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sexta-feira, 7 de julho de 2017

EFÉSIOS - SERMÃO 029 — O PROPÓSITO DOS DONS ESPIRITUAIS


Resultado de imagem para maturidade espiritual

Esse esboço de sermão é parte da série "Exposição da Epístola aos Efésios" e é muito recomendável que o leitor procure conhecer todos os aspectos das verdades contidas nessa exposição, com aplicações para os nossos dias. No final do artigo você encontrará os links para outros estudos dessa série.


EFÉSIOS 4:12—16
Introdução.

A. O capítulo 4 de Efésios nos diz que quando Jesus subiu aos céus ele derramou sua graça, mediante o Espírito Santo, sobre Seu povo.

B. Esse derramar da graça de Deus alcança todos os crentes e nos habilita a funcionarmos de maneira apropriada e necessária dentro do Corpo de Cristo — a Igreja. Cada crente possui pelos menos um dom. Existe, portanto, uma multiplicidade de dons o que é um indicativo de que o Corpo de Cristo — Sua Igreja — precisa crescer em unidade em meio à diversidade.

C. Entres os dons alistados em Efésios 4 nós vamos encontrar:

1. Apóstolos e Profetas — esses foram os indivíduos que Deus usou como seus instrumentos para nos legar o Novo Testamento. Foi a eles que Deus revelou Sua palavra e é somente sobre essa mesma palavra que nós podemos ser edificados — ver Efésios 3:5 e 2:20. Eles nos legaram o fundamento sobre o qual a Igreja pode crescer.

2. Evangelistas são aqueles que possuem o dom específico de alcançar os outros com a mensagem do evangelho. São esses que Deus usa para fazer a igreja crescer em número e de forma constante.

3. Pastores-mestres são aquele que Deus levantou no seio da Sua Igreja para cuidar do povo da mesma maneira que um pastor cuida de suas ovelhas. É através desse ministério que a Igreja cresce espiritualmente, ou pelo menos deveria crescer.

D. Nessa mensagem queremos ver como esses dons devem fazer o Corpo de Cristo — a Igreja — crescer bem fundamentada, crescer numericamente e crescer espiritualmente até atingir a plena maturidade em Cristo.

E. Para isto vamos ver qual é:

O PROPÓSITO DOS DONS ESPIRITUAIS         EM EFÉSIOS 4

I. O Propósito dos Dons é sempre a Edificação ou o Crescimento da Igreja – verso 12.

A. Em Efésios 4:12 Paulo alista dois propósitos específicos para os dons mencionados no verso 11. Estes propósitos são:

1. Com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço.

2. Para a edificação do corpo de Cristo

B. No primeiro propósito nós temos especificado que os crentes, todos os crentes, têm um serviço que precisam executar. Para tal é necessário que eles sejam informados, edificados, orientados, desafiados, incentivamos e etc. Em uma palavra é necessário que os crentes sejam καταρτισμὸν katartismòn — capacitados ou aperfeiçoados, de tal maneira que, enquanto membros do corpo de Cristo, eles sejam exatamente aquilo que devem ser. O crente é como um navio que está sendo preparado para uma viagem. Tudo o que é necessário — alimentos, mantimentos, suprimentos etc. — precisa ser embarcado antes do navio partir do porto. Uma vez plenamente abastecido e suprido, ele pode então seguir em sua missão. Assim é o crente. Diferentes igrejas oferecem diferentes possibilidades para se alcançar esses objetivos —

1. Reuniões de oração com ou sem estudo bíblico concomitante.

2. Reuniões de estudos bíblicos.

3. Reuniões nos lares.

4. Reuniões específicas para grupos específicos: casais, jovens adolescentes, etc.

5. Escola dominical. Classes para crianças — separadas por idade —, adolescentes, jovens e adultos, bem como uma classe de preparação para aqueles que desejam fazer profissão de fé e receberem o batismo.

6. Cultos de louvor, adoração e edificação.

C. Como está a tua participação nestas possibilidades de crescimento e aperfeiçoamento? Quanto você realmente esta envolvido nestes processos?

D. Quando cada crente individualmente está plenamente suprido e equipado então ele pode realizar a sua parte no segundo propósito que é cooperar para a edificação do corpo de Cristo. Paulo diz que:

1 Coríntios 12:7

A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso

E. O que vocês acham que pode ser mais produtivo: o pastor e mais uma meia dúzia de pessoas fazendo tudo ou cada um de nós — mencionar o número de presentes — fazendo cada um a sua parte?

