sexta-feira, 6 de maio de 2016

SERMÃO PARA O DIA DAS MÃES 2016 ANA: A MULHER QUE QUERIA SER MÃE



TEXTO BASE: 1 Samuel 1:9—18
Introdução

A. A história que temos diante de nós em 1 Samuel 1, envolve quatro personagens: Elcana, Penina, Ana e o sumo sacerdote Eli.

B. Elcana era casado com Penina e Ana. Apesar de não refletir a perfeita vontade de Deus, a poligamia foi tolerada durante séculos em Israel, como parte da cultura prevalecente em toda região do Oriente Médio.

C. Duas ou mais mulheres de forma concomitante ou duas ou mais mulheres por motivo de divórcio é dor de cabeça na certa para qualquer esposo e Elcana experimentou isso na pele.

D. Pela descrição que temos em 1 Samuel 1 não é difícil perceber que a família desfrutava de relativo conforto material e que também eram dedicados a Deus dentro das limitações que todos nós temos — 1 Samuel 1:1—3.

E. Mas, como todos nós sabemos, prosperidade material não é sinônimo de paz e tranquilidade. A verdade é que havia um enorme mal estar e muita tensão no seio da família provocado pela esposa chamada Penina. Vejamos —

F. Penina era uma mulher que havia sido agraciada com o dom de gerar filhos, de ser mãe — ela tinha filhos e filhas — 1 Samuel 1:4. Enquanto Ana era estéril e não tinha filhos. Naqueles dias, culturalmente falando, a esterilidade era vista como um sinal do desagrado de Deus sobre a mulher estéril.

G. Penina então, mesmo tendo filhos, tinha muitos ciúmes de Ana e a atormentava pelo fato dela não ter filhos. E também porque era evidente que Elcana gostava mais de Ana do que dela — ver 1 Samuel 1:5—7 Mas que encrenca!

H. Elcana não entendia a tristeza de Ana — como a maioria dos esposos não é capaz de entender suas próprias mulheres. Sua reação registrada em 1 Samuel 1:8 é a prova mais patética de quão longe ele se encontrava de entender a dor, a solidão e o sofrimento experimentado por Ana.

I. Nessa mensagem nós queremos ver e aprender algumas lições que Deus nos ensina por meio da vida de Ana.

ANA: A MULHER QUE QUERIA SER MÃE E A PRÁTICA DA ORAÇÃO

Da oração feita por Ana — 1 Samuel 1:9—18 — nos podemos colher as seguintes verdades —

I. A Oração de Ana Nasceu de Sua Profunda Tristeza e Angústia

A. Como mencionamos acima, Elcana, o marido de Ana não conseguia entendê-la. Ana sentia-se sozinha e profundamente entristecida pelo fato de ser considerada uma pária na sociedade — a impossibilidade de engravidar era vista com desfavor da parte de Deus. É esse contexto que conduz Ana a buscar o Senhor. Nada mais apropriado porque Deus —

Salmos 46:1

Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações.

B. A condição emocional experimentada por Ana está claramente descrita em 1 Samuel 1:10. Note as expressões: amargura de alma e chorou abundantemente.

C. E a oração é o melhor remédio nessas horas. A tristeza e a solidão que experimentamos muitas vezes devem ser bem-vindas quando nos levam a buscar nosso Deus com uma intensidade maior. Devemos sempre nos lembrar das seguintes palavras —

Romanos 8:28

Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.

D. Ana foi acusada pelo sumo sacerdote Eli de estar embriagada. Mas ela reagiu a essa falsa acusação — ver 1 Samuel 1:12—15.

II. A Oração de Ana Não Foi Audível

A. A oração de Ana, curiosamente, é o primeiro registro na Bíblia de uma oração não verbalizada. Nós podemos ler acerca disso em 1 Samuel 1:13.

B. A oração silenciosa acontece quando elevamos nossos pensamentos diretamente ao Deus Criador e Todo-Poderoso. Essa prática é algo realmente notável. Quando lançamos mão da oração silenciosa nós abrimos um novo universo de possibilidades.

