Mostrando postagens com marcador Comércio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Comércio. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

ANA PAULA VALADÃO DA LAGOINHA X AGENOR DUQUE DA PLENITUDE



O artigo abaixo foi publicado pelo site Gospel Prime e é assinado por Leilane Roberta Lopes. Em seu artigo Leilane nos mostra as palavras de Ana Paula Valadão no Congresso da Embromação promovido por Agenor Duque, onde a mesma ataca certas práticas esotéricas da Igreja Plenitude. O apóstolo da Plenitude não gostou dos comentários de Ana Paula e atacou a mesma por praticas esotéricas, quando, certa vez, a mesma ficou de quatro e começou a tentar imitar um leão. Todavia, apesar das discordâncias os dois se associaram para promover um congresso com uma área vip ao custo de R$ 1.000,00 por pessoa. Bem, vamos ao artigo —

Agenor Duque critica Ana Paula por declarações sobre toalha ungida

Cantora alertou público de evento neopentecostal que as toalhas não curam, o apóstolo parece não ter gostado

por Leiliane Roberta Lopes

A cantora e pastora Ana Paula Valadão participou do 8º Congresso Fogo de Avivamento para o Brasil organizado pelo apóstolo Agenor Duque com a participação de Benny Hinn.

O evento aconteceu de 4 a 10 de fevereiro no Estádio do Canindé, em São Paulo, e atraiu milhares de pessoas.

Durante sua ministração, Ana Paula alertou os presentes que a toalha “ungida” comercializada ou doada pela igreja organizadora do evento não fazia milagres, assim como ela e os demais ministros que participariam do evento. A líder do Diante do Trono ministrou durante uma das canções que os milagres são feitos por Jesus e que Ele é que deve ser adorado.

“Você recebeu um símbolo para ajudar na sua fé que é uma toalhinha, daqui a pouco mais pessoas de Deus vão orar aqui e você vai ser curado, vai receber vitórias. Mas eu quero dizer que você não estará recebendo da parte de homens, você não estará recebendo da parte de pessoa que tem nome na Terra, mas que você dê sempre o reconhecimento àquele que é o Todo Poderoso. Honre somente a Ele, Jesus Cristo”.

Porém Agenor Duque não gostou do que Ana Paula falou e resolveu atacá-la durante um programa. O autointitulado apóstolo – ex-pastor das igrejas Universal do Reino de Deus e Mundial do Poder de Deus – relembrou o episódio onde a cantora caminhou de quatro pelo palco rugindo como um leão.

Agenor disse que não tem base bíblica para tal ato e que a venda de toalhas “ungidas” sim teria base bíblica, pois os apóstolos de Jesus curavam e expulsavam demônios usando lenços pessoais dessas pessoas.

“Se você não crê eu respeito, mas respeita quem crê. Teve uma pastora que falou mal dos lencinhos na televisão, mas eu tenho base bíblica para mostrar isso”, disse Agenor.

“Eu poderia pegar o meu horário, mas eu não vou fazer isso, e colocar uma imagem da senhora dizendo que está cheia do Espírito Santo andando de quatro e fingindo que é um leão. Eu nunca achei base bíblica nisso”.

Ele ainda diz que a pose de Ana Paula Valadão não curou ninguém, mas que os lenços vendidos ou doados na igreja curam e libertam muitas pessoas.

Assista aos vídeos por meio dos links abaixo —

NOSSA CONCLUSÃO
Estamos diante de um verdadeiro caso onde um aparentemente sujo fala de outro, aparentemente, mal lavadol.

Vídeo de Ana Paula Valadão que mesmo participando da embromação decidiu alfinetar o organizador do congresso—


Vídeo da reação de Agenor Duque contra Ana Paula Valadão —


O artigo original poderá ser visto por meio do link abaixo —


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.

domingo, 25 de outubro de 2015

A CRISTANDADE E A ESCRAVIZAÇÃO DA RAÇA NEGRA


O artigo abaixo foi publicado pelo CRI — Christian Reserach Intstitute — e é de autoria do professor de história Jeffrey B. Russell. O material foi traduzido pelo blog “O Grande Diálogo”.

CRISTANDADE E ESCRAVIDÃO DOS NEGROS

A escravidão tem existido em praticamente todas as sociedades desde o início do que chamamos de civilização até os dias de hoje. Mesmo em nossos dias, quando tal prática é universalmente considerada ilegal, a mesma continua sendo praticada ilegalmente em todos os lugares.  Escravos podem ser cativos conquistados numa guerra, ou os filhos desses povos conquistados nessas mesmas guerras. Como escravos são tratados como “mercadorias” e podem ser comprados e vendidos. Algumas vezes encontramos famílias que vendem seus filhos como escravos. As condições da escravidão variam de acordo com o tempo e o lugar. Muitos não têm nenhum direito e podem ser torturados e mortos de acordo com a vontade de seus proprietários. Outros têm certos direitos garantidos, e alguns, especialmente na Antiguidade, podiam alcançar a libertação e, ocasionalmente, adquirirem fortunas e poder, mas a crueldade e a indiferença é sempre a maior das características. As condições de transporte em navios negreiros europeus e caravanas árabes eram degradantes no limite máximo. Os que morriam eram descartados como “lixo” e nas rotas marítimas os tubarões conheciam os navios negreiros e os seguiam de perto aguardando o lançamento de corpos ao mar. A persistência de tamanha perversidade é uma das maiores característica da queda da raça humana no pecado.

A história da cristandade com relação à escravidão pode ser dividida em quatro períodos:

1) Dos dias de Cristo até o ano 400 d.C aproximadamente.

2) De 400 d.C até 1500 d.C.

3) De 1500 até 1750.

4. De 1750 em diante.

ESCRAVIDÃO E A CRISTANDADE PRIMITIVA

A escravidão era comum entre os antigos israelitas, como também na grande maioria das sociedades daqueles dias. Não temos nenhum registro de Cristo ter falado qualquer coisa acerca da escravidão, mas suas atitudes e suas palavras acerca do amor de Deus por suas criaturas tinham fortes implicações quanto a tal prática. Paulo afirmou que senhores e escravos têm a mesma importância diante de Deus — ver Efésios 6:9. Os apóstolos enfrentaram uma situação nos impérios persa e romano, onde a cristandade se estabeleceu primeiro e onde a escravidão era universalmente praticada. O ensino apostólico, como o do próprio Senhor Jesus, não possuía uma agenda social ou política específica. O objetivo de Jesus e dos apóstolos era trazer todas as pessoas de todas as nações, condição social e cor da pele para dentro do reino de Deus. Uma vez que a escravidão era uma realidade social, os apóstolos ensinavam que o s senhores deveriam tratar bem seus escravos e que os escravos deveriam ser obedientes aos seus senhores — ver Efésios 6:5; Colossenses 3:22; 4:1; 1 Timóteo 6:1; 2 Pedro 2:18.

A compra e a venda de escravos — dando a eles desse modo o mesmo tratamento de objetos ou animais foi condenado no Novo Testamento como um pecado egrégio — ver 1 Timóteo 1:10. Os próprios escravos consideravam a cristandade um certo progresso em sua condição, uma vez que um bom número de escravos estavam entre os primeiros convertidos à fé cristã. Uma vez que a maioria dos cristãos eram relativamente pobres, poucos tinham condições de manter escravos. Os ensinamentos cristãos contra a prática da escravidão foram gradualmente crescendo até os anos 300 d.C. e a escravidão como instituição foi condenada como pecaminosa por Agostinho de Hipona — 354—430 — no Oriente e por João Crisóstomo — 347—407 — no Ocidente e também por outros líderes cristãos. A cristandade se estabeleceu como religião no império romano no ano 395 d.C., e por volta do ano 400 d.C., a escravidão se encontrava num declínio acelerado. Essa melhora foi causada em parte por causa da moralidade cristã; em parte por causa do crescimento da população germânica que não tinha escravos e, parcialmente, porque o declínio militar do império romano estava produzindo menos prisioneiros e, consequentemente menos escravos. Nesse meio tempo os cristãos começaram a pressionar as autoridades a favor dos direitos dos escravos. Os escravos podiam participar juntamente com outros cristãos dos momentos de adoração do povo de Deus sem que se fizesse nenhuma distinção entre eles e as pessoas livres. Escravos podiam servir o povo na capacidade de diáconos e presbíteros, e não foram poucos os que chegaram a ser nomeados bispos. O casamento dos escravos era reconhecido e permitia-se o casamento de escravos com pessoas livres.

