Mostrando postagens com marcador Sinagoga. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sinagoga. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

A VIDA DO APÓSTOLO PAULO — ESTUDO 001 - AS ORIGENS DE PAULO


Resultado de imagem para saulo de tarso
Concepção artística do encontro de Paulo com o Senhor Jesus

Essa é uma série de artigos acerca da vida do apóstolo Paulo em ordem cronológica. Convidamos todos os nossos leitores a acompanharem a mesma à medida que for sendo publicada. Boa leitura.

A vida do Apóstolo Paulo é única. Tendo iniciado sua vida pública como fariseu e aluno de Gamaliel, quando ainda era chamado Saulo, tornou-se num feroz perseguidor da Igreja do Senhor Jesus. Após um encontro pessoal com Jesus no caminho para Damasco, para onde se dirigia com a intenção de prender e arrastar de volta para Jerusalém crentes em Cristo, ele teve seu nome mudado para Paulo e tornou-se no maior pregador do evangelho da graça de Deus. Seus escritos, parte integral do Novo Testamento, continuam influentes até nossos dias. Vale a pena conhecer um pouco melhor sua trajetória, em ordem cronológica, começando pelo artigo logo abaixo.

I. As origens de Paulo.

De acordo com sua própria informação —

Filipenses 3:5

Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu.

Paulo era um judeu descendente da tribo de Benjamin. Como era comum naqueles dias, ele havia recebido de seus pais o mesmo nome do mais importante personagem da tribo de Benjamim: שָׁאוּל Shaul cujo significado é: desejado. Saul foi o primeiro rei da nação de Israel e, por esse motivo, era apenas natural que os descendentes daquela tribo dessem a seus filhos seu nome, apesar de sua vida representar um péssimo exemplo para qualquer judeu sincero em sua fé no Deus ETERNO. A versão grega do nome Saul é Σαῦλος Saûlos — Saulo. E é por este nome — Saulo — que ele é chamado inicialmente no Livro dos Atos dos Apóstolos. Mas ele é também chamado de Παῦλος Paûlos — Paulo, cujo significado é: pequeno ou menor — ver Atos 13:9.

Sabemos muito pouco acerca dos progenitores de Paulo e, por causa de seu status como cidadão judeu, podemos afirmar com certeza que sua mãe era judia. Sua afirmação de que era “hebreu de hebreus”, como vimos acima, é compreendida por muitos como uma prova definitiva de que ele era um legítimo descendente de pai e mãe judeus. Pela sua trajetória religiosa, nós podemos dizer que os pais de Saulo pertenciam à seita dos fariseus[1] ou que eram, pelo menos, grandemente influenciados por eles.

Do resto de sua família pouco ou quase nada sabemos, exceto que ele tinha uma irmã que estava em Jerusalém na mesma ocasião em que ele foi feito prisioneiro ali — ver Atos 23:16.

Paulo nasceu na cidade de Tarso — ao norte da região da Palestina — e por este motivo era chamado de Saulo de Tarso — ver Atos 9:11 e 21:39. É provável que Paulo tivesse aprendido o ofício de fabricante de tendas — ver Atos 18:1—3 — ainda quando morava em Tarso, mas as afirmações contidas em Atos 22:3 parecem indicar que ele cresceu em Jerusalém e não em Tarso.

Havia uma lei no judaísmo que exigia que os meninos iniciassem os estudos das Escrituras aos cinco anos de idade e o estudo das tradições religiosas aos dez. Certamente Paulo se viu imerso nesta cultura de estudos logo cedo em sua vida sendo ensinado tanto na sinagoga local quanto em casa. Os judeus também incentivavam o trabalho manual e eram comuns ditados que expressavam ideias de que: força intelectual e atividades físicas — trabalho — andam de mãos dadas. Como exemplo disso nós podemos citar o seguinte: “Quem não ensina seu filho a trabalhar está ensinando-o a roubar”. Esse é certamente o verdadeiro motivo porque Paulo também aprendeu o ofício de “fabricar tendas”. O objetivo desse tipo de formação — educação + trabalho — era produzir um homem que fosse capaz tanto de pensar, quanto de produzir.

