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sábado, 28 de janeiro de 2017

KIERKEGAARD, HOLLYWOOD E O SALTO NO ABISMO



Hoje estamos publicando um artigo da autoria do Prof. Dr. Wilson Roberto Vieira Ferreira que nos apresenta sua avaliação do filme Passengers — Passageiros. O filme procura recontar a história de Adão e Eva da perspectiva gnóstica e lida com temas queridos pelos cristãos, tais como: liberdade, ansiedade, angústia autoconhecimento, questões morais de todas as ordens e etc. Apesar das posições do prof. Wilson não representarem as opiniões do Blog O Grande Diálogo, ainda assim a leitura do seu artigo é recomendada como parte da oportunidade para discussão que propicia.  

O filósofo KierkegAard vai a Hollywood no filme "Passageiros"
 Wilson Roberto Vieira Ferreira

Por que diante do precipício ao mesmo tempo em que temos medo, também sentimos o impulso de saltar para o fundo do abismo? Em 1844 o filósofo Søren Kierkegaard disse que isso deriva da ansiedade da descoberta de sermos livres para saltar ou não saltar. E sempre temos medo daquilo que mais desejamos. “Passageiros” (Passengers, 2016) retoma essas ideias do filósofo dinamarquês, inclusive com a referencia do abismo: só, no espaço sideral, diante do vazio do Universo, o homem teme por descobrir que é livre, como se retornasse ao mito do Paraíso, antes de Adão e Eva terem descoberto a árvore do conhecimento. “Passageiros” é mais uma amostra da recente guinada metafísica de Hollywood sob camadas de entretenimento e efeitos digitais. Assim como a animação “WALL-E” (2008), também faz uma releitura gnóstica do Gênesis bíblico: como o homem, prisioneiro numa gigantesca espaçonave-resort que ruma para a destruição, pode conquistar a liberdade e autoconhecimento.

Passageiros (2016) é um ótimo exemplo sobre a guinada metafísica dos filmes hollywoodianos: o mix de mitologias e simbolismos filosóficos. Mais precisamente, sobre como, sob a superfície de entretenimento com muito efeitos digitais, os filmes comerciais desfiam sérios conceitos filosóficos tendo com fio condutor a mitologia gnóstica.

Lembrem de filmes como Lucy, Ex-Machina e Transcendence onde o conceito nietzschiano de “vontade de potencia” é introduzido por meio da discussão TecnoGnóstica da Inteligência Artificial; ou os simbolismos freudianos da interpretação dos sonhos aplicados em uma narrativa PsicoGnóstica no filme A Passagem (Stay, 2005).

E não poderia ser de outra forma: um diretor nórdico (Morten Tyldum, O Jogo da Imitação) introduz conceitos filosóficos do filósofo dinamarquês Kierkegaard em uma narrativa que faz uma alusão invertida do mito de Adão e Eva do Gênesis bíblico em uma narrativa da jornada do herói gnóstico — acordar prisioneiro em um cosmos que caminha para a entropia e destruição.

Uma gigantesca espaçonave (simbolicamente de forma helicoidal do DNA humano) atravessa a galáxia em uma viagem de 120 anos para uma colônia em um remoto planeta transportando milhares de pessoas em câmaras de hibernação. Porém, uma má função resulta no despertar prematuro de um passageiro, 90 anos mais cedo da chegada prevista. Ele se vê sozinho numa gigantesca nave automática que mais parece uma mistura de shopping center com hotel-resort.


Sozinho naquele microcosmo, cujas más funções começam lentamente a contaminar toda a nave, e junto com 5.000 almas hibernando, o protagonista será confrontado com sérias questões morais, a angústia e a ansiedade. Mas tudo isso traduzido pela filosofia de Søren Kierkegaard (1813-1855), mais precisamente na sua obra O Conceito de Ansiedade de 1844, muito tempo antes do Existencialismo e da Psicanálise.

