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quinta-feira, 3 de março de 2016

PARÁBOLAS DE JESUS - MATEUS 18:12—14 E LUCAS 15:4—7 — A PARÁBOLA DA OVELHA PERDIDA — PARTE 002 - SERMÃO 037B


Ilustração de Jesus fazendo uma refeição junto com pecadores e pessoas simples do povo

Esse artigo é parte da série "Parábolas de Jesus" e é muito recomendável que o leitor procure conhecer todos os aspectos das verdades contidas nessa série, com aplicações para os nossos dias. No final do artigo você encontrará links para os outros artigos dessa série.

A Parábola da Ovelha perdida

INFORMAÇÕES CULTURAIS PERTINENTES À PARÁBOLA DA OVELHA PERDIDA

Conforme várias passagens do Novo Testamento registram os fariseus se recusavam a manter qualquer tipo de associação com o que eles chamavam de pecadores. Algumas dessas passagens já foram citadas nos estudos anteriores de Lucas 15. Mais há outras como, por exemplo:

Marcos 2:15—17

15 Achando-se Jesus à mesa na casa de Levi, estavam juntamente com ele e com seus discípulos muitos publicanos e pecadores; porque estes eram em grande número e também o seguiam.

16 Os escribas dos fariseus, vendo-o comer em companhia dos pecadores e publicanos, perguntavam aos discípulos dele: Por que come e bebe ele com os publicanos e pecadores?

17 Tendo Jesus ouvido isto, respondeu-lhes: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; não vim chamar justos, e sim pecadores.

Mateus 11:16—19

16 Mas a quem hei de comparar esta geração? É semelhante a meninos que, sentados nas praças, gritam aos companheiros:

17 Nós vos tocamos flauta, e não dançastes; entoamos lamentações, e não pranteastes.

18 Pois veio João, que não comia nem bebia, e dizem: Tem demônio!

19 Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores! Mas a sabedoria é justificada por suas obras.

Quando lemos a literatura judaica, não é difícil perceber que a recusa dos fariseus em se associar com os pecadores estava firmemente arraigada em suas próprias tradições. Exemplo disso podem ser vistos na Melkita Amalek que diz o seguinte em 3:55—57: “Com relação a isso os sábios dizem:Que um homem nunca se associe com uma pessoa perversa, nem mesmo com o propósito de aproximá-lo da Torá”. Em muitas citações os sentimentos manifestados eram muito intensos, como vemos em:

Eclesiástico 13:17 — O que pode haver de comum entre o lobo e o cordeiro? O mesmo acontece entre o pecador e o piedoso.[1]

Texto rabínico M. Demai 2:3Todo aquele que decide tornar-se associado não deve vender para um Am-haaeretz — literalmente, povo da terra, i.e. pessoas comuns — alimentos sejam secos ou molhados, nem comprar os mesmos de tais pessoas; também não deve aceitar o convite para participar numa refeição na casa dum Am-haaeretz, e nem recebê-lo em sua casa com tais propósitos.

Texto rabínico M. Hagigah 2:7 — Para um fariseu, até mesmo as roupas de um Am-Haaeretz são suficientes para contaminá-lo e torná-lo impuro.

Texto rabínico B. Pesahim 49:b, depois de apresentar uma lista das qualidades desejáveis numa esposa, temos essa advertência: Mas que não se case com a filha dum Am-haaretz, porque são detestáveis e suas mulheres não passam de vermes. Também se diz o seguinte de suas filhas: Maldito seja aquele que se deitar com qualquer tipo de besta. E mais: É permitido esfaquear um Am-haaretz até mesmo no dia da expiação, mesmo que esse dia seja um sábado... Ninguém deve se associar com Am-haaretz como companheiro de viagem...Um devoto pode partir um Am-haaretz como faz com um peixe... Qualquer um que dá sua filha em casamento com um Am-haaretz faz o mesmo que amarrá-la e colocá-la diante dum leão; do mesmo modo que um leão não se envergonha de estraçalhar e devorar sua presa, assim também um Am-hararetz que ataca e coabita não tem nenhuma vergonha... Qualquer que estuda a Torá na presença de um Am-haaretz faz o mesmo que manter uma relação sexual com sua noiva na presença dele... Seis coisas são afirmadas acerca dos Am-haaretz: Não damos testemunho a favor deles; não aceitamos o testemunho deles a nosso favor; não revelamos nenhum tipo de segredo para eles; não os designamos com protetores de nossa crianças órfãs; não os indicamos como administradores de fundo de caridade; e não devemos compartilhar da companhia deles andando pelos caminhos.