Aos treze anos os meninos judeus se tornavam em “Bar Mitzvah” i.e., “filho do mandamento”. Naquele momento eles aceitavam a obrigação de cumprir a Lei e aqueles que haviam se mostrado mais promissores, durante o tempo de preparação, eram encaminhados para as escolas rabínicas onde podiam ser treinados sob a supervisão de afamados mestres. Foi depois de se tornar Bar Mitzvah que Paulo foi encaminhado para Jerusalém para continuar seus estudos. Nesse período ele deve ter ficado hospedado na casa de sua irmã que foi mencionada acima. Segundo suas próprias palavras: “Eu sou judeu, nasci em Tarso da Cilícia, mas criei-me nesta cidade e aqui fui instruído aos pés de Gamaliel, segundo a exatidão da lei de nossos antepassados, sendo zeloso para com Deus, assim como todos vós o sois no dia de hoje” — Atos 22:3. Nesse versículo fica bem clara a vinculação da sua ida à Jerusalém com o inicio do seu treinamento rabínico aos pés de Gamaliel. O fato de que Paulo foi enviado para estudar em Jerusalém e não em outro local indica, indiretamente, quão promissor ele devia ser como aluno. E de fato, segundo suas próprias palavras: “E, na minha nação, quanto ao judaísmo, avantajava-me a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus paisGálatas 1:14”.

O que sabemos acerca da aparência física do apóstolo Paulo? Muito pouco é verdade. O Novo Testamento nos oferece bem poucas ideias. De toda informação disponível nós podemos concluir o seguinte:

1. Atos 14:12 nos diz que o povo da cidade de Listra identificou Barnabé com o supremo deus grego do Olimpo, Zeus, enquanto Paulo foi identificado com o deus mensageiro, Hermes. Isto pode ser uma indicação de que Barnabé era mais alto — talvez bem mais alto — e Paulo era mais articulado verbalmente.

2. Em 2 Coríntios 10:10 Paulo faz uma referência a um comentário feito por seus antagonistas que dizia: “As cartas, com efeito, dizem, são graves e fortes; mas a presença pessoal dele é fraca, e a palavra, desprezível”.

3. Temos também a impressão de que Paulo sofria de algum tipo de enfermidade que dificultava seu relacionamento com as pessoas conforme podemos perceber em

Gálatas 4:13—15

13 E vós sabeis que vos preguei o evangelho a primeira vez por causa de uma enfermidade física.

14 E, posto que a minha enfermidade na carne vos foi uma tentação, contudo, não me revelastes desprezo nem desgosto; antes, me recebestes como anjo de Deus, como o próprio Cristo Jesus.

15 Que é feito, pois, da vossa exultação? Pois vos dou testemunho de que, se possível fora, teríeis arrancado os próprios olhos para mos dar.

4. Seria a enfermidade mencionada acima o motivo de suas reiteradas orações a Deus conforme ele nos diz em —

2 Coríntios 12:7—10

7 E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte.

8 Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim.

9 Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo.

10 Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte.

5. Paulo também faz uma referência ao fato de ser falto no falar — ver 2 Coríntios 11:6. Mas esta pode ser apenas uma expressão retórica já que a expressão ἰδιώτης idiótes — traduzida por “falto”, faz referência a pessoas simples em oposição a pessoas de posições mais elevadas — um cidadão comum em oposição a um oficial, magistrado e etc.

6. Além do mais, Paulo havia apanhado tanto por causa do seu testemunho acerca de Jesus e havia sofrido tantos acidentes por causa de suas viagens que, certamente, sua aparência física havia sido alterada de forma considerável por estes eventos —

2 Coríntios 11:23—28

23 São ministros de Cristo? (Falo como fora de mim.) Eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; muito mais em prisões; em açoites, sem medida; em perigos de morte, muitas vezes.