C. Nossas orações silenciosas podem ser breves — preferencialmente — ou longas. No salmo 119 temos dezenas de orações breves que são expressas por meio duma única frase.

D. Falaremos mais acerca da oração silenciosa na conclusão.

III. A Oração de Ana Foi uma Manifestação da Verdadeira Fé

A. Note que Ana dirige sua oração ao SENHOR dos Exércitos — 1 Samuel 1:11. Ela se dirige ao ETERNO dos Exércitos. Ao se dirigir ao SENHOR dos Exércitos, Ana demonstra possuir o seguinte entendimento acerca daquele a quem dirige sua oração:

1. Ela reconhece que Ele é um Deus vivo, supremo em poder, bondade e fidelidade. Sendo assim, Ana crê que Deus é capaz de ouvir sua oração, mesmo que tal oração não esteja sendo proferida verbalmente, mas produzida apenas em sua mente e alma.

2. Ana confiava nas palavras de Deus, quando Ele diz, por exemplo, o seguinte —

Êxodo 6:7

Tomar-vos-ei por meu povo e serei vosso Deus; e sabereis que eu sou o SENHOR, vosso Deus, que vos tiro de debaixo das cargas do Egito.

B. Quantas promessas existem na palavra de Deus que estão esperando para serem descobertas e reivindicadas. Mães dediquem tempo à leitura da Bíblia. Descubram as promessas de Deus. Reivindiquem as mesmas para suas vidas e sobre a vida dos seus. Que Deus vos incentive e abençoe nessa busca.  

IV. A Oração de Ana foi Coroada com Uma Bênção Surpreendente

A. Depois de ser confrontada por Eli, que julgou Ana de forma temerária — ver item A acima, Ana recebe uma afirmação da parte de Eli que lhe garante que sua oração foi ouvida — ver 1 Samuel 1:17.

B. Depois de receber uma resposta da parte de Deus, por meio do sumo sacerdote Eli, Ana mudou seu comportamento e passou a descansar por completo na graça de Deus — ver 1 Samuel 1:18.

Conclusão. 
A. A oração silenciosa é, como dissemos maravilhosa. Aqui devemos enumerar algumas de suas qualidades: 
1. Ela é sempre fruto de uma necessidade verdadeira. 
2. Ela é sincera. Nos podemos fingir algo que não estamos sentindo ou até mesmo desejando quando oramos de forma audível. Mas quem seria capaz de fazer uma oração silenciosa de forma hipócrita? 
3. Ela fortalece o coração daquele que ora, porque se assim procede, o faz porque crê que o Senhor realmente ouve nossas orações. Aqui podemos dizer que: NÓS ORAMOS PORQUE DEUS OUVE. 
4. Por fim, a oração silenciosa pode não envolver palavras, mas apenas profundos sentimentos de nossas almas. O próprio Espírito Santo intercede por nós sem o uso de palavras, conforme — 
Romanos 8:26 
Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. 
B. Portanto, minhas queridas mães: procurem enxergar os momentos lavando e colocando as roupas para secar, os momentos lavando a louça, os momentos arrumando a casa, os momentos em que você estão dirigindo para algum lugar e etc., como oportunidades únicas para se lançarem na bendita prática da oração silenciosa. As coisas que acabei de mencionar não indicam que minha opinião acerca das mulheres é que elas devem ser belas, recatas e do lar. Pelo contrário, eu reconheço que muitas de vocês são, na maioria dos casos, donas de casas, no topo dum trabalho fora de casa. Trabalhando ou não fora de casa, vocês têm todo meu respeito e admiração. Que Deus abençoe vocês e insisto para que usem esse preciosos momentos para se dedicarem à oração silenciosa. 
C. Pais, esposos, jovens e adolescentes: vocês também podem aproveitar muitos momentos em suas vidas para também se dedicarem à oração silenciosa. 
D. Que Deus abençoe cada uma de vocês mães. OBRIGADO POR TUDO QUE VOCÊS SÃO E POR TUDO O QUE REPRESENTAM e FELIZ DIA DAS MÃES. 
Que Deus abençoe a todos. 
Amém. 
Alexandros Meimaridis

