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terça-feira, 26 de abril de 2016

OS PROTESTANTES E A ALEMANHA SOB O NAZISMO



Um seminário teológico REFORMADO na Alemanha nazista

Stephen Nichols

Quando a igreja luterana alemã apoiou os nazistas em 1933, um seleto grupo de líderes dentro da igreja formou um movimento de resistência eclesiástica, o qual veio a se chamar de Igreja Confessante. Eles logo fundaram cinco novos seminários para treinar a próxima geração de ministros. Aproveitaram um jovem professor de teologia da Universidade de Berlim para dirigir o seminário recém criado em Zingst e posteriormente em Finkenwalde.

O modelo predominante para a educação teológica na Alemanha era amplamente acadêmico e as universidades dominaram a educação ministerial. Desde o Iluminismo (Aufklarung em alemão) os pastores alemães tinham digladiado pela respeitabilidade ao lado de médicos e advogados – profissionais das disciplinas mais “respeitáveis”. Eruditos no estudo bíblico e teólogos tinham de fazer o mesmo em contraposição aos seus colegas na academia. Após um punhado de palestras para futuros ministros e teólogos na Friedrich Wilhelm University, em Berlin, Dietrich Bonhoeffer sentiu que este tipo de ethos educacional estava errado – e era, por fim, danoso – para a igreja em geral.

Então, o novo seminário em Finkenwalde deu a Bonhoeffer uma oportunidade para traçar um curso diferente para a educação ministerial. Ele focaria sua escola na Escritura, oração e confissão teológica, e como Herr Direktor, Bonhoeffer poderia sustentar estes três pilares como achasse por bem. Mas nem todos concordaram. O altaneiro Karl Barth, por exemplo, protestou, dentre outros líderes na Igreja Confessante. Muitos estudantes seguiram o exemplo, contrariando as inovações de Bonhoeffer. Formidável demais para ser demitido, ele se manteve firme, e acabou ganhando tanto seus alunos como seus críticos.

Infelizmente, a história de Finkenwalde não acaba com sucesso – pelo menos não como a palavra “sucesso” é frequentemente definida, com os requisitos métricos de números e proezas. A maioria dos alunos de Bonhoeffer nunca chegou ao ministério pastoral. Vinte e sete foram presos. O seminário, como um todo, teve uma vida curta, fechado pela Gestapo após dois anos apenas.

Dito isto, o que foi realizado ali durante aqueles dois anos merece nota. Então, vamos considerar os três pilares de Bonhoeffer para a educação no seminário: Escritura, oração e confissão teológica.

Construa sobre a Palavra

Depois de alguns meses em operação, Bonhoeffer escreveu uma carta para as igrejas mantenedoras explicando a missão do seminário:
O caráter especial de um seminário da Igreja Confessante deriva da difícil situação na qual temos sido colocados devido ao conflito na igreja. A Bíblia constitui o ponto focal de nosso trabalho. Ela tem se tornado para nós uma vez mais o ponto de partida e o centro de nosso labor teológico e de toda a nossa ação cristã.1

Que esse foco bíblico era “especial” mostra porque a igreja luterana alemã murchou sob o governo nazista. A igreja como um todo há muito havia se afastado de suas amarras bíblicas. Sem um sólido fundamento bíblico, a igreja simplesmente não possuía os recursos necessários para se envolver nas questões éticas da década de 1930, a qual, em seguida, levou tragicamente às atrocidades na década de 1940 e da Segunda Guerra Mundial.

As palavras de Bonhoeffer também revelam sua convicção de que a Bíblia deve permanecer como o ponto central na educação ministerial e na igreja. A Escritura como o ponto focal em Finkenwalde implicava que os estudantes seriam treinados em hebraico e grego. Eles receberiam instrução no conteúdo bíblico. “A congregação”, Bonhoeffer disse uma vez, “é construída unicamente sobre a Palavra de Deus”2. Bonhoeffer exigia que os alunos praticassem a lectio divina, lendo um Salmo e capítulos do Antigo e do Novo Testamento a cada dia. Os alunos também tinham de meditar numa passagem selecionada a cada semana. Ele tinha a intenção de ajudá-los a formar os hábitos corretos.

