Mostrando postagens com marcador Profundidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Profundidade. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

EDUCAÇÃO CRISTÃ - ESTUDO 016 - O QUE O NOVO TESTAMENTO ENSINA SOBRE A IGREJA - PARTE 004


Resultado de imagem para plenitude de deus

O propósito dessa série é introduzir o leitor na vasta gama de materiais relacionados à Educação Cristã. Nosso foco central estará sempre localizado nos chamados “Ministérios da Igreja” que refletem a vida prática ou o dia a dia do que deve estar acontecendo em todas as igrejas locais.

V. O Ensinamento do Novo Testamento Acerca da Igreja — Parte 003


E. Entendendo Melhor o Que é a Igreja

3 – A Igreja como πλήρωμαplíroma — pleroma.[1]

Nesta secção vamos apresentar o significado de Cristo ser o cabeça de todas as coisas e as implicações de Cristo ser a cabeça da Igreja.

Ao lermos a Epístola de Paulo aos Colossenses ficamos com a nítida impressão que os irmãos estavam se sentindo oprimidos por uma heresia, que os levava a um temor perverso dos poderes espirituais que os cercavam. Contra essa heresia, que tem sido reinventada nos nossos dias, o ensino do apóstolo é bem claro: Cristo é superior a todo principado, autoridade, poder ou domínio espiritual ou estrutura institucional. Vejamos o que a Bíblia ensina acerca deste fato:

a. Todos os principados, autoridades, poderes e domínios devem submissão à Cristo e estão, de fato, submetidos a Ele —

Efésios 1:21

Acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir, não só no presente século, mas também no vindouro.

Colossenses 1:16

Pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele.

Colossenses 2:10.

Também, nele, estais aperfeiçoados. Ele é o cabeça de todo principado e potestade.

b. Essa superioridade, que foi conferida a Cristo por Deus quando da exaltação do Nosso Senhor —  

Efésios 1:20

O qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais.

tem íntima relação com aquela referente a “todas as coisas” que eram de Cristo quando da criação, no princípio —

Colossenses 1:15—20

15 Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;

16 pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele.

17 Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste.

18 Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia,

19 porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude

20 e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus.

c. Agora, para satisfazer o desejo e o prazer Divinos, tal submissão absoluta e completa foi renovada

Efésios 1:9—10

9 Desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo,

10 de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu, como as da terra;
d. Tudo isto é expresso de forma clara quando se diz:

Colossenses 1:19

Porque aprouve a Deus que, nele, i.e., em Cristo, residisse toda a plenitude.

e. Outro verso que exprime de maneira bastante clara esta verdade é:

Colossenses 2:9

Porquanto, nele (em Cristo), habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade.

f. Como consequência disso tudo, Cristo é o cabeça de “todas as coisas” — ver Efésios 1:22 — ou “o cabeça de todo principado e potestade” — ver Colossenses 2:10 — e em virtude da glória que lhe foi dada por Deus, Cristo

Efésios 4:10

Subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas.

No Antigo Testamento, o Deus Eterno, afirma que Ele enche os céus e a terra —

Jeremias 23:24

Ocultar-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? —diz o SENHOR; porventura, não encho eu os céus e a terra? — diz o SENHOR.

Diante desse fato a divindade de Cristo é inescapável. Mas um dia o próprio Senhor Jesus Cristo se sujeitará novamente ao Pai para que —

1 Coríntios 15:28

Deus seja tudo em todos.

Enquanto isso, a Igreja é exortada a permanecer firme em Cristo e não se deixar abalar pelas

Colossenses 2:8

Filosofias e vãs sutilezas das tradições dos homens e dos rudimentos do mundo.

Tudo isto é para nos dizer que não existe vida ou poder independente ou acima de Deus. Nós temos que entender que a Igreja está numa posição de:

Efésios 3:18—19

Compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus.

