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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

ENCONTROS DE PODER – 016 — UMA EXEGESE DE 1 CORÍNTIOS 2:6—8 — PARTE 2 — OS PODERES HUMANOS


Concepção artística de Cristo diante do Sinédrio


Atenção esse artigo é parte de uma série onde pretendemos tratar dos alegados encontros de poder e de curas maravilhosas que nos são apresentadas todos os dias pelos pastores midiáticos. No final de cada estudo você encontrará links para outros estudos.

Continuação do Estudo Anterior

Em Romanos 13:3, qualquer que seja a interpretação de ἐξουσίαι exousíai — autoridade no verso 1, os chamados ἄρχοντες árchontes — magistrados são, necessariamente, magistrados humanos uma vez que os mesmos carregam a espada e cobram tributos — ver Romanos 13:4 e 6. Nesse caso essa expressão não pode ser considerada como um termo técnico usado pelos gnósticos, porque é evidente que Paulo está falando de sua própria mensagem e não daquela de seus opositores.

Herodes Antipas

Assim temos que o caso a favor dos ἄρχοντες árchontes — autoridades em 1 Coríntios 2:6—8 serem humanos é bastante persuasivo. Mesmo assim precisamos considerar, mesmo que brevemente, o apelo feito pelos que defende a ideia oposta, de que os mesmo se referem a ser espirituais sobre humanos. Martin Dibelius em sua obra Die Geisterwelt in Glauben de Paulus, alega de maneira correta no nosso entender, que a frase “os poderosos deste século” não poderia estar fazendo referência a indivíduos como Herodes, Pilatos e as autoridades Judaicas. O argumento de Dibelius se baseia no fato que em 2 Coríntios 4:4 o próprio Satanás é chamado de “deus deste século”. Além do mais, quando Paulo está escrevendo para os Coríntios nenhum desses três continuava em seus respectivos cargos. Herodes já havia morrido e sua morte não tinha nenhuma importância escatológica. A frase original de Paulo parece um tanto extravagante quando aplicada a seres humanos, mas bastante sensível se seus leitores se os mesmos pensarem que tais poderes são imortais. 

Pôncio Pilatos

Os deuses gregos eram considerados imortais e, de fato, um dos seus nomes era, exatamente esse: Os Imortais. Mas uma vez que os apologistas judeus identificaram os deuses gregos como sendo demônios, a eternidade dos mesmos tornou-se problemática. Aqui e em

1 Coríntios 15:24—25

24 E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder.

25 Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés.

de acordo com essa interpretação — Paulo afirma que esses seres pertencem apenas a “essa era”, a qual está com seus dias contados.

Quanto a ignorância desses Poderes, a semente da mesma já foi plantada em 1 Enoque 16:1—2 onde lemos: “A partir dos dias da matança, do extermínio e da morte dos gigantes, quando os espíritos abandonarem seu corpo carnal sem sofrerem julgamento e condenação, eles continuarão a agir daquela maneira perversa, até o dia do grande Juízo Final, quando então o mundo acabará completamente para os Guardiões e para todos os ímpios. Dize agora aos Guardiões, que outrora moravam no céu, e que te enviaram como seu intercessor: Vós estáveis no céu. Nem todos os segredos vos foram revelados; contudo conhecíeis um segredo que não convinha passar, e na vossa imprudência o transmitistes às mulheres. Através da revelação desse segredo, homens e mulheres praticam muitas desgraças sobre a terra. Vós não tereis nenhuma paz”!

Esse tema que trata do segredo da redenção que estava escondido dos ἄρχοντες árchontes — autoridades celestiais pode estar sendo aludido em

Colossenses 1:26

o mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos.

Isso parece ainda mais evidente em

1 Timóteo 3:16 que fala de Cristo de modo litúrgico:
Evidentemente, grande é o mistério da piedade: Aquele que foi manifestado na carne foi justificado em espírito, contemplado por anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, recebido na glória.

