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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

A VIDA DE DAVI - SERMÃO 018 – COMO O PECADO NOS SUFOCA — PARTE 2 - AUTOPIEDADE E AUTOENGANO


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Esse artigo é parte da série "Exposição da Vida de Davi" e é muito recomendável que o leitor procure conhecer todos os aspectos das verdades contidas nessa exposição, com aplicações para os nossos dias. No final do artigo você encontrará um link para outros estudos dessa série.


Texto: 1 Samuel 26—30
Introdução.

A. Na mensagem anterior nós vimos como Davi, cansado de 8 anos de perseguições da parte de Saul, se esquece de Deus e volta suas costas para Aquele que tinha mandado Samuel ungi-lo rei sobre o povo de Israel.  
B. O verso que comprova o que estamos dizendo é 1 Samuel 27:1 —
1 Samuel 27:1
Disse, porém, Davi consigo mesmo: Pode ser que algum dia venha eu a perecer nas mãos de Saul; nada há, pois, melhor para mim do que fugir para a terra dos filisteus; para que Saul perca de todo as esperanças e deixe de perseguir-me por todos os limites de Israel; assim, me livrarei da sua mão.
C. Note que Davi fala consigo mesmo. Note também que não existe nenhuma consideração pela pessoa de Deus.
D. O curioso é que não fazia muito tempo que Davi havia afirmado sua confiança na promessa de Deus —
1 Samuel 26:10
Acrescentou Davi: Tão certo como vive o SENHOR, este o ferirá, ou o seu dia chegará em que morra, ou em que, descendo à batalha, seja morto.
E. Mas aqui, Davi toma uma decisão sem fazer nenhuma consideração acerca da pessoa de Deus. Davi estava a ponto de tomar uma grande decisão em sua vida, mas Deus não estava em seu horizonte.
F. De fato, Davi estava tão longe de Deus, que o nome do Senhor Deus não é mencionado começando em 1 Samuel 27:1 até 1 Samuel 30:5. Única exceção é a menção nos lábios do rei filisteu de Gate — Aquis — que pode ser vista em 1 Samuel 29:6, 9.
G. A decisão de Davi, embora completamente equivocada, deu certo no princípio —
1 Samuel 27:4
Avisado Saul de que Davi tinha fugido para Gate, desistiu de o perseguir.
H. Diante de tudo isso, vamos notar dentro do nosso tema geral acerca de como...