Essa mesma glória de Cristo como “o cabeça de todas as coisas”, determina sua posição como “cabeça da Igreja”.
A linguagem da “plenitude” é retorna quando o assunto é o relacionamento de Cristo com a Igreja. A igreja é o πλήρωμα plíroma — pleroma de Cristo —

Efésios 1:23

A qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas.

Isto é, a área ou domínio completamente preenchidos por Cristo. A mesma linguagem ocorre em Colossenses 2:10 onde após afirmar que em “Cristo, habita, corporalmente toda a plenitude da Divindade” o apóstolo Paulo continua e afirma que: “em Cristo nós (a Igreja) estamos aperfeiçoados”. A mesma ideia é repetida em Efésios 3:19 e Efésios 4:7 em diante. Nessa última passagem nós somos lembrados que o cabeça de todas as coisas, como cabeça da Igreja, tem proporcionado a essa mesma Igreja tudo o que é necessário para o crescimento dela, até que cada indivíduo, na totalidade do corpo, atinja a estatura de varão perfeito.

Assim temos que, se por um lado Cristo enche todas as coisas, com sua presença gloriosa, conforme Efésios 1:23 e Efésios 4:10 — por outro lado, a igreja é chamada de seu πλήρωμα plíroma — pleroma, ou seja, aquele local especial cheio e destinado a ficar cada vez mais cheio, com Sua gloriosa presença.

Todavia, parece haver uma distinção na forma como Cristo enche todas as coisas e como ele enche a Igreja. No primeiro caso, fala-se do Seu poder e do fato de que todas as coisas estão contidas ou submetidas a Ele. No caso da Igreja, o enchimento ocupa o lugar da nossa responsabilidade, no sentido que temos que ir nos apropriando de cada um e de todos os dons com que Cristo encheu a Igreja. Nós podemos ver isso, claramente, em Efésios 4:7—16, onde a afirmação acerca da posição de autoridade de Cristo sobre todas as coisas é imediatamente seguida pelo desejo desse mesmo Cristo de suprir sua Igreja com tudo que ela precisa para atingir a maturidade. O propósito dessas afirmações é, por um lado, impedir a Igreja de cair na tentação de que pode existir algo maior que Cristo e ela não possua, no seu Senhor, tudo o que é necessário para seu i.e., da Igreja, aperfeiçoamento e, por outro lado, incentivar a Igreja a buscar a mesma plenitude que existe naquele que é sua cabeça, a saber, Cristo. Essa plenitude que existe em Cristo, e que a Igreja deve se empenhar em fazer sua própria experiência, deve conduzir a Igreja á maturidade, ajudá-la a encontrar em Cristo tudo o que é necessário para seu crescimento, de tal forma que, em sua fé e conhecimento de Cristo, a Igreja, nunca venha ser “agitada de um lado para o outro e levada ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro” — Efésios 4:14, mas que a Igreja possa estar “arraigada e alicerçada em amor” — Efésios 3:17.

À medida que a Igreja se apropria mais e mais da plenitude que está em Cristo, fica mais evidente o plano de Deus de “mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça” conforme Efésios 2:7. E, por essa mesma apropriação, “pela Igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais” — Efésios 3:10. Na sua própria existência e nas suas relações com o mundo a Igreja precisa mostrar-se a si mesma como a Igreja daquele que é o cabeça de todas as coisas. A Igreja precisa amadurecer, de forma constante, permanente, incessantemente.

Mas mesmo que Cristo já tenha derrotado o inimigo, pois em Colossenses 2:15 nós lemos: “e despojando os principados e potestades, publicamente o expôs ao desprezo, triunfando dele na Cruz”, isso não quer dizer que esses principados e potestades sejam inofensivos. Nós somos advertidos, de forma contínua, que a nossa “luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” —Efésios 6:12. Mas não estamos sozinhos e nem abandonados. Parte daqueles dons que o Senhor está desejoso de fornecer à Sua Igreja na sua plenitude, incluem uma completa armadura tão rica e poderosa que, revestidos com ela, podemos “resistir no dia mau e, depois de termos vencido tudo, permanecer inabaláveis” — Efésios 6:13—20.

