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domingo, 11 de dezembro de 2016

ESTUDO DA VIDA DE JESUS – PARTE 2 – ESTUDO 050 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 017


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Essa é uma série cujo propósito é estudar, com profundidade, a vida do Senhor Jesus como apresentada nos quatro Evangelhos. No final de cada estudo você irá encontrar links para outros estudos. A Série tem o título Geral de: Jesus Confronta a Religião, a Sociedade e a Cultura.


II. O Prólogo do Evangelho de João — João 1:1—18 - Continuação

C. Exposição de João 1:1—18 - Continuação.

5. João 1:5 — A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela – Continuação.

O Filho de Deus, o Senhor Jesus Cristo veio a este mundo para, entre outras coisas, concretizar as muitas promessas que encontramos no Antigo Testamento e que nos falam do perdão e da salvação que Deus nos oferece, exclusivamente, pela Sua graça. Jesus veio também para cumprir as promessas acerca do Messias. Leia as referências abaixo meditando nas mesmas, de tal forma que o Espírito de Deus possa trazer profunda convicção ao teu coração acerca dessas verdades:

Isaías 53 – Todo o capítulo.

Isaías 54 – Todo o capítulo.

Isaías 55 – Todo o capítulo.

Isaías 60 – Todo o capítulo.

Isaías 61 – Todo o capítulo.

Isaías 63 – Todo o capítulo.

Isaías 65 – Todo o capítulo.

Daniel 9:20—27 – Este é certamente o mais difícil texto de todas as passagens do Antigo Testamento para ser explicado ou dispensado pelos sábios judeus desde o final do cativeiro babilônico. O texto de Daniel é bastante claro quando diz:

20 Falava eu ainda, e orava, e confessava o meu pecado e o pecado do meu povo de Israel, e lançava a minha súplica perante a face do SENHOR, meu Deus, pelo monte santo do meu Deus.

21 Falava eu, digo, falava ainda na oração, quando o homem Gabriel, que eu tinha observado na minha visão ao princípio, veio rapidamente, voando, e me tocou à hora do sacrifício da tarde.

22 Ele queria instruir-me, falou comigo e disse: Daniel, agora, saí para fazer-te entender o sentido.

23 No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para to declarar, porque és mui amado; considera, pois, a coisa e entende a visão.

24 Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniquidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia e para ungir o Santo dos Santos.

25 Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas; as praças e as circunvalações se reedificarão, mas em tempos angustiosos.

26 Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não estará; e o povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será num dilúvio, e até ao fim haverá guerra; desolações são determinadas.

27 Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana; na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das abominações virá o assolador, até que a destruição, que está determinada, se derrame sobre ele.

Segue uma breve explicação do texto acima:

Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade — Daniel 9:24.

Este é um período de tempo que tem começo e fim bem definidos, mas que não faz referência a nenhum período de tempo que possa ser medido de antemão, porque faz referências a eventos que deverão acontecer no futuro. As “Setenta Semanas” não fazem, portanto, nenhuma referência a um período específico de tempo que possa ser medido em dias, semanas ou anos.
O propósito destas semanas determinadas era indicar o fato de que durante o transcorrer das mesmas, como início e fim bem delimitado, a justiça divina seria manifestada com alvos bem, definidos:

Para fazer cessar a transgressão.

Para dar fim aos pecados.

Para expiar a iniquidade.

Para trazer a justiça eterna.

Para selar a visão e a profecia.

Para ungir o Santo dos Santos – ver Daniel 9:24.

Ou seja: durante este período seria manifestada a Justiça de Deus, o Justo Juiz e o único que pode justificar pecadores como nós.

Tudo isto que mencionamos acima seria cumprido com o advento do מָשִׁיחַ Mashiach — Ungido, o Príncipe. E todos estes fatos, inclusive a manifestação do Ungido, deveriam acontecer mais próximos do final do período das setenta semanas, pois o anjo diz a Daniel o seguinte: Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas — ver Daniel 9:25.

Isto quer dizer que a manifestação da Justiça de Deus deveria acontecer antes do fechamento deste período pré-determinado. Independentemente do tempo a que estas semanas se referem — elas certamente não representam semanas de 7 dias porque neste tempo — de 490 dias — referentes a todas as 70 Semanas – não haveria tempo para reconstruir o Templo e dar andamento a todos os eventos como prescritos acima. Também não representam, necessariamente, semanas de anos porque a intenção da visão não era estabelecer nem fixar prazos mensuráveis em tempo, e sim os próprios acontecimentos — como mencionados acima — e que visavam manifestar a Justiça de Deus conforme entendida por Daniel, de acordo com os versículos 7, 14 e 16—17 do capítulo 9. O período mencionado para Daniel pelo anjo Gabriel dizia respeito à manifestação da Justiça de Deus tanto como Juiz bem como Justificador —

Romanos 3:26.

Tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus.

Sim, a justificação do pecador só pode ser mesmo um ato de Deus — por decreto — e não mediante qualquer coisa que possamos fazer por nós mesmos.

O anjo Gabriel fala com todas as letras para Daniel, que: Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não estará — ver Daniel 9:26. Ou seja, a morte do ungido aconteceria bem próxima do final do período determinado por Deus mediante as 70 Semanas. A Justiça de Deus seria estabelecida e manifestada mediante a execução de atos bastante concretos, inclusive com a morte do מָשִׁיחַ Mashiach — Ungido.
O inicio e o final deste período, que deveria trazer a manifestação da Justiça de Deus, estão bem delimitados.

O início: Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas – ver Daniel 9:25.

O final: O fechamento do período completo das 70 Semanas, independentemente de quanto tempo teria que passar — também está bem delimitado, pois o anjo Gabriel diz a Daniel: Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não estará; e o povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será num dilúvio, e até ao fim haverá guerra; desolações são determinadas — Daniel 9:26. Este verso, segundo a opinião concordante da maioria dos intérpretes, faz referência à destruição do Templo em Jerusalém no ano 70 a.D. sob as legiões romanas comandadas pelo general Tito. Devemos notar algumas vozes discordantes dentre os sábios judeus, principalmente Saadia e Rashi, que em mais uma tentativa de negar que Jesus era o verdadeiro Messias de Israel, reinterpretaram toda esta passagem para fazer com que o Ungido fosse identificado com Ciro, o Medo — ver o comentário de Edward Young no livro do Profeta Daniel in loco.[1]
Desta maneira temos que a manifestação do  מָשִׁיחַ Mashiach — Ungido, o Príncipe deveria acontecer entre a ordem para restaurar e para edificar Jerusalém após o cativeiro babilônico e até a destruição do Templo pelo povo de um príncipe que havia de vir. Ou seja: a manifestação do Messias aconteceu, necessariamente, entre os anos 639 a.C., que é a data da ordem de Ciro para reconstruir a cidade de Jerusalém, mencionada em Esdras 1:2; ou 445 a.C. que é a data da ordem data por Artaxerxes I, mencionado em Neemias 2:1 e o ano 70 a.D., que é a data da destruição do Templo e da cidade de Jerusalém pelas legiões romanas sob o comando, primeiro de Vespasiano e, em seguida, de Tito. Estes dois se tornaram imperadores romanos e são contados entre os chamados “doze césares".

Não existe, é evidente, nenhum personagem na história que vai entre os decretos de Ciro e Artaxerxes até a destruição do Templo e da cidade de Jerusalém — de acordo com as 70 Semanas que estavam determinadas sobre “teu povo — judeus — e sobre tua santa cidade — Jerusalém — que cumpra, com precisão sem precedentes, o intento de Deus para aqueles dias, como o Senhor Jesus. Somente em Jesus e no estabelecimento da Nova Aliança temos a plena satisfação do cumprimento daquilo que o anjo Gabriel se referiu como sendo o estabelecimento da Justiça de Deus. Ao se cumprirem os tempos nos diz o autor de Hebreus, Jesus se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado de acordo com o que foi prometido ao profeta Daniel pelo anjo Gabriel — ver Hebreus 9:26 e comparar com Daniel 9:24.   

Oséias 11:8

Como te deixaria, ó Efraim? Como te entregaria, ó Israel? Como te faria como a Admá? Como fazer-te um Zeboim? Meu coração está comovido dentro de mim, as minhas compaixões, à uma, se acendem.

Amós 5:4

Pois assim diz o SENHOR à casa de Israel: Buscai-me e vivei.

Miqueias 5:2

E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.

Miquéias 7:18

Quem, ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas a iniquidade e te esqueces da transgressão do restante da tua herança? O SENHOR não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia.

Ageu 2:9

A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o SENHOR dos Exércitos; e, neste lugar, darei a paz, diz o SENHOR dos Exércitos.

Zacarias 9:9

Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém: eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de jumenta.

Zacarias 13:1

Naquele dia, haverá uma fonte aberta para a casa de Davi e para os habitantes de Jerusalém, para remover o pecado e a impureza.
Malaquias 1:11

Mas, desde o nascente do sol até ao poente, é grande entre as nações o meu nome; e em todo lugar lhe é queimado incenso e trazidas ofertas puras, porque o meu nome é grande entre as nações, diz o SENHOR dos Exércitos.

Malaquias 3:1—2

Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; de repente, virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais, o Anjo da Aliança, a quem vós desejais; eis que ele vem, diz o SENHOR dos Exércitos. Mas quem poderá suportar o dia da sua vinda? E quem poderá subsistir quando ele aparecer? Porque ele é como o fogo do ourives e como a potassa dos lavandeiros.

