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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

CHARLES SPURGEON 1834—1892: UMA BREVE BIOGRAFIA


Fonte: Spurgeongems.org - Título Original: The Form Of Godliness Without The Power

OEstandarteDeCristo.com

Tradução: Camila Rebeca Almeida

Revisão: William Teixeira

Uma Biografia de Charles Haddon Spurgeon



Charles Haddon Spurgeon (1834 – 1892)

Charles Haddon Spurgeon (19 de junho de 1834 – 31 de janeiro de 1892) foi um pregador Batista Reformado, nascido em Kelvedon, Essex na Inglaterra. Converteu-se ao cristianismo em 6 de janeiro de 1850, aos quinze anos de idade.

Sobre a sua conversão, afirma-se de 1848 a 1850, Charles Spurgeon teve um período de muitas dúvidas e amarguras. Esteve sob grande convicção de pecado. Ficou convicto que não era um cristão de fato, mesmo sendo criado em todo o ambiente religioso de sua família e região, e sobre forte influência puritana e não-conformista.

Tal era seu amor por Cristo que, apesar de ainda estar com apenas quinze anos de idade, não pôde ficar esperando para depois fazer alguma coisa por Ele, mas teve que procurar os meios pelo qual pudesse servi-lo, e servi-lo imediatamente.

Aos dezesseis, pregou seu primeiro sermão; no ano seguinte tornou-se pastor de uma igreja batista em Waterbeach, Condado de Cambridgeshire (Inglaterra). Em 1854, Spurgeon, então com vinte anos, foi chamado para ser pastor na capela de New Park Street, Londres, que mais tarde viria a chamar-se Tabernáculo Metropolitano.

Desde o início do ministério, seu talento para a exposição dos textos bíblicos foi considerado extraordinário. E sua excelência na pregação das Escrituras Bíblicas lhe deram o título de O Príncipe dos Pregadores e O Último dos Puritanos.

Com o passar do tempo, Charles Haddon Spurgeon tornou-se célebre, e recebia convites para pregar em outras cidades da Inglaterra, bem como em outros países. Ele pregava não só em reuniões ao ar livre, mas também nos maiores edifícios de 8 a 12 vezes por semana.

Casou-se em 20 de setembro de 1856 com Susannah Thompson e teve dois filhos, os gêmeos não-idênticos Thomas e Charles. Fazíamos cultos domésticos sempre; quer hospedados em um rancho nas serras, quer em um suntuoso quarto de hotel na cidade. E a bendita presença do Espírito Santo, que muitos crentes dizem ser impossível alcançar, era para nós a atmosfera natural. Vivíamos e respirávamos nEle, relatou, certa vez, Susannah. Thomas Spurgeon chegou a pastorear o Tabernáculo Metropolitano 2 anos após a morte de seu pai.

Os sermões pregados por Spurgeon domingo de manhã, eram publicados na quinta-feira seguinte, (e revisados pelo próprio Spurgeon) e os sermões pregados domingo à noite e quinta-feira à noite eram reservados para futura publicação: isso e mais alguns sermões escritos por Spurgeon quando doente formaram um tal acervo que garantiu a publicação semanal até o ano da morte de Spurgeon, (até essa data, 2241 publicados) e dos outros até 1917, totalizando 3.653 sermões publicados divididos em 63 volumes (maior que a Enciclopédia Britânica e até hoje considerada a maior quantidade de textos escritos por um único cristão em toda a história da cristianismo).

Muitos sermões de Spurgeon eram enviados via telegrafo aos Estados Unidos e republicados lá: depois de 1865, muitos deles foram censurados, pelo fato de Spurgeon ser totalmente contra a escravidão dos negros africanos. Também escreveu e editou 135 livros durante 27 anos (1857-1892) e editou uma revista mensal denominada A Espada e a Espátula. Seus vários comentários bíblicos ainda são muito lidos. (O seu “Tesouro de Davi”, uma compilação de comentários sobre os Salmos, levou mais de 20 anos para sua conclusão).

Spurgeon enfrentou muita oposição no fim de seu ministério; pelos idos de 1887-1888, ele foi envolvido na que se chamou “A controvérsia do declínio”, quando Spurgeon criticou duramente muitos membros da União das Igrejas Batistas da Inglaterra (do qual ele era afiliado) que estavam afrouxando a sua pregação diante do liberalismo teológico e da Alta crítica ( movimento que invocava a ideia de ser uma acurada investigação da historicidade da Bíblia, mas que na prática negava a Infalibilidade e a Inerrância da Palavra de Deus).