Diante de tudo o que vimos até agora, temos que a igreja não poder ser considerada um plano alternativo ou de contingência, da parte de Deus, e nem pode estar, como de fato não está, submetida a nenhum tipo de manipulação por aqueles que, de forma equivocada, acham que são “os donos da igreja”. Papa nenhum, bem como nenhum presidente ou secretário executivo de supremo concílio nenhum, apóstolo, profeta, bispo ou o que for possuem prerrogativas sobre a Igreja do Senhor. Como acabamos de mencionar, a Igreja é do Senhor. É o corpo do Senhor. O Senhor é o único cabeça da Igreja. Tudo o que é pertinente ao Senhor é pertinente à Sua Igreja. É impossível privilegiar a um sem privilegiar o outro. Por semelhante modo, é impossível querer prejudicar a um sem prejudicar o outro — ver Atos 9:1—6. Vejam em que situação delicada se colocam esses homens, com seus pomposos títulos, quando se arrogam o direito de saberem o que é o melhor para a igreja. Quando tomam decisões que são frontalmente contrárias à vontade revelada do Senhor e contida na Bíblia. Quando se empenham em prejudicar crentes individuais por não concordarem com seus — deles — desmandos. Quando ensinam o erro e pretendem que estão falando em nome do Deus verdadeiro. É realmente uma situação muito precária e eles terão, como de fato darão contas à Deus de cada um dos seus atos perversos. E tudo isso, para que fique o mais evidente possível, para todo o Universo criado, que é “pela igreja, que a multiforme sabedoria de Deus se torna conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais” — conforme Efésios 3:10.

OUTROS ESTUDOS ACERCA DE EDUCAÇÃO CRISTÃ

001 — A EXCELÊNCIA DA VIDA PESSOAL DAQUELES QUE DESEJAM ENSINAR — PARTE 001

002 — A EXCELÊNCIA DA VIDA PESSOAL DAQUELES QUE DESEJAM ENSINAR — PARTE 002

003 —A EXCELÊNCIA DA VIDA PESSOAL DAQUELES QUE DESEJAM ENSINAR — PARTE 003

004 — A IMPORTÂNCIA DA ALIANÇA COM DEUS

005 — OS ALVOS DA EDUCAÇÃO CRISTÃ

006 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 001 — INTRODUÇÃO — OS COLONIZADORES VÊM EM NOME DE DEUS

007 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 002 — NOSSAS ESCOLAS TEOLÓGICAS

008 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 003 — IGREJAS CORPORATIVISTAS E INSTITUCIONALIZADAS E EDUCAÇÃO CRISTÃ PADRONIZADA

009 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 004 — CONSUMISMO E CELEBRITISMO

010 — O PROPÓSITO SINGULAR DE DEUS PARA OS NOSSOS DIAS

011 — A PALAVRA IGREJA NO NOVO TESTAMENTO

012 — A EXPRESSÃO GREGA “EM CRISTO” — ἐν Χριστῷ

013 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA

014 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 002

015 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 003

016 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 004 — A IGREJA COMO PLENITUDE

017 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 005 — A UNIDADE DA IGREJA CRISTÃ

018 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 006 — HUMILDADE E AMOR EM MEIO À DIVERSIDADE DE DONS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/01/educacao-crista-estudo-018-o-que-o-novo.html
019 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 007 — A IGREJA COMO MISTÉRIO DE DEUS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/02/educacao-crista-estudo-019-o-que-o-novo.html
020 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 008 — COMO A IGREJA É FORMADA OU CRIADA?
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/03/educacao-crista-estudo-020-o-que-o-novo.html
021 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — PARTE 009 — QUANDO A IGREJA COMEÇOU?
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/03/educacao-crista-estudo-021-o-que-o-novo.html
022 — OS MINISTÉRIOS DO ESPÍRITO SANTO — PARTE 001
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/06/educacao-crista-estudo-022-os.html
023 — OS MINISTÉRIOS DO ESPÍRITO SANTO — PARTE 002
Que deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.




