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sábado, 4 de outubro de 2014

TEMPLO DE SALOMÃO JÁ VIROU ATRAÇÃO TURÍSTICA EM SÃO PAULO



O texto abaixo é de Thiago Chagas e foi publicado no site Gnotícias.

Em dois meses, Templo de Salomão já atraiu mais de 1 milhão de visitantes, diz Igreja Universal

O plano da Igreja Universal do Reino de Deus de transformar o Templo de Salomão em um ponto turístico na capital paulista vem se concretizando, visto que em menos de dois meses de sua inauguração, mais de 1 milhão de visitantes já compareceram às reuniões da denominação no local.

De acordo com a TV Record, os visitantes vêm de diversas partes do país e do mundo, e não são apenas evangélicos que demonstram interesse em conhecer o megatemplo que tem capacidade para 10 mil pessoas sentadas.

Entre os que visitam a réplica do Templo de Salomão, existem pessoas sem religião e católicos, além de fiéis evangélicos que pertencem a outras denominações.

“Acho a arquitetura muito fantástica. Isso me chama muito a atenção”, diz um senhor chamado Pedro, entrevistado pela reportagem da Record e que afirma ter viajado o mundo e visitado templos de diversas religiões.

O guia turístico dentro do megatemplo é feito por pastores da denominação que se vestem como os antigos sacerdotes do templo original, erguido por Salomão, a partir da planta que Deus deu a seu pai, o rei Davi.

 “O que a gente está ensinando aqui não é religião, então todas as pessoas – até pessoas que não são de religiões – vêm aqui. Elas podem vir, [o Templo de Salomão] está de portas abertas pra elas”, diz o pastor Daniel Lopes, um dos guias turísticos que explicam os detalhes da construção e da tradição judaica.

O tour especial pelo megatemplo é acompanhado por pelo menos, 400 pessoas por dia, diz a Igreja Universal. Nessa visita, de aproximadamente 1 hora, os visitantes conhecem um memorial e uma réplica em tamanho real do Tabernáculo, que foi erguido pelo povo judeu para guardar a Arca da Aliança, que era o depósito das tábuas da lei dadas por Deus a Moisés.

O material original do site Gnotícias poderá ser visto por meio do link a  seguir:


NOSSO COMENTÁRIO

A continuar nesse ritmo em menos de dois anos o Bispo Edir Macedo terá reposto o dinheiro desembolsado para a construção da Iurdilândia no bairro do Brás.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

POLÍTICA DA SALVAÇÃO

Templo de Salomão, recém-inaugurado em São Paulo, torna-se o mais vistoso símbolo da participação evangélica na esfera pública brasileira

O material abaixo foi publicado no site do jornal Zero Hora:

Política da salvação: novas estratégias e mudança de perfil marcam o avanço dos evangélicos

por Letícia Duarte — colaborou Paulo Germano
09/08/2014 | 18h01

Política da salvação: novas estratégias e mudança de perfil marcam o avanço dos evangélicos Marcos Porto/Agencia RBS
Política da salvação: novas estratégias e mudança de perfil marcam o avanço dos evangélicos Foto: Marcos Porto / Agencia RBS

Se nos anos 1990 a Igreja Universal do Reino de Deus ganhava destaque no Jornal Nacional pelos chutes de um pastor na estátua de uma santa católica ou por gravações de Edir Macedo ensinando discípulos a arrecadar doações dos fiéis, a instituição que agora chegou às páginas do New York Times ostenta uma nova imagem.

Ao afirmar que o recém-inaugurado Templo de Salomão faz o "icônico Cristo Redentor do Rio de Janeiro, que tem apenas metade da altura, parecer um enfeite em comparação", um dos jornais mais respeitados do mundo reconhece não apenas a magnitude da obra, mas as novas bases que sustentam a ascensão evangélica no país.