O PECADO NOS ATRAI TORNANDO A VIDA, APRAENTEMENTE, MAIS AGRADÁVEL A PRINCÍPIO
que:
I. Somos Muito Tentados em Horas de Dificuldades
A. Nessa altura dos acontecimentos Saul já estava perseguindo a Davi, fazia oito longos anos.
B. Nesse período Davi teve a oportunidade de matar a Saul por duas vezes, mas preferiu confiar em Deus, em vez de fazer justiça com as próprias mãos. Mas agora, Davi talvez estivesse pensando, como nós muitas vezes fazemos: valeu à pena?
C. Além da perseguição Davi precisava prover para os 600 homens que o acompanhavam com suas famílias e para toda sua própria família. Como um fugitivo tais situações eram ainda mais complicadas.
D. Qualquer pessoa que ajudava a Davi ou as pessoas que estavam com ele, tornavam-se, automaticamente, em inimigas de Saul, o rei de Israel.
E. Não tenha dúvida. O diabo vai sempre se aproveitar de você quando você estiver passando por dificuldades. Foi isso que ele fez com Davi e foi isso que fez Davi perder a esperança que tinha em Deus. O Apóstolo Pedro nos adverte dizendo:
1 Pedro 5:8—9a
8  Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar;
9  resisti-lhe firmes na fé.
II. A Sequência do Pecado é uma Armadilha Enganosa
A. O autor aos Hebreus nos adverte acerca do cuidado que devemos ter com o pecado em nossas vidas —
Hebreus 3:12—13
12 Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo;
13 pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado.
B. O autoengano é um dos piores erros que podemos cometer. Quando somos vítimas do autoengano nos tornamos cada vez mais resistentes aos apelos, tanto da nossa própria consciência como das pessoas que tentam nos ajudar.
C. Vejamos como isso funcionou na vida de Davi.
1. Pensamentos errados que já foram mencionados na mensagem anterior, fatalmente nos conduzirão a ideias erradas — ver 1 Samuel 27:1 acima. Davi tinha sido ungido rei sobre o povo de Israel e tinha a promessa de Deus que um dia se assentaria no trono de Saul. Mas o autoengano o impedia de aceitar e depender das promessas de Deus.
2. Sentimentos errados. Pensamentos errados também nos conduzem a sentimentos errados. Davi não esta sofrendo apenas de autoengano, mas agora estava sofrendo também de autopiedade. A autopiedade nos faz sentir que somos a pessoa mais importante do mundo e que todos estão contra nós. “Coitadinho de mim” é assim que pensamos. Tais sentimentos devem ser confrontados, confessados e abandonados como pecados. O livro de Provérbios diz:
Provérbios 28:13
O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia.
3. Pensamentos errados associados a sentimentos errados nos conduzem, fatalmente, para ações erradas
1 Samuel 27:2
Dispôs-se Davi e, com os seiscentos homens que com ele estavam, passou a Aquis, filho de Maoque, rei de Gate.
Davi sabia que o povo de Israel estava proibido por Deus de manter relações com os povos da terra, porque eram pagãos e idólatras. Mesmo assim, ele desobedece a Deus e vai procurar os filisteus em Gate. Como sabemos Davi não estava só. Então em vez de pecar sozinho ele arrastou um monte de gente junto com ele —
1 Samuel 27:3
Habitou Davi com Aquis em Gate, ele e os seus homens, cada um com a sua família; Davi, com ambas as suas mulheres, Ainoã, a jezreelita, e Abigail, a viúva de Nabal, o carmelita.
4. O próximo passo na ladeira abaixo de Davi foi se aliar com as pessoas erradas. Os filisteus eram arquiinimigos de Israel e Davi não apenas adotou a amizade errada mais levou um monte de gente com ele, expondo essas pessoas a todos os pecados comuns entre os filisteus, especialmente a imoralidade sexual e a idolatria. Ver o verso de 1 Samuel 27:3 acima.
Más companhias são o caminho mais curto para uma completa corrupção de costumes. Paulo diz —
1 Coríntios 15:33
Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes.
ou
1 Coríntios 15:33 na NTLH
Não se enganem: “As más companhias estragam os bons costumes”.
Se você pretende seguir o Senhor Jesus como discípulos, então deve tomar cuidado com todas as pessoas que não têm interesse em Deus, nem nas coisas de Deus. Não se deixe enganar.
5. O rei Aquis dá para Davi uma pequena cidade — Ziclague — para ele habitar com seu povo
1 Samuel 27:5—6
5  Disse Davi a Aquis: Se achei mercê na tua presença, dá-me lugar numa das cidades da terra, para que ali habite; por que há de habitar o teu servo contigo na cidade real?
6  Então, lhe deu Aquis, naquele dia, a cidade de Ziclague. Pelo que Ziclague pertence aos reis de Judá, até ao dia de hoje.
6. O contínuo afastamento de Davi de Deus o levou a praticar ainda outros atos errados, muito errados mesmo —
1 Samuel 27:8—12
8 Subia Davi com os seus homens, e davam contra os gesuritas, os gersitas e os amalequitas; porque eram estes os moradores da terra desde Telã, na direção de Sur, até à terra do Egito.
9 Davi feria aquela terra, e não deixava com vida nem homem nem mulher, e tomava as ovelhas, e os bois, e os jumentos, e os camelos, e as vestes; voltava e vinha a Aquis.
10 E perguntando Aquis: Contra quem deste hoje? Davi respondia: Contra o Sul de Judá, e o Sul dos jerameelitas, e o Sul dos queneus.
11 Davi não deixava com vida nem homem nem mulher, para os trazer a Gate, pois dizia: Para que não nos denunciem, dizendo: Assim Davi o fazia. Este era o seu proceder por todos os dias que habitou na terra dos filisteus.
12 Aquis confiava em Davi, dizendo: Fez-se ele, por certo, aborrecível para com o seu povo em Israel; pelo que me será por servo para sempre.
A atitude de Davi era a de um verdadeiro homem sanguinário. Ele não tinha recebido nenhuma ordem de Deus para fazer o que estava fazendo. Ele estava matando, até mesmo, alguns dos parceiros de Aquis, e por isso precisava matar todas as pessoas para que ninguém pudesse denunciá-lo para o rei dos filisteus, que achava que Davi estava atacando vilarejos fronteiriços de Judá.
C. Davi estava jogando um jogo muito perigoso. É o que sempre acontece quando nos afastamos dos caminhos de Deus.
Conclusão:
A. Minhas irmãs e meus irmãos, quantas vezes nós já, miseravelmente, tomamos decisões sem levar Deus e Sua Palavra em consideração e o que colhemos dessas desastradas decisões? Paulo responde dizendo:
Romanos 6:20—21
20 Porque, quando éreis escravos do pecado, estáveis isentos em relação à justiça.
21 Naquele tempo, que resultados colhestes? Somente as coisas de que, agora, vos envergonhais; porque o fim delas é morte.
B. Quantas vezes você e eu não paramos no meio de uma tribulação para pensar se vale mesmo à pena ser cristão. Quando pensamos assim demonstramos falta de fé e ofendemos o Senhor.
C. Nossa Carne é fraca, por isso precisamos resistir com firmeza às investidas de Satanás. Se agirmos assim essa é a promessa que Deus nos faz —
Tiago 4:7
Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.
D. Tomemos muito cuidado com o nosso próprio coração, pois Jeremias nos diz
Jeremias 17:9
Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?
E. Devemos sempre nos lembrar que raramente nossos pecados atingem apenas a nós mesmos. Eles atingem as pessoas próximas de nós, sejam amigos, parentes e especialmente os membros da nossa igreja! Portanto, pense bem, duas vezes, antes de tomar qualquer decisão e depois pense outras duas, antes de agir!
F. Quando ideias erradas nos conduzem a sentimentos errados e esses por sua vez nos conduzem a nos associar com as pessoas erradas, nós acabamos nos sentindo constrangidos a praticar males cada vez maiores e numa intensidade cada vez maior, com o objetivo de cobrir nossos erros e manter nosso estilo de vida pecaminoso.
G. Todas as vezes que nos deixamos envolver pelo pecado o engano sempre estará presente. Enganamos as outras pessoas, mas o pior mesmo é quando, como tolos, enganamos a nós mesmos.
H. Fujamos do pecado minhas irmãs e irmãos. Voltemos para o nosso Deus porque ele é benigno e rico em perdoar —
Isaías 55:7
Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao SENHOR, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar.
Que o Senhor abençoe a todos.
OUTROS ESTUDOS ACERCA DA VIDA DE DAVI
001— Um Homem Segundo o Coração de Deus — Parte 1
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2013/10/a-vida-de-davi-um-homem-segundo-o.html
002— Um Homem Segundo o Coração de Deus — Parte 2
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2013/11/a-vida-de-davi-um-homem-segundo-o.html
 003— Um Homem Segundo o Coração de Deus — Parte 3
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2013/12/a-vida-de-davi-um-homem-segundo-o.html
 004— Um Homem Segundo o Coração de Deus — Parte 4
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/01/a-vida-de-davi-um-homem-segundo-o.html
Que o Senhor abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis
PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:
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domingo, 27 de dezembro de 2015