A CONQUISTA ISLÂMICA E A ESCRAVIDÃO

Durante a Idade Média, havia pouca escravidão em terras da cristandade. Entretanto, durante os anos 600 e 700, a conquista de territórios controlados pela cristandade pelo Islã, que começando no Oriente Médio se estendia pela África, Espanha e Ilhas do Mediterrâneo, acabou por reintroduzir a escravidão onde a cristandade havia erradicado a mesma.

As únicas terra da cristandade que mantinham escravos eram os territórios adjacentes às terras controladas por muçulmanos. Chamamos essas áreas de infectadas pelos vizinhos. O próprio Maomé tinha escravos, e os muçulmanos estavam acostumados tanto com escravos brancos como negros. A escravidão foi algo legal em muitos países árabes tendo sido abolida na Arábia Saudita apenas em 1962 e na Mauritânia em 1981. Estima-se que cerca de 15 milhões de escravos foram levados para países árabes oriundos da região do Saara e regiões mais ao sul da África. Na Europa a escravidão tornou-se praticamente extinta depois de 700 d.C. Todavia, ao que parece, alguns escravos continuavam existindo em partes da Europa, pois nos anos 800 ouvimos falar duma rainha francesa que tentou abolir a escravidão por completo.

A “servidão” que era muito comum na Europa era tanto essencialmente quanto na prática, diferente da escravidão. Esses servos eram, quase sempre, trabalhadores agriculturais. Apesar dos servos estarem ligados a seus senhores para produzir bens e serviços a favor dos mesmos, e mesmo que não pudessem se ausentar dos domínios de seus senhores sem a autorização expressa dos mesmos, ainda assim tinham certos direitos fundamentais garantidos: eles podiam se casar, podiam comprar e vender bens que lhes pertencessem e não podiam nem ser torturados ou mortos. Teólogos da cristandade, especializados na história da Idade Média, raramente abordam a questão da escravidão uma vez que a mesma era, de fato, muito rara, mas quando escreveram acerca desse assunto eles foram bem claros em afirmar que tal prática era um grave pecado, tanto contra a lei natural quanto com relação a Lei divina. Tomás de Aquino que viveu entre 1225—1274, afirmou que a escravidão era contrária à lei natural por causa do fato de que Jesus morreu por todos os seres humanos de forma igual.

O AUMENTO DA ESCRAVIDÃO POR MEIO DA INSTALAÇÃO DE PORTOS

A partir dos anos 1400, os interesses econômicos e políticos triunfaram sobre a moralidade, pois a escravidão, mais uma vez, tornou-se algo muito lucrativo, e passou a ser praticada em grande escala. Durante a Idade Média o comércio com as Índias e com a China era conduzido através da, assim chamada, Rota da Seda, que atravessava o Oriente Médio e a Ásia Central. Mas esse caminho era longo, perigoso e frequentemente bloqueado por forças hostis. No século XV os portugueses, pioneiros marítimos da Europa, estabeleceram uma rota marítima dando a volta pelo sul da África e seguindo em direção para o Leste, o que se tornou na maior rota comercial com o Oriente.

Tal rota passava por muitos portos onde existiam escravos negros. O fato de que negros africanos mantinham escravos é atualmente considerado como algo politicamente incorreto de ser mencionado, mas trata-se de fato, e ninguém está aqui fazendo qualquer tipo de afirmação quanto a depravação por parte dos africanos, uma vez que, praticamente quase todas as sociedades — chineses, maias, astecas, árabes, nativos estadunidenses, mongóis, gregos, romanos — tinham escravos. Os negros africanos, como os romanos e os persas antes deles, faziam escravos de territórios conquistados. Os portugueses não tinham nenhum tipo de escrúpulo de comprar esses escravos negros e foi, exatamente, um navio português que trouxe os primeiros escravos negros para a Europa em 1441. A partir daí, a vasta maioria de escravos na Europa eram duma única raça: negra. Assim que os africanos souberam que os europeus estavam dispostos a adquirir escravos negros, eles trouxeram cada vez mais e mais negros para serem vendidos nos portos da África. Por volta de 1600 os próprios europeus haviam se instalado nas costas da África e passaram a “produzir” seus próprios escravos no Oeste daquele continente. A perversidade da escravidão moderna da raça negra teve, então, seu início.

Logo a Espanha, França, Inglaterra e outros países de Europa estavam participando do tráfico de escravos. Nos 1500 os europeus fizeram diversas tentativas para  escravizar os povo indígenas das Américas do norte e do sul, mas isso provou-se uma atividade de pouco lucratividade, o que fez com que os negros africanos se tornassem, quase que exclusivamente, nos seres favoritos para servirem como escravos. Os primeiros escravos vindos da África chegaram na América do Norte a bordo de um navio holandês que aportou na cidade de Jamestown, na Virgínia, em 1619. Até a proclamação da abolição da escravatura nos EUA, cerca de 15 milhões de escravos negros e escravas negras foram transportados, como animais, através das águas do Atlântico. Outro tanto foi transportado para o norte pelos mercadores árabes. O número de trinta milhões excede até mesmo os piores genocídios. E esse número não inclui a enorme quantidade de seres humanos negros que morreram antes de chegarem nos portos de destino. Seus corpos mortos eram lançados no mar, de forma inclemente, onde eram devorados por tubarões que costumavam seguir os navios desde a saída e ficavam atrás dos mesmos durante toda a viagem. Holandeses e ingleses eram bem mais ativos no tráfico de negros do que portugueses e espanhóis, apesar dos portugueses terem levado cerca de três milhões e meio de negros até o Brasil. Em 1849 quase metade da população do Rio de Janeiro era de negros africanos.

OS CRISTÃOS CONDENAM A ESCRAVIDÃO

A condenação da escravidão pelos verdadeiros cristãos seguiu, imediatamente, o renascimento de tal prática desumana e imoral. Apesar do Papa Nicolau V ter concedido permissão em 1452 para que “cristãos” escravizassem muçulmanos e prisioneiros pagãos, essa era uma verdadeira aberração papal. Em 1435 Eugênio IV excomungou os “cristãos” que estavam escravizando os habitantes das ilhas canárias — o mais antigo reduto português e espanhol no Atlântico —; em 1462 Pio II declarou a escravidão como “um grande crime”; em 1537, Paulo III exigiu a libertação de todos os índios estadunidenses, como também fez Gregório XIV em 1591. Urbano VIII — 1623—1644 — condenou toda espécie de escravidão, incluindo a de pessoas negras e a santa inquisição adotou a mesma postura em 1686. Apesar da cristandade declarar a escravidão como algo imoral, muitos “cristãos” preferiam o lucro à teologia moral.
  
A ação melhor sucedida, do ponto de vista prático, contra a escravidão foi feita por Jesuítas católicos no Paraguai, onde de 1609 até 1768 eles criaram uma República livre para os índios guaranis. Essa república foi completamente destruída por ordem das coroas da Espanha e Portugal atendendo a exigências de escravagistas locais.

Condenações teológicas e até mesmo oficiais tiveram pequeno ou nenhum impacto em um comércio que não parava de crescer e se tornava cada vez mais lucrativo, por causa das extensas plantações de cana e de tabaco nas Índias Ocidentais e também nas ilhas do mar do Caribe, onde as condições dos escravos era bastante agravada, pois tinham que trabalhar em grupos, sob os olhares de feitores a serviço dos proprietários, que se encontravam na Europa. Dentre os códigos civis europeus que regulavam a escravidão o Código Negro Espanhol era o mais leniente, pois permitia o gozo de feriados, o direito de vender o excesso produzido além daquilo exigido pelos proprietários e também respeitava o casamento entre os escravos.  Já o Código Noir dos franceses era bem mais restrito e o Código de Barbados, dos ingleses, nas Índias Orientais era o mais perverso, pois permitia a tortura e até mesmo o assassinato dos escravos. Tudo isso, apesar do entendimento cristão, que os ingleses alegavam seguir, afirmar que a escravidão violava a liberdade de consciência e a integridade da alma e do corpo.