Outros estudos acerca da vida de Jesus podem ser encontrados nos links abaixo:

001 — Estudos Na Vida de Jesus — Porque Jesus Veio a Este Mundo

002 — Estudos na Vida de Jesus — O Registro Escrito Acerca de Jesus — Parte 001

003 — Estudos na Vida de Jesus — O Registro Escrito Acerca de Jesus — Parte 002.

004 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões —

005 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões — Parte 2.

006 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões — Parte 3.

007 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões — Parte 4.

008 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões — Parte 5.

009 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões — Parte 6.

010 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões — Parte 7.

011 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões — Parte 8.

012 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões — Parte 9.

013 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões — Parte 10.

014 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões — Parte 11.

015 — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 12

016 — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 13

017 A — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 14A

017 B — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 14B

017 C — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 14C

017 D — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 14D

018 A — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 15A

018 B — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 15B

019A — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 16A

019B — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 16B

020 — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 17

021 — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 18

022 — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 19

023 — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 20

024 — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 21

025 — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 22

026 — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 23
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/04/estudo-da-vida-de-jesus-parte-1-estudo.html

OUTROS ESTUDOS ACERCA DA VIDA DE JESUS — PARTE 2 PODEM SER ENCONTRADOS NOS LINKS ABAIXO:
001 — Estudos Na Vida de Jesus — PARTE 02 — ESTUDO 027 — OS PRÓLOGOS AOS EVANGELHOS — 001 — A PLENITUDE DO TEMPO
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/05/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
002 — Estudos Na Vida de Jesus — PARTE 02 — ESTUDO 028 — OS PRÓLOGOS AOS EVANGELHOS — 002 — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE LUCAS — LUCAS 1:1—4
003 — Estudos Na Vida de Jesus — PARTE 02 — ESTUDO 029 — OS PRÓLOGOS AOS EVANGELHOS — 003 — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE JOÃO — JOÃO 1:1—18 — PARTE 001
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/07/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
004 — Estudos Na Vida de Jesus — PARTE 02 — ESTUDO 030 — OS PRÓLOGOS AOS EVANGELHOS — 004 — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE JOÃO — JOÃO 1:1—18 — PARTE 002
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/08/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
005 — Estudos Na Vida de Jesus — PARTE 02 — ESTUDO 031 — OS PRÓLOGOS AOS EVANGELHOS — 005 — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE JOÃO — JOÃO 1:1—18 — PARTE 003
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/09/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
006 — Estudos Na Vida de Jesus — PARTE 02 — ESTUDO 032 — OS PRÓLOGOS AOS EVANGELHOS — 006 — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE JOÃO — JOÃO 1:1—18 — PARTE 004
007A — A DIVINDADE DE JESUS E A IGREJA DE JESUS CRISTO DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS OU IGREJA DOS MÓRMONS.
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/11/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
007C —  A DIVINDADE DE JESUS E OS ADVENTISTAS DO SÉTIMO DIA
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/11/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo_30.html
007D — A DIVINDADE DE JESUS E  IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA — PARTE 001http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/12/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
007E — A DIVINDADE DE JESUS E  IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA — PARTE 002http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/12/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo_3.html
008 — A DIVINDADE DE JESUS COMO APRESENTADA PELO EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 001
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/12/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo_31.html
009 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 002
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/02/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
010 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 003
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/03/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
011 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 004http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/05/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
012 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 005http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/06/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
013 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 006
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/07/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
014 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 007
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/08/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
015 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 008
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/09/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
016 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 009
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/11/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
017 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 010
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/12/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
018 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 011
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/02/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
019 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 012
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/04/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
020 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 013
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/06/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
21 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 014
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/08/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
022 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 015 — A LUZ DOS HOMENS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/10/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
023 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 016 — JESUS VEIO TRAZER O PERDÃO E A SALVAÇÃO DE DEUS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/12/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo_8.html
024 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 017 — JESUS É O MESSIAS PROMETIDO NA PROFECIA DAS 70 SEMANAS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/12/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo_11.html
025 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 018 — JESUS É O SOL DA JUSTIÇA PROMETIDO NA PROFECIA DE MALAQUIAS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/01/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
26 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 019 — O TESTEMUNHO DE JOÃO ACERCA DE JESUS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/02/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
27 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 020 — O TESTEMUNHO DE JOÃO ACERCA DE JESUS — PARTE 002
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/02/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo_27.html

28 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 021 — O TESTEMUNHO DE JOÃO ACERCA DE JESUS — PARTE 003
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/03/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html


29 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 022 — O TESTEMUNHO DE JOÃO ACERCA DE JESUS — PARTE 004
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/06/functionisogramigoogleanalyticsobjectri_23.html

30 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 023 — O TESTEMUNHO DE JOÃO ACERCA DE JESUS — PARTE 005
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/06/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html

31 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 024 — O TESTEMUNHO DE JOÃO ACERCA DE JESUS — PARTE 006


32 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 025 — O TESTEMUNHO DE JOÃO ACERCA DE JESUS — PARTE 007
Que Deus abençoe a todos. 

