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sábado, 29 de agosto de 2015

VIVENDO A VIDA CRISTÃ — ESTUDO 005 — EMPECILHOS PARA VIVER A VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTE 001



A vida Cristã é um dos maiores mistérios da humanidade. Trata-se da própria presença do Espírito Santo habitando nos crentes verdadeiros para transformá-los, dia a dia, em pessoas cada vez mais parecidas com a pessoa do Senhor Jesus Cristo. Essa série de estudos pretende discutir a fundo essa questão e esperamos que a mesma possa não apenas abençoar, mas também impactar poderosamente a vida de cada um dos leitores.

II. EMPECILHOS PARA A VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTE 001

Empecilhos a Vida Cristã

É sempre possível, mesmo tendo as melhores das intenções, sermos enganados em alguma área vital da nossa crença — convicções. Esses tipos de enganos certamente irão produzir ações incorretas. Essas ações estarão em desacordo com a perfeita vontade de Deus. Cedo ou tarde esses enganos tornam-se verdadeiras barreiras à Vida Cristã.

Se vamos ser cristãos bem sucedidos nós precisamos honestamente procurar e, ao encontrarmos, derrubarmos essas barreiras. Deus só pode nos livrar através da verdade e para isto Ele exige de nós honestidade. Não é à toa que Satanás, nosso inimigo, é chamado de “aquele que barra o caminho” — 1 Tessalonicenses 2:18 — e de mentiroso, conforme — João 8:44. Abaixo segue uma pequena lista das mentiras e barreiras mais comuns levantadas pelo nosso adversário. Junto com as mentiras de Satanás fornecemos uma série de versículos bíblicos os quais constituem a resposta — verdade — de Deus para aquelas.

1. Que o homem em geral, e até mesmo o cristão em particular, não são importantes para Deus

Deuteronômio 4:20

Mas o SENHOR vos tomou e vos tirou da fornalha de ferro do Egito, para que lhe sejais povo de herança, como hoje se vê.

Deuteronômio 7:6—7

6 Porque tu és povo santo ao SENHOR, teu Deus; o SENHOR, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra.

7 Não vos teve o SENHOR afeição, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos.

Deuteronômio 14:2

Porque sois povo santo ao SENHOR, vosso Deus, e o SENHOR vos escolheu de todos os povos que há sobre a face da terra, para lhe serdes seu povo próprio.

Deuteronômio 26:18—19

18 E o SENHOR, hoje, te fez dizer que lhe serás por povo seu próprio, como te disse, e que guardarás todos os seus mandamentos.

19 Para, assim, te exaltar em louvor, renome e glória sobre todas as nações que fez e para que sejas povo santo ao SENHOR, teu Deus, como tem dito.

Deuteronômio 28:9

O SENHOR te constituirá para si em povo santo, como te tem jurado, quando guardares os mandamentos do SENHOR, teu Deus, e andares nos seus caminhos.

Deuteronômio 29:13

Para que, hoje, te estabeleça por seu povo, e ele te seja por Deus, como te tem prometido, como jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó.

Deuteronômio 32:12

Assim, só o SENHOR o guiou, e não havia com ele deus estranho.

Salmo 33:12

Feliz a nação cujo Deus é o SENHOR, e o povo que ele escolheu para sua herança.

Isaías 43:1, 7, 21

1 Mas agora, assim diz o SENHOR, que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu.

7 A todos os que são chamados pelo meu nome, e os que criei para minha glória, e que formei, e fiz.

21 Ao povo que formei para mim, para celebrar o meu louvor.

João 3:16

Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

Romanos 5:8

Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.

Efésios 1:18

Iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos.

Colossenses 1:16

Pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele.

Apocalipse 4:11

Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas.

Como os versos acima deixam bem evidente, o Deus Criador e Todo Poderoso, nos ama e se interessa por nós, apesar de nós virarmos as costas para ele de forma contínua.

OUTROS ARTIGOS ACERCA DE “VIVENDO A VIDA CRISTÔ

ESTUDO 001 — COMO RECONCILIAR O PASSADO

ESTUDO 002 — INTRODUÇÃO GERAL

ESTUDO 003 — UMA DESCRIÇÃO DA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA —PARTE 001

ESTUDO 004 — UMA DESCRIÇÃO DA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA —PARTE 002

ESTUDO 005 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTE 001

ESTUDO 006 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTE 002

ESTUDO 007 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTE 003

ESTUDO 008 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA —PARTE 004

ESTUDO 009 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTES 005 e 006

ESTUDO 010 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTES 007 e 008

ESTUDO 011 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTES 009 e 010

ESTUDO 012 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTES 011 e 012

ESTUDO 013 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTES 013 a 015
Que abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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sexta-feira, 7 de agosto de 2015

JONATHAN EDWARDS: A AGONIA DE CRISTO — UM ESTUDO — PARTE 006


Representação artística de Cristo no Getsêmane.

O material abaixo é parte de um livro escrito por Jonathan Edwards que foi publicado em forma de e-book por:

Fonte: CCEL.org │ Título Original: “Christ’s Agony”

As citações bíblicas desta tradução são da versão ACRF (Almeida Corrigida Revisada Fiel).

Tradução por Camila Almeida │ Revisão William Teixeira

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Issuu.com/oEstandarteDeCristo

A AGONIA DE CRISTO
Por Jonathan Edwards

“E, posto em agonia, orava mais intensamente; e o Seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue que corriam até ao chão.”
– Lucas 22:44 –

1. Disto podemos aprender como foram os últimos terríveis sofrimentos de Cristo. Aprendemos isto a partir do efeito terrível que a clara previsão deles teve sobre Ele em Sua agonia. Seus últimos sofrimentos foram tão terríveis, que a visão anterior que Cristo teve deles o dominou e o assombrou, como é dito, Ele começou a estar apavorado. A própria visão desses últimos sofrimentos foi tão terrível quanto a afundar Sua alma dentro da escura sombra da morte; sim, tão terrível foi isso, que no doloroso conflito que a Sua natureza teve com eles, Ele esteve todo em suor sangrento, Seu corpo foi todo coberto de sangue coagulado, e não apenas o Seu corpo, mas o próprio chão debaixo dEle com o sangue que dEle caíra, que havia sido forçado através de Seus poros pela violência de Sua agonia. E se apenas a visão do cálice era tão assombrosa, quão terrível foi o próprio cálice, como muito além de tudo o que pode ser pronunciado ou concebido! Muitos dos mártires sofreram torturas extremas, mas a partir do que foi dito, há todas as razões para pensar que todos aquelas foram um mero nada para os últimos sofrimentos de Cristo na cruz. E o que foi dito oferece um argumento convincente de que os sofrimentos que Cristo suportou em Seu corpo na cruz, embora eles fossem mui terríveis, ainda foram a menor parte de Seus últimos sofrimentos; e que, ao lado desses, Ele suportou sofrimentos em Sua alma, que foram muito maiores. Pois se fossem apenas os sofrimentos que Ele suportou em Seu corpo, apesar de serem muito terríveis, não podemos conceber que a mera antecipação deles teria tal efeito sobre Cristo. Muitos dos mártires, pelo que sabemos, têm sofrido torturas tão graves em Seus corpos, como Cristo fez. Muitos dos mártires foram crucificados, como Cristo foi; e ainda assim as Suas almas não foram tão oprimidas. Não houve evidência dessa incrível tristeza e aflição de espírito, nem na antecipação de Seus sofrimentos, ou na real duração deles.

