Mostrando postagens com marcador Reza Aslan. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Reza Aslan. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

LIVRO SOBRE JESUS NEGA SUA DIVINDADE E O TRANSFORMA NUM CHE GUEVARA


Jesus expulsa os vendilhões do templo

Em outro artigo cujo link pode ser visto mais abaixo, tivemos a oportunidade de publicar e criticar uma entrevista concedida pelo teólogo e historiado Reza Aslan. Em sua entrevista Reza Aslan repete velhos argumentos, alguns com mais de 200 anos como se fossem os tópicos mais excitantes acerca da pessoa e da vida e morte de Jesus. Como deixamos provado, suas afirmações antigas, têm sido refutadas por cristãos durante os últimos dois séculos e meio.

Ver a entrevista de Reza Aslan por meio desse link aqui:



Hoje queremos dar continuidade a esse assunto publicando uma matéria também produzida pela Revista ÉPOCA da autoria de Rodrigo Turrer na qual ele faz uma crítica literária ao livro de Reza Aslan, além de nos contar um pouco da trajetória do mesmo, especialmente nos Estados Unidos da América.

A volta do Jesus revolucionário

AGITADOR Jesus expulsa os vendilhões do templo. Um novo livro diz que ele não defendia a paz, mas a espada (Foto: Rischgitz/Getty Images)


Um novo livro afirma que o Jesus pacifista foi uma invenção dos evangelistas e sugere que, na vida real, ele foi mais um Che Guevara que uma Madre Teresa de Calcutá
Por RODRIGO TURRER

Livros sobre Jesus são garantia de polêmica e publicidade. Tornaram-se uma mina de ouro editorial e um fecundo filão acadêmico. Todo ano publicam-se dezenas de obras e estudos que tentam iluminar algum aspecto da vida de Jesus. Nas listas de mais vendidos, sucedem-se os livros com “revelações” sobre o pai do cristianismo. O mais novo best-seller é Zealot: the life and times of Jesus of Nazareth (Zelote: a vida e os tempos de Jesus de Nazaré), do iraniano Reza Aslan, um estudioso de religiões e professor de escrita criativa na Universidade da Califórnia. O livro, lançado há um mês nos Estados Unidos, lidera há três semanas a lista de mais vendidos do The New York Times e da Amazon. Desbancou até recordistas de vendas como a britânica J.K.Rowling.

Aslan e seu livro ascenderam aos céus do mercado editorial depois de uma polêmica entrevista na rede de televisão americana Fox News, com grande audiência entre os cristãos fundamentalistas dos Estados Unidos. Na entrevista de quase dez minutos, a âncora Laura Green questionou duramente Aslan. Perguntou sucessivamente a ele se tinha direito, por ser muçulmano, de escrever um livro sobre Jesus. Diante do preconceito da inquisidora, Aslan argumentou que escreveu o livro como acadêmico com doutorado e especializações em história das religiões e 20 anos de estudo das origens do cristianismo. O quiproquó contribuiu para as vendas aumentarem quase 50%.

Eis a tese defendida por Aslan no livro: Jesus, ao contrário do que prega a Igreja Católica, não foi um pacifista que, diante da violência, “oferecia a outra face” e amava os inimigos. Segundo Aslan, Jesus foi um revolucionário, cujo objetivo principal era expulsar os romanos da Judeia, criar um reino de Deus na Terra e assumir seu trono. Ele recupera com novas cores uma antiga versão de cristianismo – em voga nos anos 1960 graças à Teologia da Libertação, que misturava cristianismo com marxismo. Era um Jesus mais para Che Guevara do que para Madre Teresa de Calcutá. “Ele era um zelote revolucionário, que atravessou a Galileia reunindo um exército de discípulos para fazer chover a ira de Deus sobre os ricos, os fortes e os poderosos”, escreve Aslan no começo de seu livro. Zelote é uma palavra derivada do aramaico. Significa “Alguém que zela pelo nome de Deus”. Outra possível tradução para o termo é fervoroso, ou mesmo fanático. Sua origem está ligada ao movimento político judaico que defendia a rebelião do povo da Judeia contra o Império Romano. Os zelotes pretendiam expulsar os romanos pela força.

Segundo Aslan, Jesus compartilhava algumas das ideias igualitárias dos zelotes e, assim que se estabeleceu numa vila de pescadores em Cafarnaum, começou a procurar seus discípulos “entre aqueles que se viram lançados à margem da sociedade, cujas vidas tinham sido interrompidas pelas mudanças sociais e econômicas que ocorriam por toda a Galileia”. Na interpretação de Aslan, entre seus discípulos recolhidos nas franjas da sociedade da época, Jesus, como muitos revolucionários, tornou-se amado não apenas por seus ensinamentos, mas pelo carisma. “Ele era visto como alguém com autoridade, mas, ao contrário dos escribas inacessíveis e dos sacerdotes ricos, parecia um homem do povo, uma dádiva de Deus.”

Em Zealot, o ponto central da vida de Jesus não é seu nascimento nem sua Ressurreição, mas o Domingo de Ramos, um acontecimento mencionado nos quatro Evangelhos canônicos (Marcos, Mateus, Lucas e João). Nesse episódio, Jesus entra em Jerusalém de forma triunfal, montado num jumento. O povo comemora sua entrada sob gritos de Hosana, canta partes de um salmo e jogam ramos de árvores à sua frente. “Mais do que qualquer outra palavra ou ação, sua entrada em Jerusalém ajuda a revelar quem era Jesus e o que ele quis dizer”, diz Aslan. “Um camponês analfabeto entra em Jerusalém e é o tão aguardado Messias – o verdadeiro rei dos judeus –, que veio para libertá-los da escravidão.”