F. Há tantas necessidades dentro da nossa comunidade que vale à pena a gente destacar algumas:

1. Visitar os enfermos e as pessoas afastadas para ler a Bíblia com eles e orar junto com eles.

2. Receber bem e procurar se integrar com aqueles que nos visitam.

3. Oferecer a prestação de serviços para aqueles que estão impossibilitados de realizá-los. Fazer compras, cozinhar uma refeição, pagar contas e resolver pendências são algumas possibilidades.

4. Se oferecer como “babá” para cuidar de crianças pequenas enquanto um casal sai para desfrutar um jantar calmo e romântico como os que aconteciam antes dos filhos chegarem.

5. Oferecer transporte para aqueles que precisam se locomover para consultórios, laboratórios e que não possuem meio de transporte pessoal.

6. Visitar pessoas que não conhecem o Senhor para compartilhar as Boas Novas com elas. Abrir a própria casa para um estudo bíblico. Não precisa ter o dom de evangelista para fazer isso. Precisa apenas ter boa vontade e um coração compassivo para com aqueles que estão se perdendo, sem Cristo, a cada dia. Estatísticas nos dizem que uma pessoa qualquer está, pelo menos, vinte vezes mais aberta a frequentar uma reunião em um lar do que em atender ao convite para vir até o salão onde a Igreja se reúne. Pense nisso!

7. Socorrer os necessitados fortalecendo-os com palavras de consolo e edificação, bem como orando juntamente com eles.

8. Ensinar ou cooperar no ensino das várias faixas etárias a quem desejamos servir aqui na comunidade.

9. Aconselhar adolescentes, jovens e adultos solteiros, bem como casais em suas necessidades específicas.

G. Quando abrimos nossos olhos para estas realidades não é difícil perceber que estamos cercados de possibilidades ilimitadas de serviço. Se Deus permite a você enxergar algo, então é muito provável que juntamente com a clareza de visão lhe esteja sendo oferecida tanto a força com a oportunidade de satisfazer aquela necessidade.

H. O objetivo de agirmos dessa maneira, estar equipados e prontos para cooperar com a edificação do Corpo de Cristo, segundo o nosso texto é:

II. Porque a Igreja Precisa Crescer Espiritualmente — verso 13.

A. De acordo com as palavras de Paulo a Igreja como um todo, um só corpo, precisa crescer espiritualmente porque todos — tanto como indivíduos bem como uma coletividade — precisamos alcançar o seguinte:

1. Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus. Existem graus distintos de unidade como existem graus distintos de consagração e santidade. Mas uma coisa é certa: não existe verdadeira unidade sem fé e sem conhecimento.
2. À perfeita varonilidade. Essa expressão indica apenas que os cristãos precisam amadurecer. Aqueles que são parte da nova sociedade de Deus, que são chamados a preservar a unidade concedida pelo Espírito Santo são os mesmos que, agora, são desafiados ao amadurecimento.
3. À medida da estatura da plenitude de Cristo. Esse é o propósito do Espírito Santo vir habitar dentro de cada um de nós: tomar-nos e, dia a dia,  nos transformar para nos tornarmos um reflexo perfeito do próprio Senhor Jesus.
B. O tipo de crescimento descrito acima não tem nada a ver com quantidade de pessoas. Mas tem tudo a ver com as pessoas funcionando de forma efetiva como devem funcionar no Corpo de Cristo — a Igreja.
C. O resultado deste tipo de crescimento é...
III. Discernimento para Evitar o Erro e para Andar de Acordo com a Verdade — versos 14—16.

A. Paulo contrasta a maturidade discutida anteriormente com a imaturidade ou infantilidade daqueles que não conseguem alcançar uma firmeza em seus pensamentos com relação à verdade como revelada em Jesus Cristo.

B. Estes são aqueles que:

1. São chamados de νήπιοι népioi — crianças no sentido de infantil, imaturo ou inexperiente.

2. São agitados de um lado para o outro como as ondas do mar são agitadas pelo vento.

3. São levados por todos os ventos de doutrina mediante a artimanha dos homens, por meio da astúcia com que conduzem ao erro.