2. Pelo que foi dito, podemos ver a força maravilhosa do amor de Cristo pelos pecadores. O que foi dito mostra a força do amor de Cristo de duas maneiras.

[1] Que Ele foi tão forte para suportar a agonia na qual Ele se encontrava, nessa ocasião. O sofrimento a que Ele, então, foi realmente sujeito, foi terrível e assombroso, como foi demonstrado; e quão maravilhoso foi o Seu amor, que ainda permaneceu e foi confirmado! O amor de qualquer mero homem ou anjo sem dúvida teria afundado sob tal peso, e nunca teria sofrido um conflito em um suor tão sangrento como o de Jesus Cristo. A angústia da alma de Cristo naquele tempo foi tão forte a ponto de causar esse efeito maravilhoso em Seu corpo. Mas o Seu amor aos Seus inimigos, miseráveis e indignos como eram, foi ainda mais forte. O coração de Cristo, nesse momento estava cheio de angústia, todavia estava mais cheio de amor por vermes desprezíveis: Suas tristezas abundavam, mas o Seu amor superabundou. A alma de Cristo foi esmagada com um dilúvio de sofrimento, mas isto ocorreu a partir de um dilúvio de amor por pecadores em Seu coração, suficiente para transbordar para todo o mundo, e sobrepujar as mais altas montanhas de seus pecados. Essas grandes gotas de sangue que corriam ao chão foram uma manifestação de um oceano de amor no coração de Cristo.

2. A força do amor de Cristo, mais especialmente evidencia-se no fato de que, quando Ele teve uma visão tão plena do horror do cálice que estava para beber, que tanto o assombrou, ele, não obstante, mesmo assim, toma-o e bebe-o. Então, parece ter sido a maior e mais peculiar verificação da força do amor de Cristo, quando Deus coloca a porção amarga diante dEle, e o deixa ver o que Ele tinha que beber, se persistisse em Seu amor pelos pecadores; e trouxe-O para a boca da fornalha para que Ele pudesse ver a Sua ferocidade, e ter uma plena visão da mesma, e teve tempo, então, para considerar se Ele entraria e sofreria as chamas desta fornalha por tais criaturas indignas, ou não. Isso foi a última consideração do que Cristo faria; como se então, fosse dito a Ele: “Aqui está o cálice que você deve beber, a menos que você desista de Seu compromisso pelos pecadores, e mesmo deixe-os perecer como eles merecem. Você tomará este cálice, e o beberá por eles, ou não? Há uma fornalha na qual você está para ser lançado, para que eles possam ser salvos; ou eles devem perecer, ou você tem que suportar isso por eles. Ali você vê quão terrível é o calor do forno; você vê qual a dor e angústia que você deve suportar no dia seguinte, a menos que você desista da causa dos pecadores. O que você fará? É tanto o Seu amor que você prosseguirá? Você lançar-se-á nesta terrível fornalha de ira?” A alma de Cristo foi esmagada com o pensamento; Sua frágil natureza humana afundou diante da triste visão. Isto o colocou nessa terrível agonia que ouviste descrita; mas Seu amor pelos pecadores resistiu. Cristo não passaria por esses sofrimentos desnecessariamente, se os pecadores pudessem ser salvos sem os mesmos. Se não houvesse uma necessidade absoluta de sofrê-los para a salvação deles, Ele desejaria que o cálice passasse dEle. Mas, se os pecadores, em quem Ele havia fixado o Seu amor, não pudessem, de acordo com a vontade de Deus, ser salvos sem que Ele o bebesse, Ele escolheu que a vontade de Deus fosse feita. Ele optou por seguir em frente e suportar o sofrimento, terrível como o mesmo apareceu para Ele. E esta foi a Sua conclusão final, após o conflito sombrio de Sua pobre fraca natureza humana, depois de ter tido o cálice em vista, e, por no mínimo o espaço de uma hora, já tinha visto o quão incrível era. Ainda assim, Ele finalmente decidiu que Ele suportaria, ao invés que aqueles pobres pecadores que Ele havia amado por toda a eternidade perecessem. Quando o cálice terrível estava diante dEle, 