Com referências do Antigo Testamento e ares de profetismo – reforçados pela barba branca que Edir Macedo deixou crescer no ano passado como um "voto" de espera pelo templo –, o visual repaginado da Universal foi minuciosamente planejado. De olho na classe média emergente, o movimento busca acrescentar consistência simbólica à escalada pentecostal na sociedade brasileira. Ao erguer uma réplica do espaço sagrado do judaísmo numa área equivalente a cinco campos de futebol, hastear a bandeira de Israel na inauguração da sede de R$ 680 milhões e adorná-la com símbolos judaicos, como os menorás (candelabros de sete pontas) que decoram as paredes do templo, a Universal passa a reivindicar também o seu quinhão na "terra santa". Um ambiente bem diferente de sua fundação, em 1977, em um coreto na periferia do Rio.

Naqueles tempos de vacas magras, não demorou a aparecer o debochado apelido de "supermercado da fé". Uma alusão não apenas aos galpões onde os cultos ocorriam, com placas de néon piscando nas fachadas, mas também à teologia da prosperidade – uma marca da Universal reprovada por protestantes mais tradicionais –, que promete curas e glórias materiais em troca de dízimos.

– Por outro lado, a Igreja Católica sempre ocupou os ambientes mais nobres da cidade, com sedes em praças públicas ou ao lado das prefeituras – lembra Ricardo Mariano, professor da Universidade de São Paulo e pós-doutor em Sociologia da Religião. – De 15 anos para cá, a Universal vem erguendo catedrais para obter maior respeitabilidade e legitimidade.

O faraônico Templo de Salomão surge como ápice dessa demonstração de força. Para o sociólogo Clemir Fernandes, pesquisador do Instituto de Estudos da Religião (Iser), a Universal muda sua identidade porque os fiéis também mudaram. Além de os antigos adeptos terem sido beneficiados pelo avanço econômico da classe C, a instituição cobiça novos públicos. -

– A igreja agora busca uma tradição, e essa tradição é ressignificada à luz de seus interesses. Como não tem história, precisa se embasar no que é sólido, apoiando-se na tradição judaica – analisa Clemir.

Embora a Igreja Universal tenha perdido 200 mil fiéis no último censo de 2010 em relação ao anterior, disputando espaço com uma dissidência, a Igreja Mundial do Poder de Deus, os evangélicos têm hoje uma representatividade inédita. Na contagem do IBGE, saltaram de 2,61% da população, em 1940, para 22,16% em 2010. No Congresso, a Frente Parlamentar Evangélica reúne 70 deputados e três senadores - e a tendência é de aumento. Nas eleições deste ano, o número de candidatos pastores cresceu 40%, saltando de 193 para 270, enquanto apenas 16 concorrentes se apresentam como "padres", uma queda de 30% em relação ao pleito anterior, conforme os registros do Tribunal Superior Eleitoral. Não por acaso, todos os candidatos fazem adequações no discurso para contemplar os evangélicos – como a presidente Dilma Rousseff, que, diante de fiéis da Assembleia de Deus na sexta-feira, afirmou que "todo dirigente precisa da graça de Deus".

Conhecida por posturas conservadoras nos campos moral e sexual, com apoio de católicos em temas como a proibição do aborto, a bancada evangélica aos poucos espicha seu olhar. Professor da PUC Goiás, o cientista das religiões Alberto da Silva Moreira observa que a aproximação dos pentecostais com o judaísmo não se dá apenas no campo simbólico: também estreitam laços com Israel na esfera política. Uma expressão disso seriam as manifestações de líderes evangélicos contra a condenação do governo Dilma à ofensiva israelense em Gaza - que incluíram um protesto com cerca de 80 devotos diante do Ministério das Relações Exteriores.

– Isso significa que igrejas como a Universal estão se alinhando em bloco com a direita cristã conservadora filo-israelense. É o mesmo que faz a direita cristã dos Estados Unidos – analisa Moreira, recordando que a defesa de boas relações com Israel é ao mesmo tempo uma forma de defender a continuidade do rentável turismo de crentes à Terra Santa.

