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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

VIDA, MORTE, ESTADO INTERMEDIÁRIO E ESTADO ETERNO - Estudo 9 - Termos Usados no Antigo Testamento – Parte 002 - O ESPÍRITO


Quadro de René Magritte

Essa é uma série cujo propósito é estudar os conceitos bíblicos de vida, morte, estado intermediário e eternidade. No final de cada estudo você irá encontrar links para outros estudos. A Série tem o título Geral de: Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade.
I. רוּחַ — ruach — vento, hálito, mente e espírito
A palavra ruach é encontrada 361 vezes nas suas formas hebraicas e caldaicas no Antigo Testamento. Essa palavra é traduzida, de maneira aproximada na versão Revista e Atualizada de Almeida, da seguinte maneira:

Espírito de Deus 105X
Espírito como atitude 51X
Mente 6 X
Veia 2X
Espírito no homem 59X
Espíritos referência a anjos 23X
Lado do vento 7X
Ar 1X
O vento 43X
Fôlego 14 X
Tormenta 4X
Tempestade 1X

II. A Definição dos Dicionários

Os dicionários definem a expressão ruach de nove maneiras diferentes, dependendo do contexto:

A – O Espírito de Deus, i.e., o Espírito Santo.

B – Anjos, bons e maus.

C – O princípio da vida nos homens e nos animais.

D – Espíritos desencarnados.

E – Fôlego.

F – Ar.

G – Disposição ou atitude.

H – O lugar onde se assentam as emoções.

I – O lugar onde se concentram a mente e a vontade nos homens.[1]

III. A Septuaginta


Os tradutores da Septuaginta — LXX — utilizaram a expressão grega πνεῦμαpneuma — espírito, como equivalente da expressão ruach todas às vezes, com exceção de 75 vezes, que são alguns casos em que a palavra ruach se refere ao vento. A palavra πνεῦμαpneuma — espírito, é usada 388 vezes na Septuaginta. Às vezes em que a palavra não é a equivalente a ruach, ela é a tradução de outras palavras tais como נֶפֶשׁ nepesh: sopro, vida, desejo, alma. 

IV. A Evidência Exegética


A. A Expressão ruach, da mesma forma que nepesh tem uma grande variedade de significados:

1 – Ao que parece servia, feralmente, para traduzir a ideia do vento que é invisível e imaterial —

Gênesis. 8:1

Lembrou-se Deus de Noé e de todos os animais selváticos e de todos os animais domésticos que com ele estavam na arca; Deus fez soprar um vento sobre a terra, e baixaram as águas.

2 – Como Deus é invisível e imaterial, Ele é descrito como Espírito em —

Isaías 63:10

Mas eles se revoltaram contra Deus e ofenderam o seu santo Espírito. Por isso, Deus se tornou inimigo deles e começou a lutar contra eles.

3 – Como os Anjos de Deus são invisíveis e imateriais são chamados de Espíritos em —

Salmos 104:4
Fazes com que os ventos sejam os teus mensageiros e com que os relâmpagos sejam os teus servidores.

Hebreus 1:14

Então, o que são os anjos? Todos eles são espíritos que servem a Deus, os quais ele envia para ajudar os que vão receber a salvação — na Nova Tradução na Linguagem de Hoje.

4 – Como o princípio da vida, que anima tanto os homens como os animais é invisível e imaterial, é também chamado de Espírito —

Gênesis 7:22

Tudo o que tinha fôlego de vida em suas narinas, tudo o que havia em terra seca, morreu.

Nesse sentido, Espírito é visto, como o fôlego de vida que parte e causa a morte do corpo físico — morte no sentido de separação entre as duas partes, material e imaterial, e não no sentido de fim da existência.

5 – Como o homem tem uma parte invisível e imaterial entendido como o Eu ou alma, a qual transcende o princípio da vida física, porque é autoconsciente, assim, tanto a mente quanto o coração do homem são chamados Espírito —

Salmos . 77:6

De noite indago o meu íntimo, e o meu espírito perscruta.

Provérbios 29:1

O homem que muitas vezes repreendido endurece a cerviz será quebrantado de repente sem que haja cura.

Note a implicações de Isaías 42:5 para os que defendem a idéia de que a expressão Espírito se refere exclusivamente ao princípio físico da vida. Note como o espírito concedido por Deus é diferenciado das outras coisas criadas em —

Isaías 42:5

Assim diz Deus, o SENHOR, que criou os céus e os estendeu, formou a terra e a tudo quanto produz; que dá fôlego de vida ao povo que nela está e o espírito aos que andam nela.