Por que temos a frase: “Contemplado por anjos”? Os mesmos são citados apenas como testemunhas — como, por exemplo, em Marcos 16:5 e passagens paralelas? Ou seria isso uma alusão aos anjos das nações, os quais precisam ver a Jesus ressuscitado antes que a evangelização das nações tenha início? Qualquer que seja o caso, o texto assume a ignorância dos anjos e da necessidade que eles tem de receberem uma revelação da parte de Deus.

Não temos conhecimento se outros autores estavam desenvolvendo esse mesmo tema naqueles dias. Todavia no livro pseudoepigráfico Assunção de Moisés 1:12—16, nós lemos o seguinte: “E quando Josué terminou (estas) palavras, ele se lançou novamente aos pés de Moisés. E Moisés tomou sua mão e o elevou ao assento diante dele, e lhe respondeu e disse: Josué, não menospreze a ti mesmo; mas fixe sua mente e ouça minhas palavras”. A partir daí Moisés explica a Josué como Deus manteve a eleição de Israel escondida das nações com o objetivo de condenar os gentios. Mas essa ideia é melhor elaborada no livro pseudoepigráfico que trata da Ascensão de Isaías. O material relevante encontra-se na seção da Visão, que de acordo com R. H. Charles, trata-se de um texto cristão produzido perto do final do primeiro século. O texto de Ascensão de Isaías 11:16—17 diz: “E eu vi, ó Ezequias, e Josabe, meu filho, e todos vós profetas, com os quais estou conversando neste momento, eu vi tudo o que havia sido ocultado de todos os céus, de todos os principados, de todos os deuses desse mundo. E eu o vi em Nazaré no seio da mãe, como uma criancinha e uma condição humilde e ignorada”. Ainda no mesmo livro em 8:7 nós lemos o seguinte: “E ele me disse: Sim aqueles do sexto céu e do céu superior, onde não há lado esquerdo , nem trono no meio, é lá que habita aquele que não tem nome, e o Amado cujo nome é um mistério que todos os céus não poderiam penetrar”.

Prosseguindo na leitura da Ascensão de Isaías 11:13—15 nós temos o seguinte:

“Pois nos últimos tempos o Senhor descerá ao mundo e será chamado o Cristo , quando descer e vir a vossa forma; e se fará carne e será um homem. E o Deus deste mundo manifestar-se –á através de seu Filho; e deitar-lhe-ão as mãos e, ignorando quem ele é, haverão de dependurá-lo em uma árvore. E é assim que poderás ver, que sua descida nestes mundo será ocultada aos céus, para que não saibam quem é ele”.

E continua em Ascensão de Isaías 10:10—12: “E dos anjos do firmamento e até, mas com cautela, dos anjos que estão nos infernos. E os anjos do mundo ignorarão que tu estás comigo , o Senhor dos sete céus e de seus habitantes , eles ignorarão que tu e eu somos um. Mas quando eu convocar os angélicos e luminosos habitantes do céu, quando eu ampliar o sexto céu , após ter julgado e condenado então os principados, os anjos e os deuses desse mundo, após ter condenado o próprio mundo, tu iniciarás teu reino”.

E mais em Ascensão de Isaías 10:29—31:”Eles desceu em seguida ao firmamento onde habitava o príncipe do mundo e deu seus passaportes àqueles que se encontravam à esquerda, e cuja forma eles haviam tomado, e eles não cantaram seus louvores, mas havia entre eles combates sangrentos, pois é lá que habita o poder do mal e da discórdia, poder que não deve durar para sempre. E vi-o, finalmente, descer ainda e tomar a forma dos anjos do ar e tornar-se semelhante a um dentre eles. E ele não deu seus passaportes, pois se entregavam a pilhagens e aos impostos extorsivos  de toda espécie”.

O Cristo deveria nascer da virgem Maria e de acordo com a Ascensão de Isaías 11:14:“Muitos outros asseguravam que ela não havia dado à luz, que ela não havia chamado uma parteira, e que não se ouvira os gritos do parto. E a inteligência de todos se apagara a respeito desta criança; sabia-se que ela havia nascido, não se sabia como ela havia nascido”.

Em seguida Ascensão de Isaías 11:19 diz: ”E os estrangeiros então alimentavam ódio contra ele e açulavam contra ele os filhos de Israel que não sabiam quem ele era; e o entregaram ao rei e o suspenderam numa cruz, e ele desceu para o anjo da morte”.

