Mostrando postagens com marcador Seminário. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Seminário. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 26 de abril de 2016

OS PROTESTANTES E A ALEMANHA SOB O NAZISMO



Um seminário teológico REFORMADO na Alemanha nazista

Stephen Nichols

Quando a igreja luterana alemã apoiou os nazistas em 1933, um seleto grupo de líderes dentro da igreja formou um movimento de resistência eclesiástica, o qual veio a se chamar de Igreja Confessante. Eles logo fundaram cinco novos seminários para treinar a próxima geração de ministros. Aproveitaram um jovem professor de teologia da Universidade de Berlim para dirigir o seminário recém criado em Zingst e posteriormente em Finkenwalde.

O modelo predominante para a educação teológica na Alemanha era amplamente acadêmico e as universidades dominaram a educação ministerial. Desde o Iluminismo (Aufklarung em alemão) os pastores alemães tinham digladiado pela respeitabilidade ao lado de médicos e advogados – profissionais das disciplinas mais “respeitáveis”. Eruditos no estudo bíblico e teólogos tinham de fazer o mesmo em contraposição aos seus colegas na academia. Após um punhado de palestras para futuros ministros e teólogos na Friedrich Wilhelm University, em Berlin, Dietrich Bonhoeffer sentiu que este tipo de ethos educacional estava errado – e era, por fim, danoso – para a igreja em geral.

Então, o novo seminário em Finkenwalde deu a Bonhoeffer uma oportunidade para traçar um curso diferente para a educação ministerial. Ele focaria sua escola na Escritura, oração e confissão teológica, e como Herr Direktor, Bonhoeffer poderia sustentar estes três pilares como achasse por bem. Mas nem todos concordaram. O altaneiro Karl Barth, por exemplo, protestou, dentre outros líderes na Igreja Confessante. Muitos estudantes seguiram o exemplo, contrariando as inovações de Bonhoeffer. Formidável demais para ser demitido, ele se manteve firme, e acabou ganhando tanto seus alunos como seus críticos.

Infelizmente, a história de Finkenwalde não acaba com sucesso – pelo menos não como a palavra “sucesso” é frequentemente definida, com os requisitos métricos de números e proezas. A maioria dos alunos de Bonhoeffer nunca chegou ao ministério pastoral. Vinte e sete foram presos. O seminário, como um todo, teve uma vida curta, fechado pela Gestapo após dois anos apenas.

Dito isto, o que foi realizado ali durante aqueles dois anos merece nota. Então, vamos considerar os três pilares de Bonhoeffer para a educação no seminário: Escritura, oração e confissão teológica.

Construa sobre a Palavra

Depois de alguns meses em operação, Bonhoeffer escreveu uma carta para as igrejas mantenedoras explicando a missão do seminário:
O caráter especial de um seminário da Igreja Confessante deriva da difícil situação na qual temos sido colocados devido ao conflito na igreja. A Bíblia constitui o ponto focal de nosso trabalho. Ela tem se tornado para nós uma vez mais o ponto de partida e o centro de nosso labor teológico e de toda a nossa ação cristã.1

Que esse foco bíblico era “especial” mostra porque a igreja luterana alemã murchou sob o governo nazista. A igreja como um todo há muito havia se afastado de suas amarras bíblicas. Sem um sólido fundamento bíblico, a igreja simplesmente não possuía os recursos necessários para se envolver nas questões éticas da década de 1930, a qual, em seguida, levou tragicamente às atrocidades na década de 1940 e da Segunda Guerra Mundial.

As palavras de Bonhoeffer também revelam sua convicção de que a Bíblia deve permanecer como o ponto central na educação ministerial e na igreja. A Escritura como o ponto focal em Finkenwalde implicava que os estudantes seriam treinados em hebraico e grego. Eles receberiam instrução no conteúdo bíblico. “A congregação”, Bonhoeffer disse uma vez, “é construída unicamente sobre a Palavra de Deus”2. Bonhoeffer exigia que os alunos praticassem a lectio divina, lendo um Salmo e capítulos do Antigo e do Novo Testamento a cada dia. Os alunos também tinham de meditar numa passagem selecionada a cada semana. Ele tinha a intenção de ajudá-los a formar os hábitos corretos.

Os alunos de Finkenwalde e o futuro biógrafo de Bonhoeffer, Eberhard Bethge, entenderam a mensagem. Anos depois, Bethge testificou: “Porque eu sou um pregador da Palavra, não posso expor as Escrituras a menos que as deixe falar para mim todos os dias. Usarei indevidamente a Palavra no meu serviço se não me mantiver meditando sobre ela em oração”.3

A oração faz um pastor

Os cursos de Bonhoeffer sobre oração usavam a Oração do Senhor [o Pai Nosso] e o Catecismo de Lutero para instrução. Ele também exigia que os estudantes orassem, como um tipo de dever de casa. Os críticos o acusaram de que estava sendo legalista; alguém até mesmo chegou a dizer a ele que o tempo era muito urgente para oração e meditação. Bonhoeffer respondeu a estas críticas vigorosamente: “Isso ou mostra uma total falta de compreensão por parte dos jovens teólogos de hoje, ou uma ignorância blasfema de como a pregação e o ensino vêm à existência”.4  Como Bonhoeffer disse uma vez à sua congregação em Londres: “Uma congregação que não ora pelo ministério do seu pastor, não é mais uma congregação. Um pastor que não ora diariamente por sua congregação, não é mais um pastor”.5

