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domingo, 20 de agosto de 2017

ATOS DOS APÓSTOLOS SERMÃO 032 – O INÍCIO DA PERSEGUIÇÃO COINCIDE COM O INICIO DA EXPANSÃO DA PREGAÇÃO DO EVANGELHO


Resultado de imagem para EXPANSÃO DA IGREJA
Império Romano durante o século I da Era Cristã

Esse material é parte de uma série de mensagens pregadas no Livro dos Atos dos Apóstolos. As mensagens cobrem todos os 28 capítulos do Livro de Atos e no final de cada mensagem, você poderá encontrar links para outras mensagens.

Texto: Atos 8:1—4
Introdução

A. As histórias de Estevão e Filipe são apresentadas de modo sequencial no livro de Atos.  

B. Devemos notar algumas similaridades e contrastes entre os dois:

1. Ambos pertenciam ao grupo de homens eleitos pela igreja para servir as mesas na distribuição diária — ver Atos 6:5.

2. Os dois eram pregadores evangelistas — ver Atos 6:10 e 8:5.

3. Estevão era mais polemista e apologético e por isso estava sujeito a sofrer violências. Foi apedrejado como vimos na mensagem anterior.

4. Filipe era mais irenista e, aparentemente não tinha interesse em polêmicas. Ainda estava vivo, 20 anos depois, conforme Atos 21:8.

5. Os dois eram capazes de praticar atos portentosos como confirmação da palavra pregada — ver Atos 6:8; 8:6.

6. Os dois contribuíram para pavimentar o caminho para a expansão do Evangelho:

7. Estevão contribuiu com seus ensinamentos acerca do Templo, da Lei e de Jesus Cristo.

8. Filipe contribuiu evangelizando os Samaritanos e um Etíope – veremos isso nas próximas mensagens.

C. Esses dois grupos são emblemáticos:

1. Os samaritanos eram considerados heréticos, além de uma raça misturada e eram odiados pelos judeus.

2. Os Etíopes eram considerados moradores do “fim do mundo”, as últimas pessoas pelas quais o Deus que habitava em Jerusalém teria qualquer tipo de interesse.

D. Atos 8 está preocupado com a evangelização dos povos. Esse é o motivo porque Lucas usa dois termos distintos para descrever esse progresso:

1. Em Atos 4:2 Lucas diz que os apóstolos καταγγέλλειν kattangélein —anunciavam em Jesus a ressurreição.

2. Em Atos 8:5, Lucas nos diz que Filipe anunciava-lhes a Cristo, mas aqui a palavra grega usada é ἐκήρυσσεν ekérussen — descreve o ato de proclamar como um arauto. Pode também descrever o ato de fazer uma pregação como em Atos 5:42.

3. Mas em Atos 8:12, 25, 35, 40 Lucas usa um novo termo εὐηγγελίσατο euengelísato — evangelizou.

E. Nos primeiros 4 versos de Atos 8, Lucas nos parece interessado em chamar nossa atenção para uma cadeia tripla de causas e efeitos, que estão, intimamente ligados com

 A EXPANSÃO DO EVANGELHO NOS PRIMEIROS DIAS.

I. A Morte de Estevão Produziu uma Grande Perseguição

A. A morte de Estevão foi apenas o início do processo de perseguição.

B. Todavia, devemos destacar que mesmo em meio à perseguição, alguns homens demonstraram imensa coragem ao tomarem e sepultarem o corpo de Estevão, deplorando profundamente a injustiça com que fora tratado — verso 3.

C. A perseguição por outro lado continuava:

1. Todos os cristãos foram dispersos de Jerusalém, com exceção dos apóstolos – verso 1.

2. A intenção de Paulo e de outros não era outra senão destruir a igreja por completo. Lucas usa a expressão ἐλυμαίνετο elumaíneto — assolar, devastar, arruinar. Incluídos nessa palavra estão os conceitos de brutalidade e crueldade sadística – verso 3

3. Seu desejo era liquidar a seita cristã, matando seus seguidores — ver Atos 9:1; 22:4; 26:10.

4. Saulo certamente estava com as mãos encharcadas com o sangue dos cristãos.

II. A Perseguição Causou uma Grande Dispersão

A. Jesus havia dito que sua igreja deveria ir pregando o Evangelho, começando em Jerusalém, e, através da Judéia, chegar até Samaria e daí, até os confins do mundo — ver Atos 1:8.

