sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

EDUCAÇÃO CRISTÃ - ESTUDO 016 - O QUE O NOVO TESTAMENTO ENSINA SOBRE A IGREJA - PARTE 004


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O propósito dessa série é introduzir o leitor na vasta gama de materiais relacionados à Educação Cristã. Nosso foco central estará sempre localizado nos chamados “Ministérios da Igreja” que refletem a vida prática ou o dia a dia do que deve estar acontecendo em todas as igrejas locais.

V. O Ensinamento do Novo Testamento Acerca da Igreja — Parte 003


E. Entendendo Melhor o Que é a Igreja

3 – A Igreja como πλήρωμαplíroma — pleroma.[1]

Nesta secção vamos apresentar o significado de Cristo ser o cabeça de todas as coisas e as implicações de Cristo ser a cabeça da Igreja.

Ao lermos a Epístola de Paulo aos Colossenses ficamos com a nítida impressão que os irmãos estavam se sentindo oprimidos por uma heresia, que os levava a um temor perverso dos poderes espirituais que os cercavam. Contra essa heresia, que tem sido reinventada nos nossos dias, o ensino do apóstolo é bem claro: Cristo é superior a todo principado, autoridade, poder ou domínio espiritual ou estrutura institucional. Vejamos o que a Bíblia ensina acerca deste fato:

a. Todos os principados, autoridades, poderes e domínios devem submissão à Cristo e estão, de fato, submetidos a Ele —

Efésios 1:21

Acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir, não só no presente século, mas também no vindouro.

Colossenses 1:16

Pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele.

Colossenses 2:10.

Também, nele, estais aperfeiçoados. Ele é o cabeça de todo principado e potestade.

b. Essa superioridade, que foi conferida a Cristo por Deus quando da exaltação do Nosso Senhor —  

Efésios 1:20

O qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais.

tem íntima relação com aquela referente a “todas as coisas” que eram de Cristo quando da criação, no princípio —

Colossenses 1:15—20

15 Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;

16 pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele.

17 Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste.

18 Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia,

19 porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude

20 e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus.

c. Agora, para satisfazer o desejo e o prazer Divinos, tal submissão absoluta e completa foi renovada

Efésios 1:9—10

9 Desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo,

10 de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu, como as da terra;
d. Tudo isto é expresso de forma clara quando se diz:

Colossenses 1:19

Porque aprouve a Deus que, nele, i.e., em Cristo, residisse toda a plenitude.

e. Outro verso que exprime de maneira bastante clara esta verdade é:

Colossenses 2:9

Porquanto, nele (em Cristo), habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade.

f. Como consequência disso tudo, Cristo é o cabeça de “todas as coisas” — ver Efésios 1:22 — ou “o cabeça de todo principado e potestade” — ver Colossenses 2:10 — e em virtude da glória que lhe foi dada por Deus, Cristo

Efésios 4:10

Subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas.

No Antigo Testamento, o Deus Eterno, afirma que Ele enche os céus e a terra —

Jeremias 23:24

Ocultar-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? —diz o SENHOR; porventura, não encho eu os céus e a terra? — diz o SENHOR.

Diante desse fato a divindade de Cristo é inescapável. Mas um dia o próprio Senhor Jesus Cristo se sujeitará novamente ao Pai para que —

1 Coríntios 15:28

Deus seja tudo em todos.

Enquanto isso, a Igreja é exortada a permanecer firme em Cristo e não se deixar abalar pelas

Colossenses 2:8

Filosofias e vãs sutilezas das tradições dos homens e dos rudimentos do mundo.

Tudo isto é para nos dizer que não existe vida ou poder independente ou acima de Deus. Nós temos que entender que a Igreja está numa posição de:

Efésios 3:18—19

Compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus.

Essa mesma glória de Cristo como “o cabeça de todas as coisas”, determina sua posição como “cabeça da Igreja”.
A linguagem da “plenitude” é retorna quando o assunto é o relacionamento de Cristo com a Igreja. A igreja é o πλήρωμα plíroma — pleroma de Cristo —

Efésios 1:23

A qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas.

Isto é, a área ou domínio completamente preenchidos por Cristo. A mesma linguagem ocorre em Colossenses 2:10 onde após afirmar que em “Cristo, habita, corporalmente toda a plenitude da Divindade” o apóstolo Paulo continua e afirma que: “em Cristo nós (a Igreja) estamos aperfeiçoados”. A mesma ideia é repetida em Efésios 3:19 e Efésios 4:7 em diante. Nessa última passagem nós somos lembrados que o cabeça de todas as coisas, como cabeça da Igreja, tem proporcionado a essa mesma Igreja tudo o que é necessário para o crescimento dela, até que cada indivíduo, na totalidade do corpo, atinja a estatura de varão perfeito.