POLÊMICA Reza Aslan (acima). Ao lado, ele discute com a âncora da Fox News, Laura Green. Ela achou estranho que ele, por ser muçulmano, escrevesse um livro sobre Jesus (Foto: Bret Hartman/For The Washington/Getty Images e reprodução)

A prova de que Jesus pretendia livrar os judeus do jugo romano pelas armas está, segundo Aslan, na passagem do Evangelho de Mateus em que Jesus diz a seus apóstolos: “Não penseis que vim trazer paz à Terra; não vim trazer paz, mas a espada”. Ao dizer isso, Jesus demonstra ser um “adorador do sangrento Deus de Abraão, Moisés, Jacó e Josué”. Logo, Jesus passa das palavras à ação. Ao chegar ao Templo de Jerusalém, para a Páscoa Judaica, se enfurece com a visão de centenas de pessoas vendendo, comprando e trocando moedas no local sagrado. Com um chicote na mão, Jesus expulsa os que ali vendiam e compravam, derruba as mesas dos cambistas e acusa os comerciantes de profanar o local de culto e de mercantilizar a fé.

Para Aslan, o episódio revela todos os “segredos messiânicos” de Jesus. “Atacar o comércio do templo era uma ofensa semelhante a atacar a nobreza clerical, o que, considerando a emaranhada relação do templo com Roma, era o mesmo que atacar o próprio Império”, escreve. Com esse gesto, Jesus diz, no entender de Aslan, que a terra sagrada não pertencia a Roma, mas a Deus, e era hora de César devolvê-la ao verdadeiro rei dos judeus – ele mesmo. Diante disso, afirma Aslan, Jesus se torna um personagem “tão radical, tão perigoso, tão revolucionário que a única resposta concebível para Roma seria prendê-lo e executá-lo por insurreição”. Como era o mais grave dos crimes contra o Império Romano, a punição foi também a mais severa: a crucificação.

Se Jesus foi de fato um revolucionário, como se deu sua conversão num pacifista humilde, que ensina a amar a todos, até ao inimigo? Foi, diz Aslan, obra dos Evangelhos canônicos e das epístolas de Paulo de Tarso, escritas depois da crucificação, no período em que a perseguição aos judeus e aos primeiros cristãos se intensificou. Receosos de ser vistos como insurgentes, os primeiros seguidores do cristianismo quiseram se afastar do fervor revolucionário de Jesus. “Assim começou o longo processo de transformar Jesus de um revolucionário nacionalista judeu num líder espiritual desinteressado de questões terrenas”, diz Aslan. Como judeu, Jesus se rebelaria contra qualquer noção de que Deus pudesse encarnar num humano. Por isso, a ascensão de Jesus a divindade surgiu quase 30 anos após a crucificação, pelas mãos de “judeus cristãos” que, na tentativa de evitar as perseguições do Império, “transformaram o Jesus revolucionário num semideus romanizado”. Foi dessa maneira que Paulo criou a religião universal, sem distinção entre as pessoas, que três séculos depois conquistou o Império Romano e se espalhou pelo mundo.

JESUS EM ARMAS Um grafite na Venezuela mostra Jesus com um fuzil.  Ele virou símbolo revolucionário (Foto: Miguel Gutierrez/AFP)

As teses de Aslan reacenderam uma acalorada discussão acadêmica acerca de Jesus. Há décadas, duas vertentes do estudo de sua vida se digladiam. Uma delas tenta desvendar o “Jesus histórico”: quem foi Jesus de Nazaré, antes de ele se transformar no Filho de Deus, cultuado pelos cristãos. A outra está mais interessada no “Cristo da fé”, o Jesus da religião. A busca pelo Jesus da história, desvinculado da divindade, começou com o alemão Herman Samuel Reimarus (1694-1768). Ele foi o primeiro de uma série de escritores a condenar os dogmas religiosos que, na sua visão, embaçavam a compreensão do cristianismo.

Apesar dos esforços de teólogos e filósofos, a primeira busca foi em vão: pouco se revelou sobre o Jesus histórico. No século XX, os teólogos alemães Martin Dibelius e Rudolf Bultmann começaram uma segunda busca. Definiram critérios objetivos para separar o que era histórico do que não era nos relatos bíblicos. A ideia era encontrar o real Jesus, despindo-o dos mitos a ele acoplados por seus discípulos nos Evangelhos. Para muitos, porém, a segunda leva de pesquisas continuou a revelar mais sobre os pesquisadores do que sobre Jesus.

A terceira onda de busca do Jesus histórico ressurgiu com intensidade no começo do nosso século, com livros, filmes e programas de TV. Ela está baseada em métodos históricos e racionais, incluindo a análise crítica dos Evangelhos, a pesquisa arqueológica e o estudo do contexto histórico e cultural em que Jesus viveu. Como a busca pelo Jesus histórico se atém ao racionalismo e nega a existência dos milagres, ela costuma ser rechaçada pelos defensores do Cristo da fé. As críticas vêm tanto de teólogos ligados à tradição dos Evangelhos, defensores dos milagres como sustentáculo do cristianismo, como dos filósofos que rejeitam o materialismo e a ideia de que tudo na existência pode ser descrito pelas ciências naturais.

