quinta-feira, 26 de maio de 2016

MICHEL TEMER E A ARTE DE INTERPRETAR DIVERSOS "PAPÉIS" NA VIDA

Miniatura
Foto do Dia - 14/05 - Temer participa de ritual em loja maçônica.

Com sua súbita ascensão à condição de presidente interino da República Federativa do Brasil -  e não como Estados Unidos do Brasil, como acredita nosso Ministro das Relações Exteriores, José Serra - surgiu uma pergunta intrigante: Quem realmente é Michel Temer - Michel Miguel Elias Temer Lulia?

Para ajudar nosso leitores decidirem da melhor forma possível acerca de quem é Michel Temer, oferecemos abaixo os seguintes materiais:

A. Um vídeo em que Michel Temer aparece discursando numa reunião promovida pelo chamado bispo Manoel Ferreira da AD Madureira. Nesse vídeo, Temer:

1. Se derrete em elogios sobre, sua excelência, o deputado Eduardo Cunha. Isso é algo que não nos surpreende.

2. O que nos surpreende é a forma como ele também se derrete em elogios com relação à Presidenta Dilma Vana Rousseff, como sendo uma mulher de grande fé. Ele também, de forma única, canta as loas do governo e da pessoa do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva afirmando, entre outras coisas o seguinte: a) Que Lula mudou o Brasil com o bolsa família; b) Que Lula tirou 30 milhões de brasileiros da fome e da miséria; c) Que Lula mudou o conceito que o mundo tinha acerca do Brasil e etc. É óbvio que o ex-presidente Lula, não poderia, com essas credenciais, transformar-se no patético "pixuleco" em que tentaram transformá-lo.

Mas o leitor não precisa acreditar em minhas palavras. Poderá checar tudo isso pelo vídeo que pode ser visto por meio desse link aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=GrugVB2h8lY

2. Um artigo escrito pelo professor de Semiótica Wilson Roberto Vieira Ferreira, baseado no vídeo acima, que pode ser lido abaixo:

Vídeo de Michel Temer exibe canastrice como força da propaganda

Maio 01, 2016 Wilson Roberto Vieira Ferreira


O vice-presidente Michel Temer em vídeo numa igreja onde tece elogios ao presidente da Câmara Eduardo Cunha diante de atentos evangélicos. 

A performance “videogênica” de Temer é mais um exemplo da força da canastrice na propaganda política – fenômeno ignorado até aqui pela Ciência Política. Em uma atuação exagerada, “overacting”, autoconsciente e fake, Temer parece fazer uma caricatura das caricaturas de personagens como Silvio Santos ou Raul Gil. Tal como a canastrice estudada de Geraldo Alckmin, Temer é mais um personagem político cuja força não vem das estratégias de sedução, persuasão ou da arbitrariedade de golpes militares. Paradoxalmente surge da banalidade de personagens que enfadonhamente imitam outros personagens canastrões com os quais estamos habituados em telenovelas, cinema e programas de auditório. Por que as massas se conformam com essa replicação banal dos simulacros midiáticos?

Circula nas redes sociais um vídeo no qual o vice-presidente Michel Temer faz rasgados elogios ao presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Sem data, o discurso foi realizado em alguma igreja evangélica durante campanha de apoio a Cunha - veja o vídeo abaixo.

O vídeo é mais um exemplo do fenômeno da canastrice na propaganda, fenômeno que parece ser ignorado pela Ciência Política sempre privilegiando explicações sociológicas ou ideológicas em cada análise de conjuntura.

A canastrice domina a propaganda política: políticos emitindo discursos em performances exageradas, fakes, forçadas porque carregadas de clichês que fazem alusões a atores e personalidades midiáticas igualmente canastrões.

Ironicamente, esses discursos e performances não espontâneas e caricatas tornam-se críveis porque o tempo inteiro são alusivos à ficção midiática. Na sua banalidade da imitação dos simulacros televisivos e cinematográficos com os quais convivemos diariamente, deixamos de perceber a natureza falsa e "teatral" das performances.



A performance de Temer

As mãos gesticulam nervosamente em movimentos circulares fazendo, juntamente com a proximidade do microfone na, gravata lembrar a figura do apresentador Silvio Santos e seu indefectível microfone pendurado no pescoço.

Peito empolado, metido em um terno com um corte reto e muito ajustado ao corpo. Cabeça maneia constantemente tentando enfatizar cada pronome oblíquo, lembrando os clichês de seriedade de apresentadores de telejornal como William Bonner.

Em outros momentos a mão aberta é levada à altura da barriga tentando simular formalidade e neutralidade ao discurso propagandístico – que, em si, como discurso propagandístico, não tem nada de neutro ou imparcial.

Às vezes a mesma mão aberta é levada ao plexo num clichê de oratória para tentar enfatizar uma suposta sinceridade e autenticidade ao discurso. Lábios estalam como recurso para criar uma pausa enfática.  Tudo é um grande overacting!

Estranhamente há algo que lembra o personagem criado pelo governador de São Paulo Geraldo Alckmin – a “calma estoica”: quando sorri, parece sentir alguma dor profunda. Um sorriso vincado, certamente resultante de alguma intervenção plástica no rosto mas que consegue um excelente rendimento midiático como um personagem “estoico” – sobre esse estoicismo na política clique aqui.

Isso o transforma em um personagem para quem o Destino parece ter lhe confiado alguma missão sacrificial.