Ele não disse em Seu interior: “Por que eu, que sou tão grandiosa e gloriosa Pessoa, infinitamente mais honrado do que todos os anjos do céu, por que eu deveria ir para mergulhar-me em tão terríveis e incríveis tormentos por vermes inúteis miseráveis que não podem ser proveitosos a Deus, ou a mim, e que merecem ser odiados por mim, e não ser amados? Por que eu, que tenho vivido desde toda a eternidade no gozo do amor do Pai, lançar-me-ei em tal fornalha por aqueles que nunca podem me recompensar por isso? Por que eu deveria me render a ser, assim, esmagado pelo peso da Ira Divina, por aqueles que não têm amor por mim, e são meus inimigos? Eles não merecem qualquer união comigo, e nunca fizeram e nunca farão, qualquer coisa para recomendarem-se a mim. Em que serei mais rico por salvar um número de inimigos miseráveis de Deus e meus, que merecem ter a Justiça Divina glorificada em Sua destruição?” Tal, porém, não era a linguagem do coração de Cristo, nessas circunstâncias; mas, pelo contrário, o Seu amor permaneceu firme, e Ele resolveu, mesmo assim, em meio a Sua agonia, entregar a Si mesmo à vontade de Deus, e tomar o cálice e o beber. Ele não fugiria para sair do caminho de Judas e daqueles que estavam com ele, mas Ele sabia que eles estavam vindo, mas na mesma hora entregou-se voluntariamente em Suas mãos. Quando eles vieram com espadas e varapaus para prendê-lo, e Ele poderia ter clamado por Seu pai, que imediatamente enviaria muitas legiões de anjos para repelir Seus inimigos, e libertá-lo, Ele não quis fazê-lo; e os Seus discípulos, teriam feito resistência, Ele não os sofreria, como você pode ver em Mateus 26:51, em diante: “E eis que um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão, puxou da espada e, ferindo o servo do sumo sacerdote, cortou-lhe uma orelha. Então Jesus disse-lhe: Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão. Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que Ele não me daria mais de doze legiões de anjos? Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim convém que aconteça?” E Cristo, em vez de esconder-se de Judas e dos soldados, falou-lhes, quando eles pareciam estar perdidos se Ele era a pessoa a quem eles procuravam; e quando ainda pareciam hesitar um pouco, sendo tomados de algum terror em Seus espíritos, falou-lhes de novo, e então rendeu-se em Suas mãos, para ser preso por eles, depois que Ele lhes havia mostrado que poderia facilmente resistir-lhes se quisesse, quando uma única palavra dita por Ele, jogou-os para trás ao chão, como você pode ver em João 18:3, em diante: “Tendo, pois, Judas recebido a coorte e oficiais dos principais sacerdotes e fariseus, veio para ali com lanter-nas, e archotes e armas. Sabendo, pois, Jesus todas as coisas que sobre Ele haviam de vir, adiantou-se, e disse-lhes: A quem buscais? Responderam-lhe: A Jesus Nazareno. Disse-lhes Jesus: Sou eu. E Judas, que o traía, estava com eles. Quando, pois, lhes disse: Sou eu, recuaram, e caíram por terra”. Assim, poderoso, constante e forte foi o amor de Cristo; e a provação especial do Seu amor acima de todas as outras em toda a Sua vida parece ter sido no momento da Sua agonia. Pois, embora Seus sofrimentos fossem maiores depois, quando Ele estava na cruz, ainda assim Ele viu claramente o que esses sofrimentos seriam, no momento de Sua agonia; e esta parece ter sido a primeira vez que Jesus Cristo teve uma visão clara do que eram esses sofrimentos; e depois disso a provação não foi tão grande, porque o conflito terminara. A Sua natureza humana estava em uma luta com o Seu amor pelos pecadores, mas o Seu amor havia conseguido a vitória. A coisa, mediante uma visão plena dos Seus sofrimentos, havia sido resolvida e concluída; e, portanto, quando o momento chegou, Ele realmente passou por esses sofrimentos.
Mas há duas circunstâncias da agonia de Cristo que ainda fazem mais visível a força e constância do Seu amor pelos pecadores.

1. Que, ao mesmo tempo em que Ele teve essa visão do horror dos Seus sofrimentos, Ele também tinha uma percepção extraordinária sobre o ódio da impiedade daqueles pelos quais esses sofrimentos deviam fazer expiação. Há duas coisas que tornam o amor de Cristo maravilhoso: 1. Que Ele esteve disposto a suportar sofrimentos que eram tão grandiosos e 2. Que Ele esteve disposto a suportá-los para fazer expiação por impiedade que era tão grande. Mas, para Seu ser propriamente dito, Cristo de Seu próprio ato e escolha suportou sofrimentos que eram tão grandes, para fazer expiação por maldade que era tão grande, as duas coisas eram necessárias: [1.] Que Ele deveria ter um senso extraordinário de quão grande esse sofrimento devia ser, antes que Ele os suportasse. Isto foi dado em Sua agonia. E [2.] Que Ele devia também, ao mesmo tempo, ter um senso extraordinário de quão grande e odiosa era a maldade dos homens pelos quais Ele sofreu para fazer expiação; ou quão indignos eram aqueles por quem Ele morreu. E essas duas coisas foram oferecidas ao mesmo tempo. Quando Cristo teve um sentido tão extraordinário de quão amargo o Seu cálice devia ser, Ele teve muito a fazê-lo sensível de quão indigna e odiosa era aquela impiedade do homem por quem Ele sofreu; porque a natureza odiosa e maligna daquela corrupção nunca se evidenciou mais plenamente do que na raiva e crueldade dos homens nesses sofrimentos; e ainda assim, o Seu amor foi tão grande que, não obstante, Ele passou a sofrer por eles, que estavam cheios de tal corrupção detestável.

Foi a corrupção e injustiça dos homens que forjaram e efetuaram a Sua morte; foi a impiedade dos homens que concordou com Judas, foi a maldade dos homens que O traiu, e que O prendeu, e amarrou-O e levou-O para longe como um malfeitor; foi pela corrupção e maldade dos homens que Ele foi denunciado, e falsamente acusado e injustamente julgado. Foi pela maldade dos homens que Ele foi repreendido, escarnecido, esbofeteado e cuspido. Foi pela impiedade dos homens que Barrabás foi preferido a Ele. Foi a impiedade dos homens que colocou a Cruz sobre Ele para carregar, e que o pregou e o colocou em tão cruel e ignominiosa morte. Isso tende a dar a Cristo um extraordinário senso da grandeza e odiosidade da depravação da humanidade.

[1.] Porque aqui no momento dos Seus sofrimentos Ele teve a depravação posta diante dEle como ela é, sem disfarce. Quando ela matou Cristo, apareceu em Suas cores próprias. Aqui Cristo viu em Sua real natureza, o que é o maior ódio e desprezo de Deus; na tendência final e desejo dela, que é matar Deus; e, em Seu mais grandioso agravamento e maior ato, que é matar uma pessoa que era Deus.

[2.] Porque nestes sofrimentos Ele sentiu os frutos daquela impiedade. Foi nessa ocasião, diretamente dirigida contra Ele mesmo, e em si mesma exercida contra Ele para operar a Sua reprovação e tormento, o que tendia a imprimir um sentido mais forte de Seu ódio sobre a natureza humana de Cristo. Mas, ainda assim, ao mesmo tempo, tão maravilhoso foi o amor de Cristo por aqueles que apresentavam essa corrupção odiosa, que Ele suportou esses mesmos sofrimentos para livrá-los da punição daquela mesma corrupção. A maravilha do amor de Cristo ao morrer, aparece em parte em que Ele morreu por aqueles que eram tão indignos em si mesmos, pois todos os homens têm o mesmo tipo de corrupção em Seus corações. E em parte em que Ele morreu por aqueles que não eram apenas tão ímpios, mas cuja iniquidade consistia em serem Seus inimigos; assim, Ele não apenas morreu pelos ímpios, mas pelos Seus próprios inimigos. E como Ele estava disposto a morrer por Seus inimigos, ao mesmo tempo em que Ele estava sentindo os frutos de Sua inimizade, quando Ele sentiu os efeitos extremos e esforços de seu ódio contra Ele no maior desprezo e crueldade possíveis em direção a Ele, em Sua vergonha, tormentos e morte; e em parte, na medida em que Ele estava disposto a fazer expiação por Seus inimigos, nestes mesmos sofrimentos, e por meio da mesma ignomínia, tormento e morte que eram o fruto disso. O pecado e a maldade dos homens, pelos quais Cristo sofreu para fazer expiação, foram, por assim dizer, postos diante de Cristo, em Sua visão.

