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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

A VIDA DO APÓSTOLO PAULO — ESTUDO 001 - AS ORIGENS DE PAULO


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Concepção artística do encontro de Paulo com o Senhor Jesus

Essa é uma série de artigos acerca da vida do apóstolo Paulo em ordem cronológica. Convidamos todos os nossos leitores a acompanharem a mesma à medida que for sendo publicada. Boa leitura.

A vida do Apóstolo Paulo é única. Tendo iniciado sua vida pública como fariseu e aluno de Gamaliel, quando ainda era chamado Saulo, tornou-se num feroz perseguidor da Igreja do Senhor Jesus. Após um encontro pessoal com Jesus no caminho para Damasco, para onde se dirigia com a intenção de prender e arrastar de volta para Jerusalém crentes em Cristo, ele teve seu nome mudado para Paulo e tornou-se no maior pregador do evangelho da graça de Deus. Seus escritos, parte integral do Novo Testamento, continuam influentes até nossos dias. Vale a pena conhecer um pouco melhor sua trajetória, em ordem cronológica, começando pelo artigo logo abaixo.

I. As origens de Paulo.

De acordo com sua própria informação —

Filipenses 3:5

Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu.

Paulo era um judeu descendente da tribo de Benjamin. Como era comum naqueles dias, ele havia recebido de seus pais o mesmo nome do mais importante personagem da tribo de Benjamim: שָׁאוּל Shaul cujo significado é: desejado. Saul foi o primeiro rei da nação de Israel e, por esse motivo, era apenas natural que os descendentes daquela tribo dessem a seus filhos seu nome, apesar de sua vida representar um péssimo exemplo para qualquer judeu sincero em sua fé no Deus ETERNO. A versão grega do nome Saul é Σαῦλος Saûlos — Saulo. E é por este nome — Saulo — que ele é chamado inicialmente no Livro dos Atos dos Apóstolos. Mas ele é também chamado de Παῦλος Paûlos — Paulo, cujo significado é: pequeno ou menor — ver Atos 13:9.

Sabemos muito pouco acerca dos progenitores de Paulo e, por causa de seu status como cidadão judeu, podemos afirmar com certeza que sua mãe era judia. Sua afirmação de que era “hebreu de hebreus”, como vimos acima, é compreendida por muitos como uma prova definitiva de que ele era um legítimo descendente de pai e mãe judeus. Pela sua trajetória religiosa, nós podemos dizer que os pais de Saulo pertenciam à seita dos fariseus[1] ou que eram, pelo menos, grandemente influenciados por eles.

Do resto de sua família pouco ou quase nada sabemos, exceto que ele tinha uma irmã que estava em Jerusalém na mesma ocasião em que ele foi feito prisioneiro ali — ver Atos 23:16.

Paulo nasceu na cidade de Tarso — ao norte da região da Palestina — e por este motivo era chamado de Saulo de Tarso — ver Atos 9:11 e 21:39. É provável que Paulo tivesse aprendido o ofício de fabricante de tendas — ver Atos 18:1—3 — ainda quando morava em Tarso, mas as afirmações contidas em Atos 22:3 parecem indicar que ele cresceu em Jerusalém e não em Tarso.

Havia uma lei no judaísmo que exigia que os meninos iniciassem os estudos das Escrituras aos cinco anos de idade e o estudo das tradições religiosas aos dez. Certamente Paulo se viu imerso nesta cultura de estudos logo cedo em sua vida sendo ensinado tanto na sinagoga local quanto em casa. Os judeus também incentivavam o trabalho manual e eram comuns ditados que expressavam ideias de que: força intelectual e atividades físicas — trabalho — andam de mãos dadas. Como exemplo disso nós podemos citar o seguinte: “Quem não ensina seu filho a trabalhar está ensinando-o a roubar”. Esse é certamente o verdadeiro motivo porque Paulo também aprendeu o ofício de “fabricar tendas”. O objetivo desse tipo de formação — educação + trabalho — era produzir um homem que fosse capaz tanto de pensar, quanto de produzir.