Teólogos podem ter debatido, se algum deles participou, de fato nesse debate, se os negros tinham alma, mas na prática os negros eram tratados como se não tivessem alma. De fato, muitos senhores de escravos procuravam conduzi-los à cristandade, para que aprendessem a colocar a esperança da liberdade no outro mundo. Depois da proclamação da independência dos EUA, quando a cultura do algodão tornou-se a principal do sul da daquele país, o uso da mão de obra escrava e negra se transformou em algo muito maior e bem mais abusivo. Enquanto muitos escravos da casa grande eram tratados relativamente bem, os escravos no campo eram tratados de forma desumana, como engrenagens na enorme máquina industrial que necessitava cultivar e vender algodão, de forma lucrativa. Por volta 1790 havia mais de 292.000 escravos na Virgínia, e mais de 694.000 em todo o país. Apenas o estado de Massachusetts havia abolido a escravidão. O tráfico de escravo nos EUA  tornou-se, então, praticamente, um tráfico interno, ao longo dos rios do interior, particularmente ao longo do rio Mississipi, onde a expressão          "descer o rio" significava seguir numa direção de miséria e morte nos campos de algodão.

À medida que o tráfico de escravos tornava-se cada vez mais e mais desumano, reiteradas vozes começaram a serem ouvidas contra o mesmo a partir de 1750. O iluminismo secular estava divido quanto a questão que envolvia a escravidão. Thomas Jefferson tinha escravos e foi incapaz de libertá-los mesmo quando de sua morte. Para efeitos do censo e do direito de votar, a constituição estadunidense, tão elogiada, originalmente considerava os negros apenas como representando 3/5 de um ser humano. Iluministas como Voltaire, o barão de Montesquieu, o marquês de Mirabeau e Edmund Baker continuavam aceitando a escravidão. Por outro lado, figuras como Adam Smith, Dennis Diderot, Jacques Turgot, Samuel Johnson e o marquês de Condorcet condenavam a mesma. Nessa época verdadeiros cristãos se encontravam sempre nas frentes de luta contra o comércio de escravos, bem como da própria escravidão. Em 1754, o quacre John Woolman lançou uma cruzada contra o comércio de escravos dentro dos EUA, e já em 1771 o estado de Massachusetts tornou ilegal a importação de escravos. Em 1791 o estado da Carolina do Norte declarou a morte de um escravo como assassinato, e o estado da Geórgia fez o mesmo em 1816. Na Inglaterra, William Wilbeforce — 1759—1833 —fundou a Sociedade pela Abolição do Tráfico de Escravos em 1787, algo que teve todo o apoio de John Wesley — 1703—1791 — fundador do metodismo.

O movimento contra a escravidão teve duas fases: primeiro, a abolição do tráfico. E, segundo — depois do primeiro objetivo ter sido alcançado — a abolição da instituição da escravatura e a consequente libertação de todos os escravos. Sob uma pesada pressão moral por parte dos cristãos, países protestantes tornaram ilegal o tráfico de escravos: a Dinamarca em 1803; o Reino Unido em 1807; os EUA  em 1808; e a Holanda em 1848. Do lado católico romano, Pio VII exigiu a abolição de todo o tráfico em 1815 e em 1839 Gregório XVI enviou uma carta pastoral endereçada a todos os católicos condenando todo tipo de escravidão. A França aboliu o tráfico de escravos em 1831.

Os reformadores agora se voltaram para a abolição da escravatura. A Sociedade Contra a Escravidão dos EUA foi fundada em 1833 — a maioria dos seus membros eram pastores protestantes — e o Partido do Solo Livre foi fundada em 1848. Em 1833 o Reino Unido aboliu a escravidão por completo, como também fez a França em 1848. Nas repúblicas espanhol-americanas a escravidão foi abolida primeiro na Argentina em 1813 e por último na Venezuela em 1854. Notoriamente, os Estados Unidos da América não aboliu a escravidão até 1865, mas escritores abolicionistas tais como Lyman Beecher, Lucy Stone, Charles Finney e William Lloyd Garrison agitaram as consciências do protestantes do norte do país.

Um dos mais severos golpes contra a escravatura foi a obra escrita pela filha de Lyman Beecher, Harriet, intitulada "A Cabana do Pai Tomás" em 1852. Sejam quais tenham sido as várias causas da Guerra Civil nos EUA, a mesma foi em primeiro lugar uma guerra contra a escravidão. A Espanha não aboliu a escravidão em Cuba até 1886, e o Brasil foi a última nação chamada cristã a abolir os escravos em 1888.

Historiadores seculares, geralmente por questões ideológicas procuram diminuir, de maneira grosseira, a importância da fé cristã nos processos de abolição da escravidão. É muito importante notar que a escravidão era imensamente lucrativa tanto no Caribe quanto no sul do EUA, e isso custou aos governos enormes valores a título de compensação pelo "confisco" de suas propriedades. Os interesses econômicos e políticos seguiram o dinheiro, por isso havia pouco ou nenhum interesse na abolição dos escravos. O verdadeiro interesse estava centrado, quase que exclusivamente, na moral dos líderes cristãos que deram início e alimentaram os movimentos de direitos civis até os anos 1960 do século XX. Agora, uma vez que a escravidão continua a existir em muitas outras formas, ainda há muito para ser feito.

Jeffrey B. Russell é professor de história e publicou 19 livros. Sua última obra foi "Exposing Myths About Chistianity" ou "Expondo os Mitos Acerca da Cristandade". O livro foi publicado pela Inter-Varsity Press em 2012.

O arquivo original poderá ser visto por meio desse link aqui:


A tradução do material acima é do Blog O Grande Diálogo.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:



Desde já agradecemos a todos.

sábado, 30 de maio de 2015

SILAS MALAFAIA ATACA AINDA OUTRA VEZ

POP-UP_02052015

O material abaixo foi publicado no Blog "Uma Estrangeira no Mundo"

Silas Malafaia já colocou preço na “nova” unção financeira de Morris Cerullo: de R$ 500,00 a R$ 10.000,00

O tempo passa, mas a venda de indulgências sempre volta. Que o diga o (im)pastor Silas Malafaia, que mais uma vez traz ao seu programa o (im)pastor/profeta de deus/doutor Morris Cerullo, um claro adepto da demoníaca Teologia da Prosperidade, aquela que age como um Judas moderno, vendendo Jesus e as bênçãos de Deus em troca de muito dinheiro.
Desde 2009, o enredo é o mesmo:
Morris Cerullo (ou Mike Murdock)  falam no programa do Malafaia que o deus deles revelou para eles que tem três bênçãos especiais para distribuir para quem tem fé. Uma dessas bênçãos – e a principal – é sempre na área financeira, tipo enriquecer o fiel. As demais variam: cura de todas as doenças, salvação de toda a família, unção espiritual especial, medida extra de alguma coisa, etc.
Mas, para receber tais bênçãos, é necessário um “sacrifício”, uma prova de fé do fiel: ter que desembolsar, a favor da Associação Vitória em Cristo (ADVec), uma quantia preestipulada, que varia de acordo com a situação econômica do Brasil e com a voracidade dos lobos em pele de cordeiro: R$ 900,00, R$ 911,00, R$ 1.000,00, R$ 610,00, R$ 10.000,00, R$ 12.000,00.
uncao
Atualmente estamos em clara recessão da nossa economia, e por isso a oferta (ou melhor, o pagamento pelas bênçãos) varia de R$ 500,00 a R$ 10.000,00. Mas não adianta querer economizar!!! Quem dá as maiores ofertas, segundo os (im)pastores, terá as maiores bênçãos também.
O Malafaia está ficando espertinho. Em anos anteriores, a essa hora já teria liberado o vídeo da pregação e nós colocaríamos um artigo mais completo. Mas tudo bem, fica aqui essa introdução, e mais tarde colocamos outro artigo analisando a fala do Cerullo e sua proposta indecorosa gospel.
E enquanto isso, reveja as outras vindas do Cerullo no programa do Malafaia. Acredite, em nada será diferente. Apenas o preço do produto que eles estão comerciando. O problema é que Deus e Suas bênçãos não podem ser comerciadas, que o diga satanás.
“Mas é grande ganho a piedade com contentamento.
Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele.
Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes.
Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína.
Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.
Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão.
Milita a boa milícia da fé, toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado, tendo já feito boa confissão diante de muitas testemunhas.” – 1 Timóteo 6:6-12
Voltemos ao Evangelho puro e simples,

O $how tem que parar!

O artigo original poderá ser visto por meio desse link aqui:

https://estrangeira.wordpress.com/2015/05/02/silas-malafaia-ja-colocou-preco-na-nova-uncao-financeira-de-morris-cerullo-de-r-50000-a-r-10-000000/

OUTROS ARTIGOS ACERCA DO SILAS MALAFAIA

Que Deus tenha misericórdia desses homens e os conduza ao arrependimento.
Alexandros Meimaridis
Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos. 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

LIVRO SOBRE JESUS NEGA SUA DIVINDADE E O TRANSFORMA NUM CHE GUEVARA


Jesus expulsa os vendilhões do templo

Em outro artigo cujo link pode ser visto mais abaixo, tivemos a oportunidade de publicar e criticar uma entrevista concedida pelo teólogo e historiado Reza Aslan. Em sua entrevista Reza Aslan repete velhos argumentos, alguns com mais de 200 anos como se fossem os tópicos mais excitantes acerca da pessoa e da vida e morte de Jesus. Como deixamos provado, suas afirmações antigas, têm sido refutadas por cristãos durante os últimos dois séculos e meio.