ESTUDOS NO LIVRO DE PROVÉRBIOS — ESTUDO 005



Nesse estudo iremos abordar o Livro de Provérbios, mas iremos fazer isso de maneira diferente do que apenas apresentar uma exposição, versículo por versículo. Nossa intenção é apresentar os grandes temas que encontramos no livro e dar andamento no mesmo a partir daí.

ESTUDO 005

CONTINUAÇÃO...

VII. ALGUNS ASSUNTOS PRINCIPAIS DO LIVRO DOS PROVÉRBIOS

A. O HOMEM E DEUS

Conforme já falamos o Livro dos Provérbios não está tão preocupado com a relação aliancista entre Deus e o Seu povo. De fato, essa é uma característica completamente ausente no mesmo, o que nos deixa a impressão que a intenção dos compiladores finais foi a de produzir um livro de ensinamentos genéricos, mas teremos a oportunidade de ver que as coisas não são 100% assim.

Apesar do Livro não dar ênfase ao aspecto da aliança entre Deus e Seu povo, a quantidade de versículos que já vimos e que mencionam o “Temor do Senhor” servem como um excelente substituto a esse fator. Quando o Livro de Provérbios fala de Temor do Senhor, não está se referindo apenas à pessoa de Deus, mas está se referindo, principalmente, à obediência reverente aos mandamentos de Deus, como explicitados na Lei de Moisés.