Aos treze anos os meninos judeus se tornavam em “Bar Mitzvah” i.e., “filho do mandamento”. Naquele momento eles aceitavam a obrigação de cumprir a Lei e aqueles que haviam se mostrado mais promissores, durante o tempo de preparação, eram encaminhados para as escolas rabínicas onde podiam ser treinados sob a supervisão de afamados mestres. Foi depois de se tornar Bar Mitzvah que Paulo foi encaminhado para Jerusalém para continuar seus estudos. Nesse período ele deve ter ficado hospedado na casa de sua irmã que foi mencionada acima. Segundo suas próprias palavras: “Eu sou judeu, nasci em Tarso da Cilícia, mas criei-me nesta cidade e aqui fui instruído aos pés de Gamaliel, segundo a exatidão da lei de nossos antepassados, sendo zeloso para com Deus, assim como todos vós o sois no dia de hoje” — Atos 22:3. Nesse versículo fica bem clara a vinculação da sua ida à Jerusalém com o inicio do seu treinamento rabínico aos pés de Gamaliel. O fato de que Paulo foi enviado para estudar em Jerusalém e não em outro local indica, indiretamente, quão promissor ele devia ser como aluno. E de fato, segundo suas próprias palavras: “E, na minha nação, quanto ao judaísmo, avantajava-me a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus paisGálatas 1:14”.

O que sabemos acerca da aparência física do apóstolo Paulo? Muito pouco é verdade. O Novo Testamento nos oferece bem poucas ideias. De toda informação disponível nós podemos concluir o seguinte:

1. Atos 14:12 nos diz que o povo da cidade de Listra identificou Barnabé com o supremo deus grego do Olimpo, Zeus, enquanto Paulo foi identificado com o deus mensageiro, Hermes. Isto pode ser uma indicação de que Barnabé era mais alto — talvez bem mais alto — e Paulo era mais articulado verbalmente.

2. Em 2 Coríntios 10:10 Paulo faz uma referência a um comentário feito por seus antagonistas que dizia: “As cartas, com efeito, dizem, são graves e fortes; mas a presença pessoal dele é fraca, e a palavra, desprezível”.

3. Temos também a impressão de que Paulo sofria de algum tipo de enfermidade que dificultava seu relacionamento com as pessoas conforme podemos perceber em

Gálatas 4:13—15

13 E vós sabeis que vos preguei o evangelho a primeira vez por causa de uma enfermidade física.

14 E, posto que a minha enfermidade na carne vos foi uma tentação, contudo, não me revelastes desprezo nem desgosto; antes, me recebestes como anjo de Deus, como o próprio Cristo Jesus.

15 Que é feito, pois, da vossa exultação? Pois vos dou testemunho de que, se possível fora, teríeis arrancado os próprios olhos para mos dar.

4. Seria a enfermidade mencionada acima o motivo de suas reiteradas orações a Deus conforme ele nos diz em —

2 Coríntios 12:7—10

7 E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte.

8 Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim.

9 Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo.

10 Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte.

5. Paulo também faz uma referência ao fato de ser falto no falar — ver 2 Coríntios 11:6. Mas esta pode ser apenas uma expressão retórica já que a expressão ἰδιώτης idiótes — traduzida por “falto”, faz referência a pessoas simples em oposição a pessoas de posições mais elevadas — um cidadão comum em oposição a um oficial, magistrado e etc.

6. Além do mais, Paulo havia apanhado tanto por causa do seu testemunho acerca de Jesus e havia sofrido tantos acidentes por causa de suas viagens que, certamente, sua aparência física havia sido alterada de forma considerável por estes eventos —

2 Coríntios 11:23—28

23 São ministros de Cristo? (Falo como fora de mim.) Eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; muito mais em prisões; em açoites, sem medida; em perigos de morte, muitas vezes.

24 Cinco vezes recebi dos judeus uma quarentena de açoites menos um;

25 fui três vezes fustigado com varas; uma vez, apedrejado; em naufrágio, três vezes; uma noite e um dia passei na voragem do mar;

26 em jornadas, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos entre patrícios, em perigos entre gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos;

27 em trabalhos e fadigas, em vigílias, muitas vezes; em fome e sede, em jejuns, muitas vezes; em frio e nudez.