Ao reavivar as teses do Jesus revolucionário, Aslan conseguiu um feito: foi criticado por ambas as vertentes. “Aslan usou demais suas habilidades de professor de escrita criativa e ignorou seus estudos históricos”, afirma Stephen Prothero, professor de história do cristianismo na Universidade de Boston. “O livro de Aslan é uma litania de erros, todos causados pelo fato de ele aceitar premissas que não existiam para reforçar suas teses.” De fato, sobram certezas definitivas no livro de Aslan, que passa ao largo de quase todas as infindáveis controvérsias a respeito da vida de Jesus. Teria ele nascido em Belém? Aslan garante que ele nasceu em Nazaré. Por que Jesus saiu de Nazaré e foi para a Judeia pela primeira vez? Aslan deixa nas entrelinhas que era para se juntar aos zelotes revolucionários. Jesus era um profeta inovador e único? Aslan afirma que nos tempos de Jesus havia um candidato a Messias em cada figueira e oliveira da antiga Palestina. Quem eram os evangelistas? Para Aslan, eram seguidores de Jesus que se reuniram em comunidades a partir do ano 70 d.C.

De onde vêm todas as certezas de Aslan? Das mesmas fontes que ele critica. “Aslan diz que os Evangelhos não são uma fonte confiável, mas se lambuza neles quando quer reforçar suas teses de um Cristo revolucionário”, afirma o teólogo Martin Goodman, professor de história romana em Oxford. “O problema não é ele ser muçulmano ou ser iraniano. O problema é que ele usa uma tese ultrapassada e desacreditada como se fosse uma verdade absoluta.” A entrevista na Fox News provou, portanto, ter sido muito útil para Aslan. Ele escreve de modo fluente e coloquial sobre complexas discussões acadêmicas e transforma densos emaranhados filosóficos em narrativas emocionantes. Mas seu livro apenas prova como é difícil cingir a compreensão do cristianismo à história de um personagem de traços tão fugidios como Jesus.

A reportagem original de revista ÉPOCA poderá ser vista por meio desse link aqui:


NOSSOS COMENTÁRIOS

1. Como no artigo anterior, ver link no início desse artigo, Reza Aslan dá prosseguimento à sua fértil imaginação e prova que nunca leu os evangelhos com atenção suficiente para produzir um texto que valha à pena, pelo menos ser lido e levado em consideração.

2. Quando Reza Aslan chama Jesus de “semi-deus romanos”, de “revolucionário” e até mesmo de “Analfabeto” demonstra sua ignorância quanto ao texto bíblico e seu terrível preconceito contra o Deus que se fez carne.

3. Alguns de seus críticos disseram bem de como devemos considerar o livro de Reza Aslan:

a. “Aslan usou demais suas habilidades de professor de escrita criativa e ignorou seus estudos históricos”, afirma Stephen Prothero, professor de história do cristianismo na Universidade de Boston. “O livro de Aslan é uma litania de erros, todos causados pelo fato de ele aceitar premissas que não existiam para reforçar suas teses.”

b. Quando quer reforçar suas teses de um Cristo revolucionário”, afirma o teólogo Martin Goodman, professor de história romana em Oxford. “O problema não é ele ser muçulmano ou ser iraniano. O problema é que ele usa uma tese ultrapassada e desacreditada como se fosse uma verdade absoluta.”

Conforme bem notado pelo autor do artigo, essas especulações acerca de Jesus tiveram início com Reimarus no século XVIII e de lá para cá evoluíram à custa de padrões e limites que homens impuseram aos textos sagrados que, por enquanto, continuam soberanos.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

REZA ALAN: UM HISTORIADOR QUE NÃO SE BASEIA NA HISTÓRIA


 
POLÊMICO: Para ele, Jesus era um revolucionário.

A cada período de meses nós vemos surgir no horizonte um livro sobre Jesus. Normalmente esses livros dizem basicamente as mesmas coisas desde os primeiros que foram publicados nos séculos XVIII e XIX. A premissa básica é negar que Jesus é Deus, mas infelizmente para todos eles, não existe nem mesmo um fiapo em que possam se segurar para ter suas opiniões confirmadas. Todavia, os livros vendem bem. Isso é verdade.

Nosso personagem dessa vez é o historiador, que não aceita certos materiais históricos, mas adora matérias espúrios, desde que os mesmos confirmem sua tola teoria. Reza Aslam é teólogo e historiador e seus comentários são muito semelhantes aos do mestre Gamaliel. Bata ler a entrevista que Reza Aslan concedeu à revista ÉPOCA abaixo e depois ler nosso artigo acerca do tal “sábio” conselho de Gamaliel por meio desse link aqui:


Segue o texto da ÉPOCA

Reza Aslan: "Jesus era como os outros messias"

Autor de um polêmico livro sobre a vida de Jesus Cristo, o americano Reza Aslan afirma que o filho de Maria foi o maior revolucionário de todos os tempos

Por RODRIGO TURRER

O historiador iraniano-americano Reza Aslan ficou mundialmente famoso após bater boca com Lauren Green, âncora da emissora americana Fox News, em julho deste ano. Ele fora convidado a falar sobre seu livro Zelota – A vida e a época de Jesus de Nazaré (308 páginas, Zahar editora, R$ 36), um polêmico ensaio em que afirma que Jesus foi um revolucionário. Aslan teve de explicar por que um muçulmano como ele escrevera sobre Cristo. Há mais de 20 anos, ele se dedica à pesquisa de religiões, com foco na vida de Jesus. “Entendo de onde a Fox News e Lauren Green vieram”, afirmou Aslan a ÉPOCA. “Há um sentimento antimuçulmano em níveis sem precedentes nos Estados Unidos.”