O movimento do ar era, geralmente, entendido como um símbolo duma presença sobrenatural —

Jó 4:15

Então, um espírito passou por diante de mim; fez-me arrepiar os cabelos do meu corpo.


Este conceito é paralelo ao expressado pela palavra רְפָאִים refaiym — almas desencarnados —

Jó 26:5

A alma dos mortos tremem debaixo das águas com seus habitantes.


Assim temos que, enquanto na morte o princípio ou fôlego de vida cessa de existir, tanto nos homens quanto nos animais, o lado autoconsciente dos homens ou o espírito dos mesmos ascendem para Deus

Salmos 31:5

Nas tuas mãos, entrego o meu espírito; tu me remiste, SENHOR, Deus da verdade.


Eclesiastes 12:7

E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.


6 – O Espírito Santo é aquele que proporciona as disposições ou atitudes da vida física que transcendem essa mesma vida —

Isaías 11:2

Repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do SENHOR.

Romanos 1:4

E foi designado Filho de Deus com poder, segundo o espírito de santidade pela ressurreição dos mortos, a saber, Jesus Cristo, nosso Senhor.


Apocalipse. 3:1

Ao anjo da igreja em Sardes escreve: Estas coisas diz aquele que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto.

Nota: Os sete Espíritos de Deus não são sete Espíritos distintos como alguns pretendem e sim sete formas distintas, entre não sabemos quantas possíveis, do Espírito Santo se manifestar, como indicado na passagem de Isaías 11:2 acima.

CONTINUA...

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Estudo 009 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Termos Usados no Antigo Testamento — Parte 002
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Estudo 011 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Termos Usados no Novo Testamento — Parte 001 — ψυχή  Psiché
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Estudo 012 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Termos Usados no Novo Testamento — Parte 002 — πνεῦμα — pneûma — espírito, καρδίᾳ — Kardía — Coração, διανοίᾳ — dianoíaφρόνημα — frónemaνοήμα — noémaνοῦς  nous — Mente.
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Estudo 013 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Termos Usados no Novo Testamento — Parte 003 — ἔσω ἄνθρωπον — éso ánthropon = homem interior; νεφρόι — Nefroi = rins
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Estudo 014 A — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Conclusão: A Crença na Imortalidade como algo Universal.
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Estudo 014 B — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — A Crença na Imortalidade como algo Universal — Parte 002



Estudo 014 C — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — A Crença na Imortalidade como algo Universal — Parte 003.
Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.



[1] Gesenius, H. F. W., Driver S. R.,  Briggs, Charles A., Brown, Francis, Robinson, Edward. A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament.  Oxford University Press, Oxford, 1952.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 006 — MATEUS — PARTE 001 - INTRODUÇÃO GERAL



Essa série pretende disponibilizar as informações mais importantes acerca de cada um dos 27 livros que compõem o Novo Testamento. Desde que lançamos nossa série de Introdução ao Antigo Testamento, muitos leitores têm nos questionando acerca de algum material semelhante com respeito ao Novo Testamento. Então, aproveitando que iniciamos uma série de estudos acerca dos manuscritos do Novo Testamento — tecnicamente chamada de “baixa crítica” — estamos usando essa oportunidade para lançar uma série que trate também do texto do Novo Testamento em si, e da interpretação geral do mesmo — “alta crítica”.

I. O EVANGELHO DE MATEUS

O Evangelho de Mateus, de acordo com inúmeras citações encontradas nos escritos dos primeiros autores cristãos, eram o mais utilizado entre os Evangelhos, que posteriormente foram reconhecidos como canônicos. Alguns motivos para tal fato serão vistos quando examinarmos o propósito e a estrutura do mesmo. Uma coisa que podemos adiantar é que esse Evangelho se adaptava bem às formas litúrgicas adotadas pela Igreja Nascente. O Evangelho de Mateus tem mantido firme o seu apelo pela eras da história cristã e tem exercido fortes influências sobre a mesma. Isso é especialmente verdadeiro quando pensamos no chamado “Sermão do Monte”.  

A. Características

Uma das características do Evangelho de Mateus quando comparado, por exemplo, com o Evangelho de Marcos, é que suas narrativas são, geralmente, mais breves. Isso pode ser visto em passagens tais como:

A morte de João Batista — Mateus 14:3—12 e comparar com Marcos 6:17—29.

Na cura duma criança epiléptica — Mateus 17:14—21 e comparar com Marcos 9:14—29.