28 Além das coisas exteriores, há o que pesa sobre mim diariamente, a preocupação com todas as igrejas.

Paulo costumava se referir a estas marcas como sendo “as marcas de Cristo” —

Gálatas 6:17

Quanto ao mais, ninguém me moleste; porque eu trago no corpo as marcas de Jesus.

6. Por outro lado quando lemos suas epístolas, nós percebemos que estamos diante de um homem que era, ao mesmo tempo:

a. Inteligente e mentalmente articulado ao extremo.

b. Possuidor de uma natureza sensível.

c. Dono de uma vitalidade e de uma determinação capaz de enfrentar as mais duras provas sem esmorecer – ver sua reação em —

Atos 14:19—20

19 Sobrevieram, porém, judeus de Antioquia e Icônio e, instigando as multidões e apedrejando a Paulo, arrastaram-no para fora da cidade, dando-o por morto.

20 Rodeando-o, porém, os discípulos, levantou-se e entrou na cidade. No dia seguinte, partiu, com Barnabé, para Derbe.

d. Capaz de desenvolver amizades verdadeiras e duradouras.

7. Um presbítero do segundo século da Era Cristã descreveu Paulo como sendo: um homem de baixa estatura e completamente careca e que tinha também as pernas encurvadas; possuía todos os membros e suas sobrancelhas emendavam uma na outra, além de possuir um nariz grande e adunco. Algumas vezes ele se parecia como um homem qualquer e outras como um verdadeiro anjo”— ver “Os Atos de Paulo e Tecla” in loco.
                  .
8. Uma questão que nunca será resolvida de forma satisfatória tem a ver com o fato se Paulo era casado ou não. A grande maioria dos autores consultados acredita que Paulo ficou solteiro toda sua vida, mas há muitos que pensam o contrário. O argumento mais forte a favor daqueles que defendem a ideia de que Paulo era casado não está nas páginas do Novo Testamento e sim em uma lei judaica referente ao Sinédrio, que dizia que para um homem ser parte do mesmo precisava ser, necessariamente, tanto casado como pai de filhos. A inferência encontrada em Atos 26:10 indica, possivelmente, que Paulo era membro do Sinédrio. Mas esta evidência não é tão forte como pode parecer em um primeiro momento. E isso, por um simples motivo que muitas vezes passa despercebido aos defensores da ideia de que Paulo era casado. A lei judaica que acabamos de mencionar foi produzida pelo Rabi Akiba visando aumentar a moderação no Sinédrio em Jerusalém face à crescente atividade dos Zelotes, que arriscava incendiar o país inteiro. Essa lei foi produzida entre o final do primeiro e o início do segundo século da Era Cristã. Podemos dizer que quando a mesma foi introduzida, o apóstolo Paulo já se encontrava morto há, pelo menos, uns 30 anos. Portanto, tal lei jamais pode ser aplicada ao seu caso em particular. Antes da introdução daquela lei não havia a obrigatoriedade de o membro do Sinédrio ser casado e nem mesmo ser pai de filhos.

9. A menção feita por Clemente de Alexandria[2] — ver Stromata III, 6 — de que Paulo era realmente casado e que teria deixado sua esposa em Filipos, de tal maneira que ela não interferisse em suas viagens e a quem Paulo, eventualmente, se refere como “companheiro de jugo” em Filipenses 4:3, também não merece ser levada muito à sério e isso por um simples motivo: Paulo insiste com os solteiros e as viúvas de Corinto que “seria bom se permanecessem no estado em que também eu vivo”.  Que o estado ao qual ele se refere é o estado de alguém solteiro ou viúvo — não temos dúvidas, porque a alternativa a permanecer neste estado é o casamento —

1 Coríntios 7:8—9

8 E aos solteiros e viúvos digo que lhes seria bom se permanecessem no estado em que também eu vivo.

9 Caso, porém, não se dominem, que se casem; porque é melhor casar do que viver abrasado.

O apóstolo Paulo era um homem cosmopolita[3] e isto lhe permitia ministrar a uma grande variedade de pessoas e nas mais diversas culturas —

1 Coríntios 9:19—23

19 Porque, sendo livre de todos, fiz-me escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível.
20 Procedi, para com os judeus, como judeu, a fim de ganhar os judeus; para os que vivem sob o regime da lei, como se eu mesmo assim vivesse, para ganhar os que vivem debaixo da lei, embora não esteja eu debaixo da lei.

