Mostrando postagens com marcador Alcorão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alcorão. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 22 de março de 2016

O ESTADO ISLÂMICO E USO DE CRIANÇAS PARA FAZER A GUERRA SANTA

Propaganda
Imagens de soldados infantis povoam os vídeos do EI

O artigo abaixo foi escrito por Mark Townsend do jornal britânico The Observer e foi traduzido e publicado em português pelo site da revista Carta Capital.

A doutrina da carnificina do Estado Islâmico
Como o ISIS recruta e treina crianças para a sua jihad
Por Mark Townsend do The Observer

Uma nova geração de recrutas está em treinamento no “califado” do Estado Islâmico, doutrinados com conceitos religiosos desde o nascimento e vistos pelos combatentes como melhores e mais puros do que eles próprios. Eis a conclusão do primeiro estudo sobre a exploração e o abuso de crianças pelo EI.

Pesquisadores do Quilliam, centro de pensadores contra o extremismo em Londres, investigaram o modo como o EI recruta crianças e as treina para a jihad. O relatório, intitulado Crianças do Estado Islâmico, foi endossado pela ONU e compilado em um estudo da propaganda do grupo que mostra menores e ligado a fontes confiáveis no califado. Percebe-se um movimento terrorista ávido para atrair jovens e assim se perpetuar. Muitos são treinados como espiões, pregadores, soldados, “executores” e bombas humanas.

Segundo os autores, “a organização dedica grande parte de seus esforços a doutrinar crianças por meio de um currículo educacional baseado no extremismo e a criá-las para ser futuros terroristas. A geração atual de combatentes as vê como guerreiros melhores e mais letais que eles próprios, pois, em vez de convertidos a ideologias radicais, elas foram doutrinadas nesses valores desde o nascimento ou de uma idade muito precoce”.

Sem terem sido corrompidos pela vida nos padrões seculares, os menores são considerados mais puros do que os combatentes adultos. “Essas crianças são salvas da corrupção”, declara o estudo, tornando-as mais fortes que os atuais mujaheddin pelo fato de terem uma compreensão superior do Islã desde a juventude e pelo currículo escolar, e são lutadores melhores e mais brutais, treinados na violência desde a tenra idade.

Os recrutas estrangeiros representam um reforço potencialmente importante para o grupo de cerca de 80 mil militantes (50 mil na Síria e 30 mil no Iraque). Estima-se que 6 milhões de homens, mulheres e crianças vivam atualmente no autoproclamado Califado. “O objetivo é preparar uma nova geração, mais forte, de mujaheddin, condicionados e ensinados a ser um futuro recurso para o grupo”, acrescenta o relatório.

O enfoque nos jovens tem semelhanças, segundo o estudo, com o recrutamento forçado de crianças-soldados na Libéria nos anos 1990, quando Charles Taylor tomou o poder, em 1997, secundado por um exército rebelde repleto de crianças.

Os autores concluem que o EI também parece ter estudado o regime nazista, que criou a Juventude Hitlerista. A ONU recebeu relatos verossímeis, mas não verificados, sobre uma ala jovem do EI chamada Fityan al-Islam (Meninos do Islã).  Os autores lembram ainda o precedente do regime baathista de Saddam Hussein no Iraque, que no fim dos anos 1970 fundou o movimento Futuwah (Vanguarda Jovem) com as principais unidades de crianças-soldados iraquianas conhecidas como Ashbal Saddam, ou Filhotes de Leão de Saddam, formadas por meninos de 10 a 15 anos.
14573349621.jpg
Os menores são estimulados a jogar futebol com cabeças decapitadas (Foto: Reprodução)

Os pesquisadores do Quilliam descobriram que menores são usados amplamente na propaganda do EI para dar a impressão de “construção de um Estado”. Entre 1º de agosto de 2015 e 9 de fevereiro passado, eles identificaram ao todo 254 eventos ou declarações que apresentam imagens de crianças.

O EI utiliza os jovens para tentar banalizar a brutalidade. O grupo os incentiva a segurar cabeças decapitadas ou jogar futebol com elas. Nos últimos seis meses, a propaganda do Estado Islâmico mostrou 12 crianças assassinas. Um vídeo macabro recente exibe um menino britânico de 4 anos que aparentemente detona um carro-bomba e mata quatro supostos espiões presos no veículo.

O recrutamento de crianças com frequência envolve coerção, segundo o relatório. O rapto seria o método preferido. A missão de assistência da ONU para o Iraque estima que o EI sequestrou entre 800 e 900 crianças de 9 a 15 anos. De agosto de 2014 a junho de 2015, centenas de meninos, incluídos yazidis e turcomenos, foram arrancados à força de suas famílias em Nínive e mandados para centros de treinamento, onde garotos de apenas 8 anos aprendem o Alcorão, o uso de armas de fogo e táticas de combate.

A organização também recorre ao medo para recrutar. Canais de mídia do Califado emitem declarações que advertem as crianças de que, caso se recusem a obedecer às ordens do EI, serão açoitadas, torturadas ou estupradas.

O grupo extremista rapidamente tomou o controle do sistema educacional na Síria e no Iraque, e a doutrinação começa nas escolas e se intensifica nos campos de treinamento. Nestes, crianças entre 10 e 15 anos são instruídas na sharia, a lei islâmica, expostas à violência e treinadas em técnicas específicas para servir ao Estado e assumir a jihad.