Confissão como currículo

Por fim, há o terceiro pilar: a confissão teológica. Como um luterano alemão, o padrão confessional de Bonhoeffer era a Confissão de Augsburg (1530), contida no Livro de Concórdia (1580). Da mesma maneira que a Escritura e a oração foram eclipsadas na igreja luterana, assim também acontecia com a confissão. Como tantas outras denominações no século 20, a igreja luterana alemã professava sua confissão teológica da boca para fora, e não mais do que isso.

Não era assim no seminário de Bonhoeffer. Bethge comenta sobre como a cópia do Livro de Concórdia de Bonhoeffer estava sublinhada, marcada com notas nas laterais, pontos de exclamação e interrogações. É evidente que Bonhoeffer lutou com sua confissão e a levou a sério6. De fato, para Bonhoeffer, a confissão era o currículo da teologia.

Mas ele não estava apenas interessado em que seus alunos conhecessem e lutassem com a teologia, pois também queria que eles a vivessem. A confissão moldaria suas vidas, sua ética, sua pregação e suas igrejas. “Teologia é a submissão ao conhecimento coerente e bem ordenado da palavra de Deus”, ele escreveu. “Ela serve à pura proclamação da palavra na congregação e à edificação da congregação de acordo com a palavra de Deus”.7

Seminários são para a igreja

Então, os seminários existem pra quê? Assim como a teologia que ensinam, eles existem para a igreja. E acerca do que eles deveriam tratar? Assim como a igreja para quem eles existem, eles deveriam tratar sobre a Escritura, a oração e a confissão teológica. Além do mais, estas são as marcas de todos os cristãos em todos os tempos, pois são os hábitos da vida cristã.

Se você deseja conhecer mais sobre a vida de Dietrich Bonhoeffer recomendamos os dois links abaixo:

http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/04/voce-sabe-quem-foi-dietrich-bonhoeffer.html

http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/04/voce-sabe-quem-foi-dietrich-bonhoeffer_10.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:

http://www.facebook.com/pages/O-Grande-Diálogo/193483684110775

Desde já agradecemos a todos.

______________________________
* Texto original disponível em: http://thegospelcoalition.org/blogs/tgc/2013/08/08/seminary-in-nazi-germany/. Tradução de Nelson Ávila, bacharelando em teologia pela Escola Teológica Charles Spurgeon, em Fortaleza-CE.

1  Dietrich Bonhoeffer, "A Greeting from the Finkenwalde Seminary," Oct. 1935, The Way to Freedom (New York: Harper & Row, 1966), 35.

2  Dietrich Bonhoeffer, "Theology and the Congregation," Dietrich Bonhoeffer Works, Vol 16: 1940-1945 (Minneapolis: Fortress Press, 2006), 494.

3  Ibid., 57.

4  Cited in Eberhard Bethge, Dietrich Bonhoeffer: A Biography (Minneapolis: Fortress Press, 2000), 465.

5  Dietrich Bonhoeffer, Oct. 22, 1933, in Dietrich Bonhoeffer Works, Vol 13: London, 1933-1935 (Minneapolis: Fortress Press, 2007), 325.

6  Bethge, Dietrich Bonhoeffer, 449.

7  Bonhoffer, DBW, Vol. 16, 494.         

domingo, 10 de abril de 2016

VOCÊ SABE QUEM FOI DIETRICH BONHOEFFER? PARTE 002 - FINAL


Nascido na riqueza Dietrich Bonhoeffer caminhava para uma carreira brilhante como teólogo, até passar a ver a vida sob a perspectiva daqueles que sofrem, na Alemanha nazista. Isso lhe custou a vida.

O artigo abaixo é de autoria de Geffrey B. Kelly e foi publicado no Brasil pelo site da revista Cristianismo Hoje.

A primeira parte poderá ser vista por meio do link abaixo:

http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/04/voce-sabe-quem-foi-dietrich-bonhoeffer.html


A vida e a morte de um mártir moderno

Por Geffrey B. Kelly

Um ousado e ilegal novo seminário — Em 1935, os líderes da Igreja Confessante pediram a Bonhoeffer para dirigir um seminário ilegal perto do mar Báltico. Para a Igreja Confessante, estabelecer seus próprios seminários era um passo ousado. Eles simplesmente contornavam o treinamento típico dos candidatos nas universidades contaminadas pelo nazismo. Com seus próprios seminários, eles podiam ignorar as exigências para que os candidatos provassem seu sangue puro ariano e lealdade ao nazismo como condições para a ordenação. Estes seminários eram apoiados não por ajuda do governo, mas por ofertas de boa vontade.