Os alunos de Finkenwalde e o futuro biógrafo de Bonhoeffer, Eberhard Bethge, entenderam a mensagem. Anos depois, Bethge testificou: “Porque eu sou um pregador da Palavra, não posso expor as Escrituras a menos que as deixe falar para mim todos os dias. Usarei indevidamente a Palavra no meu serviço se não me mantiver meditando sobre ela em oração”.3

A oração faz um pastor

Os cursos de Bonhoeffer sobre oração usavam a Oração do Senhor [o Pai Nosso] e o Catecismo de Lutero para instrução. Ele também exigia que os estudantes orassem, como um tipo de dever de casa. Os críticos o acusaram de que estava sendo legalista; alguém até mesmo chegou a dizer a ele que o tempo era muito urgente para oração e meditação. Bonhoeffer respondeu a estas críticas vigorosamente: “Isso ou mostra uma total falta de compreensão por parte dos jovens teólogos de hoje, ou uma ignorância blasfema de como a pregação e o ensino vêm à existência”.4  Como Bonhoeffer disse uma vez à sua congregação em Londres: “Uma congregação que não ora pelo ministério do seu pastor, não é mais uma congregação. Um pastor que não ora diariamente por sua congregação, não é mais um pastor”.5

Confissão como currículo

Por fim, há o terceiro pilar: a confissão teológica. Como um luterano alemão, o padrão confessional de Bonhoeffer era a Confissão de Augsburg (1530), contida no Livro de Concórdia (1580). Da mesma maneira que a Escritura e a oração foram eclipsadas na igreja luterana, assim também acontecia com a confissão. Como tantas outras denominações no século 20, a igreja luterana alemã professava sua confissão teológica da boca para fora, e não mais do que isso.

Não era assim no seminário de Bonhoeffer. Bethge comenta sobre como a cópia do Livro de Concórdia de Bonhoeffer estava sublinhada, marcada com notas nas laterais, pontos de exclamação e interrogações. É evidente que Bonhoeffer lutou com sua confissão e a levou a sério6. De fato, para Bonhoeffer, a confissão era o currículo da teologia.

Mas ele não estava apenas interessado em que seus alunos conhecessem e lutassem com a teologia, pois também queria que eles a vivessem. A confissão moldaria suas vidas, sua ética, sua pregação e suas igrejas. “Teologia é a submissão ao conhecimento coerente e bem ordenado da palavra de Deus”, ele escreveu. “Ela serve à pura proclamação da palavra na congregação e à edificação da congregação de acordo com a palavra de Deus”.7

Seminários são para a igreja

Então, os seminários existem pra quê? Assim como a teologia que ensinam, eles existem para a igreja. E acerca do que eles deveriam tratar? Assim como a igreja para quem eles existem, eles deveriam tratar sobre a Escritura, a oração e a confissão teológica. Além do mais, estas são as marcas de todos os cristãos em todos os tempos, pois são os hábitos da vida cristã.

Se você deseja conhecer mais sobre a vida de Dietrich Bonhoeffer recomendamos os dois links abaixo:

http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/04/voce-sabe-quem-foi-dietrich-bonhoeffer.html

http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/04/voce-sabe-quem-foi-dietrich-bonhoeffer_10.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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* Texto original disponível em: http://thegospelcoalition.org/blogs/tgc/2013/08/08/seminary-in-nazi-germany/. Tradução de Nelson Ávila, bacharelando em teologia pela Escola Teológica Charles Spurgeon, em Fortaleza-CE.

1  Dietrich Bonhoeffer, "A Greeting from the Finkenwalde Seminary," Oct. 1935, The Way to Freedom (New York: Harper & Row, 1966), 35.

2  Dietrich Bonhoeffer, "Theology and the Congregation," Dietrich Bonhoeffer Works, Vol 16: 1940-1945 (Minneapolis: Fortress Press, 2006), 494.

3  Ibid., 57.

4  Cited in Eberhard Bethge, Dietrich Bonhoeffer: A Biography (Minneapolis: Fortress Press, 2000), 465.

5  Dietrich Bonhoeffer, Oct. 22, 1933, in Dietrich Bonhoeffer Works, Vol 13: London, 1933-1935 (Minneapolis: Fortress Press, 2007), 325.

