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sexta-feira, 21 de abril de 2017

ATOS DOS APÓSTOLOS - SERMÃO 027 – A DEFESA DE ESTÊVÃO — PARTE 001 - O DEUS DA GLÓRIA


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Esse material é parte de uma série de mensagens pregadas no Livro dos Atos dos Apóstolos. As mensagens cobrem todos os 28 capítulos do Livro de Atos e no final de cada mensagem, você poderá encontrar links para outras mensagens.


Texto: Atos 7:1—8
Introdução

A. Estêvão foi um dos primeiros convertidos à fé cristã, bem no início da história da Igreja, logo depois do derramamento do Espírito Santo em Atos 2.

B. Ele é caracterizado nas páginas do livro de Atos como um homem: ver Atos 6:3 e 8.

1. De boa reputação.

2. Cheio do Espírito Santo.

3. Cheio de Sabedoria.

4. Cheio de graça, i. e., de uma personalidade graciosa parecida com a do próprio Senhor Jesus.

5. Cheio de poder que era capaz de fazer prodígios e sinais entre o povo.

C. Além do mais o Novo Testamento nos diz que, em uma situação específica — quando Estêvão compareceu diante do Sinédrio — seu rosto parecia com o rosto de um anjo — ver Atos 6.15.

D. Todas essas afirmações servem para nos ajudar a compreender a importância de Estêvão no início da história da Igreja Cristã, especialmente, no que diz respeito à teologia que encontramos apresentada no NT.    

E. A defesa de Estêvão, apresentada como o mais longo discurso de todo o Novo Testamento em Atos 7:2—60, lança

AS BASES SOBRE AS QUAIS ESTÁ FUNDAMENTADA A IGREJA DO NOVO TESTAMENTO – PARTE 1

I. As Acusações Contra Estêvão

A. Como não podiam argumentar com Estêvão — ver Atos 6:10, o recurso mais comum nesses casos, foi utilizado: a violência física.

B. Estêvão foi arrebatado de modo violento e levado para comparecer diante do Sinédrio de forma violenta e abusiva – ver Atos 6:12.

C. Ali, Estêvão foi acusado — por falsas testemunhas, diga-se de passagem — ver Atos 6:13 e comparar com Êxodo 20:16 que diz: “Não darás falso testemunho contra teu próximo” – de:

Falar contra o templo ou lugar santo e contra a lei — de Moisés — ver Atos 6:13. Ver mais detalhes na mensagem anterior por meio do link abaixo:

D. De modo mais específico, Estêvão foi acusado de afirmar que:

1. Jesus, o Nazareno destruirá este lugar, i. e., o templo em Jerusalém.

2. Jesus mudará os costumes que Moisés havia dado aos judeus — ver Atos 6.14.

E. Essas acusações eram da maior gravidade, mesmo sendo falsas, porque sujeitavam Estêvão à pena de morte. Tanto os acusadores quanto a corte estavam cientes disso.

F. Isso tudo vem apenas confirmar que o “sábio” conselho de Gamaliel não passava de um engodo como tivemos oportunidade de notar no sermão de # 22 que tratou de Atos 5:17—42. Ver link na lista abaixo.

II. A Importância da Defesa de Estêvão

A. A defesa apresentada por Estêvão, não trata apenas de uma tentativa de salvar sua própria vida. Ela é muito mais do que isso e vai muito além nas implicações que levanta.

B. Sua mensagem, além de apresentar uma defesa coerente contra as acusações recebidas, serve também:

1. Para fixar verdades bíblicas bem estabelecidas que as autoridades daqueles dias faziam questão de ignorar.

2. Demonstrar que Estêvão é, de fato, o primeiro cristão a entender a plenitude da extensão dos benefícios da vinda de Cristo a todas as áreas da vida.

3. Deixar claro que, após o advento de Jesus existe apenas um caminho de volta para Deus e que não pode haver nenhum tipo de concessão nesta questão, sob a pena do indivíduo sofrer o dano eterno de sua alma. Não tem lei nenhuma, nem templo nenhum que sejam capazes de reconciliar o homem com Deus. Há só um mediador entre Deus e os homens — ver 1 Timóteo 1:5.