É possível que essa característica, junto com a forma como Mateus organizou seu material, tenham sido as maiores responsáveis pelo fato desse Evangelho ser tão utilizado na liturgia da Igreja Primitiva.

B. Interesse Messiânico

Era algo apenas natural que os primeiros cristãos tivessem um interesse muito grande pelas profecias do Antigo Testamento que haviam sido cumpridas na vida de Jesus Cristo. E o Evangelho de Mateus trás inúmeras dessas profecias e seus respectivos cumprimentos de forma bastante intensa. As muitas citações relativas ao Antigo Testamento costumavam ser classificadas em dois tipos:

Primeiro nos temos as citações retiradas diretamente da Septuaginta — LXX — que constituem a vasta maioria de todas as citações que encontramos no Novo Testamento, inclusive. Essas citações são apresentadas por meio de várias fórmulas ou, então, elas surgem, de forma quase natural, no curso da própria narrativa e sem nenhum tipo especial de introdução.

Em segundo lugar temos as citações que Mateus faz do Antigo Testamento em hebraico as quais são apresentas por um conjunto variado de fórmulas como, por exemplo: “para que se cumprisse a Escritura”. Essas citações que, talvez, tenham feito parte de uma coleção anterior ao Evangelho — ver discussão mais adiante — servem para ilustrar a profunda convicção de que existe mesmo uma conexão inquestionável entre a fé Cristã e o Antigo Testamento.

A grande maioria dessas citações do Antigo Testamento dá testemunho da maior parte da confissão cristã que está centrada na pessoa do Senhor Jesus Cristo, o Messias.

João 5:39

Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim.

Se o leitor moderno tem a impressão que alguns desses cumprimentos parecem um tanto forçados, como acontece, por exemplo, com as seguintes referências —

Mateus 2:15

E lá ficou até à morte de Herodes, para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor, por intermédio do profeta: Do Egito chamei o meu Filho.

Oséias 11:1

Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei o meu filho.

é necessário que o mesmo seja lembrado que para os primeiros cristãos, que haviam herdado o Antigo Testamento do judaísmo e que reverenciavam o mesmo como Escrituras Sagradas, o testemunho do mesmo era inquestionavelmente visto como autoritativo, e que nesses casos, conexões perfeitamente lógicas não eram algo vistas como prioritárias. E é nesse ponto que a vasta maioria dos estudiosos tropeçam e acabam perdendo a fé e falando um monte de bobagens, falseando a verdade e cometendo uma falsidade ideológica inominável. Que possam se arrepender é nossa oração.

Em comum com os primeiros cristãos, Mateus abordava o Antigo Testamento de um modo diferente daquele utilizado pelos rabinos judeus, pois para Mateus o texto do Antigo Testamento não estava preso a nenhum método tradicional de interpretação. A consequência direta disso é que Mateus trata muitas passagens do Antigo Testamento como referindo-se ao Messias, mas essas passagens não eram assim vistas pelos intérpretes judaicos  

CONTINUA...

OUTROS ESTUDOS ACERCA DA INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO GERAL AOS EVANGELHOS — ESTUDO 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 002 — A FORMA LITARÁRIA DOS EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 003 — MOTIVOS PORQUE OS EVANGELHOS FORAM ESCRITOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 004 — O LUGAR OCUPADO PELOS QUATRO EVANGELHOS NO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 005 —  A MELHOR FORMA DE ABORDAR OS QUATRO EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 006 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 007 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 002

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 008 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 003

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 009 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 004

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 010 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 005

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 011 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 006

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 012 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 007

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 013 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 008

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 014 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 009

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 015 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 010 — AUTOR — PARTE 002



INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 016 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 011 — DATA DA COMPOSIÇÃO

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

ENCONTROS DE PODER — 035 — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 003 —OS RUDIMENTOS DO MUNDO



Atenção esse artigo é parte de uma série onde pretendemos tratar dos alegados encontros de poder e de curas maravilhosas que nos são apresentadas todos os dias pelos pastores midiáticos. No final de cada estudo você encontrará links para outros estudos.

Continuação...

Outra vez nós lemos em —

2 Pedro 3:10—12

10 Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas.

11 Visto que todas essas coisas hão de ser assim desfeitas, deveis ser tais como os que vivem em santo procedimento e piedade,

12 esperando e apressando a vinda do Dia de Deus, por causa do qual os céus, incendiados, serão desfeitos, e os elementos abrasados se derreterão.

onde, novamente o próprio contexto é um guia claro. Quando Pedro diz as palavras acima, é óbvio que ele não está se referindo nem a anjos nem a qualquer um dos espíritos astrais. Esses seres têm bem pouca substância capaz de se dissolver ou de serem abrasados.