CONTINUA...



OUTRAS PARTES DESSE ESTUDO PODERÃO SER VISTAS POR MEIO DOS LINKS ABAIXO

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — ALGUMAS CITAÇÕES DESSE
ESTUDO PARTE 001

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — ALGUMAS CITAÇÕES DESSE ESTUDO PARTE 002

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — ALGUMAS CITAÇÕES DESSE ESTUDO PARTE 003

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 004

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 005

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 006 —http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/08/jonathan-edwards-agonia-de-cristo-um.html

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 007 —http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/10/jonathan-edwards-agonia-de-cristo-um.html

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 008 —

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 009 —

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 010 — APLICAÇÃO 001

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 011 — APLICAÇÃO 002

UMA BREVE BIOGRAFIA DE JONATHAN EDWARDS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/08/jonathan-edwards-uma-breve-biografia.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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terça-feira, 16 de junho de 2015

JONATHAN EDWARDS: A AGONIA DE CRISTO — UM ESTUDO — PARTE 005


Concepção artística de Cristo suando gotas de sangue.

O material abaixo é parte de um livro escrito por Jonathan Edwards que foi publicado em forma de e-book por:

Fonte: CCEL.org │ Título Original: “Christ’s Agony”

As citações bíblicas desta tradução são da versão ACRF (Almeida Corrigida Revisada Fiel).

Tradução por Camila Almeida │ Revisão William Teixeira

facebook.com/oEstandarteDeCristo

Issuu.com/oEstandarteDeCristo

A AGONIA DE CRISTO

Por Jonathan Edwards

“E, posto em agonia, orava mais intensamente; e o Seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue que corriam até ao chão.”
– Lucas 22:44 –

Agonia de Cristo

Jonathan Edwards

CONTINUAÇÃO...

II. Que o conflito que a alma de Cristo então suportou foi ocasionado por aquelas visões e apreensões. A tristeza e angústia que a Sua alma sofreu nesta ocasião, surgiu a partir daquela visão plena e vigorosa, e imediata que Ele teve, assim, oferecida a Ele sobre aquele cálice de ira; pelo que Deus o Pai fez como que colocar o cálice diante dEle, para que Ele o tomasse e bebesse. Alguns têm perguntado o que ocasionou aquela angústia e agonia, e muitas especulações têm existido sobre isso, mas o relato que a própria Escritura nos dá é suficientemente completo nesta matéria, e não deixa espaço para a especulação ou dúvida. A única coisa pela qual a mente de Cristo estava tão cheia naquela época era, sem dúvida, o mesmo com que a Sua boca estava tão cheia; era o receio que Sua fraca natureza humana tinha daquele cálice terrível, que era muito mais terrível do que a fornalha ardente de Nabucodonosor. Ele teve, então, uma visão próxima da fornalha de ira, na qual Ele devia ser lançado; Ele foi levado para a boca da fornalha para que Ele pudesse olhar para ela, e permanecer e ver as chamas furiosas, e ver as brasas de Seu calor, a fim de que Ele pudesse conhecer para onde estava indo e o que Ele estava prestes a sofrer. Isso foi o que encheu a Sua alma de tristeza e escuridão, esta visão terrível como que o dominou. Pois, o que era a natureza humana de Cristo diante de tão poderosa ira como esta? Esse era, em si mesmo, sem os auxílios de Deus, apenas um fraco verme de pó, uma coisa que foi esmagada pela traça, nenhum dos filhos de Deus já teve tal cálice colocado diante de si, como sendo este o primeiro que qualquer criatura já teve. Mas, para não insistir por mais tempo sobre isso, apresso-me a mostrar,

III. Que o conflito na alma de Cristo, nessa visão de Seus últimos sofrimentos, era terrível, além de toda expressão ou concepção. Isso será evidenciado:

1. A partir do que é dito de Seu horror, pela história. Por um evangelista nos é dito, (Mateus 26:37): “começou a entristecer-se e a angustiar-se muito”. E por outro, (Marcos 14:33): “E tomou consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, e começou a ter pavor, e a angustiar-se”. Estas expressões expõem a intensa e avassaladora angústia em que estava Sua alma. As expressões de Lucas de Seu ser estar em agonia, conforme o significado da palavra no original, implica não em um nível comum de sofrimento, mas tal angústia extrema que Sua natureza teve um violentíssimo conflito com isso, como um homem que luta com todas as suas forças com um homem forte, que labuta e emprega a sua força máxima para conquistar uma vitória sobre ela.

2. A partir do que o próprio Cristo diz sobre isso, que não era acostumado a ampliar as coisas para além da verdade. Ele diz: “A minha alma está cheia de tristeza até a morte; ficai aqui, e velai comigo” (Mateus 26:38). Que linguagem poderia expressar mais fortemente o mais extremo grau de tristeza? Sua alma não estava apenas “triste”, mas “cheia de tristeza”; e não somente isso, mas porque isso não expressa plenamente o nível de Sua tristeza, Ele acrescenta, “até a morte”; o que parece sugerir que as próprias dores e sofrimentos infernais, da morte eterna, haviam se apossado dEle. Os Hebreus estavam acostumados a expressar o maior nível de tristeza que qualquer criatura pudesse ser passível pela frase: a sombra da morte. Cristo tinha agora, por assim dizer, a sombra da morte trazida sobre a Sua alma pela visão próxima que Ele tinha do cálice amargo, que agora estava posto diante dEle.