Ver a entrevista de Reza Aslan por meio desse link aqui:



Hoje queremos dar continuidade a esse assunto publicando uma matéria também produzida pela Revista ÉPOCA da autoria de Rodrigo Turrer na qual ele faz uma crítica literária ao livro de Reza Aslan, além de nos contar um pouco da trajetória do mesmo, especialmente nos Estados Unidos da América.

A volta do Jesus revolucionário

AGITADOR Jesus expulsa os vendilhões do templo. Um novo livro diz que ele não defendia a paz, mas a espada (Foto: Rischgitz/Getty Images)


Um novo livro afirma que o Jesus pacifista foi uma invenção dos evangelistas e sugere que, na vida real, ele foi mais um Che Guevara que uma Madre Teresa de Calcutá
Por RODRIGO TURRER

Livros sobre Jesus são garantia de polêmica e publicidade. Tornaram-se uma mina de ouro editorial e um fecundo filão acadêmico. Todo ano publicam-se dezenas de obras e estudos que tentam iluminar algum aspecto da vida de Jesus. Nas listas de mais vendidos, sucedem-se os livros com “revelações” sobre o pai do cristianismo. O mais novo best-seller é Zealot: the life and times of Jesus of Nazareth (Zelote: a vida e os tempos de Jesus de Nazaré), do iraniano Reza Aslan, um estudioso de religiões e professor de escrita criativa na Universidade da Califórnia. O livro, lançado há um mês nos Estados Unidos, lidera há três semanas a lista de mais vendidos do The New York Times e da Amazon. Desbancou até recordistas de vendas como a britânica J.K.Rowling.

Aslan e seu livro ascenderam aos céus do mercado editorial depois de uma polêmica entrevista na rede de televisão americana Fox News, com grande audiência entre os cristãos fundamentalistas dos Estados Unidos. Na entrevista de quase dez minutos, a âncora Laura Green questionou duramente Aslan. Perguntou sucessivamente a ele se tinha direito, por ser muçulmano, de escrever um livro sobre Jesus. Diante do preconceito da inquisidora, Aslan argumentou que escreveu o livro como acadêmico com doutorado e especializações em história das religiões e 20 anos de estudo das origens do cristianismo. O quiproquó contribuiu para as vendas aumentarem quase 50%.

Eis a tese defendida por Aslan no livro: Jesus, ao contrário do que prega a Igreja Católica, não foi um pacifista que, diante da violência, “oferecia a outra face” e amava os inimigos. Segundo Aslan, Jesus foi um revolucionário, cujo objetivo principal era expulsar os romanos da Judeia, criar um reino de Deus na Terra e assumir seu trono. Ele recupera com novas cores uma antiga versão de cristianismo – em voga nos anos 1960 graças à Teologia da Libertação, que misturava cristianismo com marxismo. Era um Jesus mais para Che Guevara do que para Madre Teresa de Calcutá. “Ele era um zelote revolucionário, que atravessou a Galileia reunindo um exército de discípulos para fazer chover a ira de Deus sobre os ricos, os fortes e os poderosos”, escreve Aslan no começo de seu livro. Zelote é uma palavra derivada do aramaico. Significa “Alguém que zela pelo nome de Deus”. Outra possível tradução para o termo é fervoroso, ou mesmo fanático. Sua origem está ligada ao movimento político judaico que defendia a rebelião do povo da Judeia contra o Império Romano. Os zelotes pretendiam expulsar os romanos pela força.

Segundo Aslan, Jesus compartilhava algumas das ideias igualitárias dos zelotes e, assim que se estabeleceu numa vila de pescadores em Cafarnaum, começou a procurar seus discípulos “entre aqueles que se viram lançados à margem da sociedade, cujas vidas tinham sido interrompidas pelas mudanças sociais e econômicas que ocorriam por toda a Galileia”. Na interpretação de Aslan, entre seus discípulos recolhidos nas franjas da sociedade da época, Jesus, como muitos revolucionários, tornou-se amado não apenas por seus ensinamentos, mas pelo carisma. “Ele era visto como alguém com autoridade, mas, ao contrário dos escribas inacessíveis e dos sacerdotes ricos, parecia um homem do povo, uma dádiva de Deus.”

Em Zealot, o ponto central da vida de Jesus não é seu nascimento nem sua Ressurreição, mas o Domingo de Ramos, um acontecimento mencionado nos quatro Evangelhos canônicos (Marcos, Mateus, Lucas e João). Nesse episódio, Jesus entra em Jerusalém de forma triunfal, montado num jumento. O povo comemora sua entrada sob gritos de Hosana, canta partes de um salmo e jogam ramos de árvores à sua frente. “Mais do que qualquer outra palavra ou ação, sua entrada em Jerusalém ajuda a revelar quem era Jesus e o que ele quis dizer”, diz Aslan. “Um camponês analfabeto entra em Jerusalém e é o tão aguardado Messias – o verdadeiro rei dos judeus –, que veio para libertá-los da escravidão.”

POLÊMICA Reza Aslan (acima). Ao lado, ele discute com a âncora da Fox News, Laura Green. Ela achou estranho que ele, por ser muçulmano, escrevesse um livro sobre Jesus (Foto: Bret Hartman/For The Washington/Getty Images e reprodução)

A prova de que Jesus pretendia livrar os judeus do jugo romano pelas armas está, segundo Aslan, na passagem do Evangelho de Mateus em que Jesus diz a seus apóstolos: “Não penseis que vim trazer paz à Terra; não vim trazer paz, mas a espada”. Ao dizer isso, Jesus demonstra ser um “adorador do sangrento Deus de Abraão, Moisés, Jacó e Josué”. Logo, Jesus passa das palavras à ação. Ao chegar ao Templo de Jerusalém, para a Páscoa Judaica, se enfurece com a visão de centenas de pessoas vendendo, comprando e trocando moedas no local sagrado. Com um chicote na mão, Jesus expulsa os que ali vendiam e compravam, derruba as mesas dos cambistas e acusa os comerciantes de profanar o local de culto e de mercantilizar a fé.

Para Aslan, o episódio revela todos os “segredos messiânicos” de Jesus. “Atacar o comércio do templo era uma ofensa semelhante a atacar a nobreza clerical, o que, considerando a emaranhada relação do templo com Roma, era o mesmo que atacar o próprio Império”, escreve. Com esse gesto, Jesus diz, no entender de Aslan, que a terra sagrada não pertencia a Roma, mas a Deus, e era hora de César devolvê-la ao verdadeiro rei dos judeus – ele mesmo. Diante disso, afirma Aslan, Jesus se torna um personagem “tão radical, tão perigoso, tão revolucionário que a única resposta concebível para Roma seria prendê-lo e executá-lo por insurreição”. Como era o mais grave dos crimes contra o Império Romano, a punição foi também a mais severa: a crucificação.

Se Jesus foi de fato um revolucionário, como se deu sua conversão num pacifista humilde, que ensina a amar a todos, até ao inimigo? Foi, diz Aslan, obra dos Evangelhos canônicos e das epístolas de Paulo de Tarso, escritas depois da crucificação, no período em que a perseguição aos judeus e aos primeiros cristãos se intensificou. Receosos de ser vistos como insurgentes, os primeiros seguidores do cristianismo quiseram se afastar do fervor revolucionário de Jesus. “Assim começou o longo processo de transformar Jesus de um revolucionário nacionalista judeu num líder espiritual desinteressado de questões terrenas”, diz Aslan. Como judeu, Jesus se rebelaria contra qualquer noção de que Deus pudesse encarnar num humano. Por isso, a ascensão de Jesus a divindade surgiu quase 30 anos após a crucificação, pelas mãos de “judeus cristãos” que, na tentativa de evitar as perseguições do Império, “transformaram o Jesus revolucionário num semideus romanizado”. Foi dessa maneira que Paulo criou a religião universal, sem distinção entre as pessoas, que três séculos depois conquistou o Império Romano e se espalhou pelo mundo.