Já o uso que Paulo faz desse termo não é tão fácil de ser entendido. A expressão grega — στοιχεῖα τοῦ κόσμου stoicheîa toû kósmou — traduzida por “rudimentos do mundo” é usada por Paulo no meio de uma intensa disputa com judaizantes daqueles dias, que insistiam que para uma pessoa ser um verdadeiro cristão era necessário receber a circuncisão e se submeter a outros requerimentos rituais da Lei de Moisés. Paulo havia acabado de falar da Lei como um aio ou pedagogo que serviu bem até a vinda de Cristo. O verso diz, textualmente —

Gálatas 4:3

Assim, também nós, quando éramos menores, estávamos servilmente sujeitos aos rudimentos do mundo — stoicheîa toû kósmou.

Em seguida, Paulo prossegue falando acerca de Cristo, dizendo —

Gálatas 4:4—5

4 Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,

5  Para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos.

O que escravizava aquelas pessoas? Deve ser claro que a Lei se encontrava no centro de toda a questão, do mesmo modo como acontece com todas as religiões legalistas, especialmente os Adventistas do Sétimo Dia. Assim temos que, de acordo como Paulo, se os crentes são “resgatados” do jugo da Lei é porque os mesmos se encontravam escravizados pela mesma. Mas porque Paulo se refere à Lei como sendo “os rudimentos do mundo”? Alguns comentaristas alegam que Paulo estava se referindo aos anjos que intermediaram a outorga da Lei, conforme lemos em —
Gálatas 3:19

Qual, pois, a razão de ser da lei? Foi adicionada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem se fez a promessa, e foi promulgada por meio de anjos, pela mão de um mediador.

Dessa forma, os que receberam a Lei tornaram-se subjugados pela mesma. Mas mesmo levando em conta que Paulo, eventualmente, considerava a intermediação da Lei por meio de anjos, como um sinal da inferioridade dos mesmos à pessoa do Senhor Jesus Cristo, isso é algo muito diferente de imaginarmos que esses anjos podem também fazer referência a seres espirituais malignos.
Todavia, devemos destacar que o uso de elementos como coisas materiais do Universo, já era algo rotineiro na Septuaginta — LXX — como podemos ver em Sabedoria de Salomão 7:17, 19 e 4 Macabeus 12:13. Na citação de Sabedoria de Salomão os elementos físicos do Universo são claramente distinguidos dos chamados “espíritos poderosos” mencionados no verso 20b. Já o uso que 2 Pedro faz é muito semelhante ao que encontramos nos escritos dos primeiros apologistas da fé cristã, onde o termo στοιχεῖαstoicheîa —, enquanto inclui os corpos celestiais, também engloba o fogo e a terra. E mesmo onde tanto o sol como a lua são chamados de στοιχεῖαstoicheîa —, os mesmos não são percebidos como espíritos astrais, mas apenas como parte da criação física.

Portanto, a preocupação de Paulo está centrada no perigoso fato que os gálatas estavam tentando estabelecer uma justiça própria pela submissão ou utilização da Lei judaica.
A confusão que temos nas igrejas da Galácia é causada pelo fato de que aqueles a quem Paulo se dirige eram, na sua maioria, não judeus, nem tinham sido judeus, como o próprio Paulo uma vez estivera sob o jugo da Lei, e sim pessoas que se encontravam sob o jugo dos deuses do paganismo. Paulo deseja que os gálatas entendam que: a submissão às práticas religiosas judaicas não era muito diferente da vida anterior que tiveram, sob as práticas do paganismo e do politeísmo. As duas realidades estão fundamentadas em elementos básicos da vida humana. As duas envolvem celebrações especiais, calendários sagrados, dias de festa, e até mesmo anos inteiros separados como santo, conforme —

Gálatas 4:10

Guardais dias, e meses, e tempos, e anos.    

Mesmo que as pessoas não consigam viver sem esses rituais deve ficar bem claro que os mesmos não podem produzi vida —

Gálatas 3:21—22

21 É, porventura, a lei contrária às promessas de Deus? De modo nenhum! Porque, se fosse promulgada uma lei que pudesse dar vida, a justiça, na verdade, seria procedente de lei.

22 Mas a Escritura encerrou tudo sob o pecado, para que, mediante a fé em Jesus Cristo, fosse a promessa concedida aos que creem.