4. Lançar as bases sobre as quais outros autores do Novo Testamento irão edificar a teologia cristã, especialmente, o fariseu Saulo de Tarso, depois convertido no cristão Paulo de Tarso.

C. A defesa de Estêvão, tendo em vista as acusações — falar contra o templo ou santo lugar e a Lei de Moisés — está baseada nesses dois aspectos. Sua intenção é demonstrar:

1. Que o povo de Israel, desde o princípio e até aqueles dias, nunca tinha levado à sério a Lei de Deus — ver Atos 7:38—43.

2. Que o Templo, uma mera concessão divina à fraqueza humana, havia se tornado um verdadeiro ídolo abominável ao Senhor — ver Atos 7.48—50.

3. Note as expressões “as obras das suas mãos” — verso 41 e “casas feitas por mãos humanas” — verso 48, que confirmam o paralelismo das idéias e expõe o erro dos acusadores.

4. Por fim, Estêvão demonstra que os verdadeiros transgressores da Lei e traidores da aliança estabelecida entre Deus e Abrão não era ele, nem Jesus e os cristão e sim os israelitas daqueles dias, como também haviam sido seus ascendentes – ver Atos 7:51—53.

D. Estêvão inicia então, sua defesa.

III. Abrão, Abraão e o Deus da Glória — Atos 7:2—8

A. Verso 2—4

1. Deus se manifestou a Abrão em Ur dos caldeus, ainda quando ele e seus familiares eram idólatras — ver Josué 24:2.

2. Naqueles dias, Deus se revelou como o Deus da glória, que é uma expressão utilizada para representar a automanifestação de Deus e é um dos títulos mais antigos do Senhor — ver Salmos 29.3. Este título enfatiza a transcendência de Deus — ver Atos 7.55 — e, de forma direta, impossibilita a presença de Deus no templo em Jerusalém, o que faz a acusação de Atos 6:11 cair por terra. 

3. Abraão é chamado de “nosso pai” por Estêvão nesse verso e por extensão em 7:11—12, 15, 38—39, 44—45 com o objetivo de estabelecer a si mesmo como participante de uma mesma herança, mas isso não queria dizer que todo descendente de Abraão receberá a salvação das mãos do Deus da glória.

4. O Deus da glória ordena Abrão a sair da sua terra, a abandonar sua parentela e seguir para uma terra que lhe seria mostrada — verso 3.

5. Abrão veio habitar em Harã. De lá, o Senhor da glória lhe mostrou o caminho para Canaã — verso 4.

B. Versos 5—7

1. Uma vez em Canaã, Deus não deu a Abrão sequer o espaço de um pé como herança, mas lhe prometeu dar toda aquela terra a ele e seus descendentes, apesar de Abrão não ter nenhum filho, já que sua mulher — Sara — era estéril! — verso 5.

2. Apesar de não ter descendente, Deus prometeu que a descendência de Abrão seria peregrina, seria maltratada e reduzida à escravidão por quatrocentos anos — verso 6.

3. Depois de tudo isso, o próprio Deus da glória os libertaria e os levaria de volta para a Terra de Canaã — verso 7.

C. Verso 8

1. Como um símbolo ou sinal da aliança que existia entre o Deus da glória e Abraão e seus descendentes o Senhor instituiu a circuncisão — ver Gênesis 17:9—14 — dos meninos israelitas aos oitavo dia do nascimento. A circuncisão consiste em “cortar ao redor” a pele que reveste a glande ou “cabeça” do órgão sexual masculino.

2. A circuncisão era apenas um sinal e apontava para realidades maiores e mais profundas — ver Deuteronômio 10.16 e Jeremias 4:4. Os judeus haviam transformado a circuncisão em um fim em si mesmo, como muitas igrejas cristãs têm transformado o batismo em uma obra do tipo “opera operato”. Ou seja, algo que é capaz de produzir o resultado esperado por si mesmo.