Diante desse quadro, fica bem mais fácil entender o ódio que os fariseus sentiam pelos publicanos e pelos Am-haaretz e também por Jesus, por se associar com eles e ainda comer com os mesmos.

Nos dias de Jesus as refeições tinham grande importância no desenvolvimento duma amizade e também na identificação daquele que oferecia a refeição com aqueles que participavam da mesma. Isso fica bem evidente no Novo Testamento em passagens, tais como —

Lucas 14:7—14

7 Reparando como os convidados escolhiam os primeiros lugares, propôs-lhes uma parábola:

8 Quando por alguém fores convidado para um casamento, não procures o primeiro lugar; para não suceder que, havendo um convidado mais digno do que tu,

9 vindo aquele que te convidou e também a ele, te diga: Dá o lugar a este. Então, irás, envergonhado, ocupar o último lugar.

10 Pelo contrário, quando fores convidado, vai tomar o último lugar; para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, senta-te mais para cima. Ser-te-á isto uma honra diante de todos os mais convivas.

11 Pois todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado.

12 Disse também ao que o havia convidado: Quando deres um jantar ou uma ceia, não convides os teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem vizinhos ricos; para não suceder que eles, por sua vez, te convidem e sejas recompensado.

13 Antes, ao dares um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos;

14 e serás bem-aventurado, pelo fato de não terem eles com que recompensar-te; a tua recompensa, porém, tu a receberás na ressurreição dos justos.

Além disso, o ofício de pastorear era muito desprezado pelas elites judaicas como podemos perceber, claramente, no midrash do Salmos 23:2 feito pelo rabino José bar Hanina, que diz: “No mundo inteiro é impossível encontrar uma profissão mais desprezível do que a do pastor de ovelhas, pelo fato dele caminhar o dia inteiro com seu bordão e sua algibeira”. Entretanto, tanto Jacó quanto Davi e Asafe chamam Deus de “pastor”, conforme podemos ler em

Gênesis 49:24

O seu arco, porém, permanece firme, e os seus braços são feitos ativos pelas mãos do Poderoso de Jacó, sim, pelo Pastor e pela Pedra de Israel.

Salmos 23:1

O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará.

Salmos 80:1

Dá ouvidos, ó pastor de Israel, tu que conduzes a José como um rebanho; tu que estás entronizado acima dos querubins, mostra o teu esplendor.

O escrito rabínico M. Qidusin 4:14 assume que os pastores são todos ladrões, porque conduzem seus rebanhos para pastar nas terras de outras pessoas.

Já o escrito rabínico B. Sanhedrin 25b inclui os pastores de ovelhas na lista de pessoas inelegíveis como testemunhas e associa os mesmos com os cobradores de impostos — publicanos. Além disso, o escrito rabínico B. Baba Qamma 94b afirma que é muito difícil para pastores se arrependerem e fazerem restituição de qualquer coisa que seja. Apesar de existirem várias outras passagens, cremos que essa são suficientes para os nossos propósito. Todavia, gastaríamos de citar apenas mais uma, por causa de sua relevância:

Texto rabínico de M. Qiddusin 4:14 — “Um homem não deve ensinar seu filho a se tornar condutor de jumentos ou de camelos, nem barbeiro ou marinheiro, nem pastor de gado miúdo — ovelhas, cabras e etc. — e nem mesmo proprietário dum comércio, porque esses trabalhos são todos trabalhos executados por ladrões”.

