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sábado, 25 de novembro de 2017

GÊNESIS — ESTUDO 056 — O PERÍODO PATRIARCAL — O CHAMADO DE ABRAÃO


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               וַיֵּרָא יְהוָה אֶל־אַבְרָם וַיֹּאמֶר אֵלָיו אֲנִי־אֵל שַׁדַּי הִתְהַלֵּךְ לְפָנַי וֶהְיֵה תָמִים׃
    perfeito sê e presença  minha    na anda Poderoso-Todo   Deus  o sou Eu disse-lhe e  Abrão a  Deus  SENHOR o apareceu
Gênesis 17:1b

I. A Transição Entre os Capítulos 11 e 12 do Livro do Gênesis.

Ao lermos os onze primeiros capítulos do Livro do Gênesis não podemos evitar a triste constatação de que, à medida que o tempo passa, duas coisas sempre se repetem. Elas são:

1. Que os homens vão sempre e de forma contínua derivando para práticas pecaminosas que os levam a se afastar cada vez mais de Deus. Ver Gênesis 6:5, especialmente as palavras que dizem: “era continuamente mau todo o desígnio do seu coração”.

2. Que Deus sempre intervém visando manter vivas as informações necessárias acerca da salvação. Todos aqueles que aqui e ali fazem a pergunta: “Onde está ou estava Deus?”, encontram nesses primeiros capítulos de Gênesis resposta mais que suficiente para suas indagações. Certamente, se Deus não tivesse interferido neste nosso mundo por muitas e repetidas vezes, as coisas estariam bem piores do que estão.

Dos três filhos de Terá, Abrão foi o escolhido por Deus para fundar uma nova nação na qual a luz da salvação pudesse ser preservada até os últimos dias, de acordo com o plano estabelecido por Deus desde antes da fundação do mundo. É através da família de Abrão e de seus descendentes que a promessa do evangelho feita em Gênesis 3:15 irá encontrar pleno cumprimento.

II. O Aparecimento de Abrão – Gênesis 12:1—20.

Quando consideramos a vida de Abrão – ela se estende de Gênesis 11:27 a 25:11 — não podemos deixar de notar que tanto as primeiras como as últimas palavras que Deus lhe dirigiu, são muito parecidas. Vejamos:

1. A primeira palavra de Deus dirigida diretamente a Abrão está em —

Gênesis 12:1

Ora, disse o SENHOR a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei.

2. A última palavra de Deus dirigida a Abrão encontra-se em —

Gênesis 22:2

Acrescentou Deus: Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei.

Estas duas palavras possuem mais elementos coincidentes do que podemos imaginar. Nas duas Teofanias — manifestações onde Deus se faz visível aos olhos humanos — mencionadas acima, nós temos um verbo no modo imperativo seguido de um triplo objetivo:

Gênesis 12:1 possui um verbo inicial no modo imperativo: לֶךְ — leqe —que quer dizer: sai. Este verbo é seguido pelos seguintes objetivos:

1. Sai da tua terra.

2. Sai da tua parentela.

3. Sai... e vai para a terra que te mostrarei.

Nesse versículo nós podemos notar um movimento que vai do geral para o particular. De uma condição onde existe menos intimidade com Deus para outra, onde existe mais intimidade. À medida que Deus fala, a proximidade entre Deus e Abrão aumenta de tal maneira, que Deus substitui e supre tudo aquilo que Abrão estava abrindo mão ou perdendo.

Gênesis 22:2, por sua vez, possui um verbo inicial no modo imperativo: קַח — qach – que quer dizer: toma. E esse verbo é seguido pelos seguintes objetivos:

1. Toma teu filho.

2. Toma... teu único filho.

3. Toma... e vai-te.

Note que nas duas referências Deus não diz a Abrão, onde exatamente Ele pretendia levá-lo. Tudo o que Deus faz é apontar a direção que Abrão precisa seguir. É necessário exercitar fé para seguir para um lugar que a gente nem sabe onde fica. Em Gênesis 12:1 Deus lhe diz apenas: vai para a terra que te mostrarei. Já em Gênesis 22:2 Deus lhe diz: vai-te à terra de Moriá... um dos montes, que eu te mostrarei. E foi exatamente isso que Abrão fez —

Hebreus 11:8

Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber aonde ia.