Por isso Alckmin levou a impagável alcunha de “picolé de chuchu diet” como fosse alguma espécie de asceta sofredor fake.

Para reforçar essa imagem, Temer parece sempre se deixar mostrar de perfil criando uma estranha analogia física com Robespierre, a importante personalidade da Revolução Francesa. Conhecido como “o incorruptível” e impor o regime sanguinário do Terror, terminou tragicamente na guilhotina. O que confere ainda mais um ar de drama à performance canastrona.



Temer também parece seguir o mesmo script do governador de São Paulo (será que estamos diante de uma escola paulista de canastrice na política?) – o bom mocismo com sua esposa “bela, recatada e do lar”, a calma estoica dos sofredores e a sinceridade excessivamente autoconsciente das mãos. Porém, com uma esposa quarenta e três anos mais jovem, o que dá a necessária pitada de virilidade e sexualidade, necessária para dar alguma vida a um simulacro que copia outros simulacros midiáticos.

O ar professoral (constantemente o queixo se levanta enquanto os lábios se apertam em um movimento circunflexo) é exageradamente estudado e autoconsciente. Mas, paradoxalmente, o ritmo e ênfases no discurso de Temer são quase idênticos às falas de Silvio Santos repetidas há décadas em cada domingo – definitivamente, existe uma escola paulista de canastrice!

Alguns internautas tentaram comparar a performance de Temer ao demoníaco personagem de Al Pacino no filme O Advogado do Diabo (1997). Temer é exageradamente canastrão (desculpem o pleonasmo!) para se equiparar à atuação necessariamente satânica que Pacino teve que performar. Talvez o overacting de Eduardo Cunha, com seus olhos que jamais piscam, se aproxime mais do cheiro de enxofre daquele infernal advogado.

A canastrice na propaganda política

A canastrice de Michel Temer está dentro dessa verdadeira zona cinza da Política – não é mais um fenômeno estritamente ideológico-político. Sua força não vem do terror, da ditadura, da persuasão, manipulação ou sedução.

Paradoxalmente, vem da banalidade da imitação quando vemos um político que repete a atuação de atores canastrões e de apresentadores de programas de auditório como Silvio Santos (a principal referência), mas também de Raul Gil ou dos falecidos Flávio Cavalcanti e Blota Júnior.

Assim como também no passado Hitler e Mussolini, amantes do cinema, inspiraram suas performances caricatas em astros da época como Chaplin e nos galãs canastrões hollywoodianos como um Rodolfo Valentino vestido de sheik das arábias másculo e romântico.

Michel Temer: entre o "Advogado do Diabo" e Robespierre

Essa banalidade que definitivamente estetizou a política desde os tempos do nazi-fascismo aproveita-se de uma inversão do nosso aparelho perceptivo com a massificação das imagens desde o cinema – começamos a tomar o real não por ele mesmo, mas a partir de imagens anteriormente feitas sobre a realidade. Vemos a realidade a partir dos simulacros que precedem o próprio real.

Julgamos o que vemos, como algo real ou ficcional, falso ou verdadeiro, ironicamente a partir do simulacro – o banal, aquilo que está para além da realidade e da ficção.

A canastrice é filha da Hiper-realidade da Disneylândia e do seu verdadeiro pai, Walt Disney – aquele que normatizou as conexões dos simulacros com o mundo real no século XX.

A força de personagens políticos como Alckmin e Temer não vem mais da ideologia ou da força política de revoluções sangrentas, golpes militares ou do terror. Mas da banalidade onde personagens do mundo político já não possuem mais auras idealistas, heroicas, messiânicas ou revolucionárias: apenas replicam enfadonhamente os personagens canastrões com os quais convivemos diariamente em telenovelas, filmes e programas de auditório.

Cada vez mais vemos exemplos de políticos à direita do espectro político que não mais seguem o figurino do moralismo histérico de um Carlos Lacerda ou de um Jânio Quadros. Sem arroubos proféticos ou messiânicos, limitam-se à banalidade da imitação - a canastrice que imita outra canastrice, que, por sua vez, foi uma caricatura exagerada de outro personagem e assim por diante.

Parece que o ar enfadonho e canastrão destas figuras ajudam a nos conformar com o sabor amargo de futuro. O futuro como mais uma cena de algum melodrama qualquer.

O artigo original do professor Wilson poder ser visto por meio do seguinte link:

http://cinegnose.blogspot.com.br/2016/05/video-de-michel-temer-exibe-canastrice.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis


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quarta-feira, 25 de maio de 2016

JOSÉ COMO TIPO DE CRISTO — ESTUDOS 041A — JOSÉ DESEJA SER LEMBRADO


041A. José Deseja ser Lembrado.

Antes do copeiro do Faraó ser restaurado ao seu posto, José lhe fez o seguinte pedido:

Gênesis 40:14

Porém lembra-te de mim, quando tudo te correr bem; e rogo-te que sejas bondoso para comigo, e faças menção de mim a Faraó, e me faças sair desta casa.

O apóstolo Paulo ao ensinar a igreja em Corinto como deveria proceder para celebrar a ceia do Senhor escreveu àqueles irmãos as seguintes palavras:

1 Coríntios 11:23—25
Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim.

Em poucas palavras: Jesus também desejava ser lembrado!