B. A perseguição aos cristãos era o método divino para fazer cumprir a grande comissão.

C. Nesse sentido, o sermão de Estevão era realmente profético, pois a partir dessa perseguição, Jerusalém e seu glorioso templo vão ficando cada vez mais distantes à medida que Jesus, juntamente com seu povo se afastam daquele lugar.

D. Nenhum tipo de culpa é colocado sob os apóstolos por terem ficado em Jerusalém. De fato era importante que eles ali ficassem para manter os vínculos entre o judaísmo e a nova fé em Cristo como uma continuação entre a Antiga e a Nova Aliança.

 III. A Dispersão por Sua Vez Causou uma Enorme Propagação do Evangelho

A. Os que foram dispersos iam por toda parte pregando o Evangelho — versos 4.

B. Até aqui, somente os apóstolos pregavam o evangelho e alguns evangelistas como Estevão e Filipe. Agora, essa é missão de todos os que foram dispersos.

C. A palavra usada para “pregando” a palavra é εὐαγγελιζόμενοι eúangelizómenoi — que quer dizer apenas “trazer ou compartilhar as boas novas”.

Conclusão

A. Falamos de como Lucas usou a expressão “evangelizou” cinco vezes em Atos 8. Isso é um excelente lembrete para todos nós:

1. Devemos estar sempre envolvidos no processo de evangelizar, i.e., no processo de compartilhar as boas novas acerca de Jesus com todas as pessoas sempre que uma oportunidade de nos oferecer — ver

2 Timóteo 4:2

Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina.

2. Temos que nos lembrar que não pode haver evangelismo sem que exista um evangelho ou boas novas.

3. E o evangelho que temos para anunciar não existe sem a pessoa de Jesus Cristo e o que ele veio fazer a nosso favor e em nosso lugar.

4. Evangelismo efetivo e eficiente só acontece quando a igreja se concentra em evangelizar quando está espalhada, munida de uma confiança de felicidade na verdade contida na mensagem acerca de Jesus, ao mesmo tempo em que experimenta e confia em sua — do evangelho — relevância e poder.

B. Mas é impossível evangelizar quando estamos desatentos, desinteressados e mais preocupados na manutenção de nossos pequenos feudos e melindres uns com os outros.

C. Vamos entender dois princípios básicos aqui:

1. Todas as vezes que a igreja se reúne ela se reúne para se edificar. Esse é o motivo por que cada um de nós precisa se envolver nesse processo de edificação da igreja. Deus concedeu a cada membro, pelo menos um dom que deve ser usado para bem comum.

2. Primeira coisa a fazer é vir. Vir sempre e com a disposição de participar de se envolver – ver 
Hebreus 10:25.

3. Segunda coisa é se dispor a usar o dom que Deus te concedeu para o bem comum – ver 1 Pedro 4:10; 1 Coríntios 12:7.

4. Agora, quando nos dispersamos, nossa missão como igreja continua: nosso trabalho é compartilhar as boas novas do Evangelho com todos os que entramos em contato.

5. Precisamos compartilhar o evangelho de forma natural, por genuíno amor e interesse pelas pessoas. Não pode ser algo formal. Quanto mais informal, mais irá funcionar.

6. Está nas mãos, nas bocas e nos corações de vocês, compartilharem, espontaneamente, as boas novas acerca de Jesus. Acerca do perdão e da reconciliação com Deus. Acerca da comunhão dos crentes aqui e durante a vida eterna, etc.

Que o Deus Sábio e Todo Poderoso, nos conduza em nossas vidas:

Que ele nos ajude a edificar uns aos outros.

Que nos ajude a alcançar muitos e muitos que precisam da salvação em Jesus hoje mesmo.

OUTRAS MENSAGENS DO LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS

SERMÃO 001 — INTRODUÇÃO AO LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS — Lucas 1:1—4 e Atos 1:1—2

SERMÃO 002 — INTRODUÇÃO AO LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS — PARTE 2 — Lucas 1:1—4 e Atos 1:1—2