[1] De acordo com o Dicionário Aurélio século XXI: Pleroma: Do latim. Científico. Pleroma. Latim tardio: pleroma, 'plenitude'; grego: pléroma, 'tudo o que é completo'. 


Os comentários não representam a opinião do Blog O Grande Diálogo; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

domingo, 9 de março de 2014

ENCONTROS DE PODER — 018 — UMA EXEGESE DE ROMANOS 8:31—39 — O DEUS QUE É POR NÓS



Resultado de imagem para se deus é por nós

Atenção esse artigo é parte de uma série onde pretendemos tratar dos alegados encontros de poder e de curas maravilhosas que nos são apresentadas todos os dias pelos pastores midiáticos. No final de cada estudo você encontrará links para outros estudos.

Introdução


Texto Base: Romanos 8:31—39


38 Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes,


39 nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.

A doxologia[1] final que encerra a seção teológica central da Epístola aos Romanos tem seu início com a pergunta retórica de Paulo registrada em

Romanos 8:31


Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?

A partir daí o texto se compõe de uma série de frases que vão num crescendo, soando cada vez mais alto a resposta óbvia: Ninguém, Ninguém, Ninguém. Será que Deus está contra nós. Mas que ABSURDO! Deus nos deu Jesus, seu único filho para que pudéssemos ser reconciliados come Ele mesmo. 

Romanos 8:32


Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?

Será que alguém pode nos acusar de alguma coisa, então? Como isso seria possível? Deus é o nosso juiz e ele já nos declarou justificados.

Romanos 8:33


Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica.

Será que o Senhor Jesus nos condenaria? Como poderia quando ele mesmo morreu e ressuscitou a nosso favor e agora encontra-se à direita de Deus intercedendo a nosso favor?

Romanos 8:34


Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós.

Será que alguém pode nos separar do amor de Cristo? A resposta continua negativa. Nem mesmo o mal que os seres humanos podem praticar contra nós — seja θλῖψις thlîpsis — uma situação de grande aperto causada por aflição, tribulação, angústias ou dilemas; ou στενοχωρία stenochoría — angústia como fruto de uma terrível calamidade ou extrema aflição; διωγμὸς diogmòs — perseguição; λιμὸς limòs — escassez de colheita ou fome; γυμνότης gimnótes — nudez do corpo; κίνδυνος kíndinos — perigo ou risco de qualquer natureza; μάχαιρα máchaira — faca grande usada para matar animais e cortar carne. Em resumo:

Romanos 8:35


Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?

Dessa forma nós podemos dizer o seguinte: todas as sanções do Estado, da religião, do sistema econômico, das cortes, da polícia, dos exércitos, da opinião pública, da força da turba ou de grupos de pressão que tentam nos forçar a nos afastarmos de Deus, como eles mesmos estão afastados de Deus, estão completamente destituídos de todos os seus poderes e forças. Essas forças nos expõem à morte todos os dias conforme

Salmos 44:22


Mas, por amor de ti, somos entregues à morte continuamente, somos considerados como ovelhas para o matadouro.

mas elas não conseguem nos separar do amor que temos em Cristo, e isso as impede de nos obrigarem a nos submetermos aos seus desejos. É por isso que Paulo afirma que:

Romanos 8:37

Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.

