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quinta-feira, 3 de março de 2016

PARÁBOLAS DE JESUS - MATEUS 18:12—14 E LUCAS 15:4—7 — A PARÁBOLA DA OVELHA PERDIDA — PARTE 002 - SERMÃO 037B


Ilustração de Jesus fazendo uma refeição junto com pecadores e pessoas simples do povo

Esse artigo é parte da série "Parábolas de Jesus" e é muito recomendável que o leitor procure conhecer todos os aspectos das verdades contidas nessa série, com aplicações para os nossos dias. No final do artigo você encontrará links para os outros artigos dessa série.

A Parábola da Ovelha perdida

INFORMAÇÕES CULTURAIS PERTINENTES À PARÁBOLA DA OVELHA PERDIDA

Conforme várias passagens do Novo Testamento registram os fariseus se recusavam a manter qualquer tipo de associação com o que eles chamavam de pecadores. Algumas dessas passagens já foram citadas nos estudos anteriores de Lucas 15. Mais há outras como, por exemplo:

Marcos 2:15—17

15 Achando-se Jesus à mesa na casa de Levi, estavam juntamente com ele e com seus discípulos muitos publicanos e pecadores; porque estes eram em grande número e também o seguiam.

16 Os escribas dos fariseus, vendo-o comer em companhia dos pecadores e publicanos, perguntavam aos discípulos dele: Por que come e bebe ele com os publicanos e pecadores?

17 Tendo Jesus ouvido isto, respondeu-lhes: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; não vim chamar justos, e sim pecadores.

Mateus 11:16—19

16 Mas a quem hei de comparar esta geração? É semelhante a meninos que, sentados nas praças, gritam aos companheiros:

17 Nós vos tocamos flauta, e não dançastes; entoamos lamentações, e não pranteastes.

18 Pois veio João, que não comia nem bebia, e dizem: Tem demônio!

19 Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores! Mas a sabedoria é justificada por suas obras.

Quando lemos a literatura judaica, não é difícil perceber que a recusa dos fariseus em se associar com os pecadores estava firmemente arraigada em suas próprias tradições. Exemplo disso podem ser vistos na Melkita Amalek que diz o seguinte em 3:55—57: “Com relação a isso os sábios dizem:Que um homem nunca se associe com uma pessoa perversa, nem mesmo com o propósito de aproximá-lo da Torá”. Em muitas citações os sentimentos manifestados eram muito intensos, como vemos em:

Eclesiástico 13:17 — O que pode haver de comum entre o lobo e o cordeiro? O mesmo acontece entre o pecador e o piedoso.[1]

Texto rabínico M. Demai 2:3Todo aquele que decide tornar-se associado não deve vender para um Am-haaeretz — literalmente, povo da terra, i.e. pessoas comuns — alimentos sejam secos ou molhados, nem comprar os mesmos de tais pessoas; também não deve aceitar o convite para participar numa refeição na casa dum Am-haaeretz, e nem recebê-lo em sua casa com tais propósitos.

Texto rabínico M. Hagigah 2:7 — Para um fariseu, até mesmo as roupas de um Am-Haaeretz são suficientes para contaminá-lo e torná-lo impuro.

Texto rabínico B. Pesahim 49:b, depois de apresentar uma lista das qualidades desejáveis numa esposa, temos essa advertência: Mas que não se case com a filha dum Am-haaretz, porque são detestáveis e suas mulheres não passam de vermes. Também se diz o seguinte de suas filhas: Maldito seja aquele que se deitar com qualquer tipo de besta. E mais: É permitido esfaquear um Am-haaretz até mesmo no dia da expiação, mesmo que esse dia seja um sábado... Ninguém deve se associar com Am-haaretz como companheiro de viagem...Um devoto pode partir um Am-haaretz como faz com um peixe... Qualquer um que dá sua filha em casamento com um Am-haaretz faz o mesmo que amarrá-la e colocá-la diante dum leão; do mesmo modo que um leão não se envergonha de estraçalhar e devorar sua presa, assim também um Am-hararetz que ataca e coabita não tem nenhuma vergonha... Qualquer que estuda a Torá na presença de um Am-haaretz faz o mesmo que manter uma relação sexual com sua noiva na presença dele... Seis coisas são afirmadas acerca dos Am-haaretz: Não damos testemunho a favor deles; não aceitamos o testemunho deles a nosso favor; não revelamos nenhum tipo de segredo para eles; não os designamos com protetores de nossa crianças órfãs; não os indicamos como administradores de fundo de caridade; e não devemos compartilhar da companhia deles andando pelos caminhos.