Quando ele for ressuscitado dentre os mortos com seu corpo glorificado e ascender, outra vez, através dos céus, onde “Ele chegou ao firmamento , mas não mais assumiu a forma daqueles que o habitam e todos os anjos do firmamento, e o próprio Satanás, se prostraram e o adoraram. E uma grande tristeza pairava sobre eles: e diziam: Como é que nosso Senhor pôde descer entre nós e nós não reconhecemos seus esplendor, que nos ofusca nesse momento, e que o distingue no sexto céu? —  Ascensão de Isaías 11:23—14.

Todas essas especulações, porque não passam de especulações, pois não existe nada inspirado pelo Espírito Santo em todo esse material pseudoepigráfico, atiçou bastante a imaginação de escritores posteriores tanto gnósticos quanto cristãos. O simples fato do próprio Inácio de Antioquia depender da tradição preservada no livro pseudoepigráfico da Ascensão de Isaías indica que 2 Coríntios 2:6—8 já estava sendo interpretado por cristãos, antes do final do primeiro século, como se estivesse se referindo a poderes demoníacos.

Então o que devemos fazer? Os dois argumentos que os ἄρχοντες árchontes — autoridades em 2 Coríntios 2:6—8 são seres humanos ou que são seres sobre naturais parecem bastante plausíveis. Parece que estamos diante de uma situação onde as duas possibilidades poder ser corretas. É possível que Paulo esteja se referindo tanto a poderes humanos quanto demoníacos. Ao que parece, todas as autoridades envolvidas na morte de Jesus são objeto da descrição feita pela expressão ἄρχοντες árchontes.

De acordo com o autor Gunther Dehn em seu livro “Engel und Obrigkeit: Ein Beitrag zum Verständnis Von Römer”, 1 Coríntios 2:6—8 representa um coincidência imediata ou simultânea entre atividades terrestres e celestiais, na qual Pilatos, os sumos sacerdotes e todo o resto do povo assassinaram a Jesus instigados por poderes mais elevados — sobre humanos. De que maneira as atividades terrestres e celestiais podem se conectar será discutido posteriormente.

Se em 2 Coríntios 2:6—8 Paulo acredita que Jesus foi crucificado e morto pela ação conjunta de Poderes humanos e sobre humanos, será que podemos concluir que todas as vezes que ele usar essa linguagem de poder ele estará fazendo uma referência a esses dois tipos de poderes? Não cremos que seja necessariamente assim. E isso ficará mais claro quando analisarmos a próxima passagem — Romanos 13:1—3 — onde Paulo faz suas categóricas afirmações acerca da obediência ao estado.

LISTAS DOS ESTUDOS DE ENCONTROS DE PODER

001 — Introdução =

002 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = Expressões Diversas

003 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀρχῆ — arché e ἄρχων — árchon.

004 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἐξουσίαις – exousías – potestades, autoridades.

005 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = δυνάμεις — dunámeis — poderes.

006 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = Θρόνοι— thrónoi — tronos.

007 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = κυριοτῆς — kuriotês — domínio.

008 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ὀνόματι — onómati — nome.

009 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἄγγελοs — ággelos — anjo.

010 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = δαιμονίον — daimoníon — demônioπνεῦμα τὸ πονηρὸν — pneûma tò poniròn — espírito malignoἀγγέλους τε τοὺς μὴ τηρήσαντας τὴν ἑαυτῶν ἀρχὴν— angélous te toùs me terèsantas tèn eautôn archèn — anjos, os que não guardaram o seu estado original ou anjos caídos.

011 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações.

012 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações — Parte 2.

013 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações — Parte 3 — Final.