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quarta-feira, 4 de maio de 2016

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 010 — O LUGAR DO CANON NA TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO


Esse é um estudo especial que irá abordar temas de grande interesse, tais como: 1. Deus 2. Os seres humanos e o mundo criado 3. Jesus e Sua missão como o CRISTO. 4. O Espírito Santo. 5. A vida cristã. 6. A Igreja. 7. O futuro e etc. Esperamos que a mesma possa ajudar todos os nossos leitores a conhecerem melhor o que o Novo Testamento ensina acerca de tudo o que nos é importante.

INTRODUÇÃO GERAL

O LUGAR DO CANON DA TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO

Nos dois estudos anteriores nós já tivemos a oportunidade de discutir alguns aspectos de canonicidade. Naquela oportunidade mencionamos que muitos estudiosos não aceitam restringir a pesquisa referente a Jesus Cristo apenas aos textos contidos no Novo Testamento, mas desejam expandir a pesquisa para incluir, em pé de igualdade, toda a literatura não canônica. Como alega um defensor dessa tese, nenhum escrito do Novo testamento foi produzido com uma etiqueta de canônico. Partindo dessa premissa, esses estudiosos alegam que qualquer pessoa que aceita apenas os livros constantes do Novo Testamento está, na verdade, se submetendo a opinião dos pais da igreja que viveram entre os séculos II até IV da Era cristã. Mas as coisas não podem ser tão simples nem tão diretas assim, Tal afirmação é, na realidade, uma representação equivocada dos fatos.

É fato que o Canon do Novo Testamento foi reconhecido e aceito por bispos e teólogos do período mencionado acima, mas esse processo não teve início com eles. Nós podemos afirmar que o conceito da Teologia do Novo Testamento exige o reconhecimento da existência duma coleção literária de modo especial e preferencial. Adolf Schlatter disse o seguinte a esse respeito: “Ao canonizar certo grupo de manuscritos, as gerações que seguiram os apóstolos expressar, com clareza, o exato lugar de onde eles encontraram a palavra por meio da qual a igreja surgiu e também de onde recebe a seiva vital para sua existência através de todas as épocas”[1]. Desse modo é apenas correto entendermos que a Teologia do Novo Testamento encontra-se firmemente alicerçada num conjunto literário aceito como inspirado.

Uma segunda questão que precisamos abordar é se a expressão um Canon dentro do Canon é correta e qual é o efeito da mesma para o estudo da Teologia do Novo Testamento? Em outras palavras, é possível um intérprete adotar somente parte do material contido no Novo Testamento ou ele está obrigado a utilizar todo o material existente nos vinte livros que compõem o Novo Testamento? A ideia do Canon dentro do Canon foi introduzida por E. Käsemann que foi forte defensor da mesma[2]. Ainda assim essa ideia não era completamente nova. Foi Martinho Lutero quem abriu essa estrada com sua argumentação que existiam livros no Novo Testamento que possuíam valor absoluto que era maior do que outros livros. Lutero considerava as epístolas aos Romanos e aos Gálatas superiores à epístola de Tiago, por exemplo. Para Lutero essa última era uma epístola de palha. Mesmo assim há estudiosos que negam que Lutero defendia a ideia de um Canon dentro Canon, como acontece com N. B. Stonehouse. Por outro lado, Rudolf Bultmann em sua Teologia do Novo Testamento[3] praticamente adota uma visão limitada do Canon ao se concentrar em Paulo e João. Já Werner Kümmel em sua Síntese Teológica do Novo Testamento[4] repete Bultmman, mas aceita o material referente aos ensinamentos de Jesus. Em todos esses casos não é difícil perceber que os limites da Teologia do Novo Testamento são estabelecidos não pelo próprio Novo Testamento, mas pelos seus intérpretes. Mas seria esse um procedimento legítimo?