ÉPOCA – O senhor defende em seu livro uma tese polêmica: o Jesus histórico foi um revolucionário. O senhor acredita que Jesus estava mais para Che Guevara que para Ghandi?

Reza Aslan – Jesus foi o maior revolucionário de todos os tempos. As pessoas têm dificuldade de compreender isso porque veem o Cristo da religião com o olhar do nosso tempo. No tempo de Jesus, não havia separação entre política e religião. Ambas eram a mesma coisa. É incorreto dizer que Jesus era só um líder espiritual ou só um líder político. Ele era os dois. Toda e qualquer palavra proferida por Jesus tinha implicações políticas, por mais espirituais que fossem. Nesse livro, tento tirar as camadas de teologia, misologia, lenda e doutrina que se sobrepuseram ao Jesus histórico. Quis compreender o mundo em que Jesus viveu. Meu livro é sobre as implicações das palavras de Jesus em seu mundo, em seu tempo. É também sobre as diferenças entre Jesus de Nazaré e o Cristo da fé, criado pelos Evangelhos e pela Igreja.

ÉPOCA – Qual a diferença entre o Cristo histórico e o da fé?

Aslan – O Jesus da história era um judeu pregando o judaísmo para outros judeus. O Cristo da fé, aquele que lemos nos Evangelhos e na teologia cristã, é alguém divorciado do judaísmo, alguém pregando uma nova fé, uma nova religião. Jesus proclamava-se o messias, mas, quando dizia isso, se referia ao messias do judaísmo. Se Jesus de fato pensasse ser o Deus encarnado, teria sido o primeiro judeu da história a pensar assim. Porque o conceito de um homem divino viola 5 mil anos de história, tradição e religião judaicas. Isso quer dizer que é impossível que Jesus se considerasse um Deus encarnado? Não. Só não é plausível. Sobram duas opções: Jesus nunca disse isso e era como todas as outras centenas de messias de seu tempo. Ou então Jesus acreditava nisso e era absolutamente único, diferente de todos os judeus que vieram antes ou depois dele. Como historiador, acredito que Jesus era como todos os outros messias de seu tempo e nunca disse ser o Deus encarnado do Novo Testamento.

ÉPOCA – E por que Jesus inspirou tantos a segui-lo?

Aslan – Isso tem menos a ver com espiritualidade e mais com os ensinamentos de Jesus. São ensinamentos únicos e extraordinários. Jesus teve uma visão de uma nova ordem mundial, em que ricos e pobres trocariam de lugar. Os primeiros se tornariam os últimos, e os últimos se tornariam os primeiros. O apelo dessa mensagem depois da morte de Jesus se perpetuou menos pelo que Jesus disse ou fez e mais pelo que seus discípulos escreveram e disseram sobre ele.

ÉPOCA – Então a mensagem de Cristo foi reinventada?

Aslan – Os seguidores de Jesus, os homens que escreveram os Evangelhos anos ou décadas depois de sua morte, tentaram esconder ou amenizar o aspecto político da vida de Jesus. Primeiro, porque Jesus falhou em sua missão. O que sabemos de fato sobre Jesus? Que ele era judeu, que começou um movimento judaico no século I e, como resultado desse movimento, foi condenado à morte na cruz por crimes contra o Estado (Roma). As ambições políticas de Jesus falharam. A definição de messias, no tempo de Jesus, era um descendente do rei Davi, que restabeleceria o Reino de Davi na Terra. Se você diz ser um messias e morre sem restabelecer o Reino de Davi, você não é um messias. Todos os outros messias, e foram centenas, prometeram restabelecer o reino de Davi. Foram tão bem-sucedidos quanto Jesus. Nenhum cumpriu a promessa, e todos foram chamados de falsos messias. A diferença é que os seguidores de Jesus tentaram dar sentido a sua falha, mudaram o significado de messias, o deixaram menos judeu, mais espiritual. Quando fizeram isso, o tornaram mais atraente para os não judeus.

ÉPOCA – De que forma?

Aslan – Jesus foi condenado à crucificação por crimes contra o Estado. Roma reservava a crucificação a crimes contra o Estado. Como convencer Roma a aceitar um movimento de um homem que pretendia tirar Roma do poder? Basta dizer que o reino prometido por Jesus não era o terreno, mas sim o divino, que Jesus não tinha ambições políticas, não ameaçava o Império Romano. Assim, você diz que é possível ser cristão sem ser uma ameaça ao Estado. Todas essas mensagens foram incorporadas ao cristianismo e ajudaram em sua expansão. Décadas depois da morte de Jesus, os seguidores não judeus de Cristo superaram os seguidores judeus. Cem anos depois, não havia quase ligação alguma entre cristianismo e judaísmo. E, pelos últimos 2 mil anos, o cristianismo tem sido uma religião que confortavelmente se casa com o Estado. Como faz isso? Proclamando que não tem interesse em governar este mundo, não se apega às coisas terrenas.
"Os Evangelhos não são história, não são fato. São argumentos teológicos"

ÉPOCA – As críticas mais contundentes a seu livro dizem que o senhor usou as fontes de pesquisa 
que melhor se adaptavam a suas teses e descartou as demais. Qual foi seu critério?