No texto de Hebreus, note como a fé é caracterizada por uma série de decisões de acreditar em Deus e Sua palavra. A nossa fé cristã é assim mesmo. Ela não é um sentimento, nem algo irracional que não pode ser comunicado ou explicado. A fé cristã é uma fé, acima de tudo, racional e que se justifica por tomadas de decisão bem características. Para resumir podemos dizer que A FÉ É UMA DECISÃO. É a decisão de acreditar em Deus e em Sua palavra independentemente das circunstâncias. Este é o tipo de fé que Abrão demonstra. Que nos sirva de lição.

Este autor é da opinião que os diálogos mencionados no livro de Gênesis entre Deus e Abrão tiveram ocasião por sucessivas teofanias. Mas devemos registrar que outros autores pensam que Deus se comunicava com Abrão através de sonhos. Independente da forma, nós podemos afirmar que em todas essas ocasiões, Abrão reconheceu que estava ouvindo a voz do próprio Deus e que o mais sensato era obedecer. O mesmo deve ser verdadeiro para nós. Quando tomamos a Bíblia em nossas mãos, nós devemos nos lembrar que trata-se de um registro escrito das palavras que foram proferidas pelo próprio Deus, e isso deve nos encher de espanto e de reverente temor. A Bíblia é a palavra de Deus para nós como as teofanias trouxeram a presença e a palavra de Deus para Abrão. Faremos bem em ouvir o que Deus tem a dizer, mas não podemos nos enganar a nós mesmos e nem deixar que nos enganem. Nossos corações não possuem, naturalmente, o desejo de crer em Deus e Sua Palavra. Muito pelo contrário. O profeta Jeremias diz:

Jeremias 17:9

Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?

Nossa inclinação para o mal é tão marcante e característica que o próprio Deus insiste, através de Moisés, com as seguintes palavras:

Deuteronômio 30:15—20

Vê que proponho, hoje, a vida e o bem, a morte e o mal; se guardares o mandamento que hoje te ordeno, que ames o SENHOR, teu Deus, andes nos seus caminhos, e guardes os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juízos, então, viverás e te multiplicarás, e o SENHOR, teu Deus, te abençoará na terra à qual passas para possuí-la. Porém, se o teu coração se desviar, e não quiseres dar ouvidos, e fores seduzido, e te inclinares a outros deuses, e os servires, então, hoje, te declaro que, certamente, perecerás; não permanecerás longo tempo na terra à qual vais, passando o Jordão, para a possuíres. Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência  amando o SENHOR, teu Deus, dando ouvidos à sua voz e apegando-te a ele

III. O Chamado de Abrão — Gênesis 12:1—4.

Abrão ouve a voz de Deus e decide, pela fé, seguir a orientação recomendada. Acerca do seu chamamento nos podemos dizer o seguinte:

1. Foi um chamado distinto e seletivo como é tão comum da parte de Deus através de toda a Bíblia. As escolhas de Deus não são baseadas em nenhum tipo de mérito existente no objeto da Sua escolha. A eleição ou escolha de Deus está baseada exclusivamente em Sua graça — ver, por exemplo,

Deuteronômio 7:7—8

7 Não vos teve o SENHOR afeição, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos,

8 mas porque o SENHOR vos amava e, para guardar o juramento que fizera a vossos pais, o SENHOR vos tirou com mão poderosa e vos resgatou da casa da servidão, do poder de Faraó, rei do Egito.

Note que o chamado de Abrão é dirigido a ele somente, dentre todos os teraítas — descendentes de Terá. É a ele somente que a palavra de Deus é dirigida dentre todos os descendentes de Sem; dentre todos os habitantes do planeta; dentre todos os descendentes de Adão. O mesmo é verdadeiro para com o convite feito pelo Evangelho ou Boas Novas. Ouvir e aceitar a oferta feita não depende do ouvinte e sim de usar Deus a sua misericórdia —

Romanos 9:16

Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia.