A afirmação de Jesus em Lucas 15:4 — Qual, dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas — era suficiente para causar nos escribas e fariseus enormes preocupações quanto a pureza cerimonial quando Jesus pede para que se vejam como pessoas envolvidas num tipo de comércio que consideravam impuro. Tal expressão nos lábios de Jesus era proposital e seria devidamente notada por esses hipócritas, mas fazia parte da estratégia retórica de Jesus[2]. Mas temos que enfatizar que, do ponto de vista bíblico, a figura do pastor é usada para se referir a Deus como aquele que tem profunda compaixão pelo seu povo. E essa mesma figura é usada para descrever a liderança do povo de Israel e do judaísmo no Antigo Testamento, incluindo-se ai a figura do grande libertador escatológico. Pessoas sem líderes ou submetidos a uma liderança ruim são caracterizados como ovelhas que não têm pastor. Para tudo isso basta ver as seguintes referências:

Salmos 28:9

Salva o teu povo e abençoa a tua herança; apascenta-o e exalta-o para sempre.

Jeremias 31:30

Ouvi a palavra do SENHOR, ó nações, e anunciai nas terras longínquas do mar, e dizei: Aquele que espalhou a Israel o congregará e o guardará, como o pastor, ao seu rebanho.

Ezequiel 34:15, 31

15 Eu mesmo apascentarei as minhas ovelhas e as farei repousar, diz o SENHOR 
Deus.

31 Vós, pois, ó ovelhas minhas, ovelhas do meu pasto; homens sois, mas eu sou o vosso Deus, diz o SENHOR Deus.

Miquéias 7:14

Apascenta o teu povo com o teu bordão, o rebanho da tua herança, que mora a sós no bosque, no meio da terra fértil; apascentem-se em Basã e Gileade, como nos dias de outrora.

Marcos 6:34

Ao desembarcar, viu Jesus uma grande multidão e compadeceu-se deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor. E passou a ensinar-lhes muitas coisas.

Mateus 26:31

Então, Jesus lhes disse: Esta noite, todos vós vos escandalizareis comigo; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho ficarão dispersas.

Retornando à parábola da ovelha perdida nós temos a impressão que o pastor citado é, também, o proprietário do rebanho mencionado. O tamanho do rebanho também indica que ele era um homem de posses consideráveis. Ele não era um homem rico, mas um rebanho composto de 100 ovelhas era dum tamanho digno de nota.

De acordo com o conhecimento que temos da vida das ovelhas, uma ovelha perdida, quando exausta, abre mão de continuar procurando o caminho de volta e se deita no chão com o abdômen tocando o solo e as quatro patas abertas, também sobre o chão. Ali ela fica esperando por socorro, ou até mesmo por algo pior[3]. Esse talvez seja o motivo porque o pastor se vê obrigado a deixar as outras 99 ovelhas em lugar seguro e partir em busca da ovelha perdida.[4]

O arrependimento mencionado por Jesus em Lucas 15:7 era o pilar central de todo o pensamento judaico dos seus dias. De acordo com o estudioso George Foot Moore “o arrependimento é a única, porém inexorável condição, para se obter o perdão de Deus e a restauração de seu favor e o perdão e favor divinos nunca são recusados para qualquer pecador  genuinamente arrependido”.[5]

A parábola da ovelha perdida é bastante realista com exceção do convite feito aos vizinhos para virem e celebrarem junto com o pastor, que pare certa liberdade poética adicionada à narrativa pelo próprio Jesus. Isso é ainda mais verdadeiro no caso da parábola da moeda perdida, porque tal ajuntamento implicaria num gasto adicional para bancar a celebração que poderia ir muito além do valor do bem encontrado. Por outro lado, as palavras de Jesus servem para enfatizar a realidade do fato de que Jesus estava, de fato, tendo refeições com pecadores, algo que serve para dar um destaque cada vez maior ao tema da verdadeira alegria ou júbilo, inclusive no céu.

CONTINUA...