Existe somente uma única referência nos evangelhos sinóticos que registram a expressão “em memória de mim”. Trata-se de Lucas 22:19. Não fosse por essa referência não teríamos nenhum outro registro de Jesus proferindo tais palavras durante a instituição da Ceia do Senhor. É por causa das palavras registradas em Lucas que Paulo pode afirmar: “Eu recebi do Senhor”. Com isso Paulo não está dizendo que tenha recebido tal instrução diretamente do Senhor, mas que Jesus é, em última instância, a fonte daquela tradição. É muito provável como defende I. Howard Marshal[1], que Paulo tenha recebido essa tradição na Igreja em Antioquia que havia sido fundada por discípulos vindos de Jerusalém, e onde o próprio Paulo trabalhou por alguns anos. Outro aspecto que certamente está envolvido nessa afirmação de Paulo é que, o agora ressuscitado e exaltado Jesus continua sendo o responsável último, por meio do Espírito Santo, pela transmissão dessa tradição dentro da igreja. Dessa maneira, as refeições praticadas pelos coríntios, não eram verdadeiras celebrações da Ceia do Senhor, porque as mesmas não refletiam nem proclamavam o verdadeiro significado daquele evento, como o mesmo havia sido ensinado pelo próprio Senhor. Independente desse fato, ainda precisamos entender o verdadeiro significado das palavras de Jesus, quando ele disse: “fazei isso em memória de mim”. A santa Ceia que os cristãos celebram é de fato uma continuação da última ceia que Jesus fez com seus discípulos que, no caso deles, era a celebração da páscoa judaica.

Durante a celebração da ceia, Jesus reinterpretou o valor simbólico do pão e do vinho, de modo que os mesmos passaram a representar seu sangue e seu corpo que, em breve, seria pregado e morto na cruz do Calvário. Durante aquela última refeição Jesus anunciou tanto o fato que seus discípulos o abandonariam como antecipou a traição de Judas. Uma das características mais marcantes das palavras usadas por Jesus durante a instituição da Ceia do Senhor, como foram depois incorporadas pela liturgia da igreja primitiva, é o contexto singular que foi transmitido juntamente com as mesmas, i.e., “na noite em que foi traído”. É essa pequena frase que supre o contexto em que tais palavras foram proferidas. Paulo é o único a usar essa expressão e não podemos ter certeza se as mesmas já pertenciam à tradição litúrgica ou se Paulo recebeu as mesmas como revelação.

A expressão grega παρεδίδετο paradídeto — traduzida por “traído” é bastante ambígua, na língua grega, já que significa:

1) entregar nas mãos (de outro).

2) tranferir para a (própria) esfera de poder ou uso: 2a) entregar a alguém algo para guardar, usar, cuidar, lidar; 2b) entregar alguém à custódia, para ser julgado, condenado, punido, açoitado, atormentado, entregue à morte; 2c) entregar por traição.

2c1) fazer com que alguém seja levado por traição; 2c2) entregar alguém para ser ensinado, moldado.
3) confiar, recomendar.[2]

Mas, creio que nesse caso específico, Paulo está fazendo uma referência direta ao ato traiçoeiro de Judas, que teve como consequência direta a prisão, a condenação, a crucificação e a morte de Jesus. Dessa forma, os cristãos primitivos eram constantemente lembrados que mesmo que o Senhor Jesus tenha sido crucificado por ordem e poder do império romano, ele foi, em última instância, traído por alguém que pertencia ao seu grupo mais próximo de discípulos. Tudo isso deve nos servir como uma forte lembrança que essa é a mesa onde podemos experimentar, de modo sempre renovado, o perdão e a verdadeira vida.

A refeição tradicional judaica tinha início quando o pai da família proferia uma bênção costumeira sobre o pão, partindo-o em seguida e oferecendo um pedaço a cada um que estivesse, junto com ele, ao redor da mesa. Jesus, como o “mestre” certamente tinha esse mesmo papel nas refeições comunitárias com seus discípulos. Durante a celebração da Páscoa a bênção e o compartilhar do pão aconteceram durante a própria refeição pascal, logo após algum ato litúrgico de celebração da mesma. Isso era algo fora dos padrões, já que na celebração da Páscoa não deveria existir nenhum pão feito com fermento, como eram os pães do dia a dia —

Marcos 14:18

Quando estavam à mesa e comiam, disse Jesus: Em verdade vos digo que um dentre vós, o que come comigo, me trairá.

Lucas 22:17—19

17 E, tomando um cálice, havendo dado graças, disse: Recebei e reparti entre vós;

18 pois vos digo que, de agora em diante, não mais beberei do fruto da videira, até que venha o reino de Deus.

19 E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim.

Mas tal ato inusitado recebe uma explicação conforme mencionamos acima. Dessa forma, o ato de Jesus tomar um pão com fermento, abençoá-lo e parti-lo durante a celebração da Páscoa, parece seguir o rumo natural dos acontecimentos. Seu ato, fora dos padrões precisava ser interpretado e é isso mesmo que Jesus faz comparando o pão e o vinho com os elementos da sua morte.

A expressão: “Isto é o meu corpo, que é dado por vós” deve ser analisado com todo cuidado, porque a mesma foi transformada em muitas coisas através dos séculos.

1. A identificação do pão com o corpo de Cristo é um semitismo em sua forma mais absoluta.
Semitismos semelhantes podem ser encontrados em:

1 Coríntios 10:4 — “a pedra era Cristo”

Gálatas 4:25 — “Agar é o monte Sinai, na Arábia”.