Conclusão

A. O que é que esse texto nos ensina de modo adjacente às verdades que são bastante evidentes?

1. Em primeiro lugar que o Deus da glória se manifesta onde quer e a quem ele quer. Ele não precisa e nem pode ser confinado a um templo mesmo que esse seja feito de ouro puro ou até mesmo uma gigantesca basílica.

2. Em segundo lugar o texto nos ensina que o Deus da glória é móvel e é capaz de acompanhar seu povo por onde ele estiver peregrinando. Note alguns verbos usados em Atos 7:1—8 que são usados para descrever ações feitas por Deus: apareceu, disse, mostrarei, trouxe, não deu, prometeu dar-lhe, falou, julgarei, me servirão, lhe deu a aliança. Nesses oito versos Deus percorre toda a extensão do crescente fértil — da Mesopotâmia ao Egito — e volta para a terra de Canaã junto com os israelitas, como prometera.

C. Ao utilizar a expressão “Abraão, nosso pai” a intenção de Estêvão é deixar bem claro que descendência física de Abraão não é garantia de salvação para nenhum israelita.

D. A circuncisão foi dada para os israelitas como um sinal e não como um fim em si mesmo.

1. Os judeus se orgulham até hoje da circuncisão, mas ela não tem nenhum valor para a salvação.

2. Os judeus também se orgulham da descendência física de Abraão, mas essa também não tem nenhum valor para a salvação.

D. Temos que entender, de uma vez por todas que:

1. Assim como a circuncisão física não tinha e não tem a capacidade de transformar o coração de nenhum israelita...

2. Assim também o batismo cristão não tem a capacidade de transformar ou salvar a vida de nenhum cristão. Por esse motivo, o modo — aspersão, efusão ou imersão — o local — piso de um salão, tanque, rio ou mar — e a idade do batizando — infante, jovem, adulto ou terceira idade — são irrelevantes e não devem fazer parte da discussão séria que envolve a santidade com que a vida cristã deve ser vivida.

E. Que as verdades que começamos a aprender hoje possam causar profunda impressão em nossas vidas e nos ajudar a mudar nossa mentalidade acerca do Deus da glória.

OUTRAS MENSAGENS DO LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS

SERMÃO 001 — INTRODUÇÃO AO LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS — Lucas 1:1—4 e Atos 1:1—2

SERMÃO 002 — INTRODUÇÃO AO LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS — PARTE 2 — Lucas 1:1—4 e Atos 1:1—2