3. A partir disso temos o efeito que isto teve sobre Seu corpo, causando aquele suor de sangue que lemos no texto. Em nossa tradução diz-se, que “o Seu suor tornou-se como grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão”. A palavra traduzida como “grandes gotas” é no original θρόμβοι — thómboi —, que significa propriamente caroços ou coágulos; pois podemos supor que o sangue que foi pressionado para fora através dos poros de Sua pele pela violência daquela luta interna e conflito, de forma que quando chegou a ser exposto ao ar fresco da noite, congelou e endureceu, como é a natureza do sangue, e por isso caiu dEle não em gotas, mas em coágulos. Se o sofrimento de Cristo houvesse ocasionado apenas um suor violento, isto teria mostrado que Ele estava em grande agonia; pois deve ser um sofrimento extraordinário e exercício da mente que faz com que o corpo esteja todo suado e exposto ao ar livre, em uma noite fria, como aquela era, como é evidente em João18:18: “Ora, estavam ali os servos e os servidores, que tinham feito brasas, e se aquentavam, porque fazia frio; e com eles estava Pedro, aquentando-se também”. Esta era a noite em que Cristo teve a Sua agonia no jardim. Mas a angústia e tristeza interior de Cristo não foram meramente as causas que o levaram a um suor violento e universal, mas, o que o fez suar sangue. A aflição e a angústia de Seu espírito eram tão indescritivelmente extremas como para forçar o sangue através dos poros de Sua pele, e isto tão abundantemente como a cair em grandes coágulos ou gotas de Seu corpo ao chão. Venho agora mostrar,

IV. O que se pode supor ser a finalidade especial de Deus em dar a Cristo de antemão essas visões terríveis de Seus últimos sofrimentos; em outras palavras, por que foi necessário que Ele deveria ter uma visão mais completa e extraordinária do cálice que devia beber, um pouco antes que Ele bebesse, como Ele jamais havia tido antes; ou por que Ele devia ter uma tal antecipação da Ira de Deus a ser suportada na Cruz, antes que o tempo viesse em que ele, de fato, a suportaria?

Resposta. Isto foi necessário, a fim de que Ele pudesse tomar o cálice e bebê-lo, sabendo o que Ele faria. A menos que a natureza humana de Cristo tivesse uma extraordinária visão dada a Ele de antemão do que Ele devia sofrer, Ele não poderia, como homem, conhecer totalmente, de antemão, o que Ele estava a sofrer, e, portanto, não poderia, como homem, saber o que Ele faria quando Ele tomasse o cálice para bebê-lo, porque Ele não conheceria plenamente o que era o cálice – sendo este um cálice que Ele nunca bebeu antes. Se Cristo houvesse mergulhado a Si mesmo nesses sofrimentos terríveis, sem estar de antemão totalmente sensível de sua amargura e horror, Ele teria feito, o que Ele não sabia. Como homem, Ele teria mergulhado a Si mesmo em sofrimentos de quantidade que Ele era ignorante, e assim teria agido de olhos vendados; e, claro, Sua apreensão sobre esses sofrimentos não poderia ter sido tão plenamente Seu próprio ato. Cristo, como Deus, perfeitamente sabia o que eram aqueles sofrimentos; porém foi mais necessário também que Ele conhecesse como homem; pois Ele devia sofrer como homem, e o ato de Cristo em tomar esse cálice foi o ato de Cristo como Deus homem.

Mas o homem Cristo Jesus, até então, nunca havia tido a experiência de tais sofrimentos como Ele deveria agora suportar na cruz; e, portanto, Ele não poderia conhecer plenamente o que eram antes, senão por ter uma visão extraordinária deles estabelecida diante dele, e um extraordinário sentido deles impresso em Sua mente. Temos ouvido falar de torturas que os outros sofreram, mas nós não sabemos completamente o que eram, porque nunca experimentamos; e é impossível que devamos conhecer plenamente o que eram, senão em uma dessas duas maneiras, seja por vivenciá-las, ou por ter sido oferecida uma visão delas, ou um sentido delas impressas de uma forma extraordinária em nós. Tal sentido foi impresso na mente do homem Cristo Jesus, no jardim do Getsêmani, sobre Seus últimos sofrimentos, e isso causou a Sua agonia. Quando Ele teve uma plena visão dada a Ele daquela Ira de Deus que Ele devia sofrer, a visão foi esmagadora para Ele; o que fez a Sua alma cheia de tristeza até a morte. Cristo estava para ser lançado em uma fornalha terrível da ira, e não era apropriado que Ele mergulhasse nela de olhos vendados, como não conhecendo quão terrível era a fornalha. Portanto, para que Ele não o fizesse, Deus em primeiro lugar, o trouxe e o colocou na boca da fornalha, para que Ele pudesse olhar para dentro, e permanecer e ver as ardentes e furiosas chamas, e pudesse ver para onde estava indo, e pudesse entrar voluntariamente nela e suportá-la pelos pecadores, como sabendo o que era.

Esta visão Cristo teve em Sua agonia. Em seguida, Deus trouxe o cálice que Ele devia beber, e o colocou diante dEle, para que Ele tivesse uma visão completa do mesmo, e contemplar o que era, antes que Ele tomasse e bebesse. Se Cristo não tivesse totalmente conhecido o que o horror daqueles sofrimentos eram, antes que Ele os levasse sobre Si, Seu tomá-los sobre Ele não poderia ter sido totalmente Seu ato próprio como homem; não poderia ter havido nenhum ato explícito de Sua vontade sobre o que Ele era ignorante; não poderia ter havido nenhum julgamento adequado, se Ele estaria disposto a submeter-se a tais sofrimentos terríveis ou não, a menos que Ele soubesse de antemão quão terrível eles eram; mas quando viu que eles eram, por ter oferecido a Ele uma visão extraordinária deles, e, em seguida, aceitou suportá-los; então, Ele agiu como conhecendo o que Ele fez; assim tomando esse cálice, e tendo tais sofrimentos terríveis, foi corretamente Seu próprio ato de uma escolha explícita; e assim o Seu amor para com os pecadores, esta escolha dEle foi maravilhosa, como também a Sua obediência a Deus nela. E era necessário que essa visão extraordinária que Cristo teve do cálice que devia beber fosse dada neste momento, pouco antes de ser preso. Este foi o momento mais adequado para isso, pouco antes que Ele tomasse o cálice, e enquanto Ele ainda tinha a oportunidade de recusar o cálice; pois antes que Ele tivesse sido detido pela companhia liderada por Judas, Ele teve a oportunidade de fazer a Sua fuga à vontade de Deus. Pois o lugar onde Ele estava, era fora da cidade, onde, absolutamente, Ele não estava confinado, e era um lugar deserto e solitário; e era o período da noite; de modo que Ele poderia ter fugido daquele lugar par aonde ele quisesse, e Seus inimigos não teriam sabido onde o encontrar. Essa visão que Ele teve do cálice amargo foi-lhe dada enquanto Ele ainda estava totalmente em liberdade, antes de ser entregue nas mãos de Seus inimigos. O entregar-se de Cristo nas mãos de Seus inimigos, como Ele o fez quando Judas veio, o que foi logo após a Sua agonia, foi propriamente Seu ato de tomar o cálice, a fim de bebê-lo; pois Cristo conhecia que a questão do que seria a Sua crucificação no dia seguinte. Essas coisas podem nos mostrar a finalidade da agonia de Cristo, e a necessidade que havia de tal agonia antes de Seus últimos sofrimentos:

CONTINUA...