21 Aos sem lei, como se eu mesmo o fosse, não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo, para ganhar os que vivem fora do regime da lei.

22 Fiz-me fraco para com os fracos, com o fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para com todos, com o fim de, por todos os modos, salvar alguns.

23 Tudo faço por causa do evangelho, com o fim de me tornar cooperador com ele.

Ele nasceu em Tarso que era a cidade capital da província romana da Cilícia. Foi educado em Jerusalém e suas viagens missionárias e prisões o levaram a conhecer as maiores cidades dos seus dias: Éfeso, Filipos, Atenas, Corinto e Roma.

Quando lemos suas epístolas não é difícil perceber a influência que a vida urbana tinha sobre o que ele escreveu. Suas ilustrações e metáforas são tiradas, em grande parte, de aspectos da vida urbana e são, por este motivo, muito distintas daquelas produzidas pelo Senhor Jesus, que retirava a maioria das suas ilustrações e metáforas da vida agropastoril. Paulo faz frequentes citações em seus escritos aos seguintes elementos que eram muito comuns em todas as cidades da bacia do Mediterrâneo que haviam se desenvolvido segundo o modelo da “polis” — cidade — dos gregos.

1. Estádio — σταδίῳ stadío. Ver 1 Coríntios 9:24—27 e Filipenses 3:14.

2. Legislações diversas como eram aplicadas nos fóruns — ver Romanos 7:1—4; Gálatas 3:15 e 4:1—2.

3. As procissões dos guerreiros vitoriosos — ver 2 Coríntios 2:14 e Colossenses 2:15.

4. O mercado — ver 1 Coríntios 10:25—26.
 
Por ter sido treinado nas tradições milenares do judaísmo, e conhecer muito bem a cultura grega que prevalecia sobre toda a bacia do Mediterrâneo e, ainda por ser cidadão do Império romano, Paulo estava preparado, de forma única, para compartilhar o evangelho com o maior número de pessoas possível.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.


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[1] Fariseus — Seita que parece ter se iniciado depois do exílio babilônico, entre os chamados “hassidim”, que foram os homens piedosos que se aliaram a Judas Macabeu, para combater os invasores helenistas representados pela dinastia Selêucida, da Síria. Além dos livros do Antigo Testamento, os Fariseus reconheciam na tradição oral, um padrão de fé e vida que deveria ser seguido por todos os judeus. Os Fariseus procuravam alcançar reconhecimento e mérito através da observância externa dos ritos e formas de piedade, tais como: lavagens cerimoniais, jejuns, orações, e esmolas. Comparativamente, os fariseus eram negligentes da genuína piedade que consistia em: justiça, misericórdia, fé e amor de Deus — ver Mateus 6:1—7 e 16—18; ver também Mateus 23:23 e Lucas 11:42 — e, orgulhavam-se em suas boas obras.  Eles mantinham, de forma persistente, a fé na existência de anjos bons e maus, e na vinda do Messias e tinham esperança de que os mortos, após uma experiência preliminar de recompensa ou penalidade, no Hades, seriam novamente chamados à vida pelo Messias, e seriam recompensados, cada um de acordo com suas obras individuais. Em oposição à dominação da família de Herodes e do governo romano, eles, de forma decisiva, sustentavam a teocracia e a causa do seu país, e tinham grande influência sobre o povo comum. Eram inimigos amargos de Jesus e sua causa; e foram, por outro lado, duramente repreendidos por Jesus por causa da sua avareza, ambição, confiança vazia nas obras externas, e aparência de piedade a fim de ganhar popularidade.

[2] Clemente de Alexandria — nasceu em Atenas, na Grécia, em 150 a.D., e veio a falecer, provavelmente, em Alexandria, no Egito, entre os anos 211 e 215 a.D.