SERMÃO 003 — A TRANSIÇÃO DO VOLUME ANTERIOR — Atos 1:1—5

SERMÃO 004 — A NOVA DIREÇÃO EXPLICADA — Atos 1:6—8

SERMÃO 005 — A ASCENSÃO DE JESUS — Atos 1:9—11

SERMÃO 006 — PERSEVERANDO UNÂNIMES — Atos 1:12—26

SERMÃO 007 — O DIA DO PENTECOSTES – PARTE 001 — Atos 2:1—4

SERMÃO 008 — O DIA DO PENTECOSTES – PARTE 002 — Atos 2:5—15

SERMÃO 009 — A PROFECIA DE JOEL — Atos 2:14—21

SERMÃO 010 — O PRIMEIRO SERMÃO — PARTE 001 — Atos 2:22—36

SERMÃO 011 — O PRIMEIRO SERMÃO — PARTE 002 — Atos 2:37—41

SERMÃO 012 — A VIDA DOS PRIMEIROS CRISTÃOS — Atos 2:42—47

SERMÃO 013 — A VIDA DOS PRIMEIROS CRISTÃOS — Atos 2:42—47 — PARTE 002

SERMÃO 014 — A CURA DE UM PARALÍTICO DE NASCENÇA — Atos 3:1—10

SERMÃO 015 — A EXALTAÇÃO DE JESUS E A CONDENAÇÃO DOS HOMENS — Atos 3:11—21

SERMÃO 016 — SALVAÇÃO E REFRIGÉRIO: BÊNÇÃOS DAS DUAS VINDAS DE JESUS— Atos 3:17—21

SERMÃO 017 — JESUS CUMPRE AS PROFECIAS DO ANTIGO TESTAMENTO — Atos 3:22—26

SERMÃO 018 — INÍCIO DAS PERSEGUIÇÕES — Atos 4:1—22

SERMÃO 019 — A IGREJA ORA EM COMUNHÃO — Atos 4:23—31

SERMÃO 020 — A IGREJA VIVE EM COMUNHÃO — Atos 4:32—37

SERMÃO 021 — ANANIAS E SAFIRA — Atos 5:1—11

SERMÃO 022 — A COMUNIDADE DOS CRENTES — Atos 5:12—16

SERMÃO 023 — PRISÃO, JULGAMENTO, AÇOITES = ALEGRIA E O PARECER DE GAMALIEL — Atos 5:17—42

SERMÃO 024 — DIVERSIDADE DE DONS = CRESCIMENTO DA IGREJA — Atos 6:1—7

SERMÃO 025 — UM HOMEM CHAMADO ESTÊVÃO — Atos 6:8—12

SERMÃO 026 — ACUSAÇÕES CONTRA UM HOMEM HONESTO — Atos 6:13—15

SERMÃO 027 — A DEFESA DE ESTÊVÃO E O DEUS DA GLÓRIA — Atos 7:1—8

SERMÃO 028 — A DEFESA DE ESTÊVÃO E A MOBILIDADE DE DEUS — Atos 7:9—16
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/04/atos-dos-apostolos-sermao-028-defesa-de.html

SERMÃO 029 – A DEFESA DE ESTEVÃO – Parte 3 — Atos 7:17—43
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/04/atos-dos-apostolos-sermao-029-defesa-de.html

SERMÃO 030 — A DEFESA DE ESTEVÃO — Três Acusações Devastadoras — Parte 4 — Atos 7:44—53

Que Deus abençoe e nos ajude a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos 

Os comentários não representam a opinião do Blog O Grande Diálogo; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Gênesis Estudo 025 — CAIM, O PRIMEIRO CONSTRUTOR DE UMA CIDADE E O PRIMEIRO PSEUDOSSALVADOR DA HUMANIDADE


Fotografia de uma das mais antigas cidades conhecidas

Este estudo é parte de uma Análise do Livro do Gênesis. Nosso interesse é ajudar todos os leitores a apreciarem a rica herança que temos nas páginas da História Primeva da Humanidade. No final de cada estudo o leitor encontrará direções para outras partes desse estudo. 

O Livro do Gênesis

O Princípio de Todas as Coisas

  בְּרֵאשִׁית בָּרָא אֱלֹהִים אֵת הַשָּׁמַיִם וְאֵת הָאָרֶץ        
            Eretz   ha  ve-et  Hashamaim  et      Elohim        Bará       Bereshit
            Terra   a      e        céus       os        Deus         criou   princípio No
Gênesis 1:1
CONTINUAÇÃO...

D. Caim como o Primeiro Construtor de uma Cidade e o Primeiro Pseudo Salvador da Humanidade

A primeira cidade da história humana, construída por Caim, além de servir como elemento de segurança para ele mesmo e sua família, era também bastante representativa da rebelião instaurada em seu coração, pois ia frontalmente contra o mandamento do Criador para מִלְאוּmileuencher a terra

Gênesis 1:28

E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra.