SERMÃO 003 — A TRANSIÇÃO DO VOLUME ANTERIOR — Atos 1:1—5

SERMÃO 004 — A NOVA DIREÇÃO EXPLICADA — Atos 1:6—8

SERMÃO 005 — A ASCENSÃO DE JESUS — Atos 1:9—11

SERMÃO 006 — PERSEVERANDO UNÂNIMES — Atos 1:12—26

SERMÃO 007 — O DIA DO PENTECOSTES – PARTE 001 — Atos 2:1—4

SERMÃO 008 — O DIA DO PENTECOSTES – PARTE 002 — Atos 2:5—15

SERMÃO 009 — A PROFECIA DE JOEL — Atos 2:14—21

SERMÃO 010 — O PRIMEIRO SERMÃO — PARTE 001 — Atos 2:22—36

SERMÃO 011 — O PRIMEIRO SERMÃO — PARTE 002 — Atos 2:37—41

SERMÃO 012 — A VIDA DOS PRIMEIROS CRISTÃOS — Atos 2:42—47

SERMÃO 013 — A VIDA DOS PRIMEIROS CRISTÃOS — Atos 2:42—47 — PARTE 002

SERMÃO 014 — A CURA DE UM PARALÍTICO DE NASCENÇA — Atos 3:1—10

SERMÃO 015 — A EXALTAÇÃO DE JESUS E A CONDENAÇÃO DOS HOMENS — Atos 3:11—21

SERMÃO 016 — SALVAÇÃO E REFRIGÉRIO: BÊNÇÃOS DAS DUAS VINDAS DE JESUS— Atos 3:17—21

SERMÃO 017 — JESUS CUMPRE AS PROFECIAS DO ANTIGO TESTAMENTO — Atos 3:22—26

SERMÃO 018 — INÍCIO DAS PERSEGUIÇÕES — Atos 4:1—22

SERMÃO 019 — A IGREJA ORA EM COMUNHÃO — Atos 4:23—31

SERMÃO 020 — A IGREJA VIVE EM COMUNHÃO — Atos 4:32—37

SERMÃO 021 — ANANIAS E SAFIRA — Atos 5:1—11

SERMÃO 022 — A COMUNIDADE DOS CRENTES — Atos 5:12—16

SERMÃO 023 — PRISÃO, JULGAMENTO, AÇOITES = ALEGRIA E O PARECER DE GAMALIEL — Atos 5:17—42

SERMÃO 024 — DIVERSIDADE DE DONS = CRESCIMENTO DA IGREJA — Atos 6:1—7

SERMÃO 025 — UM HOMEM CHAMADO ESTÊVÃO — Atos 6:8—12

SERMÃO 026 — ACUSAÇÕES CONTRA UM HOMEM HONESTO — Atos 6:13—15

SERMÃO 027 — A DEFESA DE ESTÊVÃO E O DEUS DA GLÓRIA — Atos 7:1—8
SERMÃO 028 — A DEFESA DE ESTÊVÃO E A MOBILIDADE DE DEUS — Atos 7:9—16

SERMÃO 029 — A DEFESA DE ESTEVÃO — A Importância da Obediência — Parte 3 — Atos 7:17—43

SERMÃO 030 — A DEFESA DE ESTEVÃO — Três Acusações Devastadoras — Parte 4 — Atos 7:44—53

SERMÃO 031 — A DEFESA DE ESTEVÃO — Perseguição e Morte — Parte 5 — Atos 7:54—60

SERMÃO 032 – O INÍCIO DA PERSEGUIÇÃO COINCIDE COM O INICIO DA EXPANSÃO DA PREGAÇÃO DO EVANGELHO — Atos 8:1—4
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/08/atos-dos-apostolos-sermao-032-o-inicio.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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quarta-feira, 15 de junho de 2016

A CULTURA DO ESTUPRO


Diante de mais uma afirmação despropositada afirmação de sua excelência o deputado Federal e dublê de pastor Marco Feliciano de que não existe cultura do estupro no Brasil, achamos por bem publicar o artigo abaixo de autoria do professor Wilson Roberto Vieira Ferreira.

Cultura do Estupro revela "machismo 2.0"
Wilson Roberto Vieira Ferreira

A grande mídia escandaliza-se com o estupro coletivo de uma menina no Rio de Janeiro e clama por um país menos machista e sexista. Mas por anos deu espaço para frotas e gentilis, enquanto sua programação sempre foi patrocinada por anúncios onde a mulher-objeto-fetiche é a isca principal para produtos e serviços. A chamada cultura do estupro deve ser contextualizada no surgimento do “machismo 2.0”: uma nova forma de sexismo cujas bases estão lá na velha ordem patriarcal, mas que agora é repaginado e turbinado pelo complexo sociedade de consumo/indústria publicitária/grande mídia, capazes de criar uma nova cadeia de produção imaginária: voyeurismo-exibicionismo-sadismo. Imaginária, mas com sérias repercussões no mundo real.