Alexandros Meimaridis 

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link: 


Desde já agradecemos a todos. 
       
________________


[1] Young, Edward J. Daniel in The Geneva Series of Commentaries. The Banner of Truth Trust, London, sem data.

Os comentários não representam a opinião do Blog O Grande Diálogo; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

APOCALIPSE 12:7 — A PELEJA NO CÉU— ESTUDO 010



ESTE ESTUDO É PARTE DE UMA SÉRIE DE ESTUDOS APRESENTADOS EM NOSSA IGREJA ATENDENDO À SOLICITAÇÃO DE UM DOS NOSSOS MEMBROS ACERCA DE “QUEM” PODERIA SER A MULHER MENCIONADA EM APOCALIPSE 12:1? NO FINAL DESSE ESTUDO VOCÊ ENCONTRARÁ OS LINKS PARA OS OUTROS ESTUDOS DESSA SÉRIE.

Houve peleja no céu. Miguel e os seus anjos pelejaram contra o dragão. Também pelejaram o dragão e seus anjos — Apocalipse 12:7.

Houve peleja no céu — Existe uma narrativa duma guerra no céu em 2 Macabeus 5:2—4 que diz: “2. Aconteceu que em toda a cidade e por mais de quarenta dias apareceram, correndo pelos ares, cavaleiros vestidos de ouro e armados com lanças, coortes armadas, espadas desembainhadas, 3. esquadrões alinhados para a batalha, perseguições e choques de um lado e de outro, movimentos de escudos, florestas de lanças, tiros de dardos, armaduras de ouro resplandecentes e couraças de todo o gênero. 4. Por isso, todos oravam para que tais aparições produzissem felizes resultados”.

Mas a narrativa acima parece mais um espetáculo fantasioso no céu, enquanto nosso texto, de Apocalipse, fala duma guerra prá valer.

A primeira coisa que temos nos perguntar diante desse verso é se o mesmo se refere a uma batalha que já ocorreu ou se diz respeito a algo que ainda irá acontecer. A intenção da peleja parece clara: Satanás deseja retornar à presença de Deus, pela força. A impressão que esse autor tem é que tal peleja, não diz respeito nem à expulsão original de Satanás da presença de Deus — interpretação muito influenciada pelo poema épico “Paraíso Perdido” de John Milton que viveu entre 1608—1684 — nem se trata dum quadro da vitória de Cristo sobre Satanás na Cruz — ver João 12:31. Parece mesmo tratar-se de um prelúdio cósmico ao fim dos tempos. É a única coisa capaz de explicar a terrível perseguição que será derramada sobre a Igreja do Senhor nos dias da tribulação final — conforme Apocalipse 13—14. Por outro lado, se o hino contido em Apocalipse 12:10—12 for tomado como uma descrição profética, então Satanás acabou de ser precipitado para a terra e, sabendo que pouco tempo lhe resta — verso 12 — voltou toda sua ira contra a igreja dos dias do apóstolo João. Mas é muito importante nos lembrarmos que: em se tratando de literatura apocalíptica não é conveniente pressionarmos demais nenhum ponto. Tudo o que esse verso nos afirma, de forma introdutória, é que a ira de Satanás é resultado direto da sua derrota no céu.

No judaísmo pré-cristão Miguel, que tinha sido concebido como patrono de Israel em oposição aos anjos padroeiros dos gentios, mais tarde passou a ser considerado como guardião dos justos de todas as nações, e mais tarde ainda sofreu outras modificações. Esse conceito colocava Miguel em direta oposição a Satanás, a própria personificação do mal. A grande batalha de Miguel deveria acontecer no final dos tempos a favor de Israel. Se essa última ideia for combinada com o conflito descrito em Apocalipse 12:7 acima, então o conflito entre Miguel e Satanás deverá acontecer nos fim dos tempos, muito próximo do clímax de todas as coisas.

Concepção Artística de Miguel

Miguel, o Arcanjo — Miguel era a maior figura do grupo dos anjos no judaísmo primitivo. Mesmo assim ele é mencionado apenas 3 vezes no Antigo Testamento:

1. Daniel 10:13 — Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias; porém Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu obtive vitória sobre os reis da Pérsia.

2. Daniel 10:21 — Mas eu te declararei o que está expresso na escritura da verdade; e ninguém há que esteja ao meu lado contra aqueles, a não ser Miguel, vosso príncipe.

