domingo, 24 de julho de 2016

ESTUDOS PARA CASAIS - ESTUDO 039 — DO QUE HOMENS E MULHERES NECESSITAM


A. DO QUE OS HOMENS PRECISAM

1. Uma das diferenças fundamentais entre homens e mulheres diz respeito às suas maiores necessidades. Um dos erros mais comuns que as pessoas cometem é pensarem que homens e mulheres precisam das mesmas coisas para ser felizes e sentirem-se realizados. Esse é um grave engano que, muitas vezes, pode custar até mesmo a manutenção do casamento.

2. Para os homens existem três coisas que são fundamentais e que precisam ser afirmadas e reafirmadas por suas esposas. Elas são coisas simples, mas devemos deixar claro que apesar disso, as mesmas não são fáceis de serem colocadas em prática. Os homens precisam saber, acima de qualquer possibilidade de dúvida, que:
a. São respeitados. Por isso estamos dizendo que o homem precisa saber que tem o respeito de sua esposa em todas as coisas. E mesmo quando não houver concordância plena em alguma coisa, a esposa precisa manifestar que, ainda assim, continua respeitando seu marido como cabeça do relacionamento.
b. São necessários. As mulheres devem entender que não custa muito dizer para seu marido que ela precisa dele. Nos dias de tanta ênfase feminista e duma promoção da independência total da mulher, elas acham realmente muito difícil afirmar que seus maridos são necessários e que elas precisam deles. A postura mundana dos nossos dias é que a mulher deve dizer que não precisa do marido para absolutamente nada. Mas isso é um grande equívoco, uma vez que ela foi criada do próprio homem para ser uma auxiliadora idônea. O abandono dessa convicção em troca duma falsa independência se traduz em grande dor e desapontamento para o casal.
c. Precisam ser satisfeitos. Ao contrário das mulheres, os homens precisam de muito pouco para sentirem-se satisfeitos. Uma palavra carinhosa, um olhar, um gesto ou um simples toque transmitem para o homem a certeza que ele procura em sua companheira. Um sorriso espontâneo, um piscar de olhos de cumplicidade e outras pequenas coisas devem fazer parte do dia a dia de toda mulher que deseja satisfazer seu esposo.

Colocar em prática essas três coisas irá, certamente, produzir o marido que você espera ter.

B. DO QUE AS MULHERES PRECISAM

1. O que as mulheres desejam ou esperam, acima de tudo em seus relacionamentos com seus maridos? Estudo e pesquisas têm revelado que as três coisas que as mulheres mais procuram, para sentirem-se realizadas como pessoas, são?

a. Afeição. Mulheres são movidas a afeição. Essa pode ser oferecida por meio de palavras, de atenção ao que elas querem dizer, pelo toque gentil e por uma gama infinita de atitudes que apenas pessoas que são cúmplices e se completam, conhecem.

b. Comunicação aberta e honesta. Mulheres odeiam serem enganadas. A mentira é mais destruidora do que muitas outras atitudes adotadas pelo homem. Mulheres gostam de honestidade, ainda que a mesma provoque alguns pequenos dissabores. Falar e ouvir de modo atencioso e franco é algo que satisfaz mais a cabeça duma mulher do que muitas bobagens, geralmente imaginadas pelos homens. A comunicação é como uma graxa que vai lubrificando todas as roldanas e as engrenagens do relacionamento. Ela é a grande responsável pela manutenção do entendimento e da paz no lar. Quanto maior ou mais profundo for o nível de comunicação, maior será a integração entre os parceiros. Maior será a harmonia e o desejo de ampliar as experiências comuns.

c. Comprometimento com a família. Essa é uma condição especial quando existem filhos como fruto do relacionamento. A estrutura padrão em nossos dias é a mulher, quando não está ocupada com outros afazeres, tocar a vida dos filhos: médicos, dentistas, jogos, apresentações na escola, festinhas de aniversário e etc. As mulheres anseiam por uma maior participação dos seus parceiros em todas essas atividades. As mulheres sabem que, geralmente, um homem comprometido com a família tende a ser mais resistente às tentações da vida, que serão tanto mais intensas quanto mais dedicados forem para a família.

Como podemos ver, as necessidades dos homens e das mulheres são muito diferentes e, realmente, não vale à pena alimentarmos rixas quando somos tão diferentes. O que precisamos fazer é nos empenhar em procurar entender essas diferenças e nos concentrar em buscar satisfazer as mesmas. Sempre que existir verdadeiro empenho, também existirá o reconhecimento das partes que esse é o melhor dos mundos. Um casal equilibrado não sonha em encontrar outro parceiro ou parceira. Estou casado há 31 anos com minha esposa e, se tivesse ou até mesmo pudesse me casar outra vez, eu escolheria minha esposa tantas vezes quantas possíveis. E isso, porque ela tem cumprido as palavras que encontramos nas Escrituras Sagradas e que dizem:

Provérbios 18:22
O que acha uma esposa acha o bem e alcançou a benevolência do SENHOR.

Provérbios 19:14
A casa e os bens vêm como herança dos pais; mas do SENHOR, a esposa prudente.