OUTRAS PARÁBOLAS DE JESUS PODEM SER ENCONTRADAS NOS LINKS ABAIXO:

001 – O Sal

002 – Os Dois Fundamentos

003 – O Semeador

004 – O Joio e o Trigo =

005 – O Credor Incompassivo

006 — O Grão de Mostarda e o Fermento

007 — Os Meninos Brincando na Praça

008 — A Semente Germinando Secretamente

009 e 010 — O Tesouro Escondido e a Pérola de Grande Valor

011 — A Eterna Fornalha de Fogo

012 — A Parábola dos Trabalhadores na Vinha

013 — A Parábola dos Dois Irmãos

014 — A Parábola dos Lavradores Maus — Parte 1

014A — A Parábola dos Lavradores Maus — Parte 2

015 — A Parábola das Bodas —

016 — A Parábola da Figueira

017 — A Parábola do Servo Vigilante

018 — A Parábola do Ladrão

019 — A Parábola do Servo Fiel e Prudente

020 — A Parábola das Dez Virgens

021 — A Parábola dos Talentos

022 — A Parábola das Ovelhas e dos Cabritos

023 — A Parábola dos Dois Devedores

024 — A Parábola dos Pássaros e da Raposa

025 — A Parábola do Discípulo que Desejava Sepultar Seu Pai

026 — A Parábola da Mão no Arado

027 — A Parábola do Bom Samaritano — Completo

027A — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 1

027B — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 2 — Os Ladrões e o Sacerdote

027C — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 3 — O Levita

027D — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 4 — O Samaritano

027E — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 5 — O Socorro

027F — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 6 — O transporte até a hospedaria

027G — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 7 — O pagamento final

027H — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 8 — O diálogo final entre Jesus e o doutor da Lei

028 — A Parábola do Rico Tolo —

029 — A Parábola do Amigo Importuno —

030 — A Parábola Acerca de Pilatos e da Torre de Siloé

031 — A Parábola da Figueira Estéril

032 — A Parábola Acerca dos Primeiros Lugares

033 — A Parábola do Grande Banquete

034 — A Parábola do Construtor da Torre e do Grande Guerreiro

035 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 001

036 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 002

037A — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 001

037B — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 002

037C — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 003

037D — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 004 — A Influência do Antigo Testamento

037E — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 005 — Características Cristológicas da Parábola da Ovelha Perdida

037F — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 006 — A importância das pessoas perdidas.
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/11/parabolas-de-jesus-mateus-181214-e.html

037H — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 008 — Conclusão.
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/05/parabolas-de-jesus-sermao-037h-parabola.html

037 — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Completa
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/06/parabolas-de-jesus-sermao-037-parabola.html



038A — PARÁBOLAS DE JESUS — A PARÁBOLA DA DRACMA PERDIDA — LUCAS 15:8—10 —— PARTE 001
Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos. 



[1] A Bíblia de Jerusalém, Eclesiástico 13:17. Edições Paulinas, São Paulo, 1980.

[2] Bailey, Kenneth E. Poet and Peasant: A Literary Cultural Approach to the Parables in Luke. William B. Eerdmans Publishing Company, Grand Rapids, 1983.

[3] Fitzmyer, A. Joseph. The Gospel According to Luke in Two Volumes — The Anchor Bible Series volumes 28 e 28A. Double day and Company, Garden City, 1981.

[4] Jeremias, Joachim. As Parábolas de Jesus na Nova Coleção Bíblica. Paulus, São Paulo, 1997.

[5] Moore, Foot George.  Judaism in the First Centuries of The Chistian Era: The Age of the Tanaim. Harvard University Press, Cambridge, 1950.

domingo, 12 de julho de 2015

PARÁBOLAS DE JESUS - LUCAS 14:15—24 — A PARÁBOLA DO GRANDE BANQUETE — SERMÃO 033


Concepção artística do "Grande Banquete"

Esse artigo é parte da série "Parábolas de Jesus" e é muito recomendável que o leitor procure conhecer todos os aspectos das verdades contidas nessa série, com aplicações para os nossos dias. No final do artigo você encontrará links para os outros artigos dessa série.


A Parábola do Grande Banquete – Lucas 14:15—24.

15 Ora, ouvindo tais palavras, um dos que estavam com ele à mesa, disse-lhe: Bem-aventurado aquele que comer pão no reino de Deus.

16 Ele, porém, respondeu: Certo homem deu uma grande ceia e convidou muitos.

17 À hora da ceia, enviou o seu servo para avisar aos convidados: Vinde, porque tudo já está preparado.

18 Não obstante, todos, à uma, começaram a escusar-se. Disse o primeiro: Comprei um campo e preciso ir vê-lo; rogo-te que me tenhas por escusado.