Um exemplo típico do que estamos dizendo pode ser encontrado em versos tais como:

Provérbios 18:16

O presente מַתָּן mattan — que o homem faz alarga-lhe o caminho e leva-o perante os grandes.

Mas esse presente não irá transformar um grande ou poderoso em amigo de quem deu o presente. Agora, por outro lado —

Provérbios 17:23 —

O perverso aceita שֹׁחַד — shochad — suborno secretamente, para perverter as veredas da justiça.

Esses dois versos deixam bem claro que a justiça e não o sucesso — ser bem sucedido em qualquer coisa por meio de uma tramóia — deve ser nossa preocupação apropriada. Quanto aos inescrupulosos não receberão nenhum louvor por seus atos. O fato que permanece é: Nós precisamos ser pessoas boas para demonstrarmos que somos pessoas sábias. Bondade e sabedoria são duas realidades que não podem ser separadas, porque as duas completam uma única realidade.

Tudo isso tem uma profunda lógica no livro de Provérbios: a bondade precisa complementar a sabedoria e vice-versa, porque elas foram assim ordenadas pelo próprio Deus.

Essa realidade está, claramente, apresentada, em Provérbios 8. A existência da sabedoria e consequentemente da bondade é para os autores do Livro de Provérbios, uma prova definitiva da existência de Deus. A isso eles agregam a consciência que possuem de que são — somos — de fato pecadores diante de um Deus puro e Santo. Diante dessa realidade, note como o conteúdo de

Provérbios 20:9

Quem pode dizer: Purifiquei o meu coração, limpo estou do meu pecado?
faz perfeito sentido.

Ninguém pode alegar em nenhum momento que seja ignorante quanto a essas realidades, porque as mesmas são autoevidentes para todos os seres humanos.

Provérbios 24:12

Se disseres: Não o soubemos, não o perceberá aquele que pesa os corações? Não o saberá aquele que atenta para a tua alma? E não pagará ele ao homem segundo as suas obras?

Tal verdade não deixa ninguém escapar desse encontro crucial com o próprio Deus. Não existe espaço aqui, como podemos notar, para nenhum tipo de desculpa ou evasiva que sejam aceitáveis. Todos nós cometemos transgressões e, portanto, somos transgressores. O que podemos dizer a Deus para justificar um comportamento tão ofensivo à sua eterna santidade? E mais, nenhum tipo de exercícios ou práticas religiosas podem adquirir para nós qualquer favor com Deus. Pense um pouco nisso enquanto você reflete na quantidade de pessoas que frequentam alguma religião, qualquer religião, exatamente com esse propósito: alcançar alguma espécie de favor ou crédito diante de Deus.   

Agora compare com essas palavras do Livro de Provérbios —

Provérbios 28:9

O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será
abominável.

Abominável quer dizer “detestável a Deus”.

O mesmo será também verdadeiro com relação ao seu sacrifício — ver Provérbios 15:8 e 21:27.

Na nossa relação com Deus, todo pecado deve ser abandonado através da prática constante do arrependimento —

Provérbios 16:6

Pela misericórdia e pela verdade, se expia a culpa; e pelo temor do SENHOR os homens evitam o mal.

Junto com o arrependimento é necessário uma confissão verdadeira, não apenas do pecado que cometemos, mas também daquilo que nós somos em nossa essência: pecadores. Quem agir desse modo alcançará a verdadeira libertação da prática do pecado —

Provérbios 28:13

O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia.


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

UM ESTUDO ACERCA DO PECADO - PARTE 012 - O PECADO E A GRAÇA DE DEUS



Essa é uma série cujo propósito é estudar, com profundidade, os ensinamentos da Bíblia acerca do pecado, com uma ênfase especial na questão do chamado “pecado para a morte”. Os demais estudos dessa série poderão ser acessados por meio dos links alistados no final desse estudo.  

12. Pecado e a Graça de Deus

Pecado, como falamos no primeiro estudo dessa séria, o pecado é a transgressão da lei, mas nunca fica só nisso. Como o propósito da lei era nos conduzir à graça de Deus e por consequência a Jesus, o pecado é sempre um ato contra a bondade e a graça de Deus.