Os meninos aprendem um rígido currículo do EI, do qual foram removidos desenho, filosofia e estudos sociais, descritos como “metodologia do ateísmo”. As crianças decoram versículos do Alcorão e frequentam treinamentos para a jihad, que inclui tiro, manuseio de armas e artes marciais. As meninas, chamadas de “pérolas do califado”, usam véus, são escondidas e confinadas em casa e aprendem a cuidar dos homens.

Os autores do relatório recomendam a criação de uma comissão para proteger as futuras gerações da violência radical e monitorar e reintegrar as crianças que correm risco na União Europeia. Segundo Roméo Dallaire, porta-voz da Iniciativa de Soldados-Crianças que coescreveu o relatório, a vida sob o Estado Islâmico é uma das mais graves situações para menores no planeta. “Espera-se que esse relatório ofereça uma perspectiva crítica sobre a sina desses jovens”, afirma. “Talvez suscite reflexões essenciais para os políticos, órgãos de proteção à infância, governos, organizações multilaterais e os envolvidos em encerrar o conflito no Iraque e na Síria.”

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

*Publicado originalmente na edição 892 de Carta Capital, com o título "A doutrina da carnificina"

O artigo original poder ser visto por meio desse link aqui:


Que Deus abençoe a todos

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:

Desde já agradecemos a todos

domingo, 30 de agosto de 2015

JESUS E AS MULHERES - SERMÃO 006 – JESUS E A MULHER SAMARITANA — PARTE 3






Jesus e as mulheres é um tema importante dentro do contexto do Novo Testamento. As denominações históricas aos poucos vão se libertando de seus próprios preconceitos, ao passo que nas denominações evangélicas, em muitos casos, os homens abriram mão completamente de suas responsabilidades a favor das mulheres, o que tem proporcionado uma verdadeira inundação de bobagens sem fim. Nossa série de estudos procura entender o papel da mulher como visto e como foram tratadas pelo Senhor Jesus. Para isso convidamos todos os leitores a fazerem uma análise desapaixonada do material da mesma.

Texto: João 4:10—13
Introdução.

A. Para a mulher Samaritana, bem como para o povo samaritano em Geral, o maior dom de Deus para eles estava representado na Torá ou nos cinco livros — Pentateuco — que Deus havia concedido a Moisés. 
B. Até os dias de hoje, os samaritanos não aceitam, como parte das Escrituras inspiradas, nada que vá além de: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. 
C. Todas as grandes religiões do mundo — religiões e não a fé cristã — têm como seu objeto maior, o que eles consideram suas Escrituras Sagradas: 
1. Para o judaísmo é o TANAK escrito em hebraico e aramaico — composto dos livros de Moisés, dos profetas e dos outros escritos — 


TANAK. 

2. Para os samaritanos é o Pentateuco Samaritano escrito em hebraico — 


Pentateuco Samaritano.

3. Para o hinduísmo são os vedas escritos em Sânscrito — 

Os Vedas. 

4. Para os islamitas é o Alcorão, escrito em arábico — 


Alcorão. 
C. Para todas essas religiões e muitas outras, o maior dom que um deus pode conceder aos seus devotos é um livro.   
D. Mas a fé cristã, andando na contramão de tudo isso, toma como verdadeiras as palavras de 
Isaías 42:6 
Eu, o SENHOR, te chamei em justiça, tomar-te-ei pela mão, e te guardarei, e te farei mediador da aliança com o povo e luz para os gentios.

E. Como podemos notar nesse verso: o ato de chamar, de tomar pela mão, de tornar mediador tanto da aliança como a luz para os gentios, não se trata de um livro e sim de uma pessoa. O supremo dom do único Deus verdadeiro para seu povo não é o Novo Testamento, nem mesmo a Bíblia inteira, e sim, a pessoa do Seu amado Filho: o Senhor Jesus Cristo. Esse é o verdadeiro motivo porque Jesus disse em — 
João 14:6 
Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.    

F. Na mensagem anterior tivemos a oportunidade de falar acerca da primeira surpresa da mulher samaritana, que estava relacionada com o fato dela ter sido surpreendida pelo autoesvaziamento intencional de Cristo, que sendo um homem e, ainda por cima judeu, se esvaziou de toda a arrogância e orgulho dos homens judeus e não apena lhe dirigiu a palavra, como lhe pediu ajuda ao solicitar que a mesma lhe desse um pouco de água de beber. Algo realmente impensável diante de tudo que já falamos antes.

G. Hoje queremos falar da segunda grande surpresa para aquela mulher que foi descobrir que o dom de Deus não é um livro e sim uma pessoa — com a qual nós podemos nos relacionar, podemos amar e sermos amados de volta!   

A SURPRESA QUE O DOM DE DEUS É UMA PESSOA E NÃO UM LIVRO

I. A Revelação de Deus Para o Profeta Jeremias. 
A. Deus se revelou ao profeta Jeremias como a “água viva” que o povo havia substituído por cisternas rotas, que não podiam reter água: 
Jeremias 2:13 
Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas. 
B. Note como a queixa de Deus é pessoal: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas. Isso acontece porque a fé cristã é uma fé de relacionamentos e não uma fé de coisas que precisamos fazer.

C. Nesse contexto, dialogando com a mulher samaritana, Jesus retoma a linguagem de Jeremias e traz a mesma para dentro da conversa que está tendo com essa mulher estrangeira.