Mas seria um erro imaginar que a bancada evangélica funciona como um coral afinado de mãos erguidas o tempo todo. No dia a dia, divisões internas e interesses particulares separam os congressistas de diferentes igrejas, o que limita seu poder. Autor do livro Mercado Religioso Brasileiro: do Monopólio à Livre Concorrência (Nelpa, 2012) e professor da Universidade Federal do Maranhão, o sociólogo Gamaliel da Silva Carreiro identifica que a maioria dos eleitos por voto evangélico está ali para defender interesses miúdos dos setores que representam, como uma concessão de rádio ou um terreno para a nova igreja, e não para pensar um projeto de país.

– Eles têm dificuldade em pensar o Brasil. Pensam pequeno. Só conseguem se organizar quando há temas muito contraditórios que afrontam valores cristãos – afirma Carreiro.

Na avaliação do pesquisador, há preconceito em parte das críticas à atuação política dos evangélicos, já que a organização em defesa de interesses particulares é considerada legítima quando se trata de outros grupos, como a bancada ruralista ou os metalúrgicos. Lembrando que os católicos historicamente exercem grande influência política, Carreiro cita um conceito do sociólogo alemão Norbert Elias para explicar a diferença atual entre o poder dos dois grupos: enquanto os católicos são os "estabelecidos", seus concorrentes ainda são "outsiders".

– Por mais que os evangélicos venham crescendo, eles ainda são outsiders, e a sociedade sempre desconfia de outsiders. Como a Igreja Católica está estabelecida por muito tempo, os católicos têm confiança e credibilidade junto ao Estado, com muitos recursos destinados a ONGs católicas. A vinda do Papa, por exemplo, recebeu muitas verbas do Estado – compara Carreiro.

A associação entre fé e política no Brasil remonta ao período colonial. Como observa a cientista da religião Sandra Duarte de Souza, professora do programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Metodista, a Igreja Católica foi essencial para legitimar o projeto colonizador. E essa influência sobrevive até hoje, apesar da laicidade, consagrada pela Constituição de 1891.

O problema que a gente enfrenta é que a confissão religiosa de alguns acabe sendo imposta para todos. O Estado tem que cuidar de todos, mas isso não é possível quando uma bancada impede. O risco é que a religião se sobreponha à cidadania e obstaculize políticas públicas – preocupa-se Sandra.

Mas até que ponto pode chegar a influência evangélica? Apesar da curva ascendente, o professor Eduardo de Quadros, do Programa em Ciências da Religião da PUC Goiás, não acredita em riscos à democracia. Por mais que seus membros atuem na arena política, o projeto pentecostal teria um recorte mais individualista, associado ao mercado.

– Talvez a Universal seja a maior multinacional brasileira, presente nos cinco continentes. Nenhuma empresa nacional fez esse sucesso em tão pouco tempo. É a empresa de salvação – analisa Quadros. Na era do consumo, nada mais oportuno do que a fé ostentação.

PARTIDOS

Partido Republicano Brasileiro (PRB)

Braço político da Igreja Universal, tem como expoente o bispo Marcelo Crivella, sobrinho de Edir Macedo. Senador eleito, Crivella foi ministro da Pesca e hoje concorre ao governo do Rio.

Partido Social Cristão (PSC)

Ligado à Assembleia de Deus, lançou Pastor Everaldo como candidato a presidente, embora seu nome mais conhecido seja Marco Feliciano. Em março, insatisfeito com o espaço no governo, o partido rompeu com Dilma Rousseff.

Partido da República (PR)

Abrange filiados das igrejas Batista, Universal, Assembleia de Deus e várias outras. Presbiteriano, o ex-governador do Rio Anthony Garotinho integra a legenda. Tiririca, embora nada tenha a ver com os evangélicos, busca a reeleição pelo PR.

Outras legendas

A influência evangélica não se restringe a três partidos. Há representantes em praticamente todas as siglas – uma mostra disso é a eclética Frente Parlamentar Evangélica.


O material original do site do Zero Hora poderá ser visto por meio desse link aqui:


Alexandros Meimaridis

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quinta-feira, 5 de junho de 2014

REVISTA VEJA SÃO PAULO REVELA SEGREDOS DO CHAMADO TEMPLO DE SALOMÃO IURD



Fachada do chamado "Templo de Salomão" da IURD

O material abaixo foi publicado pela Revista VEJA São Paulo.