JESUS EM ARMAS Um grafite na Venezuela mostra Jesus com um fuzil.  Ele virou símbolo revolucionário (Foto: Miguel Gutierrez/AFP)

As teses de Aslan reacenderam uma acalorada discussão acadêmica acerca de Jesus. Há décadas, duas vertentes do estudo de sua vida se digladiam. Uma delas tenta desvendar o “Jesus histórico”: quem foi Jesus de Nazaré, antes de ele se transformar no Filho de Deus, cultuado pelos cristãos. A outra está mais interessada no “Cristo da fé”, o Jesus da religião. A busca pelo Jesus da história, desvinculado da divindade, começou com o alemão Herman Samuel Reimarus (1694-1768). Ele foi o primeiro de uma série de escritores a condenar os dogmas religiosos que, na sua visão, embaçavam a compreensão do cristianismo.

Apesar dos esforços de teólogos e filósofos, a primeira busca foi em vão: pouco se revelou sobre o Jesus histórico. No século XX, os teólogos alemães Martin Dibelius e Rudolf Bultmann começaram uma segunda busca. Definiram critérios objetivos para separar o que era histórico do que não era nos relatos bíblicos. A ideia era encontrar o real Jesus, despindo-o dos mitos a ele acoplados por seus discípulos nos Evangelhos. Para muitos, porém, a segunda leva de pesquisas continuou a revelar mais sobre os pesquisadores do que sobre Jesus.

A terceira onda de busca do Jesus histórico ressurgiu com intensidade no começo do nosso século, com livros, filmes e programas de TV. Ela está baseada em métodos históricos e racionais, incluindo a análise crítica dos Evangelhos, a pesquisa arqueológica e o estudo do contexto histórico e cultural em que Jesus viveu. Como a busca pelo Jesus histórico se atém ao racionalismo e nega a existência dos milagres, ela costuma ser rechaçada pelos defensores do Cristo da fé. As críticas vêm tanto de teólogos ligados à tradição dos Evangelhos, defensores dos milagres como sustentáculo do cristianismo, como dos filósofos que rejeitam o materialismo e a ideia de que tudo na existência pode ser descrito pelas ciências naturais.

Ao reavivar as teses do Jesus revolucionário, Aslan conseguiu um feito: foi criticado por ambas as vertentes. “Aslan usou demais suas habilidades de professor de escrita criativa e ignorou seus estudos históricos”, afirma Stephen Prothero, professor de história do cristianismo na Universidade de Boston. “O livro de Aslan é uma litania de erros, todos causados pelo fato de ele aceitar premissas que não existiam para reforçar suas teses.” De fato, sobram certezas definitivas no livro de Aslan, que passa ao largo de quase todas as infindáveis controvérsias a respeito da vida de Jesus. Teria ele nascido em Belém? Aslan garante que ele nasceu em Nazaré. Por que Jesus saiu de Nazaré e foi para a Judeia pela primeira vez? Aslan deixa nas entrelinhas que era para se juntar aos zelotes revolucionários. Jesus era um profeta inovador e único? Aslan afirma que nos tempos de Jesus havia um candidato a Messias em cada figueira e oliveira da antiga Palestina. Quem eram os evangelistas? Para Aslan, eram seguidores de Jesus que se reuniram em comunidades a partir do ano 70 d.C.

De onde vêm todas as certezas de Aslan? Das mesmas fontes que ele critica. “Aslan diz que os Evangelhos não são uma fonte confiável, mas se lambuza neles quando quer reforçar suas teses de um Cristo revolucionário”, afirma o teólogo Martin Goodman, professor de história romana em Oxford. “O problema não é ele ser muçulmano ou ser iraniano. O problema é que ele usa uma tese ultrapassada e desacreditada como se fosse uma verdade absoluta.” A entrevista na Fox News provou, portanto, ter sido muito útil para Aslan. Ele escreve de modo fluente e coloquial sobre complexas discussões acadêmicas e transforma densos emaranhados filosóficos em narrativas emocionantes. Mas seu livro apenas prova como é difícil cingir a compreensão do cristianismo à história de um personagem de traços tão fugidios como Jesus.

A reportagem original de revista ÉPOCA poderá ser vista por meio desse link aqui:


NOSSOS COMENTÁRIOS

1. Como no artigo anterior, ver link no início desse artigo, Reza Aslan dá prosseguimento à sua fértil imaginação e prova que nunca leu os evangelhos com atenção suficiente para produzir um texto que valha à pena, pelo menos ser lido e levado em consideração.

2. Quando Reza Aslan chama Jesus de “semi-deus romanos”, de “revolucionário” e até mesmo de “Analfabeto” demonstra sua ignorância quanto ao texto bíblico e seu terrível preconceito contra o Deus que se fez carne.

3. Alguns de seus críticos disseram bem de como devemos considerar o livro de Reza Aslan:

a. “Aslan usou demais suas habilidades de professor de escrita criativa e ignorou seus estudos históricos”, afirma Stephen Prothero, professor de história do cristianismo na Universidade de Boston. “O livro de Aslan é uma litania de erros, todos causados pelo fato de ele aceitar premissas que não existiam para reforçar suas teses.”

b. Quando quer reforçar suas teses de um Cristo revolucionário”, afirma o teólogo Martin Goodman, professor de história romana em Oxford. “O problema não é ele ser muçulmano ou ser iraniano. O problema é que ele usa uma tese ultrapassada e desacreditada como se fosse uma verdade absoluta.”

Conforme bem notado pelo autor do artigo, essas especulações acerca de Jesus tiveram início com Reimarus no século XVIII e de lá para cá evoluíram à custa de padrões e limites que homens impuseram aos textos sagrados que, por enquanto, continuam soberanos.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

VERGONHA: “MINISTÉRIO PASTORAL” É UMA BOA MANEIRA DE ENRIQUECER



Nesses dias em que a grande maioria das igrejas enfrenta grandes dificuldades financeiras, os pastores midiáticos aproveitam para monopolizar o chamado movimento evangélico, oferecendo como opção de enriquecimento o “ministério pastoral”. O exemplo mas apropriado são os próprios promotores dessa verdadeira imoralidade conforme o artigo abaixo publicado na revista VEJA São Paulo e de autoria de João Batista Jr.

PROFISSÃO PASTOR

Acompanhamos um curso de formação de mão de obra evangélica

Em troca de dedicação integral, quem segue carreira pode ganhar um salário de até R$ 22.000 por mês

<p> Silas Malafaia em Águas de Lindoia: a organização do evento custou 4 milhões de reais</p>
Silas Malafaia em Águas de Lindoia: a organização do evento custou R$ 4 milhões (Foto: Mario Rodrigues )

Por João Batista Jr.

Era início de tarde de uma terça-feira de dezembro quando um ônibus saiu da Igreja Evangélica Assembleia de Deus do Bom Retiro, localizada na Barra Funda, rumo a Águas de Lindoia. “Que Deus abra o caminho contra as sílabas do maligno”, anunciou o guia da excursão, antes de o veículo dar a partida. Na cidade do interior do estado ocorreria a quarta edição da Escola de Líderes da Associação Vitória em Cristo (Eslavec), um dos maiores cursos nacionais para a formação de pastores. Durante quatro dias, cerca de 5.000 alunos, vindos da capital paulista, do interior e de várias regiões do país, compareceram ao intensivão gospel, incluindo o repórter de VEJA SÃO PAULO, que pagou R$ 700,00 pela inscrição e não se identificou como jornalista na ocasião.

O criador e principal instrutor do evento é o religioso Silas Malafaia, presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, que reúne 120 igrejas no Brasil. A entidade começou no Rio de Janeiro, onde mantém até hoje sua base. Está entre as prioridades atuais acelerar a expansão em São Paulo. Aqui, ele planeja abrir templo próprio em 2014 (por enquanto, Malafaia prega semanalmente na Assembleia de Deus do Bom Retiro, de Jabes Alencar) e mais de 250 outros endereços num prazo de dez anos.

No trajeto de 180 quilômetros até Águas de Lindóia, foi possível começar a conhecer melhor o público variado atraído pela Eslavec. Havia pastores formados que encaravam a oportunidade como uma espécie de pós-graduação na área, muitos fiéis interessados em transformar a vocação num trabalho remunerado (Malafaia chega a pagar salários mensais de até R$ 22.000 aos maiores talentos) e alguns curiosos. Quase todos carregavam uma Bíblia na mão durante a viagem. A maioria dos rapazes vestia calça de tergal e camisa social, enquanto as mulheres trajavam saia jeans até a altura do tornozelo. Destoavam apenas uma bolsa Louis Vuitton no braço de uma senhora e um reluzente relógio Gucci no pulso de uma dona de casa, moradora do bairro de Higienópolis.