Caso aceitemos uma função meramente descritiva atribuída à Teologia do Novo Testamento, essa última questão é irrelevante se algumas partes menores do Novo Testamento fossem suprimidas. Mas se existe qualquer sentido por meio do qual os processos de pensamento do Novo Testamento possam ser considerados como uma força normativas, então o intérprete não está autorizado a escolher o material que deseja utilizar e rejeitar o restante, como base para seu trabalho. Tal abordagem sempre estará sujeita a um severo escrutínio.

Outro aspecto que vale a pena ser levando nesse contexto é a ideia defendida por James D. G. Dunn[5] em seu livro acerca da unidade e da diversidade que encontramos no Novo Testamento. Para Dunn a própria igreja criou diversos Canons dentro do Canon ao adotar determinadas porções em sua atividades, especialmente aquelas que estão relacionadas a lecionários[6]. Mas devemos deixar claro que a existência de lecionários não pode ser usada como base para se determinar o escopo da Teologia do Novo Testamento. Sempre que uma denominação enfatiza mais uma parte das Escrituras do que outras é função primordial da Teologia do Novo Testamento oferecer o corretivo necessário. Nossa preocupação primária deve estar centrada em determinar que materiais escritos oferecem uma base sólida para nossos estudos e não podemos aceitar nenhuma abordagem que dependa duma abordagem seletiva dos livros do Novo Testamento.

Essa perspectiva deve também ser aplicada contra aqueles que não aceitam que Efésios, Colossenses e as Epístolas Pastorais sejam material originalmente produzido pelo apóstolo Paulo. Não é possível fazer Teologia do Novo Testamento quando tratamos o material paulino desse modo. Nenhuma Teologia do Novo Testamento terá uma base sólida se for edificada sobre a areia movediça da não aceitação do Canon. Nós aceitamos que todas as epístolas atribuídas a Paulo no Novo Testamento são da lavra do apóstolo dos gentios.

Mais adiante iremos discutir a questão pertinente à unidade do Novo Testamento. Por hora é suficiente afirmar que unidade no Novo Testamento representa a ideia do Canon. O Novo Testamento é uma coleção de livros autoritativos e, essa verdade, deve ser mantida com a maior clareza possível, para o bem tanto do estudioso como dos seus leitores. Com isso não estamos descartando a possibilidade de diversidade, pois reconhecemos que tal diversidade está bem presente no Novo Testamento. Mas essa diversidade dever ser sempre entendida como significando o seguinte: temos no Novo Testamento formas diversa por meio das quais a unidade do mesmo se manifesta. Não podemos aceitar nenhuma ideia de que o Novo testamento seja uma coleção fragmentária como defende Ernest Käsemann. Quando aceitamos ideias como essas é bem evidente que a Teologia do Novo Testamento resultante sempre será defeituosa. Dessa forma, a melhor coisa que alguém que pretende escrever ou estudar uma Teologia do Novo Testamento tenha bem sólida a ideia que todo o material que encontramos no Novo Testamento, sem exceção, é parte do Canon.

OUTROS ARTIGOS ACERCA DA TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO – ESTUDO 001 — PARTE 001

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO – ESTUDO 001 — PARTE 002

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO – ESTUDO 001 — PARTE 003

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO – ESTUDO 001 — PARTE 004

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO – ESTUDO 001 — PARTE 005

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO – ESTUDO 001 — PARTE 006

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO – ESTUDO 001 — PARTE 007
TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO – ESTUDO 001 — PARTE 008