Os jovens candidatos, que se juntavam primeiro em Zingst, no mar Báltico e mais tarde em uma escola particular abandonada, em Finkenwalde, lembram-se do seminário como um oásis de liberdade e paz. Bonhoeffer estruturava o dia ao redor da oração em comum, meditação, leituras bíblicas e reflexão, serviço fraternal, e suas próprias palestras. Cada dia era aliviado pela recreação, além de cantarem os negro spirituals que Bonhoeffer trouxera da América.

Mas o ponto alto de seu treinamento, eram as palestras de Bonhoeffer sobre discipulado. Elas deram origem ao mais conhecido de seus livros: O Discipulado. Nele, Bonhoeffer acusou os cristãos de buscarem “graça barata”, que garantia uma salvação na base da barganha, mas não fazia exigências reais às pessoas, envenenando, dessa forma, “a vida de seguir a Cristo”. Ele desafia os leitores a seguir a Cristo até a cruz, a aceitar “a graça de alto preço”, da fé que vive em solidariedade com as vítimas de sociedades sem coração.

A Gestapo fechou o seminário em outubro de 1937. Bonhoeffer tentou então conduzir um “seminário secreto em atividade”. Mas não houve sucesso. O espírito de Finkenwalde sobreviveu, entretanto, no “Vida em Comunhão”. Publicado em 1939, o livro registra as “experiências em comunidade” dos alunos. A igreja, Bonhoeffer acreditava, precisava promover um senso genuíno de comunidade cristã. Sem isso, não poderia testemunhar com eficácia contra a ideologia nacionalista na qual a Alemanha havia sucumbido. A congregação de uma igreja não era para ser fechada em si mesma, mas ser um ponto de apoio para os esgotados espiritualmente e um refúgio para os perseguidos. Através da oração e serviço a igreja podia tornar-se novamente “Cristo existindo como comunidade”.

A falta de coragem da igreja — Os anos de 1937 a 1939 foram particularmente problemáticos para Bonhoeffer e seu papel na luta da igreja. Os líderes da Igreja Confessante pareciam não ter firmeza na questão de ser contra fazer o pacto civil a Hitler. Ele ofereceu aos ministros da Igreja Confessante legitimidade para retomar seu apoio silencioso aos seus planos expansionistas, incluindo a anexação da Áustria. A paz, a respeitabilidade e o patriotismo eram a isca. Bonhoeffer queria que os bispos defendessem o direito dos pastores de se recusarem a fazer o pacto de fidelidade a Adolf Hitler.

Bonhoeffer foi bloqueado, também, em seus esforços para agitar uma oposição mais forte na igreja contra a cruel perseguição aos judeus. Para ele, os sínodos (assembleias) da igreja olhavam apenas os seus próprios interesses. Faltava-lhes o sentimento para assuntos mais urgentes: como contra-atacar o abuso e negação dos direitos civis na Alemanha. Ele censurou publicamente a falta de sensibilidade para com a situação difícil dos pastores aprisionados por suas dissidências.

Se os líderes da igreja levantassem suas vozes em favor dos judeus, Bonhoeffer teria como avaliar o sucesso ou o fracasso do sínodo. “Onde está seu irmão Abel?” — ele perguntava. Os ensaios e palestras de Bonhoeffer deste período exibiam sua indignação contra a covardia dos bispos. Ele frequentemente citava Provérbios 31:8 – “Erga a voz em favor dos que não podem se defender”, para explicar o motivo de ser a voz de defesa dos judeus na Alemanha nazista.
Em junho de 1938, o Sexto Sínodo da Igreja Confessante reuniu-se para resolver a última crise da igreja. O Dr. Friedrich Werner, comissário do governo, responsável pela Igreja da Prússia, havia ameaçado expulsar qualquer pastor que se recusasse a fazer, como um “presente de aniversário” a Hitler, o juramento de lealdade civil. Ao invés de lutar pela liberdade da igreja, o sínodo transferiu o peso da decisão para cada pastor individualmente. Este resultado caiu nas mãos da Gestapo, que pôde facilmente identificar os poucos desleais que ousaram recusar-se a fazer o juramento. Enfurecido com os bispos, Bonhoeffer questionava, “Será que a Igreja Confessante nunca irá aprender que, em questões de consciência, a decisão majoritária mata o espírito?”

Viagem por engano à América — No outono de 1938, Bonhoeffer sentia que era um homem sem igreja. Ele não conseguia influenciar a Igreja Confessante a tomar coragem e resistir a um governo civil que ele considerava como o mal inerente. Na frente ecumênica, ele havia se mostrado inapto em persuadir a Aliança Mundial das Igrejas a não aceitar a delegação do Terceiro Reich em sua conferência. Como forma de protesto, em 1937, Bonhoeffer renunciou ao cargo de secretário da Aliança Mundial.

Na chamada “Noite de Cristal” (Kristallnacht), em 9 de novembro de 1938, o frenesi do nazismo antissemita é permitido contra os cidadãos judeus. A polícia observava passivamente as hordas de alemães quebrar as vidraças das casas e das lojas judias e queimar as sinagogas, brutalizando contra os judeus. Bonhoeffer estava fora de Berlim naquela noite, mas voltou rapidamente para aquele cenário. Ele se recusou a acreditar nas tentativas de atribuir tal violência a tão falada maldição divina sobre os judeus por causa da morte de Cristo. Em sua Bíblia, ele sublinhou Salmo 74:8 – “Disseram em seus corações: ‘Vamos acabar com eles! E queimaram todos os santuários do país’”. – e colocou ao lado a data da Noite de Cristal.