Diante desse quadro, fica bem mais fácil entender o ódio que os fariseus sentiam pelos publicanos e pelos Am-haaretz e também por Jesus, por se associar com eles e ainda comer com os mesmos.

Nos dias de Jesus as refeições tinham grande importância no desenvolvimento duma amizade e também na identificação daquele que oferecia a refeição com aqueles que participavam da mesma. Isso fica bem evidente no Novo Testamento em passagens, tais como —

Lucas 14:7—14

7 Reparando como os convidados escolhiam os primeiros lugares, propôs-lhes uma parábola:

8 Quando por alguém fores convidado para um casamento, não procures o primeiro lugar; para não suceder que, havendo um convidado mais digno do que tu,

9 vindo aquele que te convidou e também a ele, te diga: Dá o lugar a este. Então, irás, envergonhado, ocupar o último lugar.

10 Pelo contrário, quando fores convidado, vai tomar o último lugar; para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, senta-te mais para cima. Ser-te-á isto uma honra diante de todos os mais convivas.

11 Pois todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado.

12 Disse também ao que o havia convidado: Quando deres um jantar ou uma ceia, não convides os teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem vizinhos ricos; para não suceder que eles, por sua vez, te convidem e sejas recompensado.

13 Antes, ao dares um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos;

14 e serás bem-aventurado, pelo fato de não terem eles com que recompensar-te; a tua recompensa, porém, tu a receberás na ressurreição dos justos.

Além disso, o ofício de pastorear era muito desprezado pelas elites judaicas como podemos perceber, claramente, no midrash do Salmos 23:2 feito pelo rabino José bar Hanina, que diz: “No mundo inteiro é impossível encontrar uma profissão mais desprezível do que a do pastor de ovelhas, pelo fato dele caminhar o dia inteiro com seu bordão e sua algibeira”. Entretanto, tanto Jacó quanto Davi e Asafe chamam Deus de “pastor”, conforme podemos ler em

Gênesis 49:24

O seu arco, porém, permanece firme, e os seus braços são feitos ativos pelas mãos do Poderoso de Jacó, sim, pelo Pastor e pela Pedra de Israel.

Salmos 23:1

O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará.

Salmos 80:1

Dá ouvidos, ó pastor de Israel, tu que conduzes a José como um rebanho; tu que estás entronizado acima dos querubins, mostra o teu esplendor.

O escrito rabínico M. Qidusin 4:14 assume que os pastores são todos ladrões, porque conduzem seus rebanhos para pastar nas terras de outras pessoas.

Já o escrito rabínico B. Sanhedrin 25b inclui os pastores de ovelhas na lista de pessoas inelegíveis como testemunhas e associa os mesmos com os cobradores de impostos — publicanos. Além disso, o escrito rabínico B. Baba Qamma 94b afirma que é muito difícil para pastores se arrependerem e fazerem restituição de qualquer coisa que seja. Apesar de existirem várias outras passagens, cremos que essa são suficientes para os nossos propósito. Todavia, gastaríamos de citar apenas mais uma, por causa de sua relevância:

Texto rabínico de M. Qiddusin 4:14 — “Um homem não deve ensinar seu filho a se tornar condutor de jumentos ou de camelos, nem barbeiro ou marinheiro, nem pastor de gado miúdo — ovelhas, cabras e etc. — e nem mesmo proprietário dum comércio, porque esses trabalhos são todos trabalhos executados por ladrões”.