O Filme

Jim (Chris Pratt) é um dos 5.000 passageiros, mais a tripulação, mantidos em câmaras de hibernação, na espaçonave automática Avalon. Viajando a metade da velocidade da luz, Avalon ruma em direção da colônia Homestead II em uma jornada de 120 anos. Após 30 anos, a Avalon atravessa uma região do espaço com uma intensa chuva de meteoros o que obriga a nave a concentrar quase a totalidade da energia nos seus escudos. Isso produzirá uma lenta disseminação de pequenas más funções na Avalon.

E Jim é a primeira vítima: sua câmara de hibernação desperta-o prematuramente, como se a espaçonave já estivesse se aproximando de Homestead II. Tudo parece normal (o protocolo de boas vindas é acionado automaticamente pelos sistemas da nave), mas logo Jim cai em si – ele está sozinho em uma gigantesca espaçonave, faltando ainda 89 anos para o destino. Morrerá sozinho antes do restante dos passageiros despertar.

No início temos a clássica jornada do herói: primeiro ele fica confuso e desesperado. Depois, aparentemente aceita o destino e passa a usufruir de todos os serviços daquele autêntico hotel resort espacial – come sushi todas as noites e bebe uísque com a única companhia, o barman robô chamado Arthur (Michael Sheen) programado para bate papos superficiais de balcão de bar com os clientes.


A nave Avalon, o design interior e o balcão com o solicito robô barman são evidentes alusões a 2001 e O Iluminado de Stanley Kubrick. Assim como em O Iluminado, a solidão num lugar distante de qualquer coisa humana na Galáxia começa a enlouquecer o protagonista – por meses caminha nu pela nave, deixa crescer uma espessa barba, embriaga-se em longas conversas com repostas protocolares do barman androide, faz caminhadas espaciais e por horas fica olhando para o vazio e quase tenta suicídio em uma câmara de ar na saída da Avalon.

A partir daí, Jim passa o tempo lendo textos e os registros de vídeo dos passageiros em hibernação. Até ter um interesse peculiar por Aurora (Jennifer Lawrence), jornalista e escritora. Como engenheiro mecânico, Jim leu todos os manuais sobre as câmaras de hibernação o que o coloca em uma sinuca existencial e moral: um ano de solidão lhe deu uma inesperada consciência de liberdade. Jim pode despertá-la para dividir com ele a solidão. Mas por outro lado, isso significava roubar-lhe a vida que Aurora teria no futuro.

Jim convence a si mesmo que poderiam se apaixonar e ele iria construir uma casa para ela – um dos temas ao longo do filme é como a automação impossibilita as pessoas de construírem coisas com suas próprias mãos, roubando a humanidade dos objetos.

Depois de muitos dilemas éticos e existenciais, Jim decide acordá-la fazendo tudo parecer mais uma disfunção da nave Avalon.

De um lado, a solidão e a liberdade; do outro, o sequestro da vida de Aurora por Jim. Que ainda esconde um tema sombrio: o horror feminista pelo abuso emocional numa cultura do estupro que vê as mulheres como objeto de possessão. Jim é bonito, charmoso e sedutor. Mas esconde uma sombria escolha moral.


O Gênesis gnóstico

Passageiros faz uma interessante analogia com o Gênesis bíblico: o início de uma convivência fundada no pecado original, porém de forma invertida – foi Adão/Jim que conheceu o Mal (a liberdade de escolha) e não Eva/Aurora. O filme faz até uma alusão à árvore cujo fruto Jim não pode comer: a máquina de café automático Spice Extreme Latte, porque não é um passageiro com pulseira “ouro”. Quando Aurora/Eva chega, os dois podem consumir juntos os produtos do nível ouro, enquanto Jim sabe que fez algo muito errado.

