava em agonia, e onde Ele clamou a Deus tão intensamente, e onde o Seu suor tornou, por assim dizer, em grandes gotas de sangue, e depois vejam qual conclusão vocês extrairão de tal visão maravilhosa.

6. Os piedosos podem obter grande consolo no fato de que Cristo, como Seu Sumo Sacerdote, ofereceu tais fortes clamores a Deus. Vocês, que têm uma boa evidência de serem crentes em Cristo, e Seus verdadeiros seguidores e servos, podem ser consolados no fato de que Jesus Cristo é o Seu sumo sacerdote, que aquele sangue, que Cristo derramou em Sua agonia, caiu no chão por vocês, e que aqueles intensos clamores foram elevados a Deus por vocês, para o sucesso de Seus trabalhos e sofrimentos em todo aquele bem em que vocês permanecem diante das necessidades que têm neste mundo, e em Sua bem-aventurança eterna no mundo vindouro. Isto pode ser um consolo para vocês em todas as perdas, e sob todas as dificuldades, para que vocês possam encorajar a vossa fé, e fortalecer a vossa esperança, e fazer com que vocês grandemente se alegrem. Se vocês estivessem em dificuldades notáveis, seria um grande consolo para vocês terem as orações de um homem que vocês consideram um homem de eminente piedade, e alguém que tivesse um grande empenho junto ao Trono da Graça, e, especialmente, se soubessem que Ele era muito intenso e muito empenhado em oração por vocês. Porém, quanto mais vocês podem ser consolados nisso, que vocês têm um empenho nas orações e clamores do Unigênito e infinitamente digno Filho de Deus, e que Ele tão foi tão intenso em orações por vocês, como ouviram!

7. Disso podemos aprender quão intensos os Cristãos devem ser em Suas orações e esforços pela salvação dos outros. Cristãos são seguidores de Cristo, e eles deveriam segui-Lo nisto. Percebemos, a partir do que ouvimos, quão grande foi o esforço e fadiga da alma de Cristo pela salvação dos outros, e que intensos e fortes clamores por Deus acompanharam Seus trabalhos. Aqui Ele nos oferece o exemplo. Aqui Ele estabeleceu um exemplo para os ministros, que devem, como cooperadores de Cristo ter dores de parto com eles até que Cristo seja formado neles.

Gálatas 4:19

Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós.

Eles devem estar dispostos a gastarem-se e serem gastos por eles. Eles devem não apenas se esforçar por eles, e orar fervorosamente por eles, mas devem, se necessário for, estar prontos para sofrer por eles, e para gastar não apenas a Sua força, mas o Seu sangue por eles.

2 Coríntios 12:15

Eu de muito boa vontade gastarei, e me deixarei gastar pelas vossas almas, ainda que, amando-vos cada vez mais, seja menos amado.

Aqui está um exemplo para os pais, mostrando como eles deveriam operar e clamar a Deus pelo bem espiritual de Seus filhos. Você vê como Cristo se esforçou e lutou e clamou a Deus pela salvação de Seus filhos espirituais; e vocês não buscarão e clamarão intensamente por Seus filhos naturais?

Aqui está um exemplo para as pessoas próximas, um pelo outro, como eles devem procurar e clamar pelo bem da alma um do outro, pois este é o mandamento de Cristo: que eles devem amar-se uns aos outros como Cristo os amou (João 15:12). Aqui está um exemplo para nós, demonstrando como devemos intensamente buscar e orar pelo bem espiritual e eterno de nossos inimigos, pois Cristo fez tudo isso por Seus inimigos, e quando alguns daqueles inimigos estavam naquele mesmo instante tramando a Sua morte, e ocupados em maquinar saciar a Sua malícia e crueldade, em Seus mais extremos tormentos, e mais vergonhosa destruição.

Ó Jesus Cristo! a Tua Morte Agonizante nos deu vida com abundância, Ó Glorioso Deus!, oramos para que, pelo Teu Espírito Santo aplique o que de Ti há neste sermão aos nossos corações e nos corações daqueles que lerem estas linhas, por Cristo para a glória de Cristo.

Ore para que o Espírito Santo use estas palavras para trazer muitos ao Conhecimento Salvador de Jesus Cristo, pela Graça de Deus. Amém.

Sola Scriptura! Sola Gratia! Sola Fide! Solus Christus!

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JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — ALGUMAS CITAÇÕES DESSE
ESTUDO PARTE 001

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — ALGUMAS CITAÇÕES DESSE ESTUDO PARTE 002

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — ALGUMAS CITAÇÕES DESSE ESTUDO PARTE 003

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 004

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 005

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 006 —http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/08/jonathan-edwards-agonia-de-cristo-um.html

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 007 —http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/10/jonathan-edwards-agonia-de-cristo-um.html

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 008 —

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 009 —

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 010 — APLICAÇÃO 001

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 011 — APLICAÇÃO 002

UMA BREVE BIOGRAFIA DE JONATHAN EDWARDS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/08/jonathan-edwards-uma-breve-biografia.html


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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

VOCÊ JÁ OUVIU FALAR DOS PURITANOS?


O artigo abaixo foi publicado pelo site da Editora FIEL.

