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segunda-feira, 25 de setembro de 2017

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — ESTUDO 016


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Codex Boemerianus do século XII com anotações entre as linhas e na margem

Essa é uma série estritamente acadêmica, mas não existe na mesma absolutamente nada que impeça a leitura por todas as pessoas. De fato, queremos incentivar que todos possam ler esses artigos e compartilhar os mesmos com todos os seus contatos, parentes e conhecidos.

ESTUDO 016 — ESCRIBAS E OS MANUSCRITOS QUE PRODUZIRAM — PARTE 008

CONTINUAÇÃO...

II. AUXÍLIOS PRA OS LEITORES DO NOVO TESTAMENTO

G. GLOSAS

Glosas são breves explicações que visam esclarecer palavras ou frases de difícil interpretação. Esse material era colocado nas margens dos manuscritos, mas algumas vezes era inserido entre as linhas do mesmo. Com isso não é difícil entendermos a facilidade com que algumas dessas glosas acabaram sendo incorporadas ao próprio texto em si.

F. ESCÓLIOS OU SCHOLIA E COMENTÁRIOS

Os escólios são anotações explicativas que tem como base o entendimento interpretativo de algum mestre. Quando uma scholia se estende para além de uma expressão ou alguma palavra, a mesma recebe então o nome de comentário. Escólios e comentários, como acontece com as glosas, encontra-se espalhados pelas margens dos textos ou entre as linhas do mesmo. Em manuscritos grafados com letras maiúsculas os escólios e os comentários são geralmente escritos em letras minúsculas. Uma única exceção é o manuscrito Zacynthius cujo texto e os escólios e comentários estão todos grafados em maiúsculas. Por outro lado, quando o texto está grafado em minúsculas, ocasionalmente, os escólios e comentários estão escritos em maiúsculas reduzidas.

G. CATENAE OU CADEIA

As catenae eram, literalmente, cadeias de comentários extraídas de outros autores eclesiásticos. A identidade ou origem do autor original era apresentada por meio de uma abreviatura no início da citação. Todavia, por falta de atenção, muitas vezes, essas marcas estão ausentes nos materiais que temos disponíveis.

H. ONOMÁSTICA

Os nomes eram considerados muito importantes especialmente no Oriente. Até hoje é uma forte tradição no meio da Igreja Ortodoxa a celebração dos aniversários onomásticos. Em certas ocasiões tais celebrações são até mais importantes do que a celebração do próprio aniversário da pessoa.

Desse modo, a onomástica é um auxílio cujo objetivo é fornecer o significado e a etimologia dos nomes próprios. Todavia, devemos deixar claro que tais interpretações são, em sua maioria, mitológicas e até mesmo fantasiosas.

I. COLOMETRIA

Chama-se de colometria à organização de qualquer manuscrito em linhas e frase correspondentes ao direcionamento do texto. A colometria foi introduzida na metrificação dos livros poéticos do Antigo Testamento, mas não demorou muito para que o uso da mesma fosse estendido para os textos com o objetivo de delimitar as frases tendo com isso, o alvo de alcançar  uma melhor compreensão do texto. Esse tipo de manuscritos foram todos produzidos depois do século IV e estão relacionados a um personagem obscuro chamado Eutalião. Ele lançou mão da forma comum utilizada nas regras adotadas pelas escolas gregas de retórica.

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COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — PARTE 015 — OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 007

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — PARTE 016 — OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 008
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quinta-feira, 21 de abril de 2016

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — ESTUDO 010



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ESTUDO 010 — ESCRIBAS E OS MANUSCRITOS QUE PRODUZIRAM — PARTE 002

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Em tempos de dificuldades econômicas, quando o custo dos pergaminhos — feitos de couro de animais — tornava os mesmos impraticáveis era comum se reutilizar um manuscrito grafado em couro, mais de uma vez. O processo era o seguinte: raspava-se a tinta do escrito anterior, depois o couro voltava a ser alisado e então um novo escrito era colocado sobre o couro. Esses pergaminhos são chamados pelos estudiosos da área de palimpsestos. Um dos mais importantes manuscritos do Novo Testamento é um palimpsesto. Trata-se do chamado codex Ephraemi Rescriptus que se encontra atualmente na Biblioteca Nacional da França. O manuscrito original foi escrito no século V. Tempos depois, já no século XII, o original foi raspado e várias de sua folhas — folios — foram reescritas com material traduzido para a língua grega de trinta e oito sermões ou tratados escritos por São Efrém, um Pai da Igreja Síria do século IV da era cristã. Ainda assim, com o uso de reagentes químicos e lâmpadas de ultravioleta estudioso conseguiram recuperar boa parte do material obliterado pela raspagem.