[3] Cosmopolita — 1. Indivíduo que vive ora num país, ora noutro, adotando-lhes com facilidade os usos e costumes. 2. Pessoa que se julga cidadão do mundo inteiro, ou para quem a pátria é o mundo.

Os comentários não representam a opinião do Blog O Grande Diálogo; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

AMAI-VOS UNS AOS OUTROS – ESTUDO 031 - GÁLATAS 6:2 — LEVAI AS CARGAS UNS DOS OUTROS



Esse artigo é parte da série "Amai-vos Uns aos Outros" e é muito recomendável que o leitor procure conhecer todos os aspectos dos mandamentos nos quais o Senhor nos ordena demonstrarmos amor uns pelos outros. No final do artigo você encontrará links para outros estudos dessa série.

VIVENDO A VIDA COMUM DOS SANTOS DE DEUS

Introdução.

A. Pessoas em todos os lugares têm problemas e necessitam de cuidados de algum tipo. E os cristãos, não são exceção. Entre estes problemas nós vamos encontrar: 
1. Solidão e depressão. 
2. Ansiedade quanto ao futuro ou preocupações e cuidados com alguém próximo. 
3. Necessidades materiais e até mesmo pobreza. 
4. Enfermidades crônicas, algumas terminais e sequelas de acidentes. 
5. Escravidão a algum hábito ruim — como a mentira — ou a algum vício.  
B. Diante deste quadro nós temos que reafirmar duas verdades fundamentais: 
1. A fé em Jesus Cristo não isenta a ninguém dos cuidados desta vida. 
2. A fé em Jesus Cristo nos capacita a suportar as dificuldades, por que a Palavra de Deus nos diz: 
Romanos 8:28 
Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. 
C. Além disso, nós ainda temos um enorme privilégio que é o seguinte: nossa fé em Cristo nos coloca na companhia de pessoas que, por causa do amor que têm por Jesus Cristo, estão verdadeiramente interessadas em ajudar umas às outras a suportar as dificuldades. 
D. Na mensagem anterior nós falamos acerca da necessidade que temos, como cristão, de nos colocar à serviço uns dos outros. A partir de hoje e, até o final desta série, nós queremos falar de formas práticas em que podemos servir uns aos outros. 
E. Uma das melhores maneiras de servir uns aos outros, sabendo que todos nós enfrentamos dificuldades nessa vida, é obedecendo ao mandamento de reciprocidade que diz...  
Levai as Cargas uns dos Outros 
Introdução 
A. Quando pensamos na nossa responsabilidade de ajudar a levar as cargas uns dos outros, temos que começar, antes de qualquer outra coisa, aprender a olhar para o Senhor Jesus que, como não poderia deixar de ser, estabelece o exemplo que devemos seguir. Note as seguintes passagens: 
Isaías 53:4—5 
Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. 
2 Coríntios 8:9 
Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos. 
1 Pedro 2:24 
Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados. 
I. O Mandamento. 
Gálatas 6:2 
Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo. 
II. Definição dos Termos: 
βαστάζετε  bastázete — 1. Pegar com as mãos; 2. Pegar a fim de carregar ou levar, colocar algo sobre si mesmo para ser carregado; 3. Levar o que é duro de suportar. 
Levar as cargas uns dos outros, é o ato de tomar, sobre nós mesmos, a dificuldade, problema ou a circunstância opressiva que aflige outro cristão, como se fossem nossas mesmas, e fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para aliviar as mesmas. 
II. Exemplos Bíblicos 