Bonhoeffer sentiu um enorme desapontamento com o vergonhoso silêncio que se seguiu por parte da igreja, sobre aquela noite de selvageria. Este foi um dos fatores que o levou a cogitar uma segunda viagem à América. Ele desejava repensar seu compromisso com a Igreja Confessante, o ponto principal de sua oposição a Hitler.


Outra razão para deixar a Alemanha era a iminente convocação às forças armadas para os de sua faixa etária. Bonhoeffer compreendeu que sua recusa a ingressar no exército traria a ira nazista sobre seus colegas da Igreja Confessante. Bonhoeffer também havia entrado em contato com seu cunhado, Hans Von Dohnanyi, almirante Wilhelm Canaris, e o coronel Hans Oster (todos da unidade de inteligência militar ou Abwehr), que estavam preparando um golpe de estado. Ele temia, inconscientemente, atrair a atenção da Gestapo para este plano.

Por todos estes motivos, Bonhoeffer considerava a possibilidade de deixar a Alemanha, desta vez via um tour de palestras pelos Estados Unidos, no verão de 1939. O americano Paul Lehmann, seu amigo íntimo e o seu primeiro professor Reinhold Niebuhr, estavam ansiosos por resgatar Bonhoeffer do destino reservado aos dissidentes na Alemanha Nazista. Por isso arranjaram o tour com a intenção implícita de que, uma vez iniciada a guerra, ele pudesse permanecer na América. Bonhoeffer embarcou para os Estados Unidos em 2 de junho de 1939.

Entretanto, a tranquilidade desta viagem era perturbada pela lembrança da perseguição que os pastores dissidentes estavam enfrentando. A Godesberg Declaration, de 04 de abril de 1939, impunha a todos os pastores o dever de devotarem-se completamente a “política nacional de trabalho construtivo do Führer”. Tornava-se cada vez mais perigoso ser enumerado como um dos inimigos do Terceiro Reich. Neste período o diário de Bonhoeffer está repleto de expressões de ansiedade. Porque ele havia ido para a América quando era necessário aos cristãos da Alemanha?

Rapidamente Bonhoeffer mudou de ideia e resolveu voltar. Partiu em 08 de julho de 1939, pouco mais de um mês de sua chegada. “Cometi um engano ao vir para a América”, ele escreveu para Reinhold Niebuhr. “Eu tenho que viver este período da história nacional com os cristãos da Alemanha. Eu não terei direito de participar da reconstrução da vida cristã na Alemanha depois da guerra, se não compartilhar das aflições deste tempo com o meu povo”.

Atividades de espionagem — Quando retornou ao seu país, Bonhoeffer foi proibido de ensinar, pregar ou de publicar qualquer coisa sem submeter uma cópia do material para aprovação prévia dos nazistas. Ele também recebeu ordens para se apresentar regularmente à polícia. A liberdade para continuar a escrever veio inesperadamente através do seu recrutamento para uma conspiração. Hans von Dohnanyi e o coronel Hans Oster, figuras de prestígio na inteligência militar alemã, arranjaram para tê-lo figurando como indispensável para as atividades de espionagem que desenvolviam. Como Bonhoeffer estava designado para o escritório em Munique, isto o livrou da prisão e o deixou longe da vigilância da Gestapo em Berlim.

Sua missão ostensiva era espionar para a inteligência através de suas “visitas pastorais” e seus contatos ecumênicos. Todavia, sob esta aparência, Bonhoeffer estava envolvido em reais atividades de espionagem. Sua verdadeira e principal missão era conseguir com os Aliados os termos da rendição, caso o plano contra Hitler fosse bem-sucedido. O ponto alto dessas negociações foi em uma reunião secreta com o Bispo Bell, em Sigtuna – Suíça, em maio de 1942. Bonhoeffer convenceu Bell de que ele poderia acreditar que os conspiradores venceriam o governo nazista, restaurariam a democracia na Alemanha e fariam reparações de guerra. Bell levou estas informações ao Secretário Britânico para Assuntos Exteriores, Anthony Eden, mas os aliados responderam que para a Alemanha só havia a condição para uma “rendição incondicional”.

Quando não estava desperdiçando seu tempo no escritório de Munique, Bonhoeffer ficava em seu quartel-general, localizado nas vizinhanças de um mosteiro beneditino. Lá, ele continuava a escrever o que uma vez declarou ser o principal trabalho de sua vida: Ética – obra póstuma reconstruída por Eberhard Bethge. Na verdade, eram os últimos quatro fragmentos dos métodos de construção da ética cristã em meio à crise nacional da Alemanha. Neles, Bonhoeffer criticava a igreja duramente por “não ter levantado sua voz em defesa das vítimas ou... encontrado meios de sair em socorro a elas”. Em uma frase contundente ele declarou a igreja “culpada da morte dos mais fracos e dos mais indefesos irmãos e irmãs de Jesus Cristo”.