ESTUDOS ANTERIORES SOBRE O RELACIONAMENTO A DOIS

000 – NÃO DEIXE SEU CASAMENTO NAUFRAGAR

001 – DIFERENÇAS ENTRE O HOMEM E A MULHER – PARTE 1

002 – DIFERENÇAS ENTRE O HOMEM E A MULHER – PARTE 2

003 – NECESSIDADES E PROBLEMAS DA MULHER – PARTE 1

004 – NECESSIDADES E PROBLEMAS DA MULHER – PARTE 2

005 — NECESSIDADES E PROBLEMAS DO HOMEM — Parte 1

006 — NECESSIDADES E PROBLEMAS DO HOMEM — Parte 2

007 — NECESSIDADES E PROBLEMAS DO HOMEM — Parte 3

008 — NECESSIDADES E PROBLEMAS DO HOMEM — Parte 4

009 — NECESSIDADES E PROBLEMAS DO HOMEM — Parte 5

010 — NECESSIDADES E PROBLEMAS DO HOMEM — Parte 6

011 — NECESSIDADES E PROBLEMAS DO HOMEM — Parte 7 — Final

012 — O HOMEM COM GUARDADOR E CULTIVADOR DO CASAMENTO

013 — ENTENDENDO A SUBMISSÃO DO PONTO DE VISTA BÍBLICO

014 — ENTENDENDO QUE HOMENS E MULHERES SÃO IGUAIS, MAS DIFERENTES

015 — SEGREDOS, SEGREDOS, SEGREDOS: O MAIOR DE TODOS ELES

016 — COMO OS MARIDOS MAGOAM AS ESPOSAS – PARTE 1

017 — COMO OS MARIDOS MAGOAM AS ESPOSAS – PARTE 2

018 — COMO SER A MULHER QUE DEUS DESEJA QUE VOCÊ SEJA — PARTE 1

019 — COMO SER A MULHER QUE DEUS DESEJA QUE VOCÊ SEJA — PARTE 2

020 — COMO AMAR SUA MULHER DO JEITO QUE ELA GOSTARIA DE SER AMADA — Parte 1

021 — COMO AMAR SUA MULHER DO JEITO QUE ELA GOSTARIA DE SER AMADA — Parte 2

022 — COMO AMAR SUA MULHER DO JEITO QUE ELA GOSTARIA DE SER AMADA — Parte 3

023 — CONFLITOS QUE PREJUDICAM O CASAMENTO — PARTE 001 — O CIÚME

024 — CONFLITOS QUE PREJUDICAM O CASAMENTO — PARTE 002 – AS MULHERES E O RELACIONAMENTO COM SEUS PAIS

025 — CONFLITOS QUE PREJUDICAM O CASAMENTO — PARTE 003 – ELEVANDO NOSSO GRAU DE TOLERÂNCIA

026 — CONFLITOS QUE PREJUDICAM O CASAMENTO — PARTE 004 – CUIDANDO DAS NECESSIDADES DO OUTRO PARA EVITAR O DIVÓRCIO

027 — A INCOMPATIBILIDADE NO CASAMENTO PARTE 001 — LIDANDO COM O CÚME

028 — A INCOMPATIBILIDADE NO CASAMENTO PARTE 002

029 — A INCOMPATIBILIDADE NO CASAMENTO PARTE 003

030 — A INCOMPATIBILIDADE NO CASAMENTO PARTE 004

031 — A INCOMPATIBILIDADE NO CASAMENTO PARTE 005

032 — SEXUALIDADE HUMANA: FATORES QUE NÃO PODEMOS ESQUECER — PARTE 001

033 — SEXUALIDADE HUMANA: FATORES QUE NÃO PODEMOS ESQUECER — PARTE 002

034 — SEXUALIDADE HUMANA: FATORES QUE NÃO PODEMOS ESQUECER — PARTE 003

035 — SEXUALIDADE HUMANA: FATORES QUE NÃO PODEMOS ESQUECER — PARTE 004

036 — SEXUALIDADE HUMANA: FATORES QUE NÃO PODEMOS ESQUECER — PARTE 004 — TRAZENDO CONVICÇÃO PARA UM CORAÇÃO ENDURECIDO

037 — SEXUALIDADE HUMANA: FATORES QUE NÃO PODEMOS ESQUECER — PARTE 005 — O MAL CAUSADO PELO ADULTÉRIO

038 — SEXUALIDADE HUMANA: FATORES QUE NÃO PODEMOS ESQUECER — PARTE 006 — A NECESSIDADE DE VERDADEIRO ARREPENDIMENTO EM CASOS DE ADULTÉRIO

039 — DIFERENÇAS FUNDAMENTAIS ENTRE AS NECESSIDADES DOS HOMENS E DAS MULHERES

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.          

sábado, 23 de julho de 2016

COMO A CANASTRICE DOMINOU A POLÍTICA

 

O artigo abaixo é de autoria do professor Wilson Roberto Vieira Ferreira

A canastrice dos sete dispositivos da propaganda
Wilson Roberto Vieira Ferreira

"Mera coincidência" (Wag The Dog, 1997)

Em 1940 um artigo denunciava os chamados “sete dispositivos da Propaganda” e exortava os leitores a detectá-los por ser uma necessidade absolutamente vital para não serem enganados. Setenta e três anos depois esses dispositivos continuam ativos apesar da absoluta obviedade, exagero, “overacting” e, principalmente, canastrice dos intérpretes desses verdadeiros scripts que são reeditados sob uma roupagem moderna e descolada por marqueteiros e publicitários. Como é possível que depois de tanto tempo esses dispositivos continuem na linguagem da mídia, da Política, do Marketing e da Publicidade? E, apesar da explícita natureza fake e não-espontânea desses dispositivos, continuam a pautar a sociedade e conquistar corações e mentes. Qual a causa dessa invasão da canastrice na política e na esfera pública?

Nesse final de semana um amigo mostrou-me um antigo exemplar de uma revista de artes gráficas norte-americana chamada “Print - A Quartely Journal of the Graphic Arts” de setembro de 1940. É muito mais do que uma revista, pois combina delícias visuais e belíssimas fotografias com textos pesados e com foco sério.

A revista abre com um ensaio intitulado “Propaganda e Artes Gráficas – a influência na opinião pública para a Unidade Nacional” de William E. Rudge. O texto nos oferece diversos exemplos de “mensagens positivas”, abordando como o design gráfico pode ser uma ferramenta para “condicionar o comportamento humano”. Rudge escreve: “é absolutamente vital distinguir, através da compreensão e análise, a boa e a má propaganda. Não se deixe enganar!”.


O mais notável é uma lista que o autor faz dos “Sete Dispositivos de Propaganda para os quais devemos estar atentos”.