2. Foi também um chamado para viver uma vida separada. Abrão foi chamado para romper seu relacionamento com seus parentes mais próximos — eles certamente eram idólatras como era tão comum naqueles dias. O afastamento era necessário porque a proximidade da vida praticada pelos idólatras constituía um grande perigo para a salvação do próprio Abrão. Da mesma maneira, a voz de Jesus nos convida a abandonar a velha vida — como quem tira uma roupa velha — com suas corrupções e iniquidades e a nos revestirmos do novo homem, que é criado segundo Deus —

Efésios 4:17—24

17 Isto, portanto, digo e no Senhor testifico que não mais andeis como também andam os gentios, na vaidade dos seus próprios pensamentos,

18 obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração,

19 os quais, tendo-se tornado insensíveis, se entregaram à dissolução para, com avidez, cometerem toda sorte de impureza.

20 Mas não foi assim que aprendestes a Cristo,

21 se é que, de fato, o tendes ouvido e nele fostes instruídos, segundo é a verdade em Jesus,

22 no sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano,

23 e vos renoveis no espírito do vosso entendimento,

24 e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.

Se queremos ser verdadeiros seguidores de Jesus precisamos amar e dar mais importância à Sua voz do que, até mesmo, à voz dos parentes mais próximos —

Lucas 14:25—27

25 Grandes multidões o acompanhavam, e ele, voltando-se, lhes disse:

26 Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.

27 E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo.

3. O chamado de Abrão implicava em uma longa peregrinação onde ele certamente teria de passar por várias e muito grandes dificuldades, com não pouco sofrimento e muitas privações. Todas estas circunstâncias iriam exigir de Abrão uma atitude de permanente prontidão e uma paciência persistente. Para ser bem sucedido nesta empreitada seria necessário seguir a orientação da Palavra de Deus em seus mínimos detalhes, pois qualquer desvio poderia trazer consequências bastante desagradáveis. Cada passo precisava ser dado em plena confiança e fé no Deus que o estava chamando. Nosso chamado cristão não é muito diferente. O autor sabe bem que esse discurso está muito fora de moda no meio evangélico dos nossos dias. Hoje se ensina a vitória permanente, a saúde inabalável e a prosperidade à toda prova. Dificuldades e problemas são vistos como resultados da ação direta de Satanás e suas hostes de demônios. O besteirol chega a ser tão grande que nos sentimos nauseados. O engano é sutil, mas é também muito extenso. Temos sempre que nos lembrar que estamos aqui somente de passagem.  

O Novo Testamento nos ensina o seguinte:

Marcos 10:28—30

Então, Pedro começou a dizer-lhe: Eis que nós tudo deixamos e te seguimos. Tornou Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos por amor de mim e por amor do evangelho, que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e, no mundo por vir, a vida eterna.

Atos 14:21—22

E, tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, e Icônio, e Antioquia, fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus.

2 Coríntios 5:6—7

Temos, portanto, sempre bom ânimo, sabendo que, enquanto no corpo, estamos ausentes do Senhor; visto que andamos por fé e não pelo que vemos.

2 Timóteo 3:12

Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos.

Apocalipse 7:13—17

Um dos anciãos tomou a palavra, dizendo: Estes, que se vestem de vestiduras brancas, quem são e donde vieram? Respondi-lhe: meu Senhor, tu o sabes. Ele, então, me disse: São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro, razão por que se acham diante do trono de Deus e o servem de dia e de noite no seu santuário; e aquele que se assenta no trono estenderá sobre eles o seu tabernáculo. Jamais terão fome, nunca mais terão sede, não cairá sobre eles o sol, nem ardor algum, pois o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará e os guiará para as fontes da água da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima.

4. Mas o chamado de Deus também possuía outras implicações. Era um chamado cheio de palavras de ânimo e encorajamento. Ele estava repleto de várias promessas, como podemos ver a seguir: ver especialmente os versos 2 e 3 de Gênesis 12.