O hotel-resort da nave Avalon é o Paraíso que tenta expulsar Jim e Aurora como uma espécie de punição por terem comido o fruto do Conhecimento – Jim, a descoberta da liberdade; e Aurora, permitir a Jim ter acesso “ouro” a serviços.

Mas esse Gênesis parece ter uma releitura bem gnóstica: assim como no Gênesis onde a mulher surge da costela de Adão, é Jim quem desperta uma mulher. Mas Adão e Eva despertam em uma Criação que já está em crise – as más funções anunciam uma destruição próxima de Avalon. Não foi o pecado que fez a Criação incorrer na Queda. A Queda foi a própria criação, que manteve o homem prisioneiro e colocado em condições existenciais extremas que só permitem tirar de dentro do homem o pior de si mesmo.

Aurora descobrirá como um homem aparentemente decente e charmoso foi capaz de roubar-lhe a própria vida. Como é colocado a certa altura em uma linha de diálogo, Jim era alguém que estava se afogando. E toda pessoa que se afoga agarra-se em alguém para levar junto.
Passageiros oferece mais uma releitura gnóstica da mitologia do Paraíso perdido, numa versão um pouco diferente da animação WALL-E (2008) - ver artigo sobre WALLE por meio do link abaixo:

http://cinegnose.blogspot.com.br/2011/02/wall-e-e-eva-disney-faz-releitura-do.html

Tal como na animação, o homem é prisioneiro em uma gigantesca espaçonave-resort que oferece comodismo e conforto. Mas que ao mesmo tempo oferece a oportunidade do autoconhecimento e a descoberta da liberdade.



Kierkegaard vai a Hollywood

Dessa maneira, Passageiros ingressa na ideia principal do livro O Conceito de Ansiedade do filósofo Kierkegaard, que inclusive é visualmente referenciado no filme.

Kierkegaard usa o exemplo de um homem à beira do precipício. Quando o homem olha para baixo ele sente o medo da queda. Mas ao mesmo tempo, sente um grande impulso de se atirar para o fundo do abismo. Esse sentimento paradoxal deriva da nossa ansiedade pela descoberta de que somos livres para escolher saltar ou não saltar. O mero fato de sabermos que temos a liberdade de escolha por sermos seres finitos diante da eternidade do Universo desperta ao mesmo tempo a solidão e a completa liberdade. Isso criaria tanto a possibilidade do autoconhecimento como da ansiedade neurótica – a angústia, que impede a evolução da ansiedade normal em autoconhecimento.

Um dos momentos-chave do filme é quando Jim em um dos seus passeios espaciais vê, solitário, a imensidão do Universo. Isso dá uma inesperada sensação de liberdade – ele pode se atirar no espaço, se matar, ou retornar e despertar Aurora. São atos equânimes moralmente naquelas condições existenciais nas quais Jim é prisioneiro.

Para Kierkegaard o mito de Adão retrata o despertar do indivíduo para a autoconsciência. Uma representação poética do instante em que o indivíduo coloca-se frente a si mesmo.

Tanto Jim quanto Aurora temem a extrema experiência simultânea da solidão e liberdade de poderem construir um novo mundo dentro do microcosmo da espaçonave Avalon. Mas, como Kierkegaard que antecipou muitas ideias freudianas, aquilo que mais desejamos é sempre o que mais tememos.

A ansiedade neurótica à descoberta de que sãos seres livres faz Jim pensar no suicídio e Aurora em tentar retornar à câmara de hibernação.

O filme Passageiros é uma jornada de autoconhecimento para os protagonistas: a transformação do medo da liberdade em atos que ecoarão na posteridade, como acompanhamos na sequência final - quando finalmente a nave Avalon chega ao destino 89 anos depois e os passageiros descobrem o legado deixado por Jim e Aurora.

Assista o trailer legendado em português por meio do link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=yRPECNxkMVA

O artigo original poderá ser acessado por meio do link abaixo:


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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sexta-feira, 16 de setembro de 2016

PASTORES QUE COMETEM SUICÍDIO


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No mês dedicado à conscientização do suicídio queremos compartilhar mais um artigo, dessa vez, publicado no site da Revista ULTIMATO.

