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quarta-feira, 2 de julho de 2014

PARA ENTENDER A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE — PARTE 002



O material abaixo foi escrito por Leonardo Dâmaso e publicado originalmente no site “Bereianos”. Nós acrescentamos algumas fotos com o objetivo de mostrar as faces e os lugares envolvidos no desenvolvimento dessa falsa doutrina e suas implicações.

O ato de profetizar e determinar: uma análise histórica, teológica e apologética - [02/03]

2. Análise teológica

Conforme esboçamos na introdução, as palavras “profetizar e determinar (ou decretar)” não são sinônimos, isto é, não possuem o mesmo significado, porém estão ligadas entre si. Analisarei o ato de “determinar ou decretar bênçãos” na parte apologética deste ensaio. Desse modo, vejamos, a seguir, as implicações do ato de profetizar no contexto do Antigo, do Novo Testamento e no tempo presente.    


a) O ato de Profetizar no Antigo Testamento

A profecia no Antigo Testamento era dada aos profetas através de palavras inspiradas vindas diretamente de Deus (Nm 22.35; Is 51.16; 59.21; Ez 2.6-7; 3.4, 10), de teofanias (Êx 3; Nm 20.16, Js 5.13-15, Jz 6.11-24; 13), sonhos (Gn 37.5-11; 1Rs 3.5) e visões (Gn 15.1; Nm 12.6; 1 Sm 3.1-21; Mq 1.1). Um homem não era profeta necessariamente porque recebia sonhos, visões, por ter realizado algum milagre, por ter feito predições e as mesmas se cumprirem, nem tampouco por se auto-intitular profeta. Antes, um homem era profeta porque recebeu o chamado direto de Deus para esta vocação, como Moisés (Êx 4.10-13), Jeremias (Jr 1.1-2), Amós (Am 7.14-15), Ezequiel (Ez 2.6-7; 3.26-27), dentre outros.                    

Profetizar, no Antigo Testamento, enfatizava dizer antecipadamente, por inspiração divina, o que há de suceder no futuro e abarca também expor verbalmente ou pela escrita eventos profetizados que já haviam se cumprido historicamente (veja, como exemplo, Dt 9.25-29; 1Cr 16.15-22; Ne 1.8-10; Sl 105.5-45; Jr 32.20-24; Dn 9.13-15). Palmer Robertson diz que profecia não deveria ser definida principalmente como a predição do futuro. Ao contrário, ela é a transmissão da revelação de Deus que ocasionalmente pode envolver eventos futuros.9

Entretanto, hoje não existem mais profetas do calibre dos profetas do Antigo Testamento, isto é, que recebem, falam e registram palavras inspiradas vindas diretamente de Deus, que recebem sonhos, visões e que fazem predições (este assunto será expandido a seguir, no ato de profetizar no Novo Testamento). É importante destacar que o papel do profeta no Antigo Testamento não consistia em adivinhar a vida das pessoas. Nenhum profeta do Antigo Testamento manifestou este tipo de atitude como vemos os “profetas modernos” das igrejas de cunho pentecostal e neopentecostal fazerem. Pelo contrário, a adivinhação é uma prática comum de religiões e seitas pagãs como o montanismo, xamanismo, esoterismo, religiões afro que envolvem o candomblé, umbanda e quimbanda, espiritismo, dentre outras.   

Contudo, mais do que teofanias, sonhos e visões, profetizar no Antigo Testamento era comunicar a vontade de Deus ao povo. Os profetas eram os porta-vozes de Deus que anunciavam “o que Ele haveria de fazer e o comportamento que requeria do seu povo. Essas coisas foram primeiramente anunciadas verbalmente pelos profetas e, posteriormente registradas por eles”10, que não eram apenas prognosticadores no sentido de prever eventos futuros, por exemplo, como o anúncio do cativeiro babilônico descrito em Jeremias 25.1-13; 29.10, mas, sobretudo, homens capacitados por Deus para falar a sua Palavra exortando e convocando o povo a se arrepender de seus pecados e a se voltar para Deus (Jr 1.1-10; Jn 1.1-2; 3.1-10; Ag 1; 2; Zc 1.1-6).

Quando o profeta transmitia a mensagem inspirada da parte de Deus verbalmente ou pela escrita, ele não o fazia como alguém que simplesmente reproduzia palavra por palavra que Deus havia lhe dito nem, tampouco, num estado de êxtase frenético (pulando, rodopiando, gritando), que é o comportamento usual que pessoas adeptas das seitas e religiões sincréticas, como o Neo Pentecostalismo manifestam em seus cultos. O profeta era um agente de Deus que falava as suas palavras, porém suas características pessoais não eram suprimidas. Ele transparecia sua formação acadêmica, social e, até, econômica na transmissão verbal ou pela escrita. Assim, Deus usava o profeta de acordo com a sua capacidade e estilo. Ele transmitia a mensagem divinamente inspirada sem, contudo, anular suas próprias características e sem deixar de ser infiel às palavras que ouviu. 

b) O ato de profetizar no Novo Testamento

A profecia no Novo Testamento foi tão importante e necessária quanto à profecia no Antigo Testamento. Ainda estavam presentes no começo do período do Novo Testamento profetas com as características dos profetas do Antigo Testamento. Alguns falavam da parte de Deus mais no anonimato, haja vista que a ênfase no Novo Testamento não era mais revelatória como no Antigo Testamento, pois o Novo Testamento complementa e elucida o Antigo; ou seja, o Antigo Testamento é a promessa; o Novo Testamento é o cumprimento”11, especialmente o cumprimento das promessas e profecias da redenção.

Um profeta que esteve interposto entre o período do Antigo e do Novo Testamento foi João Batista. Ele saia pelas ruas e lugares ermos proclamando a plenos pulmões a vontade de Deus. Anunciou a vinda do reino de Deus (Mt 3.1-2), profetizou a vinda de Jesus Cristo e o pentecostes (Mt 3.3, 11-12), pregou sobre a redenção (Jo 1.29) e, também, uma mensagem ética instando o povo a se arrepender de seus pecados (Mt 3.5-10). Por outro lado, no Novo Testamento, ainda houve profetas como Ágabo, por exemplo, que fez predições ou profetizou acerca da fome que haveria de acontecer em Jerusalém no tempo do governo de Cláudio (At 11.28) e que Paulo seria preso (At 21.10-11).

No Novo Testamento, profetizar se refere mais especificamente a descrever verbalmente através da pregação do evangelho ou pela escrita fatos profetizados que já haviam ocorrido historicamente (veja, como exemplo, as pregações de Pedro em At 2.14-36; 3.12-26; 4.8-12, a pregação de Estevão em At 7.1-50 e a pregação de Paulo em Atenas, na Grécia, em At 17.22-34).

Com tudo isso, não estou dizendo que não havia um número significativo de profecias de natureza escatológica no Novo Testamento. Pelo contrário, Mateus, Pedro, João, Lucas, Paulo, dentre outros, falaram e escreveram inspirados pelo Espírito Santo acerca de eventos que se cumpriram historicamente no passado (veja Mt 24.19-20; At 2.16-18; Jo 21.15-23; Lc 21.20-23; At 20.29-32) e sobre eventos que ainda vão se cumprir historicamente no futuro (veja Mt 24.29-31; At 2.19-21; Ap 8; 9; 11.3-19; 18; 20.11-15; 21; Lc 21.25-27; 1Ts 5.1-3; 2Ts 2.1-12). Feita esta observação, entendemos a importância que o mistério profético teve no período apostólico, uma vez que o cânon das Escrituras do Novo Testamento estava sendo composto.