“Print - A Quartely Journal of the Graphic Arts” de setembro de 1940

Os sete dispositivos descritos pelo autor parecem ser um tanto óbvios. Mas o incrível para mim é que, ainda em 2016, esses dispositivos clichês, exagerados, óbvios, saturados ou “overacting” (essa expressão inglesa parece ser a que melhor define-os) ainda são as principais ferramentas de engenharia de opinião pública. Vemos esses dispositivos o tempo todo sendo usados por políticos, relações públicas de empresas e “front groups”, reportagens em telejornais, discursos de porta-vozes de governos e peças publicitárias. A cada crise, eleições ou intervalos publicitários, lá encontramos esses mesmos dispositivos, reeditados em formatos modernos, descolados e antenados.

Por que tais dispositivos ainda continuam mobilizando pessoas, moldando a opinião pública e agendando a pauta de discussões das mídias e entre as pessoas? Como é possível que táticas tão caricatas, antigas e surradas ainda têm credibilidade e ressonância na sociedade?

Para tentar encontrar uma resposta, em primeiro lugar vamos enumerar e atualizar esses sete dispositivos explicados por Rudger.

1. Dispositivo de Estereotipagem


Incita as pessoas a criarem um julgamento sem examinar a evidência no qual o objeto possa estar baseado. Os propagandistas apelam para o nosso ódio e medo. Isso é feito ao aplicar “xingamentos” a indivíduos, grupos, nações, raças, políticas, práticas ou crenças. Em telejornais, qualquer show popular na periferia onde ocorreu um crime, chacina ou desordem é rotulado como “baile funk”. Qualquer culto afro-brasileiro é associado a “macumba”. “Terrorista”, “radicais”, xiitas ou “muçulmanos” são rótulos genéricos que dão nomes aos nossos temores mais irracionais. Suas fotografias são caricatas e exageradas – barbas mal aparadas, olhos esbugalhados ou ferinos, enfim, rostos de “maus”. A estereotipagem é evidente por si mesma, não são necessárias provas ou evidências. Por exemplo, em um “baile funk” só pode ocorrer coisas ruins. Ou pessoas com aquelas caras só podem ser terroristas.

2. Dispositivo das Generalidades Brilhantes




Propagandistas criam a identidade de um programa através de “palavras virtuosas”. Aqui se encontra o apelo a emoções como amor, generosidade e amizade. Usam-se palavras genéricas contra as quais ninguém pode se contra: liberdade, verdade, honra, justiça social, interesse público, direito ao trabalho, lealdade, progresso, democracia, defesa da Constituição etc. Se um artista como Bono Vox faz uma turnê com sua banda U2 pelo “fim da fome e da pobreza na África”, quem poderá se insurgir contra um desejo tão virtuoso? Afinal, Bono Vox está fazendo a “sua parte”. Essas palavras sugerem brilhantes desejos de “homens de boa vontade”. Mas, concretamente, o “como” realizar tais ideais é colocado entre parêntesis. Afinal, cada um faz “a sua parte”. Outra pessoa que ponha em prática. A tática da estereotipagem nos influencia a criar um julgamento para rejeitar e condenar sem provas. A tática das generalidades brilhantes nos faz aceitar e aprovar sem nenhum exame crítico dos possíveis meios para alcançar o ideal divulgado.

3. Dispositivo de Transferência


Propagandistas transferem algum tipo de autoridade, sanção ou prestígio de alguma coisa que nós respeitamos ou reverenciamos para algum programa que querem que aceitemos. Alguém se torna “presidente de honra” de uma empresa para que transfira seu prestígio ao novo presidente que o substituirá. Um jovem candidato é fotografado ao lado de uma lenda da política. Ou um cientista com pesquisas no exterior se deixa fotografar com a camisa aberta para que vejamos uma outra verde-amarela para conseguir a sanção nacionalista da opinião pública. Símbolos são constantemente usados: a cruz, a bandeira, combinações de cores etc.

4. Dispositivo do Testemunhal:


Aceitamos qualquer coisa, de uma patente médica ou um cigarro a um programa de política pública. O propagandista lança mão de testemunhos. Um recurso metomínico da parte substituir um todo. Um depoimento de um só médico, de uma só celebridade ou de um popular garante a aceitação do programa ou produto. A evidência está na visibilidade do testemunho. (Visibilidade x fama = Credibilidade). Essa fórmula resolve o problema lógico de um só exemplar representar a totalidade de um gênero.

5. Dispositivo da Pessoa Simples


O mito da “pessoa simples” é o dispositivo usado por líderes políticos, homens de negócios, ministros, cientistas ou celebridades para ganhar nossa confidencia e parecerem “pessoas como nós”. Candidatos mostram sua devoção com crianças no colo de potenciais eleitores; um emérito cientista torce por determinado time de futebol no twitter. À época da ascensão dos Nazistas ao poder nos anos 1930, a imprensa divulgava fotos de Hitler na sua vida privada ao lado de seus cães. Na revista “Life” Mussolini posava em uma foto com seus filhos e netos nessa mesma época.

6. Dispositivo das "Cartas Empilhadas"


Propagandistas contam uma única parte da verdade. Mas é como empilhasse cartas sobre a verdade, de tal maneira que um lado ou fator será mais enfatizado do que o outro. Dados estatísticos, gráficos e tabelas nada dizem, a não ser criar uma espiral de interpretações: números absolutos são tomados como verdade, esquecendo-se dos números relativos. A inflação caiu, mas por outro lado, podemos dizer que ela subiu, porém em um ritmo menor... Propagandas de pasta de dentes são hábeis em contar meias verdades: uma tem “flúor garde”; outra diz ser “antitártaro”, como qualidades únicas e exclusivas. Omitem que todas as pastas têm flúor e são antitártaros.

Uma variação desse dispositivo é o doublespeak (dupla fala) onde alterações de palavras podem alterar a resposta emocional do público. Por exemplo, a utilização do jargão pode contaminar a compreensão, obscurecendo o verdadeiro significado que seria passado com palavras diretas. A expressão “artilharia aérea” substitui a palavra “bomba”. “Defesa” é colocada no lugar de “Guerra”. Enchentes viram “pontos de alagamento” e quebras em composições de trem e metrô tornam-se “falhas pontuais no sistema”.