Caim, como o primeiro construtor de uma cidade imagina seu ato como a resposta mais apropriada a seus desejos mais profundos de segurança e eternidade. A relação entre estes dois anseios mais profundos de sua alma pode ser vista através do nome que ele atribuiu à cidade e a seu filho primogênito:

1. E coabitou Caim com sua mulher; ela concebeu e deu à luz a Enoque.

2. Caim edificou uma cidade e lhe chamou Enoque, o nome de seu filho.

Por que teria Caim atribuído a seu filho primogênito, bem como à cidade que edificou, um e o mesmo nome? Comecemos pela cidade que Caim construiu. Aquele era um lugar onde ele podia, acima de tudo, ser ele mesmo. O lugar onde ele podia se sentir seguro, onde poderia encontrar descanso e deixar de ser vagabundo no sentido próprio do termo — alguém que leva uma vida errante; que vagueia. Além disso, a cidade representava para Caim um sinal visível da sua segurança. De acordo com a decisão que ele havia tomado de “retirar-se da presença do SENHOR”, sua segurança dependia agora dele mesmo apenas. A construção da cidade, portanto, é consequência direta do ato criminoso de Caim e de sua recusa terminante de aceitar a segurança oferecida por Deus.

O Éden de Deus é substituído pela cidade de Caim, da mesma maneira que o propósito que o Deus Criador tinha para Caim foi substituído pelos planos que o próprio Caim fizera para si mesmo. Sua cidade e seu filho são chamados de Enoque e isto não é mera coincidência. Esse nome é derivado do verbo que significa: dedicar, inaugurar ou iniciar. Para Caim seus atos possuem um profundo significado. Eles representam um novo princípio, não como o “princípio” originado por Deus e mencionado em Gênesis 1:1, e sim algo completamente diferente. Algo iniciado pelo homem e dependente do ser humano. “No princípio Deus” nos diz o livro do Gênesis. Para Caim, porém, Deus não era mais nem apropriado nem pertinente. Um novo início era necessário. Um início centrado no homem, em sua mente distorcida e seu coração enfermo pelo pecado. É como se Caim estivesse dizendo: “Vou mostrar a Deus como as coisas devem, de fato, serem feitas”.

A cidade de Caim se opõe ao Éden de Deus. A proposta de Caim é grandiosa. Ele deseja reconstruir o mundo conforme a sua imagem e semelhança. Para alcançar seu objetivo Caim arrasta a criação para dentro do mesmo abismo em que ele se encontrava. Abismo de escravidão, de pecado e de uma amargurada revolta que, tenta a todo custo, se libertar dessa situação. Com isto Caim aumenta ainda mais a distância que existia entre ele e o Deus Criador. É dessa revolta que nasce a primeira cidade. Sua maior dificuldade, todavia, é que a solução para os problemas que ele enfrentava estava concentrada nas mãos de Deus, e isto era algo que ele não podia tolerar. Caim deseja encontrar, por si mesmo, a solução para todos os dilemas que seus atos haviam criado. Mas seus projetos apenas agregam ofensa à injúria. Cada novo ato de sua parte representa uma ofensa ainda maior a Deus, e o afunda em um abismo cada vez mais profundo.

A civilização humana, como a definimos em tempos modernos, começa com o estabelecimento de uma cidade e com tudo o que essa cidade representa. Para Caim, Deus se torna apenas uma figura imaginária, uma hipótese. Por modo semelhante o Paraíso se torna em uma lenda e a própria criação não passa de um mito. Quando Caim decide chamar seu filho e sua cidade de Enoque — início — ele estava coberto de razão. Por todos os cantos do planeta Terra nós encontramos exemplos de como aquele início se desenvolveu e se tornou ubíquo. Ao registrar a história de Caim como construtor da primeira cidade — Gênesis 4:17 — a Bíblia nos revela muito mais do que o mero ato ali descrito. Ela nos revela:

1. Qual era a intenção do ser humano ao decidir construir a cidade — dar o ponta pé inicial em um novo “princípio”, por completo, independente de Deus.

2. O que o ser humano esperava alcançar por meio daquela construção — uma segurança que fosse independente de Deus.

3. O que os pensamentos do ser humano desejavam estabelecer — um nome para si mesmo que se estendesse por toda a eternidade.

A palavra hebraica עִיר‘iyr — traduzida por cidade possui, na realidade, outros significados. Estes são: agitação, angústia e terror. Uma contração provinda da mesma raiz ‘ar — é traduzida pela palavra “inimigo”.