Resultado de imagem para codex ephraemi rescriptusCodex Ephraemi Rescriptus    

No ano 692 d.C um concílio realizado em Constantinopla, que também é chamado de Concílio Trullo e Quinissexto publicou o cânon de número 68 condenando a prática de se utilizar manuscritos do Novo Testamento para qualquer outro fim. Apesar da proibição e da pena de excomunhão por um ano, a prática deve ter continuado, porque dos 250 manuscritos do Novo Testamento grafados com letras maiúsculas disponíveis em nossos dias, 56 são palimpsestos.

Exemplo de Scripto Continua no Codex Vaticanus

Em vez de escreve sobre as linhas, como fazemos hoje em dia, os escribas do Novo Testamento escreviam como que pendurando as letras na parte debaixo das linhas. Eles também não costumavam usar espaços entre as palavras. Essa forma de escrita é chamada de scriptio continua. O mesmo é verdade com relação ao uso de acentos, que se tornaram comuns apenas nas cópias produzidas a partir do século VIII. Apesar dessas serem as regras gerais elas não eram absolutas, porque existem registros claros tanto da separação das palavras quanto do uso de sinais em manuscrito datados a partir do século III. A falta de espaçamento tornava, algumas vezes, mais difícil a compreensão do texto. Mas essas ambiguidades não eram numerosas ou comuns. Na língua grega utilizada pelos copistas existia uma regra bem simples que ajuda os leitores modernos, quando esses lançam mão de materiais produzidos com o método de scriptio continua. A regra dizia o seguinte: as palavras só poderiam terminar com vogais ou com ditongos e também com uma de três consoantes seguintes — v, p, e s. Além disso, a leitura era facilitada pelo fato de ser feita sempre em voz alta, mesmo quando o indivíduo se encontrava sozinho. É o caso do oficial etíope que estava lendo o profeta Isaías em voz alta em sua carruagem —

Atos 8:27—30

27 Eis que um etíope, eunuco, alto oficial de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todo o seu tesouro, que viera adorar em Jerusalém,

28 estava de volta e, assentado no seu carro, vinha lendo o profeta Isaías.

29 Então, disse o Espírito a Filipe: Aproxima-te desse carro e acompanha-o.

30 Correndo Filipe, ouviu-o ler o profeta Isaías e perguntou: Compreendes o que vens lendo?

Desse modo, apesar da ausência de espaçamento entre as palavras uma pessoa podia adquiri um bom domínio dos textos ao pronunciar as palavras, sílaba por sílaba, ouvindo as mesmas.
Outra característica dos copistas tem a ver com o fato de que eles desenvolveram um sistema de contração de certas palavras sagradas, a partir do primeiro século da Era Cristã. Assim, as palavras designadas pelo termo nomina sacra — nomes sagrados — são alistadas abaixo com suas respectivas traduções —

1. Palavras contraídas usando-se apenas a primeira e última letra

θεὸς — theòs — Deus

κύριος — kúrios — Senhor

Ἰησοῦς — Iesoûs — Jesus

Χριστός — Cristós — Cristo

υἱὸς— uiòs — filho

2. Palavras contraídas usando-se apenas as duas primeiras letra e última letra

πνεῦμα — pneûma — espírito

Δαυὶδ — Davìd — Davi

σταυρός — staurós — cruz

Πάτερ — Páter — Pai

3. Palavras contraídas usando-se apenas a primeira letra e as duas últimas letras

Πάτερ — Páter — Pai

Ἰσραήλ — Israél — Israel

σωτήρ — sotér — salvador

4. Palavras contraídas usando-se apenas a primeira e a última sílabas

ἄνθρωπος — ánthropos — homem ou ser humano

Ἰερουσαλήμ — Ierousalém — Jerusalém

οὐρανός — ouranós — céu

Visando chamar a atenção dos leitores os copistas costumavam indicar as palavras abreviadas colocando uma barra sobre as mesmas.