24 Cinco vezes recebi dos judeus uma quarentena de açoites menos um;

25 fui três vezes fustigado com varas; uma vez, apedrejado; em naufrágio, três vezes; uma noite e um dia passei na voragem do mar;

26 em jornadas, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos entre patrícios, em perigos entre gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos;

27 em trabalhos e fadigas, em vigílias, muitas vezes; em fome e sede, em jejuns, muitas vezes; em frio e nudez.

28 Além das coisas exteriores, há o que pesa sobre mim diariamente, a preocupação com todas as igrejas.

Paulo costumava se referir a estas marcas como sendo “as marcas de Cristo” —

Gálatas 6:17

Quanto ao mais, ninguém me moleste; porque eu trago no corpo as marcas de Jesus.

6. Por outro lado quando lemos suas epístolas, nós percebemos que estamos diante de um homem que era, ao mesmo tempo:

a. Inteligente e mentalmente articulado ao extremo.

b. Possuidor de uma natureza sensível.

c. Dono de uma vitalidade e de uma determinação capaz de enfrentar as mais duras provas sem esmorecer – ver sua reação em —

Atos 14:19—20

19 Sobrevieram, porém, judeus de Antioquia e Icônio e, instigando as multidões e apedrejando a Paulo, arrastaram-no para fora da cidade, dando-o por morto.

20 Rodeando-o, porém, os discípulos, levantou-se e entrou na cidade. No dia seguinte, partiu, com Barnabé, para Derbe.

d. Capaz de desenvolver amizades verdadeiras e duradouras.

7. Um presbítero do segundo século da Era Cristã descreveu Paulo como sendo: um homem de baixa estatura e completamente careca e que tinha também as pernas encurvadas; possuía todos os membros e suas sobrancelhas emendavam uma na outra, além de possuir um nariz grande e adunco. Algumas vezes ele se parecia como um homem qualquer e outras como um verdadeiro anjo”— ver “Os Atos de Paulo e Tecla” in loco.
                  .
8. Uma questão que nunca será resolvida de forma satisfatória tem a ver com o fato se Paulo era casado ou não. A grande maioria dos autores consultados acredita que Paulo ficou solteiro toda sua vida, mas há muitos que pensam o contrário. O argumento mais forte a favor daqueles que defendem a ideia de que Paulo era casado não está nas páginas do Novo Testamento e sim em uma lei judaica referente ao Sinédrio, que dizia que para um homem ser parte do mesmo precisava ser, necessariamente, tanto casado como pai de filhos. A inferência encontrada em Atos 26:10 indica, possivelmente, que Paulo era membro do Sinédrio. Mas esta evidência não é tão forte como pode parecer em um primeiro momento. E isso, por um simples motivo que muitas vezes passa despercebido aos defensores da ideia de que Paulo era casado. A lei judaica que acabamos de mencionar foi produzida pelo Rabi Akiba visando aumentar a moderação no Sinédrio em Jerusalém face à crescente atividade dos Zelotes, que arriscava incendiar o país inteiro. Essa lei foi produzida entre o final do primeiro e o início do segundo século da Era Cristã. Podemos dizer que quando a mesma foi introduzida, o apóstolo Paulo já se encontrava morto há, pelo menos, uns 30 anos. Portanto, tal lei jamais pode ser aplicada ao seu caso em particular. Antes da introdução daquela lei não havia a obrigatoriedade de o membro do Sinédrio ser casado e nem mesmo ser pai de filhos.