014 — A Evidência do Novo Testamento – Parte 1 — Introdução

015 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 2 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 2:6—8 — Parte 1

016 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 3 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 2:6—8 — Parte 2

017 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 3 — As Passagens Disputadas — Romanos 13:1—3

018 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 4 — As Passagens Disputadas — Romanos 8:31—39

019 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 5 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 15:24—27a — PARTE 1

020 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 6 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 15:24—27a — PARTE 2

021 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 7 — As Passagens Disputadas — Colossenses 3:13—15 — PARTE 1

022 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 8 — As Passagens Disputadas — Colossenses 3:13—15 — PARTE 2

023 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 9 — As Passagens Disputadas — Efésios 1:20—23 — AS REGIÕES CELESTIAIS — PARTE 1

024 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 10 — As Passagens Disputadas — Efésios 1:20—23 — AS REGIÕES CELESTIAIS — PARTE 2

025 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 11 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 3

026 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 12 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 4

027 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 13 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 5

028 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 14 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 6

029 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 15 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 7 — A DESTRUIÇÃO DA MORTE E DE SEUS ALIADOS

030 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — A CRIAÇÃO DE TODAS AS COISAS POR MEIO DE E PARA O PRÓPRIO CRISTO

031 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — TENTANDO DEFINIR OS PODERES

032 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — TENTANDO DEFINIR OS PODERES —PARTE 002

033 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 17 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 001

034 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 18 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 002

035 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 19 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 003

036 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 20 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 004

037 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 21 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 005

038 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 22 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 006

039 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 23 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 007

040 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 24 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 008

041 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 25 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 009

042 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 26 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 010

043 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 27 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 011 — O PRÍNCIPE DA POTESTADE DO AR
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/02/encontros-de-poder-043-evidencia-do.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

ENCONTROS DE PODER – 011 — OS ANJOS DAS NAÇÕES — PARTE 1


Concepção Artística dum Anjo das Nações

Atenção esse artigo é parte de uma série onde pretendemos tratar dos alegados encontros de poder e de curas maravilhosas que nos são apresentadas todos os dias pelos pastores midiáticos. No final de cada estudo você encontrará links para outros estudos.

II. OS PODERES — PARTE 11 — OS ANJOS DAS NAÇÕES — PARTE 1

ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν  angélous tôn ethnôn  — anjos das nações.

A fascinante idéia de que existem anjos designados para as nações da terra é um assunto bastante antigo. Nossa primeira evidência Bíblia encontra-se em:

Deuteronômio 32:8—9

8 Quando o Altíssimo distribuía as heranças às nações, quando separava os filhos dos homens uns dos outros, fixou os limites dos povos, segundo o número dos filhos de Israel.

9 Porque a porção do SENHOR é o seu povo; Jacó é a parte da sua herança.

Mesmo nesse contexto, alguns consideram Deuteronômio 32:7b como parte dessa tradição primária:

"pergunta a teu pai, e ele te informará, aos teus anciãos, e eles to dirão".

A referência de Deuteronômio 32:8—9 é utilizada, porque o texto hebraico diz “filhos de Israel”, enquanto a LXX — Septuaginta — diz: “filhos de Deus”, i.e. anjos.

Todavia a descoberta de um manuscrito hebraico em Qumran que cita, textualmente, a expressão “filhos de Deus”, parece apontar para a correção da tradição representada pela LXX. Muitas versões modernas trazem essas informações em notas de rodapé, como, por exemplo: a Nova Versão Internacional e a Almeida Século 21. Apesar dessas traduções não assumirem de fato, a expressão “filhos de Deus” ou “anjos de Deus” é, provavelmente, a mais 
apropriada e verdadeira.

A discussão toda está assentada ao redor do numeral 70, com base:

A. Na tábua das Nações de Gênesis 10.

B. No número de descendentes de Jacó que desceram com ele até o Egito conforme Êxodo 1:5. Apesar do fato que algumas cópias hebraicas do livro de Êxodo mencionarem 75 descendentes, em vez de 70.

C. No número de discípulos que Jesus enviou de dois em dois para pregarem o evangelho conforme Lucas 10:1.

O Targum Palestino

O Targum[1] Palestino, por sua vez, reflete esse duplo conhecimento e sinteza os mesmo em uma única afirmação. Segundo o Targum o Deus Altíssimo dividiu a humanidade “entre os setenta anjos, os príncipes das nações”, durante a dispersão da Torre de babel. Naquele mesmo tempo: “Deus estabeleceu os limites das nações de acordo com a soma total das setenta almas que desceram com Jacó para o Egito — o Targum Onkelos segue o Texto Massorético nessa padssagem.