CONTINUA...

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terça-feira, 1 de março de 2016

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — ESTUDO 009



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ESTUDO 009 — ESCRIBAS E COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE PRODUZIRAM — PARTE 001

Quando os escribas da Antiguidade escreviam em papiros, eles costumavam usar as fibras horizontais que se encontravam no lado chamado recto — o primeiro lado onde se escrevia na folha de papiro — como linhas de guia para ajudá-los no processo de escrever. Antes de começarem a escrever em papiros, todavia, eles tinham por hábito usar algum instrumento pontiagudo o qual passavam pela superfície do material de escrita para definir melhor as linhas horizontais. Além disso, eles também criavam duas ou mais linha verticais com o objetivo de marcar as margens e separar as colunas. Em muitos manuscritos feitos em papiro é possível vermos essas linhas até os dias de hoje. Também é possível notarmos as marca dos alfinetes colocados nas extremidades onde as linhas seriam traçadas, quando o material de escrita era o couro de animais, chamado de vellum ou pergaminho. Por mais incrível que pareça, existe uma ciência dedicada exclusivamente a estudar as formas das alfinetadas nos materiais de escrita.

Diferentes escolas de escribas empregavam os mais diversos métodos para traçar suas linhas a ponto de, ocasionalmente, permitir aos estudiosos modernos determinar a origem dum manuscrito recém-descoberto com base no tipo de linhas traçadas, quando as mesmas são comparadas com outros manuscritos cujo lugar de origem está, comprovadamente, estabelecido. Mas essa tarefa não é tão simples como parece, porque já foram identificadas várias centenas diferentes de se traçar as linhas.[1]

Outro aspecto relevante aqui é que, como o lado onde ficavam os pelos no couro animal era sempre mais escuro que o lado onde ficava a carne descobriu-se que os leitores dos manuscritos compostos sobre couro de animais, gostavam mais da página escrita sobre o lado da carne, do que o lado escrito sobre o lado do pelos. Desse modo, os escribas encarregados de montar os cadernos com as folhas antes de serem costuradas, cuidavam para que duas folhas escritas sobre o lado dos pelos fossem espelhadas o mesmo acontecendo com o lado das folhas escritas sobre o lado da carne. Somente depois que esse processo era cuidadosamente finalizado é que o caderno estava, então, pronto para ser costurado. Essa característica dos pergaminhos que conhecemos como códices — ou formato de livro — foi descoberta por Caspar R. Gregory perto do final do século XIX.

Pelo que sabemos hoje, na Antiguidade existiam dois estilos de grego manuscrito usado de forma geral. Primeiro temos a chamada forma cursiva ou escrita corrida que podia ser rapidamente produzida. Tal forma de escrita era utilizada em documentos não literários usados no dia a dia, tais como: cartas, registro contábeis, recibos, petições, escrituras e outros documentos assemelhados a esses. Nessa forma de escrita era comum o uso de contrações e abreviações em caso de palavras repetidas com frequência, como os artigos definidos e certas preposições.

Por outro lado, obras literárias eram grafadas numa escrita mais formal, que foi chamada de uncial. Essa escrita, que corresponde ao que chamamos de letras maiúsculas em nossos dias era padronizada e, cada letra costumava ocupar 1/12 da linha numa determinada coluna. De acordo com os estudiosos que tiveram a oportunidade de ver e trabalhar com esses manuscritos os mais belos dentre eles são os manuscritos produzido em unciais entre o III e VI século. Com o passar do tempo, entretanto, o belo estilo adotado nesses livros feitos de pergaminho ou pele de animais, foi deteriorando até tornar-se algo grosseiro e desajeitado. Desse modo, no início do século IX foi iniciada uma reforma na forma da escrita. A forma cursiva foi adotada e a mesma é conhecida pelo termo minúsculas.  Essa forma passou a ser a única utilizada na produção dos livros a partir do século IX. Essa reforma tem sido, geralmente, atribuída a um grupo de monges eruditos que trabalhavam num mosteiro em Constantinopla. Todavia, em tempos mais recentes, tal reforma tem sido atribuída ao trabalho de estudiosos humanistas que se encontravam em Constantinopla, com a intenção de reviver a cultura clássica durante a época conhecida como a segunda onda iconoclasta. Essa maneira reformada de escrever o cursivo foi imediatamente adotada através de todo o mundo grego. A única exceção foram alguns livros litúrgicos que continuaram a ser produzidos em unciais durante cerca de dois séculos. Desse modo, todos os manuscritos do Novo Testamento se encontram nessas duas, bem definidas, categorias:

1. Os manuscritos mais antigos foram produzido em caracteres chamados de unciais.

Cópia do Códice Sinaiticus do IV século grafado com UNCIAIS. Bíblia inteira

2. Os manuscritos menos antigos — mais recentes — foram produzidos em caracteres chamados de minúsculos.


Cópia de manuscrito composto em letras minúsculas e cursivas contendo os quatro evangelhos


A vantagem de produzir manuscritos usando o formato cursivo deve ser óbvia para todos. As letras minúsculas, como o próprio nome sugere, eram menores que os caracteres unciais, o que permitia uma escrita mais compacta, economizando o precioso material de escrita. Desse modo, os livros produzidos eram menores, mais leves, mais fáceis de serem manuseados e mais baratos, tanto no que diz respeito ao custo de produção como também, quanto a valor final em que eram comercializados. Outra vantagem é que a escrita cursiva permitia uma produção mais veloz dos livros quando comparada com a demorada produção de unciais, que tinham que ser produzidos letra por letra. Também não deve ser difícil entendermos que a mudança na forma de escrever, de unciais para a forma cursiva, teve um profundo impacto na tradição textual da Bíblia em grego.

A partir do século IX a posse de cópias das Escrituras — em seu todo ou em partes — ficou acessível, até mesmo para pessoas de poucas posses. Durante os séculos em que os livros eram produzidos exclusivamente em unciais, as pessoas de posses limitadas tinham que contentar-se com o acesso a livros de terceiros ou de bibliotecas, desde que existisse uma próxima. Dessa maneira, a produção massiva de livros grafados com caracteres cursivos teve um papel da maior importância na difusão da literatura clássica em geral, e da literatura Bíblica em particular. A quantidade de manuscritos produzidos em caracteres minúsculos ultrapassou o número total de manuscritos grafados em unciais, numa razão superior a 10 contra 1. Isso, junto com a destruição dos manuscritos mais antigos pelo simples passar dos anos, serve para explicar a grande disparidade que existe entre a quantidade de manuscritos unciais e cursivos. Algumas pessoas em nossos dias gostam de argumentar que Deus preservou sua palavra na quantidade maior de manuscritos, contra os que defendem — como esse escriba aqui — que os manuscritos mais antigos — antiguidade — refletem melhor os autógrafos originais devido à proximidade com os mesmos.

CONTINUA...

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[1] Lake, Kinsopp. Dated Greek minuscule manuscripts to the year 1200, in Monumenta palaeographica vetera. American Academy of Arts and Sciences, Cambridge, 1934 

terça-feira, 10 de novembro de 2015

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — ESTUDO 007



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ESTUDO 007 — ARQUÉTIPOS E AUTÓGRAFOS — PARTE 002

O ARQUÉTIPO

O arquétipo é o ancestral direto do qual um grupo de cópias manuscritas é derivado. Como exemplo, podemos dizer que: Dabs1 e Dabs2 foram copiado do manuscrito D/06 — Claromontanus. Sendo assim, o manuscrito maiúsculo D/06 — Claromontanus é o arquétipo dos grupos D/06, Dabs1 e Dabs2.

 Na maioria dos casos, infelizmente, o arquétipo de um determinado grupo de manuscritos encontra-se perdido. Mas isso não quer dizer que tal documento não exista, mas apenas, que não temos conhecimento do mesmo. Como exemplo do que estamos citando, podemos dizer o seguinte: Nós não temos o arquétipo da chamada Família 1 ou da Família 13, e muito menos algo tão vago como o chamado Texto Alexandrino — o qual é possível que nem tenha tido um arquétipo, uma vez que tipos textuais são coleções de leituras diversas, soltas o suficiente, onde nem todo manuscrito pertencente ao grupo ou Família guarda qualquer relação de proximidade com um possível arquétipo.