Como em todas as identificações desse tipo, o que Jesus quer dizer é: “esse pão significa ou representa meu corpo”. Agora, é importante que deixemos bem claro, que estava além da intenção de Jesus, bem como da compreensão dos apóstolos, qualquer ideia que pudesse ser imaginada no sentido que alguma mudança, independente do tipo, mudança essa real ou intencionada, aconteceria com aquele pedaço de pão. O pão era pão antes de ser partido e repartido e continuou como pão depois de ser consumido. A visão que passou a enxergar algum tipo de transformação no pão, só poderia acontecer em estágios futuros da vida da Igreja, quando ideias semíticas foram alteradas e substituídas por ideias gregas.

2. O uso da expressão σῶμα sôma — corpo, produziu discussões consideráveis.

Será que Jesus queria dizer “ele mesmo”, em sua essência, ou estava se referindo à Sua própria carne? O mais provável é que Jesus não tinha a intenção de indicar nem uma coisa nem outra, mas apenas uma referência ao seu próprio corpo, que em breve seria entregue para ser sacrificado pelos pecados do mundo. Se existe algum tipo de analogia aqui, então a mesma tem tudo a ver com o cordeiro do sacrifício, cuja carcaça era colocada sobre o altar para ser queimada, após o mesmo ter sido sangrado de forma completa — ver a afirmação de João Batista em

João 1:29

No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!

É dessa maneira também que Deus espera que consagremos nossos corpos a Ele conforme

Romanos 12:1

Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.

3. A expressão “que é dado por vós” é única na versão de Paulo e Lucas nesse exato momento da narrativa, não sendo mencionada nem por Mateus nem por Marcos.

Se a mesma pertencia à frase original proferida por Jesus, tem sido objeto de grandes debates. Estudiosos se dividem entre os que negam tal possibilidade de forma terminante, até os que a sustentam com todas as forças, com muitos assumindo uma posição de completa indecisão. De qualquer forma que seja, a mesma une o pão e o cálice, e faz com que os mesmos se tornem uma referência à morte de Jesus. As palavras “por vós” são uma adaptação da linguagem que encontramos em Isaías 53:12 onde lemos que o Servo Sofredor do ETERNO “levou sobre si o pecado de muitos”. Dessa maneira, esse ato de Jesus representava para Ele mesmo um ato profético simbólico, por meio da qual Ele antecipa Sua morte interpretando-a à luz de Isaías 53, como algo feito a favor de outras pessoas. Ao oferecer aos seus discípulos a oportunidade de compartilharem de “seu corpo” dessa maneira, Jesus os convidou a participarem no significado e nos benefícios de sua morte.

4. Podemos afirmar, com uma pequena chance de estarmos errados, que foi dessa maneira que o apóstolo entendeu a frase de Jesus “que é dado por vós”.

Dizemos isso, pois todas as vezes que Paulo usa essa preposição, com referência a Cristo, sua intenção é fazer ou uma referência a Cristo no sentido de Sua expiação a nosso favor, por meio de Sua morte —

Romanos 5:6—8

6 Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios.

7 Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer.

8 Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.

1 Coríntios, 15:3

Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras.

ou de sua morte como nosso substituto, i.e., “em nosso lugar” —

2 Coríntios 5:21

Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.

Gálatas 3:13

Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro).

Dessa maneira, podemos concluir que para Paulo, as palavras de Jesus acerca do pão representar Seu corpo, fazem uma referência direta ao fato desse mesmo corpo estar sendo entregue à morte “a favor/ou em lugar daqueles que agora se encontram participando de sua mesa”. Paulo é fiel em repetir as próprias palavras instituídas pelo próprio Cristo. A frase acerca do pão irá receber plena atenção no verso 29, como ele já havia feito em 1 Coríntios 10:16—17.

Outra coisa que também é exclusiva do “partir o pão” como registrado por Lucas e Paulo é o mandamento de repetir aquela ação: “fazei isso em memória de mim”. A ausência de tal frase em Mateus e Marcos tem levantando dúvidas quanto à sua autenticidade. Mas a história da própria Igreja Cristã vem ao nosso socorro, pois logo no seu início — depois da ressurreição do Senhor e da vinda do Espírito Santo — ela começou a ensinar que a morte de Jesus foi “a nosso favor” ou “por nós”. Além do mais, como dizem alguns comentaristas, tais palavras talvez foram omitidas de Marcos — o primeiro Evangelho a ser escrito — porque tal mandamento estava implícito na continuação da celebração da Ceia do Senhor em si mesma.

A frase “em memória de mim” tem sido vista como um paralelo de ideias helenísticas de refeições pagãs comemorativas em homenagem a algum morto. As dificuldades com tal posição são as seguintes:

1. A refeição de Jesus com seus discípulos precisa ser entendida à luz de refeições judaicas, especialmente da Páscoa, e não ser comparada com qualquer refeição pagã.

2. A refeição em honra a Jesus não é realizada para homenagear um herói morto, mas sim para um Senhor ressuscitado e vivo, por meio de quem — da sua morte — a salvação é oferecida a todos e recebida por aqueles que exercitam fé na Sua pessoa.