              Wesley Rebustini, de 28 anos: cinco novas igrejas em 2013
Wesley Rebustini, de 28 anos: cinco novas igrejas em 2013 (Foto:Mario Rodrigues)

No caminho, um grupo se reuniu no fundo do ônibus para discutir assuntos variados. Celebraram a maior presença evangélica na programação da Rede Globo, comentaram o movimento homossexual (“É uma tirania, esse povo quer ter mais direitos que o resto da população”, afirmou um homem) e esconjuraram o Carnaval (“Uma grande tentação para os jovens”, definiu um senhor, sob os olhares de aprovação dos demais). Uma mulher aparentando cerca de 40 anos contou que quase perdera a oportunidade de estar ali devido a um acidente no qual rompeu o ligamento do pé direito. “Entrei no Google para aprender alguns exercícios de fisioterapia, ungi a região e agora estou nova”, explicou. O percurso de quase três horas ocorreu num clima de tranquilidade, quebrado apenas numa ocasião pelo grito de uma passageira. “Onde está o repelente, Senhor?”, dizia ela, incomodada com os mosquitos zunindo sobre sua cabeça. “Misericórdia, meu Jesus!”, bufava, enquanto desferia golpes no ar com um travesseiro.

Em Águas de Lindóia, essa turma e as demais foram divididas em dezesseis hotéis do município reservados exclusivamente aos evangélicos. No Casablanca, que hospedou o repórter de VEJA SÃO PAULO, com diárias a partir de R$ 208,00 fora do período do evento, o quarto era partilhado com outros três participantes, todos eles pastores (um de Mato Grosso do Sul, outro do Maranhão e o último do Pará). No frigobar, havia apenas água mineral e refrigerantes. Por ordem dos responsáveis pela Eslavec, bebidas alcoólicas são proibidas durante os dias do curso. Os organizadores investiram R$ 4 milhões para realizar o evento e distribuíram, de graça, 3.000 matrículas num sorteio promovido pelo site da igreja de Malafaia. Uma das contempladas, a paulistana Sarah Leitão, de 21 anos, diz ter recebido um chamado de Deus para ser pastora. “Minha hora vai chegar”, confiava ela.

              Sarah Leitão, de 21 anos: “recebi um chamado de Deus para ser pastora”
Sarah Leitão, de 21 anos: “recebi um chamado de Deus para ser pastora” (Foto:Mario Rodrigues)

A apresentação de Malafaia abriu as atividades, realizadas num centro de convenções. Quando ele surgiu no palco, muitos levantaram seus smartphones e tablets para fazer fotos e vídeos. Malafaia concentrou sua fala nas qualidades essenciais a um bom líder. Entre elas, está a de sempre honrar o pacto de fidelidade à sua igreja de origem, numa alusão clara aos que deixam os templos levando junto parte do rebanho e do respectivo dízimo. “Temos de respeitar quem nos tirou a fralda no Evangelho”, afirmou, ganhando aplausos do público. Antes de cada palestra, uma espécie de supermercado da fé tomava conta do local, com anúncios de descontos em livros, DVDs e CDs evangélicos. “Você compra com cheques para trinta ou sessenta dias, revende ao pessoal da sua igreja e ainda ganha um cascalho”, sugeriu Malafaia.

Outros colegas deram prosseguimento aos trabalhos, enfatizando sempre as regras do ofício que consideram sagradas. Quando um pregador for designado para uma cidade distante da sua, por exemplo, deverá sempre comprar um imóvel para estabelecer raízes e não se sentir um exilado. “A população local vê essa atitude com bons olhos”, disse o pastor Silmar Coelho. Adultério e prática homossexual são pecados imperdoáveis. Para deixar claro quanto a família é importante, a mulher do religioso deve estar sempre presente nas atividades e orações. “Ajuda a não dar margem a fofocas”, justificou Coelho, usando em seguida um exemplo pessoal para reforçar esse ponto de vista. “Quando minha esposa estava grávida, chegou a acompanhar meu culto, mesmo sofrendo graves dores nas costas”, relatou. Mais aplausos da plateia.

Num cercadinho onde só entravam convidados da organização, havia uma área vip para alguns estudantes, ocupada por pessoas como Sarah Sheeva, uma das filhas do casal de cantores Baby do Brasil e Pepeu Gomes. “Fui ungida pastora adjunta da minha igreja no Rio, a Celular Internacional, então não ganho salário e vivo da venda dos meus livros”, afirmou. As obras em questão são de literatura gospel — Onde Foi que Eu Errei, sobre a aflição dos pais que se perguntam por que os filhos foram para o caminho errado, e Defraudação Emocional, título de autoajuda para evitar tropeços na vida sentimental.

              Sarah Sheeva: integrante da plateia vip
Sarah Sheeva: integrante da plateia vip (Foto: Mario Rodrigues)

Outra grande estrela da Eslavec foi o americano T.D. Jakes, da Potter’s House, de Dallas, uma das maiores igrejas evangélicas dos Estados Unidos. Em seu currículo, constam feitos como a realização do discurso de despedida no funeral da cantora Whitney Houston, em fevereiro de 2012. “Ele cobra US$ 300.000 por palestra, mas para mim fez por US$ 60.000”, contou Malafaia. A cada fala do americano, um negro forte e alto, o pastor Gidalti Alencar, baixo e mirrado, traduzia sua fala remedando seus gestos com as mãos. “Os jovens estão com a força e devem assumir a vocação que Deus lhes deu, conquistando fiéis com a palavra do Senhor”, pregou o bispo de Dallas. Numa de suas aulas, pediu aos alunos entre 18 e 25 anos que entoassem uma oração à meia-noite daquele dia. Aplicados, os aprendizes promoveram rezas, gritos e cantorias no horário combinado, fazendo com que os hotéis onde estavam hospedados tivessem um clima de rave de Jesus.

Nos últimos anos, os evangélicos vêm crescendo rapidamente no país. Só na cidade de São Paulo, os adeptos passaram de 1,6 milhão de pessoas, em 2000, para 2,5 milhões, em 2010, representando hoje 22% da população da metrópole. Com mais rebanho para cuidar, aumentou também a necessidade de acelerar a formação dos pastores. O evento da Eslavec é um exemplo do atual grau de profissionalização do negócio. “Temos muitos pastores em ação, mas poucos são verdadeiramente qualificados”, afirmou Malafaia.

Na capital, atuam aproximadamente 30.000 líderes da religião, segundo estimativa do Sindicato dos Ministros de Cultos Religiosos Evangélicos e Trabalhadores Assemelhados do Estado de São Paulo. Criada em 1999, a entidade surgiu com o objetivo de garantir os direitos trabalhistas da categoria. “Para não aumentarem seus custos, alguns donos de igrejas não remuneravam de forma adequada, e a Justiça demorou a aceitar que essa era uma profissão como as outras, com direitos e deveres da parte do empregador e do empregado”, explica José Lauro Coutinho, pastor da Assembleia de Deus e fundador do sindicato. Segundo seus cálculos, cerca de cinquenta evangelizadores moveram ações nos últimos dez anos cobrando dívidas e pedindo indenizações.

              Valdemiro Santiago: parte do dízimo engorda a renda dos funcionários
Valdemiro Santiago: parte do dízimo engorda a renda dos funcionários (Foto: Hélio Hilarião/Folhapress)

Atualmente, de modo geral, a política das principais igrejas é valorizar a mão de obra, protegendo-a da cobiça das concorrentes. Comuns no meio corporativo, as estratégias para reter talentos e premiar funcionários que cumprem metas de lucros foram incorporadas ao mundo neopentecostal por Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus. Nos anos 90, quando ela passava por um forte processo de expansão, Macedo criou um meio de supervisionar seus encarregados. Eles permaneciam, em média, de um a dois anos em um templo para evitar que saíssem para abrir a própria igreja, levando os fiéis.

■ TEMPLO É DINHEIRO

Os mandamentos para faturar e conquistar fiéis

Inovar nas ofertas

Há múltiplas alternativas para pedir contribuições: para a construção de novos templos, para imprimir livros, para ajudar a gravar um CD ou para pagar uma palestra de um pastor de outro estado. A venda de objetos como fronhas e toalhas figura entre outras fontes de receita. É fundamental ter máquinas para receber ofertas nos cartões de débito e de crédito.