Cartas da prisão — Enquanto trabalhava para a Abwehr, Bonhoeffer se envolveu na chamada “Operação 7”: um ousado plano de contrabandear judeus para fora da Alemanha. Isto atraiu suspeitas da Gestapo, e em 05 de abril de 1943, após o fracasso de três atentados contra a vida de Hitler – Bonhoeffer foi preso e encarcerado na prisão militar de Tegel, em Berlim. A princípio, os nazistas tinham apenas acusações vagas contra ele: sua evasão do serviço militar, sua participação na “Operação 7” e suas deslealdades anteriores.

Durante o tempo que passou na prisão, Bonhoeffer escreveu cartas inspirativas e poemas que hoje são considerados como clássicos cristãos. Após a publicação póstuma de Resistência e Submissão, por Eberhard Bethge; pessoas de todo o mundo começaram a apreciar a criatividade incansável de Bonhoeffer em busca do significado da fé cristã. Estruturas religiosas sem significado e linguagem teológica abstrata eram respostas insípidas aos clamores das pessoas perdidas em meio ao caos e às mortes nos campos de batalha e campos de concentração.

Nestas cartas, Bonhoeffer também levantava questões perturbadoras que iriam irritar os líderes da igreja. Na carta de 30 de abril de 1944, ele confidencia que “o que mais me preocupa é a questão do que o cristianismo realmente é; ou de fato quem Cristo realmente é, hoje, para cada um de nós”.

Em resposta a esta questão, Bonhoeffer observava que a igreja, ansiosa por manter os privilégios clericais e sobreviver aos anos de guerra com seu status intacto, oferecia apenas, uma religião que servia a interesses próprios, tornando-se um refúgio da responsabilidade pessoal. A igreja falhara em demonstrar qualquer tipo de credibilidade moral em uma “época em que o mundo precisava dela”. A igreja tem que repudiar aqueles “adereços religiosos” que são muitas vezes confundidos erroneamente com a fé autêntica. Para ele, se Jesus é “o homem para os outros”, então a igreja somente poderá ser uma igreja de verdade quando existir para corajosamente servir às pessoas.

Bonhoeffer escreveu, também, cartas à sua noiva, Maria von Wedemeyer. Ele se apaixonara por Maria em 1942, quando conheceu a família dela durante as viagens a serviço da Abwehr. Ele foi atraído por sua beleza, vivacidade e seu espírito independente. Inicialmente, a família dela foi contra a um compromisso entre eles, por ela ser muito mais jovem – ela estava com 18 anos e ele com 37. Ele também estava envolvido em ações secretas que poderiam ser perigosas para ela. Mas após sua prisão, eles anunciaram o noivado publicamente como uma forma de apoio a ele. As visitas de Maria a Bonhoeffer tornaram-se o principal sustento dele durante os primeiros dias sombrios do seu encarceramento.

Uma das cartas que escreveu a Maria, fala do amor dos dois como “um sinal da graça de Deus, e de sua bondade; que nos encoraja a ter fé”. Ele acrescenta ainda, “e eu não falo de uma fé que foge do mundo, mas de algo que faz com que ele sobreviva, e cujo amor e verdade permanecem para o mundo apesar de todo o sofrimento que ele nos traz”.

Campo da morte em Flossenburg — Em 20 de julho de 1944, outro plano para assassinar Hitler falhou. A Gestapo, como resultado de sua rede de investigação, fechou o cerco contra os principais conspiradores, incluindo Bonhoeffer. Ele foi transferido para a prisão da Gestapo em Berlim, em outubro de 1944. Maria e Dietrich Bonhoeffer estavam completamente separados um do outro. Em fevereiro de 1945, Bonhoeffer foi mandado para o campo de concentração de Buchenwald.

Em meio ao caos reinante, por causa do assalto final das tropas aliadas à Alemanha, Maria viajou por todos os campos de concentração entre Berlim e Munique, geralmente a pé, em infrutíferas tentativas de ver Bonhoeffer novamente.

O que sabemos sobre aqueles últimos dias está reunido no livro The Venlo Incident (O incidente de Venlo), escrito por um companheiro de prisão de Bonhoeffer, o oficial da inteligência britânica Payne Best. Bonhoeffer e Payne Best estavam entre os “prisioneiros importantes” levados para Buchenwald. Best escreveu mais tarde sobre Bonhoeffer: “Ele foi um dos poucos homens que conheci para quem o seu Deus era real, e estava sempre junto com ele...”.

No dia 3 de abril, Bonhoeffer e outros presos foram colocados em um vagão de trem e levados para serem exterminados no campo de Flossenburg. Para transportarem prisioneiros desta maneira, a sentença de morte já havia sido decretada em Berlim. Os guardas da SS cumpririam as formalidades de uma corte marcial, executariam estes inimigos do Terceiro Reich e depois destruiriam seus corpos.