1 Samuel 28:16

Então, disse Samuel: Por que, pois, a mim me perguntas, visto que o SENHOR te desamparou e se fez teu inimigo?

Esses significados denotam que as cidades não são apenas ajuntamentos de moradias, ruas, palácios, muralhas e etc. As cidades são forças espirituais. A primeira cidade foi fruto da revolta do ser humano e certamente “outras forças” estavam também presentes auxiliando o homem em sua empreitada. Como tal, as cidades possuem a capacidade de influenciar as pessoas. Elas podem direcionar e alterar o curso da vida espiritual dos seres humanos. As cidades não representam apenas o “urbano” em oposição ao “rural ou campestre”. Elas são poderosas na força de atração que exercem sobre as pessoas e compõe um mistério que chega ser, até mesmo, assustador. Se considerarmos, de forma desapaixonada, o significado da palavra עִיר‘iyr — agitação, angústia e terror, bem como da sua contração ‘ar – inimigo, nós podemos concluir que elas descrevem, de modo preciso, o que as cidades representam em pleno século XXI.

Por outro lado, a cidade como concebida por Caim, também não passava de um ídolo. Estava, portanto, destinada a ser destruída. Ao mesmo tempo, ela representava um poder cujo propósito era o de se elevar acima do próprio Deus. A cidade de Caim deveria representar para ele mesmo, muito daquilo que só podemos encontrar, de forma verdadeira, na pessoa do próprio Deus. Ao construir sua cidade Caim colocou toda sua revolta em cada parte. Se pudéssemos ver tal construção a partir do seu espectro espiritual, nós ficaríamos muito chocados com a terrível aparência da mesma. Todas as vezes que podemos presenciar este tipo de manifestação, nós estamos diante de uma força que só pode ser definida de uma maneira: demoníaca.

As atitudes de Caim são representativas daquelas que são comuns a todos os seres humanos. Caim foi pronunciado אָרוּר arur — maldito pelo Senhor —

Gênesis 4:11

És agora, pois, maldito por sobre a terra, cuja boca se abriu para receber de tuas mãos o sangue de teu irmão.

De modo semelhante todos os seres humanos, como descendentes de Adão, estão sobre a maldição da condenação do pecado. É somente em Cristo que nós podemos nos livrar desta maldição —

Gálatas 3:13

Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro)

E é por causa de Cristo que temos a promessa de que na eternidade “nunca mais haverá qualquer maldição” – ver Apocalipse 22:3. Mas, em vez de aceitar a provisão de Deus, tanto Caim, como outros seres humanos, buscam solucionar seus problemas por si mesmos. A posição de arrogância é refletida na imaginação que diz: “eu posso resolver meus problemas sozinho e sem o auxílio ou a bênção de Deus”. É por causa da maldição de Deus que pesa sobre os seres humanos que eles fazem de tudo para tornarem-se poderosos — poder manifesto em forma de riquezas, desenvolvimento, domínio, etc. Eles acreditam, em suas mentes doentias, que ao se tornarem poderosos poderão manter em cheque e impedir os efeitos da maldição proferida sobre suas cabeças. Esse é o verdadeiro motivo porque o homem desenvolve as artes e as ciências; porque ele organiza exércitos e constrói armamentos cada vez mais sofisticados; porque constrói cidades. A manifestação desse “espírito de poder” não passa de uma tentativa desesperada, do ser humano, de tentar paralisar ou até reverter as consequências de ser pronunciado אָרוּר arur — maldito pelo Senhor.

CONTINUA...