Aslan – Essa é uma crítica feita por não especialistas. Os leigos olham para os Evangelhos e acham que tudo o que está escrito em Mateus, Marcos, Lucas e João é igualmente válido. Isso é absurdo. Há 200 anos definiu-se uma metodologia de estudo para saber o que é confiável do ponto de vista histórico nos Evangelhos. Para o leigo, parece que escolho apenas o que me interessa. Mas fui metódico. Não usei os Evangelhos de João como fonte de pesquisa, porque ele são tardios, escritos quase um século depois da morte de Jesus. Usei apenas o Evangelho de Marcos, visto universalmente como o mais preciso historicamente. Os Evangelhos não são história, não são fato. São argumentos teológicos. Minhas fontes foram os documentos históricos sobre o tempo em que Jesus viveu e partes comprováveis dos Evangelhos. Rejeito as histórias da natividade, a fuga da família de Jesus para o Egito e outros acontecimentos imprecisos. Tais histórias são lendas e mitos.

ÉPOCA – Sua entrevista na Fox News se espalhou pela internet. O que o senhor pensou quando Lauren Green perguntou sobre um muçulmano escrever sobre Jesus?

Aslan – Fiquei surpreso, mas depois entendi. Você pode falar o que quiser sobre democracia e liberdade nos Estados Unidos, mas, neste momento, há um sentimento antimuçulmano em níveis sem precedentes na história do país. Em nenhum lugar isso é mais óbvio que na Fox News. É uma emissora que alimenta o medo como receita de sucesso. Mas é apenas reflexo do que milhões de americanos pensam. Entendo de onde a Fox News e Lauren Green vieram. Existem milhões de pessoas que não conseguem compreender que a religião é um estudo acadêmico. São pessoas que confundem o estudo da religião com a fé individual. Religião também é uma disciplina acadêmica. Uma disciplina em que muçulmanos escrevem sobre hindus, hindus escrevem sobre cristãos e cristãos escrevem sobre judeus. Isso é totalmente normal. Somos historiadores.

ÉPOCA – Como muçulmano e iraniano criado nos EUA, como o senhor encara as tentativas de negociação entre Estados Unidos e Irã?

Aslan – Sou otimista. Acredito que estamos próximos de um acordo. Isso pavimentará uma solução diplomática sobre o programa nuclear iraniano. O problema não é o Irã. Lá, a decisão caberá ao aiatolá Ali Khamenei, e ele autorizou o presidente Hassan Rouhani a negociar. Meu temor é em relação ao Congresso dos Estados Unidos, que terá de aprovar um acordo. Se você conhece um pouco do Congresso americano, sabe que ele é disfuncional, um enorme desperdício de espaço. Os congressistas só se interessam em ser reeleitos, não ligam para o bem-estar do país. Querem apenas voltar ao Colorado e ao Tennessee e poder dizer: fui duro com o Irã, combati o terrorismo.
(Esta entrevista foi feita antes do anúncio do acordo entre Irã, Estados Unidos e cinco potências e publicada na edição de ÉPOCA que foi às bancas no dia 23 de novembro.)

ÉPOCA – A Síria é um dos poucos aliados do Irã no Oriente Médio. Uma vitória de Bashar al-Assad será positiva para o Irã?

Aslan – Assad já ganhou a guerra. Está claro como o dia que Assad não apenas continuará no poder, como sairá dessa guerra civil sem sequer negociar com os rebeldes. Cada dia a oposição está mais fraturada, e não existe uma solução política para isso. O mais deprimente é que isso tenha acontecido logo depois do uso de armas químicas contra os sírios. Assad queria assustar os rebeldes e testar a paciência da comunidade internacional, mas conseguiu um acordo vantajoso, que praticamente assegura sua vitória na guerra civil. A comunidade internacional meteu os pés pelas mãos, demorou a agir, negociou com o ditador, armou os rebeldes radicais. É triste, mas nada positivo pode surgir dessa guerra.

O artigo original da revista ÉPOCA poderá ser visto por meio desse link aqui:


NOSSO COMENTÁRIO FINAL

Falamos não como os leigos acusados de nada entender por Reza Aslan, e sim como profissionais, especialmente no que diz respeito a Estudos do Novo Testamento. Diante disso podemos afirmar com toda certeza que:

1. Reza Aslan não faz nada novo em seu livro.

2. Suas teorias furadas estão pautadas no que seres humanos decidiram nos séculos XVIII e XIX o que seria aceitável como histórico nas páginas da Bíblia.

3. Já naqueles dias dezenas de pastores de diversas origens sentaram e escreveram diversos artigos combatendo as mentiras dos, então chamados, liberais, que desejavam transformar a firmeza da fé cristã apenas numa religião cor de rosa.

4. Reza Aslan fala muitas bobagens. Por exemplo: Ele fala de um tal Jesus Político ou num Jesus como Líder Religioso. Depois afirma, de forma idiótica, que Jesus falhou em sua missão. Por fim, repetindo o que milhares já falaram antes dele, Reza Aslan nega que Jesus tenha reivindicado ser Deus. Mas infelizmente para ele e todos os patéticos que tentam negar o óbvio — JESUS É DEUS — nós gostaríamos de convidar que lessem nosso artigo publicado recentemente tratando do natal de Jesus, algo que Reza Aslan qualifica como algo lendário. Nosso artigo poderá ser acessado por meio do link abaixo:


Portanto, caro leitor, não se deixe enganar por alguém que esconde suas verdadeiras intenções — negar a divindade de Jesus – por trás de um falso conhecimento chancelado por graus de historiador, teólogo e etc. A VERDADE ESTÁ NA BÍBLIA E EM NENHUM OUTRO ESCRITO HUMANO.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.

sábado, 31 de agosto de 2013

“A VOLTA DO JESUS REVOLUCIONÁRIO”




A Revista ÉPOCA publicou em seu site em 23/08/2013 um artigo comentando o lançamento de um novo livro: Zealot: the life and times of Jesus of Nazareth — Zelote: a vida e os tempos de Jesus de Nazaré — do iraniano Reza Aslan.