De ti farei uma grande nação.

Te abençoarei.

Te engrandecerei o nome.

Sê tu uma bênção.

Abençoarei os que te abençoarem.

Amaldiçoarei os que te amaldiçoarem.

Em ti serão benditas todas as famílias da terra.

Fica bem evidente que o que o Senhor estava prometendo não era pouca coisa. São estas promessas que colocam em perspectiva apropriada as palavras de Paulo em —

Efésios 3:20—21

20 Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós,

21 a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!

São essas promessas que servem como uma compensação mais do que abundante para os sacrifícios e as privações que teriam que ser enfrentadas por Abrão como resultado direto de decidir, pela fé, obedecer ao chamado de Deus. O apóstolo Pedro nos diz que —

2 Pedro 1:2—9

...pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude, pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas....

O mesmo é verdadeiro com respeito ao Senhor Jesus para quem somos exortados a olhar firmemente, pois Ele é tanto o autor como o consumador da nossa fé —

Hebreus 12:1—3

1  Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta,

2  olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus.

3  Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma.

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053 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 005
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/08/genesis-estudo-053-torre-de-babel-parte.html
054 — Estudo de Gênesis — A GENEALOGIA DOS SEMITAS
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Alexandros Meimaridis

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sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus – ESTUDO 021 — A RECUSA EM ACEITAR O SENHOR JESUS — PARTE 003


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NESSA SÉRIE NÓS ESTAMOS TRATANDO DE DOIS ASPECTOS IMPORTANTES ACERCA DA VERDADEIRA IGREJA: 1) A IGREJA COMO CORPO DE CRISTO; E 2) A IGREJA NO PLANO ETERNO DE DEUS. CONVIDAMOS TODOS OS NOSSOS LEITORES A ACOMPANHAREM ESSA SÉRIE E COMPARTILHAREM A MESMA COM TODOS OS SEUS CONHECIDOS, AMIGOS E IRMÃOS. OUTROS ESTUDOS DESSA SÉRIE PODERÃO SER ENCONTRADOS POR MEIO DE LINKS NO FIM DE CADA ESTUDO.

C. DESCULPAS E MAIS DESCULPAS NA REJEIÇÃO DE JESUS E DO EVANGELHO DA SALVAÇÃO — CONTINUAÇÃO.

3. De fato não existe nenhum motivo pelo qual o Senhor deve ser odiado. Tudo o que o Senhor Jesus fez merece a estima e consideração das pessoas e nada do que Jesus fez merece o desprezo ou a desconsideração das pessoas —

João 15:25

Isto, porém, é para que se cumpra a palavra escrita na sua lei: Odiaram-me sem motivo.

Davi, como um tipo[1] de Cristo manifestou esse sentimento, de ser odiado sem causa em dois momentos —

Salmos 35:19

Não se alegrem de mim os meus inimigos gratuitos; não pisquem os olhos os que sem causa me odeiam.

Salmos 69:4.

São mais que os cabelos de minha cabeça os que, sem razão, me odeiam; são poderosos os meus destruidores, os que com falsos motivos são meus inimigos; por isso, tenho de restituir o que não furtei.

Assim temos que:

a. Em primeiro lugar aqueles que odeiam a Cristo o fazem sem uma causa justificável. Toda inimizade contra o Senhor Jesus é completamente não razoável. Entre os seres humanos nós temos a tendência de odiarmos aquelas pessoas que são arrogantes e cheias de si mesmas, mas Cristo é manso e humilde, compassivo e cheio de tenras misericórdias. Também odiamos aqueles que são cheios de malícia, invejosos ou vingativos, mas Jesus devotou sua vida a servir mesmo àqueles que se aproveitaram desse fato para abusar do Senhor.

O apóstolo Paulo disse:

2 Coríntios 8:9

Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos.