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO – ESTUDO 001 — PARTE 009

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO – ESTUDO 001 — PARTE 010


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[1] Schlatter, A. Neutestamentliche Theologie. Stuggart, Calwer Verlag, 1922—1923.
[2] Käsemann, E. New Testament Questions of Today. SCM Press, London, 1969.
[3] Bultmann, Rudolf. Teologia do Novo Testamento. Academia Cristã, Santo Andre, 2008.
[4] Kümmel, Eernest Georg. Síntese Teológica do Novo Testamento. Co-edição da Editora Teológica e Paulus, São Paulo, 2003.
[5] Dunn, James D. G. Unity and Diversity in The New Testament – Na Inquiry Into The Character of Earliest Christianity. The Westminster Press, Philadelphia, 1980.
[6] Lecionários = Compilações de textos sagrados para leitura devocional em cultos ou cerimônias. Geralmente cobrem um período de três anos. 

segunda-feira, 2 de maio de 2016

EDUCAÇÃO CRISTÃ - ESTUDO 005 - O QUE O NOVO TESTAMENTO ENSINA ACERCA DA VERDADEIRA IGREJA - PARTE 001


O propósito dessa série é introduzir o leitor na vasta gama de materiais relacionados à Educação Cristã. Nosso foco central estará sempre localizado nos chamados “Ministérios da Igreja” que refletem a vida prática ou o dia a dia do que deve estar acontecendo em todas as igrejas locais.

V. O Ensinamento do Novo Testamento Acerca da Igreja

A Igreja

I. A Igreja — ἡ ἐκκλησία ekklissía Igreja.  

A. Introdução – “... à igreja, a qual é o seu corpo”- Efésios 1:22—23.

1. Nosso conceito mental da igreja: prédio, edifício, local de reuniões, instituição, denominação etc...

2. Problemas causados pelas traduções.

a. Nossa Bíblia não foi escrita em português.

b. O Antigo Testamento foi escrito em hebraico com umas pequenas porções escritas em aramaico.

c. O Novo Testamento foi inteiramente escrito em grego e contém citações do Antigo Testamento retiradas da Septuaginta — LXX[1].

d. A palavra grega usada pelos autores do Novo Testamento para se referir à igreja foi ἐκκλησία ekklissía — lê-se eclissía.

e. Nossa tradução de Almeida Revista e Atualizada em português traduz a expressão grega ἐκκλησίαekklissía da seguinte maneira: a palavra ocorre 114 vezes no texto grego editado por Westcott e Hort, Tischendorf e os revisores ingleses.

i. Igreja

ii. Igrejas

iii. Assembleia

iv. Congregação

3. Por causa da tradução e dos conceitos mentais dominantes a grande maioria das pessoas em nossos dias têm a tendência de pensar que a palavra igreja se refere a um prédio na rua tal ou a uma instituição decadente e à beira da morte.

B. Definições do Termo

1. O Dicionário Aurélio 2000 define a palavra igreja da seguinte maneira:

a. Do grego ekklesía, 'assembleia de cidadãos', 'assembleia de fiéis', pelo latim ecclesia.

b. Substantivo feminino.

i. Templo cristão.

ii. Autoridade eclesiástica.

iii. A comunidade dos cristãos.

iv. O conjunto dos fiéis ligados pela mesma fé e sujeitos a uma mesma liderança.

2. O Dicionário de grego clássico de Liddell-Scott define assim:

a. Assembleia devidamente convocada, menos geral que — súllogos — pronuncia-se sílogos.

b. Na Septuaginta a definição corresponde a: congregação dos filhos de Israel e traduz o termo hebraico קְהַל  —  qehal.

c. No Novo Testamento: igreja como corpo de cristãos.

3. Os dicionários do Novo Testamento, geralmente, definem como:

a. Igreja como comunidade universal.

b. Congregação como comunidade particular, i.e., de um determinado local, bem como uma comunidade familiar.

Conclusão: a palavra que usamos irá, inevitavelmente, afetar a maneira como pensamos e nosso conceito de igreja será influenciado de forma concomitante.

C. O Significado da palavra grega ἐκκλησία ekklissía.

A expressão grega ἐκκλησία ekklissía — é comumente traduzida pelo termo “igreja” no Novo Testamento em português.