3. Daniel 12:1 — Nesse tempo, se levantará Miguel, o grande príncipe, o defensor dos filhos do teu povo, e haverá tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas, naquele tempo, será salvo o teu povo, todo aquele que for achado inscrito no livro.

E apenas duas vezes no Novo Testamento:

1. Judas 9 — Contudo, o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a proferir juízo infamatório contra ele; pelo contrário, disse: O Senhor te repreenda!

2. Apocalipse 12:7 — ver acima.

Curiosamente ele é mencionado uma única vez nos volumosos escritos dos pais da Igreja, no livro “Similitudes de Hermas 8.3.3”. Em Daniel 10:13—21, Gabriel — o único outro anjo chamado especificamente pelo seu nome em todo o Antigo Testamento — ver Daniel 9:21 — diz que ele e “o príncipe do reino da Pérsia” — isso é, um anjo representando o império persa — lutaram por 21 dias até que ele foi ajudado por Miguel e venceu a batalha. Em Daniel 10:20 o “príncipe da Pérsia e o príncipe da Grécia” são mencionados e, ao que parece, esses príncipes nada mais são do que os anjos nacionais da Pérsia e da Grécia. Começando com Daniel, Miguel é considerado como Μιχαηλ ὁ ἄρχωνMichael o árchon — Miguel, o príncipe — na versão de Teodoreto[1] da LXX, também chamado de Μιχαηλ ὁ ἄγγελος ὁ μέγαςMichael o ággelos o mégas — Miguel o Grande Anjo — na versão grega antiga, o qual tem a responsabilidade de defender os filhos de Deus — cf. Daniel 12: e comparar com 1 Enoque 20:5 — Miguel, um dos santos Anjos, foi estabelecido sobre a parte melhor dos homens, sobre o povo de Israel e sobre o Caos.

Apocalipse 12:7 é a passagem mais antiga que dispomos como prova que a Igreja Primitiva tinha a ideia que Miguel era o número um na hierarquia celestial. Como nosso texto diz que ele comanda anjos, ele não é descrito apenas como um arcanjo, mas como ἀρχιστράτηγοςarchistrátegos — algo equivalente a “marechal de campo” em sua função ou talvez apenas como um título. Muitos livros pseudoepigráficos usam essa mesma expressão. Entre esses, nós podemos citar: 1) Apocalipse de Paulo 14, onde anjos maus lutam contra anjos bons para impedir que uma alma sem pecado consiga entrar no céu. O texto diz, literalmente, o seguinte: “Miguel e todas as hostes de anjos adoram a Deus. Deus, por sua vez, entrega a alma que não pecou para que Miguel a conduza ao paraíso de júbilo onde deverá aguardar a ressurreição”; 2) Ainda em Apocalipse de Paulo 43, Miguel é novamente descrito como descendo do céu “e com ele toda uma hoste de anjos”; 3) No Evangelho de Bartolomeu 4:29, uma produção pseudoepigráfica do século IV d.C., Miguel é chamado de: “o capitão das hostes de cima”.   

Miguel é expressamente distinguido dos 70 anjos que são considerados patronos das nações. Esse conceito talvez tenha se originado de Gênesis 10 — a Tábua das Nações — que apresenta uma lista contendo 70 nações. Paralelo a esse fato, temos o envio de Jesus de 70 discípulos, algo que seria representativo também das 70 nações —

Deuteronômio 32:8—9

8 Quando o Altíssimo distribuía as heranças às nações, quando separava os filhos dos homens uns dos outros, fixou os limites dos povos, segundo o número dos filhos de Israel.

9 Porque a porção do SENHOR é o seu povo; Jacó é a parte da sua herança.

E do Livro dos Jubileus 15:31—32 — “31 E ele o santificou (o povo de Israel), e o ajuntou dentre todos os filhos dos homens, pois existem muitas nações e muitos povos, e todo lhe pertencem, e sobre todos Ele colocou espíritos de autoridade para fazê-los se afastarem dele. 32 Mas sobre Israel Ele não indicou nenhum malak — príncipe — ou espírito, pois Ele apenas é seu governante e Ele os preservará e exigirá cada um deles das mãos dos Seus malakim e dos Seus Espíritos e das mãos de todos os poderosos, para que possa preservá-los e abençoá-los, para que possam ser Seus e Ele ser deles, desde agora e para sempre”.

Todavia, em outro livro apócrifo “O Testamento dos Doze Patriarcas” Miguel não aparece com protetor apenas do povo de Israel, mas de todos os justos em geral. Assim, podemos ler o seguinte:

Testamento de Levi 5:3 — “Mas eu falei-lhe: ‘Peço-te, Senhor, dize-me o teu nome, para que eu possa invocar-te nos Dia da Tribulação. Ele disse: Eu sou aquele anjo que intercede pelo povo de Israel, para que não seja completamente aniquilado. Todo espírito mau atenta contra ele’. Então acordei, louvei o Altíssimo e também o Anjo que intercede pelo povo de Israel e por todos os justos”.   