O caminho sombrio para o suicídio de pastores

Andrew Keller/Freeimages.com
Andrew Keller/Freeimages.com


PORQUE PASTORES SE DEPRIMEM? COMO PODE UM HOMEM DE DEUS FICAR TÃO ABATIDO ASSIM?

De acordo com o Instituto Schaeffer, “70% dos pastores lutam constantemente contra a depressão, 71% se dizem esgotados, 80% acreditam que o ministério pastoral afeta negativamente suas famílias e 70% dizem não ter um amigo próximo”.

A causa mais comum noticiada para o suicídio de pastores e líderes é a depressão, associada a esgotamento físico e emocional, traições ministeriais, baixos salários e isolamento por falta de amigos.

DEPRESSÃO:

Porque pastores se deprimem? Como pode um homem de Deus ficar tão abatido assim?
– A Bíblia menciona homens e mulheres fiéis que ficaram neste estado e que desejaram morrer — entre esses estão Rebeca, Jacó, Moisés e Jó. — Gênesis 25.22; 37.35; Números 11.13-15; Jó 14.13. Especialmente Elias (1 Reis 19.4)
– Elias teve um ministério de sucesso: previsão da seca; ressuscitou uma criança; enfrentou os profetas de Baal; etc.
– Tinha vigor físico – correu à frente do carro de Acabe (1 Reis 18.46) – ou seja, não tinha problemas físicos;
– Uma ameaça real – jurado de morte – fez perder o sentido da vida em um escalonamento (1 Reis 19.3 e 4):

·        Preocupação com a vida
·        Isolamento social
·        Desistência da vida

– O medo de perder a vida paradoxalmente o fez perder o sentido da vida

– Escalonamento de vitimização:
·        Ocorre em relacionamentos simétricos quando não há concordância sobre as posições de superioridade e sujeição na relação
·        Podem brigar pelo controle em suas posições (de superioridade ou sujeição) – existe pouco consenso em relação às posições e ambos acabam se sentindo vítimas
·        A escalação sacrificial se dá quando quem ganha perde

– Ameaças reais que se interpõe na vida cotidiana – podem ser o ‘gatilho’ para desencadear a falta de desejo pela vida:
·        Falência financeira
·        Término de um relacionamento amoroso – divórcio
·        Perda do emprego
·        Perda de uma pessoa amada, de um filho
·        Fracasso profissional – injustiças
·        Abandono social – falta de amigos

ESGOTAMENTO FÍSICO E EMOCIONAL:

Descanso e saúde:
– Trabalho e descanso marcam um ritmo vital
·        São atitudes complementárias
·        Uma iniciativa humana que se articula complementarmente através do “descanso” com a natureza própria da vida

– Quando o homem descansa, ele não interrompe sua tarefa vital, apenas a significa
·        Outorga um sentido – trabalha confiante que sua tarefa é um prolongamento de uma bondade que se afirma no próprio Deus
·        O trabalho do homem não se assegura em um rendimento transacional, mas em uma mutualidade originada na doação do tempo que cada um de nós recebe com um presente.

– Descansar é um comportamento que surge de estar existencialmente “confiado”:
·        Crer que cada um faz o que faz a partir de uma “boa vontade”, ou seja, da própria espontaneidade da vida
·        É deixar que a beleza da rosa o atravesse, enquanto se trabalha e criar com o martelo que labora os ritmos de descanso que o florescer da rosa convida
·        Descansar é imprescindível para uma vida saudável:
o   Descansar significa “ser capaz de distanciar-se daquilo que nos torna obsessivos”
o   Esta disposição está ligada à nossa corporalidade e é independente de nossa vontade – não pode ser fabricada, apenas chega a nós
o   O descanso é aquilo que nos faz dormir em paz
·        As manobras da sociedade de consumo:
o   A tentativa de descanso através da “prótese”: excesso de álcool, tranquilizantes, compulsões (do turismo merecido até a religião tóxica, passando por uma sexualidade de performance)
·        O descanso é como uma visita que realça a hospitalidade própria do amor, criando uma nova fecundidade onde o cansaço havia obscurecido a esperança
·        Em síntese: descansar é RE-VIVER!