Como é possível odiar a alguém que nos trata dessa maneira? Jesus foi a maior bênção que poderia ter acontecido ao povo judeu naqueles dias. No entanto eles o odiaram. É fato que Jesus testificou que as obras dos indivíduos que eram Seus contemporâneos eram más. Mas odiá-lo por causa deste fato era realmente odiá-lo sem causa.

João 1:11

Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.

João 3:19

O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más.

b. Em segundo lugar temos o fato de que as Escrituras encontram nessa situação o seu cumprimento, ou seja: o “tipo” do Antigo Testamento encontra o “antítipo” na pessoa de Jesus. Saul e seus seguidores odiavam a Davi sem uma causa justificada. Por que odiavam a Davi? Seria porque ele havia matado o arrogante gigante filisteu chamado Golias? Ou seria porque Davi acalmava a Saul tocando sua harpa? Absalão e seu grupo odiavam a Davi. Estes também o faziam sem motivo. Da mesma maneira Jesus foi perseguido e odiado das formas mais injustas. Todos aqueles que odiaram o Senhor Jesus não agiam visando fazer cumprir as Escrituras. Foi Deus quem permitiu que o tal ódio servisse ao propósito de fazer cumprir as Escrituras. Este fato serve para nós como mais uma confirmação acerca da verdade de que Jesus é de fato o Messias esperado, pois o ódio sem causa profetizado foi cumprido em Sua vida. Assim não devemos nos surpreender se o mundo também nos odeia sem causa ou motivo verdadeiro.

Breve comentário acerca de João 14:21 que diz:

Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele.

Em João 14:21 nos encontramos o verbo grego ἐμφανίσω — emfanízo — que pode ser traduzido por revelar, manifestar, tornar visível diante dos olhos. O uso desse verbo deixa claro que a manifestação à qual Jesus está se referindo é algo que será visível. No grego existe outro verbo δηλόῳ  — delóo — que denota um tipo de manifestação que é evidente somente à mente e não à vista. A manifestação a que Jesus está se referindo vai muito além de revelar uma presença encoberta — ‘αποκάλυτω — ‘apokálupto — ou a manifestação de alguém que está escondido — φανερόῳ — faneróo.

A manifestação a que o Senhor Jesus se referiu chamou a atenção não somente de membros da nossa comunidade, mas chamou também a atenção de um dos discípulos de Jesus que lhe pergunta:

João 14:22

Disse-lhe Judas, não o Iscariotes: Donde procede, Senhor, que estás para manifestar-te a nós e não ao mundo?

E a resposta que Senhor dá em João 14:23 explica exatamente a que tipo de manifestação Jesus estava se referindo:

Respondeu Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada.

Benditas palavras!

Com esse tipo de manifestação não pode haver nenhum tipo de dúvida de que Jesus é o nosso Salvador!

4. Ao odiar o Senhor Jesus o mundo está odiando também Deus, o Pai —

João 15:23

Quem me odeia, odeia também a meu Pai.

Esta conclusão é óbvia porque:

João 10:30

Eu e o Pai somos um.

João 5:36

Mas eu tenho maior testemunho do que o de João; porque as obras que o Pai me confiou para que eu as realizasse, essas que eu faço testemunham a meu respeito de que o Pai me enviou.

João 14:24

Quem não me ama não guarda as minhas palavras; e a palavra que estais ouvindo não é minha, mas do Pai, que me enviou.

Assim sendo as palavras de Cristo fazem pleno sentido:

João 15:24

Se eu não tivesse feito entre eles tais obras, quais nenhum outro fez, pecado não teriam; mas, agora, não somente têm eles visto, mas também odiado, tanto a mim como a meu Pai.

Os Reformadores e seus seguidores, especialmente entre os da linha calvinista, definiram a condição humana após a queda como sendo de “depravação total”. Esta definição apesar de não ser encontrada nas páginas das escrituras não se trata de uma concepção teológica, i.e., inventada pelos teólogos. Na Bíblia nos encontramos uma ênfase crescente de que o ato pecaminoso não é um fato isolado em si mesmo, mas que o mesmo revela uma disposição perversa da parte daquele que o comete —

Gênesis 6:5

Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração;

A Bíblia também ensina que os atos de pecado que afetam tão profundamente a vida de um indivíduo acabam por transmitir tendências perversas aos descendentes desse mesmo indivíduo pecaminoso —

Salmos 51:5

Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe. 