Independentemente do que possam fazer, elas são incapazes de fazer o relógio andar para trás, para além do momento em que foram publicamente expostas ao desprezo pelo Cristo crucificado. A partir de agora a idolatria que representam não pode mais ser escondida.
Com esse crescimento contínuo chegamos à exclamação final de exultação. O verso 35, como vimos, nos fala dos poderes desse mundo, algo geralmente ignorado, por causa da grande ênfase colocada nos poderes cósmicos descritos nos versos 38—39. Mas a ideia de Paulo é fazer desaparecer qualquer sombra de dúvida que possa existir na mente do cristão. Os poderes cósmicos estão, normalmente, pareados:

Morte
Vida
Anjos
Principados
Coisas do presente
Coisas do porvir
Os Poderes

Nem altura
Nem profundidade
Nem Qualquer Outra Criatura

  
O fato que todos os pares são opostos tem levado vários comentaristas a entenderem que os Anjos se opõem aos Principados. Se isso for verdade então os principados poder fazer referência tanto as poderes sobrenaturais, quanto a poderes humanos. Todavia já tivemos a oportunidade de afirmar que as forças humanas e terrestres já foram todas tratadas nos versos 31—37. Desse modo, a impressão que resta é que as Potestades mencionadas aqui são, na realidade, forças espirituais do mal. Mesmo assim é bom não tentarmos especificar a exata intenção do apóstolo Paulo ao usar a expressão ἀρχαὶ archaì — principados nesse verso. 

O fato que δυνάμεις dunámeis — poderes e “qualquer outra criatura” quebram a estrutura de pares demonstrada acima, pode significar que Paulo não estava interessado ou mesmo consciente da estrutura poética e do intento da mesma, nem em criar um contraste específico em sua lista, mas em criar um efeito acumulado que transmita a impressão que nada nas extremidades da vida e nem mesmo os poderes cósmicos, sejam bons ou maus, podem nos separar do amor de Deus em Cristo Jesus. È possível, entretanto, que os leitores de Paulo assumissem que seu primeiro objetivo era fazer referência a poderes voltados para mal, uma vez que são apenas esses que tentariam nos separar de Cristo. Todavia, mesmo aqueles que são bons, ao se tornarem absolutos, tornam-se maus. Até mesmo as melhores pessoas podem ser pervertidas pela idolatria, com respeito à Lei, ao Templo e a própria religião em si mesma. Em nossos próprios dias não importa para onde você olhe — seja a igreja católica, igrejas pentecostais ou até mesmo a igreja presbiteriana — em todas podemos encontrar atitude de verdadeira idolatria com relação às suas lideranças ou até mesmo com a própria denominação. Não existe nada diferente. Ninguém está imune da apostasia. Todavia não existe ninguém, por mais apóstata que seja, que consiga negar a obra de Cristo feita a nosso favor, e isso, de uma vez por todas.

A expressão “coisas do porvir” é provável que não se refira à era vindoura, e sim a eventos que deverão ocorrer num futuro próximo, imediatamente antes da segunda vida de Cristo ou da sua Parousia. “Altura” e “profundidade” traduzem as palavras gregas ὕψωμα, βάθος  úpsima, báthos — e são termos técnicos usados em escritos astrológicos, mas não durante o período do Novo Testamento. Nessa outras literaturas os termos parecem indicar o topo e o fundo dos pilares que sustentam o firmamento. Mas para Paulo essas expressão, juntamente com “coisas do presente e do porvir” servem apenas para indicar a dimensão espaço tempo, de acordo com o que lemos em

Salmos 139:8—9


8 Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também;


9 se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares.

Nesses versos do Salmo 139 as dimensões espaço-temporais são utilizadas para se indicar a impossibilidade de se fugir da presença de deus. Em resumo podemos dizer que nem coisas humanas — versos 31—37 — nem forças cósmicas — versos 38—39 — e nem mesmo o próprio espaço e o tempo, podem minar a vitória que os crentes têm por estarem unidos a Cristo. A última expressão usada por Paulo, “nem qualquer outra criatura”, serve como uma espécie de etc., que prova o quanto esse texto concorda com o que temos em

Colossenses 1:16


Pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele.

onde todos esses poderes — humanos, estruturais ou divinos — são meras criaturas de Deus.