Heber Carlos de Campos afirma que o dom de profecia era absolutamente importante para a vida da igreja neotestamentária. Sem a manifestação deste dom a igreja haveria de padecer, pois os profetas eram a vida da igreja, as molas mestras que empurravam a igreja para frente, fazendo com que ela seguisse os caminhos indicados pelo Senhor.12 Devido a sua importância, Paulo fez questão de mencionar o dom de profecia nas quatro listas de dons apresentadas por ele em Romanos 12; 1 Coríntios 12; 14 e Efésios 4). Augustus Nicodemus Lopes corrobora que a profecia neotestamentária não é o descobrimento e revelação, em público, de pecados ocultos de pessoas presentes, mas mensagens exortativas na forma de instrução bíblica, baseadas em interpretações ex-tempore das Escrituras.13

Assim como o profeta no Antigo Testamento, o profeta no Novo Testamento também não adivinhava fatos que estavam ocorrendo no presente na vida das pessoas, como doenças, problemas conjugais, financeiros e nem pressupunha fatos futuros incertos de acontecer como os “profetas pentecostais e neopentecostais” fazem. A atitude que estes “profetas modernos” demonstram para com os crentes a fim de terem credibilidade é, indubitavelmente, manipulação psicológica, hipnose e manifestações espetaculares (Jr 14.14). A Adivinhação é um pecado condenado por Deus nas Escrituras (Lv 19.26c; Dt 18.10-14). Desse modo, profetizar não é adivinhar, antes, é edificar, exortar e consolar as pessoas [a igreja] através da pregação do evangelho (1Cor 14.3).                          

c) Distinção dos profetas do Antigo Testamento, dos apóstolos e dos profetas das igrejas locais    

Para que possamos compreender plenamente a questão do ato de profetizar no contexto do Antigo e Novo Testamento, é necessário delinearmos a diferença que existe entre os profetas do Antigo Testamento, dos apóstolos e dos profetas das igrejas locais. Portanto, uma das melhores formas de compreender os apóstolos e os profetas do Novo Testamento é compará-los com os profetas do Antigo. Senão vejamos:

i. Os profetas do Antigo Testamento

1. Eles foram chamados

Neste período, homens como Moisés, Jeremias, Isaías, Ezequiel, Amós, dentre outros, foram chamados diretamente por Deus para exercerem o ofício profético. O profeta do Antigo Testamento era uma autoridade oficial, isto é, um representante de Deus entre o povo. Sua autoridade adivinha da vocação divina, que também era passada publicamente a ele pelo ministério de outro profeta, como no caso de Eliseu, que foi o substituto do profeta Elias (veja 1Rs 19.6).

2. Eles foram revestidos de autoridade

Na lei de Moisés há um preceito estabelecido por Deus onde os profetas que se levantassem de modo repentino entre o povo deveriam ser julgados. Suas palavras deveriam ser examinadas para ver se, de fato, procedia de Deus ou não. Entretanto, também foi estabelecido por Deus na lei de Moisés que as palavras dos profetas reconhecidos como o próprio Moisés, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Amós e Ageu, por exemplo, fosse recebida pelo povo sem questionamento algum como sendo a Palavra de Deus falada e escrita por eles. Era como se fosse o próprio Deus falando pessoalmente por meio deles! Se houvesse questionamento por parte de alguém acerca da autoridade do profeta e de sua palavra, tal pessoa era punida por Deus, como foi o caso da sedição de Miriã e Arão contra Moisés (Nm 12.1-15), e a rebelião de Corá, Datã e Abirão, que resultou na morte deles e de seus seguidores (Nm 16.1-40).

3. Eles foram infalíveis na transmissão da profecia
A mensagem que os profetas do Antigo Testamento transmitiram era impassível de qualquer erro. Eles foram os receptores, transmissores e registradores da revelação inspirada por Deus ao seu povo.

4. Eles atuaram num âmbito universal
O ministério dos profetas do Antigo Testamento teve uma ampla extensão. Eles não falaram e escreveram somente para o povo de Israel, mas para toda a igreja de todas as épocas. A mensagem dos profetas abrange todos.

ii. Os apóstolos

1. Eles também foram chamados       

A semelhança dos profetas do Antigo Testamento, os apóstolos também foram chamados, porém, de forma pessoal por Jesus Cristo. Diferente do modo de Deus se revelar aos profetas, que era por meio de palavras diretas, sonhos e visões, a revelação de Deus aos apóstolos foi através da pessoa de Jesus Cristo. Os doze apóstolos, e de modo igual Paulo, foram comissionados como os profetas do Antigo Testamento para este ofício singular na história. 

2. Eles também foram revestidos de autoridade

O preceito estabelecido por Deus na lei de Moisés de que o profeta e sua palavra não poderiam ser questionados se aplica também as palavras faladas ou escritas dos apóstolos. Até mesmo o conselho ou a opinião pessoal de um apóstolo que não recorria as palavras do próprio Jesus, como no caso de Paulo e suas respostas em 1 Coríntios 7.6, 8, 10, 12, 25, 32, 35, 40 às perguntas feitas pela a igreja acerca do casamento, não podiam ser questionadas. As palavras dos apóstolos tinham a mesma autoridade que as palavras de Jesus.

3. Eles também foram infalíveis na transmissão da profecia

A mensagem que os apóstolos ou pessoas associadas a eles [como Marcos e Lucas] transmitiram no Novo Testamento era impassível de qualquer erro, pois também foram receptores, transmissores e registradores da revelação inspirada por Deus à igreja.

4. Eles também atuaram num âmbito universal

De modo similar ao ministério dos profetas do Antigo Testamento, o ministério dos apóstolos alcançou não somente o povo de Israel, mas também os gentios e cristãos de todas as épocas.
Feitas as distinções entre os profetas do Antigo Testamento e os apóstolos, fica claro que eles foram os sucessores dos profetas do Antigo Testamento. Mesmo assim, é importante observar que existem algumas pequenas distinções de caráter funcional entre o ministério dos profetas e o ministério dos apóstolos que não vejo a necessidade de esboçá-las aqui.

Abraham Kuyper assevera que o apostolado é portador do caráter de uma manifestação extraordinária, não vista nem antes nem depois, na qual nós descobrimos uma obra própria do Espírito Santo. Os apóstolos foram embaixadores especiais – diferentes dos profetas e dos atuais ministros da Palavra. Na história da Igreja e do mundo, eles ocupam uma posição única e têm uma importância peculiar.14 Por outro lado, torna-se necessário compreender, agora, o caráter do ministério dos profetas nas igrejas locais no Novo Testamento.

iii. Os profetas das igrejas locais no Novo Testamento

Estes homens não foram vocacionados por Deus como os profetas do Antigo Testamento e os apóstolos. Eles não possuíam a mesma autoridade e não eram reconhecidos como homens que falavam inspirados como os profetas, os apóstolos e também não recebiam revelações através de palavras proferidas diretamente por Deus, sonhos e visões como eles. Antes, os profetas das igrejas locais no Novo Testamento recebiam o dom da profecia no momento que eram inseridos na igreja de Cristo pela conversão. Este dom era e é uma capacitação que Deus concede aos profetas para que estes exponham oralmente a Palavra de Deus já revelada às pessoas. Desse modo, a função deles não era comunicar novas revelações, mas simplesmente interpretar corretamente as profecias já estabelecidas pelos antigos profetas e pelos apóstolos; ou seja, profetizar não é decretar que algo aconteça, como uma benção, por exemplo, mas pronunciar uma mensagem que esteja em consonância com o escopo da revelação divina registrada.   