II. O Verdadeiro Dom de Deus.

A. Jesus é Deus e como tal, Ele é também, manancial de águas vivas — verso 10. 
B. A mulher se surpreende com a afirmação de Jesus por motivos óbvios — verso 11. 
1. Primeiro porque Jesus lhe tinha pedido, se ela poderia lhe dar um pouco da água do poço de Jacó 
2. Depois, era bastante óbvio para a mulher que Jesus não tinha o que era necessário para tirar a água do poço, e o mesmo era fundo. 
3. Por fim, a expressão τὸ ὕδωρ τὸ ζῶν tò údon tò zôn — “a água viva” é uma expressão que corresponde, tanto no Antigo Testamento, quanto no Novo Testamento, a alguma fonte de água corrente ou “viva”. A surpresa da mulher não poderia ser maior! Do que esse homem está falando? 
4. A mulher prossegue agora com seu discurso nacionalista, ao contrário de Jesus que havia deixado de lado todo e qualquer nacionalismo judaico. A mulher apela inclusive para uma comparação grandiosa: você é maior do que o nosso pai Jacó? 
5. Em outras palavras a mulher quer deixar bem claro que aquele poço foi dado para os Samaritanos pelo próprio Jacó e não para os Judeus. Apesar de surpresa ela está definitivamente no ataque — verso 12. 
6. Mas Jesus não se deixa abater. Ela pode estar no ataque, mas é ele quem está no controle de toda a situação. Qualquer judeu teria respondido a mulher com as seguintes palavras: “Sua maldita e endemoninhada samaritana, que direito você tem de reivindicar Jacó como seu pai? Nós sabemos quem vocês são. Uma raça de gente misturada com povos trazidos de outros lugares quando o reino de Israel foi destruído no ano 722 a.C. Você não tem nenhum direito de reivindicar Jacó como seu pai”.

III. Jesus Faz Outra Afirmação Provocadora.

A. João 4:13 
Afirmou-lhe Jesus: Quem beber desta água tornará a ter sede. 
B. É óbvio que Jesus está, agora, se referindo à água do poço de Jacó. 
C. A mulher ainda não havia conseguido conectar ou entender que a “água viva” não era uma fonte ou um rio e sim a própria pessoa que estava ali falando com ela. 
D. Mais e maiores surpresas aguardam essa mulher samaritana, quando dermos andamento nesse diálogo na próxima mensagem.
Conclusão:

A. Como cristãos devemos ser gratos a Deus por nos ter concedido o privilégio de termos sua Palavra Escrita a nosso dispor. Trata-se realmente de algo maravilhoso e grandioso. 


Bíblia

B. Mas como já dissemos aqui, e mais de uma vez, o melhor que Deus tinha para nos dar ele já nós deu na Pessoa de seu próprio Filho Unigênito, o Senhor Jesus Cristo. Portanto, trata-se de uma grande bobagem, a frase tantas vezes repetidas por tanto pregadores, inclusive alguns muito famosos que “o melhor ainda está por vir”. Isso não passa mesmo de uma grande bobagem e uma gigantesca mentira.

C. O melhor de Deus é Seu Filho Jesus e Ele já nos foi dado. Essa é a lógica por traz da afirmação de Paulo em

Romanos 8:32

Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?

D. Portanto, deixemos as bobagens de lado e nos apeguemos com toda firmeza no melhor que Deus tem para nós: O SENHOR JESUS CRISTO.

  

Que Deus abençoe a todos. 

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos. 

sexta-feira, 19 de junho de 2015

VOCÊ SABE O QUE O RAMADÃ DOS MUÇULMANOS?



O artigo abaixo foi publicado pelo site da Missão Portas Abertas.

Ramadã: Começa hoje. Entenda como funciona

18 Junho de  2015 — MUNDO MUÇULMANO

"Lembrem-se das palavras que eu lhes disse: nenhum escravo é maior do que o seu senhor. Se me perseguiram, também perseguirão vocês. Se obedeceram à minha palavra, também obedecerão à de vocês." João 15.20

Quando os relógios do Mundo Muçulmano marcaram 00h do dia 18 de junho o cotidiano de todos os muçulmanos foi alterado. Iniciou-se o mês sagrado para a fé islâmica, 30 dias de jejum e oração, o conhecido Ramadã. Esse período é comum aos seguidores da religião ir à mesquita orar e se dedicar ao estudo do Alcorão. O Ramadã é o nono mês do calendário muçulmano.

O jejum

Considerado um dos cinco pilares do islã, o jejum é uma das formas mais elevadas de adoração islâmica. A abstinência de prazeres carnais e o evitar intenções e desejos malignos são considerados atos de obediência e submissão a Alá, bem como o perdão dos pecados e erros cometidos. Chamado de Ramadã (ou Ramazã), os muçulmanos jejuam durante esse mês sagrado do momento em que o sol nasce até o momento em que se põe. Os muçulmanos consideram o jejum um ato de fé e adoração para Deus deles, procurando suprimir os desejos e aumentar sua pureza espiritual.

Quando o jejum acaba

O ritual é quebrado após o pôr do sol. O profeta Maomé recomendou quebrar os jejuns com encontros. Os muçulmanos são incentivados a convidar outros para quebrar o jejum em comunhão. Logo após quebrar o jejum e jantar, os muçulmanos fazem a quarta das cinco orações diárias, que é chamada de oração Maghrib. Após a janta, os muçulmanos vão para suas casas de adoração, chamadas de mesquitas, para fazerem a oração Isha, que é a última das cinco orações.