O que mais chama a atenção no debate atual sobre a chamada “cultura do estupro”, principalmente com o impacto das notícias sobre o episódio do estupro coletivo ocorrido em uma comunidade no Rio de Janeiro, é que em todas as falas aponta-se unicamente para uma cultura “machista e sexista” arcaica e retrógrada que seria a responsável pelas 50 mil notificações anuais de crimes sexuais no País.

Mas são poucos aqueles que lembram de fatores mais contemporâneos: a sociedade de consumo e a cultura midiática. Aproxima-se a cultura do estupro de uma “cultura da superioridade” resultante de uma educação onde para os meninos é mostrada a sua suposta superioridade natural em relação às meninas. Porém, essa cultura machista é restrita à crítica a uma ordem patriarcal e masculina. Uma reação da cultura machista ao crescente protagonismo feminino na sociedade.

Como sempre, a grande mídia põe à mostra sua natureza esquizofrênica ao repercutir o episódio:

(a) Escandaliza-se, mas por outro lado nos últimos anos deu espaço midiático a frotas, gentilis, felicianos, a chamada bancada da Bala, da Bíblia e do Boi no Congresso e toda sorte de personagens mais retrógrados, retirados do fundo da caixa de Pandora para afrontar, desestabilizar e finalmente derrubar o governo Dilma;

(b) Tem sua grade de programação diária patrocinada por filmes publicitários que promovem produtos e serviços onde a mulher é exposta como isca, objeto sexual ou colocada em plots onde é apresentada como naturalmente submissa ao poder físico ou financeiro masculino. O telejornal mostra âncoras e entrevistados indignados para pouco tempo depois mostrar o anúncio do “vai verão, vem verão” de uma conhecida marca de cerveja com uma mulher segurando uma bandeja em trajes sumários.


Produção imaginária

Acredito que é a partir dessa natureza esquizoide da grande mídia que a questão da cultura do estupro deve ser discutida. Mais precisamente, a partir da ordem sociedade de consumo/indústria publicitária/grande mídia. Uma ordem mais poderosa e que se sobrepôs à ordem patriarcal, a origem de todo o machismo, por assim dizer, tradicional que estaria por trás do revoltante episódio do estupro coletivo.

Esse machismo da velha ordem patriarcal deu lugar a um, digamos, machismo 2.0, dessa vez repaginado e turbinado pela sociedade de consumo e indústria publicitária para ser veiculado pela grande mídia.

Estupro não é uma questão de prazer ou tesão, mas de poder: poder de dominar o corpo do outro (sadismo), para mostrá-lo como uma conquista em vídeos ou fotos em redes sociais (exibicionismo) para o prazer anônimo de onanistas (voyeurismo).

Essa cadeia de produção imaginária é análoga a da promoção do consumo, mudando apenas a ordem dos elementos da cadeia: pessoas que veem imagens distantes do objeto do desejo nos anúncios (voyeurismo) sonhando possuí-los e ostentá-los (exibicionismo) como moeda social para se impor sobre o outro (sadismo).

 

Freud explica?

Esse machismo 2.0 se fundamenta nas mesmas origens da ordem patriarcal, em torno da chamada matriz fálica descrita pela psicanálise freudiana – o primeiro simbolismo introjetado pela criança, o simbolismo universal de poder sobre o qual o papel sexual masculino será estruturado. O Falo como a “premissa universal do pênis”, a louca crença infantil que não existe diferença entre os sexos, todos têm um pênis. Existe apenas um órgão genital, e tal órgão é masculino.

Essa fantasia de origem narcísica primária é diluída com a descoberta do outro: algumas crianças não têm pênis o que para o homem corresponderá à fantasia da “perda do pênis” ou aquilo que Freud descreveu como “complexo de castração”, o ponto frágil da afirmação sexual masculina.

Esta imagem da perda permanecerá para sempre associada ao psiquismo masculino de forma traumática e o medo da castração continuará perseguindo a realização sexual como um fantasma. No adulto, o medo da castração não se manifestará dessa forma tão literal: a castração se manifestará no medo da impotência (seja sexual, financeira ou social). Por isso, o homem estará condenado a ter que provar continuamente que jamais será castrado, será empurrado para situações onde terá de, continuamente, provar a masculinidade e a potência fálica: no desempenho sexual atlético, nos ganhos financeiros, na habilidade em manipular símbolos de status e prestígio, etc.