7. Dispositivo do “Carro de Propaganda”


Esse dispositivo nos faz seguir a multidão, aquilo que supostamente a maioria pensa e faz. Ou, pelo menos, o que a gente pensa que a maioria pensa e faz. O tema aqui é “todos estão fazendo isso”. Como ninguém quer ser deixado para trás por temer a solidão, exclusão ou esquecimento, queremos seguir a tendência majoritária. Está associado ao conceito de “Espiral do Silêncio” de Elizabeth Noelle-Neumann onde a criação de um “clima de opinião” pode isolar grupos discordantes até a extinção pela sua autopercepção do isolamento. “Havaianas: todo mundo usa!”. Poderíamos responder, “todo mundo quem, cara pálida!” O slogan quer criar o clima de opinião onde pessoas isoladas, temendo ficarem de fora da “onda”, embarquem em uma mera percepção psicológica sem fundamento real, o “carro da propaganda”. Claramente esse dispositivo baseia-se no medo de ficar excluído e no ódio daqueles que estejam fora do grupo, da massa, da maioria ou da nação.

A Canastrice na Propaganda

Lendo esses sete dispositivos de propaganda é nítido que eles se baseiam nos instintos mais básicos humanos: medo, ansiedade e sexo – este último latente no dispositivo do testemunhal onde sex appeal reforça a conexão retórica entre “celebridade” e causa, programa ou produto.

Mas apenas isso não explica a longevidade dessas táticas.
Há algo na estética de tudo isso que incomoda pela previsibilidade e canastrice dos atores que representam os scripts elaborados por publicitários, relações públicas e marqueteiros.

Em postagem anterior analisamos o filme “Mera Coincidência” (Wag The Dog, 1997) onde um presidente concorrendo à reeleição nos EUA é envolvido em um escândalo sexual. Com a ajuda de um produtor de Hollywood e um relações públicas cria uma guerra fictícia com a Albânia como estratégia de desvio da atenção. Um suposto vídeo real (na verdade produzido em estúdio) é exibido pelas emissoras de TV: vemos uma jovem albanesa com um gatinho branco nos braços fugindo de terroristas estupradores em meio ao fogo cruzado de bombas e incêndios. Tudo muito melodramático, “over”, kitsch, estereotipado e com o “appeal” e “look” semelhante às produções medianas de Hollywood e “sitcons” do horário nobre. Apesar disso, jornalistas e a opinião pública mordem a isca do suposto vídeo “vazado” como fosse um vídeo documental. 

Gerações de cultura pop visual moldaram nossa percepção do real

Fica a questão: como ninguém percebe a evidente natureza ficcional do vídeo, feito com recursos estéticos manjadíssimos do pior do cinema e TV? A opinião pública não percebe a natureza “fake” ou “forçada” destes pseudoeventos porque a própria estrutura de percepção do real já foi alterada anteriormente por décadas de cultura pop: tomar o real não a partir dele mesmo, mas a partir dos seus simulacros.

Depois de décadas de cultura pop visual nossa percepção para o real foi invertida pelo hiperrealismo das imagens: tomamos o real não mais por ele mesmo, mas a partir de imagens anteriormente feitas dele. Olhamos nossos filhos a partir das suas fotos e vídeos caseiros, vamos a pontos turísticos esperando que eles confirmem as fotos dos folders promocionais do pacote de viagem.

Se observarmos as fotos de momentos íntimos e afetivos postadas no Facebook perceberemos um grande número de imagens que reproduzem os clichês de composição visual dos filmes hollywoodianos – amantes se beijando tendo o sol poente em contraluz, namorados correndo para se abraçarem com o mar azul ao fundo etc.

Ou seja, toda a canastrice dos intérpretes desses dispositivos de propaganda e a obviedade dos scripts não são percebidos como fakes, forçados ou não espontâneos, pois a nossa percepção do real já está há muito tempo invertida por gerações de vivência em ambientes midiáticos e, principalmente visuais.

Apesar de toda obviedade e “overacting” esses sete dispositivos da propaganda ainda continuam conquistando corações e mentes. A canastrice dominou a Política.

O artigo original poderá ser visto por meio desse link aqui:


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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sexta-feira, 22 de julho de 2016

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 012 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 004



ESSA É UMA SÉRIE DE ESTUDOS QUE VISA ABORDAR DA MANEIRA COMO CONSIDERAMOS APROPRIADA A IMPORTANTE QUESTÃO RELATIVA À RESSURREIÇÃO DE CRISTO. TOMANDO COMO BASE AS OBRAS DE GEERHARDUS VOS E HERMAN RIDDERBOS. NOSSA INTENÇÃO É MOSTRAR A CENTRALIDADE DA RESSURREIÇÃO DE CRISTO NA TEOLOGIA PAULINA.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO NA SOTERIOLOGIA DE PAULO

1 Coríntios 1:12—19

12 Ora, se é corrente pregar-se que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como, pois, afirmam alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos?

13 E, se não há ressurreição de mortos, então, Cristo não ressuscitou.

14 E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé;

15 e somos tidos por falsas testemunhas de Deus, porque temos asseverado contra Deus que ele ressuscitou a Cristo, ao qual ele não ressuscitou, se é certo que os mortos não ressuscitam.

16 Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou.

17 E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados.

18 E ainda mais: os que dormiram em Cristo pereceram.

19 Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens.

Uma leitura cuidadosa de 1 Coríntios 15 irá demonstrar que a totalidade do argumento de Paulo a favor de ressurreição reside, por completo, em sua tese acerca dos primeiros frutos como indicado no estudo anterior que tratou de 1 Coríntios 15:20. Aquele estudo poderá ser visto por meio desse link aqui:

1 Coríntios 15 é uma discussão acerca da ressurreição de Cristo e a forma como a ressurreição do Senhor se relaciona com a ressurreição dos cristãos.