A mensagem dos profetas [profecia], que é a exposição da Palavra de Deus revelada, não deveria ser desprezada pela igreja (1Ts 5.20), porém julgada e, se não fosse fiel, deveria ser rejeitada (1Cor 14.29). A igreja só deveria obedecer a mensagem de um profeta se a mesma estivesse em conformidade com os escritos dos profetas do Antigo Testamento e dos apóstolos. Essa regra vale para os profetas e a igreja de todas as épocas.

Tudo o que os profetas e os apóstolos fizeram está terminado. Já não há mais fundamento a ser lançado. Não há mais o ofício profético do Antigo Testamento nem o apostólico do Novo Testamento. O que Deus continua a fazer nos dias de hoje é iluminar os que são membros do seu povo para que entendam a revelação registrada na Escritura. Deus ainda opera sinais e milagres como nos tempos bíblicos, como obra de sua providência ["através da oração", ênfase minha], mas não pode ser dito que ele faz essas coisas “pelas mãos dos ministros, pastores e missionários da sua igreja hoje”, como foi dito em Atos que ele fazia os prodígios e sinais “pelas mãos dos apóstolos”. O ofício profético do Antigo Testamento e o ofício apostólico do Novo Testamento não existe mais porque já acabou a sua função dentro do plano da redenção histórica de Deus.15    

d) A necessidade do ato de profetizar no tempo presente

Estamos vivendo uma época em que o equívoco teológico e as heresias prevalecem no cenário evangélico brasileiro. As Escrituras nos alertam que nos últimos 
dias haveria muitos falsos profetas (Mt 24.11, 24, 2Pe 2.1; 1Jo 4.1); de fato, estamos vivendo os últimos dias. Todavia, além das antigas heresias estarem patentes hoje, porém com uma nova roupagem contextualizada, existem também novas heresias que estão sendo disseminadas. Por essa razão, a profecia é oportuna e, sobretudo, urgente. Acredito, pessoalmente, que a igreja evangélica brasileira nunca precisou tanto de profetas comprometidos e submetidos às Escrituras como nos dias atuais. A função primordial do profeta, além de ensinar, é manter a ética, ou seja, ele é responsável por apontar o erro moral, espiritual e teológico existente no meio do povo de Deus e convocá-los ao arrependimento e a se voltarem para Deus. Os profetas são o norte da igreja que, sem eles, fenece. Sendo assim, os profetas são indispensáveis para esta magna função de profetizar [pregar, ensinar, exortar] o caminho certo a igreja de Cristo em meio a uma geração religiosa que impera a corrupção, a perversão moral, espiritual e teológica (1Cor 14.22b-25, 39a).

Continua nos próximos dias...                                            
____________

Por Leonardo Dâmaso

Notas:

[09] Palmer Robertson. The Final World, Edimburgo: The Banner of Truth Trust, pág 4.

[10] Heber Carlos de Campos. Fé cristã e misticismo, pág 95.

[11] John MacArthur. Hebrews (Chicago: Moody Press, 1983), pág 4.

[12] Heber Carlos de Campos. Fé cristã e misticismo, pág 96.

[13] Augustus Nicodemus Lopes. O Culto Espiritual, pág 188.

[14] Abraham kuyper. A obra do Espírito Santo, pág 168.

[15] Heber Carlos de Campos. Fé cristã e misticismo, pág 83-84.

O artigo original do site Bereianos poderá ser visto por meio desse link aqui:


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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segunda-feira, 30 de junho de 2014

PARA ENTENDER A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE — PARTE 001



O material abaixo foi escrito por Leonardo Dâmaso e publicado originalmente no site “Bereianos”. Nós acrescentamos algumas fotos com o objetivo de mostrar as faces e os lugares envolvidos no desenvolvimento dessa falsa doutrina e suas implicações.

O ato de profetizar e determinar: uma análise histórica, teológica e apologética - [01/03]

Introdução

Nos últimos 30 anos, fatos importantes aconteceram no cenário evangélico brasileiro. As décadas de 80 e 90 trouxeram a lume muitas “novidades religiosas” e “tendências doutrinárias inusitadas” que ficariam marcadas para sempre. Muitos cristãos, especificamente os desatentos, que presenciaram a chegada dessas novidades e doutrinas no Brasil, não poderiam sequer imaginar que elas não seriam salutares e que devastariam, com o passar dos anos, de maneira implacável, uma proporção abrangente da igreja evangélica, embora os seus adeptos não concordem com isso, uma vez que são limitados ou praticamente leigos em relação ao conhecimento das Escrituras.

Dentre as várias “novidades religiosas” e tendências doutrinárias vigentes no Brasil, quero elencar apenas duas, que são o ato de PROFETIZAR e DETERMINAR. É importante observar que PROFETIZAR e DETERMINAR não são sinônimos, mas estão relacionados e são similares. Entretanto, ambos possuem algumas nuances que diferem entre si, o que veremos na análise teológica. Estes atos, contudo, salientam que as mais variadas bênçãos que o cristão profetiza e determina, pela fé, para si mesmo e para outras pessoas, acontecerá.

A seguir, apresentarei uma breve análise histórica, teológica e apologética dos populares atos de PROFETIZAR e DETERMINAR, que se tornaram praticamente uma doutrina no meio evangélico.

1. Análise histórica

O ato de profetizar e determinar bênçãos, tais como milagres, curas, provisão financeira, “portas abertas” e felicidade na vida sentimental têm sua origem na confissão positiva ou movimento da palavra de fé. Juntamente com a autoridade espiritual ou unção especial, que Deus concede a alguns, especialmente aos crentes “profetas” e a libertação das maldições, que incluem a pobreza, doenças e todas as frustrações ou derrotas na vida, esta “doutrina” é um dos pilares que formam a teologia da prosperidade.

Não obstante, conforme muitos acreditam, a teologia da prosperidade não teve a sua origem no movimento pentecostal clássico da primeira fase, que veio para o Brasil em meados de 1910 e, tampouco, no movimento pentecostal da segunda fase, que sucedeu a primeira em meados de 1950. Antes, a teologia da prosperidade e suas doutrinas tiveram sua origem nas religiões sincréticas da nova Inglaterra, que fica localizada nos Estados Unidos, no nordeste do país, bem no início do século 20.

Uma vez que a teologia da prosperidade possui algumas afinidades com a cosmovisão pentecostal, isto é, com suas doutrinas, como a crença em profecias, revelações, sonhos, visões, foi justamente no pentecostalismo, e, por conseguinte, no Neo Pentecostalismo que a teologia da prosperidade e o ato de profetizar e determinar (confissão positiva ou movimento da palavra de fé) tiveram boa receptividade e se destacaram, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.

Embora Kenneth Hagin (1917-2003) seja considerado o precursor da teologia da prosperidade por muitos de seus adeptos, pesquisas meticulosas realizadas por vários estudiosos renomados demonstraram, de forma inequívoca, que o verdadeiro originador da teologia da prosperidade, ou seja, da prática de profetizar e determinar bênçãos, que faz parte da confissão positiva ou movimento da palavra de fé, foi Essek William Kenyon. Sendo assim, é importante abordar um pouco da história destes dois grandes paladinos da teologia da prosperidade e suas implicações, a saber, Essek William Kenyon e Kenneth Hagin.

a) Essek William Kenyon, o precursor da teologia da prosperidade

Nascido no condado de Saratoga, estado de Nova York, Kenyon (1867-1948) mudou-se na adolescência com os pais para a cidade de Amsterdã, região que fica localizada próximo à fronteira do Canadá. Nesta época, aos 17 anos, ele conheceu o Evangelho em uma igreja Metodista, porém, só se tornou membro da mesma aos 19 anos e, por conseguinte, um evangelista.