Testamento de Dã 6:2 — “Ele sabe que o reino do Inimigo cessará no dia em que Israel fizer penitência. O Anjo da paz fortalece Israel, para que não venha a cair na pior desgraça. E mesmo Israel continuando na impiedade, ainda assim o Senhor não o abandona: o Anjo convertê-lo-á num povo que cumprirá Sua vontade; assim, nenhum Anjo se lhe compara. O seu nome estará presente em todos os lugares de Israel, bem como entre os pagãos”.

Em fontes judaicas da antiguidade, Miguel é chamado de ἀρχάγγελοςarchángelos — arcanjo. Isso pode ser visto no Testamento de Abraão; O livro de Adão e Eva; Parábolas de Jeremias, Apocalipse Grego de Baruque; 4 Livro de Baruque; Testamento de Moisés; Livro dos Jubileus. Nessas fontes Miguel também é chamado de ἀρχιστράτηγοςarchistrátegos — algo equivalente a “marechal de campo”— como vimos antes no próprio Apocalipse — em livros tais como: O Testamento de Abraão; 3 Apocalipse de Baruque; Apocalipse Grego de Esdras, onde Miguel é referido como השׂר הגדול hassar hagadol — o grande príncipe, que equivale a citação que já mencionamos de Daniel 12:1 Μιχαηλ ὁ ἄρχωνMichael o árchon — Miguel, o príncipe. Miguel, curiosamente, não é mencionado na literatura rabínica que encontramos na Mishná.

Já na LXX, o título ἀρχιστράτηγοςarchistrátegos — marechal de campo é usado duas vezes para se referir a seres celestiais — Josué 5:14 e Daniel 8:11. Na tradição judaica antiga, Miguel estava, geralmente, associado com um grupo restrito de seres celestiais que eram chamados pelos judeus de “anjos da presença”. Esses anjos eram identificados com um grupo de “quatro arcanjos” conforme podemos ver em: 1 Enoque 9:1; 40:9; 54:6; 71:8,9, 13; Apocalipse de Moisés 40:3; Oráculos Sibilinos 2:215; Números Rabba 2:10; Pesiq Rab Kah 4; ou com “sete arcanjos”: ver Tobias 12:15; 1 Enoque 20:1—7. O número sete está diretamente relacionado ao conceito que existia na antiguidade pela qual se acreditava que existiam sete planetas — isso incluindo o sol e a lua.

De acordo com essas tradições, esses anjos são vistos como tendo a responsabilidade de supervisionar certas atividades: Rafael supervisiona as curas; Gabriel, as guerras; Miguel cuida das orações e das súplicas do povo de Deus. Esse último é, muitas vezes, mencionado como o anjo mais importante, como acontece no Testamento de Abrão 4:5, onde lemos: “Esse Miguel é o primeiro dos anjos”. Miguel também está envolvido na luta escatológica entre os filhos da luz contra os filhos das trevas de Qumram. Apesar de Miguel ser mencionado apenas três vezes no chamado “Rolo da Guerra”[2] — 1QM 9:15—16; 17:6—8 — é muito provável que o mesmo tivesse um papel bem maior na angelologia da comunidade em Qumram, do que pode parecer à primeira vista. O dualismo ético de Qumran via todas as pessoas como, em última instância, influenciadas por dois seres sobrenaturais em conflito — 1QS[3] 2:18—19: o רוח האמתrûaḥ ha˒ĕmet — o “Espírito da Verdade” e o רוח העול rûaḥ hā˓āwel — o “Espírito do Mal”. Já a expressão מלאךְ חושׁךְ mal˒ak ḥôıšek — “Anjo das Trevas”, sem nenhuma dúvida, se refere a Belial, i.e., Satanás — 1QS 1:17—18; 3:20—21; CD 5:18—19[4] — ao passo que a expressão שׂר אורים śar˒ôrı̂m  — “Príncipe das Luzes” — 1QS 3:20: CD 5:18 — ou שׂר מאורśar mā˒ôr  — o “Príncipe da Luz” — (1QM 13:10), ou “Anjo da Verdade”, se referem a Miguel. Note que ambos possuem o mesmo título שׂרśar — “príncipe”, tanto em 1QS 3:20 como em Daniel 12:1 — que cita apenas Miguel.