Atos 11:27—30 
Naqueles dias, desceram alguns profetas de Jerusalém para Antioquia, e, apresentando-se um deles, chamado Ágabo, dava a entender, pelo Espírito, que estava para vir grande fome por todo o mundo, a qual sobreveio nos dias de Cláudio — Tiberius Claudius Caesar Augustus Germanicus imperador romano de 41—54 a.D. Os discípulos, cada um conforme as suas posses, resolveram enviar socorro aos irmãos que moravam na Judéia; o que eles, com efeito, fizeram, enviando-o aos presbíteros por intermédio de Barnabé e de Saulo. 
Filemon: 10, 17—19 
Solicito-te em favor de meu filho Onésimo, que gerei entre algemas... Se, portanto, me consideras companheiro, recebe-o, como se fosse a mim mesmo. E, se algum dano te fez ou se te deve alguma coisa, lança tudo em minha conta.   Eu, Paulo, de próprio punho, o escrevo: Eu pagarei — para não te alegar que também tu me deves até a ti mesmo. 
III. De Que Maneira Podemos Levar as Cargas Uns dos Outros? 
Dificuldades, cuidados e problemas são sempre situacionais. Devemos nos empenhar para satisfazer a necessidade diante de nós, levando em conta os aspectos particulares de cada situação. Mas, Independente da situação, aqui estão algumas coisas que podemos sempre fazer: 
A. Diga para a pessoa que você está preocupado e disposto a ajudar. Procure demonstrar simpatia e interesse genuínos. 
B. Ore com a pessoa. Ore também por ela e deixe-a saber que você está orando. 
C. Gaste tempo com a pessoa quando ela precisar de conforto ou de amizade. 
D. Procure suprir necessidades financeiras, se as mesmas existirem. Necessidades financeiras podem se manifestar de formas variadas: roupas, alimentos, medicamentos, moradia e, até mesmo dinheiro. 
E. Encoraje a pessoas a abandonar o pecado ou um mau hábito. 
F. Compartilhe a palavra de Deus e procure aplicar a mesma à situação enfrentada pela pessoa. 
IV. Implicações Contidas Neste Mandamento 
Este mandamento, que nos diz que devemos levar as cargas uns do outros, possui as seguintes implicações: 
A. Como cristão nós enfrentamos todos os tipos de problemas e dificuldades. Lembre-se que seu problema não é algo único e não deve ser, em nenhuma hipótese, motivo de vergonha. 
B. Crentes devem falar uns com outros, todas as vezes que estiverem enfrentando problemas. Não é intenção nem o desejo de Deus, que o cristão carregue suas cargas sozinho. Foi por este motivo que ele nos colocou juntos, aqui: para que ajudemos a levar as cargas uns dos outros. 
C. Assim que um cristão toma conhecimento que um irmão ou irmã está carregando algum fardo, é sua obrigação tomar sobre si aquele fardo. Se não agir assim está desconsiderando e desobedecendo a Lei de Cristo e terá que responder por isso diante do Senhor.   
D. Levar as cargas é situacional e específico. Nossa ajuda deve estar voltada para satisfazer necessidades específicas, em situações bem definidas. 
E. Quando tomamos sobre nós as cargas uns dos outros, nós demonstramos que estamos andando de acordo com o Espírito Santo de Deus. Quando nos recusamos, demonstramos que estamos em pecado.
Conclusão:
A. É óbvio que só podemos levar as cargas uns dos outros se estivermos juntos. Cada um na sua casa ou encontros casuais, não nos permitem cumprir este mandamento. Não é possível conhecer as necessidades uns dos outros agindo desta maneira.