Até o último dia de pastorado, Spurgeon batizou 14.692 pessoas. Nesse meio tempo, Spurgeon teve sua saúde grandemente debilitada. Desenvolveu, por volta dos 25 anos, Gota e Reumatismo, e grandes ataques de depressão, principalmente depois de 1857, quando um culto realizado em Surrey Garden foi organizado para cerca de 10.000, e devido a um tumulto provocado por um falso alarme de incêndio, levou a morte de 6 pessoas.

Quanto mais a idade avançava, mais essas enfermidades o debilitavam. Pelo que registrado em suas Biografias, ele teve uma melhora da Gota, mas mesmo dessa forma, nunca esteve em pleno vigor novamente. Sua mulher também tinha graves problemas de saúde, e isso agravava mais ainda a situação. Por diversas vezes, Charles teve que se ausentar de seu púlpito por recomendação médica. Chegou a passar um período de férias em 1864 (quando viajou até a Itália), e depois, muitas vezes, sempre no fim do ano, se hospedava em Menton, Sul da França, pelo clima mais quente que na Inglaterra, e também por recomendação médica. Depois de 1887, foram cada vez mais constantes essas viagens, chegando a passar meses em retiro.

Nessa época, foi diagnosticado com doença de Bright, uma doença degenerativa e crônica, sem cura. Muitos sermões seus eram lidos, e outros escritos e enviados ao Tabernáculo para leitura, para suprir a falta do pastor. Em 1891, sua condição se agravou mais, forçando Spurgeon a convidar o pastor presbiteriano Arthur Pierson dos Estados Unidos para assumir temporariamente a função principal no Tabernáculo; e Spurgeon ficou em Menton até 31 de janeiro de 1892, quando, depois de alguns dias de melhora de seu estado, houve uma grande deterioração de sua saúde, levando ao óbito nessa data, aos 57 anos.

O corpo de Spurgeon foi trasladado da França para Inglaterra. Na ocasião de seu funeral – 11 de fevereiro de 1892 – muitos cortejos e cultos foram organizados em Londres, e seis mil pessoas leram diante de seu caixão o texto de sua conversão. Spurgeon está sepultado no cemitério de Norwood, com uma placa que diz: “Aqui jaz o corpo de CHARLES HADDON SPURGEON, esperando o aparecimento do seu Senhor e Salvador JESUS CRISTO”.

Túmulo de Spurgeon no Cemitério de Norwood

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

A CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA E A ORDENAÇÃO DE MULHERES



 Em longa reportagem que reproduzimos abaixo a Revista ÉPOCA nos fala da decisão marcante tomada pela Convenção Batista Brasileira — a primeira denominação histórica em termos de número de membros — de ordenar para o Ministério Pastoral uma mulher. O assunto é polêmico e é nosso desejo apresentar, depois desse artigo, outros que defendam posições diferentes da adotada pelos batistas e outros ainda que entendem que esse é mesmo o caminho que precisa ser seguido por todas as igrejas que se espelham no Novo Testamento. De todas as formas os leitores terão muito material para avaliar essa questão e tirar suas próprias conclusões finais. Agora queremos dar início a essa discussão reproduzindo o artigo da Revista ÉPOCA.



NOTE BEM: O ARTIGO ABAIXO NÃO REPRESENTA, NECESSARIAMENTE A POSIÇÃO DO BLOG O GRANDE DIÁLOGO E ESTÁ SENDO PUBLICADO DENTRO DO NOSSO INTERESSE DE OFERECER AOS NOSSOS LEITORES A OPORTUNIDADE DE CONHECER AS DIVERSAS POSIÇÕES ACERCA DESSE DELICADO ASSUNTO.
Segue o artigo:

Batistas abrem espaço para que as mulheres sejam pastoras

No terceiro maior grupo religioso do Brasil, elas sobem ao altar – e não é para casar