Miguel e Melquisedeque também estão, provavelmente, identificados em 4QAmram 3:2. Tanto o “Anjo da Luz” — Miguel — e Belial possuem exércitos de anjos à disposição — 1QM 13:10—12. Miguel é apresentado em Daniel 10:21 e Judas 9 como aquele que guerreia contra as forças do mal. Ele é aquele que “segura as chaves do reino” — 3 Apocalipse de Baruque Eslavônico 11:2 — e como aquele que transporta as orações dos santos de Deus —  3 Apocalipse de Baruque Eslavônico 11:4. Ele é designado como o “grande príncipe” — ver Daniel 12:1; b. Hag. 12b; b. Menah. 1; b. Zebah 62a — o comandante chefe das forças angélicas – ver Daniel 10:13, 21; 2 Enoque 22:6; 33:10; Testamento de Abraão 14; 3 Apocalipse de Baruque em grego 11:4, 6.        

A intervenção de Miguel nos últimos tempos é uma grande necessidade reconhecida tanto pela literatura bíblica como pela pseudoepigráfica: ver Daniel 12:1; 1 Enoque 90:14 e, mais tarde, o livro que fala da suposta Ascensão de Moisés 10:1.

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O Dragão — Como sabemos pelo próprio texto de Apocalipse 12:9 esse dragão é também chamado de: a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo.

De acordo com o pensamento judaico, Satanás era, originalmente, um anjo que tentou se igualar com Deus. Como resultado disso ele foi precipitado do céu, juntamente com seus anjos, por onde vagueia desde então — ver 2 Enoque ou O Livro dos Segredos de Enoque  29:—3—4 — “E um da ordem dos anjos, tendo se rebelado juntamente com a ordem que se encontrava abaixo dele, concebeu um pensamento impossível, de colocar seu trono acima das nuvens e acima da terra, de tal maneira que pudesse tornar-se igual a mim em poder. Então eu o lancei fora das alturas com seus anjos e ele estava voando pelo ar, continuamente, sobre o abismo”. Uma citação semelhante aparece no livro pseudoepigráfico de “O Livro de Adão e Eva” 1:6, na tradução feita por Malan. Esses versos deixam claro que, uma vez, Satanás — uma mera criatura — tentou estabelecer seu trono em pé de igualdade com o Deus ETERNO e Criador de todas as coisas. Por esse motivo Satanás foi expulso da presença de Deus. 

Todavia, junto com essas tradições, a Bíblia e os escritos não bíblicos, nos falam que Satanás ainda preservou certas prerrogativas de frequentar o céu — a presença de Deus — ver Jó 1:6—7; Zacarias 3:1—4; 1 Enoque 40:7; Efésios 1:3, 9—10; 2:6; 3:10; 6;12; Ascensão de Isaías 7:9—11; 2 Enoque 7:1. É a existência dessas duas visões — expulso da, mas ainda permitido a frequentar a presença de Deus — que cria a grande expectativa escatológica, como a que encontramos aqui em Apocalipse 12,  de acordo com a qual, Satanás é lançado para fora do céu por Miguel, numa das batalhas entre o Reino de Deus e o reino das trevas. Tudo isso deve ser comparado com as palavras do próprio Cristo como registradas em Lucas 10:18 e João 12:31.

Todos esses versos nos ensinam que o mal já foi arrancado de seu trono de poder, o qual ele detinha de forma imprópria e que, o primeiro e mais importante estágio da derrocada completa de Satanás já foi alcançado — especialmente pela obra redentora de Jesus realizada sobre a cruz do Calvário, associada à Sua ressurreição, ascensão e o derramamento do Espírito Santo. Portanto, nesse exato momento, o campo de atuação do Diabo está severamente limitado. Existe, na mitologia persa, uma passagem que dá conta que uma vez, Arimã — o senhor das trevas — invadiu o céu de onde foi, prontamente, expulso. Mas a narrativa do Zoroastrianismo é posterior a narrativa bíblica encontrada no Gênesis. Idéias semelhantes foram adotadas pelo maniqueísmo[5] e pelos seguidores do mandeísmo[6] e pelos gregos.
Mas na religião persa nós encontramos não apenas o mito cosmológico como também a expectativa escatológica. De acordo com essa expectativa persa, nos últimos dias vai existir uma guerra no céu, onde Ahura-Mazda e os Amshaspands irão lutar contra Angra Manyu e seus seguidores e vencê-los e destruirão tanto esses, como a serpente chamada Gokihar.  

Outras passagens que devem chamar nossa atenção são:

Efésios 2:2 onde Satanás é chamado de “Príncipe da Potestade do Ar”.  A narrativa babilônica da deusa Ishtar, a deusa da estrela da manhã, é uma história paralela. Alusões à queda de Satanás podem ser encontradas, possivelmente em:

Isaías 14:12 — “Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações”! O texto de Isaías está fazendo referência ao imperador babilônico, mas é possível que existam implicações que vão mais além. Mas todas as afirmações devem ser feita de modo ponderado, já que é impossível termos certeza absoluta que o texto de Isaías estaria se referindo a algum outro personagem, além do rei da Babilônia.