Todavia, a questão mais importante envolvendo a expressão “em memória de mim”, especialmente diante do uso que os judeus fazem da mesma, é a natureza da própria expressão em si mesma. A questão é dupla. Ela faz uma referência a Deus no sentido de que a mesma ajuda o Senhor a se lembrar de nós e nos alcançar com suas tenras misericórdias? Ou a mesma faz uma referência aos seres humanos, que devem lembrar-se de Jesus e, junto com isso, de todas as tenras misericórdias do Senhor a nosso favor? É certo que a leitura a que estamos acostumados aponta sempre para nós, os seres humanos, mas a questão não é tão simples assim e isso, por três motivos:

1. No judaísmo existe uma dimensão bastante ampla do uso dessa expressão.

2. A intenção do próprio Jesus à luz do contexto judaico da mesma.

3. A palavra grega ἀνάμνησιν anáminesin — lembrança ou lembrete, ocorre apenas 5 vezes na LXX — Levítico 24:7; Números 10:10; Salmos 37, no título; Salmos 69 no título e Sabedoria 16:6 — mas a expressão cognata mnemosynon — memorial, algo feito para despertar a lembrança de alguém, ocorre inúmeras vezes, como acontece também com o verbo “lembrar”. No Antigo Testamento existem vários e fortes exemplos em que essas expressões são usadas para fazer referência tanto a Deus como aos seres humanos, No entanto, só podemos dizer que a mesma é feita com respeito a Deus, quando isso está declarado de forma explícita.

No Antigo Testamento “em memória” ou “como lembrança” raramente expressam o sentido que temos em português, de uma simples atividade mental. É normal que “lembrança” e “atividade” — não mental — andem juntas. Deus, por exemplo, se “lembra” e “visita”, ou “perdoa”, ou “não se esquece dos pecados” — ver Gênesis 8:1; 19:29; 30:22; Êxodo 2:24—25; Salmos 98:3; Apocalipse 16:19.

Da mesma maneira, Israel precisa relembrar certas coisas levantando memoriais ou repetindo certas atividades — ver Êxodo 13:7—10; Josué 4:4—7. Das diversas possibilidades que o Antigo Testamento levanta, a mais óbvia é a da Páscoa e a da Festa dos Pães sem Fermento onde a mesma é mencionada, especificamente, como um sinal e um memorial diante dos olhos dos judeus. Assim, como a Páscoa servia como um memorial da libertação da vida de escravidão no Egito, assim também a celebração da Ceia do Senhor deveria servir de memorial para o verdadeiro Israel, que se reúne ao redor da mesa, em Seu nome, para “relembrar” sua própria libertação da condenação e do poder do pecado — Romanos 6:17—23. Esse é o motivo porque Jesus diz “em memória de mim” Mas devemos participar da Ceia do Senhor não apenas como alguém que participa de algo que precisa ser lembrado, mas precisamos tomar e comer do pão e tomar e beber do cálice, como um verdadeiro memorial da salvação que Jesus nos proporciona por meio de sua amarga morte na cruz e de sua gloriosa ressurreição.

Isso, faz perfeito sentido com as palavras de conclusão de Paulo como as encontramos registradas em

1 Coríntios 11:26

Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha.

Essas palavras devem sempre nos lembrar de “lembrar” de tudo o que Jesus fez por nós e como é duradoura sua obra através dos séculos e por toda a eternidade. A libertação da condenação e do poder do pecado — REDENÇÃO — que Jesus alcançou a nosso favor não é apenas para o tempo, mas sim para toda a eternidade —

Hebreus 9:12

Não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção.
Afinal de contas, essa deve mesmo ser a intenção maior do apóstolo já que as refeições de “amor” dos coríntios haviam se transformado em um grande fiasco e motivo de vergonha para eles e de condenação por parte de Paulo. Naquilo que deveria ser uma celebração do ato de compartilhar a própria vida — como Jesus fez — os coríntios ricos traziam para essas festas comida abundante, mas a mesma não era compartilhada com os irmãos pobres que podiam trazer pouco ou quase nada mesmo. Assim, enquanto uns se exercitavam na glutonaria, outros passavam fome em uma reunião chamada de “reunião de amor” dentro da própria igreja. Que vergonha!

CONTINUA...

OUTROS ESTUDOS ACERCA DE JOSÉ COMO TIPO DE CRISTO

Estudo 001 — José como Tipo De Cristo — Introdução

Estudo 002 — José como Tipo De Cristo — A Infância de José

Estudo 003 — José como Tipo De Cristo — Os Irmãos e Os Nomes de José

Estudo 004 — José como Tipo De Cristo — José Como Pastor dos Seus Irmãos

Estudo 005 — José com Tipo De Cristo — José Como o Filho Amado de Seu Pai

Estudo 006 — José com Tipo De Cristo — Jesus, o Filho e Deus Pai

Estudo 007 — José com Tipo De Cristo — José e a Túnica Talar de Distinção

Estudo 008 — José com Tipo De Cristo — O Ódio que os Irmãos de José Tinham Dele

Estudo 009 — José com Tipo De Cristo — José era Odiado por Causa de Suas Palavras

Estudo 010 — José com Tipo De Cristo — José Estava Destinado a Um Futuro Extraordinário

Estudo 011 — José com Tipo De Cristo — José Antecipa Sua Glória Futura

Estudos 012 e 013 — José como Tipo de Cristo — José Sofre nas Mãos de Seus Irmãos e Vai a Busca Deles a Pedido de Jacó

Estudos 014 e 015 — José como Tipo de Cristo — José Busca Fazer o Bem a Seus Irmãos, e É Enviado De Hebrom Para a Região de Siquém