9. A menção feita por Clemente de Alexandria[2] — ver Stromata III, 6 — de que Paulo era realmente casado e que teria deixado sua esposa em Filipos, de tal maneira que ela não interferisse em suas viagens e a quem Paulo, eventualmente, se refere como “companheiro de jugo” em Filipenses 4:3, também não merece ser levada muito à sério e isso por um simples motivo: Paulo insiste com os solteiros e as viúvas de Corinto que “seria bom se permanecessem no estado em que também eu vivo”.  Que o estado ao qual ele se refere é o estado de alguém solteiro ou viúvo — não temos dúvidas, porque a alternativa a permanecer neste estado é o casamento —

1 Coríntios 7:8—9

8 E aos solteiros e viúvos digo que lhes seria bom se permanecessem no estado em que também eu vivo.

9 Caso, porém, não se dominem, que se casem; porque é melhor casar do que viver abrasado.

O apóstolo Paulo era um homem cosmopolita[3] e isto lhe permitia ministrar a uma grande variedade de pessoas e nas mais diversas culturas —

1 Coríntios 9:19—23

19 Porque, sendo livre de todos, fiz-me escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível.
20 Procedi, para com os judeus, como judeu, a fim de ganhar os judeus; para os que vivem sob o regime da lei, como se eu mesmo assim vivesse, para ganhar os que vivem debaixo da lei, embora não esteja eu debaixo da lei.

21 Aos sem lei, como se eu mesmo o fosse, não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo, para ganhar os que vivem fora do regime da lei.

22 Fiz-me fraco para com os fracos, com o fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para com todos, com o fim de, por todos os modos, salvar alguns.

23 Tudo faço por causa do evangelho, com o fim de me tornar cooperador com ele.

Ele nasceu em Tarso que era a cidade capital da província romana da Cilícia. Foi educado em Jerusalém e suas viagens missionárias e prisões o levaram a conhecer as maiores cidades dos seus dias: Éfeso, Filipos, Atenas, Corinto e Roma.

Quando lemos suas epístolas não é difícil perceber a influência que a vida urbana tinha sobre o que ele escreveu. Suas ilustrações e metáforas são tiradas, em grande parte, de aspectos da vida urbana e são, por este motivo, muito distintas daquelas produzidas pelo Senhor Jesus, que retirava a maioria das suas ilustrações e metáforas da vida agropastoril. Paulo faz frequentes citações em seus escritos aos seguintes elementos que eram muito comuns em todas as cidades da bacia do Mediterrâneo que haviam se desenvolvido segundo o modelo da “polis” — cidade — dos gregos.

1. Estádio — σταδίῳ stadío. Ver 1 Coríntios 9:24—27 e Filipenses 3:14.

2. Legislações diversas como eram aplicadas nos fóruns — ver Romanos 7:1—4; Gálatas 3:15 e 4:1—2.

3. As procissões dos guerreiros vitoriosos — ver 2 Coríntios 2:14 e Colossenses 2:15.

4. O mercado — ver 1 Coríntios 10:25—26.
 
Por ter sido treinado nas tradições milenares do judaísmo, e conhecer muito bem a cultura grega que prevalecia sobre toda a bacia do Mediterrâneo e, ainda por ser cidadão do Império romano, Paulo estava preparado, de forma única, para compartilhar o evangelho com o maior número de pessoas possível.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.


_______________


[1] Fariseus — Seita que parece ter se iniciado depois do exílio babilônico, entre os chamados “hassidim”, que foram os homens piedosos que se aliaram a Judas Macabeu, para combater os invasores helenistas representados pela dinastia Selêucida, da Síria. Além dos livros do Antigo Testamento, os Fariseus reconheciam na tradição oral, um padrão de fé e vida que deveria ser seguido por todos os judeus. Os Fariseus procuravam alcançar reconhecimento e mérito através da observância externa dos ritos e formas de piedade, tais como: lavagens cerimoniais, jejuns, orações, e esmolas. Comparativamente, os fariseus eram negligentes da genuína piedade que consistia em: justiça, misericórdia, fé e amor de Deus — ver Mateus 6:1—7 e 16—18; ver também Mateus 23:23 e Lucas 11:42 — e, orgulhavam-se em suas boas obras.  Eles mantinham, de forma persistente, a fé na existência de anjos bons e maus, e na vinda do Messias e tinham esperança de que os mortos, após uma experiência preliminar de recompensa ou penalidade, no Hades, seriam novamente chamados à vida pelo Messias, e seriam recompensados, cada um de acordo com suas obras individuais. Em oposição à dominação da família de Herodes e do governo romano, eles, de forma decisiva, sustentavam a teocracia e a causa do seu país, e tinham grande influência sobre o povo comum. Eram inimigos amargos de Jesus e sua causa; e foram, por outro lado, duramente repreendidos por Jesus por causa da sua avareza, ambição, confiança vazia nas obras externas, e aparência de piedade a fim de ganhar popularidade.