19 Outro disse: Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las; rogo-te que me tenhas por escusado.

20 E outro disse: Casei-me e, por isso, não posso ir.

21 Voltando o servo, tudo contou ao seu senhor. Então, irado, o dono da casa disse ao seu servo: Sai depressa para as ruas e becos da cidade e traze para aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos.

22 Depois, lhe disse o servo: Senhor, feito está como mandaste, e ainda há lugar.

23 Respondeu-lhe o senhor: Sai pelos caminhos e atalhos e obriga a todos a entrar, para que fique cheia a minha casa.

24 Porque vos declaro que nenhum daqueles homens que foram convidados provará a minha ceia.

Introdução

A. Estamos expondo as Parábolas proferidas por Jesus e neste bloco estamos falando de parábolas que aparecem exclusivamente no Evangelho de Lucas e em uma porção do Evangelho de Lucas que descreve a última viagem de Jesus para Jerusalém.

B. Lucas 14 e 15 nos apresentam a graça de Deus oferecida em toda a sua majestade.

C. Esta parábola foi proferida por Jesus em dia de sábado quando ele havia entrado para comer na casa de um fariseu.

D. Era costume dos judeus se reunirem em uma casa para uma refeição após a reunião que acontecia nos sábados pela manhã nas sinagogas.

E. Aparentemente era casa de alguém que possuía bens, pois no verso 15 nos lemos que a comida estava servida sobre uma mesa e mesas eram artigos de luxo naqueles dias.

F. É neste contexto que vamos encontrar a Jesus. Provavelmente reclinado sobre um sofanete e participando de um banquete.

G. A Parábola do Grande Banquete é motivada pelo comentário de um dos convidados – ver verso 15, baseado no comentário de Jesus em Lucas 14:13—14.

I. O Pano de Fundo da Parábola do Grande Banquete

A. Um dos motivos mais encantadores do Antigo Testamento é o fato de que Deus requeria que os sacrifícios fossem oferecidos no local apropriado — primeiro no Tabernáculo e depois no Templo em Jerusalém — e aquele que trazia o sacrifício tinha o direito de receber uma porção do mesmo de volta, o qual deveria ser consumido “na presença de Deus”. Assim Deus demonstrava que tinha prazer na comunhão com seu povo, pois a refeição é um momento realmente sagrado. Meu pai costumava dizer que o tempo que gastamos ao redor da mesa nós não envelhecemos.

B. Este é o motivo porque no Salmo 23:5 nos lemos:

Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda.

C. Mas certamente a passagem mais impressionante do Antigo Testamento que trata desta questão do Grande Banquete é —

Isaías 25:6—9

6 O SENHOR dos Exércitos dará neste monte a todos os povos um banquete de coisas gordurosas, uma festa com vinhos velhos, pratos gordurosos com tutanos e vinhos velhos bem clarificados.

7 Destruirá neste monte a coberta que envolve todos os povos e o véu que está posto sobre todas as nações.

8 Tragará a morte para sempre, e, assim, enxugará o SENHOR Deus as lágrimas de todos os rostos, e tirará de toda a terra o opróbrio do seu povo, porque o SENHOR falou.

9 Naquele dia, se dirá: Eis que este é o nosso Deus, em quem esperávamos, e ele nos salvará; este é o SENHOR, a quem aguardávamos; na sua salvação exultaremos e nos alegraremos.

D. No período entre os testamentos os judeus ensinavam que o Messias, quando viesse, daria um grande banquete, mas os cegos, os aleijados, os coxos e todos os impuros ficariam de fora. Os gentios não eram sequer mencionados.

E. A comunidade de Qumran também mencionava um banquete onde somente as pessoas dignas seriam convidadas e isto de acordo com uma rígida hierarquia.

F. É óbvio que estas visões dos judeus do período intertestamental bem como as dos judeus da comunidade de Qumran nada tinham a ver com a profecia de Isaías.

G. A postura assumida pelos judeus dos dias de Jesus foi diretamente contraditada pelo Senhor conforme lemos em —

Lucas 13:28—34

28 Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes, no reino de Deus, Abraão, Isaque, Jacó e todos os profetas, mas vós, lançados fora.