Livros sobre Jesus são frequentes, porque as pessoas sentem-se intrigadas por ele, mas não querem saber de nenhum tipo de compromisso sério com o próprio nem com seus ensinamentos. O artigo da ÈPOCA, escrito por Rodrigo Turrer, vale à pena ser lido por todos. O artigo é bom, já as opiniões do autor do livro, apesar dos seus 20 anos de estudos sobre a cristandade são pífias e tolas, típicas de gente que leu muito acerca de Jesus, mas que leu muito pouco a Bíblia. Por esse motivo estamos publicando o mesmo abaixo:

A volta do Jesus revolucionário

RODRIGO TURRER

Um novo livro afirma que o Jesus pacifista foi uma invenção dos evangelistas e sugere que, na vida real, ele foi mais um Che Guevara que uma Madre Teresa de Calcutá

AGITADOR Jesus expulsa os vendilhões do templo. Um novo livro diz que ele não defendia a paz, mas a espada (Foto: Rischgitz/Getty Images)
AGITADOR Jesus expulsa os vendilhões do templo. Um novo livro diz que ele não defendia a paz, mas a espada (Foto: Rischgitz/Getty Images)

Livros sobre Jesus são garantia de polêmica e publicidade. Tornaram-se uma mina de ouro editorial e um fecundo filão acadêmico. Todo ano publicam-se dezenas de obras e estudos que tentam iluminar algum aspecto da vida de Jesus. Nas listas de mais vendidos, sucedem-se os livros com “revelações” sobre o pai do cristianismo. O mais novo best-seller é: Zealot: the life and times of Jesus of Nazareth (Zelote: a vida e os tempos de Jesus de Nazaré), do iraniano Reza Aslan, um estudioso de religiões e professor de escrita criativa na Universidade da Califórnia. O livro, lançado há um mês nos Estados Unidos, lidera há três semanas a lista de mais vendidos do The New York Times e da Amazon. Desbancou até recordistas de vendas como a britânica J.K.Rowling. Em 2014, Zealot será lançado no Brasil.

Aslan e seu livro ascenderam aos céus do mercado editorial depois de uma polêmica entrevista na rede de televisão americana Fox News, com grande audiência entre os cristãos fundamentalistas dos Estados Unidos. Na entrevista de quase dez minutos, a âncora Laura Green questionou duramente Aslan. Perguntou sucessivamente a ele se tinha direito, por ser muçulmano, de escrever um livro sobre Jesus. Diante do preconceito da inquisidora, Aslan argumentou que escreveu o livro como acadêmico com doutorado e especializações em história das religiões e 20 anos de estudo das origens do cristianismo. O quiproquó contribuiu para as vendas aumentarem quase 50%.

Eis a tese defendida por Aslan no livro: Jesus, ao contrário do que prega a Igreja Católica, não foi um pacifista que, diante da violência, “oferecia a outra face” e amava os inimigos. Segundo Aslan, Jesus foi um revolucionário, cujo objetivo principal era expulsar os romanos da Judeia, criar um reino de Deus na Terra e assumir seu trono. Ele recupera com novas cores uma antiga versão de cristianismo – em voga nos anos 1960 graças à Teologia da Libertação, que misturava cristianismo com marxismo. Era um Jesus mais para Che Guevara do que para Madre Teresa de Calcutá. “Ele era um zelote revolucionário, que atravessou a Galileia reunindo um exército de discípulos para fazer chover a ira de Deus sobre os ricos, os fortes e os poderosos”, escreve Aslan no começo de seu livro. Zelote é uma palavra derivada do aramaico. Significa “Alguém que zela pelo nome de Deus”. Outra possível tradução para o termo é fervoroso, ou mesmo fanático. Sua origem está ligada ao movimento político judaico que defendia a rebelião do povo da Judéia contra o Império Romano. Os zelotes pretendiam expulsar os romanos pela força.

Segundo Aslan, Jesus compartilhava algumas das ideias igualitárias dos zelotes e, assim que se estabeleceu numa vila de pescadores em Cafarnaum, começou a procurar seus discípulos “entre aqueles que se viram lançados à margem da sociedade, cujas vidas tinham sido interrompidas pelas mudanças sociais e econômicas que ocorriam por toda a Galileia”. Na interpretação de Aslan, entre seus discípulos recolhidos nas franjas da sociedade da época, Jesus, como muitos revolucionários, tornou-se amado não apenas por seus ensinamentos, mas pelo carisma. “Ele era visto como alguém com autoridade, mas, ao contrário dos escribas inacessíveis e dos sacerdotes ricos, parecia um homem do povo, uma dádiva de Deus.”
Em Zealot, o ponto central da vida de Jesus não é seu nascimento nem sua Ressurreição, mas o Domingo de Ramos, um acontecimento mencionado nos quatro Evangelhos canônicos (Marcos, Mateus, Lucas e João). Nesse episódio, Jesus entra em Jerusalém de forma triunfal, montado num jumento. O povo comemora sua entrada sob gritos de Hosana, canta partes de um salmo e jogam ramos de árvores à sua frente. “Mais do que qualquer outra palavra ou ação, sua entrada em Jerusalém ajuda a revelar quem era Jesus e o que ele quis dizer”, diz Aslan. “Um camponês analfabeto entra em Jerusalém e é o tão aguardado Messias – o verdadeiro rei dos judeus –, que veio para libertá-los da escravidão.”