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JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — ALGUMAS CITAÇÕES DESSE
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JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 011 — APLICAÇÃO 002

UMA BREVE BIOGRAFIA DE JONATHAN EDWARDS
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segunda-feira, 6 de abril de 2015

JONATHAN EDWARDS: A AGONIA DE CRISTO — UM ESTUDO — PARTE 002


Concepção Artística

O material abaixo é parte de um livro escrito por Jonathan Edwards que foi publicado em forma de e-book por:

Fonte: CCEL.org │ Título Original: “Christ’s Agony”

As citações bíblicas desta tradução são da versão ACRF (Almeida Corrigida Revisada Fiel).

Tradução por Camila Almeida │ Revisão William Teixeira

facebook.com/oEstandarteDeCristo

Issuu.com/oEstandarteDeCristo

A AGONIA DE CRISTO

Por Jonathan Edwards

Algumas Citações deste Estudo — PARTE 002

“E, posto em agonia, orava mais intensamente; e o Seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue que corriam até ao chão.”
– Lucas 22:44 –
Citações deste Sermão

“Quando o cálice terrível estava diante dEle, Ele não disse em Seu interior: “Por que eu, que sou tão grandiosa e gloriosa Pessoa, infinitamente mais honrado do que todos os anjos do céu, por que eu deveria ir mergulhar-me em tão terríveis e incríveis tormentos por vermes inúteis miseráveis que não podem ser proveitosos a Deus, ou a mim, e que merecem ser odiados por mim, e não ser amados? Por que eu, que tenho vivido desde toda a eternidade no gozo do amor do Pai, lançar-me-ei em tal fornalha por aqueles que nunca podem me recompensar por isso? Por que eu deveria me render a ser, assim, esmagado pelo peso da Ira Divina, por aqueles que não têm amor por mim, e são meus inimigos? Eles não merecem qualquer união comigo, e nunca fizeram e nunca farão, qualquer coisa para recomendarem-se a mim. Em que serei mais rico por salvar um número de inimigos miseráveis de Deus e meus, que merecem ter a Justiça Divina glorificada em Sua destruição?” Tal, porém, não era a linguagem do coração de Cristo, nessas circunstâncias; mas, pelo contrário, o Seu amor permaneceu firme, e Ele resolveu, mesmo assim, em meio a Sua agonia, entregar a Si mesmo à vontade de Deus, e tomar o cálice e o beber. Ele não fugiria para sair do caminho de Judas e daqueles que estavam com ele, mas Ele sabia que eles estavam vindo, mas na mesma hora entregou-se voluntariamente em Suas mãos.”

“Assim poderoso, constante e corajoso foi o amor de Cristo; e a provação especial do Seu amor acima de todas as outras em toda a Sua vida parece ter sido no momento da Sua agonia. Pois, embora Seus sofrimentos fossem maiores depois, quando Ele estava na cruz, ainda assim Ele viu claramente o que esses sofrimentos seriam, no momento de Sua agonia; e esta parece ter sido a primeira vez que Jesus Cristo teve uma visão clara do que eram estes sofrimentos; e depois disso a provação não foi tão grande, porque o conflito terminara. A Sua natureza humana estava em uma luta com o Seu amor pelos pecadores, mas o Seu amor havia conseguido a vitória. A coisa, mediante uma visão plena dos Seus sofrimentos, havia sido resolvida e concluída; e, portanto, quando o momento chegou, Ele realmente passou por esses sofrimentos.”

“Há duas coisas que tornam o amor de Cristo maravilhoso: 1. Que Ele esteve disposto a suportar sofrimentos que eram tão grandiosos e 2. Que Ele esteve disposto a suportá-los para fazer expiação por impiedade que era tão grande. “

“A maravilha do amor de Cristo ao morrer, aparece em parte em que Ele morreu por aqueles que eram tão indignos em si mesmos, como todos os homens têm o mesmo tipo de corrupção em Seus corações, e em parte porque Ele morreu por aqueles que não eram apenas tão ímpios, mas cuja iniquidade consistia em serem Seus inimigos; assim, Ele não apenas morreu pelos ímpios, mas pelos Seus próprios inimigos.”

“E ainda agora, quando Ele teve o terrível cálice colocado diante dEle, que Ele beberia por eles, e estava em tal agonia diante da visão disto, Ele não viu nenhum retorno por parte deles, senão a indiferença e ingratidão. Quando Ele só desejava que o assistissem, para que Ele fosse consolado com Sua companhia, agora, neste momento, triste eles adormeceram; e mostraram que não havia preocupação suficiente sobre isso para induzi-los a manterem-se acordados com Ele nem mesmo por uma hora, embora Ele desejasse isso, uma vez e outra vez. Mas ainda assim, este tratamento ingrato deles, por quem Ele devia beber o cálice da Ira que Deus havia posto diante dEle, não O desencorajou a de tomá-lo, e bebê-lo por eles. Seu amor resistiu a eles; tendo amado os seus, amou-os até o fim. Ele não disse dentro de Si mesmo quando o cálice trêmulo estava diante dEle: “Por que devo suportar tanto por aqueles que são tão ingratos; por que eu deveria lutar aqui com a expectativa da terrível Ira de Deus a ser suportada por mim amanhã, por aqueles que nesse meio tempo não têm tanta preocupação por mim, como para manterem-se acordados comigo nem por uma hora quando eu desejo isso da parte deles?” Mas, ao contrário, com compaixões ternas e paternais Ele desculpa esta ingratidão de Seus discípulos, e diz em Mateus 26:41: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca”. E, seguiu, e foi apreendido, e escarnecido e açoitado e crucificado, e derramou a Sua alma na morte, sob o peso da terrível Ira de Deus na cruz por eles.”