RELIGIÃO

Detalhes exclusivos do Templo de Salomão, nova sede da Igreja Universal

O bispo Edir Macedo investiu 685 milhões de reais e comprou quarenta imóveis no Brás para pôr de pé a igreja que terá capacidade para 10 000 pessoas e área construída quatro vezes maior que a do Santuário de Aparecida

por João Batista Jr.

Em 1977, o pastor Edir Macedo começou sua carreira de pregador em cima de um coreto no subúrbio do Rio de Janeiro. Só algum tempo depois conseguiu dinheiro suficiente para alugar o primeiro imóvel da Universal do Reino de Deus, um ponto vago deixado por uma funerária, com capacidade para apenas 100 pessoas. Passadas quase quatro décadas desde esse início modesto, o autointitulado bispo, dono de uma fortuna pessoal estimada em 1,1 bilhão de dólares, segundo a revista americana Forbes, controla a maior igreja evangélica neopentecostal do país, com 6 500 endereços no Brasil (1 010 dos quais no Estado de São Paulo e 246 na capital), além de outros negócios, a exemplo da TV Record e de uma participação de 49% no Banco Renner. O grande símbolo desse crescimento vem sendo erguido desde 2010 em um trecho da Avenida Celso Garcia, no Brás. Trata-se do Templo de Salomão, concebido nos mínimos detalhes para ser um novo cartão-postal religioso.

                Imagem aérea do suntuoso templo do bispo Edir Macedo
Imagem aérea do suntuoso templo do bispo Edir Macedo (Foto: Mario Rodrigues)

Estima-se que a obra tenha consumido 685 milhões de reais em investimentos. Ela possui 100 000 metros quadrados de área construída e é quatro vezes maior que o Santuário Nacional de Aparecida, que perderá nesse quesito o posto de maior espaço religioso do país para a nova sede da Universal. Os detalhes de acabamento do templo incluem cadeiras trazidas da Espanha para acomodar um público de 10 000 pessoas, mármore rosa italiano e oliveiras importadas de Israel, sem falar da tecnologia embutida. Entre outras engenhocas, o local terá uma esteira rolante destinada a carregar o dízimo dos fiéis do altar direto para uma sala-cofre, um telão de mais de 20 metros de comprimento e 10 000 lâmpadas de LED instaladas no teto do salão principal, que tem pé-direito de 18 metros. Quando estiverem funcionando, as luzes formarão desenhos variados, como estrelas. De tão potentes, elas conseguirão iluminar a Bíblia de cada um dos visitantes. As paredes são decoradas por imensas menorás, candelabros de sete braços comuns em sinagogas.

(Foto: Reprodução)

O projeto, que já contou com cerca de 1 800 operários no auge da construção, encontra-se em fase de acabamento. A área construída tem espaço ainda para mais de cinquenta apartamentos, que serão ocupados por pastores, incluindo o que foi preparado para ser a nova residência de Edir Macedo. O bispo fez no ano passado a promessa de só cortar a barba quando tudo estiver pronto, em 31 de julho, data em que ocorrerá a festa de inauguração com a presença da presidente Dilma Rousseff, do seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, do governador Geraldo Alckmin e do prefeito Fernando Haddad, entre outras autoridades. Até lá, a política é manter o maior segredo possível. Nos últimos meses, funcionários da Universal circulavam pelo local usando capacete com o logo da igreja, a fim de fiscalizar qualquer tentativa de vazamento de informações. Os mais de cinquenta fornecedores de materiais e serviços da construção assinaram um contrato de confidencialidade. Nele consta que o acordo seria rompido em caso de divulgação de detalhes do interior do projeto. “Conheço gente que postou foto numa rede social e foi demitida”, conta um dos empresários envolvidos no trabalho. Apesar de todos os cuidados, alguns registros acabaram circulando, como os reproduzidos nesta reportagem.