Segundo o censo demográfico de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil existem mais de 35.000 seguidores do islamismo. Muitos praticantes da fé realizam seus rituais em outros países, obedecendo a doutrina.

Os últimos 10 dias

São considerados especialmente abençoados os últimos 10 dias do Ramadã. Para muitos muçulmanos, este período é marcado por uma intensidade espiritual e eles podem passar estas noites orando e recitando o Alcorão.

Após 30 dias de jejum, o fim do mês do Ramadã se finaliza com um dia de celebração. Nesse dia, os muçulmanos se reúnem num local para oferecer uma oração de graças. Tradicionalmente, se utiliza roupas novas e se visita amigos e parentes. Há trocas de presentes e receitas de comidas especiais para essa ocasião são preparadas. Após isso, espera-se pacientemente até que venha o próximo Ramadã.

Poucos sabem, mas o jejum traz muitas implicações e desafios para aqueles que vivem em um país muçulmano e não pertencem à religião islâmica, especialmente para os cristãos. Durante esse período (que nesse ano é de 18 de junho à 18 de julho) são registrados inúmeros casos de intolerância religiosa contra aqueles que professam qualquer outra fé e que não estejam se abstendo de alimentos.

Enquanto os muçulmanos oram a Alá, nós oramos por eles!
Ore pelos cristãos que se encontram no Mundo Muçulmano, para que a providência de Deus os alcance e não aconteçam atrocidades. Durante esse período, os nossos irmãos em Cristo necessitam ainda mais das nossas orações.

O artigo original poderá ser visto por meio do link abaixo:

https://www.portasabertas.org.br/noticias/2015/06/ramada-comeca-hoje-entenda-como-funciona

OUTROS ARTIGOS ACERCA DO O ISLÃ E DO ESTREMISMO ISLÂMICO




















Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.

sábado, 24 de janeiro de 2015

ARTICULISTA SE APROVEITA DO TERROR RELIGIOSO EM PARIS PARA ATACAR A BÍBLIA


 

Uma das questões mais comuns com a qual estamos acostumados a lidar é a mais absoluta falta de entendimento do que as Escrituras Sagradas ensinam acerca de Deus, especialmente o Antigo Testamento.

ALGUNS ANTECEDENTES

A vasta maioria das informações que vemos hoje sendo publicadas não tiveram início em tempos recentes e nem mesmo no século passado. Esses ataques, frutos da ignorância das pessoas, tiveram início nos séculos XVIII e XIX e, de lá prá cá, o que temos visto são apenas repetições e variações sobre os escritos produzidos naqueles séculos. É provável que o agressor de plantão mais vocal em nossos dias, seja o biólogo nigeriano Richard Dawkins que escreveu o patético livro Deus, Um Delírio. Seu material apenas reproduz as idéias dos seguintes escritores do passado:

1. Paul-Henri Dietrich, barão d’Holbach enciclopedista — contribui com nada menos do que 376 artigos para a grande enciclopédia publicada por Diderot — e filósofo alemão naturalizado francês. Holbach nasceu em Dezembro de 1723 em Edesheim, próximo a Landau e faleceu em Paris em 21 de Julho de 1789. Suas duas obras mais importantes com relação à crítica da Cristandade[1] são: 1)”O Sistema da Natureza” publicada em 1770 sob o pseudônimo de J. B. Mirabaud e; 2) “Le Christianisme Dévoilé” de 1761 publicado sob o nome de um amigo já falecido, N. A. Boulanger. Nas duas obras d’Holbach ataca a Cristandade como sendo contrária tanto à natureza quanto à razão. Em tempos mais recentes um inglês chamado M. D. Magee tem publicado um site na Internet com o título “Christianity Revealed”, o que é uma inegável cópia da obra do barão d’Holbach.

2. Andréas Lwdwig Feuerbach, filósofo e humanista alemão que exerceu enorme influência sobre Karl Marx com suas idéias teológicas centradas no homem e não em Deus. Feuerbach abandonou os estudos teológicos e tornou-se discípulo de G. W. F. Hegel durante dois anos em Berlim. Publicou seu primeiro livro acerca da morte e da imortalidade — Gedanken über Tod und Unsterblichkeit em 1832 — de forma anônima. Em 1839 publica “Über Philosophie und Christentum” onde defende a idéia de que a Cristandade já havia desaparecido não somente da razão, mas da própria existência humana e que não passava de uma idéia fixa somente. Sua obra mais importante, todavia, “Das Wesen des Christentums” foi publicada em 1841. Feuerbach, mesmo negando ser ateísta, defendia a idéia de que o “deus” da Cristandade não passava de uma ilusão — Alô? Dr. Dawkins? — risos. Ele exerceu profunda influência sobre o editor anticristão David Friedrich Strauss, que escreveu um dos livros mais controvertidos dos quais se tem notícia “Das Leben Jesu Kritisch Bearbeitet” entre 1835-36, bem como sobre Bruno Bauer, outro severo crítico da Cristandade.

2. EM NOSSOS DIAS

Uma leitura atenta dos parágrafos acima nos mostra com clareza que as tolices escritas por Richard Dawkins ou pelo falecido Christopher Hitchens — Deus não é Grande — Como a Religião Envenena Tudo — estão amplamente amparadas nos escritos do Barão de Holbach, de Lwdwing Feuerbach, Strauss, Renan, Nietzsche e outros autores todos mortos há mais de dois séculos ou algo próximo disso.