“Cristo, sendo uma Pessoa Divina, era o Soberano absoluto do céu e da terra, mas ainda assim Ele foi o mais maravilhoso exemplo de submissão à soberania de Deus que alguma vez já houve. Quando Ele teve tal visão de quão terríveis seriam Seus últimos sofrimentos, e orou, se fosse possível que esse cálice passasse dEle, ou seja, se não houvesse uma necessidade absoluta disto para a salvação dos pecadores, ainda assim isto foi uma perfeita submissão à vontade de Deus. Ele acrescenta: “todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres”. Ele preferiu que a inclinação de Sua natureza humana, que tanto temia tais tormentos intensos, fosse crucificada, ao invés de que a vontade de Deus não fosse realizada. Ele se deleitava com o pensamento da vontade de Deus que estava sendo feita; e quando Ele foi e orou pela segunda vez, Ele não tinha mais nada a dizer, senão: “Pai meu, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade”; e assim na terceira vez.”

“Se Deus apenas em Sua providência indica que issa seja a Sua vontade para que participemos como um filho, quão dificilmente somos levados a ceder a ela, quão prontos para sermos insubmissos e perversos!”

“O Pai, quando O enviou ao mundo, enviou-O com os comandos sobre o que Ele deveria fazer no mundo; e Sua maior ordenança dentre todas foi sobre isso, que foi a incumbência para a qual Ele foi principalmente enviado, que foi para entregar a Sua vida. E, portanto, esta ordenança foi a principal prova da Sua obediência.”

“Cristo, no momento de Sua agonia, deu uma prova inconcebível e maior de obediência do que qualquer homem ou anjo já deu. Quanto mais além foi esta prova de obediência do segundo Adão do que a provação de obediência do primeiro Adão! Quão leve foi a tentação de nosso primeiro pai, em comparação a esta! E, no entanto o nosso primeiro fiador falhou, e nosso segundo não falhou, mas obteve uma vitória gloriosa, e seguiu, e tornou-se obediente até à morte e morte de cruz. Assim maravilhosa e gloriosa foi a obediência de Cristo, pela qual Ele operou a justiça para os crentes, e cuja obediência é imputada a eles. Não deve nos surpreender que essa seja uma doce punição semeada, e que Deus permaneça disposto a dar o céu como a Sua recompensa a todos os que creem nEle.”

“O que foi dito mostra-nos a insensatez da segurança dos pecadores em serem tão destemidos diante da Ira de Deus. Se a Ira de Deus era tão terrível, que, quando Cristo somente a esperava, Sua natureza humana foi quase sobrecarregada com o temor dela, e Sua alma ficou assombrada, e Seu corpo todo em um suor sangrento; então quão insensatos são os pecadores, que estão sob a ameaça da mesma Ira de Deus, e são condenados a ela, e estão a cada momento expostos a isso; e, no entanto, em vez de manifestar intensa apreensão, estão calmos, leves e indiferentes; em vez de estarem tristes e mui pesados, andam com um coração tranquilo e descuidado; em vez de chorar em amarga agonia, muitas vezes estão felizes e contentes, e comem e bebem, e dormem tranquilamente, e prosseguem no pecado, provocando a Ira de Deus mais e mais, sem qualquer motivo de preocupação! Quão estúpidas e insensatas são essas pessoas!”

“Os sofrimentos de Cristo duraram apenas algumas horas, e não havia um fim eterno a eles, e a glória eterna sucedeu. Mas você que é, um pecador seguro, insensível, está todos os dias exposto a ser lançado na miséria eterna, um fogo que nunca se apaga. Se, então, o Filho de Deus esteve em tal assombro, na expectativa de que Ele devia sofrer por algumas horas, quão insensato é você que está continuamente exposto a sofrimentos imensamente mais terríveis em natureza e grau, e que devem sem qualquer fim, mas que serão suportados sem descanso dia e noite para todo o sempre! Se você tivesse um sentido pleno da grandeza daquela miséria a que você está exposto, e quão terrível é a Sua condição atual por conta disso, seria neste momento colocado tão terrível agonia como a que Cristo sofreu; sim, se a sua natureza puder suportá-la, uma muito mais terrível. Agora veríamos você cair em um suor sangrento, chafurdando em Sua dor e gritando de terrível espanto.”

“Cristo, antes de Sua segunda oração, teve uma intimação da parte do Pai, que não era a Sua vontade de que o cálice passasse dele. A vinda do anjo do céu para fortalecê-lo deve ser assim entendida. Cristo em primeiro lugar, ora para que, se fosse a vontade do Pai, o cálice pudesse passar; mas isso não foi a Sua vontade; e então Deus imediatamente após isto envia um anjo para fortalecê-lo e encorajá-Lo a tomar o cálice, o que era uma indicação clara a Cristo que era a vontade do Pai que Ele deveria tomá-lo, e que Ele não passasse dele. E assim Cristo o recebeu; como é evidenciado a partir do relato que Mateus oferece sobre esta segunda oração. Mateus 26:42: “E, indo segunda vez, orou, dizendo: Pai meu, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade”. E Lucas nos diz como, a saber, por ter Deus enviado um anjo. Mateus nos informa, como Lucas o faz, que em Sua primeira oração, Ele orou para que, se fosse possível o cálice passasse dEle; mas então Deus envia um anjo para significar que não era a Sua vontade, e para encorajá-Lo a tomá-lo. E então, Cristo tendo recebido essa indicação clara que não era a vontade de Deus que o cálice passasse dEle, rende-se à mensagem que recebeu, e diz: ó, Meu Pai, se é assim como Tu agora indicas, seja feita a Tua vontade. Portanto, podemos seguramente concluir que pelo que Cristo orava mais intensamente depois disso, não era para que o cálice passasse dEle, mas por outra coisa; pois Ele não iria orar mais fervorosamente, do que Ele fez antes, para que o cálice passasse dEle, depois de Deus ter sinalizado que não era Sua vontade que isso passasse dEle; supor isso seria uma blasfêmia.”