Além disso, a expressão “qualquer outra criatura” indica que a realidade de “ser criatura” é uma categoria geral que indica uma categoria geral da qual toda a série apresentada é derivada. Todo Poder é uma “criatura”. Os Poderes não são meros acidentes nem produtos da ficção humana. Eles têm seus próprios lugares na ordem da criação. Eles sofrem todas as consequências da queda. Desse modo, quando tentam obstruir a salvação dos eleitos, são incapazes de separar tais eleitos, mesmo por um momento sequer, do amor de Deus que os eleitos desfrutam por causa de Cristo. E mais, eles não podem separar os eleitos do amor de Deus, porque são incapazes de se separarem a si mesmos do amor de Deus.

Nas três passagens anteriores, a discussão girou em torno se os poderes mencionados eram terrestres ou celestiais e se eram bons ou maus. A procura vai prosseguir nas três próximas passagens, so que agora teremos uma ênfase específica na escatologia: nesses casos iremos considerar quando e como podemos considerar que Cristo é o vencedor em seu confronto com os poderes.

LISTAS DOS ESTUDOS DE ENCONTROS DE PODER

001 — Introdução =

002 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = Expressões Diversas

003 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀρχῆ — arché e ἄρχων — árchon.

004 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἐξουσίαις – exousías – potestades, autoridades.

005 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = δυνάμεις — dunámeis — poderes.

006 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = Θρόνοι— thrónoi — tronos.

007 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = κυριοτῆς — kuriotês — domínio.

008 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ὀνόματι — onómati — nome.

009 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἄγγελοs — ággelos — anjo.

010 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = δαιμονίον — daimoníon — demônioπνεῦμα τὸ πονηρὸν — pneûma tò poniròn — espírito malignoἀγγέλους τε τοὺς μὴ τηρήσαντας τὴν ἑαυτῶν ἀρχὴν— angélous te toùs me terèsantas tèn eautôn archèn — anjos, os que não guardaram o seu estado original ou anjos caídos.

011 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações.

012 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações — Parte 2.

013 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações — Parte 3 — Final.

014 — A Evidência do Novo Testamento – Parte 1 — Introdução

015 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 2 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 2:6—8 — Parte 1

016 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 3 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 2:6—8 — Parte 2

017 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 3 — As Passagens Disputadas — Romanos 13:1—3

018 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 4 — As Passagens Disputadas — Romanos 8:31—39

019 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 5 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 15:24—27a — PARTE 1

020 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 6 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 15:24—27a — PARTE 2

021 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 7 — As Passagens Disputadas — Colossenses 3:13—15 — PARTE 1

022 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 8 — As Passagens Disputadas — Colossenses 3:13—15 — PARTE 2

023 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 9 — As Passagens Disputadas — Efésios 1:20—23 — AS REGIÕES CELESTIAIS — PARTE 1

024 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 10 — As Passagens Disputadas — Efésios 1:20—23 — AS REGIÕES CELESTIAIS — PARTE 2

025 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 11 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 3

026 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 12 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 4

027 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 13 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 5

028 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 14 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 6

029 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 15 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 7 — A DESTRUIÇÃO DA MORTE E DE SEUS ALIADOS

030 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — A CRIAÇÃO DE TODAS AS COISAS POR MEIO DE E PARA O PRÓPRIO CRISTO

031 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — TENTANDO DEFINIR OS PODERES

032 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — TENTANDO DEFINIR OS PODERES —PARTE 002

033 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 17 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 001

034 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 18 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 002

035 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 19 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 003

036 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 20 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 004

037 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 21 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 005

038 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 22 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 006

039 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 23 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 007

040 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 24 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 008

041 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 25 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 009

042 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 26 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 010

043 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 27 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 011 — O PRÍNCIPE DA POTESTADE DO AR
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/02/encontros-de-poder-043-evidencia-do.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.


[1]  Doxologia = uma prece ou um cântico cujo objetivo é louvar a Deus.