C. Mas os crentes edificados de maneira apropriada são aqueles que:

1. Seguem a verdade em amor. São aqueles que não comprometem suas convicções por causa de prestígio ou popularidade. Mas seguem a verdade em amor. Este é um equilíbrio bastante delicado. É a falta desse equilíbrio que gera todos os tipos de perseguições religiosas e de desvios doutrinários.
2. São esses que crescem em tudo naquele que é o cabeça, Cristo. São esses os que estão envolvidos com todas as possibilidades tanto de contribuir como de receber para a edificação do Corpo de Cristo — a Igreja.
3. São esses que funcionam bem ajustados e consolidados como são as juntas do corpo humano. Cada um fazendo a sua parte para o bem do todo.
D. O resultado final é o aumento do processo de edificação em amor. Quanto mais crentes participarem deste processo mais o corpo “aumentará” seu próprio crescimento. O corpo precisa da participação de todos como precisa da participação de cada um de nós.
Conclusão:

A. O advento dos pastores profissionais prestou um enorme desserviço ao corpo de Cristo. E isso por dois motivos principais:

1. Em primeiro lugar surgiram homens que desejam controlar com mão de ferro tudo o que é feito dentro das comunidades cristãs. Não existe nem liberdade nem a possibilidade da variedade de dons se manifestarem. Não se ensina a verdade de que cada crente precisa exercitar seu próprio dom porque os chamados “pastores” têm medo de perder a “boquinha”.

2. Em segundo lugar a grande maioria dos crentes se sente desmotivada e desinteressada em se envolver com o serviço devido à Deus — pelo custo e sacrifícios necessários — e prefere, então, como que “enterrar” o dom recebido.

3. Estas duas atitudes são, em grande parte, as maiores responsáveis pelo atual estado em que a Igreja se encontra em nossos dias.

B. O Novo Testamento nos ensina que o serviço cristão não é uma prerrogativa dos pastores e da liderança e sim que o mesmo é O PRIVILÉGIO DE TODOS OS CRENTES INDIVIDUALMENTE.

C. O conceito do Novo Testamento referente aos pastores é o de alguém que cuida, ajuda e encoraja o povo de Deus a descobrir, desenvolver e exercitar seus próprios dons. O pastor de verdade não tem ciúmes, nem inveja e muito menos medo de suas ovelhas porque ele sabe que elas estão capacitadas pelo próprio Senhor Jesus — o Supremo Pastor das Ovelhas de acordo com 1 Pedro 5:4 — a fazer aquelas coisas que ele mesmo não pode fazer para garantir a edificação do corpo de Cristo. O pastor não pode ser um monopolizador de ministérios. Ele precisa ser um multiplicador de ministros ou servos para o bem de todo o povo de Deus.

D. Existem dois elementos que precisam estar sempre presentes se a Igreja — o Corpo de Cristo — pretende crescer: Verdade e Amor. Que o Espírito Santo que é o “Espírito da Verdade” e de quem o primeiro fruto é o Amor — ver Gálatas 5:22—23 possa ser nosso guia, nosso inspirador e nosso sustentador neste desafio que temos diante de nos de servir ao senhor e cooperar com o crescimento do Corpo de Cristo.

OUTRAS MENSAGENS DA SÉRIE NA EPÍSTOLA AOS EFÉSIOS

ALGUNS ASPECTOS DAS INSONDÁVEIS RIQUEZAS DE CRISTO COMO APRESENTADAS EM EFÉSIOS

EFÉSIOS 1:1—2 — SERMÃO 001 — INTRODUÇÃO À EPÍSTOLA AOS EFÉSIOS

EFÉSIOS 1:3—14 — SERMÃO 002 — TODA SORTE DE BÊNÇÃO ESPIRITUAL

EFÉSIOS 1:4—6 — SERMÃO 003 —A BÊNÇÃO DA NOSSA ELEIÇÃO POR DEUS

EFÉSIOS 1:7—8 — SERMÃO 004 —A BÊNÇÃO DA NOSSA REDENÇÃO

EFÉSIOS 1:9—10 — SERMÃO 005 —A BÊNÇÃO DA UNIFICAÇÃO DE TODAS AS COISAS EM CRISTO

EFÉSIOS 1:11—14 — SERMÃO 006 — A BÊNÇÃO DE DEUS EM PERSPECTIVA

EFÉSIOS 1:15—16— SERMÃO OO7 — A IMPORTÂNCIA DA FÉ E DO AMOR

EFÉSIOS 1:16—17 — SERMÃO OO8 — A IMPORTÂNCIA DO ESPÍRITO SANTO EM NOSSAS VIDAS

EFÉSIOS 1:18—21 — SERMÃO OO9 — A ESPERANÇA DO SEU CHAMAMENTO EM NOSSAS VIDAS

EFÉSIOS 1:18—21 — SERMÃO O10 — A RIQUEZA DA GLÓRIA DA SUA HERANÇA NOS SANTOS

EFÉSIOS 1:18—21 — SERMÃO O11 — A SUPREMA RIQUEZA DO SEU PODER

EFÉSIOS 1:22—23 — SERMÃO O12 — A IGREJA E CRISTO COMO PLENITUDE

EFÉSIOS 2:1—3 — SERMÃO O13 — A CONDIÇÃO DO SER HUMANO SEM DEUS

EFÉSIOS 2:4—10 — SERMÃO 014 — A CONDIÇÃO HUMANA  PELA GRAÇA DE DEUS

O QUE DEUS FEZ POR NÓS — SALVAÇÃO

PARA O QUE DEUS NOS SALVOU?