Gálatas 3:16—25

16 Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente, que é Cristo.

17 E digo isto: uma aliança já anteriormente confirmada por Deus, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não a pode ab-rogar, de forma que venha a desfazer a promessa.

18 Porque, se a herança provém de lei, já não decorre de promessa; mas foi pela promessa que Deus a concedeu gratuitamente a Abraão.

19 Qual, pois, a razão de ser da lei? Foi adicionada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem se fez a promessa, e foi promulgada por meio de anjos, pela mão de um mediador.

20 Ora, o mediador não é de um, mas Deus é um.

21 É, porventura, a lei contrária às promessas de Deus? De modo nenhum! Porque, se fosse promulgada uma lei que pudesse dar vida, a justiça, na verdade, seria procedente de lei.

22 Mas a Escritura encerrou tudo sob o pecado, para que, mediante a fé em Jesus Cristo, fosse a promessa concedida aos que creem.

23 Mas, antes que viesse a fé, estávamos sob a tutela da lei e nela encerrados, para essa fé que, de futuro, haveria de revelar-se.

24 De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé.

25 Mas, tendo vindo a fé, já não permanecemos subordinados ao aio.

Essa qualidade do pecado como um ato contra a graça de Deus, nos mostra que o pecado não é nunca algo individual e sim algo coletivo e social. A graça de Deus é uma expressão da vontade de Deus onde Ele deseja estar em comunhão com o homem, fazendo com que este mesmo homem seja a favor tanto de Deus como do próximo —os dois grandes mandamentos —

Mateus 22:36—40

36 Mestre, qual é o grande mandamento na Lei?

37 Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento.

38 Este é o grande e primeiro mandamento.

39 O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

40 Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.

O aspecto social da graça de Deus pode ser visto exatamente na demanda que devemos obedecer aos dois grandes mandamentos —

1 João 4:7—8

7 Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.

8 Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor.

Aquele que ama a Deus não pode odiar a seu próximo. E todo aquele que odeia a seu próximo não pode amar a Deus.

O pecado, como a rejeição do desejo gracioso de Deus para a vida em comunidade, é, portanto, algo coletivo. É um ato social mesmo na sua forma negativa como um ato anti-social. Por esse motivo, por ser o pecado um ato social, é que ele não é cometido somente individualmente, mas é também cometido por grupos sociais e pode ser personificado em estruturas sociais. Um país pode e, geralmente, peca tanto quanto o indivíduo. Existem pecados nacionais e países inteiros são chamados ao arrependimento e mudança de vida nas páginas da Bíblia, como encontramos, por exemplo, no livro de Jonas, onde Deus envia o profeta para anunciar um desastre (Jonas 3:4), mas em função do arrependimento dos Ninivitas Deus decide não levar adiante a destruição anunciada. De maneira semelhante a igreja pode pecar e ser ordenada a se arrepender e mudar de atitude, mas temos que admitir que muito raramente as igrejas fazem aquilo que exigem de seus membros. Existe muito abuso espiritual cometido pelas lideranças da igreja chamadas cristãs.

Esse caráter comunitário do pecado que reflete o aspecto comunitário da graça de Deus nos ajuda a entender porque a justiça não é um conceito individual, mas é sempre um conceito social. De fato não existe justiça individual separada da justiça social ou coletiva. Toda justiça é justiça social, porque a mesma é a expressão da santidade divina à medida que mantêm o propósito gracioso de Deus para o homem contra os assaltos do homem pecaminoso contra aquele mesmo proposto divino.

Ainda porque o pecado possui esta dimensão social e coletiva a distinção ética entre o “pessoal” e o “social” está arraigada em uma compreensão equivocada do pecado. Toda ética “pessoal” acaba sempre se tornando a ética do indivíduo versus a ética coletiva. Todo pecado é de fato pessoal, seja ele cometido por um indivíduo ou por uma coletividade, seja uma nação ou uma igreja. O mesmo é verdadeiro acerca do amor e do fazer aquilo que é certo. Mas não existe nada que possamos chamar de ética pessoal individual (que diz respeito ou é peculiar a uma só pessoa) da mesma maneira que não existe graça de Deus individual nem justiça individual. As ideias Bíblicas de graça, amor e justiça, bem como os ensinos Bíblicos de que o pecado original de Adão é o pecado de todas as pessoas e o ato de justiça praticado por Jesus que podem se transformar em um ato de justiça de todas as pessoas são completamente destruídos quando o pecado é definido individualmente com referência a uma compreensão legalista da lei, sem se fazer referência ao caráter social da graça de Deus.