29 Muitos virão do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul e tomarão lugares à mesa no reino de Deus.

30 Contudo, há últimos que virão a ser primeiros, e primeiros que serão últimos.

31 Naquela mesma hora, alguns fariseus vieram para dizer-lhe: Retira-te e vai-te daqui, porque Herodes quer matar-te.

32 Ele, porém, lhes respondeu: Ide dizer a essa raposa que, hoje e amanhã, expulso demônios e curo enfermos e, no terceiro dia, terminarei.

33 Importa, contudo, caminhar hoje, amanhã e depois, porque não se espera que um profeta morra fora de Jerusalém.

34 Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir teus filhos como a galinha ajunta os do seu próprio ninho debaixo das asas, e vós não o quisestes!

II. A Parábola em si – versos 16 – 23.

A. Como já vimos, Jesus estava participando em um banquete na casa de um fariseu quando um comentário seu motivou um dos convidados a exclamar — Bem-aventurado aquele que comer pão no reino de Deus — verso 15!

B. Em vez de simplesmente dizer amém concordando com o comentário, Jesus conta então a Parábola do Grande Banquete.

A. Verso 16

A. Uma grande ceia — refeição vespertina — ou banquete certamente é dado por alguém poderoso o qual espera que seus iguais compareçam.

B. Note que o organizador da festa convidou a muitos, ou seja, a festa devia ser bastante grande.

C. Era obrigação do anfitrião nestas ocasiões suprir carne aos seus convidados. O tipo e a quantidade de animais abatidos tinham a ver com a quantidade de pessoas que haviam confirmado presença. Frangos, patos, cabritos, carneiros, bois? Tudo dependia de quantos se comprometeram a estar lá.

D. Aqueles que aceitavam o convite estavam obrigados a comparecer ao evento.

E. Uma vez sabendo quantos convidados atenderiam, o anfitrião dava andamento aos preparativos. Quando tudo estava pronto e ainda quente o anfitrião então...

B. Verso 17

A. Enviava seu servo para avisar os convidados que tudo estava preparado e a ceia estava pronta para ser consumida.

B. O presente do imperativo — vinde — indica que os convidados que já haviam concordado em comparecer deveriam agora vir sem demora.

C. Para os ouvintes de Jesus naquele momento a implicação era óbvia: A hora do Banquete Messiânico havia chegado.

D. Mas em vez de virem imediatamente, os convidados começaram a inventar desculpas esfarrapadas para não comparecer.

IV. Versos 18 – 20 – Os Três Convidados Importantes

A. Verso 18 — O primeiro certamente era um homem experiente na compra e venda de campos! Todo mundo sabia que sua desculpa não passava de uma deslavada mentira!

B. Naqueles dias ninguém sequer começava a discutir a compra de um campo sem antes determinar sua exata localização, se tinha água ou não, quantas árvores tinha e etc. Até as pedras visíveis eram contadas! Muitas vezes o comprador estava até ciente da capacidade produtiva do campo em questão. Quando Abraão comprou o campo de Efrom, que estava em Macpela fronteiro a Manre, comprou o campo, a caverna e todo o arvoredo que nele havia e todo seu limite ao redor! —

Gênesis 23:16—17

16 Tendo Abraão ouvido isso a Efrom, pesou-lhe a prata, de que este lhe falara diante dos filhos de Hete, quatrocentos siclos de prata, moeda corrente entre os mercadores.

17 Assim, o campo de Efrom, que estava em Macpela, fronteiro a Manre, o campo, a caverna e todo o arvoredo que nele havia, e todo o limite ao redor
 
C. Uma desculpa moderna equivalente seria eu ligar para um irmão para dizer que não poderia comparecer ao banquete em seu salão de festas porque havia acabado de comprar uma casa numa região de alto custo pelo telefone e, agora, estava saindo para vê-la! Quem acreditaria em uma história dessas?

D. O porte da ofensa é grande porque o convidado prefere ir ver um campo, o que ele poderia fazer em qualquer outro dia, em uma cultura onde as amizades são de suprema importância.