O Targum Onkelos

O Targum, todavia, fez algo mais do que apenas combinar duas leituras. Ele também amalgamou essas leituras com

Daniel 10:13, 20—21

13 Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias; porém Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu obtive vitória sobre os reis da Pérsia.

20 E ele disse: Sabes por que eu vim a ti? Eu tornarei a pelejar contra o príncipe dos persas; e, saindo eu, eis que virá o príncipe da Grécia.

21 Mas eu te declararei o que está expresso na escritura da verdade; e ninguém há que esteja ao meu lado contra aqueles, a não ser Miguel, vosso príncipe.

onde os anjos guardiões da Pérsia, da Grécia e de Israel — Miguel — são chamados de ἄρχοντες árchontes — príncipes. A versão de Teodoreto usa ἄρχωνárchongovernante, sete vezes em Daniel 10, como uma referência direta a esses três guardiões. Já a LXX usa ἄρχωνárchongovernante, exclusivamente para se referir a Miguel. Os outros, anjos da Pérsia e da Grécia são chamados de στράτηγος strátegos chefe. O targum, dessa maneira, serve como uma prova adicional que o versão de Teodoreto reflete melhor o original.

I. ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν  — angélous tôn ethnôn  — anjos das nações.

A conexão entre anjos ou “príncipes” das nações e o os “filhos de Deus”, também se encontra refletida em Isaías 41—46 e 48, onde descobrimos o ETERNO em uma רִיב riyb — contenda legal diante dum concílio celestial, no qual Ele chama as nações pagãs para ouvirem o Seu caso — ver também

Oséias 4:1  

Ouvi a palavra do SENHOR, vós, filhos de Israel, porque o SENHOR tem uma contenda com os habitantes da terra, porque nela não há verdade, nem amor, nem conhecimento de Deus.

O processo verdadeiro, todavia, não é contra as nações em si mesmas e sim com seus ídolos-deuses. Uma vez que a tradição dos Israelitas identificou desde longa data os “filhos de Deus” ou os “filhos dos deuses”, com o concílio celestial e esse concílio foi identificado com os anjos, é perfeitamente compreensível que ainda na Antiguidade os deuses das nações pagãs tenham sido percebidos como os anjos guardiões apontados sobre cada uma delas. As menções que encontramos em Daniel 10, no Targum de Jerusalém e nos Manuscritos do Mar Morto, já possuíam uma longa história.

A leitura de

Isaías 34:1—5

1 Chegai-vos, nações, para ouvir, e vós, povos, escutai; ouça a terra e a sua plenitude, o mundo e tudo quanto produz.

2 Porque a indignação do SENHOR está contra todas as nações, e o seu furor, contra todo o exército delas; ele as destinou para a destruição e as entregou à matança.

3 Os seus mortos serão lançados fora, dos seus cadáveres subirá o mau cheiro, e do sangue deles os montes se inundarão.

4 Todo o exército dos céus se dissolverá, e os céus se enrolarão como um pergaminho; todo o seu exército cairá, como cai a folha da vide e a folha da figueira.

5 Porque a minha espada se embriagou nos céus; eis que, para exercer juízo, desce sobre Edom e sobre o povo que destinei para a destruição.

parece indicar que a ira do ETERNO contra todas as nações inclui também os elementos estelares. Quando as nações são entregue à destruição, temos a nítida impressão que as hostes celestiais também são atingidas conforme o verso 5 acima.

Será que ao olharmos a passagem de Isaías acima estamos diante de uma situação, encontrada posteriormente com muita frequência, que o julgamento dos poderes terrestres será precedido pelo julgamento de suas contrapartidas celestiais?

Comentário Mekilta

O comentário Mekilta[2] de Êxodo 15:1 diz o seguinte:

“No futuro, o Deus Santo, bendito seja ele, irá punir os reinos, somente depois de punir seus anjos guardiões, como está dito: ‘E acontecerá naquele dia, que o Senhor punirá as hostes celestiais no mais alto dos céus, e somente depois ele punirá os reis da terra sobre a mesma’” — comparar com Isaías 24:21.