Essa ênfase pode ser vista na passagem que estamos estudando agora de 1 Coríntios 15:12—19. Até o verso 19 Paulo ainda não chegou à sua afirmação “mais de fato”  feita em —1 Coríntios 15:20

Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem.

Esse é o motivo porque em nosso texto principal Paulo argumenta, de forma hipotética. Ele parte da premissa da ressurreição de Jesus para chegar na ressurreição dos crentes. Se Cristo ressuscitou, então a ressurreição geral não pode ser colocada em dúvida, como alguns estavam fazendo — 1 Coríntios 15:12. De modo semelhante, negar a ressurreição de Cristo é negar a ressurreição dos próprios crentes. Se tal negação for verdadeira indica que a pregação de Paulo é vazia, o mesmo acontecendo com a fé dos cristãos, que se torna algo vão e inútil — 1 Coríntios 15:14, 17.

A maior consequência de negar a ressurreição de Jesus é que os crentes continuam mortos em seus próprios pecados e sem nenhuma esperança. E mais, os que morreram em Cristo, não têm nenhuma esperança de voltarem a viver, mas pereceram por completo — 1 Coríntios 15:17, 19. Por outro lado, Paulo também argumenta de modo reverso, partindo da negação da ressurreição dos crentes até chegar à negação da ressurreição do Senhor Jesus — 1 Coríntios 15:13, 15—16.

Existem dois fatores da maior importância em todo esse argumento para os quais desejamos chamar a atenção dos nossos leitores:

1. O primeiro é que em toda a extensão de 1 Coríntios 15 nos deparamos com a pressuposição dominante que trata da unidade entre a ressurreição do Senhor Jesus e  ressurreição dos crentes. Uma não pode existir sem a outra. De fato uma depende da outra. Desse modo, crer numa delas implica, de forma automática, a crença na outra. Sem esse entendimento básico da união existente entre as duas ressurreições, as palavras de Paulo soariam apenas com retórica sem fundamento.

2. O argumento de Paulo está estruturado para que possa funcionar nos dois sentidos: pode começar com a ressurreição de Jesus e terminar com a ressurreição dos crentes ou de forma reversa. A negação da ressurreição de Jesus também funciona, exatamente, da mesma forma e também pode ser revertida. Isso demonstra a maneira firme como essas ideias encontram-se unidas na mente de Paulo, não existindo nenhum espaço para qualquer outra alternativa. Para Paulo a ressurreição do Senhor Jesus e a ressurreição dos Crentes não são dois acontecimentos separados, mas apenas dois episódios de um único evento.

Outras duas referências importantes dentre desse contexto são:
  
2 Coríntios 4:14

Sabendo que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos ressuscitará com Jesus e nos apresentará convosco.

1 Tessalonicenses 4:14

Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem.

OUTROS ARTIGOS ACERCA DA SOTERIOLOGIA DO APÓSTOLO PAULO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO À HERMENÊUTICA.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 002 — PRINCÍPIOS METODOLÓGICOS — PARTE 001.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 003 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 002 — A RELAÇÃO ENTRE OS ATOS REDENTORES DE DEUS E A REVELAÇÃO DAS ESCRITURAS SAGRADAS

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 004 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 003 — A RELAÇÃO ENTRE PAULO E SEUS INTÉRPRETES MODERNOS

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 005 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 004 — PAULO, NÓS E A HISTÓRIA DA REDENÇÃO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 006 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 005 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 01

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 007 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 006 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 002

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 008 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 007 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 003 — FINAL

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 009 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 001 — CRISTO, AS PRIMÍCIAS — PARTE 001

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 010 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 002 — CRISTO É AS PRIMÍCIAS E OS CRENTES SÃO A COLHEITA PLENA — PARTE 002

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 011 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 003 — CRISTO É O PRIMOGÊNITO DENTRE OS MORTOS — PARTE 003

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 012 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 004 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO DOS CRENTES SÃO EPISÓDIOS DE UM ÚNICO EVENTO

Que Deus Abençoe a Todos.

Alexandros Meimaridis

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quinta-feira, 21 de julho de 2016

AGRESSÕES CONTRA MULHERES: UMA QUESTÃO DE VIDA E MORTE

Luiza Brunet
Luiza Brunet apresentou queixa contra o bilionário Lirio Parisotto ao MP de SP

O artigo abaixo foi publicado pelo site da Revista CartaCapital e é de autoria Marsílea Gombata.

Mulheres, entre o amor e a morte

Relações que começam com brigas e terminam em agressão física vitimam cada vez mais brasileiras
por Marsílea Gombata

G., de 37 anos, é casada há 19 com um homem que não reconhece mais. Distante do namorado carinhoso que a levou a sonhar com uma vida a dois, hoje ele mantém um tom cada vez mais agressivo, ofendendo-a com frequência e xingando-a de burra em público.

Ela bebe para aplacar a dor, mas sabe que, se nada mudar, nem suas duas filhas serão capazes de fazê-la suportar. F., de 45 anos, casada há 25, deu-se conta há pouco de que sofre de violência psicológica praticada pelo próprio companheiro.

Ela sente-se aprisionada, mas tem dificuldade em sair do casamento quando o marido mostra um lado carinhoso. Sente raiva por amar uma pessoa que não a merece. E sabe que, se não sair a tempo dessa relação abusiva, morrerá em breve, seja por assassinato, seja por suicídio.

Os depoimentos acima dizem respeito a casos reais de mulheres vítimas de violência, cada vez mais comum no Brasil. As exposições das vivências foram relatadas na plataforma de auxílio Minha Voz e são parte de uma realidade inquietante no Brasil.

Em 2015, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 recebeu de 76.651 relatos de violência contra a mulher, ou seja, uma média de 210 denúncias por dia. Desse total, 50,61% dizem respeito à violência física, cujos relatos cresceram 44,74%.