COM REPORTAGEM DE RUAN DE SOUSA GABRIEL

Aos 22 anos, em 1980, Zenilda Reggiani Cintra concluiu um curso de teologia ligado à Igreja Batista. A jovem sentia-se vocacionada ao serviço religioso, mas se conteve. O ambiente na Convenção Batista Brasileira (CBB), segundo maior grupo evangélico do país, era restrito à participação feminina. Zenilda passou a atuar em sua paróquia anos depois, após casar-se com um pastor. Em 2004, os fiéis lhe concederam o título de pastora. A Ordem dos Pastores Batistas do Brasil (OPBB), porém, não reconhecia a validade do ministério feminino. Isso restringia a atuação das pastoras a suas comunidades de origem, já que muitas igrejas exigiam que seus líderes fossem filiados à Ordem. De 10.356 pastores filiados, apenas dez são mulheres. Agora, o espaço das pastoras tende a aumentar. Em 22 de janeiro, a OPBB aprovou o ingresso de mulheres na entidade. “A decisão da Ordem facilita o caminho para a ordenação de outras mulheres que atendem ao chamado de Deus”, diz Zenilda.

SACERDOTISA Zenilda, na Igreja Batista Esperança, em Taguatinga, Distrito Federal. Desde 1980,  ela esperava  o reconhecimento do ministério feminino (Foto: Celso Junior/ÉPOCA)
SACERDOTISA Zenilda, na Igreja Batista Esperança, em Taguatinga, Distrito Federal. Desde 1980, ela esperava o reconhecimento do ministério feminino (Foto: Celso Junior/ÉPOCA)

A abertura da CBB às mulheres é importante em si mesma e pelo que representa no cenário religioso do país. Ela é o segundo maior grupo evangélico do Brasil, com 12.400 igrejas filiadas e cerca de 2,3 milhões de fiéis. Além de numerosa, a Igreja Batista exerce influência sobre outros grupos religiosos. A história dos batistas no Brasil remonta às missões americanas do século XIX. Eles exercem influência sobre outras igrejas históricas, como a presbiteriana e a metodista. Algumas práticas, como o batismo de adultos, e a doutrina, que prega que a salvação é alcançada pela fé, e não por uma predestinação divina, aproximam os batistas dos grupos pentecostais e neopentecostais.

O papel da mulher nas igrejas evangélicas (Foto: ÉPOCA)
O papel da mulher nas igrejas evangélicas  (Foto: ÉPOCA)

A Assembleia de Deus, maior denominação evangélica do país, foi fundada por dissidentes da Primeira Igreja Batista do Pará. Antes de fundar a Igreja Internacional da Graça de Deus, o missionário R.R. Soares frequentava uma Igreja Batista. “Hoje, as igrejas estão em permanente diálogo. Decisões como essa têm impacto sobre todos os grupos”, afirma Sandra Duarte de Souza, teóloga e professora da Universidade Metodista de São Paulo. O diretor executivo da CBB, Sócrates Oliveira de Souza, diz que, ainda nos anos 1970, a aceitação na Igreja Batista de divorciados influenciou outras igrejas evangélicas a fazer o mesmo.

Grande parte das religiões monoteístas do Ocidente tem ou já teve restrições ao papel da mulher. As igrejas evangélicas e a Igreja Católica são originárias do cristianismo primitivo. Acreditam que Jesus Cristo é filho de Deus e seguem a Bíblia como livro sagrado. Jesus tinha mulheres entre seus discípulos, mas escolheu 12 homens para serem seus apóstolos. O Evangelho de São Mateus diz: “Jesus reuniu seus 12 discípulos. Conferiu-lhes o poder de expulsar os espíritos imundos e de curar todo mal e toda enfermidade. Eis os nomes dos 12 apóstolos: o primeiro, Simão, chamado Pedro; depois André, seu irmão. Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão. Filipe e Bartolomeu. Tomé e Mateus, o publicano. Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu. Simão, o cananeu, e Judas Iscariotes, que foi o traidor”. Nenhuma mulher é citada.

O debate mundial sobre a inclusão da mulher na alta hierarquia dos grupos religiosos só ganhou força a partir do século XX. Foi motivado menos por discussões de teólogos, dentro de seminários, e mais pela mobilização da mulher para ocupar espaços iguais aos do homem. Ainda hoje o tema rende polêmicas acesas entre os cristãos de diferentes denominações.