Esta ansiedade vai marcar negativamente a qualidade das relações com o sexo oposto. A forma de o homem perceber a mulher será prejudicada ao ver nela nada mais do que um campo de provas da potência fálica. A ansiedade da comprovação fálica empurrará o psiquismo masculino a procurar não a mulher, mas mulheres, num sentido genérico e abstrato. O investimento afetivo tomase difícil e transitório.

A simples presença da mulher tornase uma ameaça à segurança fálica masculina. Ela significa, per si, a cobrança de uma tomada de posição ou a castração em potencial: a possibilidade do fracasso. Por isso ela deve ser dominada, neutralizada. O corpo feminino deve ser reduzido a fragmentos, a objetos, para ser melhor dominado. É o surgimento do fetichismo sexual. O corpo real feminino é neutralizado pelo fascínio por fragmentos: pés, olhos, cabelos, ou acessórios associados a alguma destas partes como sapatos, luvas, etc.


Machismo 2.0 e a cultura do estupro

O que era fragilidade e ansiedade originada no medo da castração, com o complexo sociedade de consumo/publicidade/mídia tudo isso é amplificado com o pânico da castração.

A presença constante da mulher como objeto promotor de mercadorias de luxo ou de marcas corresponde ao desafio da potência masculina: “quer uma mulher como essa? Pois então compre um carro como esse. Prove que jamais será castrado!”. Para Freud a ansiedade da castração jamais é resolvida no psiquismo masculino, tornando-se uma inesgotável ferramenta de promoção de consumo de bens com alto valor agregado.

A cada anúncio de cerveja com mulheres que servem aos homens com uma bandeja, a cada filme com uma mulher fascinada olhando para um carro dirigido por um homem vitorioso e a cada feira ou exposição com atraentes modelos se oferecendo como isca ou miragem, a mulher torna-se na atualidade num suporte/meio/condutor da promessa de realização da potencia fálica.

Se na antiga ordem patriarcal, a mulher sempre foi uma ameaça que tinha de ser neutralizada como um objeto (seja como dona de casa sem direitos, seja como prostituta reduzida à condição de objeto-fetiche), hoje com a ordem globalizada de consumo a mulher foi promovida a uma moeda genérica de troca.

Neutralizar a ameaça feminina

Essa generalização da mulher na publicidade como estratégia para explorar o pânico da castração é visível com a regressão das fantasias fálicas às fantasias orais. Se no imaginário masculino isso esteve sempre latente (em expressões “comer a mulher”, “mulher gostosa” etc.) hoje é ampliado ao associar essa experiência ao próprio produto: a cerveja é a mulher que você bebe, o sundae com fritas do Mac Donald’s é a experiência da primeira namorada, a compra impulsiva com o cartão de crédito que a modelo tem próximo à boca etc.

O medo da castração cresce exponencialmente com a promoção da mulher a isca generalizada de produtos e serviços. A mulher submetida a uma nova cadeia de produção imaginária na seguinte sequência: voyeurismo-exibicionismo-sadismo.

As formas de perversão sexual e de objetos-fetiche sempre foram estratégias do psiquismo para neutralizar a ameaça que a mulher representa à segurança fálica masculina. Mas hoje, quando a mulher tornou-se onipresente através de voz, corpos e olhares, a cobrança à fragilidade do medo da castração tornou-se muito maior.

A crescente violência masculina é a revanche contra a ameaça da impotência que a sociedade de consumo o ameaça ao tornar todo produto ou serviço numa promessa fálica nunca realizada. Impotentes e castrados, homens veem mulheres e produtos inalcançáveis, restritos apenas a uma elite de vencedores.


O medo da castração global transforma-se em revanche masculina local: o estupro, o assédio, a violência - encoxar uma mulher no metro lotado, espancar a namorada por ciúmes, o estupro oportunista de uma mulher alcoolizada, a separação hipócrita das mulheres em tipo “para casar” e daquelas que são “para comer” e assim por diante.

O artigo original poderá ser visto por meio desse link aqui:


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

BISPO MACEDO AMEAÇA ESPECTADORES DE FILME COM POSSESSÃO DEMONÍACA


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O material abaixo foi publicado pelo site do UOL e assinado por Renato Marafon.