[2] Clemente de Alexandria — nasceu em Atenas, na Grécia, em 150 a.D., e veio a falecer, provavelmente, em Alexandria, no Egito, entre os anos 211 e 215 a.D.

[3] Cosmopolita — 1. Indivíduo que vive ora num país, ora noutro, adotando-lhes com facilidade os usos e costumes. 2. Pessoa que se julga cidadão do mundo inteiro, ou para quem a pátria é o mundo.

Os comentários não representam a opinião do Blog O Grande Diálogo; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

ATOS DOS APÓSTOLOS - SERMÃO 025 — UM HOMEM CHAMADO ESTÊVÃO - Atos 6:8—12


Disputa de Estéfano - Pinacoteca de Brera - Milão

Esse material é parte de uma série de mensagens pregadas no Livro dos Atos dos Apóstolos. As mensagens cobrem todos os 28 capítulos do Livro de Atos e no final de cada mensagem, você poderá encontrar links para outras mensagens.


Introdução

A. Logo após o derramamento do Espírito Santo, registrado em Atos 2, em cumprimento à profecia de Joel 2, Lucas nos informa que mal a Igreja cristã começou, também começaram as perseguições externas e os problemas internos.

B. Esses fatos fazem ruir, por completo, a pretensão de muitos que dizem que precisamos retornar aos dias e às práticas da Igreja Cristã Primitiva, como se ela fosse um modelo isento de dificuldades. Não era! E, como já tivemos oportunidade de perceber, aqueles irmãos além de sofrerem ataques externos, estavam também sujeitos a problemas internos, tais como:

1. A prática de mentira e de atitudes hipócritas como no caso de Ananias e Safira — ver Atos 5:1—11.

2. A prática da murmuração como no caso das viúvas dos gregos que estavam sendo desprezadas na distribuição diária de alimentos – ver Atos 6:1.

C. Temos que entender que o fato de sermos justificados — declarados justos em Cristo — não equivale a dizer que nos tornamos moralmente perfeitos. Nós somos pecadores e, onde existem pecadores, sempre haverá pecado e suas tristes consequências.  
D. Mas a existência do pecado na vida dos indivíduos e das comunidades cristãs nunca foi empecilho para o Senhor fazer Sua obra. Nem naqueles dias. Nem nos dias de hoje.

1. Assim, a missão cristã de levar avante a mensagem do Evangelho prosseguiu, apesar dos problemas internos.

2. O evangelho chegou à Samaria — ver Atos 8:4—40 — alcançou o fariseu Saulo de Tarso — ver Atos 9:1—31 — e, por fim chegou aos gentios através da conversão de Cornélio — ver Atos 10:1—11.18.

E. E toda essa expansão teve início com... 

UM HOMEM CHAMADO Στέφανος — Stéfanos — ESTÊVÃO = COROADO

I. Estêvão – verso 8.

A. Estêvão é caracterizado nas páginas do livro de Atos como um homem: ver Atos 6:3 e 8

1. De boa reputação.

2. Cheio do Espírito Santo.

3. Cheio de Sabedoria.

4. Cheio de graça, i. e., de uma personalidade graciosa parecida com a do próprio Senhor Jesus.

5. Cheio de poder que era capaz de fazer prodígios e sinais entre o povo.

B. Lucas deixa claro que o exercício do poder para praticar sinais e prodígios era algo exclusivo dos apóstolos —

Atos 2:43

Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos.