É possível que os leitores estejam mais familiarizados com os festivais judaicos como o Dia do Sábado, o calendário judaico, as estações — marcadas por celebrações como a páscoa e a festa dos tabernáculos — e os anos “sabáticos” e o ano do “Jubileu”. Mas é importante saber que o paganismo têm celebrações compatíveis, indo mai além, entretanto, pois atribuem aspectos divinos a essas ocasiões. Segundo Cícero, Zeus “concedia poderes divinos” — vis divina — às estrelas, mas também aos anos, meses e para as estações do ano”. Já Proclus, filósofo Neo Platônico e o homem que mais influenciou a verdadeira forma do mundo pensar, afirma que a opinião geral das pessoas “faz da Horas deusas e do Mês um deus, e a adoração dos mesmos tem sido passada para todos nós; nós mesmos dizemos que o Dia e a Noite são divindades, e que os próprios deuses nos ensinaram a clamar por eles. Sendo assim, não é apenas óbvio que o próprio Tempo seja também um deus, uma vez que o mesmo inclui as horas, os meses, os dias e as noites?[1]
A única opção do gálatas é se alegrarem pelo fato de terem recebido um dom da parte de Deus —

Gálatas 2:20—21

20 logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.

21 Não anulo a graça de Deus; pois, se a justiça é mediante a lei, segue-se que morreu Cristo em vão.

CONTINUA...

LISTAS DOS ESTUDOS DE ENCONTROS DE PODER

001 — Introdução =

002 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = Expressões Diversas

003 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀρχῆ — arché e ἄρχων — árchon.

004 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἐξουσίαις – exousías – potestades, autoridades.

005 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = δυνάμεις — dunámeis — poderes.

006 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = Θρόνοι— thrónoi — tronos.

007 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = κυριοτῆς — kuriotês — domínio.

008 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ὀνόματι — onómati — nome.

009 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἄγγελοs — ággelos — anjo.

010 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = δαιμονίον — daimoníon — demônioπνεῦμα τὸ πονηρὸν — pneûma tò poniròn — espírito malignoἀγγέλους τε τοὺς μὴ τηρήσαντας τὴν ἑαυτῶν ἀρχὴν— angélous te toùs me terèsantas tèn eautôn archèn — anjos, os que não guardaram o seu estado original ou anjos caídos.

011 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações.

012 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações — Parte 2.

013 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações — Parte 3 — Final.

014 — A Evidência do Novo Testamento – Parte 1 — Introdução

015 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 2 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 2:6—8 — Parte 1

016 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 3 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 2:6—8 — Parte 2

017 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 3 — As Passagens Disputadas — Romanos 13:1—3

018 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 4 — As Passagens Disputadas — Romanos 8:31—39

019 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 5 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 15:24—27a — PARTE 1

020 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 6 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 15:24—27a — PARTE 2

021 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 7 — As Passagens Disputadas — Colossenses 3:13—15 — PARTE 1

022 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 8 — As Passagens Disputadas — Colossenses 3:13—15 — PARTE 2

023 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 9 — As Passagens Disputadas — Efésios 1:20—23 — AS REGIÕES CELESTIAIS — PARTE 1

024 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 10 — As Passagens Disputadas — Efésios 1:20—23 — AS REGIÕES CELESTIAIS — PARTE 2

025 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 11 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 3

026 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 12 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 4

027 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 13 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 5

028 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 14 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 6

029 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 15 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 7 — A DESTRUIÇÃO DA MORTE E DE SEUS ALIADOS

030 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — A CRIAÇÃO DE TODAS AS COISAS POR MEIO DE E PARA O PRÓPRIO CRISTO

031 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — TENTANDO DEFINIR OS PODERES

032 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — TENTANDO DEFINIR OS PODERES —PARTE 002

033 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 17 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 001

034 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 18 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 002

035 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 19 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 003

036 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 20 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 004

037 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 21 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 005

038 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 22 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 006

039 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 23 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 007

040 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 24 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 008

041 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 25 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 009

042 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 26 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 010

043 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 27 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 011 — O PRÍNCIPE DA POTESTADE DO AR
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/02/encontros-de-poder-043-evidencia-do.html



044 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 28 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 012 — AS FORÇAS ESPIRITUAIS DO MAL — PARTE 001

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis.

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Desde já agradecemos a todos.  



[1] Cumont, Franz. Astrology and Religion Among the Greeks and Romans — Astologia e Religião Entre os Gregos e os Romanos. G. P. Putnam & Sons, New York, 1912.