Ezequiel 18:12—19 é uma passagem bem mais complexa que a de Isaías e é difícil separarmos o rei de Tiro de outro personagem que, aparentemente, também é descrito nos mesmo conjunto de versos. Mas como falamos acerca de Isaías, também devemos usar de muita cautela nessa passagem.

Uma idéia semelhante pode ser encontrada em:

1 Timóteo 3:6 — “Não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo”.

Nessa passagem o pecado de orgulho está bem caracterizado como tendo sido cometido pelo Diabo e a mesma situação é usada para recomendar o cuidado que se deve ter com pessoas que alcançam ascensões meteóricas dentro da igreja, pois estão sujeitas a cair na prática do mesmo pecado, e com isso, também estão sujeitas ao mais severo juízo de Deus e na consequente condenação, como aconteceu com o próprio Diabo. Que é o próprio Diabo quem está por trás dessa atitude, fica claro pelo versículo seguinte —

1 Timóteo 3:7

Pelo contrário, é necessário que ele tenha bom testemunho dos de fora, a fim de não cair no opróbrio e no laço do diabo.

OUTROS ESTUDOS EM APOCALIPSE 12

001 — INTRODUÇÃO – Literatura Apocalíptica e o Conceito de Quiasmo

002 — INTRODUÇÃO – Tema Central e Significado Perene

003 — APOCALIPSE 12:1A — VIU-SE UM GRANDE SINAL NO CÉU — UMA MULHER — PARTE 1 

004 — APOCALIPSE 12:1B — VIU-SE UM GRANDE SINAL NO CÉU  — UMA MULHER  — PARTE 2

005 — APOCALIPSE 12:2—3 — A MULHER E O DRAGÃO — PARTE 1

006 — APOCALIPSE 12:3 — A MULHER E O DRAGÃO — PARTE 2

007 — APOCALIPSE 12:4 — A MULHER E O DRAGÃO — PARTE 3

008 — APOCALIPSE 12:5 — A MULHER E O FILHO QUE ELA DEU À LUZ

009 — APOCALIPSE 12:6 — A FUGA DA MULHER E A PROVISÃO DIVINA

010 — APOCALIPSE 12:7 — A PELEJA NO CÉU — PARTE 1

011 — APOCALIPSE 12:8 — A PELEJA NO CÉU — PARTE 2

012 — APOCALIPSE 12:9 — O DRAGÃO, A ANTIGA SERPENTE, SATANÁS E O DIABO

013 — APOCALIPSE 12:10 — O DRAGÃO FOI EXPULSO DO CÉU

014 — APOCALIPSE 12:11 — VENCEDORES POR CAUSA DO SANGUE DO CORDEIRO E PORQUE NÃO AMARAM MAIS APRÓPRIA VIDA

015 — APOCALIPSE 12:12 — FESTA NOS CÉUS E DORES NA TERRA

016 — APOCALIPSE 12:13 — O DRAÇÃO FOI ATIRADO PARA A TERRA

017 — APOCALIPSES 12:14 — A MULHER FOGE PARA O DESERTO

018 — APOCALIPSES 12:15—18 — O DRAGÃO DESISTE DA MULHER E VAI PERSEGUIR O RESTANTE DO POVO DE DEUS — FINAL
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/05/apocalipse-121517-o-dragao-persegue-o.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.


[1] Teodoreto de Cirro foi um influente autor, teólogo e religioso cristão do mundo antigo, bispo de Cirro, na Síria.
[2]  A Abreviação 1QM representa o “Rolo da Guerra” encontrado na caverna designada pelo número 1 em Qumram e que descreve a luta dos Filhos da Luz contra os Filhos das Trevas.
[3] A abreviação 1QS representa o rolo Serek hayyahad encontrado na caverna designada pelo número 1 em Qumram e seu conteúdo é conhecido como: Regra da Comunidade ou Manuel de Disciplina.
[4] A abreviação CD é usada para designar o chamado “Documento de Damasco” que está, geralmente, relacionado com as descobertas feitas na caverna designada pelo número 4 de Quemram.
[5] Miniqueísmo — O Maniqueísmo é uma filosofia religiosa sincrética e dualística fundada e propagada por Maniqueu que divide o mundo simplesmente entre Bom, ou Deus, e Mau, ou o Diabo. A matéria é intrinsecamente má, e o espírito, intrinsecamente bom. Com a popularização do termo, maniqueísta passou a ser um adjetivo para toda doutrina fundada nos dois princípios opostos do Bem e do Mal.
[6] Mandeísmo é uma religião pré-cristã classificada por estudiosos como gnóstica. Muitos acreditam que ex discípulos de João Batista que não aceitaram Jesus, como o Messias de Israel, fundaram essa religião que continua existindo até os dias de hoje em certas localidades do Iraque moderno.