Por outro lado, quando analisamos as obras clássicas da Antiguidade é, geralmente possível, identificar o arquétipo de algumas e até mesmo de todas as cópias sobreviventes. Da obra de Ariano sobre Alexandre, o Grande da Macedônia, existem 40 manuscritos. Todos eles têm uma lacuna óbvia, exatamente no mesmo ponto — no livro 8. Por outro lado temos o seguinte fato: no manuscrito Viena História da Grécia 4 notamos a falta de uma página quem corresponde, exatamente à lacuna que temos notados nos manuscritos citados logo acima. Desse modo, podemos dizer que esse manuscrito — Viena — é o arquétipo de todas as cópias sobreviventes do manuscrito produzido por Ariano.

Por outro lado temos alguns casos excepcionalmente raros, onde é possível determinar o arquétipo mesmo diante do fato do mesmo estar perdido. No caso específico que desejamos discutir, estamos falando do fato que todas as cópias existentes da Vida dos Doze Césares de Suetônio não têm, por exemplo, as páginas iniciais da vida de Júlio César. Partindo desse fato e de outras evidências, incluindo material suprido por editores diversos, citações e dados de catalogação da obra, é aparentemente possível provar que todas as cópias mencionadas fazem referência ao perdido Código Fuldensis.

Todas as situações citadas nesse artigo servem para nos ensinar a diferença que existe entre autógrafos e arquétipos. Outro exemplo é a obra produzida Geoffrey Chaucer, conhecida como Boece e baseada na obra de Boetius A Consolação da Filosofia. Nós temos um bom conhecimento das fontes latinas e também das versões francesas pelo que Chaucer nos informa. Nós sabemos que Chaucer traduziu o texto para o latim de forma literal, na maioria das vezes. Com isso, nós podemos reconstruir seu autógrafo original com bastante precisão. Assim, podemos provar que o arquétipo existente das cópias sobreviventes foi simplificado em diversos pontos.

É possível falarmos de arquétipos para o texto do Novo Testamento. Mas temos que entender que quando falamos de arquétipos não estamos nos referindo aos autógrafos. Analise a estrutura a seguir
          A
          |
          B
          |
          C
          |
 -------------------
 |     |     |     |
 D     E     F     G
Levando em conta que todas as cópias sobreviventes são descendentes de D, E, F e G. Nesse caso o autógrafo é A, mas o arquétipo é C. Todos os manuscritos sobreviventes são descendentes diretos de C, com A distante um número impreciso de gerações. É digno de nota que a crítica textual é capaz de reconstruir o caminho direto que nos conduz até C. Quanto ao autógrafo A não está disponível nem ao nosso alcance, e todas as diferenças que podemos encontrar entre A e C só podem ser reconstruídas por meio de “emendas”. Falaremos mais acerca disso quando analisarmos a Crítica Textual Clássica.

Diante desse fato deve ficar claro que não podemos reconstruir todos os ancestrais de nenhuma parte do Novo Testamento com todos seus pequenos detalhes. Mas já desenvolvemos o conhecimento necessário para nos aproximar bastante desse alvo. Já no século XIX os estudiosos do grego do Novo Testamento Westcott e Hort, por exemplo, propuseram a seguinte estrutura de raiz —

              Autógrafo
                  |
       ---------------------
       |                   |
       D                   E
       |\                 /|
       | \               / |
       |  \             /  |
       |   \           /   |
       |    \         /    |
       |     \       /     |
       |      \     /      |
       |       \   /       |
       |        \ /        |
       |         |         |
     Texto     Texto      Texto
  Alexandrino Bizantino Ocidental
Todavia, devemos ter a capacidade de notar que não existe meio de separar o esquema acima desse outro abaixo —

              Autógrafo
                  |
                  B
                  |
                  C
                  |
       ---------------------
       |                   |
       D                   E
       |\                 /|
       | \               / |
       |  \             /  |
       |   \           /   |
       |    \         /    |
       |     \       /     |
       |      \     /      |
       |       \   /       |
       |        \ /        |
       |         |         |
     Texto     Texto      Texto
  Alexandrino Bizantino Ocidental

De fato, Westcott e Hort suspeitavam da existência de algumas cópias que já existiam antes de recuperarmos as cópias que hoje temos por mais antigas. Eles deixaram isso bem claro em várias anotações feitas no Texto Grego do Novo Testamento que publicaram.