Via de regra, em 1892, Kenyon mudou-se para Boston, onde se casou com Eva Spurling, em 1893. Iniciou seus estudos no “Emerson College”, conhecido por ser um centro do chamado movimento “transcendental” ou “metafísico”, que deu origem a várias seitas de orientação duvidosa. Uma das influências recebidas e reconhecidas por Kenyon nessa época foi Mary Baker Eddy, fundadora da “Ciência Cristã”.1

Mais tarde Kenyon foi ordenado pastor na igreja “Free Will Baptist’s” em 1894, onde assumiu uma pequena congregação em Elmira, depois em Springyville e, ainda, em Concord, Nova York. No entanto, em 1898, ele se desliga da igreja Free Will Baptist’s. Em seguida, inicia um novo trabalho na igreja Tabernáculo, em Worcester, Massachusetts. Em 1900 ele foi transferido para a cidade de Spencer, onde fundou o Instituto Bíblico Bethel, que dirigiu até 1923. Depois disso Kenyon foi para a Califórnia, onde fez inúmeras campanhas evangelísticas. Pregou diversas vezes no célebre Templo Angelus, em Los Angeles, da evangelista Aimee Semple McPherson, fundadora da Igreja do Evangelho Quadrangular. Pastoreou igrejas batistas independentes em Pasadena e Seattle, e foi um pioneiro do evangelismo pelo rádio, com sua “Igreja do Ar”. As transcrições gravadas de seus programas serviram de base para muitos de seus escritos.6 Além de sua teologia, Kenyon também foi o criador de famosos jargões populares contidos no triunfalismo, como “O que eu confesso, eu possuo” e um dos principais influenciadores dos muitos jargões populares criados no decorrer dos anos pelos adeptos do movimento de fé triunfalista.

b) As influências na teologia de Kenyon

Houve muitos debates acerca da influência de Kenyon na teologia da prosperidade e no movimento da palavra de fé triunfalista (o ato de profetizar e determinar). Conforme vimos anteriormente, quando estudou no Emerson College, em Boston, Kenyon, provavelmente teve acesso ao conhecimento metafísico. As seitas aderentes a metafísica ensinavam que a verdadeira realidade está além do âmbito físico. A esfera do espírito não só é superior ao mundo físico, mas controla cada um dos seus aspectos. Mais ainda, a mente humana pode controlar a esfera espiritual. Portanto, o ser humano tem a capacidade inata de controlar o mundo material por meio de sua influência sobre o espiritual, principalmente no que diz respeito à cura de enfermidades. Kenyon acreditava que essas ideias não somente eram compatíveis com o cristianismo, mas podiam aperfeiçoar a espiritualidade cristã tradicional. Mediante o uso correto da mente, o crente poderia reivindicar os plenos benefícios da salvação.2

O Norueguês Geir Lie afirmou em sua tese de mestrado publicada em 1994, intitulada: “E.W. Kenyon: Ministro evangélico ou fundador de culto?” que a doutrina de Kenyon foi influenciada pelos ensinamentos de John Wesley sobre santidade, mas que ele poderia ter sido influenciado também, de certa forma, por traços da metafísica cultual.3 No entanto, segundo pesquisas realizadas pelo Dr. Dale H. Simmons, Kenyon, além de possuir raízes nos ensinos de John Wesley, conforme Geir Lie destacou em sua tese, também foi influenciado pelo Movimento de Vida Superior e pelo movimento do Novo Pensamento. Simmons argumenta que Kenyon poderia ter tido conhecimento de ambos os sistemas.

O Movimento do Novo Pensamento foi uma onda espiritual que surgiu no final do século 19, nos Estados Unidos, obtendo grande eclosão. Este movimento consistia em um grupo formado por instituições religiosas variadas, organizações seculares, escritores, filósofos e pessoas que compartilhavam das crenças metafísicas, as quais enfatizavam os efeitos do pensamento positivo na esfera física, da lei da atração, cura através da força da mente, força vital, visualização criativa e poder pessoal. Segundo a teologia deste movimento, todas as doenças se originam da mente, e que o “pensamento positivo” em face delas produz a cura.

Um dos primeiros e principais originadores do Movimento do Novo Pensamento foi Phineas Parkhurst Quimby (1802-1866). Nascido em Lebanon, Nova Hampshire, Quimby era filósofo e hipnólogo, porém, sofria de algumas doenças. Isso, portanto, o motivou a estudar sobre o assunto, onde desenvolveu algumas ideias. Ele chegou à conclusão de que as doenças têm origem na própria mente do homem por conta de crenças falsas, “e que a mente aberta para a sabedoria de Deus vence a doença”.4 Quimby acreditava que “o corpo era uma casa para a mente do homem. Se havia um "inimigo" (doença ou alguma outra perturbação negativa, ênfase minha) instalado no corpo, isso se dava por uma crença errada da mente. Mesmo com o desconhecimento do portador, a mente é quem adoecia o homem. Desse modo, Quimby prometia entrar na casa e com o poder da mente expulsar o intruso, corrigindo a "impressão errada" pelo restabelecimento da "verdade" na mente.5

Contudo, quando as pessoas possuíam a crença correta, elas desenvolveriam a habilidade de curar suas próprias enfermidades por meio da força de suas mentes. Esta crença da cura pelo poder da mente tinha sua origem na teologia de um Deus amoroso que deseja o bem estar e a felicidade de todos, e de uma realidade espiritual mais profunda e tão real como é a nossa realidade física no mundo. Portanto, de acordo com as pesquisas realizadas de forma acurada, e as informações em pauta, a teologia de Kenyon, de fato, possui traços dos ensinos das seitas transcendentais, metafísicas, do Movimento de Vida Superior e, principalmente do Movimento do Novo Pensamento.

c) Kenneth Hagin, o propagador da teologia da prosperidade

Se Kenyon foi o pioneiro da teologia da prosperidade e da confissão positiva, Kenneth Hagin foi o divulgador. Nascido em McKinney, no Texas, com um problema cardíaco congênito, Kenneth Erwin Hagin (1917-2003) teve uma infância conturbada. Quando tinha 6 anos, seu pai decidiu abandonar a família. Perto de completar 16 anos, seu estado de saúde piorou, chegando ao ponto de ficar prostrado a uma cama. Foi neste momento doloroso de sua vida que Hagin teve “experiências espirituais” marcantes. Depois de alegar que foi ao inferno e ao céu por três vezes, ele converteu-se a Cristo Jesus.

Hagin afirmou que em 1933 foi “visitado” por Jesus Cristo e curado de sua doença”.7 O seu testemunho tornou-se base para muitas de suas pregações de fé. Após refletir no Evangelho de Marcos 11.23-24, ele concluiu que para a pessoa receber a benção, era necessário “crer”, em seguida “declarar verbalmente a fé” e, finalmente, “agir como se já tivesse recebido a benção”. Em outras palavras, como um tipo de “fórmula mágica”, Hagin acreditava e ensinava que, para receber a benção, bastava tão somente “crer” e “profetizar, determinar ou decretar” com a boca, que aquilo que foi pedido acontecerá.