Atos 5:12

Muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos. E costumavam todos reunir-se, de comum acordo, no Pórtico de Salomão.

— mas é óbvio que Estêvão e Felipe — dois dos sete escolhidos pela comunidade para conduzir a distribuição diária dos alimentos — eram exceções à essa regra —

Atos 6:8

Estêvão, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo.

Atos 8:6

As multidões atendiam, unânimes, às coisas que Filipe dizia, ouvindo-as e vendo os sinais que ele operava.

C. A alegação de que tamanha manifestação de poder deve ser exibida nos dias de hoje por todos os pastores não se sustenta nem pelas Escrituras nem pela realidade dos fatos.

D. É óbvio que as ações de Estêvão — suas pregações e milagres — despertavam nos judeus o mesmo tipo de antipatia e inveja que o Sinédrio já tinha manifestado pelos apóstolos —

Atos 5:17—18

17 Levantando-se, porém, o sumo sacerdote e todos os que estavam com ele, isto é, a seita dos saduceus, tomaram-se de inveja,

18 prenderam os apóstolos e os recolheram à prisão pública.

E. A pregação da verdade vai sempre incomodar as pessoas e não foi diferente no caso de Estêvão com relação aos judeus que frequentavam a Sinagoga dos Libertos, em Jerusalém. Estêvão ia lá para pregar a salvação em Cristo e estava enfrentando oposição de muitos naquele ambiente.

F. Tal oposição é ilustrativa do que aconteceu muitas outras vezes na história da igreja e do que tem acontecido, inclusive, até mesmo nos dias de hoje.  

II. Os Inimigos de Estêvão – verso 9—10.

A. Os inimigos de Estêvão estavam centrados em uma sinagoga chamada Sinagoga dos Libertos.

B. Sinagoga — As sinagogas foram idealizadas pelos judeus como uma forma de compensação pela destruição do Templo em Jerusalém pelos babilônios.

1. Nelas era possível ler as Escrituras Sagradas e ouvir uma exposição das mesmas, inclusive com tradução para outros idiomas. Era um fórum democrático e qualquer mestre, reconhecido como tal, podia fazer uso da palavra — ver Lucas 4:16—30.

2. Era também possível oferecer orações e participar de eventos comunitários. Não havia a apresentação de nenhum tipo de sacrifício como acontecia no Templo.

3. A sinagoga foi um passo importante na transformação da fé judaica, de uma fé centrada no 
sacerdócio, no Templo em Jerusalém e nas Escrituras do Antigo Testamento, para uma fé centrada nos rabinos, na sinagoga e no Talmude — essa horrorosa invenção dos rabinos judeus escrita para descaracterizar o texto do Antigo Testamento.

4. Ela também serviu de modelo para a forma adotada pela Igreja Cristã com seus “prédios”, chamados de “igreja” e seus líderes, chamados de “pastores”.  

C. Libertos. Essa é uma palavra curiosa. Ela nos é apresentada no Novo Testamento como Λιβερτίνων Libertínon — e é uma transliteração do termo latino equivalente: “libertini”. Eram chamados de “libertos” todos aqueles que, alguma vez em suas vidas, haviam sido escravos dos romanos e que haviam sido postos em liberdade.

D. Aparentemente, muitos desses escravos libertados eram judeus da diáspora e alguns se mudaram para Jerusalém vindo de regiões distantes, como o norte da África — Cirenaica e Alexandria — do norte da Palestina — Cilícia, onde estava localizada a cidade de Tarso — e da Ásia. Eles retornavam para: 1) se aposentar em Jerusalém; 2) morrer e ser sepultado próximo do templo de Deus, pois consideravam isso, de forma supersticiosa, um privilégio que os distinguia das outras pessoas.