1. A expressão grega ἐκκλησίαν τοῦ θεοῦ ekklissían toû Theoû — Igreja de Deus, foi usada pelos primeiros cristãos para identificar a “sociedade” a que pertenciam como uma associação que era comum — familiar — a todas as pessoas. Não havia nada de extraordinário no uso deste termo. A reunião dos cristãos era apenas mais uma, no meio de uma multidão de associações não oficiais.

2. O que diferenciava a associação dos cristãos das outras associações tão comuns dos seus dias era o fato de que essa associação ou assembleia havia sido convocada pelo próprio Deus! Foi Deus quem os convocou. Da mesma maneira é Deus quem nos convoca nos dias de hoje.

3. A relação que existe entre ἐκκλησία ekklissía — Igreja, e o chamado a viver a vida cristã acaba se perdendo completamente quando traduzimos a palavra grega ἐκκλησία pela expressão igreja. Vejamos como Paulo relacionou estes dois conceitos em Efésios 3:21 e 4:1:

A ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre.A ele — Deus — seja a glória, na igreja — ἐκκλησία ekklissía é derivada do verbo καλέω kaléo — chamar — e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!

Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados. Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da κλήσεως klésseosvocação a que fostes ἐκλήθητε  ekléthetechamados.

4. Assim temos que Deus deve ser glorificado na vida da igreja. Como? Pelos cristãos andando de um modo que seja digno do chamado que receberam.

5. O chamado que recebemos de Deus implica no seguinte:

a. Somos chamados para fora do mundo e para dentro da igreja de Deus = libertação.

b. Somos chamados para manter um relacionamento com Deus através do estabelecimento de uma aliança com Ele —

1 Coríntios 1:9

Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.

b. Somos chamados para herdarmos uma herança futura. O que para Israel era a terra de Canaã, para nós será o céu —

Filipenses 3:14

Prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.

1 Timóteo 6:12
Combate o bom combate da fé. Toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado e de que fizeste a boa confissão perante muitas testemunhas.

Hebreus 3:1

Por isso, santos irmãos, que participais da vocação celestial, considerai atentamente o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus.

c. Somos chamados para formar um povo especial que pertence ao único e verdadeiro Deus —

Deuteronômio 7:6

Porque tu és povo santo ao SENHOR, teu Deus; o SENHOR, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra.

1 Pedro 2:9—10

9 Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;

10 vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia.


D. Uma Definição mais abrangente da palavra grega ἐκκλησία ekklissía — Igreja.

1. O termo grego ἐκκλησία ekklissía — Igreja, como usado no Novo Testamento, representa a totalidade — universalidade ou catolicidade — daqueles que pertencem à comunidade dos redimidos. Nessa condição a comunidade dos redimidos forma a igreja como “corpo de Cristo”.  Como redimidos que formam o corpo de Cristo, os indivíduos dessa comunidade estão íntima e completamente ligados e dependentes uns aos outros e todos, sem exceção, estão ligados, de modo absoluto, ao Senhor Jesus Cristo. Esses redimidos estão ainda em íntima ligação com a comunidade representada por todo o povo de Israel do Antigo Testamento, já que o mesmo é também designado ἐκκλησίαekklissía — Igreja ou Congregação na Septuaginta — LXX. No Novo Testamento o termo é também usado para fazer referências a uma comunidade local de redimidos — igreja local. O termo nunca é usado para referir-se a uma construção nem a uma instituição. Tais conceitos não existiam nos dias da igreja primitiva — até o ano 100 d.C. — nem nos dias dos Pais da Igreja — até o ano 200 d.C. Mas, acima de tudo somos um povo chamado por Deus. Ver tabela abaixo com as referências bíblicas:


Igreja como corpo de Cristo e Cristo como cabeça da igreja
Efésios 1:22—23
Colossenses 1:18, 24; 2:18—19
Os redimidos como membros Corpo de Cristo.
1 Coríntios 12:27 Efésios 4:4; 5:30 e Colossenses 3:15
Os redimidos como membros uns dos outros.
Romanos 12:5 1 Coríntios 12:13; 24—26

Pergunta para reflexão:

Porque os tradutores da Septuaginta — não inspirados — e os autores do Novo Testamento — inspirados — não utilizaram outro termo cultural qualquer, para referirem-se à comunidade dos redimidos, em vez de utilizarem um termo inteiramente profano como ἐκκλησία ekklissía — igreja?