FALTA DE AMIGOS:

·        Pastores têm poucos amigos, às vezes nenhum.
·        Em reuniões exclusivas para pastores, a maioria conta proezas, sucessos, vitórias e conquistas na presença dos demais, num clima de competição para mostrar que possui êxito no exercício ministerial.
·        Na conversa íntima dos consultórios, o sofrimento se revela.
·        Pastores contemporâneos são cobrados como – e muitos se sujeitam a ser – executivos que precisam oferecer resultados numéricos às suas instituições.
·        Há uma relação circular perversa de falso significado de sucesso: pastor e instituição se conluiam em uma rota autodestrutiva
·        A figura do pastor-pai-cuidador está escassa; aquele que expõe a Palavra à comunidade-família, aconselha os que sofrem e cuida dos enfermos e das viúvas.
·        Há uma crise de identidade funcional entre o chamado pastoral e as exigências do mercado religioso institucional.

Estratégias de poder
Poder SOBRE:
Estratégias de compaixão
Poder COM:
curar
cuidar
expert
ajudador
técnico
interação
distância emocional
envolvimento
unidirecional
circular
razão
imaginação
quando me sinto responsável
pelo outro “eu”
quando me sinto responsável
pelo outro “eu”
falo
escuto
dirijo
convido
coloco/retiro
sintonizo
protejo
animo
resgato
compartilho
controlo
relevo
interpreto
sou sensível

eu me sinto
eu me sinto
ansioso
livre
cansado
solto
temeroso
alerta
obrigado
corresponsável

eu estou comprometido com
eu estou comprometido com
a solução
relacionar alma com alma
respostas
sentimentos
circunstâncias
pessoas
estar bem
ter compaixão

espero que a persona viva minhas expectativas
confio que o  processo me permita dançar com…

ALGUMAS ALTERNATIVAS:

Pastores:

·        Encontrar um amigo que o aceite como é, com suas bobagens e defeitos, com quem se possa “jogar conversa fora” e não se saiba explicar o porquê da amizade.
·        Encontrar um conselheiro ou terapeuta de confiança para abrir a alma.
·        Ter tempo para o SHABATT – fora do padrão compulsivo
·        Descobrir a importância do “descanso relacional”
·        Estar atento às relações de escalonamento sacrificial – especialmente com a instituição (representada por dirigentes/membros obsessivos)

Instituições:

·        Promover encontros de pastores que possuam caráter terapêutico/curador. Com facilitadores habilitados na condução de compartilhamento de emoções que afetam a vida pastoral;
·        Diminuir as pressões de resultados numéricos sobre a função pastoral.
·        Estar atenta a um padrão mínimo de orçamento-salário pastoral, para que ele e sua família não sofram privações.
·        Desmitificar pseudo-hierarquizações: papéis x poder, realçando a humanidade de todos e o pertencimento mútuo.


O artigo original poderá ser visto por meio do link:



Que Deus abençoe a todos.


Alexandros Meimaridis


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sexta-feira, 6 de maio de 2016

SERMÃO PARA O DIA DAS MÃES 2016 - ANA: A MULHER QUE QUERIA SER MÃE




TEXTO BASE: 1 Samuel 1:9—18
Introdução

A. A história que temos diante de nós em 1 Samuel 1, envolve quatro personagens: Elcana, Penina, Ana e o sumo sacerdote Eli.