Resultado de imagem para comentário midrash rabbah Comentários Midrash Rabbah

O mesmo é verdadeiro do Midrash[3] conhecido como Exodus Rabba que em 21:5, afirma: Deus não derruba nenhuma nação, sem antes destruir o anjo guardião da mesma primeiro”.

CONTINUA....

LISTAS DOS ESTUDOS DE ENCONTROS DE PODER

001 — Introdução =

002 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = Expressões Diversas

003 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀρχῆ — arché e ἄρχων — árchon.

004 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἐξουσίαις – exousías – potestades, autoridades.

005 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = δυνάμεις — dunámeis — poderes.

006 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = Θρόνοι— thrónoi — tronos.

007 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = κυριοτῆς — kuriotês — domínio.

008 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ὀνόματι — onómati — nome.

009 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἄγγελοs — ággelos — anjo.

010 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = δαιμονίον — daimoníon — demônioπνεῦμα τὸ πονηρὸν — pneûma tò poniròn — espírito malignoἀγγέλους τε τοὺς μὴ τηρήσαντας τὴν ἑαυτῶν ἀρχὴν— angélous te toùs me terèsantas tèn eautôn archèn — anjos, os que não guardaram o seu estado original ou anjos caídos.

011 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações.

012 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações — Parte 2.

013 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações — Parte 3 — Final.

014 — A Evidência do Novo Testamento – Parte 1 — Introdução

015 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 2 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 2:6—8 — Parte 1

016 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 3 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 2:6—8 — Parte 2

017 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 3 — As Passagens Disputadas — Romanos 13:1—3

018 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 4 — As Passagens Disputadas — Romanos 8:31—39

019 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 5 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 15:24—27a — PARTE 1

020 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 6 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 15:24—27a — PARTE 2

021 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 7 — As Passagens Disputadas — Colossenses 3:13—15 — PARTE 1

022 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 8 — As Passagens Disputadas — Colossenses 3:13—15 — PARTE 2

023 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 9 — As Passagens Disputadas — Efésios 1:20—23 — AS REGIÕES CELESTIAIS — PARTE 1

024 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 10 — As Passagens Disputadas — Efésios 1:20—23 — AS REGIÕES CELESTIAIS — PARTE 2

025 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 11 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 3

026 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 12 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 4

027 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 13 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 5

028 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 14 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 6

029 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 15 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 7 — A DESTRUIÇÃO DA MORTE E DE SEUS ALIADOS

030 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — A CRIAÇÃO DE TODAS AS COISAS POR MEIO DE E PARA O PRÓPRIO CRISTO

031 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — TENTANDO DEFINIR OS PODERES

032 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — TENTANDO DEFINIR OS PODERES —PARTE 002

033 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 17 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 001

034 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 18 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 002

035 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 19 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 003

036 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 20 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 004

037 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 21 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 005

038 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 22 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 006

039 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 23 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 007

040 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 24 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 008

041 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 25 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 009

042 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 26 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 010

043 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 27 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 011 — O PRÍNCIPE DA POTESTADE DO AR
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Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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[1] Targum, no plural targumim é o nome dado às traduções, paráfrases e comentários em aramaico da Bíblia hebraica (Tanak) escritas e compiladas em Israel e Babilônia, da época do Segundo Templo até o início da Idade Média, utilizadas para facilitar o entendimento dos judeus que não falavam o hebraico como língua mãe, e sim o aramaico.

[2] Mekhilta or Mekilta é uma coleção de regras de interpretação, que foram desenvolvidas para se fazer um interpretação “tipo midrash” do livro de êxodo. O nome “Mekilta” corresponde ao hebraico “middah” = medida ou regra e é usado para indicar uma compilação de exegeses das Escrituras. As duas Mekiltas mais famosas são: 1) a do Rabino Ismael; 2) a do rabino Simon.
[3] O termo hebraico Midrash; plural midrashim, "história" de "investigar" ou "estudo" é um método homilético da exegese bíblica. O termo também se refere à compilação integral dos ensinamentos homiléticos sobre a Bíblia.