E. Verso 19 – O segundo convidado era certamente um agricultor experimentado especialmente no que diz respeito a pares de bois puxadores de arados.

F. No Oriente Médio, até os dias de hoje, só existem duas maneiras de se comprar um par de bois de arado nas pequenas vilas: 1) A primeira é ir até o mercado local onde em uma das suas extremidades sempre se encontra um pequeno campo no qual os bois podem ser experimentados; 2) A outra é tomar conhecimento de que fulano está querendo vender um par de bois de arado e os interessados vão até o campo do vendedor para checar in loco como os bois se comportam e até para experimentá-los se for o caso. Agora se para um par o cuidado é este imagine para cinco pares.

G. A desculpa é uma invenção mentirosa e grandemente ofensiva ao anfitrião porque o convidado estava dando mais importância aos animais do que a amizade.

H. A desculpa moderna seria o João ligar para a Vera para avisá-la que enquanto estava em Jundiaí havia fechado a compra de 5 carros, em Alfenas pelo telefone, e que estava indo para lá para examiná-los. Mesmo a Vera acharia que o João havia pirado de vez.

I. Verso 20 — Vamos chamar esse terceiro de o noivo perdidamente apaixonado. Ele também dá uma desculpa esfarrapada. Certamente o casamento não havia acontecido naquele dia. O anfitrião saberia da festa e não marcaria seu grandioso banquete para a mesma data.

J. A resposta do apaixonado é mais breve porque como é costume no Oriente Médio se fala o menos possível acerca das mulheres.

V. Verso 21

A. O anfitrião como não poderia deixar de ser, sente-se ultrajado. Mas sua resposta é graciosa e não vingativa.

B. Os convidados importantes achavam que poderiam estragar a festa do anfitrião boicotando a mesma. Eles não contavam que o anfitrião poderia convidar os parias da sociedade para o banquete. Isto seria uma grande humilhação!

C. De fato este foi algo que os judeus que se achavam mais dignos sempre reclamaram de Jesus —

Lucas 15:2

E murmuravam os fariseus e os escribas, dizendo: Este recebe pecadores e come com eles.

VI. Verso 22

A. Apesar dos parias terem sido convidados e de terem ocupado lugar à mesa ainda assim havia lugares sobrando.

VI. Verso 23

A. O convite então é estendido aos estrangeiros, os quais devem ser amorosamente constrangidos a vir e participar.

VII. Verso 24

A. O Senhor Jesus finaliza a parábola falando que o mesmo que aconteceu com os convidados especiais acontecerá com a geração que o rejeitou!

Conclusão:

I. O que os primeiros ouvintes de Jesus poderiam ter entendido desta história?

O banquete = O banquete Messiânico que dá início à nova era Messiânica.

Os convidados originais = Os líderes de Israel que tinham o direito de ser os primeiros convidados.

Os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos = os párias da sociedade em Israel.

Os convidados dos caminhos e dos atalhos = todos os gentios.

II. As Implicações Teológicas:

A. Jesus Cristo é o único agente a convidar as pessoas para participar no banquete Messiânico da salvação.

B. Muitos virão do Oriente e do Ocidente para tomar acento nesse banquete como foi prometido pelo profeta Isaías e explicitamente ensinado por Jesus – ver Lucas 13:28—29.

C. As desculpas que as pessoas dão para não virem ao banquete são estúpidas e insultuosas. Os convidados originais têm seus imitadores em todas as épocas.

D. Pessoas que em nenhuma hipótese podem recompensar o anfitrião são convidadas e aceitam o convite, mesmo que relutantemente!

E. O povo de Israel é muito pouco para o grande Salvador providenciado por Deus. Por este motivo Ele é também o Salvador de todos os gentios —

Isaías 49:5—7

5 Mas agora diz o SENHOR, que me formou desde o ventre para ser seu servo, para que torne a trazer Jacó e para reunir Israel a ele, porque eu sou glorificado perante o SENHOR, e o meu Deus é a minha força.

6 Sim, diz ele: Pouco é o seres meu servo, para restaurares as tribos de Jacó e tornares a trazer os remanescentes de Israel; também te dei como luz para os gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra.