A afirmação de Jesus em Lucas 15:4 — Qual, dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas — era suficiente para causar nos escribas e fariseus enormes preocupações quanto a pureza cerimonial quando Jesus pede para que se vejam como pessoas envolvidas num tipo de comércio que consideravam impuro. Tal expressão nos lábios de Jesus era proposital e seria devidamente notada por esses hipócritas, mas fazia parte da estratégia retórica de Jesus[2]. Mas temos que enfatizar que, do ponto de vista bíblico, a figura do pastor é usada para se referir a Deus como aquele que tem profunda compaixão pelo seu povo. E essa mesma figura é usada para descrever a liderança do povo de Israel e do judaísmo no Antigo Testamento, incluindo-se ai a figura do grande libertador escatológico. Pessoas sem líderes ou submetidos a uma liderança ruim são caracterizados como ovelhas que não têm pastor. Para tudo isso basta ver as seguintes referências:

Salmos 28:9

Salva o teu povo e abençoa a tua herança; apascenta-o e exalta-o para sempre.

Jeremias 31:30

Ouvi a palavra do SENHOR, ó nações, e anunciai nas terras longínquas do mar, e dizei: Aquele que espalhou a Israel o congregará e o guardará, como o pastor, ao seu rebanho.

Ezequiel 34:15, 31

15 Eu mesmo apascentarei as minhas ovelhas e as farei repousar, diz o SENHOR 
Deus.

31 Vós, pois, ó ovelhas minhas, ovelhas do meu pasto; homens sois, mas eu sou o vosso Deus, diz o SENHOR Deus.

Miquéias 7:14

Apascenta o teu povo com o teu bordão, o rebanho da tua herança, que mora a sós no bosque, no meio da terra fértil; apascentem-se em Basã e Gileade, como nos dias de outrora.

Marcos 6:34

Ao desembarcar, viu Jesus uma grande multidão e compadeceu-se deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor. E passou a ensinar-lhes muitas coisas.

Mateus 26:31

Então, Jesus lhes disse: Esta noite, todos vós vos escandalizareis comigo; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho ficarão dispersas.

Retornando à parábola da ovelha perdida nós temos a impressão que o pastor citado é, também, o proprietário do rebanho mencionado. O tamanho do rebanho também indica que ele era um homem de posses consideráveis. Ele não era um homem rico, mas um rebanho composto de 100 ovelhas era dum tamanho digno de nota.

De acordo com o conhecimento que temos da vida das ovelhas, uma ovelha perdida, quando exausta, abre mão de continuar procurando o caminho de volta e se deita no chão com o abdômen tocando o solo e as quatro patas abertas, também sobre o chão. Ali ela fica esperando por socorro, ou até mesmo por algo pior[3]. Esse talvez seja o motivo porque o pastor se vê obrigado a deixar as outras 99 ovelhas em lugar seguro e partir em busca da ovelha perdida.[4]

O arrependimento mencionado por Jesus em Lucas 15:7 era o pilar central de todo o pensamento judaico dos seus dias. De acordo com o estudioso George Foot Moore “o arrependimento é a única, porém inexorável condição, para se obter o perdão de Deus e a restauração de seu favor e o perdão e favor divinos nunca são recusados para qualquer pecador  genuinamente arrependido”.[5]

A parábola da ovelha perdida é bastante realista com exceção do convite feito aos vizinhos para virem e celebrarem junto com o pastor, que pare certa liberdade poética adicionada à narrativa pelo próprio Jesus. Isso é ainda mais verdadeiro no caso da parábola da moeda perdida, porque tal ajuntamento implicaria num gasto adicional para bancar a celebração que poderia ir muito além do valor do bem encontrado. Por outro lado, as palavras de Jesus servem para enfatizar a realidade do fato de que Jesus estava, de fato, tendo refeições com pecadores, algo que serve para dar um destaque cada vez maior ao tema da verdadeira alegria ou júbilo, inclusive no céu.

CONTINUA...

OUTRAS PARÁBOLAS DE JESUS PODEM SER ENCONTRADAS NOS LINKS ABAIXO:

001 – O Sal

002 – Os Dois Fundamentos

003 – O Semeador

004 – O Joio e o Trigo =

005 – O Credor Incompassivo

006 — O Grão de Mostarda e o Fermento

007 — Os Meninos Brincando na Praça

008 — A Semente Germinando Secretamente

009 e 010 — O Tesouro Escondido e a Pérola de Grande Valor

011 — A Eterna Fornalha de Fogo

012 — A Parábola dos Trabalhadores na Vinha

013 — A Parábola dos Dois Irmãos

014 — A Parábola dos Lavradores Maus — Parte 1

014A — A Parábola dos Lavradores Maus — Parte 2

015 — A Parábola das Bodas —

016 — A Parábola da Figueira

017 — A Parábola do Servo Vigilante

018 — A Parábola do Ladrão

019 — A Parábola do Servo Fiel e Prudente

020 — A Parábola das Dez Virgens

021 — A Parábola dos Talentos

022 — A Parábola das Ovelhas e dos Cabritos

023 — A Parábola dos Dois Devedores

024 — A Parábola dos Pássaros e da Raposa

025 — A Parábola do Discípulo que Desejava Sepultar Seu Pai

026 — A Parábola da Mão no Arado

027 — A Parábola do Bom Samaritano — Completo

027A — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 1

027B — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 2 — Os Ladrões e o Sacerdote

027C — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 3 — O Levita

027D — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 4 — O Samaritano

027E — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 5 — O Socorro

027F — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 6 — O transporte até a hospedaria

027G — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 7 — O pagamento final

027H — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 8 — O diálogo final entre Jesus e o doutor da Lei

028 — A Parábola do Rico Tolo —

029 — A Parábola do Amigo Importuno —

030 — A Parábola Acerca de Pilatos e da Torre de Siloé

031 — A Parábola da Figueira Estéril

032 — A Parábola Acerca dos Primeiros Lugares

033 — A Parábola do Grande Banquete

034 — A Parábola do Construtor da Torre e do Grande Guerreiro

035 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 001

036 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 002

037A — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 001

037B — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 002

037C — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 003

037D — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 004 — A Influência do Antigo Testamento

037E — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 005 — Características Cristológicas da Parábola da Ovelha Perdida

037F — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 006 — A importância das pessoas perdidas.
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/11/parabolas-de-jesus-mateus-181214-e.html

037H — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 008 — Conclusão.
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/05/parabolas-de-jesus-sermao-037h-parabola.html

037 — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Completa
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/06/parabolas-de-jesus-sermao-037-parabola.html



038A — PARÁBOLAS DE JESUS — A PARÁBOLA DA DRACMA PERDIDA — LUCAS 15:8—10 —— PARTE 001
Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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[1] A Bíblia de Jerusalém, Eclesiástico 13:17. Edições Paulinas, São Paulo, 1980.

[2] Bailey, Kenneth E. Poet and Peasant: A Literary Cultural Approach to the Parables in Luke. William B. Eerdmans Publishing Company, Grand Rapids, 1983.

[3] Fitzmyer, A. Joseph. The Gospel According to Luke in Two Volumes — The Anchor Bible Series volumes 28 e 28A. Double day and Company, Garden City, 1981.

[4] Jeremias, Joachim. As Parábolas de Jesus na Nova Coleção Bíblica. Paulus, São Paulo, 1997.

[5] Moore, Foot George.  Judaism in the First Centuries of The Chistian Era: The Age of the Tanaim. Harvard University Press, Cambridge, 1950.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

O INIMIGO SENTA AO LADO



Um alerta aos pastores e suas ovelhas

O artigo abaixo é de autoria de Aledsey Neander.

Durante meu pouco tempo no ministério pastoral - pouco mais de sete anos – tenho aprendido, na prática de plantação de igrejas, uma importante lição: os maiores inimigos da igreja de Cristo não são externos, — os de fora da redoma do templo — mas, sim, os internos. Não é por acaso que Jesus cita exemplos contrastantes e atípicos para exemplificar isso, como a parábola do trigo e do joio, a parábola da rede — que pega peixes bons e ruins —, não dar aos cães o que é santo, e por aí vai. O problema não está lá fora, está em quem deixamos entrar.

O maior inimigo da igreja não é o cara que se denomina ateu, não é aquele que diz que nunca vai à sua igreja por ter raiva de crente, nem mesmo aquele que diz crer em Deus, mas que não quer assumir compromisso com igreja nenhuma. Essas pessoas querem mais é viver a vida delas, da forma que eles acharem melhor, sem a intromissão religiosa — com isso não quero dizer que não devem ser evangelizados, nem se serão salvos ou não. Essas pessoas não são acusadas de mornidão, de frieza, de sustentar falsos profetas... Essas acusações foram feitas às igrejas. O maior inimigo da igreja de Cristo se assenta nos mesmos bancos que os verdadeiros crentes, canta louvores, fala de Jesus, faz liturgia, se veste à caráter como crente — se é que isso existe —, lhe deseja a paz do Senhor e pode até ser um dizimista fiel e um frequentador assíduo das reuniões. E o maior perigo desse inimigo é que ele é homogêneo, se mistura com facilidade, se torna anjo de luz, se preciso —

2 Coríntios 11:14

E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz.