Tudo isso para dizer que ficamos deveras surpresos com um artigo publicado pelo site da revista Carta Capital e assinado pelo Sr. Wálter Maierovitch, no qual o mesmo, infelizmente, faz afirmações estapafúrdias e sem fundamento sólido por desconhecer, de forma absoluta, o verdadeiro conteúdo da revelação divina contida na Bíblia. Mesmo não crendo que a Bíblia seja a Palavra verdadeira do Deus Vivo, qualquer pessoa que deseja expressar suas opiniões acerca da mesma tem a obrigação de conhecer bem o texto sagrado e de ser, no mínimo, honesto, intelectualmente falando.

Bem, vamos ao texto da Carta Capital e faremos alguns outros comentários no final do mesmo com o objetivo de esclarecer os equívocos do Sr. Wálter Maierovitch.  

Internacional — França

Além do Charlie Hebdo

Não é o Alcorão, mas a Bíblia, o livro sagrado que recomenda a pena de morte aos blasfemos. Está no Levítico (24:16).

Por Wálter Maierovitch - Juiz de Direito Aponsentado

Bíblia
Mark Wilson / AFP — Bíblia - "Quem blasfema o nome do Senhor deve ser morto"

A tragédia no semanário Charlie Hebdo acirrou na Europa o conflito político-ideológico entre a direita radical difusora da islamofobia e a esquerda, com a sua bandeira de integração centrada na formação de uma igualitária sociedade multiétnica.

À frente dessa direita populista na França está Marine Le Pen, da Frente Nacional, na Itália Matteo Salvini, da Liga Norte. Ambos com posições xenófobas e favoráveis à revogação do Tratado de Schegen, a cidade luxemburguesa onde foi celebrado, em 1985 (seria aperfeiçoado em 1995), ao estabelecer a livre circulação de cidadãos pela União Europeia.

Essa dupla não distingue a presença majoritária de islamitas pacíficos e minorias reunidas em associações terroristas salafistas financiadas, muitas vezes, como foi o caso de Osama bin Laden, por uma elite endinheirada, encastelada nas petromonarquias da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes e do Catar.

Melhor: trata-se de associações terroristas com atuação em rede planetária e adesão a um integralismo de matriz político-religiosa. Essas organizações não aceitam o pluralismo de ideias e de programas, a laicidade do Estado, a liberdade de opinião e de imprensa, a democracia. Abraçam o totalitarismo religioso. Seus integrantes estão sempre prontos a matar aos gritos de Allahu akbar (Alá é grande) ou de invocar, para justificar os bárbaros crimes, o nome do profeta Maomé, em equivocada interpretação do Alcorão. A propósito das charges do semanário, não é o Alcorão, mas a Bíblia, no Levítico (24:16), o único livro sagrado a sancionar a blasfêmia com pena de morte: “Quem blasfema o nome do Senhor deve ser morto”.

Para Marine Le Pen, as mortes no Charlie Hebdo revelaram “não ser a Europa capaz de defender seus cidadãos contra o terrorismo”. Le Pen não atentou a dois fatos significativos que envolvem, no caso da integração étnica, islamitas praticantes. O policial de origem árabe e religião islâmica Ahmed Merabet enfrentou até a morte, na calçada defronte à sede do semanário, os dois irmãos Kouachi. Seus familiares, em entrevista coletiva que Le Pen prefere ignorar, ressaltaram: “Ahmed era de fé islâmica e os seus assassinos uns falsos islamitas, pois o Islã é uma religião de paz”.

Na tragédia do dia seguinte, o malinês Lassana Bathily, funcionário do armazém de produtos kosher onde quatro reféns foram assassinados, salvou mais de uma dezena de hebreus. Bathily escondeu em uma câmara frigorífica, depois de desligar o sistema refrigerador, diversos judeus em compras no mercado. Salvou-os da ira e das balas do fanático Amedy Coulibaly. Na véspera, Coulibaly havia matado uma policial estagiária desarmada em um parque da comuna de Montrouge.

Na seara policial e de inteligência, muitos pontos precisam ser esclarecidos. A Al-Qaeda da Península Arábica, sediada no Iêmen, reivindicou, após autorização de Ayman al-Zawahiri, sucessor de Bin Laden e chefe da Al-Qaeda central, a autoria do atentado no Charlie Hebdo, conforme um vídeo de 11 minutos.

Pelos sinais, tudo pode ter nascido de iniciativa escoteira de uma célula doméstica e autônoma fundada em 2005 pelos irmãos Kouachi, com adesão de Coulibaly e predicações de Djamel Beghal. Essa célula chegou, no parque francês de Buttes Charmont, a atuar na arregimentação de jihadistas para o Iraque e, posteriormente, à Síria.

Chérif Kouachi e Coulibaly foram condenados, com penas de 3 e 5 anos, por tentativa de tirar da penitenciária o terrorista Ali Belkacem, autor de um atentado no metrô em 1995. Chérif ficou sete meses preso e recebeu livramento condicional, enquanto Coulibaly deixou a cadeia em julho de 2014. Até então, a célula atuava com autonomia, por sua conta e risco. A Al-Qaeda central, desde Bin Laden, pregava, via ciberterror, a ordem do “faça você mesmo a sua parte sem precisar consultar, salvo em questões religiosas”.