Esse aspecto corporativo do pecado pode ser visto claramente nas páginas do Novo Testamento. Tomemos como exemplo a chamada “oração do Pai Nosso”. Note as palavras de Jesus especialmente no que diz respeito à “pessoa” dos verbos:

Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome;

venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;

o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;

e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;

e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém! – Mateus 6:9—13.

A mesma verdade foi expressa em outra passagem do sermão do monte em —

Mateus 5:23 – 24 onde lemos:

Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta.

Nós só podemos orar a Deus como Pai, pedir pelo pão diário, pedir perdão por nossos pecados e livramento do maligno se usarmos pronomes plurais como vós e nós. Só podemos trazer nossas ofertas a Deus se estivermos em paz com nosso próximo. Só podemos adorar a Deus se fizermos justiça ao nosso próximo. É bobagem pensar que Deus vai nos aceitar quando temos ciência de que ofendemos alguém. Este é o maior motivo porque nossas orações não são ouvidas e nem nossa adoração é aceita por Deus. É nossa responsabilidade buscarmos viver em paz com todas as pessoas —


Romanos 12:18

Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens.

OUTROS ESTUDOS SOBRE O PECADO

O PECADO — ESTUDO —001 — TERMOS GREGOS E HEBRAICOS E PALAVRAS INTRODUTÓRIAS

O PECADO — ESTUDO —002 — A QUEDA — UMA INTERPRETAÇÃO DE GÊNESIS 3 — PARTE 1

O PECADO — ESTUDO —003 — A QUEDA — UMA INTERPRETAÇÃO DE GÊNESIS 3 — PARTE 2

O PECADO — ESTUDO —004 — A QUEDA PROPRIAMENTE DITA — UMA INTERPRETAÇÃO DE GÊNESIS 3 — PARTE 3 — FINAL

O PECADO — ESTUDO 005 — A VERDADEIRA LIBERDADE

O PECADO — ESTUDO 006 — PECADO E LIVRE ARBÍTRIO

O PECADO — ESTUDO 007 — A BÍBLIA E O PELAGIANISMO

O PECADO — ESTUDO 008 — O PECADO E A SOBERANIA DE DEUS

O PECADO — ESTUDO 009 — HISTÓRIA E QUEDA

O PECADO — ESTUDOS 010 E 011 — O PECADO ORGINAL E A DEPRAVAÇÃO TOTAL

O PECADO — ESTUDOS 012 — PECADO E A GRAÇA DE DEUS

O PECADO — ESTUDOS 013A — PECADO E  O CASTIGO PARTE A

O PECADO — ESTUDOS 013B — PECADO E O CASTIGO PARTE B — JESUS NO GETSÊMANI — PARTE 001

O PECADO — ESTUDOS 013C — PECADO E O CASTIGO PARTE C — JESUS NO GETSÊMANI — PARTE 002

O PECADO — ESTUDOS 013D — PECADO E O CASTIGO PARTE D — JESUS NO GETSÊMANI — PARTE 003

O PECADO — ESTUDOS 013E — PECADO E O CASTIGO PARTE E — JESUS NO GETSÊMANI — PARTE 004

O PECADO — ESTUDOS 013F — PECADO E O CASTIGO PARTE F — JESUS NO GETSÊMANI — PARTE 005

O PECADO — ESTUDOS 014A — O PECADO PARA A MORTE — PARTE A — INTRODUÇÃO — QUESTÕES HERMENÊUTICAS

O PECADO — ESTUDOS 014B — O PECADO PARA A MORTE — PARTE B —DIFERENTES TIPOS DE PENAS E CASTIGOS PARA O PECADO IMPERDOÁVEL

O PECADO — ESTUDOS 014C — O PECADO PARA A MORTE — PARTE C —DIFERENTES TIPOS DE PESSOAS QUE PODEM COMETER O  PECADO IMPERDOÁVEL
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/08/um-estudo-sobre-o-pecado-parte-014_13.html

Grande Abraço e que Deus possa abençoar a todos.