Lembram-se de Balaão? Tentou amaldiçoar o povo de Deus 3 vezes. Vendo ele que não teve sucesso, usou outra tática: a influência interna. Aconselhou o rei a introduzir prostitutas cultuais entre o povo de Deus, fazendo com que eles pecassem.

Números 31:16

Eis que estas, por conselho de Balaão, fizeram prevaricar os filhos de Israel contra o SENHOR, no caso de Peor, pelo que houve a praga entre a congregação do SENHOR.

Paulo, sendo pastor e conhecedor dessa tática, alerta os irmãos de Corinto quanto a esses inimigos:

1 Coríntios 5.10—11

Já em carta vos escrevi que não vos associásseis com os impuros; refiro-me, com isto, não propriamente aos impuros deste mundo, ou aos avarentos, ou roubadores, ou idólatras; pois, neste caso, teríeis de sair do mundo. Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais.
A preocupação de Paulo não era com os de fora, nem mesmo essa era a preocupação de Jesus, pois, além de conviver com os "doentes", pediu ao Pai que não nos tirasse do mundo, pelo contrário, nos deu uma missão aqui —

João 17:15—18

15 Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal.

16 Eles não são do mundo, como também eu não sou.

17 Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.

18 Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.

Mas, sendo essa uma realidade, o que fazer? Como pastores temos duas opções: 1. Fingir que nada está acontecendo, ser cego, surdo e mudo para com essas pessoas, ou, crer que sua igreja está livre dessas pessoas. 2. Trabalhar para livrar as verdadeiras ovelhas desses lobos enrustidos, ou, não permitir que eles influenciem o restante. Como? Primeiro é necessário identificá-los e, seguindo os conselhos de Paulo, isso não é difícil. Depois, tratá-los como devem ser tratados.

Quando digo que devemos nos "livrar deles", entendo que temos que ter o cuidado de não julgar erroneamente, nem mesmo sair expulsando gente da Igreja, pois todos devem ter a oportunidade de prestar culto a Deus e ouvir sua Palavra, a fim de serem conduzidos ao arrependimento. Devemos ter muita sabedoria ao identificar e corrigir essas pessoas.

2 Timóteo 2:24—-26

24 Ora, é necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e sim deve ser brando para com todos, apto para instruir, paciente,

25 disciplinando com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade,

26 mas também o retorno à sensatez, livrando-se eles dos laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele para cumprirem a sua vontade.

No entanto, seguindo o conselho de Paulo, esses inimigos de Cristo têm uma característica específica: eles professam uma coisa e vivem outra: "... alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador...". Essa é uma típica atitude farisaica — e sabemos como Jesus tratava esses homens. Também essa é uma característica dos falsos profetas —

Mateus 7:15—20

15 Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores.

16 Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?

17 Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus.

18 Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons.

19 Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo.

20 Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis.

Essas pessoas fizeram profissão de fé, declaram a mesma coisa que um discípulo de
Cristo —

Tiago 2:19

Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios creem e tremem.

mas vivem como ímpios; não há sinal de arrependimento nessas vidas — perceba que todas as características dessas pessoas são totalmente explícitas, elas não conseguem esconder o que são. Apesar disso, elas gostam da comunhão, — "dizendo-se irmão" — usam palavreado piedoso, gostam de sentir-se como parte da igreja. Havia um sujeito com esse perfil dentro da igreja de Corinto e Paulo está preocupado com esse tipo de influência na igreja (v. 6).

Mas, ao identificá-los, qual é o tratamento? Paulo é direto: "Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis..." e "com esse tal, nem ainda comais.". "Associar" significa "misturar-se", "ser íntimo" de tal pessoa. Esses inimigos querem inserir-se no grupo, mas o pastor, como responsável pela saúde de suas ovelhas, não deve deixar que ele se sinta como tal e também deve ensinar a igreja a se prevenir dessas influências.