OUTROS ARTIGOS ACERCA DO LIVRO DE GÊNESIS

001 — Introdução e Esboço

002 — Introdução ao Gênesis — Parte 2 — Teorias Acerca da Criação

003 — Introdução ao Gênesis — Parte 3 — A História Primeva e Sua Natureza

004 — Introdução ao Gênesis — Parte 4 — A Preparação para a Vida Na Terra

005 — Introdução ao Gênesis — Parte 5 — A Criação da Vida

006 — Introdução ao Gênesis — Parte 6 — O DEUS CRIADOR

007 — Introdução ao Gênesis — Parte 7 — OS NOMES DO DEUS CRIADOR, OS CÉUS E A TERRA

008 – Gênesis — A Criação de Deus - Parte 1 – A Criação de Deus Dia a Dia – O Primeiro Dia — Parte 1

009 – Gênesis — A Criação de Deus - Parte 8A – A Criação de Deus Dia a Dia – O Primeiro Dia — Parte 2

010 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus - Parte 9 – A Criação de Deus Dia a Dia – O Segundo e o Terceiro Dia

011 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 10 — A Criação de Deus Dia a Dia — O Quarto Dia

012 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 11 — A Criação de Deus Dia a Dia — O Quinto Dia

013 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 12 — A Criação de Deus Dia a Dia — O Sexto Dia — Parte 1

013A — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 12A — A Criação de Deus Dia a Dia — O Sexto Dia — Parte 2

014 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 13 — Teorias Evolutivas

015 — Estudo de Gênesis — Gênesis 2 — Parte 14 — GÊNESIS 2A

016 — Estudo de Gênesis — Gênesis 2 — Parte 15 — GÊNESIS 2B

017 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — Parte 16 — GÊNESIS 3A

018 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — Parte 17 — GÊNESIS 3B

019 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — Parte 18 — GÊNESIS 3C

020 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — O Livre Arbítrio — Parte 19

021 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — O Dois Adãos — Parte 20

022 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — A Era Pré-Patriarcal e a Mulher de Caim — Parte 21

023 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — Caim, O Primeiro Construtor de Uma Cidade — Parte 22

024 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — Caim, Como Assassino e Fugitivo da Presença de Deus — Parte 23

025 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — Caim, Como Primeiro Construtor de uma Cidade e Pseudo-Salvador da Humanidade — Parte 24

026 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — A Conclusão Acerca de Caim — Parte 25

027 — Estudo de Gênesis — Gênesis 5 — Sete e outros Patriarcas Antediluvianos — Parte 26

028 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — A Perversidade Humana, Os Filhos de Deus e as Filhas dos Homens— Parte 27A

029 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — OS Nefilim e os Guiborim — Os Gigantes e os Valentes — Parte 27B

030 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — A Maldade do Coração Humano— Parte 27C.

031 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — A Corrupção Humana Sobre a Face da Terra e Deus Pode se Arrepender? — Parte 27D.

032 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — Noé e a arca que ele construiu orientado por Deus — Parte 28A.

033 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — Noé e a arca que ele construiu orientado por Deus — Parte 28B.

034 — Estudo de Gênesis — Gênesis 7 — Noé e a arca que ele construiu orientado por Deus — Parte 29 — O Dilúvio Foi Global Ou Local?

035 — Estudo de Gênesis — Gênesis 8 — A promessa que Deus Fez a Noé e seus descendentes — Parte 30 — Nunca Mais Destruirei a Terra Pela Água

036 — Estudo de Gênesis —  O Valor Perene do Dilúvio para todas as Gerações — PARTE 001

037 — Estudo de Gênesis — O Valor Perene do Dilúvio para todas as Gerações — PARTE 002

038 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 001

039 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 002

040 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 003

041 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 004 — A NATUREZA DA ALIANÇA ENTRE DEUS E NOÉ

042 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 005 — OS FILHOS DE NOÉ — PARTE 001

043 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 006 — OS FILHOS DE NOÉ — PARTE 002 — OS NEGROS SÃO AMALDIÇOADOS?

044 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 007 — OS FILHOS DE NOÉ — PARTE 003 — A CONTRIBUIÇÃO DOS FILHOS DE NOÉ PARA A HUMANIDADE

045 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 001 — OS DESCENDENTES DE JAFÉ
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/02/genesis-estudo-045-tabua-das-nacoes.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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