EFÉSIOS 2:11—12 — SERMÃO 015 — NOSSA PRECÁRIA CONDIÇÃO ANTES DE CRISTO VIR AO MUNDO

A VERDADEIRA CIRCUNCISÃO E O VERDADEIRO BATISMO

EFÉSIOS 2:13—18 — SERMÃO 016 — NOSSA NOVA CONDIÇÃO “EM CRISTO”

EFÉSIOS 2:19—22 — SERMÃO 017 — A IGREJA COMO CIDADÃOS, FAMÍLIA E TEMPLO

EFÉSIOS 3:1—7 — SERMÃO 018 — A REVELAÇÃO DO MISTÉRIO DE DEUS

EFÉSIOS 3:8—13 — SERMÃO 019 — PAULO COMO INSTRUMENTO DE DEUS

EFÉSIOS 3:1—13 — SERMÃO 020 — A RELEVÂNCIA DA IGREJA

EFÉSIOS 3:14—21 — SERMÃO 021 — A PATERNIDADE DE DEUS AO QUAL ORAMOS

EFÉSIOS 3:14—21 — SERMÃO 022 — A ORAÇÃO DE PAULO A FAVOR DOS EFÉSIOS

EFÉSIOS 3:14—21 — SERMÃO 023 — A GLÓRIA DEVIDA A DEUS
EFÉSIOS 4:1—3 — SERMÃO 024 — A UNIDADE DA IGREJA

EFÉSIOS 4:4—6 — SERMÃO 025 — A IGREJA É UNA PORQUE DEUS É UM

EFÉSIOS 4:7—10 — SERMÃO 026 — UNIDADE EM MEIO A DIVERSIDADE

EFÉSIOS 4:11 — SERMÃO 027 — OS DONS DE EDIFICAÇÃO DA IGREJA

EFÉSIOS 4:11 — SERMÃO 028 — OS DOM DE PASTORES E MESTRES

EFÉSIOS 4:12—16 — SERMÃO 029 — O PROPÓSITO DOS DONS ESPIRITUAIS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/07/efesios-sermao-029-o-proposito-dos-dons.html

Que Deus Abençoe a Todos

Alexandros Meimaridis

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Os comentários não representam a opinião do Blog O Grande Diálogo; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

terça-feira, 28 de março de 2017

A VIDA DO APÓSTOLO PAULO — ESTUDO 002 — JUDEU DE JUDEUS


Imagem relacionada
Maquete da antiga cidade de Jerusalém


Essa é uma série de artigos acerca da vida do apóstolo Paulo em ordem cronológica. Convidamos todos os nossos leitores a acompanharem a mesma à medida que for sendo publicada. Boa leitura.

A vida do Apóstolo Paulo é única. Tendo iniciado sua vida pública como fariseu e aluno de Gamaliel, quando ainda era chamado Saulo, tornou-se num feroz perseguidor da Igreja do Senhor Jesus. Após um encontro pessoal com Jesus no caminho para Damasco, para onde se dirigia com a intenção de prender e arrastar de volta para Jerusalém crentes em Cristo, ele teve seu nome mudado para Paulo e tornou-se no maior pregador do evangelho da graça de Deus. Seus escritos, parte integral do Novo Testamento, continuam influentes até nossos dias. Vale a pena conhecer um pouco melhor sua trajetória, em ordem cronológica:

II. Judeu de Judeus.

Não podemos entender o apóstolo Paulo à parte de suas experiências no judaísmo dos seus dias. Suas atividades e sua experiência religiosa com a religião dos seus ancestrais são da maior importância para dissipar muitas das compreensões erradas que existem acerca do apóstolo dos gentios.

Segundo suas próprias palavras ele era um judeu que havia sido treinado nas mais dignas tradições da religião de seus pais e suas qualificações como fariseus não podiam ser superadas por nenhum de seus pares:

Atos 22:3

Eu sou judeu, nasci em Tarso da Cilícia, mas criei-me nesta cidade e aqui fui instruído aos pés de Gamaliel, segundo a exatidão da lei de nossos antepassados, sendo zeloso para com Deus, assim como todos vós o sois no dia de hoje.