O verdadeiro cristão não se torna confidente de tais pessoas, não somente porque ele não deve, mas porque não há nenhuma possibilidade. Associar-se com eles é ser cúmplice do pecado. Devo tratá-lo à distância e não alimentar sua impiedade (Provérbios 26:1, 5). Interessante que o conselho de Paulo quanto a não "comer" com essas pessoas, assemelha-se muito ao princípio do Salmo primeiro.

Paulo não recomenda, somente, que não haja nenhum tipo de associação com essas pessoas, mas também recomenda uma disciplina eclesiástica, o afastamento da comunhão:

1 Coríntios 5:3—5, 7

3 Eu, na verdade, ainda que ausente em pessoa, mas presente em espírito, já sentenciei, como se estivesse presente, que o autor de tal infâmia seja,

4 em nome do Senhor Jesus, reunidos vós e o meu espírito, com o poder de Jesus, nosso Senhor,

5 entregue a Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor Jesus.

7 Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado.

(Sobre "disciplina eclesiástica", recomendo o livro "Consultório Bíblico", Rev. Odayr Olivetti, p. 133).

Como responsáveis pelo rebanho de Cristo, não devemos ser omissos nesta tarefa. Muitas vezes deixamos que essas pessoas criem raízes no Corpo, em prol de uma falsa paz. E, com o tempo, mais cedo ou mais tarde, colhemos os frutos dessa omissão, quando não, deixamos esse "barco furado" para um outro sucessor. Não deixemos de disciplinar, se necessário, para que as verdadeiras ovelhas não sofram com esses inimigos. Como diz um ditado popular: "Quem poupa os lobos, sacrifica as ovelhas". Diga-lhes o que deve ser dito... Se necessário, com brandura, se preciso, com rispidez. Dependendo do momento, fale em particular, mas se precisar, admoeste publicamente — 1 Timóteo 5:20. Muitas vezes será preciso se utilizar da autoridade que Deus nos deu como ministros, não para colocar medo nas pessoas, como muitos falsos pastores fazem. Os outros precisam ver em você um homem com a autoridade de Deus sobre a vida delas.

Tito 2:15

Dize estas coisas; exorta e repreende também com toda a autoridade. Ninguém te despreze.

Lógico que, cabe a nós, demonstrarmos isso com uma vida irrepreensível e não só com palavras, agindo assim com muito temor diante de Deus.

Não gaste tempo, nem tenha dor de cabeça com essas pessoas.

Tito 3:10—11

10 Evita o homem faccioso, depois de admoestá-lo primeira e segunda vez,

11 pois sabes que tal pessoa está pervertida, e vive pecando, e por si mesma está condenada.

Quanto sono já perdemos por causa de pessoas com este perfil? Quanta paz deixamos de desfrutar por causa de gente assim? Quanto tempo perdemos em estar trabalhando com os verdadeiros servos de Deus tentando "converter" esses ímpios travestidos de cristãos?

Nós, pastores, devemos aprender, desde cedo, que fomos chamados para pastorear as "ovelhas" do Senhor Jesus e não os cabritos. E, até que o Senhor Jesus volte para separar cabritos e ovelhas, joio e trigo, ímpio e santo, temos que saber administrar a situação.

Que não tenhamos pressa em receber novos membros, a fim de encher o templo a qualquer custo. Mas que utilizemos, bem, o processo de discipulado, ou catecúmenos, para conhecer quem está querendo fazer parte da sua Igreja, ensinando, mas também, confrontando sua fé, seus princípios, sua motivação.

Não estou dizendo, com isso, que ficaremos livres dessa influência maléfica, enquanto neste mundo uma crença assim é utópica — a igreja é chamada a avançar contra as portas do inferno, mas durante esse avanço um "misto de gente" caminha junto.

Êxodo 12:38

Subiu também com eles um misto de gente, ovelhas, gado, muitíssimos animais.

Também não creio que sempre teremos sucesso nessa distinção. No entanto, estaremos cumprindo nossa tarefa como servos bons, responsáveis e fiéis ao ministério e às ovelhas que o Senhor nos confiou.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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