(Foto: Mario Rodrigues)

Na vasta relação de particularidades suntuosas da igreja, nada supera o altar. Ele tem o formato da Arca da Aliança, descrita na Bíblia como o local em que orei Davi guardou os Dez Mandamentos no primeiro Templo de Salomão, construído no século XI a.C., em Jerusalém. Edir Macedo mandou revestir toda a estrutura da peça com folhas de ouro. Ao fundo, há um batistério com uma piscina na qual os convertidos poderão entrar vestidos de branco e, então, passar a comungar na cartilha da Universal. Acima, foram instalados 100 metros quadrados de vitrais dourados. Quem estiver na plateia terá a sensação de admirar uma caixa de ouro aberta. Todo o ritual será transmitido por dois telões trazidos da Bélgica, presos nas paredes ao lado do palco.

(Foto: Reprodução)

(Foto: Mario Rodrigues)

Ao criar o prédio no Brás, Edir Macedo não pensou em agradar apenas a seu público cativo. De olho nos turistas de religiões variadas, o complexo contempla um museu do Velho Testamento, batizado de Memorial. O local terá um telão, auditório e doze colunas para explicar a origem das doze tribos de Israel. Um jardim com oliveiras importadas de Israel relembra o Monte das Oliveiras, onde Jesus passou sua última noite na Terra antes de ser crucificado.

 Edir Macedo e a mulher, Ester: promessa de não cortar as barbas até que as obras sejam finalizadas
Edir Macedo e a mulher, Ester: promessa de não cortar as barbas até que as obras sejam finalizadas (Foto: Reprodução)

A obsessão pelos detalhes fez com que o bispo também importasse de Israel todas as pedras que revestiriam a obra. Foram mais de 40 000 metros quadrados de material trazido de Hebron, a antiga capital do reino de Davi. Trata-se do mesmo revestimento do Muro das Lamentações. O material da Universal teve um acabamento mais lapidado e menos poroso. Funcionários da obra fizeram suas orações ajoelhados e com as mãos encostadas na parede. É possível que o local se transforme em uma espécie de muro das lamentações paulistano. O segurança do trabalho Márcio Kohler, de 47 anos, está na construção da igreja do Brás desde 2011. Nesse período, conta ter encontrado nódulos no intestino. “Num primeiro momento fiquei apreensivo, mas passei a meditar nas promessas de Deus”, diz ele, a respeito da suspeita de câncer. Trabalhar na igreja o teria ajudado a se curar sem precisar passar por cirurgia.

 Fachada da Universal, na Avenida Celso Garcia, 1989: começo modesto
Fachada da Universal, na Avenida Celso Garcia, 1989: começo modesto (Foto: Juca Rodrigues/Folhapress)

(Foto: VEJA SÃO PAULO)

Entre o projeto e a conclusão da obra, mais de 2 000 plantas de engenharia foram desenhadas. Para ganhar espaço suficiente para a execução do negócio, a Universal comprou cerca de quarenta imóveis e terrenos no quarteirão da Avenida Celso Garcia. No começo, pagava uma ninharia (a região é decadente e cheia de sobrados caindo aos pedaços). Mas o interesse da turma de Edir Macedo inflacionou o mercado. No mês passado, por exemplo, a igreja precisou desembolsar 1,7 milhão de reais por um sobrado de 220 metros quadrados que abrigava um salão de beleza. “Fazia mais de quatro anos que estavam querendo comprar meu espaço”, lembra o ex-proprietário Braulino Pereira.

 Rivaldo Moraes, que não topou vender seu apartamento à igreja:
Rivaldo Moraes, que não topou vender seu apartamento à igreja: "Vivo sob terror"  (Foto: Mario Rodrigues)

 O milagre da valorização: a escalada dos imóveis comprados pela igreja no Brás
O milagre da valorização: a escalada dos imóveis comprados pela igreja no Brás (Foto: Reprodução)


Edifício Vidago encobra parte da fachada do "glorioso" templo. 