Em seu testemunho, Hagin descreve que, apesar de muito debilitado fisicamente por conta da doença, ainda assim insistia em ir para a escola, mesmo que muitos o recomendassem a não ir às aulas para permanecer em repouso. Como já havia desobedecido as recomendações médicas, ele acreditava e declarava a sua cura. Feito isso, pouco tempo depois recebeu a benção, isto é, a cura de sua doença.

Em 1934 Hagin começou seu ministério como pregador batista e três anos depois se associou aos pentecostais, em 1937. Recebeu o batismo com o Espírito Santo e falou em línguas. No mesmo ano foi licenciado como pastor das Assembleias de Deus e pastoreou várias igrejas no Texas. Em 1949 começou a envolver-se com pregadores independentes de cura divina e em 1962 fundou seu próprio ministério. Finalmente, em 1966, fez da cidade de Tulsa, em Oklahoma, a sede de suas atividades. Ao longo dos anos, o Seminário Radiofônico da Fé, a Escola Bíblica por Correspondência Rhema, o Centro de Treinamento Bíblico Rhema e a revista “Word of Faith” (Palavra da Fé) alcançaram um imenso número de pessoas. Outros recursos utilizados foram fitas cassete e mais de cem livros e panfletos. Hagin dizia ter recebido a unção divina para ser mestre e profeta. Em seu fascínio pelo sobrenatural, alegou ter tido oito visões de Jesus Cristo nos anos 50, bem como diversas outras experiências fora do corpo. Segundo ele, seus ensinos lhe foram transmitidos diretamente pelo próprio Deus mediante revelações especiais. Todavia, ficou comprovado posteriormente que ele se inspirou grandemente em Kenyon, a ponto de copiar, quase palavra por palavra, livros inteiros desse antecessor. Em uma tese de mestrado na Universidade Oral Roberts, D. R. McConnell demonstrou que muito do que Hagin afirmou ter recebido de Deus não passava de plágio dos escritos de Kenyon. A explicação bastante suspeita dada por Hagin é que o Espírito Santo havia revelado as mesmas coisas aos dois.8

d) Os reflexos da influência dos ensinos de Kenneth Hagin no Brasil

Os ensinos de Hagin não somente influenciaram muitos pregadores estadunidenses, como Kenneth Copeland, Benny Hinn, Frederick Price, John Avanzini, Robert Tilton, Marilyn Hickey, Charles Capps, Hobart Freeman, Jerry Savelle, Paul David Yonggi Cho, dentre outros, mas também muitos pastores e pregadores brasileiros. Assim, no início dos anos 80, a teologia da prosperidade e o movimento da palavra de fé triunfalista chegaram ao Brasil por meio de conferências, literatura e vídeos. Rex Humbard, Marilyn Hickey, John Avanzini, Robert Tilton, Dave Robertson e Benny Hinn foram os seus divulgadores. Estes pregadores participaram das várias conferências promovidas pela Associação de homens de Negócios do Evangelho Pleno (Adhonep).

Alguns dentre os muitos pastores e pregadores que abraçaram os ensinos de Hagin no Brasil foram a “apóstola” Valnice Milhomens, líder do Ministério Palavra da Fé, o Missionário R.R. Soares, da Igreja Internacional da Graça, o bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, o “apóstolo” Renê Terra Nova, do Ministério Internacional da Restauração, o “apóstolo” Miguel Ângelo da Silva Ferreira, da Igreja Evangélica Cristo Vive, o pastor Silas Malafaia, da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo e o pastor André Valadão, da Igreja Batista Lagoinha. Através destes líderes religiosos supramencionados e de muitos outros, a teologia da prosperidade foi se difundindo ao longo dos anos pelas igrejas de todo o Brasil através do impacto de sermões, livros e vídeos.  

Continua nos próximos dias...
_________
Por Leonardo Dâmaso

Notas:

[1] Alderi de Souza Matos. Artigo: Raízes históricas da teologia da prosperidade.

[2] Ibid.

[3] Geir Lie. E. W. Kenyon: cult founder or evangelical minister? (2003).

[4] Phineas Parkhurt Quimby.

[5] The Quimby manuscripts.

[6] Alderi de Souza Matos. Artigo: Raízes históricas da teologia da prosperidade.

[7] The new international dictionary of Pentecostal and charismatic movements. Michigan, 2003, pág 687.

[8] Alderi de Souza Matos. Artigo: Raízes históricas da teologia da prosperidade.
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Fonte: Bereianos

O artigo original do site Bereianos poderá ser visto por meio desse link aqui:


Alexandros Meimaridis

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sábado, 28 de dezembro de 2013

KENNETH HAGIN, R. R. SOARES E O EVANGELHO DA FÉ NA FÉ


Kenneth Hagin

O material abaixo foi originalmente publicado pelo site “A Espada do Espírito”. Consideramos o mesmo da maior importância já que Kenneth Hagin ou “daddy hagin” como era chamado pelos outros pregadores da fé na fé e também pelos pregadores da prosperidade em geral, pode ser considerado o pai de todo esse lixo teológico que infesta o meio chamado evangélico aqui no Brasil. Segue o artigo original que esperamos seja uma bênção para todos os nossos leitores

A Ilusão Carismática: Kenneth Hagin e o Espírito da Serpente

Hagin não consegue discernir entre o 'paranormal' e o 'sobrenatural', entre o que é de Satanás e o que é de Deus. Todo o movimento Palavra de Fé deixa de discernir corretamente a diferença. À medida que o mundo caminha em direção à enganação final do Anticristo e do Falso Profeta, esse movimento se torna mais iludido do que nunca e mais um participante da atividade paranormal de Satanás, ao mesmo tempo em que pensa que está servindo a Jesus Cristo.

Kenneth Hagin começou a se desviar do caminho estreito da Bíblia bem cedo em seu ministério — em 1938, para ser exato! Em dezembro, Hagin fala a respeito de uma jovem de aproximadamente dezesseis anos que entrou em transe e permaneceu por mais de oito horas em uma posição rígida, caída no chão. O pastor da igreja onde Hagin estava pregando nesse reavivamento pesava mais de 90 kg e os dois tentaram erguer a jovem; eles queriam levá-la para perto do aquecedor. Hagin disse que aquela pobre jovem estava "grudada no chão", e ele e o pastor não conseguiram erguê-la. Ele chamou isso de manifestação do poder de Deus, mas a verdade é que esse incidente foi o resultado das atividades paranormais dos demônios.

Paranormal x Sobrenatural

Para compreender o que parece estar na raiz do afastamento de Kenneth Hagin da verdade bíblica, precisamos começar com estes dois conceitos: paranormal e sobrenatural. Todo o "Movimento da Palavra de Fé", como é chamado, deixa de discernir a diferença e, com essa falha, suas doutrinas sistematicamente moveram-se em uma espiral descendente, para longe do verdadeiro Deus da Bíblia e em direção ao poço do abismo. O espírito da serpente está gradualmente manipulando essa multidão de pessoas sinceras, até que agora a serpente pode se manifestar no meio delas ao mesmo tempo em que elas parecem não ter consciência da sua presença. O pior, porém, é que o poder da serpente está se manifestando no meio delas, ao mesmo tempo em que elas pensam que estão servindo e seguindo a Jesus Cristo! Essa grande enganação é a enganação do Anticristo e está se tornando desmedida nessas igrejas.