Em 08 de abril, eles alcançaram Schönberg, uma pequenina vila da Bavária, onde os prisioneiros eram amontoados em uma pequena escola usada temporariamente como prisão. Era o primeiro domingo depois da Páscoa, e muitos prisioneiros pediram a Bonhoeffer para liderá-los em culto e orações. Ele aceitou e meditou no livro de Isaías “E por suas chagas fomos curados”. Em seu livro, Best relembra aquele momento: “Ele tocou o coração de cada um, encontrando as palavras certas para expressar o espírito do nosso aprisionamento, os pensamentos e resoluções que isto tinha trazido”.

A quietude foi interrompida assim que a porta foi aberta por dois homens, membros da Gestapo, em trajes civis. Eles ordenaram que Bonhoeffer os seguisse. Para os prisioneiros, isto só podia significar uma única coisa: que ele seria executado em breve. Bonhoeffer arrumou tempo para se despedir de cada um. Puxando Best de lado, ele falou as últimas palavras das quais se têm registro, uma mensagem para seu amigo inglês, o Bispo Bell: “Este é o fim – mas para mim, o início da vida”.

Bem cedo, na manhã de 9 de abril, Bonhoeffer, Wilhelm Canaris, Hans Oster, e mais quatro outros conspiradores foram enforcados no campo de extermínio de Flossenburg. O médico do campo, que testemunhou as execuções, se lembra de ter visto Bonhoeffer ajoelhar-se e orar antes de ser levado à forca. “Eu fiquei profundamente comovido pela maneira com a qual aquele homem amável orava: tão devotado e tão certo que Deus ouviria sua oração”, ele escreveu. “Naquele lugar de execução, ele novamente fez uma pequena oração e então subiu os degraus para a forca; corajoso e sereno... Nos quase cinquenta anos em que trabalhei como médico, creio que jamais vi um homem morrer tão completamente submisso à vontade de Deus”.

À distância, soavam os canhões do exército norte-americano do general George Patton. Três semanas depois Hitler cometeria suicídio e, em 7 de maio, a guerra na Europa estaria terminada.

O nazismo contra o qual Bonhoeffer lutou sobrevive no mundo moderno sob outras formas de um mal sistemático. Mas o seu testemunho de Jesus Cristo ainda vive. Bonhoeffer continua a desafiar os cristãos a seguir Jesus até a cruz do genuíno discipulado e a ouvir o clamor dos oprimidos.

Dr. Geffrey B. Kellyé professor de teologia sistemática na La Salle University, na Filadélfia, e autor de “Liberating Faith: Bonhoeffer's Message for Today” (Augsburg, 1984 - Liberando a fé: a mensagem de Bonhoeffer para hoje)

Copyright © 2011 por Christianity Today International

O artigo original poder ser acessado por meio do link abaixo:


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:

http://www.facebook.com/pages/O-Grande-Diálogo/193483684110775

Desde já agradecemos a todos.          

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

CONSELHOS PARA AQUELES QUE PRETENDEM ESTUDAR TEOLOGIA




John Frame é um teólogo reformado. Ele foi professor do Seminário Teológico de Westminster onde suas aulas de “Vida Cristã” eram concorridíssimas. Entre o massivo material apostilado — eram mais de 600 páginas — encontrava-se uma lista de conselhos para todos aqueles que desejam fazer seminário, especialmente para aqueles que pretendem seguir uma carreira acadêmica em uma das muitas áreas da teologia. O material abaixo é uma compilação daquele encontrado na apostila original junto com as notas feitas durante a classe onde as mesmas foram expostas.

No fundo, seus conselhos valem para todos os crentes em geral e é por esse motivo que estamos publicando os mesmo abaixo:

1. Pense que é possível que você pode não ter sido chamado para ser um teólogo. O apóstolo Tiago nos lembra de que nem todos os que estão estudando teologia deveriam procurar ser mestres — ver Tiago 3:1. O mesmo vale para todos aqueles que se encontram dentro das congregações locais.

2. Lembre-se que vida cristã é uma vida de relacionamentos. Portanto, procure priorizar seu relacionamento com Cristo, com sua família e com a igreja mais do que a sua carreira. Você, certamente, irá influenciará mais pessoas por meio de sua vida do que pela sua teologia. As falhas evidentes em sua vida acabarão destruindo  a influência de suas ideias, mesmo que as mesmas sejam verdadeiras.

3. Tenha sempre em mente que a tarefa fundamental da teologia é entender a Bíblia, a Palavra de Deus, e aplicá-la às necessidades das pessoas. Todas as outras coisas relacionadas ao estudo das Escrituras Sagradas, tais como: a sofisticação exegética, histórica e linguística, o conhecimento da cultura e da filosofia, deve estar subordinado à tarefa fundamental mencionada acima.  Se não estiver, você acabará sendo aclamado como um grande historiador, linguista, filósofo ou crítico da cultura, mas não como um teólogo.

4. Para poder cumprir de modo apropriado a tarefa central mencionada acima é necessário saber argumentar. Isso pode parecer algo óbvio, mas a verdade é que a maioria das pessoas, inclusive teólogos, não têm a menos idéia de como proceder nessas horas. A teologia é por sua própria natureza uma disciplina que exige capacidade argumentativa. Para isso é necessário possuir uma disciplina argumentativa na qual se domina um conhecimento da lógica e da persuasão que sejam suficientes para elaborar argumentos válidos e sadios. Não é bastante conhecer a história nem ter amplo conhecimento geral. É necessário saber usar esses elementos de forma construtiva na hora de argumentar.