Tipo de agressão que acomete uma em cada três mulheres no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a violência física voltou às manchetes nas últimas semanas depois que a modelo e atriz Luiza Brunet veio a público denunciar ter sido agredida, com direito a costelas quebradas, pelo marido Lirio Parisotto, um dos 600 homens mais ricos do mundo, com uma fortuna superior a 1,2 bilhão de dólares, segundo a Forbes Brasil.

Além disso, administra um fundo de investimento, é dono da RBS Santa Catarina, da Videolar, o principal acionista das Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc), e segundo suplente do senador Eduardo Braga (PMDB-AM).

Gráfico

Luiza, que no mês anterior postava nas redes sociais uma foto com a legenda: “A maquiagem esconde o hematoma da alma”, como embaixadora do Instituto Avon na campanha #FaleSemMedo (de combate à violência contra a mulher), fez uma queixa ao Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica (Gevid) do Ministério Público de São Paulo, na qual apresentou exames médicos e mais de 20 imagens de hematomas para provar que fora agredida pelo companheiro em 21 de maio em Nova York. Parisotto, que lamenta “versões distorcidas” do episódio ocorrido na intimidade, está proibido de se aproximar da vítima.

A exposição de Luiza ocorreu na mesma semana em que um menino de 11 anos utilizou o Facebook para denunciar o próprio pai como agressor da mãe. Ele publicou uma foto da mãe, Fabiane Boldrini, com o rosto ensanguentado depois de ter sido espancada pelo militar Joel Jorge.

“Ela é vítima dele por muitos anos. Ele fraturou o nariz dela com um soco, porque ela disse que não queria mais viver com ele, aguentando tudo”, desabafou o garoto. 

Assim como Fabiane, cerca de um terço das mulheres já estiveram em uma relação afetiva na qual vivenciaram alguma forma de violência física ou sexual por seus parceiros, segundo estatística da ONU Mulheres – a entidade das Nações Unidas que vigia os atos que atentam contra a população feminina. Companheiros, namorados e maridos são autores de 38% dos feminicídios cometidos em todo o mundo.

O tipo de homicídio qualificado ganhou legislação própria no Brasil, sancionada em 2015 pela presidenta Dilma Rousseff. A Lei do Feminícidio altera o código penal para prever o assassinato de uma mulher, pelo fato de ela ser mulher, como um tipo de homicídio qualificado e incluí-lo no rol de crimes hediondos.

Maria da Penha
Maria da Penha
Maria da Penha levou à OEA a tentativa de homicídio que sofreu pelo ex-marido (Foto: José Leomar)

Ou seja, está sujeito às regras do júri popular. A pena, que aumenta de 6 a 12 anos para 12 a 30 anos de prisão, pode ter um acréscimo de um terço, caso o crime ocorra durante a gestação ou nos três meses posteriores ao parto; quando for contra menores de 14 anos ou maiores de 60; na presença de um descendente ou ascendente da vítima.

No levantamento Mortalidade de Mulheres por Agressões no Brasil: Perfil e estimativas corrigidas (2011-2013), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta 17.581 óbitos por agressões no período.

Foram 5.860 mortes de mulheres por causas violentas a cada ano, 488 a cada mês, 16,06 a cada dia, ou uma a cada hora e meia. O estudo confirmou que a mortalidade por agressões atinge mulheres de todas as faixas etárias, etnias e níveis de escolaridade, e não ocorre apenas nas classes mais pobres.

Coautora do estudo, Leila Posenato Garcia conta que, em 2013, uma das funcionárias do órgão, então subordinado à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, morreu em decorrência de agressões feitas pelo marido Anderson Batista Soares.

Marcela Aragão apareceu algumas vezes com hematomas no rosto, mas buscava disfarçar. A falta de coragem para denunciar abriu espaço para que mais agressões ocorressem e culminassem com cárcere privado e espancamento até a morte na frente do filho do casal, à época com pouco mais de 1 ano de idade.

“Á época, o caso não foi tratado como feminicídio, e brigamos muito em audiências na Câmara para que a lei contra esse crime fosse aprovada”, conta Leila, ao ressaltar que o caso de Marcela tem um ciclo típico: discussões com violência psicológica ou moral cada vez mais frequentes que deságuam em violência física, quando não em morte.

“Sabemos que a lei não prevenirá a violência, mas pode responsabilizar os agentes pelo homicídio tipificado. Se o caso ocorresse depois da aprovação da legislação, esse homem ao menos estaria preso. É uma agressão que não termina com a morte da mulher, mas deixa sequelas na família inteira.”

Dados do Mapa da Violência 2015 mostram que entre 2003 e 2013 o número de vítimas do sexo feminino mortas cresceu 21%, passando de 3.937 para 4.762 em todo o País. Além das cifras alarmantes que a Lei do Feminicídio busca reverter, as mulheres vítimas de agressão são amparadas pela Lei Maria da Penha, legislação que busca combater a violência doméstica, batizada em homenagem à farmacêutica bioquímica Maria da Penha, que em maio de 1983 sofreu tentativa de homicídio por Marco Antonio Viveros, seu marido e pai de suas três filhas.

Índice

O caso, que ficou sem solução por 15 anos e a deixou paraplégica, foi então levado para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) pela vítima e as ONGs Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (Cladem) e o Centro pela Justiça e pelo Direito Internacional (Cejil).

Em 2001, a comissão responsabilizou o Estado brasileiro por negligência e omissão em relação à violência doméstica contra as mulheres. E em outubro de 2002, faltando seis meses para o crime prescrever, Viveros foi preso. Cumpriu um terço da pena e hoje está em liberdade.

“No meu caso, nem pude denunciar, porque não havia nenhum aparato para ajudar as vítimas”, afirma Maria da Penha, hoje com de 71 anos, ao lembrar que a própria Delegacia da Mulher (atualmente com 499 unidades no País) foi criada em 1985, dois anos depois do tiro que a condenou à cadeira de rodas.

“Nada garantia que a mulher que denunciasse não fosse sofrer mais violência, pelo contrário. Ou o agressor não aceitava a separação e podia agredi-la ainda mais, ou essa mulher escutava: ‘Ruim com ele, pior sem ele’; ‘mulher desquitada não tem valor’; ‘por que você não consegue equilibrar o seu casamento?’”