Demônios vão invadir a alma de quem assistir ’50 Tons de Cinza’, diz Edir Macedo

Renato Marafon

O bispo Edir Macedo se envolveu em uma nova polêmica, focada no lançamento da adaptação cinematográfica de ‘Cinquenta Tons de Cinza‘, baseada no livro homônimo de E. L. James.

Em seu blog, Macedo publicou uma crítica analisando o lançamento, e afirmou que “demônios estão preparados para invadir as almas de milhões de pessoas“.

“Se você estiver pensando em ver esse filme, se você gostou do livro e até mesmo tem permitido que seus filhos adolescentes leiam, parabéns! Você está contaminando a sua mente com a sujeira deste mundo e enchendo a mente pura e as emoções de seus filhos com desejos demoníacos que vão ficar com eles por toda a vida, a menos que eles lutem para quebrar essas maldições pela fé”, afirmou o bispo da Igreja Universal, e dono da Rede Record, em seu texto.

O artigo completo do bispo Macedo poderá ser lido por meio desse link aqui:


Mesmo com a represália do bispo, ‘Cinquenta Tons de Cinza‘ caminha para sua jornada de sucesso nas bilheterias. A Variety estima que o filme terá uma abertura de US$ 60 milhões apenas nos EUA na próxima semana. Antes da estreia, o longa adulto já tem um recorde: a maior venda de ingressos antecipados da empresa Fandango nos últimos 15 anos.

A diretora Sam Taylor-Johnson confirmou a produção de duas sequências. O anúncio foi feito durante a pré-estreia do filme em Nova York, que recebeu, além da diretora, os protagonistas Jamie Dornan e Dakota Johnson.

As continuações serão baseadas em ‘Cinquenta Tons mais Escuros’ e ‘Cinquenta Tons de Liberdade’, os outros dois volumes da trilogia erótica.

No Brasil, o longa é indicado para maiores de 16 anos. Já nos EUA, menores de 17 anos só podem assistir ao filme acompanhados dos pais ou de algum responsável. A censura se deu por “conteúdo sexual forte, incluindo o diálogo, comportamento sexual incomum e nudez gráfica.”

A première mundial de ‘Cinquenta Tons De Cinza‘, que tem 2 horas e 4 minutos, acontecerá no prestigiado Festival de Berlim, no dia 11 de fevereiro, e contará com a presença da diretora Sam Taylor-Johnson e dos protagonistas Dakota Johnson e Jamie Dornan.

“O público não verá meu pênis em ‘Cinquenta Tons de Cinza’”, diz Jamie Dornan

Dirigido por Sam Taylor-Johnson, ‘Cinquenta Tons de Cinza‘ é baseado na trilogia de livros de mesmo nome que hoje é um dos maiores fenômenos de venda com mais de 90 milhões de cópias em todo o mundo. A estudante de literatura Anastasia Steele é convocada para entrevistar o jovem empresário bilionário Christian Grey para a revista de sua faculdade, e logo o acha atraente, enigmático e intimidador. Convencida de que seu encontro correu mal, ela tenta tirar Grey de sua cabeça – até que ele começa a cortejá-la. O romance é inspirado nos personagens Edward e Bella, da ‘Saga Crepúsculo’.
A protagonista Anastasia Steele é vivida por Dakota Johnson (‘Anjos da Lei’). O longa chega aos cinemas nacionais dia 12 de Fevereiro de 2015, um dia antes da estreia norte-americana.

O elenco ainda inclui Jennifer Ehle (‘A Hora Mais Escura’) como a mãe de Anastasia; Marcia Gay Harden (‘The Newsroom’) como a mãe de Christian Grey; Max Martini (‘Círculo de Fogo’) como Jason, segurança do bilionário; Eloise Mumford (das séries ‘The River’ e ‘Lone Star’) como Kate Kavanagh, melhor amiga da protagonista; e Victor Rasuk (da série ‘How to Make It in America’) como José Rodriguez, fotógrafo que compete com Christian pelo coração de Anastasia.

O artigo original do site do UOL poderá ser visto por meio desse link aqui:


NOSSA OPINIÃO:

Como crentes devemos sempre condenar da forma mais severa e inequívoca todas as formas de imoralidade, para o próprio bem das pessoas envolvidas, já que todas as práticas de imoralidade sexual ofendem a Deus e serão motivo de um juízo especial conforme —

Hebreus 13:4

Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros.