Estudo 016 — José como Tipo de Cristo — José Vai Até a Região de Siquém

Estudos 017 e 018 — José como Tipo de Cristo — José se Torna um Viajante Errante Nos Campos e Campinas da Palestina

Estudos 019 — José como Tipo de Cristo — A Conspiração contra José

Estudos 020 — José como Tipo de Cristo — As palavras de José são Desacreditadas

Estudos 021 e 022 — José como Tipo de Cristo — José é Insultado e Humilhado e José é Lançado num Poço

Estudos 023 e 024 — José como Tipo de Cristo — José é Retirado Vivo do Poço e Os Irmãos de José Misturam Ódio com Hipocrisia

Estudos 025 e 026A — José como Tipo de Cristo — José é Vendido por Seus Irmãos e o Sangue de José é Derramado
Estudos 026B — José como Tipo de Cristo — O Futuro de Israel Profetizado em Gênesis 38

Estudos 027 e 028 — José se Torna um Servo — Jose se Torna Próspero

Estudos 029 — O Senhor de José Estava Muito Feliz com Ele

Estudos 030 — José Como Servo Foi Uma Bênção Para os Outros

Estudos 031 — José Era Uma  Pessoa Consagrada aos Outros

Estudos 032 — José Foi Duramente Tentado, Mas Resistiu à Tentação

Estudos 033 — José Foi Acusado Falsamente

Estudos 034 — José Não Tentou Se Defender das Falsas Acusações

Estudos 035 — José Sofreu nas Mãos dos Gentios

Estudo 036 e 37 — José Ganha o Reconhecimento do Carcereiro e José Foi Numerado com outros Transgressores.

Estudo 038 — José Como Instrumento de Bênção e de Condenação.

Estudo 039 — José Dá Evidências De Seu Conhecimento Quanto Ao Futuro.

Estudo 040 — As Predições de Jose se Tornam Realidades.

Estudo 041A — José Gostaria de Ser Lembrado
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/05/jose-como-tipo-de-cristo-estudos-041a.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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[1] Marshall, I. Howard.  Last Supper and Lord´s Supper. William B. Eerdmans Publishing Company, Grand Rapids, 1980.
[2]Strong, J., e Sociedade Bíblica do Brasil. Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong. Sociedade Bíblica do Brasil, Barueri, 2002—2005.

terça-feira, 24 de maio de 2016

EFÉSIOS 4:1—3 - SERMÃO 024 – A UNIDADE DA IGREJA


Esse esboço de sermão é parte da série "Exposição da Epístola aos Efésios" e é muito recomendável que o leitor procure conhecer todos os aspectos das verdades contidas nessa exposição, com aplicações para os nossos dias. No final do artigo você encontrará um link para outros estudos dessa série.

EXPOSIÇÃO DA EPÍSTOLA DE PAULO AOS EFÉSIOS


Introdução.

A. Nos três primeiros capítulos de Efésios Paulo descreveu os atos de Deus na história relacionados com a nossa salvação. Paulo falou acerca:

1. Da nossa eleição em Cristo antes da fundação do mundo.

2. Da nossa adoção para sermos membros da família de Deus.

3. Da nossa redenção ou libertação tanto da condenação como do poder do pecado.

4. Do perdão de todos os nossos pecados.

5. De termos sido selados com o Espírito Santo e de recebermos este mesmo Espírito como penhor ou garantia da nossa salvação eterna.

6. De como Deus, sendo rico em misericórdias, nos amou e nos salvou exclusivamente pela graça mediante a fé.

7. Do fato de que Jesus derrubou todas as paredes que causavam separação entre os homens e entre eles e Deus.

8. Da Igreja como uma nova sociedade idealizada por Deus, desenvolvida pelo Senhor Jesus e implementada pelo poder do Espírito Santo.

9. De que é necessário crescer na vida de fé até que sejamos tomados por toda a plenitude de Deus = sejamos iguais ao Senhor Jesus Cristo.

B. Agora, a partir do capítulo 4, Paulo vai falar acerca da nossa responsabilidade diante de tudo o que Deus fez. Dos novos padrões de comportamento compatíveis com a nova sociedade que Deus criou.

C. Os três últimos capítulos de Efésios estão repletos de mandamento diretos e implicações concretas para nossas vidas diárias.

D. A primeira e mais importante implicação para a vida de qualquer comunidade é:

A UNIDADE DA IGREJA

I. A Unidade é Fruto da Ação de Deus e não do Esforço Humano – Efésios 4:3.

A. Existem no Novo Testamento inúmeras passagens que nos ensinam acerca da unidade fundamental que existe na ἐκκλησία ekklissia. Esta unidade é tanto dos crentes individualmente com o Senhor Jesus, como uns com os outros.

1 Coríntios 12:12

Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo.

O corpo é corpo somente quando reconhece esta unidade!

Efésios 5:23

Porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo.

Apesar desta verdade alguns irmãos acham que eles é que são a cabeça da igreja!

B. Como é que alguém se torna parte da igreja que é o corpo de Cristo?

1 Coríntios 12:13 tem a resposta:

Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito.

Os cristãos constituem uma unidade porque a salvação através de Jesus Cristo é o ponto inicial da unidade.