Apesar de dar conta de casos de violência doméstica e não cobrir aqueles que ocorrem fora da esfera afetivo-familiar, a lei sancionada em 7 de agosto de 2006 é um avanço que surge em resposta à fraca postura do Estado brasileiro quanto à impunidade nesses casos, mais comuns do que se imagina.

De acordo com a Secretaria de Política de Mulheres (SPM), em 72% dos casos atendidos em 2015 os agressores eram homens com quem as vítimas se relacionavam ou já haviam tido algum vínculo afetivo. No País, uma em cada três mulheres sofre algum tipo de violência, seja física, psicológica, moral, sexual, seja patrimonial, mas apenas 6% denunciam.

Dados

O fato de o agressor ser alguém conhecido – como no episódio Brunet-Parisotto – é, muitas vezes, um grande desestímulo à mulher fazer a denúncia. Muitas sentem-se desencorajadas a falar com medo de retaliações ou mesmo envergonhadas por não conseguir livrar-se de um círculo vicioso.

Como forma de encorajar as vítimas, a plataforma Minha Voz coleta e reúne depoimentos anônimos (como os publicados no início desta reportagem), auxilia as vítimas a procurar ajuda e informa sobre leis e instituições para ampará-las.

“O Minha Voz nasce da percepção desse impasse. Muitas vezes, a mulher em uma situação dessas demora muito tempo para se reconhecer nesse lugar e compreender que também foi vítima de violência”, explica a psicóloga Daniela Silveira Rozados, idealizadora da ferramenta ao lado de Salete Silva Farias, do Instituto Federal do Maranhão.

“Existe um aspecto cultural, social, mas também um elemento psíquico. Quando essas relações se estabelecem de modo abusivo, tornam-se difíceis de ser rompidas. São relações complicadas, muito ambíguas.”

Apesar de não deixar marcas como a agressão física, a violência psicológica (expressa em constrangimento, insulto e vigilância constante), a violência moral (contra a honra e a dignidade da vítima) e a violência patrimonial (entendida como a subtração dos seus bens e recursos econômicos) são consideradas graves violações dos direitos fundamentais das mulheres e consideradas pela OMS como a forma mais presente de agressão à mulher dentro da família. A sua sistematização e naturalização são vistas como estímulos a uma espiral de violências dentro do núcleo familiar.

Além dos 38.451 (50,15% do total) casos de violência física recebidos no ano passado pela Central de Atendimento à Mulher, houve 23.247 relatos de violência psicológica (30,33%), 5.556 de violência moral (7,25%), 3.961 relatos de cárcere privado (5,17%), 3.478 relatos de violência sexual (4,54%), 1.607 relatos de violência patrimonial (2,10%) e 351 relatos de tráfico de pessoas (0,46%).

A pesquisa Avaliando a Efetividade da Lei Maria da Penha, publicada em 2015 pelo Ipea, ressalta que a lei contribuiu para diminuir em cerca de 10% a taxa de homicídio contra mulheres dentro de casa e lembra: a violência doméstica ocorre em ciclos, “onde muitas vezes há um acirramento no grau de agressividade envolvida” que pode resultar na morte do cônjuge.

“A violência contra as mulheres está amparada no machismo, no qual os homens se consideram com poder sobre vidas e corpos das mulheres, amparado na reprodução de estereótipos que naturalizam a violência, por meio da publicidade, veículos de comunicação, educação e práticas culturais”, observa Corina Rodríguez Enríquez, economista feminista do comitê executivo do Development Alternatives With Women For a New Era (DAWN).

Violência

“São dinâmicas fortemente arraigadas na sociedade, e desconstruir essas visões requer múltiplas intervenções. Nós, mulheres, temos a obrigação de não deixar passar nenhum ato de violência sem expô-lo ou denunciá-lo. Dos mais simples assédios na rua aos mais terríveis feminicídios, é necessário mostrar que a violência não é natural, mas resultado de relações socialmente construídas, que implicam desde a subordinação das mulheres até as formas mais extremas de violência e morte.”

A arraigada cultura do machismo confere ao Brasil, entre 83 países, um constrangedor quinto lugar no Mapa da Violência. Fica atrás apenas de El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia. No mundo todo, aliás, o ultraje diante de tal situação tem produzido vigorosas manifestações de rua, mobilização da sociedade mais esclarecida – inclusive homens – e medidas de efeito prático.

Pelo menos 119 países dispõem hoje de leis específicas contra a violência doméstica, 125 têm instrumentos legais para penalizar o assédio sexual e 52 nações se acautelam juridicamente para defender as vítimas de estupro marital. Ainda assim suspeita-se que em certos países o número de mulheres que sofreram algum tipo de violência física e/ou sexual do parceiro possa chegar a 70%.

Grandes marchas aconteceram, nos últimos meses, na banlieu de Paris, onde as imigrantes do Norte da África, em especial, padecem dos abusos de seus companheiros, em Madri, com o apoio de 350 diferentes entidades e dos partidos de esquerda PSOE, Podemos e Esquerda Unida (1.392 mulheres foram assassinadas na Espanha nos últimos 20 anos) e, em Londres, a passeata convocada pelo movimento Million Women Rise encheu de bandeiras e gritos a Trafalgar Square, em março.

No ano passado, duas tragédias sacudiram a passividade das mulheres argentinas. O corpo de uma garota de 14 anos foi descoberto no subsolo da casa do namorado dela, na cidade de Rufino, província de Santa Fé. Descobriu-se que Chiara Paez estava grávida.

Foi agredida pelo namorado até morrer. Um mês antes, Maria Eugenia Lanzetti, professora de 44 anos do curso elementar, em Córdoba, viu o marido irromper na sala de aula e quebrar o seu pescoço diante das crianças. Foram duas das 77 vítimas de feminicídio na Argentina em 2015.