B. Elcana era casado com Penina e Ana. Apesar de não refletir a perfeita vontade de Deus, a poligamia foi tolerada durante séculos em Israel, como parte da cultura prevalecente em toda região do Oriente Médio.

C. Duas ou mais mulheres de forma concomitante ou duas ou mais mulheres por motivo de divórcio é dor de cabeça na certa para qualquer esposo e Elcana experimentou isso na pele.

D. Pela descrição que temos em 1 Samuel 1 não é difícil perceber que a família desfrutava de relativo conforto material e que também eram dedicados a Deus dentro das limitações que todos nós temos — 1 Samuel 1:1—3.

E. Mas, como todos nós sabemos, prosperidade material não é sinônimo de paz e tranquilidade. A verdade é que havia um enorme mal estar e muita tensão no seio da família provocado pela esposa chamada Penina. Vejamos —

F. Penina era uma mulher que havia sido agraciada com o dom de gerar filhos, de ser mãe — ela tinha filhos e filhas — 1 Samuel 1:4. Enquanto Ana era estéril e não tinha filhos. Naqueles dias, culturalmente falando, a esterilidade era vista como um sinal do desagrado de Deus sobre a mulher estéril.

G. Penina então, mesmo tendo filhos, tinha muitos ciúmes de Ana e a atormentava pelo fato dela não ter filhos. E também porque era evidente que Elcana gostava mais de Ana do que dela — ver 1 Samuel 1:5—7 Mas que encrenca!

H. Elcana não entendia a tristeza de Ana — como a maioria dos esposos não é capaz de entender suas próprias mulheres. Sua reação registrada em 1 Samuel 1:8 é a prova mais patética de quão longe ele se encontrava de entender a dor, a solidão e o sofrimento experimentado por Ana.

I. Nessa mensagem nós queremos ver e aprender algumas lições que Deus nos ensina por meio da vida de Ana.

ANA: A MULHER QUE QUERIA SER MÃE E A PRÁTICA DA ORAÇÃO

Da oração feita por Ana — 1 Samuel 1:9—18 — nos podemos colher as seguintes verdades —

I. A Oração de Ana Nasceu de Sua Profunda Tristeza e Angústia

A. Como mencionamos acima, Elcana, o marido de Ana não conseguia entendê-la. Ana sentia-se sozinha e profundamente entristecida pelo fato de ser considerada uma pária na sociedade — a impossibilidade de engravidar era vista com desfavor da parte de Deus. É esse contexto que conduz Ana a buscar o Senhor. Nada mais apropriado porque Deus —

Salmos 46:1

Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações.

B. A condição emocional experimentada por Ana está claramente descrita em 1 Samuel 1:10. Note as expressões: amargura de alma e chorou abundantemente.

C. E a oração é o melhor remédio nessas horas. A tristeza e a solidão que experimentamos muitas vezes devem ser bem-vindas quando nos levam a buscar nosso Deus com uma intensidade maior. Devemos sempre nos lembrar das seguintes palavras —

Romanos 8:28

Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.

D. Ana foi acusada pelo sumo sacerdote Eli de estar embriagada. Mas ela reagiu a essa falsa acusação — ver 1 Samuel 1:12—15.

II. A Oração de Ana Não Foi Audível

A. A oração de Ana, curiosamente, é o primeiro registro na Bíblia de uma oração não verbalizada. Nós podemos ler acerca disso em 1 Samuel 1:13.

B. A oração silenciosa acontece quando elevamos nossos pensamentos diretamente ao Deus Criador e Todo-Poderoso. Essa prática é algo realmente notável. Quando lançamos mão da oração silenciosa nós abrimos um novo universo de possibilidades.

C. Nossas orações silenciosas podem ser breves — preferencialmente — ou longas. No salmo 119 temos dezenas de orações breves que são expressas por meio duma única frase.