Interessa à Al-Qaeda colocar no currículo um segundo 11 de Setembro, desta vez na França. Ainda mais por estar em conflito com o Estado Islâmico, que logrou ocupar um território, enquanto seu líder, Abu Bakr al-Baghdadi, proclamou-se califa Ibrahim, o que deve ter levado Bin Laden a se remexer de inveja no fundo do mar. O sonho não realizado de Bin Laden era ter um califado. Registre-se: os irmãos Kouachi avisaram pertencer à Al-Qaeda. Não esclareceram, no entanto, se estavam sob ordens alqaedistas.

Pergunta: a versão oficial a ser apresentada vai ou não coincidir com a verdade real?

O artigo original da Revista Carta Capital poderá ser lido por meio desse link aqui:


NOSSO COMENTÁRIO ACERCA DA AFIRMAÇÃO DO AUTOR ENVOLVENDO A CITAÇÃO DE LEVÍTICO 24:16

1. Um dos grandes equívocos cometidos pelas pessoas em geral quando o assunto é aquilo que está escrito na Bíblia é não entender que a mesma é uma revelação progressiva e que é necessário entender cada tipo de literatura contido na Bíblia à luz de sua própria história, geografia, sociologia, economia e etc.

2. Quanto ao versículo de Levítico 24:16 devemos sempre nos lembrar que muitas coisas escritas, especialmente no Antigo Testamento, estão culturalmente condicionadas a diversos fatores. Por exemplo, o mandamento contido em Levítico 24:16 estava culturalmente condicionado e só poderia ser aplicado dentro do contexto do povo hebreu — os hebreus não podiam, por exemplo irem para outros países matarem pessoas que blasfemassem contra o seu Deus. E mesmo isso, só poderia ser feito enquanto durasse a Antiga Aliança que foi totalmente abolida com a vinda de Jesus Cristo.

3. Além do mais a blasfêmia envolvida em Levítico 24:16 diz respeito à blasfêmia contra o nome inefável de Deus — יהוה  — YHWH — traduzido com SENHOR nesse e em todos os outros contextos em que o mesmo aparece no original hebraico. O contexto de Levítico 24 nos fala de um jovem, filho de uma israelita com um egípcio, que teria então cometido essa blasfêmia específica, mas o texto não nos diz exatamente o que ele disse. Diz apenas que foi entendido dessa maneira. A sentença proferida pelo próprio Deus foi de que o mesmo deveria ser apedrejado, o que aconteceu na sequência da narrativa. Todavia, os judeus desde muito tempo passaram a evitar o uso do nome inefável יהוה — YHWH — traduzido com SENHOR preferindo os termos אדני `Adony — Meu Senhor ou  השׁם hashem — O Nome. Dessa forma os judeus passaram a evitar tanto pronunciar o nome inefável de Deus em vão — conforme a proibição de Êxodo 20:7 — como evitar blasfemar o nome de Deus, conforme o verso que estamos discutindo aqui.

4. De acordo com a narrativa Bíblica existem apenas dois outros momentos em que tal mandamento foi colocado em prática — ou seja, o ofensor pagou com a própria vida pela blasfêmia proferida —, mas nos dois casos é transparente a ma fé com que os casos foram conduzidos motivados por outros interesses.

a. O primeiro caso está registrado em 1 Reis 21:13 onde lemos:

1 Reis 21:13

Então, vieram dois homens malignos, sentaram-se defronte dele e testemunharam contra ele, contra Nabote, perante o povo, dizendo: Nabote blasfemou contra Deus e contra o rei. E o levaram para fora da cidade e o apedrejaram, e morreu.

O contexto deixa claro que tudo não passou de uma armação e não da aplicação justa do mandamento divino.

b. O segundo caso é mais gritante ainda, porque envolve a própria pessoa do Senhor Jesus Cristo, vítima de um julgamento imoral no meio da madrugada que culminou com sua condenação à morte pelas autoridades judaicas com base no verso que estamos discutindo. A passagem da condenação do Senhor Jesus é esta:

Mateus 26:65—66

65 Então, o sumo sacerdote rasgou as suas vestes, dizendo: Blasfemou! Que necessidade mais temos de testemunhas? Eis que ouvistes agora a blasfêmia!

66 Que vos parece? Responderam eles: É réu de morte.

5. Portanto de acordo com a narrativa Bíblica não temos a aplicação de tal lei, nem de forma comum, nem desproporcional — aliás, como vimos temos apenas 3 casos em toda a Bíblia, Antigo e Novo Testamento, sendo que em dois deles, a lei foi aplicada de forma injusta e parcial para atender a outros interesses.

6. Agora, a forma como o autor do artigo cita o verso de Levítico 24:16 dá a nítida impressão para o leitor mal informado ou pouco instruído nas Escrituras Sagradas cristãs que tal mandamento é válido até os dias de hoje e vai lá saber quantos não foram executados em obediência ao mesmo, o que é uma evidente prova tanto do desconhecimento das Escrituras Sagradas bíblicas,  como uma falta absoluta de honestidade intelectual por parte do autor do artigo.

Independentemente de tudo isso, continuamos admirando o equilibrio demonstrado pela Revista Carta Capital e seu editor, o Sr. Mino Carta, admiração essa que nos acompanha desde a nossa adolescência quando o mesmo lançou a revista VEJA da Editora Abril, curiosamente, no dia 11 de setembro de 1968.

Que Deus abençoe a todos

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.