“Foi da vontade preceptiva de Deus que Ele tomasse esse cálice e bebesse; foi a ordem do Pai para Ele. O Pai lhe deu o cálice, e como que foi estabelecido diante dEle com a ordem que Ele deveria beber. Este foi o maior ato de obediência que Cristo devia executar. Ele ora por força e auxílio, para que a Sua pobre natureza humana fraca fosse apoiada, para que Ele não falhasse nesta grande prova, para que Ele não afundasse e fosse engolido, e que Sua força superasse em muito que Ele não aguentasse, e terminasse a obediência indicada. Esta foi a única coisa que Ele temia, do qual o apóstolo fala no capítulo 5 de Hebreus, quando Ele diz, “ele foi ouvido quanto ao que temia”. Quando Ele teve um senso tão extraordinário do horror dos Seus sofrimentos impressos em Sua mente, o medo disso O assombrava. Ele estava com medo de que Sua pobre fraca força fosse superada, e que Ele falhasse em uma tão grande provação, que Ele fosse engolido por aquela morte que Ele estava para morrer, e assim, não fosse salvo da morte; e, portanto, Ele se ofereceu com grande clamor e lágrimas, Àquele que era capaz de fortalecê-Lo, e apoiá-lo, e salvá-Lo da morte, para que a morte que devia sofrer não pudesse superar o Seu amor e obediência, mas que Ele pudesse vencer a morte, e ser salvo dela.”

“Se a coragem de Cristo falhasse no teste, e Ele não resistisse sob Seus sofrimentos de morte, Ele nunca teria sido salvo da morte, mas Ele teria afundado no lamaçal profundo; Ele nunca teria ressuscitado dentre os mortos, pois a Sua ressurreição dos mortos foi uma recompensa por Sua vitória. Se Sua coragem houvesse falhado, e Ele tivesse desistido, Ele teria permanecido debaixo do poder da morte, e por isso todos nós teríamos perecido, teríamos ainda permanecido em nossos pecados. Se Ele tivesse falhado, tudo teria falhado. Se Ele não tivesse superado esse conflito doloroso, nem Ele nem nós poderíamos ter sido libertados da morte, todos nós teríamos morrido juntos. Portanto, essa foi a preservação da morte que o apóstolo fala, que Cristo temia e orava, com grande clamor e lágrimas. Seu Ser superado pela morte era a única coisa que Ele temia, e por isso Ele foi ouvido quanto ao que temia.”

“Que Cristo em Sua agonia orou tão fervorosamente, para que a vontade de Deus fosse feita, ou seja, que Ele tivesse força para cumprir a Sua vontade, e não afundasse e falhasse em tais grandes sofrimentos, é confirmado pelas Escrituras do Antigo Testamento, particularmente a partir do Salmo 69. O salmista representa a Cristo neste salmo, como é evidente pelo fato de que as palavras do salmo são representadas como as palavras de Cristo em muitos lugares do Novo Testamento. Esse salmo é representado como a oração de Cristo a Deus quando Sua alma estava profundamente triste e assombrada, como foi em Sua agonia; como você pode ver no 1º e 2º versículos: “Livra-me, ó Deus, pois as águas entraram até à minha alma. Atolei-me em profundo lamaçal, onde se não pode estar em pé; entrei na profundeza das águas, onde a corrente me leva”. Mas, então, a única coisa que é representada como sendo o que Ele temia, estava falhando, e sendo oprimido, nesta grande provação: Versículos 14 e 15: “Tira-me do lamaçal, e não me deixes atolar; seja eu livre dos que me odeiam, e das profundezas das águas. Não me leve a corrente das águas, e não me absorva ao profundo, nem o poço cerre a Sua boca sobre mim”. Então, novamente no Salmo 22, que também é representado como a oração de Cristo sob Suas terríveis dores e sofrimentos, nos versículos 19, 20 e 21: ‘Mas tu, Senhor, não te alongues de mim. Força minha, apressa-te em socorrer-me. Livra a minha alma da espada, e a minha predileta da força do cão. Salva-me da boca do leão’.”

“Cristo, quando prestes a se envolver em terrível conflito, buscou, assim, sinceramente a ajuda de Deus para capacitá-lo a fazer a Sua vontade; pois Ele precisava da ajuda de Deus – a força de Sua natureza humana, sem a ajuda Divina, não era suficiente para sustentá-Lo completamente. Isto foi, sem dúvida, no que o primeiro Adão falhou em Sua primeira provação, de forma que quando a provação chegou, Ele não estava consciente de Sua própria fraqueza e dependência. Se Ele tivesse se inclinado para Deus, e clamado por Ele, por Sua ajuda e força contra a tentação, muito provavelmente teríamos permanecido criaturas inocentes e felizes até hoje.”

“Cristo ofereceu aqueles fortes clamores com a Sua carne, da mesma maneira que os sacerdotes de antigamente tinham o costume de oferecer orações com os Seus sacrifícios. Cristo misturou grande clamor e lágrimas, com Seu sangue, e por isso ofereceu o Seu sangue e Suas orações em conjunto, para que o efeito e o sucesso de Seu sangue fossem obtidos. Tais intensas orações agonizantes foram oferecidos com o Seu sangue, e Seu sangue infinitamente precioso e meritório foi oferecido com as Suas orações.”

“Cristo teve um extraordinário senso de Sua dependência de Deus, e de Sua necessidade de Sua ajuda para capacitá-Lo a fazer a vontade de Deus nesta grande provação. Embora Ele fosse inocente, ainda assim Ele precisava de ajuda Divina. Ele era dependente de Deus, como homem, e, portanto, lemos que Ele confiava em Deus. Mateus 27:43: “Confiou em Deus; livre-o agora, se o ama; porque disse: Sou Filho de Deus”. E quando Ele teve uma visão extraordinária do pavor daquela Ira que Ele devia sofrer, Ele viu o quanto isso estava além da força apenas de Sua natureza humana.”

“O apóstolo diz: “Ele foi ouvido quanto ao que temia”; em tudo o que Ele temia. Ele obteve a força e a ajuda de Deus, tudo o que Ele precisava, e foi realizado. Ele foi capaz de cumprir e de sofrer toda a vontade de Deus; e obteve todo o fim de Seus sofrimentos – uma plena expiação pelos pecados de todo o mundo, e para a salvação completa para cada um daqueles que foram dados a Ele na promessa da Redenção, e tudo o que glorifica o nome de Deus, que em Sua mediação foi projetado para realizar, nem um jota ou um til falhou. Aqui Cristo em Sua agonia foi, acima de todos os outros, antítipo de Jacó, em Sua luta com Deus por uma bênção; em que Jacó o fez, não como uma pessoa particular, mas como chefe de Sua posteridade, a nação de Israel, e pelo que Ele obteve aquele louvor de Deus: “como príncipe lutaste com Deus” [Gênesis 32:28], e disso, foi um tipo daquele que era o Príncipe dos príncipes.”

CONTINUA...


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