7 Assim diz o SENHOR, o Redentor e Santo de Israel, ao que é desprezado, ao aborrecido das nações, ao servo dos tiranos: Os reis o verão, e os príncipes se levantarão; e eles te adorarão por amor do SENHOR, que é fiel, e do Santo de Israel, que te escolheu.

F. Aqueles que se recusam a entrar ficarão de fora. Não existe segunda chance.

G. Temos que tomar cuidado de não repetir o erro daqueles convidados originais e acharmos que Deus não vai fazer nada se nós não participarmos. Se nos recusarmos a participar, Deus seguirá em frente com pessoas estranhas.

H. A hora passa velozmente. Lugares reservados estão reservados somente até certa hora! Aqueles que acharem que poderão vir à hora que quiserem poderão ficar extremamente chocados com as palavras “nuca vos conheci”.

I. Os convidados precisam ser convidados! Não existem penetras neste banquete nem participação à distância.

J. A graça de Deus é de graça mesmo, mas ela não é barata! Exige sacrifícios e abnegação da nossa parte —

Lucas 14:25—35

25 Grandes multidões o acompanhavam, e ele, voltando-se, lhes disse:

26 Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.

27 E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo.

28 Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir?

29 Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem zombem dele,

30 dizendo: Este homem começou a construir e não pôde acabar.

31 Ou qual é o rei que, indo para combater outro rei, não se assenta primeiro para calcular se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil?

32 Caso contrário, estando o outro ainda longe, envia-lhe uma embaixada, pedindo condições de paz.

33 Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo.

34 O sal é certamente bom; caso, porém, se torne insípido, como restaurar-lhe o sabor?

35 Nem presta para a terra, nem mesmo para o monturo; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
  


OUTRAS PARÁBOLAS DE JESUS PODEM SER ENCONTRADAS NOS LINKS ABAIXO:

001 – O Sal

002 – Os Dois Fundamentos

003 – O Semeador

004 – O Joio e o Trigo =

005 – O Credor Incompassivo

006 — O Grão de Mostarda e o Fermento

007 — Os Meninos Brincando na Praça

008 — A Semente Germinando Secretamente

009 e 010 — O Tesouro Escondido e a Pérola de Grande Valor

011 — A Eterna Fornalha de Fogo

012 — A Parábola dos Trabalhadores na Vinha

013 — A Parábola dos Dois Irmãos

014 — A Parábola dos Lavradores Maus — Parte 1

014A — A Parábola dos Lavradores Maus — Parte 2

015 — A Parábola das Bodas —

016 — A Parábola da Figueira

017 — A Parábola do Servo Vigilante

018 — A Parábola do Ladrão

019 — A Parábola do Servo Fiel e Prudente

020 — A Parábola das Dez Virgens

021 — A Parábola dos Talentos

022 — A Parábola das Ovelhas e dos Cabritos

023 — A Parábola dos Dois Devedores

024 — A Parábola dos Pássaros e da Raposa

025 — A Parábola do Discípulo que Desejava Sepultar Seu Pai

026 — A Parábola da Mão no Arado

027 — A Parábola do Bom Samaritano — Completo

027A — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 1

027B — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 2 — Os Ladrões e o Sacerdote

027C — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 3 — O Levita

027D — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 4 — O Samaritano

027E — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 5 — O Socorro

027F — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 6 — O transporte até a hospedaria

027G — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 7 — O pagamento final

027H — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 8 — O diálogo final entre Jesus e o doutor da Lei

028 — A Parábola do Rico Tolo —

029 — A Parábola do Amigo Importuno —

030 — A Parábola Acerca de Pilatos e da Torre de Siloé

031 — A Parábola da Figueira Estéril

032 — A Parábola Acerca dos Primeiros Lugares

033 — A Parábola do Grande Banquete

034 — A Parábola do Construtor da Torre e do Grande Guerreiro

035 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 001

036 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 002

037A — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 001

037B — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 002

037C — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 003

037D — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 004 — A Influência do Antigo Testamento

037E — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 005 — Características Cristológicas da Parábola da Ovelha Perdida

037F — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 006 — A importância das pessoas perdidas.
Que Deus Abençoe a todos. 

Alexandros Meimaridis 

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Desde já agradecemos a todos.