CONTINUA....

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COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 010 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 002

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 011 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 003

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 012 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 004

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 013 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 005

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — PARTE 014 — OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 006

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quarta-feira, 22 de julho de 2015

CÓPIA DE BÍBLIA COM MAIS DE 1500 ANOS É ENCONTRADA


O material abaixo foi publicado pelo site Gospel Prime e é de autoria de Jarbas de Aragão.

Bíblia com mais de 1500 anos é achada em Israel

Pergaminho só pôde ser decifrado com uso de tecnologia moderna
por Jarbas Aragão

Constantemente surgem especulações de quanto a Bíblia foi adulterada com o passar dos anos. Graças a tecnologia de ponta desenvolvida em Israel, somente agora a Autoridade de Antiguidades de Israel (AAI) foi capaz de decifrar um dos pergaminhos hebraicos mais antigos já encontrados. Com mais de 15 séculos de idade, ele foi encontrado em 1970, numa sinagoga em Ein Gedi, perto do Mar Morto.

O deteriorado pergaminho não podia ser lido, por isso até agora não era possível saber do que se tratava. Pnina Shor, falou em nome da AAI em coletiva de imprensa em Jerusalém nesta segunda (20).

“A tecnologia mais avançada disponível nos permitiu desvendar o pergaminho, que fazia parte de uma Bíblia de 1500 anos de idade”, explicou Shor. O estado precário da peça encontrada em uma escavação em 1970 devia-se a ela ter sobrevivido ao incêndio que provavelmente destruiu a sinagoga.

Os especialistas utilizaram uma técnica de escaneamento tridimensional da empresa israelense Merkel Technologies. Os resultados foram enviados para o Departamento de Informática da Universidade de Kentucky, nos Estados Unidos. A instituição possui um programa de imagem digital que possibilitou pela primeira vez na semana passada a leitura do que antes era visto como um “pedaço de carvão”.

O fragmento possui sete centímetros de comprimento e contém os oito primeiros versículos do livro de Levítico, que explica as regras dos sacrifícios rituais.

Pergaminhos
Lena Liebman, do laboratório de conservação dos pergaminhos do Mar Morto, mede um fragmento de pergaminho queimado na segunda (20), em laboratório em Jerusalém (Foto: AFP Photo/Gali Tibbon)

“Depois dos Manuscritos do Mar Morto, esta é a descoberta mais significativa de uma Bíblia escrita”, reiterou Shor na coletiva.

O arqueólogo Sefi Porat era um membro da equipe que escavou as ruínas da sinagoga há 45 anos. “Nós tentamos lê-lo, mas sem sucesso”, disse ele. “Nós não sabíamos o que estava escondido lá”.

Durante mais de quatro décadas, a peça foi mantida no escuro, em cofres climatizados da AAI, junto com trechos dos Manuscritos do Mar Morto.

Shor acredita que a descoberta preenche uma lacuna importante entre os Manuscritos do Mar Morto, escrito há mais de 2000 anos atrás, e o conhecido Códice de Aleppo, do século 10.

Os 870 rolos dos Manuscritos do Mar Morto foram descobertos entre 1947 e 1956 nas grutas de Qumran, perto do Mar Morto. O documento mais antigo deles remonta ao século III a.C e o mais recente por volta do ano 70 d.C., quando as tropas romanas destruíram o segundo templo e toda a Jerusalém.

O Códice de Aleppo foi escrito em Tiberíades, na Galileia, por volta do ano 930 dC. Com suas quase 500 páginas de pergaminho, é considerada a mais antiga cópia conhecida da Bíblia completa.