[1] O autor chamará de “Cristandade” esta religião falsa, espalhada pelo mundo, que se auto-intitula de cristã. Mesmo não gostando do termo “Cristianismo”, pelo reducionismo ideológico que ele causa, o mesmo será usado para se referir à verdadeira igreja cristã espalhada pelo mundo.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

OS CAMINHOS DO ISLÃ NO BRASIL



A reportagem abaixo foi publicada pela revista ISTOÉ em 21 de Fevereiro de 2014 e trata desse importante assunto que discute os caminhos do Islã no Brasil. Segue a reportagem:

Os caminhos do Islã no Brasil

Aumento no número de mesquitas no País, de sheiks que agora falam português e de brasileiros no topo da hierarquia de centros islâmicos explica a expansão dos muçulmanos no Brasil

Por Rodrigo Cardoso

Quando decidiu se aproximar da cultura islâmica, o soteropolitano Wilton José de Carvalho não poderia imaginar que ganharia um lugar de destaque entre os seguidores brasileiros do profeta Maomé – cerca de 1,5 milhão. Católico praticante, Carvalho foi apresentado ao islã por um amigo em 1990. Desde então, já como Yussuf, ele, o amigo, outros quatro brasileiros e três africanos passaram a se reunir e fazer orações em uma pequena sala alugada, no centro de Salvador, em uma rua de nome sugestivo: Mesquita. Quatro anos depois, o grupo se mudou para um imóvel comercial arrematado por um árabe. Nascia o Centro Cultural Islâmico da Bahia, em 1994. Na instituição, o baiano foi diretor patrimonial, passou pela vice-presidência e é, desde 2010, o primeiro brasileiro a comandá-la. Histórias como a de Yussuf revelam uma transformação pela qual o islã vem passando no Brasil. Especialistas tratam como fenômeno religioso o fato de cada vez mais brasileiros ascenderem ao topo da hierarquia de entidades muçulmanas. “Em algumas cidades, como Salvador e Recife, centros islâmicos que historicamente eram presididos por muçulmanos de origem árabe hoje têm brasileiros ocupando o posto”, afirma o sheik sírio Jihad Hassan Hammadeh, que preside o conselho de ética da União Nacional Islâmica (Uni).

 chamada.jpg
 OPINIÃO
A carioca Karina, 28 anos, reverteu-se ao islã aos 14 e nunca mais deixou de usar o véu: 
                                               "Não sou forçada a usá-lo"

 Yussuf, 53 anos, foi eleito presidente em substituição a um egípcio, que ocupou o cargo por oito anos. Supervisor da área de telecomunicações, o soteropolitano enverga a veste islâmica Jalabia para posar para ISTOÉ e conta que dá expediente na entidade de forma voluntária das 9 horas às 18 horas, quando necessário. O muçulmano hoje trabalha para erguer a primeira mesquita da Bahia. “Abriremos uma conta em um banco para receber doações. Temos um terreno de mil metros quadrados em vista”, diz. “Eu não poderia chegar à presidência se não houvesse uma expansão do islã em curso propiciada por muçulmanos revertidos brasileiros.” Para os adeptos do islã, todos nascem muçulmanos e o retorno a Deus dos que se afastam é chamado de reversão e não conversão, que, para eles, seria o ato de migrar de denominação religiosa. Yussuf tem razão. Em aproximadamente dez anos, o número de mesquitas, de acordo com a Uni, saltou de 70 para 115. Nesse mesmo intervalo, triplicou a quantidade de sheiks que falam português. Não para por aí. Os brasileiros não só ascenderam ao topo da hierarquia de instituições já estabelecidas como têm erguido novos espaços religiosos. “No Nordeste, entidades islâmicas estão sendo criadas por brasileiros cuja adesão à religião não vem de berço”, afirma o antropólogo Paulo Hilu, que dirige o Núcleo de Estudos do Oriente Médio da Universidade Federal Fluminense (UFF). O islã, religião que aportou no Brasil pelas mãos de mouriscos (muçulmanos convertidos ao cristianismo) de Portugal no século XVI, vem deixando de ser uma incógnita na cabeça do brasileiro porque o terreno para seu crescimento nunca esteve tão fértil. “Há 94 instituições islâmicas aqui, hoje. Em 2002, havia 58 e, em 1983, 33”, diz o pesquisador Hilu, da UFF.


01.jpg


Manaus, por exemplo, levantou uma mesquita há três anos apenas. Onde não há possibilidade de erguer templos, a comunidade dá um jeito de fazer a religião se propagar. Quatro meses atrás, o ex-evangélico Cesar Mateus Rosalino, hoje muçulmano sob o nome de Kaab Al Qadir, construiu uma mussala (sala de reuniões) na favela Cultura Física, em Embu das Artes, região metropolitana de São Paulo, onde vive. No local, que ganhou o nome de mussala Rahmah, Kaab exibe uma barba comprida digna de um muçulmano padrão e conta que recebe aproximadamente 20 pessoas em algumas reuniões. O local já contou, inclusive, com a presença de um sheik moçambicano. “A gente lutou para ter um espaço porque não há condições de os irmãos daqui atravessarem a cidade, três horas de viagem, para ir à mesquita mais próxima”, diz Kaab, que matriculou o filho em uma escola turca neste ano. Nela, o garoto de 10 anos, batizado de Bryan Luther King, encara um intensivo sobre estudos islâmicos. “Ele quer ser o primeiro médico muçulmano”, diz o pai, com orgulho.