POLÊMICA Reza Aslan (acima). Ao lado, ele discute com a âncora da Fox News, Laura Green. Ela achou estranho que ele, por ser muçulmano, escrevesse um livro sobre Jesus (Foto: Bret Hartman/For The Washington/Getty Images e reprodução)
POLÊMICA Reza Aslan (acima). Ao lado, ele discute com a âncora da Fox News, Laura Green. Ela achou estranho que ele, por ser muçulmano, escrevesse um livro sobre Jesus (Foto: Bret Hartman/For The Washington/Getty Images e reprodução)

A prova de que Jesus pretendia livrar os judeus do jugo romano pelas armas está, segundo Aslan, na passagem do Evangelho de Mateus em que Jesus diz a seus apóstolos: “Não penseis que vim trazer paz à Terra; não vim trazer paz, mas a espada”. Ao dizer isso, Jesus demonstra ser um “adorador do sangrento Deus de Abraão, Moisés, Jacó e Josué”. Logo, Jesus passa das palavras à ação. Ao chegar ao Templo de Jerusalém, para a Páscoa Judaica, se enfurece com a visão de centenas de pessoas vendendo, comprando e trocando moedas no local sagrado. Com um chicote na mão, Jesus expulsa os que ali vendiam e compravam, derruba as mesas dos cambistas e acusa os comerciantes de profanar o local de culto e de mercantilizar a fé.

Para Aslan, o episódio revela todos os “segredos messiânicos” de Jesus. “Atacar o comércio do templo era uma ofensa semelhante a atacar a nobreza clerical, o que, considerando a emaranhada relação do templo com Roma, era o mesmo que atacar o próprio Império”, escreve. Com esse gesto, Jesus diz, no entender de Aslan, que a terra sagrada não pertencia a Roma, mas a Deus, e era hora de César devolvê-la ao verdadeiro rei dos judeus – ele mesmo. Diante disso, afirma Aslan, Jesus se torna um personagem “tão radical, tão perigoso, tão revolucionário que a única resposta concebível para Roma seria prendê-lo e executá-lo por insurreição”. Como era o mais grave dos crimes contra o Império Romano, a punição foi também a mais severa: a crucificação.

Se Jesus foi de fato um revolucionário, como se deu sua conversão num pacifista humilde, que ensina a amar a todos, até ao inimigo? Foi, diz Aslan, obra dos Evangelhos canônicos e das epístolas de Paulo de Tarso, escritas depois da crucificação, no período em que a perseguição aos judeus e aos primeiros cristãos se intensificou. Receosos de ser vistos como insurgentes, os primeiros seguidores do cristianismo quiseram se afastar do fervor revolucionário de Jesus. “Assim começou o longo processo de transformar Jesus de um revolucionário nacionalista judeu num líder espiritual desinteressado de questões terrenas”, diz Aslan. Como judeu, Jesus se rebelaria contra qualquer noção de que Deus pudesse encarnar num humano. Por isso, a ascensão de Jesus a divindade surgiu quase 30 anos após a crucificação, pelas mãos de “judeus cristãos” que, na tentativa de evitar as perseguições do Império, “transformaram o Jesus revolucionário num semideus romanizado”. Foi dessa maneira que Paulo criou a religião universal, sem distinção entre as pessoas, que três séculos depois conquistou o Império Romano e se espalhou pelo mundo.

JESUS EM ARMAS Um grafite na Venezuela mostra Jesus com um fuzil.  Ele virou símbolo revolucionário (Foto: Miguel Gutierrez/AFP)
JESUS EM ARMAS Um grafite na Venezuela mostra Jesus com um fuzil.  Ele virou símbolo revolucionário (Foto: Miguel Gutierrez/AFP)

As teses de Aslan reacenderam uma acalorada discussão acadêmica acerca de Jesus. Há décadas, duas vertentes do estudo de sua vida se digladiam. Uma delas tenta desvendar o “Jesus histórico”: quem foi Jesus de Nazaré, antes de ele se transformar no Filho de Deus, cultuado pelos cristãos. A outra está mais interessada no “Cristo da fé”, o Jesus da religião. A busca pelo Jesus da história, desvinculado da divindade, começou com o alemão Herman Samuel Reimarus (1694-1768). Ele foi o primeiro de uma série de escritores a condenar os dogmas religiosos que, na sua visão, embaçavam a compreensão do cristianismo.

Apesar dos esforços de teólogos e filósofos, a primeira busca foi em vão: pouco se revelou sobre o Jesus histórico. No século XX, os teólogos alemães Martin Dibelius e Rudolf Bultmann começaram uma segunda busca. Definiram critérios objetivos para separar o que era histórico do que não era nos relatos bíblicos. A ideia era encontrar o real Jesus, despindo-o dos mitos a ele acoplados por seus discípulos nos Evangelhos. Para muitos, porém, a segunda leva de pesquisas continuou a revelar mais sobre os pesquisadores do que sobre Jesus.