Efésios 2:3

Entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais.

De acordo com o relato que encontramos no Gênesis o pecado é um ato destrutivo de autoafirmação baseado em orgulho, falta de amor, rebeldia e falta de gratidão, primeiro contra Deus que deu ao homem sua realidade, mas simultaneamente, contra si mesmo e contra todas as outras formas de realidade criadas. Por meio desse ato inicial de pecado, Adão quebrou seu relacionamento com Deus e consigo mesmo, pois perdeu a segurança da intimidade com Deus e, consequentemente, a paz que gozava com Deus. Quebrou também seu relacionamento com Eva e com a natureza dos quais, em diferentes graus, dependiam tanto sua vida, como seu bem-estar. O pecado de Adão é uma declaração de autossuficiência. Era desejo de Adão seguir seu caminho sozinho. Por meio daquele primeiro pecado de Adão, chamado pelos teólogos de “pecado original”, tudo foi alienado. Adão e Eva se escondem um do outro por meio da tentativa de costurar roupas para si; Adão se esconde de Deus; Adão põe a culpa em Deus e em Eva, Eva culpa a serpente e o próprio ser se torna alienado de si mesmo — Gênesis 3:7—13.

Essa alienação de si mesmo produz uma depravação[2] correspondente que priva o homem de todas aquelas qualidades morais e espirituais que constituem seu autêntico “ser”. O homem perdeu a capacidade de autorrealização e tornou-se seu pior inimigo. O “ser” está completamente depravado, pois não existe nada pior, nem mais destrutivo que ele possa fazer contra Deus, contra seus semelhantes, seu mundo e contra si mesmo, do que pecar. Dessa maneira, a morte e o inferno não são nada mais do que consequências das exageradas qualidades de culpa do próprio pecado. O pecado original, e todos os outros pecados subsequentes, meramente enfatizam essa realidade, de que o homem está completamente alienado de si mesmo, de Deus, de seus semelhantes e da natureza. E mais, nesse estado de alienação o homem é incapaz de instaurar relações autênticas como existiam originalmente. O momento histórico que mostra de maneira mais contundente esta alienação é quando os seres humanos, na cruz do Calvário, matam Aquele em Quem toda a realidade divina e criada subsiste —

Atos 3:15

Dessarte, matastes o Autor da vida, a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas.

Colossenses 1:15—16

15 Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;

16 pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele.


Dessa forma, o pecado original como aquele ato que quebra todos os relacionamentos criados por Deus não é meramente moral, intelectual ou afetivo, mas algo muito mais profundo do que tudo isto. O pecado é essencialmente religioso. Como Davi disse —

Salmos 51:4

Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mal perante os teus olhos.

É esta referência divina que constitui a essência do pecado original e através desta mesma referência o pecado se torna pecado contra o próprio homem, contra seus semelhantes e contra a natureza. A natureza do pecado é completamente destruidora. O pecado introduz aquelas realidades que a Bíblia descreve como sendo “morte” e “ira de Deus” — ver Efésios 2:1; 5:1—12.

Que o pecado torna o homem completamente depravado não pode ser observado exclusivamente pela história da humanidade. Apesar do fato de que a história da humanidade está repleta de atos pecaminosos, um reconhecimento verdadeiro do pecado, como algo distinto de erros humanos, ignorância, tolices ou fragilidade, não ocorre dentro do campo da observação, nem da experiência humana. Não existe uma estrada que nos conduza da experiência do pecado ao conhecimento daquilo que o pecado é. A dimensão religiosa do pecado como um ato primariamente contra Deus, só pode ser percebido pela revelação divina. O comportamento moral do homem é normalmente melhor do que a depravação total nos faz esperar. Esta ambiguidade, entre o esperado e o real, é fruto da ação permanente e graciosa de Deus sobre a humanidade caída, e isto constitui outra verdade que só pode ser reconhecida mediante revelação. Que cada e todo pecado cometido contra si mesmo, contra o próximo, contra o meio ambiente, é também um pecado contra Deus só pode ser entendido desta maneira se for revelado por Deus. Como consequência desta depravação total nós temos que:

i. Existem seres humanos que odeiam a Deus, independente da beleza da Sua natureza e da magnificência da Sua provisão. Estas pessoas odeiam a Deus por causa da Sua justiça, da mesma maneira que os demônios que creem e tremem por causa do conhecimento que possuem de Deus sentem-se envergonhados pela extensão do Seu domínio — de Deus. Muitos há que querem pretender que Deus não existe, mas sabem que Deus existe e o odeiam.

ii. O ódio a Jesus constitui ódio ao Pai, pois Jesus veio como representante e embaixador do Pai. Todos os inimigos da verdade representada em Jesus são, de fato, inimigos do Deus verdadeiro. Ao negar a Jesus os homens querem realmente se livrar de todas as obrigações da consciência e do temor de Deus. Mas que fique bem claro a todo incrédulo e maligno mundo que toda a inimizade para com Jesus e por extensão contra Seus discípulos, será vista no dia do Grande Juízo como inimizade contra o próprio Deus. Ao mesmo tempo todos os que sofrem por causa de Jesus e da justiça de Deus devem se sentir reconfortados —

Mateus 5:10—12

10 Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.

11 Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós.

12 Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.


OUTROS ESTUDOS ACERCA DA IGREJA COMO CORPO DE CRISTO E NO PLANO ETERNO DE DEUS

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 001 — A Igreja

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 002 — A Unidade de Igreja

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A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 006 — Unidade Com Variedade Mas com Harmonia

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 007 — A Igreja Como o “Mistério” de Deus e Uma Introdução a Efésios 1:3—14

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 008 — Uma Introdução a Efésios 1:3—14

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 009 — A Bênção Espiritual — Efésios 1:3

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 010 — As Regiões Celestiais — Efésios 1:3

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 011 — Nossa Escolha ou Eleição Divina — Efésios 1:4 — Parte 001

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 012  A —Escolha ou Eleição Divina — Efésios 1:4 — PARTE 002

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 013 — A Escolha ou Eleição Divina — Efésios 1:4 — PARTE 003

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 014 — A Escolha ou Eleição Divina — Efésios 1:4 — PARTE 004

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 015 — A Escolha ou Eleição Divina — Efésios 1:4 — PARTE 005

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 016 — A Escolha ou Eleição Divina — Efésios 1:4 — PARTE 006

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 017 — A Escolha ou Eleição Divina — Efésios 1:4 — PARTE 007 — O Mundo Nos Odeia

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 018 — A Escolha ou Eleição Divina — Efésios 1:4 — PARTE 008 — Por que O Mundo Nos Odeia

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 019 — As Desculpas para Rejeitar a Jesus e o Evangelho da Graça — PARTE 001

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 020 — As Desculpas para Rejeitar a Jesus e o Evangelho da Graça — PARTE 002

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 021 — As Desculpas para Rejeitar a Jesus e o Evangelho da Graça — PARTE 003
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A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 022 — O Propósito de Deus em Nossa Eleição: Nos Fazer Santos e Irrepreensíveis
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/03/a-igreja-como-corpo-de-cristo-e-no.html



A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 023 — Nossa Eleição e seu Relacionamento com nossa Predestinação

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 024 — Nossa Predestinação Divina

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[1] Uma das muitas e interessantes facetas da nossa Bíblia é a existência de personagens do Antigo Testamento que passaram por situações que foram depois repetidas na experiência humana do Senhor Jesus. Todas as vezes que uma destas situações acontece nos dizemos que o personagem do Antigo Testamento funcionou como um “tipo” de Cristo.

[2] Ato ou efeito de depravar(-se); perversão, corrupção.  Degeneração mórbida.  

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