D. Falaremos mais acerca da oração silenciosa na conclusão.

III. A Oração de Ana Foi uma Manifestação da Verdadeira Fé

A. Note que Ana dirige sua oração ao SENHOR dos Exércitos — 1 Samuel 1:11. Ela se dirige ao ETERNO dos Exércitos. Ao se dirigir ao SENHOR dos Exércitos, Ana demonstra possuir o seguinte entendimento acerca daquele a quem dirige sua oração:

1. Ela reconhece que Ele é um Deus vivo, supremo em poder, bondade e fidelidade. Sendo assim, Ana crê que Deus é capaz de ouvir sua oração, mesmo que tal oração não esteja sendo proferida verbalmente, mas produzida apenas em sua mente e alma.

2. Ana confiava nas palavras de Deus, quando Ele diz, por exemplo, o seguinte —

Êxodo 6:7

Tomar-vos-ei por meu povo e serei vosso Deus; e sabereis que eu sou o SENHOR, vosso Deus, que vos tiro de debaixo das cargas do Egito.

B. Quantas promessas existem na palavra de Deus que estão esperando para serem descobertas e reivindicadas. Mães dediquem tempo à leitura da Bíblia. Descubram as promessas de Deus. Reivindiquem as mesmas para suas vidas e sobre a vida dos seus. Que Deus vos incentive e abençoe nessa busca.  

IV. A Oração de Ana foi Coroada com Uma Bênção Surpreendente

A. Depois de ser confrontada por Eli, que julgou Ana de forma temerária — ver item A acima, Ana recebe uma afirmação da parte de Eli que lhe garante que sua oração foi ouvida — ver 1 Samuel 1:17.

B. Depois de receber uma resposta da parte de Deus, por meio do sumo sacerdote Eli, Ana mudou seu comportamento e passou a descansar por completo na graça de Deus — ver 1 Samuel 1:18.

Conclusão. 
A. A oração silenciosa é, como dissemos maravilhosa. Aqui devemos enumerar algumas de suas qualidades: 
1. Ela é sempre fruto de uma necessidade verdadeira. 
2. Ela é sincera. Nos podemos fingir algo que não estamos sentindo ou até mesmo desejando quando oramos de forma audível. Mas quem seria capaz de fazer uma oração silenciosa de forma hipócrita? 
3. Ela fortalece o coração daquele que ora, porque se assim procede, o faz porque crê que o Senhor realmente ouve nossas orações. Aqui podemos dizer que: NÓS ORAMOS PORQUE DEUS OUVE. 
4. Por fim, a oração silenciosa pode não envolver palavras, mas apenas profundos sentimentos de nossas almas. O próprio Espírito Santo intercede por nós sem o uso de palavras, conforme — 
Romanos 8:26 
Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. 
B. Portanto, minhas queridas mães: procurem enxergar os momentos lavando e colocando as roupas para secar, os momentos lavando a louça, os momentos arrumando a casa, os momentos em que você estão dirigindo para algum lugar e etc., como oportunidades únicas para se lançarem na bendita prática da oração silenciosa. As coisas que acabei de mencionar não indicam que minha opinião acerca das mulheres é que elas devem ser belas, recatas e do lar. Pelo contrário, eu reconheço que muitas de vocês são, na maioria dos casos, donas de casas, no topo dum trabalho fora de casa. Trabalhando ou não fora de casa, vocês têm todo meu respeito e admiração. Que Deus abençoe vocês e insisto para que usem esse preciosos momentos para se dedicarem à oração silenciosa. 
C. Pais, esposos, jovens e adolescentes: vocês também podem aproveitar muitos momentos em suas vidas para também se dedicarem à oração silenciosa. 
D. Que Deus abençoe cada uma de vocês mães. OBRIGADO POR TUDO QUE VOCÊS SÃO E POR TUDO O QUE REPRESENTAM e FELIZ DIA DAS MÃES. 



Que Deus abençoe a todos. 
Amém. 
Alexandros Meimaridis

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