O sonho do momento da Universal é pôr abaixo o Edifício Vidago, na Avenida Celso Garcia, que esconde boa parte da visão do templo para quem passa pela via. A igreja já conseguiu comprar trinta dos quarenta apartamentos do prédio. No começo, pagava 90 000 reais por unidade. Hoje, as negociações não começam por menos de 2 milhões, o milagre da valorização. Pastores ocupam esses imóveis adquiridos. Como estão em maioria, decidiram trocar o síndico e querem agora instalar um elevador novo (o último foi trocado há apenas cinco meses). “Eles planejam deixar o condomínio caro para tirar quem ainda restou”, acusa o comerciante Rivaldo Cunha de Moraes, dono do apartamento de número 65 há 31 anos. “Eu vivo sob terror psicológico.” Em março de 2011, segundo ele, cinco vizinhos que não haviam aceitado vender seu imóvel acordaram com um saco de pano vermelho na porta. Dentro de cada um havia uma galinha preta morta. Na ocasião, os moradores fizeram um boletim de ocorrência no 12º DP, no Pari. Como não conseguiu demolir o prédio, a Universal faz neste momento uma grande reforma para deixá-lo mais bonito para a inauguração da nova sede.

  A comerciante Fátima Hajar, dona de um imóvel de dois dormitórios com vista privilegiada para o lugar:
A comerciante Fátima Hajar, dona de um imóvel de dois dormitórios com vista privilegiada para o lugar: "Quero vender o apartamento por 800 000 reais" (Foto: Mario Rodrigues)

Oficialmente, a Universal diz que a verba para o projeto veio das contribuições dos fiéis, entre elas o dízimo. Nos últimos anos, durante os cultos, os pastores afirmavam aos seguidores que todos eram donos do espaço. Por isso, colaborações seriam necessárias. Foram vendidos camisetas, canetas, canecas e outros utensílios para arrecadar dinheiro. “Deixei meu apartamento na região da Avenida Paulista para morar aqui no Brás, de frente para a construção, e vê-la ser levantada tijolo por tijolo”, conta Nadir Nunes, que trabalha com eventos. Ela comprou diversos objetos para ajudar, além de já ter garantido um passe que lhe dará acesso ao templo antes da inauguração oficial — pastores de algumas unidades da Universal têm distribuído vale-entradas aos fiéis mais assíduos, que poderão começar a romaria ao lugar a partir de 20 de julho. “Essa igreja vai trazer muitos turistas para o Brás.” Pensando nisso, a comerciante Fátima Hajar pretende vender seu apartamento de dois dormitórios com vista privilegiada para a nova igreja. “Vou pedir 800 000 reais”, planeja.

 Nadir Nunes: ela se mudou da Bela Vista para o Brás para acompanhar a construção da igreja 
Nadir Nunes: ela se mudou da Bela Vista para o Brás para acompanhar a construção da igreja  (Foto: Mario Rodrigues)

O tamanho do projeto tem atraído críticas das alas mais tradicionais de evangélicos. “Para nós, aquilo não tem nenhuma referência espiritual”, afirma Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Ele acredita que a obra vai fortalecer os devotos da Universal, pois todos ajudaram na construção e ficarão assim mais unificados. Malafaia ressalta, no entanto, o risco de ocorrer algo que para os evangélicos é condenável: a adoração. “O povo vai querer ir lá e tocar a pedra vinda de Israel, mas a crendice não faz parte dos evangélicos. Não adoramos lugares nem pessoas.” Para o professor Rodrigo Franklin de Sousa, especialista em história e arqueologia bíblica do Mackenzie, o gigantismo do empreendimento tem a função principal de atrair fiéis pelo sonho do sucesso. “Por ser grande e ostensivo, passa o recado de ascensão social e profissional”, diz. Sousa lembra que a estratégia de construir templos enormes existe há séculos entre os católicos e muçulmanos. “No caso do cristianismo e do islamismo, porém, o paraíso se dá depois da morte. Para a Universal, a felicidade e a riqueza espiritual e material ocorrem aqui na terra. Daí ser grande, para provar essa tese.”

O artigo original da Veja São Paulo poderá ser visto por meio desse link aqui:


Não deixe de ler nosso artigo acerca do chamado Templo de Salomão do Brás por meio do seguinte link:


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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