A terceira onda de busca do Jesus histórico ressurgiu com intensidade no começo do nosso século, com livros, filmes e programas de TV. Ela é basea­da em métodos históricos e racionais, incluindo a análise crítica dos Evangelhos, a pesquisa arqueológica e o estudo do contexto histórico e cultural em que Jesus viveu. Como a busca pelo Jesus histórico se atém ao racionalismo e nega a existência dos milagres, ela costuma ser rechaçada pelos defensores do Cristo da fé. As críticas vêm tanto de teólogos ligados à tradição dos Evangelhos, defensores dos milagres como sustentáculo do cristianismo, como dos filósofos que rejeitam o materialismo e a ideia de que tudo na existência pode ser descrito pelas ciências naturais.

Ao reavivar as teses do Jesus revolucionário, Aslan conseguiu um feito: foi criticado por ambas as vertentes. “Aslan usou demais suas habilidades de professor de escrita criativa e ignorou seus estudos históricos”, afirma Stephen Prothero, professor de história do cristianismo na Universidade de Boston. “O livro de Aslan é uma litania de erros, todos causados pelo fato de ele aceitar premissas que não existiam para reforçar suas teses.” De fato, sobram certezas definitivas no livro de Aslan, que passa ao largo de quase todas as infindáveis controvérsias a respeito da vida de Jesus. Teria ele nascido em Belém? Aslan garante que ele nasceu em Nazaré. Por que Jesus saiu de Nazaré e foi para a Judéia pela primeira vez? Aslan deixa nas entrelinhas que era para se juntar aos zelotes revolucionários. Jesus era um profeta inovador e único? Aslan afirma que nos tempos de Jesus havia um candidato a Messias em cada figueira e oliveira da antiga Palestina. Quem eram os evangelistas? Para Aslan, eram seguidores de Jesus que se reuniram em comunidades a partir do ano 70 d.C.

De onde vêm todas as certezas de Aslan? Das mesmas fontes que ele critica. “Aslan diz que os Evangelhos não são uma fonte confiável, mas se lambuza neles quando quer reforçar suas teses de um Cristo revolucionário”, afirma o teólogo Martin Goodman, professor de história romana em Oxford. “O problema não é ele ser muçulmano ou ser iraniano. O problema é que ele usa uma tese ultrapassada e desacreditada como se fosse uma verdade absoluta.” A entrevista na Fox News provou, portanto, ter sido muito útil para Aslan. Ele escreve de modo fluente e coloquial sobre complexas discussões acadêmicas e transforma densos emaranhados filosóficos em narrativas emocionantes. Mas seu livro apenas prova como é difícil cingir a compreensão do cristianismo à história de um personagem de traços tão fugidios como Jesus.

O artigo da ÉPOCA poderá ser visto no original por meio desse link aqui:


Como falamos acima o autor do artigo nos fez um grande favor ao colocar algumas opiniões de pessoas que entendem a narrativa bíblica melhor que o autor do livro.

É bom que se diga que tolos como Aslam existem desde o século XIX, quando impulsionados pelo iluminismo, muitos se aventuraram a descobrir um “Jesus histórico” que seria diferente do Jesus da Fé. Todos os argumentos desde Hermann Samuel Reimarius, e passando por Hase, Schleiermacher, David Strauss, Albert Schweitzer, Bauer, Ernest Renan e outros, incluindo aqui mesmo no Brasil o sr. Rubens Sodré, já foram amplamente respondidas na literatura disponível.

Para todos os que tiverem interesse em conhecer a verdade sugerimos a leitura dos seguintes livros:

0. A Bíblia Sagrada — procure uma tradução de verdade e não uma paráfrase e dê preferência por ler uma Bíblia sem notas.

1. O Texto do Novo Testamento de Kurt e Barbara Aland — Sociedade Bíblica do Brasil — 2013.

2. Novas Evidências que Demandam um Veredito — Volumes 2 e 2 — Josh McDowell — Editora Hagnos — 2013.

3. Evangelização na Igreja Primitiva — Michael Green — Edições Vida Nova — 2000.

4. Teologia do Novo Testamento — George Eldon Ladd — Exodus Editora — 1997.

5. Em Defesa de Jesus — Lee Strobel — Editora Vida — 2002.

6. A Cruz de Cristo — John Stott — Editora Vida — 1991.

7. Arqueologia, História e Sociedade na Galiléia — O Contexto Social de Jesus e dos Rabis — Editora Paulus — 2000.

8. Cristo, o Senhor — A Reforma e Senhorio da Salvação — Editora Cultura Cristã — 2000.

9. Os Desafios de Jesus — N. T. Wright — Editora Palavra — 2012.

10. Jesus — Uma Defesa Bíblica da Sua Divindade — Josh McDowell e Bart Larson — Editora Candeia — 1990.

11. Movimentos Messiânicos no Tempo de Jesus — Jesus e outros Messias — Donizete Scardelai — _Paulus — 1998.

12. Jesus e o Império — Richard A. Horsley — Paulus — 2004.

13. A Vida Diária nos Tempos de Jesus — Henri Daniel-Rops — Edições Vida Nova — 1999.

14. Jerusalém no Tempo de Jesus — J. Jeremias — Edições Paulinas — 1983.

Creio que a literatura acima deve ser suficiente. Se alguém desejar mais é só nos escrever.

Grande Abraço e que Deus possa abençoar a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.