E. Era nessa sinagoga que Estêvão costumava congregar e, como era mestre, ensinar acerca de Jesus e da ressurreição. O texto de Atos nos diz que aqueles homens não podiam resistir “à sabedoria e ao Espírito, pelo qual ele falava” – ver Atos 6:10 e comparar com Lucas 12:11—12 e 21:14—15.

III. As Táticas Utilizadas Pelos Inimigos de Estêvão – versos 11—15.

A. Tudo começou com um questionamento acerca daquilo que Estêvão estava ensinando.

B. Não tendo argumentos para discutir — grego συζητέω suzetéo = procurar ou examinar algo juntos; no Novo Testamento é usado no sentido de: discutir, disputar e questionar — os inimigos de Estêvão resolveram apelar para a ignorância. 

C. Quando faltam argumentos sobram atos de violência e crueldade. Alguns desses atos são sutis, mas outras vezes, são bem acintosos. Nesse caso, para os inimigos de Estêvão, não havia nada que “um pouco de lama” não fosse suficiente para resolver o problema.

1. Eles subornaram alguns homens para inventarem mentiras contra Estêvão, alegando que ele havia proferido blasfêmias — denegrido — contra Moisés e contra Deus — verso 11.

2. Com isso eles conseguiram criar um movimento de oposição a Estêvão e seus ensinamentos, que era suficiente para sublevar o povo, os anciãos e os escribas — verso 12a.

D. Dessa forma, com toda essa mobilização, eles foram capazes de prender Estêvão e arrastá-lo para o Sinédrio — verso 12b.

E. Assim, a oposição ao nível teológico degenerou em falsas acusações e mentiras até culminar com a violência da prisão.

Conclusão

A. A Comunidade Boas Novas é uma comunidade de pessoas justificadas — declaradas justas por Deus — mas não pretende que seus membros sejam moralmente perfeitos. Somos todos pecadores e se alguém está aqui à procura da igreja perfeita, queremos deixar claro que esse não é o lugar certo para você.

B. Nós somos como a Igreja Cristã Primitiva, somos uma comunidade de pessoas imperfeitas que luta contra o pecado no indivíduo, na comunidade cristã e na sociedade. Não temos, em nenhum momento que seja, a pretensão de sermos moralmente perfeitos. Nós somos todos pecadores.

C. Infelizmente, temos que compreender que:

1. Sempre existirão aqueles que usam as dificuldades causadas pelo pecado, como uma desculpa que acham aceitável, para se afastarem da comunhão cristã. No fundo essas pessoas se acham “boas demais” para se misturar com reles pecadores. É fácil identificar essas pessoas:

a. Elas não aceitam que cometem erros também e nunca pedem perdão por seus pecados.

b. Sendo assim “perfeitos”, essas pessoas além de não reconhecerem seus erros e pedir perdão pelos mesmos, não admitem o pecado na vida dos outros e não estão dispostos a perdoar quando alguém lhes é ofensivo. Tudo isso não passa de grossa hipocrisia.

c. Sempre existirão aqueles que não irão aceitar os ensinamentos das Escrituras e irão preferir se apegar às suas tradições e aos ensinamentos a que estão acostumados. Para esses também é mais fácil largar mão de tudo e se afastar da comunhão ou, quando possuem o poder em suas mãos, agir de forma truculenta.

D. Temos que entender, de uma vez por todas que:

1. A expressão “igreja” em grego se refere sempre ao um grupo de pessoas e nunca é usada no Novo Testamento para se referir a nenhum tipo de construção.

2. As palavras gregas “pastor”, “bispo” e “presbítero” são meros descritores de função e nunca foram usadas no Novo Testamento com títulos para indicar a importância de uma pessoa ou destacar e diferenciar um irmão dentre os outros.

E. Nossa força deve centrada em Deus e na Sua Palavra — a Bíblia. É dela que devemos derivar todos os nossos argumentos e depender de Deus para vê-los triunfar.