6  Bethge, Dietrich Bonhoeffer, 449.

7  Bonhoffer, DBW, Vol. 16, 494.         

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

IGREJA ADOTA CULTO INSPIRADO NA SÉRIE “GUERRA NA ESTRELAS”


O material abaixo foi publicado pelo site do G1.

'Star Wars' ganha culto temático e lota igreja protestante em Berlim

Fiéis usaram roupas de personagens; pastores empunharam sabres de luz.

Pregadores encorajaram os fiéis a permanecerem longe do 'lado sombrio'.

Da France Presse

Os sacerdotes Vicars Lucas Ludewig (à esquerda) e Ulrike Garve (à direita) celebram a missa em homenagem a 'Star Wars' neste domingo (20) na igreja de Zion, em Berlim (Foto: Markus Schreiber/AP)
Os sacerdotes Vicars Lucas Ludewig (à esquerda) e Ulrike Garve (à direita) celebram o culto em homenagem a 'Star Wars' neste domingo (20) na igreja de Sion, em Berlim (Foto: Markus Schreiber/AP)

Uma igreja protestante de Berlim realizou neste domingo (20) uma cerimônia religiosa baseada em "Star Wars", com participantes fantasiados de personagens dos filmes da saga e pastores com sabres de luz.
 
Centenas de pessoas compareceram à cerimônia na Igreja de Sion, no distrito de Mitte, que aconteceu quatro dias antes do Natal e poucos dias depois do lançamento nos cinemas de "O despertar da força", o primeiro filme em 10 anos de "Star Wars".

Participantes estavam fantasiados como Darth Vader ou Chewbacca, enquanto os pastores Ulrike Garve, de 29 anos, e Lucas Ludewig, de 30 anos, exibiam sabres de luz de brinquedo durante o sermão.

"Quanto mais falamos dos filmes, mais paralelismos vemos com as tradições cristãs", havia anunciado Garve em um comunicado. "Queremos explicar estes paralelismos às pessoas na cerimônia".
Uma tela colocada ao lado do altar mostrou a cena de um dos filmes Star Wars em que Luke Skywalker luta com Darth Vader e declara ao Imperador que ele nunca vai aderir ao "lado sombrio". Os sacerdotes encorajaram os fiéis a fazer o mesmo.

A igreja protestante de Sion é conhecida porque teve como seu integrante o pastor Dietrich Bonhoeffer, um escritor e membro da resistência aos nazistas, assassinado em um campo de concentração.

Antes da queda do Muro de Berlim, em 1989, a igreja também foi um ponto de encontro para a oposição no que era a Alemanha Oriental, um país satélite da União Soviética.

Quatro décadas depois do lançamento do primeiro filme da saga "Star Wars", em 1977, analistas acreditam que "O Despertar da Força", de orçamento gigantesco, deve arrecadar quase dois bilhões de dólares nos cinemas, sem contar as vendas dos muitos produtos derivados.

Com outros dois filmes já programados, "Star Wars" pode virar a saga de maior bilheteria na história do cinema.

Isto seria suficiente para permitir a Disney colher os frutos dos US$ 4 bilhões investidos para comprar este tesouro cinematográfico a George Lucas.

Fiéis usaram roupas temáticas durante missa em homenagem a 'Star Wars' neste domingo (20) em Berlim (Foto: Hannibal Hanschke/Reuters)
Fiéis usaram roupas temáticas durante culto em homenagem a 'Star Wars' neste domingo (20) em Berlim (Foto: Hannibal Hanschke/Reuters)

Telão exibe trecho de filme da saga de 'Star Wars' durante culto temático em Berlim neste domingo (20) (Foto: Hannibal Hanschke/Reuters)
Telão exibe trecho de filme da saga de 'Star Wars' durante culto temático em Berlim neste domingo (20) (Foto: Hannibal Hanschke/Reuters)

Fiéis participam de culto temático de 'Star Wars' neste domingo (20) em Berlim (Foto: Hannibal Hanschke/Reuters)
Fiéis participam de culto temático de 'Star Wars' neste domingo (20) em Berlim (Foto: Hannibal Hanschke/Reuters)

O artigo original poderá ser visto por meio do seguinte link:


NOSSO COMENTÁRIO

O artigo acima, se prova alguma coisa, prova que a igreja lota para se entreter, mas continua vazia durante a pregação da palavra.

Que Deus Abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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