De acordo com as palavras acima, “impuros” engloba todos os que praticam qualquer tipo de imoralidade sexual, e “adúlteros” engloba o relacionamento sexual específico, onde um dos parceiros é casado. Todos, sem exceção serão severamente julgados por Deus.

Pronto. Isso é tudo que é necessário. Mas a mentalidade evangélica e neo-pentecostal do Bispo Macedo exige sempre a adição de ingredientes não bíblicos que não apenas expõe sua ignorância, mas torna todos os evangélicos em motivo de riso e desprezo.

O artigo de Edir Macedo tem sinais evidentes que não foi escrito por ele mesmo. Existe uma menção a outra pessoa que teria participado da confecção do mesmo. No fim, o que percebemos é que Edir se aproveita da oportunidade para promover o livro de sua fila e de seu genro acerca do casamento.

Que Deus tenha misericórdia de todos

Alexandros Meimaridis

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terça-feira, 29 de julho de 2014

ISRAEL ESTÁ COLHENDO O QUE PLANTOU EM GAZA


Palestinos em fuga por suas vidas.

O artigo abaixo foi escrito pela jornalista israelense Amira Haas e publicado no jornal israelense Haaretz. Hoje os mortos na faixa de Gaza passam de MIL e os feridos de 6000! Mas Israel insiste em dizer que é a vítima e que tem o direito de se defender.

COLHENDO O QUE NÓS PLANTAMOS EM GAZA

Aqueles que transformaram Gaza num campo de concentração para 1.8 milhão de pessoas, não deveriam se surpreender que seus habitantes estejam cavando túneis por baixo da terra.

Por Amira Hass

July 22, 2014 - "Haaretz"

Eu já levantei a bandeira branca. Já me cansei de procurar no dicionário pela palavra que descreve um menino ao qual falta metade da cabeça, enquanto seu pai grita: “Acorda, acorda, eu comprei um brinquedo novo para você” Como foi mesmo que Angela Merkel, a primeira ministra da grande Alemanha, disse? “Israel tem o direito de se defender”.

Eu continuo lutando com a necessidade de compartilhar detalhes do sem número de conversas que tive com amigos em Gaza, com o objetivo de documentar como é aguardar sua vez de ir para o matadouro. Por exemplo, a conversa que tive sábado pela manhã com J., do campo de refugiados de al-Bureij, enquanto seguia para Dir-alBalah, com sua esposa. Os dois têm cerca de 60 anos. Naquela manhã, sua velha mãe recebeu uma chamada telefônica e ouviu a gravação instruindo os residentes do campo de refugiados a irem para Dir-al-Balah.

Um livro escrito acerca da psicologia do exército israelense deveria ter um capítulo inteiro dedicado a esse sadismo, que está disfarçado sob a ideia de misericórdia: uma mensagem gravada exigindo que centenas de milhares de pessoas deixem seus lares que já são alvos, para outro local, igualmente perigoso cerca de 10 quilômetros de distância. Por que, eu perguntei a J., vocês estão indo embora. “O quê, por que”? Ele disse: “Nós temos uma pequena casa próxima da praia, com um pedaço de terra e alguns gatos. Nós vamos lá para alimentar os gatos. Depois que dermos comida para os gatos retornaremos. Nós vamos juntos. Se nosso carro for explodido, morreremos juntos”.

Se eu estivesse usando o chapéu de um analista, eu escreveria: Em contraste com o israelense “diplomático”, o Hamas não está forçando nenhum habitante de Gaza a permanecer em suas casas, nem a deixá-las. A decisão é deixada nas mãos dos próprios cidadãos. Para onde eles podem ir? “Já que temos mesmo que morrer, é algo mais digno morrer dentro de nossas próprias casas, em vez de morrermos enquanto estamos tentando fugir” me diz de modo direto o secular J.

Eu continuo convencida que uma frase como essa vale mais do que mil análises. Mas quando se trata de palestinos a maioria das pessoas prefere os resumos.

Eu estou farta de mentir para mim mesma — como se eu fosse capaz de, remotamente, reunir as informações necessárias para narrar aquilo que os jornalistas que estão lá dentro da Faixa de Gaza estão narrando. De qualquer forma, essas informações são importantes para um pequeno grupo da população que fala hebraico em Israel. Na maioria dos casos essas pessoas estão buscando notícias nos canais estrangeiros ou na internet. Eles não dependem, daquilo que é escrito em Israel para serem informados, por exemplo, acerca das curtas vidas de Jihad (11 anos), Wassim (8 anos) Shuhaibar ou seu primo Afnan (de 8 anos) que habitavam em Sabra, na Faixa de Gaza. Como eu eles também podem ler as notícias escritas pelo jornalista Jesse Rosenfeld no The Daily Beast.   