Caprichar no discurso

Frases de efeito, muitas vezes cheias de clichês, são ditas a cada minuto de forma a dar ênfase à mensagem e prender a atenção da plateia. “Não deixar o cavalo morrer na batalha”, “A fofoca é capaz de destruir as bases sociais” e “Morar com a sogra é ruim porque se dá um incesto emocional” são alguns exemplos. Fechar os olhos enquanto se prega dá ares ainda mais dramáticos.

Ter dons artísticos

Chorar, soltar o gogó como se cantasse numa ópera e pular de um lado para o outro. O púlpito, muitas vezes decorado com telões de LED, vira um palco, onde o pastor faz um monólogo. Daí ser fundamental dominar técnicas teatrais, como saber dar ênfase exata a determinadas palavras e mexer os braços de forma a projetar uma imagem de profeta. O visual deve sempre estar alinhado.

              Sonia e Estevam Hernandes, da Renascer: provas escritas para contratar novos membros
Sonia e Estevam Hernandes, da Renascer: provas escritas para contratar novos membros (Foto:Gilberto Telles)

“Os pastores têm cotas para arrecadar. Uma vez ultrapassada a do mês atual, o valor atingido vira a cota do mês seguinte. É como um banco”, compara Leonildo Silveira Campos, professor de pós-graduação em ciências da religião da Universidade Metodista e autor do livro Teatro, Templo e Mercado: Organização e Marketing de um empreendimento Neopentecostal. Os salários da Universal variam hoje entre R$ 1. 500 e R$ 10.000, mas há cargos mais bem remunerados, como o dos chefes regionais. “Os pastores têm tabelas a ser preenchidas, com os gastos e os ganhos do mês”, acrescenta o especialista.

A disputa por gente qualificada provoca atualmente uma guerra nesse meio. Valdemiro Santiago, da Mundial do Poder de Deus, faz um corpo a corpo para tirar gente dos quadros da Universal e da Internacional da Graça de Deus. “Ele oferece plano de saúde, aluguel da casa e salários maiores”, diz Ricardo Bitun, professor de sociologia e teologia do Mackenzie. O teto salarial da Mundial é de R$ 15.000. “Em alguns casos, ela aumenta a remuneração fixa, concedendo de 8% a 10% da arrecadação das ofertas ao pastor”, afirma Bitun.

              Agenor Duque e a mulher, a bispa Ingrid, da Igreja Apostólica Plenitude do Trono de Deus: projeto de ter emissoras de rádio e TV
Agenor Duque e a mulher, a bispa Ingrid, da Igreja Apostólica Plenitude do Trono de Deus: projeto de ter emissoras de rádio e TV (Foto:Divulgação)

A Renascer, de Estevam e Sonia Hernandes, paga entre R$ 1.500 e R$15.000 aos membros mais graduados. “Para fazer parte da nossa comunidade, é preciso passar por um processo seletivo”, diz a bispa Amanda Baldoni, a responsável pela escola teológica da Renascer (veja ao final do texto algumas questões do vestibular). “Profissional bom, com o dom da palavra e comprometimento com o ministério, precisa ser valorizado”, defende Malafaia, o único entre os grandes líderes a expor a receita de sua igreja: segundo ele, R$ 40 milhões em 2012. “Meus discípulos ganham entre R$ 4.000 e R$ 22.000. Também banco casa e escola para os filhos”, enumera. Mais recentemente, Malafaia estabeleceu que, caso alguém de sua equipe seja aceito em qualquer curso da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, ele financiará integralmente os estudos.

A busca pela prosperidade é estimulada pelas igrejas, e muitos dos fiéis não escondem que vislumbram o ofício como um meio de ascensão social. Entre os estudantes da Eslavec, um caso muito comentado era o de Agenor Duque, fundador da Apostólica Plenitude do Trono de Deus. Em 2006, quando decidiu deixar a Mundial para abrir a própria frente de pregação, ele vendeu seu carro Astra por R$ 25.000. “Precisava comprar tempo em uma rádio”, lembra. Atualmente, aos 36 anos, é dono de cinco templos, sendo um deles localizado em um imóvel na Avenida Celso Garcia, na Zona Leste da capital, pelo qual desembolsou R$ 3,5 milhões. Além disso, tem caixa para bancar espaço diário em três emissoras de rádio e uma de TV. “Gasto R$ 48.000 com esses compromissos”, afirma. O investimento vale a pena. Duque tem sido convidado para aparecer em programas de TV e, no próximo Carnaval, promoverá um evento no estádio do Canindé com a expectativa de receber 30.000 pessoas.

              Edir Macedo: a Universal foi uma das primeiras a investir pesado na qualificação dos seus quadros
Edir Macedo: a Universal foi uma das primeiras a investir pesado na qualificação dos seus quadros (Foto: Rafael Andrade)

Histórias como essa faziam brilhar os olhos de muitos dos presentes nas palestras em Águas de Lindoia. Um dos alunos, Wesley Rebustini, de 28 anos, sonha alto. Seus pais fundaram a Bíblica da Paz há duas décadas. Em 2010, depois de cursar teologia nos Estados Unidos, o rapaz voltou para o Brasil com a missão de tocar os planos de expansão. No ano passado, ele abriu três templos na Grande São Paulo. “Serão outros cinco em 2013”, planeja. Wesley é irmão do cantor gospel Guilherme Rebustini, do elenco da Sony Music, e diz não pagar salários aos seus pastores-funcionários. “Nesse momento, eles podem ter um emprego para se manter e não se dedicam integralmente à nossa causa”, justifica. “Mas isso certamente vai mudar quando crescermos.”



(Foto: Veja São Paulo)

As reportagens acima poderão ser vista em seus originais nos seguintes links:



Que Deus abençoe a todos e abra os olhos de todos para a VERDADE DO EVANGELHO QUE NÃO TEM NADA A VER COM ESSA MERCANTILIZAÇÃO DA FÉ.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.

domingo, 9 de novembro de 2014

FARÃO COMÉRCIO DE VÓS POR AVAREZA — 2 PEDRO 2:3



A entrevista abaixo foi publicada pela Revista História.

Mercados da fé

Ao analisar a trajetória das religiões evangélicas no Brasil, a historiadora Karina Bellotti, da UFPR, afirma que o crescimento do mercado gospel influencia também o consumo atrelado a outras religiões, como a católica

Alice Melo

Neste mês, a Revista de História aborda, em profundidade, a trajetória dos evangélicos no Brasil. Autora de texto que explica a ‘Imagem da capa’ desta edição e fonte da reportagem ‘No ritmo de Jesus’, a historiadora Karina Kosicki Bellotti, professora da UFPR e autora de “Delas é o reino dos céus: mídia evangélica infantil na cultura pós-moderna do Brasil (1950-2000)”, explica o crescimento das religiões evangélicas nas últimas décadas. Em entrevista, a pesquisadora destrincha o surgimento da cultura gospel e indica de que maneira ela está sendo assimilada pela cultura brasileira, em suas múltiplas formas e códigos.

Revista de História da Biblioteca Nacional: Diante do crescimento das igrejas evangélicas nas últimas décadas, poderia explicar as semelhanças e singularidades entre as religiões que vemos hoje?

Karina Bellotti

Karina Bellotti: Observamos um crescimento evangélico, predominantemente pentecostal, desde os anos 1980, mais acentuadamente a partir dos anos 1990.  Uma das principais razões é o empenho de algumas igrejas e de fiéis na evangelização por diferentes maneiras – seja entre seus pares, seja pelos meios de comunicação (uso de rádio, TV, mídia impressa), seja pela estratégia de atração de fiéis em cultos, shows, celebrações, campanhas.

Os chamados protestantes históricos são os luteranos, presbiterianos, metodistas, anglicanos, episcopais, congregacionais – igrejas criadas no século XVI, herdeiras diretas e indiretas da Reforma, e que vieram para o Brasil no século XIX, com imigrantes europeus e missionários norte-americanos. Ao final do século XIX, esse grupo teve algum crescimento na trilha do café e em algumas cidades com núcleos republicanos liberais, que viam nos protestantes uma forma de trazer o progresso – e o embranquecimento – ao Brasil. Foram os primeiros a investir em meios de comunicação para evangelização.