A atividade paranormal ocorre no mundo intermediário entre o natural e o sobrenatural. Essa atividade está acima do mundo natural, mas abaixo da dimensão sobrenatural de Deus. A Bíblia tem muitos exemplos de Satanás e seus anjos caídos aparecendo e realizando suas atividades. A palavra paranormal significa "aquilo está fora dos limites da experiência normal ou dos fenômenos explicáveis." {Novo Dicionário Aurélio}.

Satanás pode aparecer diante de Deus para apresentar sua causa e defender sua posição legal [Jó 2:3-7] que Adão e Eva entregaram para ele com seu ato de rebelião. A tentação de Jesus por Satanás foi carregada por atividade paranormal. Nenhum poder natural poderia ter realizado aqueles feitos de levar Jesus ao pináculo do templo e mostrar-lhe todos os reinos do mundo. [Mateus 4:1-11] Satanás e seus ministros podem transformar-se em anjos de luz e em ministros da justiça para o propósito expresso de enganar os incautos!

2 Coríntios 11:13—15

"Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras."

Quando você compreender a diferença entre o que é paranormal e sobrenatural, pode muito facilmente discernir entre um falso profeta e um homem de Deus. Jesus Cristo curou uma mulher que estava em servidão aos poderes paranormais por dezoito longos anos. Ela andava encurvada sem conseguir ficar na posição ereta devido a um severo poder demoníaco.

Lucas 13:10-12

"E ensinava no sábado, numa das sinagogas. E eis que estava ali uma mulher que tinha um espírito de enfermidade, havia já dezoito anos; e andava curvada, e não podia de modo algum endireitar-se. E, vendo-a Jesus, chamou-a a si, e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade. E pôs as mãos sobre ela, e logo se endireitou, e glorificava a Deus."

Você compreendeu o que manteve aquela mulher em servidão física por dezoito anos? Satanás tinha colocado naquela mulher uma enfermidade física de origem demoníaca por meio da operação de poder paranormal. A igreja primitiva compreendia os princípios do poder de Satanás opondo-se aos poderes de Deus. Se Satanás é sobrenatural, então a competição entre ele e Deus seria de igual para igual, que é a crença dos ocultistas do mundo todo até hoje. Felizmente, porém, esse não é o caso e as Escrituras estão repletas com essa certeza, que Deus é infinitamente maior e mais poderoso que Satanás.

Atos 26:18

"Para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres à luz, e do poder de Satanás a Deus; a fim de que recebam a remissão de pecados, e herança entre os que são santificados pela fé em mim."

O poder sobrenatural de Deus nunca se manifesta para agradar a carne ou ganhar o favor para os ministros de Deus. É preciso estudar a vida de Jesus e a história da igreja do Novo Testamento para confirmar a absoluta ausência de atividade paranormal pelo Espírito Santo! Você nunca verá na Bíblia o relato de uma jovem "grudada ao chão" de forma que nem dois homens fortes consigam erguê-la. Você também nunca verá pessoas arrastando-se pelo chão como serpentes, aparentemente perdendo o controle total de seus corpos, nem verá o pastor sibilando como uma serpente e fazendo a audiência sibilar de volta para ele. Nem uma única vez a Bíblia registra que a igreja primitiva exibia esses estranhos comportamentos que satisfariam a curiosidade dos visitantes. Na verdade, Jesus Cristo disse:

Lucas 11:29-30

"E, ajuntando-se a multidão, começou a dizer: Maligna é esta geração; ela pede um sinal; e não lhe será dado outro sinal, senão o sinal do profeta Jonas; porquanto, assim como Jonas foi sinal para os ninivitas, assim o Filho do homem o será também para esta geração."

Os poderes sobrenaturais são exatamente o que a palavra sugere. Embora a palavra sobrenatural não apareça na Bíblia, o equivalente mais próximo pode ser "eterno". Deus toma ações "eternas" e sua existência é na dimensão eterna definitivamente qualifica-se como sobrenatural. Satanás, por sua própria natureza, não pode operar no reino eterno, de modo que suas ações são classificadas como paranormais. Todos os atos de Deus são eternos. Imaginar Deus fazendo coisas de uma natureza paranormal é perder completamente de vista a natureza santa e as características eternas de Deus.

Colossenses 1:19 também pode conter todos os elementos do "sobrenatural". Vejamos a Escritura:

Colossenses 1:19-20

"Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse, e que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus."

A palavra-chave nessa passagem é "plenitude", que é no grego original pleroma, (Concordância de Strong, item 4138). Essa palavra grega significa encher completamente, ou preencher. Por exemplo, "plenitude dos tempos" indica a finalização de um determinado período de tempo previamente ordenado e indicado.

Essa palavra pleroma indica uma dimensão do ser que somente Deus pode cumprir. Assim, isso pode vir tão perto de "sobrenatural" como qualquer outra palavra na Bíblia. Deus claramente opera no "sobrenatural", enquanto Satanás opera em uma dimensão inferior, a "paranormal".

Vemos eventos na Bíblia em que Deus fez coisas que os homens interpretaram como questões paranormais. A Bíblia diz que Deus fez Ezequiel ficar mudo [Ezequiel 3:26]; que um anjo fez Zacarias ficar mudo quando ele não acreditou na mensagem recebida do anjo [Lucas 1:20]; e que Jesus Cristo fez Saulo de Tarso ficar cego [Atos 9:8,18]. Quando tentamos interpretar esses atos de julgamento de Deus ou seu método de lidar com um indivíduo em um padrão para a vida da igreja do Novo Testamento, criamos uma absoluta bagunça teológica. Esse tipo de interpretação bíblica está no centro das doutrinas de Kenneth Hagin. A idéia de usar a fé para adquirir riquezas não é nada mais nada menos que manipulação paranormal. O verso a seguir descreve Kenneth Hagin e todos os de sua estirpe, quando eles não somente usam seus tipos perigosos de "fé" para conquistar riquezas, eles usam o espírito da serpente para enganar seus seguidores.

2 Pedro 2:1—3

"E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita."

As Doutrinas de Kenneth Hagin

Parece que as doutrinas de Hagin foram desenvolvidas nos seus primeiros anos e foram adquiridas de um homem chamado E. W. Kenyon[1]. A maior parte dos escritos e dos programas de rádio de Hagin são classificados por eruditos e pesquisadores sérios como materiais plagiados dos escritos de Kenyon. Página após página dos escritos e materiais de Hagin são idênticos, palavra por palavra, aos escritos de E. W. Kenyon. Hagin afirma que Deus lhe deu essas doutrinas e elas simplesmente "ocorrem" de serem exatamente iguais aos ensinos de Kenyon. Se Hagin recebeu doutrinas de Deus, isso o colocaria no mesmo nível dos homens por meio de quem Deus escreveu as Escrituras Sagradas.

Kenneth Hagin: "A Morte Física Não Removeria Nossos Pecados"

Essa afirmação deve dizer a você tudo o que precisa saber sobre os erros de Kenneth Hagin. Na superfície, você poderia perguntar por que Hagin se atreveria a dizer tal coisa! A resposta está na abordagem paranormal dele ao cristianismo! Se os homens tivessem esse tipo de poder em sua língua e em suas palavras, teriam se elevado ao mesmo nível de Jesus Cristo. Isso é impossível, a não ser que você traga Jesus a uma posição teológica diferente e menor. Kenneth Copeland, uma das estrelas de Hagin, oferece um excelente exemplo de trazer Jesus a um nível menor; ele na verdade diz que se a morte física de Jesus pudesse salvar, então qualquer profeta, incluindo ele próprio, poderia salvar a raça humana. Observe que Copeland simplesmente eleva a si mesmo ao nível de profeta religioso, ao mesmo tempo em que reduz a posição de Jesus Cristo.