C. O que é o Batismo com o Espírito Santo? É sermos colocados pelo Espírito Santo no Corpo de Cristo que é a igreja. Mas não fomos somente colocados pelo Espírito Santo no corpo de Cristo. A cada uma de nós, que cremos em Jesus, também nos foi concedidobeber de um só Espírito”. Isto é uma metáfora para indicar que o Espírito Santo veio habitar dentro de cada um de nós que cremos em Jesus. Cada crente e todo crente é habitado pelo Espírito de Deus e é parte da unidade que o Espírito Santo forma no corpo de Cristo que é a igreja —

Romanos 8:9

Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se, de fato, o Espírito de Deus habita em vós. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.

Efésios 4:3

Esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz.

Além disto, todo e cada crente foi ungido por Deus com o Espírito Santo e recebeu o Espírito Santo como selo e penhor  — garantia

2 Coríntios 1:21—22

21 Mas aquele que nos confirma convosco em Cristo e nos ungiu é Deus,

22 que também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração.

Não existem super crentes! Cada crente precisa se consagrar completamente a Jesus Cristo e se deixar absorver integralmente pelo ministério do Espírito Santo.

D. A unidade da igreja não está baseada, portanto, em relacionamentos artificiais nem organizacionais. Apesar dessas verdades, ainda assim existem pessoas que preferem se separar, “formar panelas” com outras pessoas que pensam e agem da mesma maneira. A dicotomia que existe de forma tão evidente entre o “povão” no dizer de um pastor presbiteriano da nossa cidade e os “ministros”, entre o “nós e o eles” é tão escandalosa que deveria nos fazer corar de vergonha o só pensarmos em promover tamanha iniquidade. Somos um no Senhor e nenhum crente possui absolutamente nada em que ele possa se gloriar ou usar para se mostrar arrogante com relação a outros crentes!

E. É por esses motivos que devemos esforçar-nos diligentemente por “PRESERVAR” e não por “CRIAR” a unidade do Espírito no vínculo da paz.

II. O Chamado que Recebemos de Deus — Efésios 4:1.

A. Como cristãos nós fomos chamados por Deus mesmo para participar de Sua família e do Seu povo. Como tal nós precisamos andar — viver no dia a dia — de modo digno do chamado que recebemos.

1. Em primeiro lugar devemos viver em unidade. Como uma família. Ver Efésios 4:16.

2. Em segundo lugar devemos viver em santidade. Ver Efésios 4:17—5:21.

III. Elementos Imprescindíveis à Unidade Cristã — Efésios 4:2.

A. De acordo com o apóstolo Paulo existem quatro características que precisam ser cultivadas entre os cristãos se queremos preservar a unidade que o Espírito Santo nos concede: humildade, mansidão, longanimidade, suportar uns aos outros.

B. Todas estas características precisam ser cultivadas em amor. A unidade da igreja depende do caráter moral dos seus membros e não das estruturas organizacionais.

C. Vamos analisar estas características:

1. Em primeiro lugar Paulo fala que precisamos de ταπεινοφροσύνης tapeinofrosúnis — humildade: Esta atitude não era reconhecida como louvável nos dias do Novo Testamento e da Igreja Primitiva. Pelo contrário, era vista como uma atitude servil e abjeta. Foi somente com o advento de Jesus que a humildade passou a ser reconhecida pelo seu verdadeiro valor. O próprio Senhor se caracterizou como sendo humilde —

Mateus 11:29

Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma.

E Jesus foi o único entre os mestres éticos e religiosos do mundo inteiro a estabelecer, como modelo a ser seguido, uma criança —

Mateus 18:1—6

1 Naquela hora, aproximaram-se de Jesus os discípulos, perguntando: Quem é, porventura, o maior no reino dos céus?

2 E Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles.

3 E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus.

4 Portanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus.

5 E quem receber uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me recebe.

6 Qualquer, porém, que fizer tropeçar a um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse afogado na profundeza do mar.

2. Ser humilde significa reconhecer o valor que existe nas outras pessoas e indica a necessidade que temos de nos tornar servos uns dos outros como o fez Jesus —

Marcos 10:45

Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.

3. O oposto da humildade é o orgulho que é fruto da nossa vaidade pessoal. Somos todos filhos de Deus. Todos estamos numa mesma posição: em Cristo. Não existe nenhum espaço para ninguém se achar melhor que outro na igreja que é o Corpo do Senhor. O primeiro fator de desunião entre os cristão é o orgulho que se esconde no mais profundo do nosso ser e precisa ser duramente confrontado dia a dia.

4. A segunda característica é πραΰτητος praútetos — mansidão. Aristóteles reconhecia esta como uma verdadeira qualidade, pois ela significava o meio termo entre ficar muito irado e nunca ficar irado.

5. Humildade e mansidão formam um para perfeito — ver Mateus 11:29 acima. Da mesma maneira que o homem humilde não está preocupado com seus méritos, o homem manso, por sua vez, não está preocupado com seus direitos. Não existe no meio do povo de Deus nenhum espaço para que alguém sinta que possui mais direitos que as outras pessoas.

6. O oposto da mansidão é a arrogância que faz com que nos julguemos a nós mesmos além do que convém. Essa arrogância é também responsável por fomentar a desunião entre o povo de Deus.

7. As outras duas próximas qualidades μακροθυμίας makrothumías — longanimidade e ἀνεχόμενοι ἀλλήλων anechómenoi allélon — suportando-vos uns aos outros, também andam de mão dadas. Essa palavras nos falam da necessidade que temos de suportar os agravos que nos são feitos, sem retaliar —

1 Timóteo 1:16

Mas, por esta mesma razão, me foi concedida misericórdia, para que, em mim, o principal, evidenciasse Jesus Cristo a sua completa longanimidade, e servisse eu de modelo a quantos hão de crer nele para a vida eterna.