B. Quando falamos de cargas, estamos nos referindo ao seguinte. A lista a seguir é não exaustiva:

1. Fraqueza referente à personalidade, hábitos ou fé.

2. Aflições físicas tais como: enfermidades, fome, maus tratos e prisão.

3. Necessidades financeiras ou de abrigo.

4. Aflições espirituais e mentais, tais como:

a. Pecados

Gálatas 6:1

Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado.

b. Medo e dúvidas

2 Coríntios 7:5—6

5  Porque, chegando nós à Macedônia, nenhum alívio tivemos; pelo contrário, em tudo fomos atribulados: lutas por fora, temores por dentro.

6  Porém Deus, que conforta os abatidos, nos consolou com a chegada de Tito;

c. Perplexidade

2 Coríntios 4:18

Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas.

d. Ansiedade quanto ao próprio futuro ou de outros

Filipenses 4:6

Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças.

e. Solidão

Filipenses 2:26

Visto que ele tinha saudade de todos vós e estava angustiado porque ouvistes que adoeceu.

C. Quando cristãos levam as cargas uns dos outros, eles promovem o bem estar, não apenas do necessitado, mas de todo o corpo de Cristo.

D. Quando um membro sofre, todos sofrem junto. Da mesma maneira, quando um membro é ajudado, a Igreja, como um todo, é ajudada.

E. Além disso, levar as cargas uns dos outros, é uma excelente maneira de mostrar ao mundo que nós levamos nosso compromisso com Deus à sério.

F. Quando o mundo consegue enxergar que os cristãos amam uns aos outros, a ponto de levar as cargas uns dos outros, eles se sentirão mais interessados em se aproximar do Senhor Jesus pelos motivos certos — amor, misericórdia, compaixão e graça.

G. Que o Senhor Jesus, que carregou sobre si mesmo os nossos pecados, nos ajude a enxergar o privilégio que temos, em poder levar as cargas uns dos outros.

Amém.

OUTROS ESTUDOS ACERCA DA VIDA COMUM DOS SANTOS DE DEUS.

001 — O Custo do Discipulado =

002 — Uma Proposta de Vida =

003 e 004 — Comunhão e Interdependência =

005 — Os Dons espirituais e a Vida Comum =

006 — Discipulado =

007 — O Amor ao Próximo =

008 — Amai-vos uns aos outros — Parte 1 — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS

009 — Amai-vos uns aos outros — Parte 2 — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS

010 — Romanos 15:1—7 — Acolhei-vos Uns aos Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — Parte 3

011 — Romanos 16:16 — Saudai-vos Uns Aos Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — Parte 04

012 — 1 Coríntios 12:24—25 — Tande o Mesmo Cuidado Uns Para Com os Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — Parte 05

013 — Efésios 5:18-21 — Sujeitai-vos ou Submetei-vos Uns Aos Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — Parte 06

014 — Efésios 4:1—3 — Suportai-vos Uns Aos Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — Parte 07

015 — Tiago 5:16 — Confessai Vossos Pecados uns Aos Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — Parte 08

016 — Colossenses 3:12—13 — Perdoai uns Aos Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — Parte 09

017 — Romanos 14:13 — Não Julgueis Uns Aos Outros — Parte A — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — Parte 10A

018 — Romanos 14:13 — Não Julgueis Uns Aos Outros — Parte B — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — Parte 10B

019 — Tiago 4:11 — Não faleis Mal uns dos Outros — AMAI-VOS UNS AOS AOS OUTROS — Parte 11

020 — Tiago 5:9 — Não Vos Queixeis uns dos Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — Parte 12

021 — Gálatas 5:14—15 — Não Vos Mordais nem Devoreis uns Aos Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — Parte 13

022 — Gálatas 5:25—26 — Não Provoqueis Uns aos Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — Parte 14

023 — Gálatas 5:25—26 — Não Invejeis Uns aos Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — Parte 15

024 — Colossenses 3:9—10 — Não Mintais uns aos Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — Parte 16

025 — Romanos 14:29 e 1 Tessalonicenses 5:11  — Edificar uns aos outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — PARTE 17

026 — Colossenses 3:16  — Instruí-vos Mutuamente — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — PARTE 18

027 — 1 Tessalonicense 5:1 e Hebreus 3:12—13  — Consolai-vos e Exortai-vos Uns aos Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS — PARTE 19

028 — Romanos 15:14 e Colossenses 3:16 — Admoestai-vos ou Aconselhai-vos uns aos outros —  AMAI-VOS UNS AOS OUTROS – Parte 20 — SERMÃO 028

029 — Efésios 5:18—20 e Colossenses 3:16 — Falando entre vós com... — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS – Parte 21 — SERMÃO 029

030 — Gálatas 5:13—14 — Sede Servos Uns dos Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS – Parte 22 — SERMÃO 030

031 — Gálatas 6:2 — Levai as Cargas Uns dos Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS – Parte 23 — SERMÃO 031

032 — 1 Pedro 4:7—10 — Sede Mutuamente Hospitaleiros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS – Parte 24 — SERMÃO 032

033 — Efésios 4:31—32 — Sede Benignos Uns Para Com Os Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS – Parte 25 — SERMÃO 033

034 — Tiago 5:16 — Orai Uns Pelos Outros — AMAI-VOS UNS AOS OUTROS – Parte 26 — SERMÃO 034
Grande Abraço e que Deus possa abençoar a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.