Lembre-se de uma das profecias referentes ao Anticristo e seus asseclas:

"E proferirá palavras contra o Altíssimo..." [Daniel 7:25a].

Aqui estão as palavras reais de Kenneth Hagin: "Ele (Jesus) experimentou a morte espiritual por todos os homens. Seu espírito e seu homem interior foram ao Inferno em meu lugar. Você não pode ver isso? A MORTE FÍSICA NÃO REMOVERIA NOSSOS PECADOS. Ele experimentou a morte por todos os homens." Kenneth Hagin (Cristianismo em Crise, Hank Hannegraaff, pág. 60 no original, Editora CPAD); ênfase adicionada).

Toda a doutrina do nascimento virginal de Jesus Cristo e Sua Filiação eterna são efetivamente tornadas inúteis por essa afirmação. A verdade bíblica é que Jesus Cristo foi o "Cordeiro Pascal", o sacrifício que Deus, o Pai, requeria e ofereceu pagar o preço do pecado. Seu corpo físico e seu sangue imaculado foram o preço que ele e seu Pai pagaram para nos redimir. Negar isso é remover a única esperança de livramento do homem da terrível pena do pecado. A Bíblia não deixa nenhuma possibilidade de negar seu sacrifício cruento como uma "obra finalizada" necessária para nos redimir dos nossos pecados e nos restaurar à plena comunhão com Deus, o Pai.

Leia estes versos cuidadosamente para conhecer a verdade e não ser enganado por esses obreiros da iniquidade:

João 6:53—56

"Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele."

Atos 20:28

"Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue."

Romanos 3:25

"Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus.

Hebreus 9:14

"Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?"
Hebreus 10:10

"Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez."

O último verso deixa bem claro que o corpo e o sangue naturais de Cristo, santificados pelo nascimento virginal, foram oferecidos por nós. Não há purificação ou salvação em quaisquer outros dos atos de Jesus Cristo separados de seu sacrifício cruento. Acredito que Kenneth Hagin seja um homem perdido que está caminhando rumo ao Inferno[2].

Kenneth Hagin: "Satanás e os Demônios Tiveram Jesus Sob Seus Poderes"

Essa estranha heresia faz mais para negar o poder de Jesus Cristo como nosso sacrifício substituto. Lembre-se que foi em sua morte substitutiva que ele pôde levar nosso julgamento sobre si mesmo. Hagin e Copeland dizem que o espírito de Jesus foi ao Inferno sob os poderes de Satanás e dos demônios e por sua vitória de ser "nascido de novo" é que somos redimidos. Isso significa que não somos redimidos na cruz pelo sangue que Jesus Cristo derramou no Calvário nesta dimensão, mas pelo fato de Jesus ter descido ao Inferno sob o poder de Satanás, onde ele "nasceu de novo" durante seu sofrimento no Inferno. Quando o espírito de Jesus deixou seu corpo no Calvário, a humanidade ainda não estava redimida!

Essa é uma abordagem sem qualquer base bíblica tanto para o homem quanto para o Senhor Jesus Cristo. Esse tipo de abordagem metafísica para a humanidade é de Nova Era, Novo Pensamento, ou qualquer outro nome que o mundo enganoso de Satanás possa estar usando em uma determinada época. Eis aqui as próprias palavras de Kenneth Hagin (ou de E. W. Kenyon):

"Aqui está uma figura de Cristo em terrível combate contra as hostes das trevas. Ela nos dá uma idéia da tremenda vitória conquistada antes de ele ter ressuscitado dentre os mortos. A margem da Bíblia diz, "Ele despojou de si mesmo os principados e as potestades'. É bem óbvio e evidente que toda aquela horda de demônios, quando tiveram Jesus sob seu poder, simplesmente quiseram massacrá-lo e mantê-lo sob terrível servidão." ["Metaphysical Elements in the Faith Movement" (Elementos Metafísicos no Movimento da Fé), compilados por Leon D. Stump, págs. 98-99, tirado de "The Word of Faith", "The Name of Jesus", abril de 1976, págs. 4-6].

Essas palavras são na verdade plágio de um livro escrito por E. W. Kenyon, The Wonderful Name of Jesus (O Nome Maravilhoso de Jesus), págs. 8-9. Até mesmo a referência à margem da Bíblia veio de Kenyon. (Observe que Hagin disse que essa vitória foi conquistada antes de Jesus ressuscitar dentre os mortos, não quando ele derramou seu sangue e morreu na cruz.).

Esse raciocínio teológico considera que Jesus passou três dias em servidão ao Diabo. Existem vários problemas com essa idéia impossível. Primeiro, Jesus declarou o seguinte, "Já não falarei muito convosco, porque se aproxima o príncipe deste mundo, e nada tem em mim." [João 14:30].

Jesus disse isso antes de sua morte na cruz, expressando claramente o fato que Satanás não tinha nada com ele, ou nenhum poder sobre ele ou sobre sua morte. Jesus disse na cruz, "Está consumado". Ele também prometeu ao ladrão arrependido, "Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso" [Lucas 23:43; o seio de Abraão].

O véu do templo se rasgou quando Jesus Cristo morreu, não quando eles dizem que ele nasceu de novo ao fim dos três dias, ou em sua ressurreição.

Kenneth Hagin: "O Crente É Tanto Uma Encarnação Quanto Foi Jesus de Nazaré"

É impossível saber se Hagin está negando a divindade de Jesus Cristo ou se está proclamando a divindade de todos os crentes nascidos de novo — ou talvez as duas coisas! Essa idéia dos "Filhos Manifestos de Deus" foi parte do Movimento da Chuva Serôdia nos anos 40 e 50 e certamente se tornou grande novamente nas atuais confusões carismáticas. Novamente, isso mostra os poderes paranormais e as idéias que sustentam toda a teologia e os métodos de Kenneth Hagin. O homem é exaltado a algum tipo de criatura espiritual que pode na verdade evoluir para santo/espírito glorificado e estabelecer o reino de Deus na Terra. Essa crença alinha Hagin com o Movimento de Nova Era, que afirma que o homem pode evoluir até se tornar um "deus", podendo assim estabelecer o Paraíso na Terra! Kenneth Hagin pode ser visto como um aderente da Nova Era "dirigido pela serpente".

Eis mais uma afirmação das palavras anteriores de Hagin, "Todo homem que nasceu de novo é uma encarnação e o cristianismo é um milagre. O crente é tanto uma encarnação quanto foi Jesus de Nazaré." [Cristianismo em Crise, Hank Hannegraaff, pág. 175 no original), tirado de The Incarnation, Kenneth Hagin, pág. 12]. O uso que Hagin faz de termos bíblicos familiares e o próprio fraseado bíblico dessas palavras são planejados para ocultar o quadro completo. Se você ler atentamente, verá que Hagin não apenas nos coloca como "Filhos de Deus", mas nos coloca no mesmo nível de Nosso Senhor! Esse tipo de arrogância a respeito da posição do homem gera exatamente o espírito que você verá quando tentar arrazoar com as pessoas que estão presas nesse erro.

Essa é a forma de Magia Branca que invadiu o movimento da Palavra da Fé.