02.jpg
                                                 PIONEIRO
Yussuf, 53 anos, é o primeiro brasileiro a presidir o centro islâmico da Bahia

 A maior frequência do uso do português no dia a dia de mesquitas, entidades islâmicas e mussalas é, para Francirosy Ferreira, coordenadora do Grupo de Antropologia em Contextos Islâmicos e Árabes, um dos principais fatores que impulsionam o avanço da religião. “Há mais líderes falando e ensinando o islã em português. Isso ajuda no entendimento e divulgação da religião”, afirma a professora de antropologia do departamento de psicologia social da Universidade de São Paulo (USP). O sheik Jihad, 48 anos, que dá expediente em São Bernardo do Campo (SP), onde está uma das maiores comunidades islâmicas do Brasil, é um dos 15 líderes religiosos que falam fluentemente o português. Numa sexta-feira à tarde, depois de fazer as devidas reverências na mesquita Abu Bakr Assidik cercado por aproximadamente 300 muçulmanos, entre homens e mulheres, crianças e idosos, ele explicou à ISTOÉ que, antigamente, o idioma era pouco adotado porque os sheiks desembarcavam vindos de um país islâmico já com a vontade de retornar à sua terra natal. “Isso não os encorajava a se dedicar ao português. Atualmente, a aproximação ao idioma é maior porque grande parte dos que chegam ao Brasil pretende se estabelecer aqui”, diz ele.

 ISLA-02-2309.jpg
                                                    EXPANSÃO
Mesquita lotada em São Paulo (acima) e Kaab, o líder comunitário muçulmano (abaixo)
que inaugurou uma mussala (sala de oração) em uma favela

ISLA-01-IE-2309.jpg

 ISLA-03-IE-2309.jpg
 O sírio Jihad, um dos 15 sheiks daqui que dominam o português

A realidade, hoje, aponta para uma evolução. Há no País sete sheiks brasileiros. Dez anos atrás, havia três. Em todos os Estados da federação há alguma mesquita, mussala, sociedade beneficente ou cemitério islâmico. No Rio de Janeiro, por exemplo, encontra-se uma das comunidades pioneiras em realizar sermões em português e não em árabe – o islã praticado no Brasil, atualmente, deriva da imigração árabe do Oriente Médio do fim do século XIX e século XX. Essa movimentação toda pela qual passa o islã teve como gatilho os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. A partir de então, a mesma esteira que trouxe para cá notícias distorcidas sobre os fundamentos islâmicos e o medo semeou nas pessoas uma grande curiosidade sobre a religião. Muitos foram os brasileiros que saíram da estagnação em busca de mais informações sobre a cultura muçulmana. Foi o que ocorreu com a socióloga carioca Karina Arroyo, que estreitou os laços com o islã após os atentados terroristas atraírem os holofotes para a religião.

Aos 14 anos, ela optou pela reversão, passou a frequentar uma comunidade islâmica, fez aulas de árabe e aprendeu os ensinamentos da religião. Hoje, aos 28 anos, casada com um muçulmano e mãe duas vezes, ela usa o hijab (o véu) pelas ruas do Rio de Janeiro porque quer ser reconhecida como muçulmana. “Não sou forçada a usá-lo. A mulher percebe uma valorização feminina ao cobrir o corpo”, afirma Karina. O uso sem receio dessa peça do vestuário muçulmano tem crescido no País, um reflexo, segundo Francirosy, da USP, do maior conhecimento da doutrina islâmica e da expansão da religião. “Em 2008, cerca de 60% das mulheres usavam o véu. Hoje, entre 90% e 95% delas o fazem”, diz a professora. “A cada dez revertidos, sete são mulheres”, informa o sheik Jihad. “Tem gente que se reverte comigo por telefone, por WhatsApp.”

IEpag56a59Isla-3.jpg


Tais métodos são possíveis porque, para aderir ao islã, a pessoa precisa apenas proferir três vezes a um interlocutor: “Não há Deus senão Deus e o Profeta Muhammad é seu mensageiro.” Pronto, eis um novo muçulmano. Daí para a frente vem a prática, como cinco orações diárias, a caridade aos mais necessitados, o jejum no mês do Ramadã, a peregrinação à cidade saudita de Meca pelo menos uma vez na vida, se o muçulmano tiver condições físicas e financeiras. Mas aí é uma outra história...

Fotos: Eduardo Zappia; EDSON RUIZ, Gabriela Biló/Futura Press; Rafael Hupsel/Ag. Istoé

O artigo original da ISTOÉ poderá ser acessado por meio desse link aqui:


É bem evidente que o Islã está se abrasileirando, como também aconteceu com a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos ou Mórmons, que não aceitava negros em suas fileiras, mas depois de uma revelação recebida diretamente de deus pelo presidente da igreja, os negros passaram a ser aceitos.
Para os membros do Islã de origem árabe, esse negócio de ter o Alcorão em português e fazer sermões em português não faz muito sentido, já que o mesmo foi originalmente produzido em árabe — a mais bela das línguas segundo os árabes — e o próprio deus do Alcorão fala o árabe.

Mas é digno de nota o fato que a religião muçulmana tem permitido uma ascensão meteórica de brasileiros a postos chaves dentro da sua estrutura. Isso é algo completamente novo no Brasil, um país de missões, onde, independentemente da origem e da religião, o controle das mesmas sempre se manteve por longas décadas nas mãos dos estrangeiros, passando vagarosamente para as mãos de brasileiros. Nesse sentido o Islã dá uma lição exemplar.



OUTROS ARTIGOS ACERCA DO O ISLÃ





http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2012/04/lideres-evangelicos-proclamam-que-o.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.