F. Elas também nos falam do exercício de tolerância, sem o qual, nenhum grupo humano – mesmo de 2 pessoas – pode sobreviver.

G. Todas as qualidades acima precisam estar firmemente amarradas pelo amor —

Colossenses 3:14

Acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição.

Conclusão:

A. A unidade que existe entre os cristãos é fruto da ação de Deus e não depende dos seres humanos para ser criada. Ela já existe! É nossa responsabilidade nos esforçar por preservar a unidade que o Espírito Santo de Deus nos concede.

B. O Senhor Jesus é nosso perfeito exemplo quando o assunto é humildade. Ele não somente disse que era humilde, mas viveu de forma prática e exemplar tal humildade:

Filipenses 2:3—8

3 Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo.

4 Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros.

5 Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,

6 pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus;

7 antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana,

8 a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.

C. Onde falta humildade, mansidão, longanimidade e uma atitude de aceitação de uns para com os outros sobram estruturas organizacionais gigantescas que servem apenas para nos devorar e nos destruir.

D. Que o amor, possa ser o norteador das nossas vidas à medida que nos esforçamos por preservar a unidade que Deus nos concede como mais um presente da sua graça superabundante. O amor como nos ensina a Bíblia é:

1 Coríntios 13:4—8

O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará.

OUTRAS MENSAGENS DA SÉRIE NA EPÍSTOLA AOS EFÉSIOS

ALGUNS ASPECTOS DAS INSONDÁVEIS RIQUEZAS DE CRISTO COMO APRESENTADAS EM EFÉSIOS

EFÉSIOS 1:1—2 — SERMÃO 001 — INTRODUÇÃO À EPÍSTOLA AOS EFÉSIOS

EFÉSIOS 1:3—14 — SERMÃO 002 — TODA SORTE DE BÊNÇÃO ESPIRITUAL

EFÉSIOS 1:4—6 — SERMÃO 003 —A BÊNÇÃO DA NOSSA ELEIÇÃO POR DEUS

EFÉSIOS 1:7—8 — SERMÃO 004 —A BÊNÇÃO DA NOSSA REDENÇÃO

EFÉSIOS 1:9—10 — SERMÃO 005 —A BÊNÇÃO DA UNIFICAÇÃODE TODAS AS COISAS EM CRISTO

EFÉSIOS 1:11—14 — SERMÃO 006 — A BÊNÇÃO DE DEUS EM PERSPECTIVA

EFÉSIOS 1:15—16— SERMÃO OO7 — A IMPORTÂNCIA DA FÉ E DO AMOR

EFÉSIOS 1:16—17 — SERMÃO OO8 — A IMPORTÂNCIA DO ESPÍRITO SANTO EM NOSSAS VIDAS

EFÉSIOS 1:18—21 — SERMÃO OO9 — A ESPERANÇA DO SEU CHAMAMENTO EM NOSSAS VIDAS

EFÉSIOS 1:18—21 — SERMÃO O10 — A RIQUEZA DA GLÓRIA DA SUA HERANÇA NOS SANTOS

EFÉSIOS 1:18—21 — SERMÃO O11 — A SUPREMA RIQUEZA DO SEU PODER

EFÉSIOS 1:22—23 — SERMÃO O12 — A IGREJA E CRISTO COMO PLENITUDE

EFÉSIOS 2:1—3 — SERMÃO O13 — A CONDIÇÃO DO SER HUMANO SEM DEUS

EFÉSIOS 2:4—10 — SERMÃO 014 —  A CONDIÇÃO HUMANA  PELA GRAÇA DE DEUS

O QUE DEUS FEZ POR NÓS — SALVAÇÃO

PARA O QUE DEUS NOS SALVOU?

EFÉSIOS 2:11—12 — SERMÃO 015 — NOSSA PRECÁRIA CONDIÇÃO ANTES DE CRISTO VIR AO MUNDO

A VERDADEIRA CIRCUNCISÃO E O VERDADEIRO BATISMO

EFÉSIOS 2:13—18 — SERMÃO 016 — NOSSA NOVA CONDIÇÃO “EM CRISTO”

EFÉSIOS 2:19—22 — SERMÃO 017 — A IGREJA COMO CIDADÃOS, FAMÍLIA E TEMPLO

EFÉSIOS 3:1—7 — SERMÃO 018 — A REVELAÇÃO DO MISTÉRIO DE DEUS

EFÉSIOS 3:8—13 — SERMÃO 019 — PAULO COMO INSTRUMENTO DE DEUS

EFÉSIOS 3:1—13 — SERMÃO 020 — A RELEVÂNCIA DA IGREJA

EFÉSIOS 3:14—21 — SERMÃO 021 — A PATERNIDADE DE DEUS AO QUAL ORAMOS

EFÉSIOS 3:14—21 — SERMÃO 022 — A ORAÇÃO DE PAULO A FAVOR DOS EFÉSIOS

EFÉSIOS 3:14—21 — SERMÃO 023 — A GLÓRIA DEVIDA A DEUS

EFÉSIOS 4:1—3 — SERMÃO 024 — A UNIDADE DA IGREJA

Que Deus Abençoe a Todos

Alexandros Meimaridis 

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Desde já agradecemos a todos.