“Issam Shuhaibar, o pai de Jihad e Wassim, curvou-se próximo ao túmulo onde seus filhos foram sepultados, com seus olhos marejados, olhando perdidos para o nada. Seu braço tinha um curativo depois dele ter feito uma doação de sangue na tentativa de tentar salvar sua família. O sangue de seus filhos ainda manchava sua camisa”, escreve Rosenfeld. “Eles estavam alimentando galinhas quando o petardo os atingiu, ele disse. Eu ouvi um grande barulho no telhado e corri para encontrá-los. Eles eram apenas pedaços de carne, ele engasgou antes de desatar a chorar”, continua o artigo de Rosenfeld. Nós assassinamos essas crianças duas horas e meia depois que o cesar fogo terminou na última quinta feira. Dois outros irmãos, Oudeh (16 anos) e Bassel (8 anos) foram feridos. Bassel foi ferido gravemente.

O pai contou para Rosenfeld que houve um míssil de advertência. Antes do ataque eles ouviram o barulho do drone israelense marcando os locais a serem atingidos como se fosse uma “batida no telhado”. Então eu perguntei a Rosenfeld: “Se o míssil era uma míssil de misericórdia, como os que são enviados como tiros de advertência, porque a casa foi bombardeada logo em seguida”? Por pura sorte eu consegui encontrar a resposta para minha pergunta numa reportagem feita pela CNN. Uma câmera do canal estadunidense conseguiu capturar a imagem da explosão que veio logo depois do tiro de advertência: o mesmo derrubou parte da casa, causou um incêndio, muita fumaça e levantou muita poeira. Mas não foi a casa de Shuhaibar que foi atingida e sim outra casa. Isso deu ocasião para o exército israelense afirmar que a bomba que matou as crianças foi um foguete perdido do próprio Hamas. Mas eu chequei com Rosenfeld e outras pessoas e todas elas foram unânimes em afirmar que o míssil que matou as crianças foi o míssil de advertência do exército de Israel. Issam Shuhaibar é um policial palestino que recebe seu salário da Autoridade Palestina localizada em Ramalá.

Também desisti de tentar receber uma explicação das Forças de Ataque de Israel. Será que eles advertiram, por engano, a casa errada, e assim mataram aquelas crianças? (2 entre as 84 crianças mortas na manhã de domingo).

Eu estou cheia com os esforços fracassados de competir com a abundância de comentários orquestrados acerca dos objetivos e das ações do Hamas, vindos de pessoas que pretendem que estiveram sentadas com Mohammed Deif e Ismail Haniyeh, em vez de alguma fonte do Shin Bet — polícia israelense — ou das forças de ataque de Israel. Todos os que rejeitaram a proposta feita pelo Fatah de Yasser Arafat, para a criação de dois Estados, agora precisam lidar com Haniyeh, com o Hamas e com o BDS Movement — Freedom, Justice, Equality. Todos os que ajudaram a transformar Gaza em um campo de prisioneiros para 1.8 milhão de seres humanos não deveriam se surpreender com os túneis que estão sendo cavados. Todos aqueles que semearam o estrangulamento, o cerco e o isolamento, colhem agora os foguetes. Aqueles que têm, nos últimos 47 anos cruzado a linha verde, de forma sistemática, para expropriar as terras dos palestinos, ferindo e machucando a população civil palestina com ataques, tiroteios e o estabelecimento de colônias — possuem algum direito de virar os olhos e falar da prática de terror dos palestinos contra civis israelenses?

O Hamas tem, de forma cruel e assustadora, destruído o duplo padrão mental que Israel é “senhor”. Todas essas cabeças brilhantes da espionagem e do Shin Bet realmente não entendem que fomos nós mesmos – os israelenses – que criamos a receita perfeita para a nossa versão da Somália. Você querem evitar a escalada da violência? Agora é a hora: Libertem a Faixa de Gaza do cerco imposto, deixem as pessoas voltarem para o “mundo”, para a Cisjordânia, para suas famílias em Israel. Deixe-os respirar e eles descobrirão que viver é melhor do que morrer.

© 2014 Haaretz

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Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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