F. Não podemos em nenhuma hipótese ou circunstância e, sob nenhum tipo de alegação, lançar mão de meios escusos ou violentos para fazer prevalecer nosso ponto de vista ou forma como entendemos algo.

G. Que outros façam uso desses recursos contra nós. E que nós possamos sempre confiar em Deus para que Ele nos livre de fazer uso de tais coisas perversas.

Que Deus ilumine e abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

OUTRAS MENSAGENS DO LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS

SERMÃO 001 — INTRODUÇÃO AO LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS — Lucas 1:1—4 e Atos 1:1—2

SERMÃO 002 — INTRODUÇÃO AO LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS — PARTE 2 — Lucas 1:1—4 e Atos 1:1—2

SERMÃO 003 — A TRANSIÇÃO DO VOLUME ANTERIOR — Atos 1:1—5

SERMÃO 004 — A NOVA DIREÇÃO EXPLICADA — Atos 1:6—8

SERMÃO 005 — A ASCENSÃO DE JESUS — Atos 1:9—11

SERMÃO 006 — PERSEVERANDO UNÂNIMES — Atos 1:12—26

SERMÃO 007 — O DIA DO PENTECOSTES – PARTE 001 — Atos 2:1—4

SERMÃO 008 — O DIA DO PENTECOSTES – PARTE 002 — Atos 2:5—15

SERMÃO 009 — A PROFECIA DE JOEL — Atos 2:14—21

SERMÃO 010 — O PRIMEIRO SERMÃO — PARTE 001 — Atos 2:22—36

SERMÃO 011 — O PRIMEIRO SERMÃO — PARTE 002 — Atos 2:37—41

SERMÃO 012 — A VIDA DOS PRIMEIROS CRISTÃOS — Atos 2:42—47

SERMÃO 013 — A VIDA DOS PRIMEIROS CRISTÃOS — Atos 2:42—47 — PARTE 002

SERMÃO 014 — A CURA DE UM PARALÍTICO DE NASCENÇA — Atos 3:1—10

SERMÃO 015 — A EXALTAÇÃO DE JESUS E A CONDENAÇÃO DOS HOMENS — Atos 3:11—21

SERMÃO 016 — SALVAÇÃO E REFRIGÉRIO: BÊNÇÃOS DAS DUAS VINDAS DE JESUS— Atos 3:17—21

SERMÃO 017 — JESUS CUMPRE AS PROFECIAS DO ANTIGO TESTAMENTO — Atos 3:22—26

SERMÃO 018 — INÍCIO DAS PERSEGUIÇÕES — Atos 4:1—22

SERMÃO 019 — A IGREJA ORA EM COMUNHÃO — Atos 4:23—31

SERMÃO 020 — A IGREJA VIVE EM COMUNHÃO — Atos 4:32—37

SERMÃO 021 — ANANIAS E SAFIRA — Atos 5:1—11

SERMÃO 022 — A COMUNIDADE DOS CRENTES — Atos 5:12—16

SERMÃO 023 — PRISÃO, JULGAMENTO, AÇOITES = ALEGRIA E O PARECER DE GAMALIEL — Atos 5:17—42

SERMÃO 024 — DIVERSIDADE DE DONS = CRESCIMENTO DA IGREJA — Atos 6:1—7

SERMÃO 025 — UM HOMEM CHAMADO ESTÊVÃO — Atos 6:8—12
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/05/atos-dos-apostolos-sermao-025-um-homem.html


SERMÃO 026 — ACUSAÇÕES CONTRA UM HOMEM HONESTO — Atos 6:13—15

SERMÃO 027 — A DEFESA DE ESTÊVÃO E O DEUS DA GLÓRIA — Atos 7:1—8



SERMÃO 030 — A DEFESA DE ESTEVÃO — Três Acusações Devastadoras — Parte 4 — Atos 7:44—53

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.