Uma situação tristemente irônica aconteceu na estreia londrina de Suffragette, dirigido por Sarah Gavron. O filme rememora a saga das feministas avant la lettre do início do século XX, as quais, ainda que ridicularizadas pela mídia e pelo establishment, saíram às ruas em prol de direitos iguais – a começar por aquele de votar.

Ativistas do Sisters Uncut deitaram-se no tapete vermelho da Leicester Square para lembrar que, um século depois, a luta ainda não terminou. Foram brutalmente retiradas dali por musculosos leões de chácara do sexo masculino.

*Reportagem publicada originalmente na edição 909 de CartaCapital, com o título "Entre o amor e o ódio"

O artigo original poderá ser visto por meio do seguinte link:


Que Deus tenha misericórdia do Brasil, uma nação de machsitas covardes e  assassinos.

Alexandros Meimaridis

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quarta-feira, 20 de julho de 2016

SERMÃO EM ÁUDIO — INTRODUÇÃO AO APOCALIPSE E AS CARTAS PARA AS SETE IGREJAS DA ÁSIA — SERMÃO 010 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM PÉRGAMO — PARTE 003


Você poderá ouvir um sermão de domingo pregado na Igreja Presbiteriana Boas Novas que deu continuidade à nossa exposição de Apocalipse 1—3. Para isso basta escolher e clicar no link abaixo para ser direcionado para a página do sermão em áudio. Se desejar você também poderá fazer o download do mesmo.

Clique no link abaixo para ter acesso ao site do sermão em áudio:

Para ouvir no YouTube


Você poderá ouvir outras mensagens dessa série seguindo os links abaixo —

SÉRIE: INTRODUÇÃO AO APOCALIPSE E AS CARTAS PARA AS SETE IGREJAS DA ÁSIA — APOCALIPSE 1 A 3

SERMÃO 001 — INTRODUÇÃO AO APOCALIPSE E AS CARTAS PARA AS SETE IGREJAS DA ÁSIA — INTRODUÇÃO — UMA VISÃO DO SENHOR JESUS — PARTE 001

SERMÃO 002 — INTRODUÇÃO AO APOCALIPSE E AS CARTAS PARA AS SETE IGREJAS DA ÁSIA — INTRODUÇÃO — PARTE 002 — UMA VISÃO DO SENHOR JESUS — PARTE 002

SERMÃO 003 — INTRODUÇÃO AO APOCALIPSE E AS CARTAS PARA AS SETE IGREJAS DA ÁSIA — SERMÃO 003 — UMA REVELAÇÃO DE JESUS CRISTO — PARTE 003

sermão 004 — CARTA PARA A IGREJA EM ÉFESO — PARTE 001

sermão 005 — CARTA PARA A IGREJA EM ÉFESO — PARTE 002

sermão 006 — CARTA PARA A IGREJA EM ESMIRNA — PARTE 001

sermão 007 — CARTA PARA A IGREJA EM ESMIRNA — PARTE 002

sermão 008 — CARTA PARA A IGREJA EM PÉRGAMO — PARTE 001

sermão 009 — CARTA PARA A IGREJA EM PÉRGAMO — PARTE 002

sermão 010 — CARTA PARA A IGREJA EM PÉRGAMO — PARTE 003

Se você deseja acompanhar essas mensagens com o esboço da mesma em mãos, você poderá acessar tal esboço por meio desses links aqui:

APOCALIPSE 1:1—20 — SERMÃO 001 — INTRODUÇÃO AO LIVRO DO APOCALIPSE

APOCALIPSE 1:1—20 — SERMÃO 002 — UMA VISÃO DE JESUS CRISTO — PARTE 001

APOCALIPSE 1:1—20 — SERMÃO 003 — UMA VISÃO DE JESUS CRISTO — PARTE 002

APOCALIPSE 2:1—7 — sermão 004 — CARTA PARA A IGREJA EM ÉFESO — PARTE 001


APOCALIPSE 2:1—7 — sermão 005 — CARTA PARA A IGREJA EM ÉFESO — PARTE 002

APOCALIPSE 2:8—11 — SERMÃO 006 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM ESMIRNA — PARTE 001

APOCALIPSE 2:8—11 — SERMÃO 007 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM ESMIRNA — PARTE 002

APOCALIPSE 2:12—17 — SERMÃO 008 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM PÉRGAMO — PARTE 001

APOCALIPSE 2:12—17 — SERMÃO 009 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM PÉRGAMO — PARTE 002

APOCALIPSE 2:12—17 — SERMÃO 010 — UMA CARTA PARA A IGREJA EM PÉRGAMO — PARTE 003
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/04/apocalipse-212-17-sermao-010-uma-carta.html

OUTRAS SÉRIES DE SERMÕES EM ÁUDIO:

SERMÕES NA SÉRIE: “O PAI NOSSO” — MATEUS 6:9—13

SERMÃO 001 — INTRODUÇÃO AO PAI NOSSO

SERMÃO 002 — O TERMO “PAI” — PARTE 1

SERMÃO 003 — O TERMO “PAI” — PARTE 2

SERMÃO 004 — DEUS COMO PAI E MÃE

SERMÃO 005 — PAI NOSSO QUE ESTÁ NOS CÉUS

SERMÃO 006 — INTRODUÇÃO À ESTRUTURA  DO PAI NOSSO

SERMÃO 007 — SANTIFICADO SEJA O TEU NOME

SERMÃO 008 — SANTIFICADO SEJA O TEU NOME — Parte 2

SERMÃO 009 — VENHA O TEU REINO — Parte 1

SERMÃO 010 — VENHA O TEU REINO — Parte 2

SERMÃO 011 — FAÇA-SE A TUA VONTADE ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU

SERMÃO 012 — O PÃO NOSSO DE CADA DIA DÁ-NOS HOJE

SERMÃO 013 — PERDOA-NOS AS NOSSAS DÍVIDAS ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS AOS NOSSOS DEVEDORES.

SERMÃO 014 — e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal, pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém!

Que Deus abençoe a todos

Alexandros Meimaridis

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