Assim temos que, se por um lado Cristo enche todas as coisas, com sua presença gloriosa, conforme Efésios 1:23 e Efésios 4:10 — por outro lado, a igreja é chamada de seu πλήρωμα plíroma — pleroma, ou seja, aquele local especial cheio e destinado a ficar cada vez mais cheio, com Sua gloriosa presença.

Todavia, parece haver uma distinção na forma como Cristo enche todas as coisas e como ele enche a Igreja. No primeiro caso, fala-se do Seu poder e do fato de que todas as coisas estão contidas ou submetidas a Ele. No caso da Igreja, o enchimento ocupa o lugar da nossa responsabilidade, no sentido que temos que ir nos apropriando de cada um e de todos os dons com que Cristo encheu a Igreja. Nós podemos ver isso, claramente, em Efésios 4:7—16, onde a afirmação acerca da posição de autoridade de Cristo sobre todas as coisas é imediatamente seguida pelo desejo desse mesmo Cristo de suprir sua Igreja com tudo que ela precisa para atingir a maturidade. O propósito dessas afirmações é, por um lado, impedir a Igreja de cair na tentação de que pode existir algo maior que Cristo e ela não possua, no seu Senhor, tudo o que é necessário para seu i.e., da Igreja, aperfeiçoamento e, por outro lado, incentivar a Igreja a buscar a mesma plenitude que existe naquele que é sua cabeça, a saber, Cristo. Essa plenitude que existe em Cristo, e que a Igreja deve se empenhar em fazer sua própria experiência, deve conduzir a Igreja á maturidade, ajudá-la a encontrar em Cristo tudo o que é necessário para seu crescimento, de tal forma que, em sua fé e conhecimento de Cristo, a Igreja, nunca venha ser “agitada de um lado para o outro e levada ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro” — Efésios 4:14, mas que a Igreja possa estar “arraigada e alicerçada em amor” — Efésios 3:17.

À medida que a Igreja se apropria mais e mais da plenitude que está em Cristo, fica mais evidente o plano de Deus de “mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça” conforme Efésios 2:7. E, por essa mesma apropriação, “pela Igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais” — Efésios 3:10. Na sua própria existência e nas suas relações com o mundo a Igreja precisa mostrar-se a si mesma como a Igreja daquele que é o cabeça de todas as coisas. A Igreja precisa amadurecer, de forma constante, permanente, incessantemente.

Mas mesmo que Cristo já tenha derrotado o inimigo, pois em Colossenses 2:15 nós lemos: “e despojando os principados e potestades, publicamente o expôs ao desprezo, triunfando dele na Cruz”, isso não quer dizer que esses principados e potestades sejam inofensivos. Nós somos advertidos, de forma contínua, que a nossa “luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” —Efésios 6:12. Mas não estamos sozinhos e nem abandonados. Parte daqueles dons que o Senhor está desejoso de fornecer à Sua Igreja na sua plenitude, incluem uma completa armadura tão rica e poderosa que, revestidos com ela, podemos “resistir no dia mau e, depois de termos vencido tudo, permanecer inabaláveis” — Efésios 6:13—20.

Diante de tudo o que vimos até agora, temos que a igreja não poder ser considerada um plano alternativo ou de contingência, da parte de Deus, e nem pode estar, como de fato não está, submetida a nenhum tipo de manipulação por aqueles que, de forma equivocada, acham que são “os donos da igreja”. Papa nenhum, bem como nenhum presidente ou secretário executivo de supremo concílio nenhum, apóstolo, profeta, bispo ou o que for possuem prerrogativas sobre a Igreja do Senhor. Como acabamos de mencionar, a Igreja é do Senhor. É o corpo do Senhor. O Senhor é o único cabeça da Igreja. Tudo o que é pertinente ao Senhor é pertinente à Sua Igreja. É impossível privilegiar a um sem privilegiar o outro. Por semelhante modo, é impossível querer prejudicar a um sem prejudicar o outro — ver Atos 9:1—6. Vejam em que situação delicada se colocam esses homens, com seus pomposos títulos, quando se arrogam o direito de saberem o que é o melhor para a igreja. Quando tomam decisões que são frontalmente contrárias à vontade revelada do Senhor e contida na Bíblia. Quando se empenham em prejudicar crentes individuais por não concordarem com seus — deles — desmandos. Quando ensinam o erro e pretendem que estão falando em nome do Deus verdadeiro. É realmente uma situação muito precária e eles terão, como de fato darão contas à Deus de cada um dos seus atos perversos. E tudo isso, para que fique o mais evidente possível, para todo o Universo criado, que é “pela igreja, que a multiforme sabedoria de Deus se torna conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais” — conforme Efésios 3:10.

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018 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 006 — HUMILDADE E AMOR EM MEIO À DIVERSIDADE DE DONS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/01/educacao-crista-estudo-018-o-que-o-novo.html

Que deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.




[1] De acordo com o Dicionário Aurélio século XXI: Pleroma: Do latim. Científico. Pleroma. Latim tardio: pleroma, 'plenitude'; grego: pléroma, 'tudo o que é completo'. 

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