No artigo “Ordenação feminina: o que o Novo Testamento tem a dizer?”, o teólogo presbiteriano Augustus Nicodemus Lopes divide as opiniões sobre a inclusão da mulher entre “diferencialistas” (contra) e “igualitaristas” (a favor). Os diferencialistas afirmam que homens e mulheres foram criados com papéis distintos e que cabe ao homem exercer autoridade em casa e na igreja. Buscam argumento em trechos da Bíblia, como a recomendação de São Paulo a Timóteo, um dos líderes do cristianismo primitivo: “Não permito que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão”.

Segundo Lopes, a referência de Paulo à narrativa do Gênesis para justificar a proibição à ordenação das mulheres revela a crença de que a mulher está mais suscetível ao erro religioso. A ordenação feminina, diz Lopes, é uma violação dos princípios que Paulo percebe na narrativa da criação do gênero humano e na queda do homem.

Os igualitaristas são favoráveis à participação mais ativa da mulher nas religiões, por entender que as diferenciações resultantes do pecado original foram apagadas pelo sacrifício de Cristo. O argumento também está embasado nas palavras de São Paulo: “Não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus”, disse aos gálatas. Além de buscar nas escrituras evidências de mulheres que ocupavam posições de destaque na igreja primitiva, como as profetisas citadas na Bíblia ou várias mulheres lembradas por São Paulo em suas cartas às igrejas, os defensores da ordenação de pastoras argumentam que o texto bíblico deve ser contextualizado. Para a teóloga Sandra Duarte de Souza, os argumentos sociológicos atuais são legítimos, mesmo numa discussão religiosa. “Os argumentos contra as sacerdotisas só encontram acolhida hoje porque ainda vivemos numa cultura patriarcal”, diz. “A localização do texto bíblico em seu contexto histórico permite outras possibilidades de interpretação”, diz Breno Martins Campos, professor de pós-graduação em religião da PUC de Campinas, São Paulo.

TÃO PERTO, TÃO LONGE Ordenação em 1994 de 32 mulheres na Igreja Anglicana,  a denominação protestante mais próxima dos católicos.  O Vaticano resiste à abertura (Foto: Matthew Polak/Sygma/Corbis)
TÃO PERTO, TÃO LONGE Ordenação em 1994 de 32 mulheres na Igreja Anglicana, a denominação protestante mais próxima dos católicos. O Vaticano resiste à abertura (Foto: Matthew Polak/Sygma/Corbis)

No século XX, as mulheres conquistaram espaços nas denominações evangélicas. Nas Assembleias de Deus dos Estados Unidos, a presença das mulheres nos púlpitos foi oficializada em 1935. Nas décadas seguintes, elas foram seguidas por metodistas, presbiterianos e luteranos. A experiência internacional inspirou as igrejas Metodista, Evangélica de Confissão Luterana e Presbiteriana Independente, no Brasil, a aceitar mulheres como pastoras. Nas igrejas pentecostais e neopentecostais, foram as cantoras gospel que mais contribuíram para aceitação do ministério feminino. A visibilidade conquistada por cantoras como Ana Paula Valadão e Cassiane abriu espaço para que fossem nomeadas como pastoras por suas igrejas. Depois de Cassiane, todas as mulheres de presidentes da Assembleia de Deus Ministério Madureira passaram a ser ordenadas compulsoriamente. Estudioso das Assembleias de Deus, o sociólogo Gedeon Alencar diz que a prática não representa uma inclusão real, por excluir do sacerdócio as mulheres sem laço familiar com pastores. A teóloga Sandra discorda. Para ela, a ordenação de mulheres de pastores ajuda a mudar as concepções sobre o papel da mulher na igreja.

Na Igreja Católica, a perspectiva da ordenação de mulheres ainda é distante. Quando a Igreja Anglicana – denominação protestante mais próxima dos católicos – passou a ordenar mulheres, em 1994, o papa João Paulo II divulgou uma Carta Apostólica para reafirmar que o ministério é reservado aos homens. O papa Francisco defende mais espaço para as mulheres no catolicismo, mas não no sacerdócio. “Devem ser valorizadas, não clericalizadas”, reafirma o papa, em meio a todas as suas promessas de renovação da Igreja Católica.

O artigo original da ÉPOCA poderá ser visto por meio desse link aqui:


Aguardem a publicação de outros artigos trazendo outras perspectivas.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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