ENTRE OS GIGANTES DE DEUS: UMA VISÃO PURITANA DA VIDA CRISTÃ

“Os grandes puritanos, embora já falecidos, continuam falando conosco por meio de seus escritos, dizendo-nos coisas que, em nossos dias, precisamos ouvir com muita urgência.” – J. I. Packer

“Puritano”, como um nome, era, de fato, lama desde o começo. Cunhada cedo, nos anos 1560, sempre foi um palavra satírica e ofensiva, subentendendo mau humor, censura, presunção e, em certa medida, hipocrisia, acima e além de sua implicação básica de descontentamento, motivado pela religião, em relação àquilo que era visto como a laodicense e comprometedora Igreja da Inglaterra de Elisabeth (também conhecida como Isabel). Mais tarde, a palavra ganhou a conotação política adicional de quem era contrário à monarquia Stuart e favorável a algum tipo de republicanismo; sua primeira referência, contudo, ainda era àquilo que se via como uma forma estranha, furiosa e feia de religião protestante.

Na Inglaterra, o sentimento antipuritano disparou no tempo da Restauração e, desde então, tem fluído livremente; na América do Norte, edificou-se lentamente após os dias de Jonathan Edwards para atingir seu zênite cem anos atrás, na Nova Inglaterra pós-puritana.

No último meio século, porém, alguns estudiosos têm removido, meticulosamente, essa lama. E, da mesma forma que os afrescos de Michelangelo na Capela Sistina têm cores pouco familiares depois que os restauradores removeram o verniz escuro, assim também a imagem convencional dos puritanos foi radicalmente recuperada, ao menos para os informados. (Aliás, o conhecimento hoje viaja lentamente em certas regiões.) Ensinados por Perry Miller, William Haller, Marshall Knappen, Percy Scholes, Edmund Morgan e uma série de pesquisadores mais recentes, pessoas bem informadas agora reconhecem que os puritanos típicos não eram homens selvagens ou ferozes, monstruosos fanáticos religiosos ou extremistas sociais, mas pessoas sóbrias e conscienciosas, além de cidadãos cultos, pessoas de princípio, decididas e disciplinadas, excepcionais nas virtudes domésticas e desprovidas de grandes defeitos, exceto a tendência de usar muitas palavras ao dizer qualquer coisa importante, a Deus ou ao homem. Enfim, está sendo consertado o engano.

Mas, mesmo assim, a sugestão de que necessitamos dos puritanos – nós, ocidentais do final do século XX, com toda a nossa sofisticação e maestria de técnica tanto no campo secular quanto no sagrado – poderá erguer algumas sobrancelhas. Permanece a crença de que os puritanos, mesmo que fossem, de fato, cidadãos responsáveis, eram ao mesmo tempo cômicos e patéticos, sendo ingênuos e supersticiosos, superescrupulosos, mestres nos pequenos detalhes e incapazes ou relutantes em relaxar. Pergunta-se: O que, então, esses zelotes nos poderiam dar do que precisamos ter?

A resposta é, em uma palavra, maturidade. A maturidade é uma composição de sabedoria, boa vontade, maleabilidade e criatividade. Os puritanos exemplificavam a maturidade; nós, não. Um líder bem viajado, um americano nativo, declarou que o protestantismo norte-americano, centrado no homem, manipulador, orientado pelo sucesso, autoindulgente e sentimental como é, patentemente, mede cinco mil quilômetros de largura e um centímetro de profundidade. Somos anões espirituais. Os puritanos, em contraste, como um corpo, eram gigantes. Eram grandes almas servindo a um grande Deus. Neles, a paixão sóbria e a terna compaixão se combinavam. Visionários e práticos, idealistas e também realistas, dirigidos por objetivos e metódicos, eram grandes crentes, grandes esperançosos, grandes realizadores e grandes sofredores.

Mas seus sofrimentos, de ambos os lados do oceano (na velha Inglaterra, pelas autoridades, e, na Nova Inglaterra, pelo clima), os temperaram e amadureceram até que ganharam uma estatura nada menos do que heroica. Conforto e luxo, QUE nossa afluência hoje nos traz, não conduzem à maturidade; privação e luta, sim, e as batalhas dos puritanos contra os desertos evangélico e climático, onde Deus os colocou, produziram virilidade de caráter, inviolável e inquebrantável, erguendo-se acima de desânimo e temores, para os quais os verdadeiros precedentes e modelos são homens como Moisés e Neemias, e Pedro depois do Pentecoste, e o apóstolo Paulo.

A guerra espiritual fez dos puritanos o que eles foram. Eles aceitaram o antagonismo como seu chamado, vendo a si mesmos como os soldados peregrinos de seu Senhor, exatamente como na alegoria de Bunyan, sem esperarem poder avançar um só passo sem a oposição de uma espécie ou de outra. John Geree, em seu folheto “O caráter de um velho puritano inglês ou inconformista” (1646), afirma: “Toda a sua vida, ele a tinha como uma guerra em que Cristo era seu capitão; suas armas eram as orações e as lágrimas. A cruz, seu estandarte; e sua palavra [lema], Vincit qui patitur [aquele que sofre conquista]”.

O artigo original poderá ser visto por meio desse link aqui:


James Ian Packer (Gloucester, 22 de julho de 1926) é um teólogo anglicano e professor de teologia no Regent College, em Vancouver, Canadá. Seus livros já venderam mais de três milhões de exemplares. Entre os seus livros publicados em português estão O Conhecimento de Deus, Esperança, Na Dinâmica do Espírito, Entre os Gigantes de Deus e Os Vocábulos de Deus. Foi editor da revista Christianity Today (Cristianismo Hoje) e membro do comitê de novas traduções da Bíblia.

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Alexandros Meimaridis

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