5. Aprenda a formular bons argumentos em defesa daquilo que você crê. Não é suficiente citar estudiosos que concordam com vocês e criticar aqueles que discordam das suas ideias.

6. Quando escrever ou for falar, faça-o de modo claro e convincente. Seja breve. Os maiores teólogos sempre aqueles que pegaram os temas mais complexos e foram capazes de explicá-los da forma mais simples possível. Nunca pretenda que é especialista em qualquer assunto que seja. Nos dias de hoje, ninguém domina toda a informação pertinente a qualquer área que seja.

7. Procure cultivar uma vida devocional intensa e ignore os ciumentos que irão te chamar de “falso”. Como dizem as Escrituras: “Orem sem cessar — 1 Tessalonicense 5:17. Dedique-se à leitura da Bíblia não apenas como texto relevante às matérias teológicas, mas, principalmente, como verdadeiro alimento para satisfazer as mais profundas necessidades da tua alma. Aproveite todas as oportunidade para estar presentes aos cultos e outras reuniões com os irmãos conforme a orientação de Hebreus 10:25 — Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima. Cuide de sua formação espiritual.

8. Procure ser mais um pregador do que um teólogo. Existe muita discussão estéril no campo da teologia, mas a pregação da Palavra de Deus trata da edificação do povo de Deus, falando aos corações das pessoas. Esse deve ser seu maior alvo.

9. Todos os recursos que você possui te foram dados por Deus. Portanto, procure ser generoso com os mesmos. Invista tempo conversando com seus alunos e futuros alunos. Abra sua biblioteca e recicle seus livros, doando aqueles nos quais você não tocou nenhuma vez sequer no último ano. Direitos Autorais? Publique tudo na internet, de graça. Autorize cópias. Viva do seu ministério/magistério e deixes os negócios em segundo plano. 

10. Lembre-se, não se deixe intimidar quando tiver que criticar alguém. Quando tiver que fazê-lo não se precipite. A pior coisa é acusar alguém ou alguma organização e depois ter que pedir perdão pela precipitação. Procure conhecer bem o que essas pessoas e instituições estão ensinando e então faça sua crítica, de acordo com a ética bíblica. Seja severo, se precisar, mas procure ser sempre gentil e generoso.

11. Em qualquer debate evite se precipitar. Estude os dois lados da questão, pois, às vezes, os dois lados estão olhando para uma mesma questão, apenas de perspectivas diferentes. Procure ajudar as partes a enxergarem algo que estão deixando de fora.  Às vezes, dificuldades surgem por causa dos termos envolvidos e de significados não muito precisos. Talvez exista uma alternativa melhor que as duas posições em questão. Lembre-se que, em questões não fundamentais, a tolerância é a atitude mais sábia.

12. Quando você achar que Deus colocou em teu coração algo para ser feito, não tenha a ilusão que as pessoas irão entender imediatamente. Não procure promover o que Deus falou com você como se fosse uma revelação válida para toda a Igreja. Procure evitar criar contendas e rivalidades que surgirem por causa do teu modo de pensar. Procure dialogar com todos sempre de maneira gentil, reconhecendo que é possível que você esteja errado e que tem humildade para reconhecer, se for esse o caso.

13. Não haja por impulso, especialmente no que diz respeito a críticas dirigidas a outras tradições religiosas. Lembre-se que sempre podemos aprender algo uns dos outros. Como diz o apóstolo Paulo: o homem de Deus deve ser “apto para ensinar” o que envolve tanto a capacidade de ensinar quanto a de aprender, pois sem aprender, como poderá ensinar?

14. Nunca assuma que tua própria tradição ou denominação é a única que está certa. É um mentira pensar que nossa tradição contém toda a verdade e que nossa denominação está sempre certa. Não procure “converter” outro crente. Mantenha sempre diálogos cordatos. A verdade irá sempre triunfar. Esteja pronto para mudar.

15. Procure conhecer o material produzido pela tua própria denominação. Confissões de Fé, Catecismos, etc. Lembre-se que muitos desses materiais deveriam estar em museus e não regulando a vida das pessoas no século XXI. Esteja sempre pronto e disposto a criticar e reformar esses materiais os quais, em última instância, não passam de produtos humanos. Nunca aceite que tais materiais sejam colocados em pé de igualdade com as Sagradas Escrituras.

16. Foge daquelas coisas que Paulo chama de “contendas, invejas, iras, porfias, detrações, intrigas, orgulho e tumultos — 2 Coríntios 12:20. Nunca se compare com outros. Cada um deve servir o Senhor com os dons que recebeu. Do mesmo modo que irão existir pessoas que, do ponto de vista humano, são inferiores a você, também existirão aqueles que serão superiores e alguns, até mesmo, muito superiores.