Assim temos que:

2. O verdadeiro caráter da Igreja é determinado pelo fato de ser Deus mesmo aquele que a convoca para se reunir. A igreja não é um prédio ou uma construção de qualquer tipo, e sim um ajuntamento de crentes convocados por Deus mesmo.

3. No Novo Testamento encontramos poucas evidências de que existisse algum tipo de organização que fosse muito além da igreja local — comunidade de cristãos localizada em uma determinada cidade ou em um lar, etc.

4. De acordo com o irmão Edwin Hatch[2]: “Apesar de ser indisputável que o Senhor fundou a Igreja ἐκκλησίαekklissía — assumimos de forma improvável que a igreja seja uma agregação de sociedades organizadas. Cada comunidade cristã era uma comunidade completa em si mesma”. Com o passar do tempo esse formato foi alterado. Tal alteração não pode ser definida, a priori, como algo bom ou mau para a Igreja.

5. Nós precisamos começar a entender que cada comunidade local possui certa primazia real entre os vários tipos de unidade que poderiam existir.

6. Infelizmente, nos dias de hoje, a igreja institucional tem se tornado tão desfigurada e as pessoas, de um modo geral, estão muito desencantadas com ela. Hoje em dia as igrejas, independentemente da denominação a que pertençam, são algo muito difícil de reconhecermos como uma comunidade, na qual exista qualquer relação entre o que aí está e o ensino das Sagradas Escrituras —

Efésios 2:19—22

19 Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus,

20 edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular;

21 no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor,

22 no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito.

Efésios 5:25—27

25 Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela,

26 para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra,

27 para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito.

7. A igreja não é uma denominação, nem uma convenção, nem uma associação e sim um corpo espiritual.

8. A igreja não é uma organização e sim uma comunhão, ou como diz o Novo Testamento, uma κοινωνίᾳ koinonía — Comunhão.


OUTROS ESTUDOS ACERCA DE EDUCAÇÃO CRISTÃ

001 — A Excelência da Vida Pessoal Daqueles que Desejam Ensinar — PARTE 001

002 — A Excelência da Vida Pessoal Daqueles que Desejam Ensinar — PARTE 002

003 —A Excelência da Vida Pessoal Daqueles que Desejam Ensinar — PARTE 003

004 — A IMPORTÂNCIA DA ALIANÇA COM DEUS

005 — OS ALVOS DA EDUCAÇÃO CRISTÃ

006 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 001 — INTRODUÇÃO — OS COLONIZADORES VÊM EM NOME DE DEUS

007 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 002 — NOSSAS ESCOLAS TEOLÓGICAS

008 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 003 — IGREJAS CORPORATIVISTAS E INSTITUCIONALIZADAS E EDUCAÇÃO CRISTÃ PADRONIZADA

009 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 004 — CONSUMISMO E CELEBRITISMO

010 — O PROPÓSITO SINGULAR DE DEUS PARA OS NOSSOS DIAS

011 — A PALAVRA IGREJA NO NOVO TESTAMENTO

012 — A EXPRESSÃO GREGA “EM CRISTO” — ἐν Χριστῷ

013 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA


Que deus abençoe a todos.


Alexandros Meimaridis


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[1] Septuaginta, comumente identificada pelo símbolo LXX, é a tradução das escrituras hebraicas para o grego realizada no Egito sob o patrocínio de Ptolomeu II Filadelfo - 285–246 a.C.
[2] Hatch, Edwin. The Organization of the Early Christian Churches: Eight Lectures Delivered Before the University of Oxford, in the Year 1880. Wipf & Stock Pub, Eugene, 1999.