Roubado durante as Cruzadas em 1099, acabou ficando em Alepo, na Síria, e escondido durante seis séculos. Foi revelado ao mundo em 1957. O códice encontra-se atualmente no Museu de Israel, no mesmo prédio onde estão os Manuscritos do Mar Morto.

Uma leitura atenta de todos esses documentos importantes e mais o texto encontrado agora revelam que não há diferenças significativas, comprovando o cuidado extremo que os judeus sempre tiveram em preservar suas Escrituras Sagradas.

Com informações de Israel National News

O artigo original poderá ser visto por meio do seguinte link:


OUTROS ARTIGOS ACERCA DE DESCONERTAS ARQUEOLÓGICAS







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domingo, 5 de abril de 2015

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — ESTUDO 001


Edição moderna do Novo Testamento impressa em papel e encadernada

Essa é uma série estritamente acadêmica, mas não existe na mesma absolutamente nada que impeça a leitura por todas as pessoas. De fato queremos incentivar que todos possam ler esses artigos compartilhar os mesmos com todos os seus contatos, parentes e conhecidos.

Introdução

Um dos maiores problemas que enfrentamos na exposição bíblica surge da percepção de quão pouco, realmente, a vasta maioria da s pessoas — sejam crentes ou não — entendem o Novo Testamento, no que diz respeito a como ele foi produzido e como chegou até nós. O intuito dessa série, quase enciclopédica é tentar dar um basta no besteirol existente ao redor desse assunto, trazendo para a luz os fatos realmente importantes de como os manuscritos do Novo Testamento foram produzidos, compilados e preservados até a invenção da imprensa, o que será objeto de outras partes dessa série.

Hoje queremos começar com as informações mais básicas, envolvendo os materiais que eram utilizados para se escrever nos dias em que o Novo Testamento começou a ser escrito.

I. Materiais de Escrita no Mundo Antigo Nos dias do Novo Testamento

Planta de Papiro




Pequeno Rolo de Pergaminho - feito de couro  - pronto para ser escrito

Todos os manuscritos bíblicos, com algumas pequenas exceções compostas por versículos escritos em amuletos ou potes de barro, foram grafados nos seguintes materiais: papiros, pergaminhos e papel. Cada uma desses materiais tinha suas próprias vantagens e desvantagens. Os pergaminhos — produzidos a partir de peles de animais — eram de longe os mais duradouros, mas eram também muito mais caros, e era uma dificuldade enorme conseguir uma série de páginas que tivessem as mesmas medidas e a mesma tonalidade.

Folha de papiro pronta para ser manuscrita

Já os papiros, por sua vez, eram bem mais baratos, mas se desgastavam com grande facilidade. Uma vez que os papiros eram extremamente sensíveis à umidade os mesmos eram facilmente destruídos em ambientes úmidos. Uma única exceção são os papiros que continuam sendo descobertos no Egito — lugar onde a umidade é muito baixa — mas mesmo esses estão sendo descobertos e recuperados muito danificados pelo tempo.

Papel feito de tecido que permitia receber tintas coloridas - c. 1200 d.C

Quanto ao papel, o mesmo não se tornou disponível até recentemente, e apesar do mesmo ser mais barato que o pergaminho quando as indústrias de fabricação de papel foram estabelecidas, o investimento era enorme o que fazia que existissem bem poucas fábricas de papel, que naqueles dias, diga-se de passagem produziam o chamado “papel” de retalhos de tecido. Sendo assim os primeiros papeis não eram baratos, quando comparados com o custo moderno quando o papel é feito de polpa de madeira.

A seguir discutiremos com maior profundidade a produção e o uso de papiros.

CONTINUA...

OUTROS ARTIGOS DE COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 001 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 002 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO — O PAPIRO

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 003 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO — O PAPIRO — FINAL

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 004 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO — OS PERGAMINHOS

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 005 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO — PAPEL E BARRO

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 006 – ARQUÉTIPOS E AUTÓGRAFOS — PARTE 001

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 007 – ARQUÉTIPOS E AUTÓGRAFOS — PARTE 002

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 008 – ARQUÉTIPOS E AUTÓGRAFOS — PARTE 003 – FINAL

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 009 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 001

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 010 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 002

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 011 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 003

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