17. Não se torne conhecido por atirar em tudo e em todos. Concentre sua munição para Satanás, o mundo, carne e os falsos mestres apenas.

18. Lembre-se de manter em permanente xeque seus desejos sexuais. Mantenha distância de qualquer forma de pornografia, especialmente daquela que chamamos de virtual, pois a mesma termina sempre de modo carnal. Como teólogos não estamos imunes a nada nesse mundo!

19. Procure se envolver sempre com uma igreja local. Todos nós precisamos dos meios da graça como qualquer outro cristão. E isso é tanto mais verdadeiro, quando estamos estudando em uma universidade ou seminário que não mantém os mesmos valores que você. Nada melhor que a comunhão com irmãos e irmãs para nos ajudar a manter a perspectiva teológica apropriada.

20. Procure uma escola que ensine a Bíblia de verdade. Nunca se envolva com escolas denominacionais que estejam mais interessadas em preservar seus erros do que ensinar a VERDADE. 

21.  Aprenda a demonstrar apreciação pela sabedoria de todos, até mesmo, daqueles cristãos, considerados, totalmente leigos. Não seja um daqueles teólogos que tem sempre algo negativo a dizer quando uma pessoa mais simples descreve sua caminhada com o Senhor. Não se esqueça que tais pessoas, muitas vezes, conhecem melhor a intimidade do Senhor melhor do que eu e você.
 22.  Uma das grandes bobagens é deixarmos nos empolgar com toda e qualquer novidade em política, cultura, hermenêutica e até mesmo teologia, e pensar que devemos reconstruir toda nossa teologia para que reflita o tempo em que estamos vivendo.

23.  Mantenha-se sempre consciente que na área da teologia, como em qualquer área nesse mundo, é possível encontrar “tendências” que não estão de acordo com as Escrituras Sagradas. Não é algo incomum surgirem novidades e muitos cristãos se envolvem com as mesmas apenas porque todo mundo está fazendo o mesmo. Compare o que está sendo proposto, com o verdadeiro ensino das Sagradas Escrituras. Não se deixe levar por nada, senão pela direção do Espírito Santo.  

24.  Nunca rejeite algo inovador, apenas por ser inovador. Lembre-se Deus age por meio de pessoas e não por meio de técnicas. Portanto não tenha medo de novidades. Além disso, aprenda a não rejeitar, logo de cara, nada que não se pareça com suas crenças ou não soe com as coisas que você está acostumado a ouvir. Aprenda a discernir entre o “som de uma ideia” e aquilo que a ideia realmente diz.

25.  Preste muita atenção para mestres ardilosos que estão sempre prontos a lançar mão argumentos que recorrem a metáforas ou termos técnicos extra bíblicos. Nunca assuma que aquilo que está sendo dito é o mesmo que você entende pelo uso dos mesmos termos. Note, por exemplo, como a palavra Natal, mudou de significado com o passar dos anos. Então preste bastante atenção ao que está sendo dito e pergunte em caso de dúvidas.

26.  Mantenha uma postura crítica — analítica — com relação a todos aqueles que são críticos, especialmente críticos de Jesus, da Bíblia e da fé cristã em geral. Estudiosos liberais ou não cristãos estão propensos a errar como quaisquer outros – na verdade, são mais propensos.

27.  Demonstre o devido respeito e consideração por aqueles que são mais velhos e mais experientes. Nada pode ser mais prejudicial para um aprendiz, do que desprezar os anos de conhecimento e estudos de irmãos mais velhos. É sempre possível discordar, mas nunca perca o respeito. Reconheça sempre o valor dos mais experientes, mesmo que você tenha desenvolvido um conhecimento mais profundo que o deles. Lembre-se sempre de 1 Timóteo 5;1—2 — 1  Não repreendas ao homem idoso; antes, exorta-o como a pai; aos moços, como a irmãos; 2  às mulheres idosas, como a mães; às moças, como a irmãs, com toda a pureza.

28.  A vasta maioria dos pseudo movimentos cristãos aconteceram por causa da profunda insatisfação existente com a igreja do dia. Todo mundo deseja ser um reformador como Lutero foi, mas esse não é o caso na grande maioria das vezes. O resultado dessas falsas tentativas de reforma é o surgimento de falsos movimentos pseudo cristãos, quando não movimentos descaradamente heréticos. Não tente reformar a igreja, deixe que Deus conduza seus passos e se a reforma tiver que acontecer, irá acontecer de modo natural. 

29.  Procure decidir durante os anos do seminário no que você irá se concentrar depois de formado: ensino, pastorado, missões, etc. Aprenda a dizer “não” em vez de ir logo se apegando às primeiras ofertas que aparecerem. Diga “sim” depois de profunda consideração e oração diante de Deus.

30.  Mantenha um senso de humor equilibrado. Pessoas mal humoradas são raramente apreciadas. A falta de um senso de humor equilibrado indica a perda da exata proporção com que você deve se avaliar a si mesmo. E, como teólogo, nada é mais importante do que o senso de proporção que todos nós precisamos manter.

Que Deus abençoe a todos que estão considerando iniciar sua vida como teólogos no ano de 2014.

Alexandros Meimaridis.

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.