Já os pentecostais surgem de um ramo evangélico americano do início do século XX nos EUA, em cultos que reproduziam o Pentecostes, a passagem bíblica de Atos dos Apóstolos em que o Espírito Santo manifesta-se em forma de glossolalia, dons de cura e profecia, no movimento de avivamento da Rua Azusa, em Los Angeles, em 1906. A partir de 1910 já havia pentecostais no Brasil – primeiro com Luigi Fancescon, fundador da Congregação Cristã no Brasil, e depois em 1911 com Gunnar Vingren e Daniel Berg, fundadores da Assembleia de Deus. Esse pentecostalismo se diversifica principalmente a partir dos anos 1950 e 1960, com o maior uso dos meios de comunicação, até chegarmos ao tal famoso neopentecostalismo, caracterizado pela Teologia da Prosperidade, pela liberalização dos usos e costumes e pela guerra ao diabo, presentes em maior ou menor grau em igrejas como a Universal do Reino de Deus, Renascer em Cristo, Igreja Mundial do Poder de Deus, dentre outras.

E ainda há uma diversidade de igrejas independentes, comunidades cristãs, casas de oração, devido ao caráter fragmentário do protestantismo. As ideias de livre interpretação das Escrituras e do sacerdócio universal dos santos, trazidas por Lutero, retiraram a autoridade da Igreja Católica na devoção e no controle dos rituais, da “comunicação” entre o fiel e a divindade, permitindo que qualquer pessoa pudesse sentir o chamado para servir a Deus – e abrir sua igreja. Esses elementos também são responsáveis pela atuação dos evangélicos – muitos que se convertem querem testemunhar a transformação que Deus fez em suas vidas, fazendo uma “evangelização informal”, no dia a dia – usando inclusive produtos do chamado “mercado evangélico”, camisetas, folhetos, cartões, marca páginas e presentes com mensagens evangelísticas, músicas, dentre várias opções de produtos que existem atualmente.

RHBN: É possível afirmar que há uma identidade evangélica brasileira?

KB: Acho arriscado afirmar que existe uma identidade evangélica brasileira – os historiadores devem procurar as diferenças dentro da diferença, parafraseando Joan Scott. Da mesma forma que não é possível falar de uma identidade católica brasileira, pois há vários catolicismos dentro do catolicismo. O que ocorre é que vivemos desde os anos 1950/1960 um período de competição religiosa, que tem acentuado determinadas tendências, como o carismatismo, além do próprio crescimento do mercado evangélico, que cria determinadas padronizações de produtos para o público evangélico – livros de autoajuda e de vida cristã, música “gospel”, vestuário, e até material escolar – que tem sido consumido por evangélicos das mais diferentes tendências. Porém, há diferenças profundas que precisam ser consideradas.

RHBN: O que diferencia as manifestações culturais evangélicas no Brasil do resto do mundo?

KB:De maneira geral, o protestantismo e o pentecostalismo brasileiro possuem uma forte ligação cultural com matrizes norte-americanas, mesmo que muitas igrejas atuais sejam nacionalizadas há gerações. A cultura evangélica norte-americana, que nunca foi homogênea, transita pelo mercado editorial, pelo mercado fonográfico, pelo circuito de palestras de pastores e pregadores no Brasil, e pela circulação de pastores e lideranças brasileiras por universidades e igrejas americanas. Vejo semelhanças, como o crescente investimento em estratégias empresariais de gestão de igrejas e de formação de lideranças; mas também vejo diferenças, como o maior crescimento pentecostal no Brasil – algo que nunca ocorreu de forma significativa dos Estados Unidos.

Nos Estados Unidos, a chamada “Igreja Eletrônica” era uma entidade autônoma – existem ministérios de comunicação em que uma liderança vive de seu trabalho na mídia, em diversos meios. Já no Brasil, a comunicação é tanto usada para atrair pessoas para as igrejas, como também é a missão, o ministério de alguns evangélicos. Porém, é marcante o fato de o protestantismo sempre ter sido uma religião “de minoria”, vista por boa parte da sociedade brasileira como culturalmente estranha ao cenário afro-católico-espírita; é com essa realidade que os protestantes no Brasil sempre dialogaram, enquanto que nos Estados Unidos o protestantismo é a religião eleita como parte integrante da identidade nacional.

Carla Ribas, apresentadora de programa de TV da Assembleia de Deus / Acervo: Centro de Estudos do Movimento Pentecostal

RHBN: Com a fragmentação de identidades na sociedade atual, o que entendemos por cultura brasileira está mudando. Neste movimento, o que ela estaria incorporando destas religiões que tradicionalmente não fazem parte da 'matriz religiosa' brasileira? E o contrário?

KB:Não acredito que exista uma só cultura brasileira – existem práticas e crenças mais identificáveis com a nossa história, mas não há como falar em algo genuíno deste ou daquele lugar, como se não houvesse um mínimo de hibridismo. Porém, para dar um exemplo bem conhecido, o caso das sessões de descarrego da Igreja Universal são uma forma de hibridismo de uma prática não muito comum do cristianismo – o exorcismo, a expulsão de demônios – e o descarrego feito na umbanda, mas com um outro sentido. Na Universal, espíritos conhecidos na umbanda e no candomblé são demonizados - coisa que não ocorre nas religiões afro – e são exorcizados como forma de limpeza e libertação espiritual.

Sobre a via contrária: a questão da influência do protestantismo na cultura brasileira é uma preocupação de lideranças e até de intelectuais do meio. A atuação das igrejas chamadas “neopentecostais” têm mudado a dinâmica religiosa no Brasil, imprimindo uma competitividade que mobilizou a Igreja Católica a investir mais ostensivamente na evangelização e nos meios de comunicação, além da maior presença do carismatismo tanto no pentecostalismo como na Renovação Carismática Católica. Em algumas emissoras católicas, por exemplo, vemos a venda de produtos abençoados, livros, vídeos e CDs e DVDs, tal como em alguns programas evangélicos. O crescimento evangélico tem diminuído o número de terreiros em alguns lugares do Brasil, pela conversão de muitas mães e pais de santo. E também vemos uma pentecostalização do campo evangélico, com a incorporação de dons de cura e profecia, e até descarrego e cultos de libertação e ideias de prosperidade em igrejas que historicamente não o faziam, como algumas Assembleias de Deus. Agora, se isso trará uma mudança em termos de “ética protestante” – se é que podemos pensar dessa forma -, não vejo como medir em termos nacionais.

RHBN: Num tempo em que a felicidade é vendida como objeto de consumo, por que uma 'mercantilização da fé' é tão mal vista pela parte não-crente da sociedade?

KB: Porque no Brasil a religião sempre teve uma relação mais dissimulada com o dinheiro. Durante a Colônia e o Império, o catolicismo era a religião oficial, não necessitando do sustento direto dos fiéis, pois também contavam com recursos externos. Já as igrejas protestantes sempre foram autônomas e dependeram dos seus próprios recursos, incluindo o dízimo – que também faz parte das práticas católicas. Isso é um ponto – a ideia de que religião e dinheiro não se misturariam, um macularia o outro.

Quem de fato introduz um mercado de produtos cristãos são os evangélicos, inspirados no modelo americano, a partir dos anos 1980. Antes disso, a mídia impressa foi a maior produtora de bens culturais religiosos consumidos. Além disso, um incipiente mercado fonográfico surge a partir dos anos 1960 e 1970, desenvolvendo-se em gigantes como a MK, a Line Records, e até selos cristãos em gravadoras seculares, como a Som Livre e a Sony Music.

Outro elemento que surge e circula pelos meios de comunicação é a chamada “Nova Era”, um conjunto de práticas e crenças que alia tradições orientais e ocidentais, esoterismo e misticismo, e que se difunde por livrarias, oficinas, cursos, programas de TV e rádio, vídeos, apontando para uma religiosidade mais fluida e individualizada. Mas, quando os produtos em questão são vistos de alguma forma como “portadores de cultura”, parecem não carregar uma aparência de “mercadoria”. Agora, o outro lado do conceito de “mercantilização da fé” estaria na venda de bens religiosos, de promessas de salvação ou de libertação de males físicos, emocionais, ou de carências materiais, disponíveis pela lógica da Teologia da Prosperidade, em que o fiel deve dar uma oferta em dinheiro em troca deste bem. Pois bem, isso também ocorre nas religiões afro – vemos aqui a ideia da troca do fiel com a divindade, para receber um benefício na terra.

Por isso, é importante que os historiadores que estudam religiões no tempo presente possam problematizar esses preconceitos e sensos comuns sobre as religiões no geral, pois há uma grande diversidade de práticas e crenças, atendendo a diferentes necessidades, sentimentos e vontades, e que se transformam ao longo do tempo e no contato diário entre crentes, e não-crentes. Saber olhar para o que é dinâmico é tão importante quanto reconhecer as permanências dentro dos fenômenos religiosos.

O artigo original da revista História poderá ser visto por meio desse link aqui:


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.