Alexandros Meimaridis

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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

UM ESTUDO ACERCA DO PECADO – ESTUDO 8 — O PECADO E SOBERANIA DE DEUS



Essa é uma série cujo propósito é estudar, com profundidade, os ensinamentos da Bíblia acerca do pecado, com uma ênfase especial na questão do chamado “pecado para a morte”. 

8. O Pecado e Soberania Divina

A afirmação de que o homem é a causa secundaria, e Deus é a causa primaria do pecado, não pode ser sustentada biblicamente de maneira aceitável. Muitos defensores bem intencionados, mais, profundamente errados, acerca da soberania de Deus, têm ensinado que Deus mesmo é responsável pela origem do pecado. Estas pessoas costumam ensinar que Deus desejou que o pecado existisse, sendo Deus mesmo a causa primaria e o criador do pecado. Apesar dessas afirmativas serem feitas em defesa da soberania divina, elas são, em sua essência, blasfêmias. Note como é complicado pedir perdão pelos pecados àquele que consideramos o responsável primeiro ou maior pelos mesmos.

Rejeitando tanto a noção de que Deus “desejou” que o pecado viesse a existir, ou que o pecado é fruto de algum acontecimento fortuito, crentes equilibrados, durante toda a história da igreja, têm no máximo, admitido que Deus “permitiu” o pecado. O indicativo mais claro de que existe um relacionamento da vontade soberana de Deus com respeito ao pecado não pode ser percebido na ação que levou nossos pais, Adão e Eva, a cometerem o que chamamos de pecado original e sim na ação de Deus como demonstrada na cruz, onde por meio da morte de Seu próprio filho, Deus vence o pecado e baniu a consequência mais terrível do pecado que é a morte. Veja como Isaías expressou esta verdade:

Isaías 53:5 a 12

Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos. Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca. Por juízo opressor foi arrebatado, e de sua linhagem, quem dela cogitou? Porquanto foi cortado da terra dos viventes; por causa da transgressão do meu povo, foi ele ferido.

Designaram-lhe a sepultura com os perversos, mas com o rico esteve na sua morte, posto que nunca fez injustiça, nem dolo algum se achou em sua boca. Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do SENHOR prosperará nas suas mãos. Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si. Por isso, eu lhe darei muitos como a sua parte, e com os poderosos repartirá ele o despojo, porquanto derramou a sua alma na morte; foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu.

Outras passagens que afirmam esta verdade são:

Romanos 5:12

Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.

Romanos 6:23

Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.

2 Coríntios 5:21

Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.

Gálatas 1:4

O qual se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai.

Hebreus 9:26

Ora, neste caso, seria necessário que ele tivesse sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, porém, ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado.

Hebreus 10:12

Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus,

A história do pensamento cristão bem como cada uma das análises racionais do pecado, como a análise psicológica do pecado feita pelo filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard, de que o pecado pressupõe a si mesmo, demonstram que explicações do pecado reduzem o mesmo em algo que não produz culpa e não necessita ser confessado. O pecado precisa ser reconhecido e confessado e não explicado. Da mesma maneira como a Bíblia não elabora acerca do surgimento do pecado no universo angelical e da sua conexão com a origem do pecado no mundo, também não elabora como o ser humano criado por Deus podia pecar. Não existe, biblicamente falando, nenhuma boa razão moral, nem uma razão lógica para a realidade do pecado. Da mesma maneira que não pode haver uma justificativa lógica para a prática de atos irracionais, também não pode haver, verdadeiramente, uma razão moral para a prática do pecado ou do mal. O pecado é tanto imoral quanto irracional.



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O PECADO — ESTUDOS 013A — PECADO E  O CASTIGO PARTE A

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O PECADO — ESTUDOS 014A — O PECADO PARA A MORTE — PARTE A — INTRODUÇÃO — QUESTÕES HERMENÊUTICAS

O PECADO — ESTUDOS 014B — O PECADO PARA A MORTE — PARTE B —DIFERENTES TIPOS DE PENAS E CASTIGOS PARA O PECADO IMPERDOÁVEL

O PECADO — ESTUDOS 014C — O PECADO PARA A MORTE — PARTE C —DIFERENTES TIPOS DE PESSOAS QUE PODEM COMETER O  PECADO IMPERDOÁVEL
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Alexandros Meimaridis

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