Atos 26:4—5

Quanto à minha vida, desde a mocidade, como decorreu desde o princípio entre o meu povo e em Jerusalém, todos os judeus a conhecem; pois, na verdade, eu era conhecido deles desde o princípio, se assim o quiserem testemunhar, porque vivi fariseu conforme a seita mais severa da nossa religião.

2 Coríntios 11:22
São hebreus? Também eu. São israelitas? Também eu. São da descendência de Abraão? Também eu.

Gálatas 1:14

E, na minha nação, quanto ao judaísmo, avantajava-me a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais.

Filipenses 3:4—5

Bem que eu poderia confiar também na carne. Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais: circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu.

Gálatas 1:14

E, na minha nação, quanto ao judaísmo, avantajava-me a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais.

É esta realidade, a origem profundamente judaica do apóstolo Paulo, que serve como um pano de fundo perfeito para entendermos sua visão de como é na Igreja que encontramos o cumprimento das esperanças mais caras ao judaísmo —

Efésios 3:8—12

8 A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo

9 e manifestar qual seja a dispensação do mistério, desde os séculos, oculto em Deus, que criou todas as coisas,

10 para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais,

11 segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor,

12 pelo qual temos ousadia e acesso com confiança, mediante a fé nele.

Outro aspecto que podemos apontar aqui é sua capacidade como polemista utilizando as escrituras do Antigo Testamento para provar ser Jesus o Messias esperado —
Atos 17:1—3

1 Tendo passado por Anfípolis e Apolônia, chegaram a Tessalônica, onde havia uma sinagoga de judeus.

2 Paulo, segundo o seu costume, foi procurá-los e, por três sábados, arrazoou com eles acerca das Escrituras,

3 expondo e demonstrando ter sido necessário que o Cristo padecesse e ressurgisse dentre os mortos; e este, dizia ele, é o Cristo, Jesus, que eu vos anuncio.

Além disso, a visão pessimista que Paulo demonstra possuir concernente à capacidade do homem de guardar a Lei de Deus e da supremacia da misericórdia e da graça divina, em muito se assemelham às tradições produzidas pelos mais afamados rabinos do judaísmo. Seu profundo conhecimento da religião de seus pais, bem como dos escritos sagradas do judaísmo, lhe permitiam se dar ao luxo de:

1. Empregar linguagem religiosa, muito comum nos seus dias, para expor verdades cristãs —

Colossenses 1:15—20

15 Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;

16 pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele.

17 Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste.

18 Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia,

19 porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude

20 e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus.

2. Citar autores que haviam escrito qualquer coisa que tivesse cunho religioso e pudesse ser aproveitada —

Atos 17:28
Pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas têm dito: Porque dele também somos geração.


1 Coríntios 15:33

Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes.

Tito 1:12

Foi mesmo, dentre eles, um seu profeta, que disse: Cretenses, sempre mentirosos, feras terríveis, ventres preguiçosos.

3. Argumentar a favor de Deus independente da revelação escrita —

Romanos 1:19—20

19 porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou.

20 Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis.

Romanos 2:14—15

14 Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem, por natureza, de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos.

15 Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se.

4. Lançar mão de diatribes para arrasar seus opositores —

Romanos 2:1—3

1 Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas.

2 Bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade contra os que praticam tais coisas.

3 Tu, ó homem, que condenas os que praticam tais coisas e fazes as mesmas, pensas que te livrarás do juízo de Deus?

Romanos 9:1—11

1 Digo a verdade em Cristo, não minto, testemunhando comigo, no Espírito Santo, a minha própria consciência:

2 tenho grande tristeza e incessante dor no coração;

3 porque eu mesmo desejaria ser anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus compatriotas, segundo a carne.

4 São israelitas. Pertence-lhes a adoção e também a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas;

5 deles são os patriarcas, e também deles descende o Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre. Amém!

6 E não pensemos que a palavra de Deus haja falhado, porque nem todos os de Israel são, de fato, israelitas;

7  nem por serem descendentes de Abraão são todos seus filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência.

8 Isto é, estes filhos de Deus não são propriamente os da carne, mas devem ser considerados como descendência os filhos da promessa.

9 Porque a palavra da promessa é esta: Por esse tempo, virei, e Sara terá um filho.

10 E não ela somente, mas também Rebeca, ao conceber de um só, Isaque, nosso pai.

11 E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama).

Esta capacidade de lidar com todos estes aspectos que acabamos de citar indicam que Paulo havia mesmo sido treinado em uma fina escola rabínica, que naqueles dias costumava incluir o estudo do pensamento do mundo gentílico. Mas não podemos deixar de afirmar que suas muitas viagens também lhe ofereceram muitas oportunidades para aprender.

CONTINUA...


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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