Kenneth Hagin: "Se Você Quiser Aprender a Seguir Esse Testemunho Interior, Farei Você Rico"

Essa afirmação, que Hagin diz que veio de Deus, somente serve para corroborar o contexto deste artigo. Ele está falando a respeito de um ser humano sobre o qual a Bíblia nada diz, o ser paranormal. Veja o quadro mais amplo nestas afirmações:

"Então o Senhor me disse isto em uma visão em 1959, que não era apenas para o meu benefício, mas para o seu também. 'Se você aprender a seguir esse testemunho interior, farei você rico. Vou guiá-lo em todos os aspectos da vida, na vida financeira e na vida espiritual'. Tenho seguido esse testemunho interior e ele tem feito exatamente o que prometeu que faria. Ele me fez rico (pág. 33)... O homem interior, que é um homem espiritual, tem uma voz — exatamente como o homem exterior. Chamamos essa voz de 'consciência'. Chamamos essa voz de 'voz fraca e pequena'. Seu espírito tem uma voz. Seu espírito falará com você (pág. 47)... Sua consciência é a voz do seu espírito (pág. 49)". (Metaphysical Elements in the Faith Movement, compilados por Leon D. Stump, pág. 55, tirado de How to be Led By The Holy Spirit, Kenneth Hagin.).
Hagin também afirmou, "O Senhor disse: 'Terei de corrigir um pouco sua teologia' (Eu tinha sido doutrinado com todo aquele raciocínio religioso e, inconscientemente, ainda pensava que talvez fosse errado ter as coisas deste mundo.) 'Em primeiro lugar — e isso ajudará você — não ore mais sobre dinheiro; isto é, do modo como tem orado. Reivindique tudo o que você precisa." (Metaphysical Elements in the Faith Movement, compilados por Leon D. Stump, pág. 55, tirado de How to be Led By The Holy Spirit, Kenneth Hagin.).

Já ouvi e li muitos dos esforços para mostrar quão fora da Bíblia essa idéia está, mas Kenneth Hagin é nada mais nada menos que um guru de uma seita metafísica e paranormal e suas idéias são similares às dos outros proponentes da Nova Era. É basicamente uma religião de Magia Branca, dirigida por demônios. Ela não é nem mesmo similar ao cristianismo, exceto de um modo vago. Essa multidão de pessoas usa muitas Escrituras tiradas fora do contexto para tecer uma teia de engano. O verdadeiro filho de Deus desfrutará de muitas bênçãos maravilhosas à medida que seguir com fidelidade as verdades das Escrituras. Toda promessa de Deus é sim e amém. O salmista escreveu sob a inspiração do Espírito Santo: "Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite. Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará." [Salmos 1:2—3].

Kenneth Hagin e o Espírito da Serpente

O capítulo final de Hagin está sendo escrito enquanto escrevo este artigo. O vídeo — "Kenneth Hagin e o Espírito da Serpente" — conta toda a verdade. O espírito da serpente cresceu em seus ensinos e seus métodos até que acredito que essa verdadeira origem ocultista está se tornando manifesta. Kenneth Hagin acaba de realizar um encontro do "Espírito Santo" em Chesterfield, no Missouri. O encontro ocorreu de 12 a 24 de outubro de 1999. Na terceira noite ele começou a manifestar esse espírito da serpente, contorcendo sua língua e fazendo-a sair para fora, exatamente como a língua de uma serpente. Ele também começou a sibilar. Na noite da quinta-feira, quando começou a sibilar, muitas pessoas começaram a deslizar para fora de seus assentos, começando pelos pés. Algumas pessoas também começaram a sibilar de volta para ele. A resposta emocional da audiência foi indescritível.

Quando Kenneth Hagin começou a sibilar como uma serpente, demônios começaram a sair de dentro dele, pois ele era o canal para eles; ele estava literalmente oferecendo seu corpo como um canal entre o reino paranormal e este reino físico. "Sibilando", Hagin estava permitindo que os demônios saíssem por sua boca e entrassem em seus ouvintes, "demonizando" cada pessoa no auditório. Lembre-se, cada pessoa que participou desse encontro já tinha dado "permissão" aos demônios para entrarem nelas. Essa realidade espiritual é a razão por que tantas pessoas começaram a deslizar de seus assentos, caindo no chão como serpentes e perdendo totalmente o controle normal do corpo e da mente.

Kenneth Hagin e muitas das pessoas presentes então tornaram-se insanamente "bêbados espirituais".
Na última noite do encontro, a demonstração tornou-se extremamente bizarra, quando ele começou a "abençoar" as pessoas no encerramento. Três homens não podiam mantê-lo em pé por causa de seu estado de "embriaguez espiritual". Hagin tornou-se extremamente pesado, um sinal claríssimo de possessão demoníaca.

Hagin declarou que essa foi a primeira demonstração de enchimento dessa nova unção espiritual que ele disse que Deus tinha prometido. Kenneth Copeland estava presente e entrou no meio dessa insanidade final. Você verá os olhos deles subitamente girarem na órbita, mostrando a parte branca do globo ocular, outro sinal seguro de possessão demoníaca.

Todo esse encontro refletiu o julgamento de Deus sobre esse ministério e sobre aqueles que o sustentam com ofertas.

O vídeo mencionado acima poderá ser visto por meio do seguinte link:


Se você deseja ver apenas a parte da manifestação demoníaca poderá fazê-lo assistindo apenas esse trecho aqui:


Parece que Deus, o Pai, está pronto para julgar toda essa enganação e toda a multidão que tem dado glórias a essa heresia. Ele chama aqueles que estão presos nessa rede de "loucos".

Jeremias 51:7

"Babilônia era um copo de ouro na mão do Senhor, o qual embriagava a toda a terra; do seu vinho beberam as nações; por isso as nações enlouqueceram."

No Apocalipse esse sistema religioso é chamado de "Mistério Babilônia" [Apocalipse 17]. Esse sistema certamente será maior que o ministério de Kenneth Hagin, mas certamente o inclui. O Apocalipse adverte:

Apocalipse 17:6-8

"E vi que a mulher estava embriagada do sangue dos santos, e do sangue das testemunhas de Jesus. E, vendo-a eu, maravilhei-me com grande admiração. E o anjo me disse: Por que te admiras? Eu te direi o mistério da mulher, e da besta que a traz, a qual tem sete cabeças e dez chifres. A besta que viste foi e já não é, e há de subir do abismo, e irá à perdição; e os que habitam na terra (cujos nomes não estão escritos no livro da vida, desde a fundação do mundo) se admirarão, vendo a besta que era e já não é, mas que virá."

Essa falsa unção é produzida por um falso espírito que usa a máscara do Espírito Santo. O ministério de Kenneth Hagin já destruiu milhares de igrejas que antes eram bastiões da verdade bíblica. Dezenas de milhares de membros de igrejas foram martirizados espiritualmente e aqueles que resistem são criticados como inferiores, ou pior. O julgamento sobre esse movimento virá. No entanto, o Anticristo deverá aparecer primeiro.

O Espírito da Serpente levantou sua cabeça. Ore por aqueles que estão presos nessa rede para que muitos que não blasfemaram do Espírito Santo possam ser repreendidos e libertos. Esse derramamento espiritual ocultista nas igrejas cristãs apóstatas é um tremendo sinal do fim dos tempos e da proximidade do Anticristo. Lembre-se, o Anticristo só poderá aparecer quando a apostasia da igreja atingir seu ápice.

No Brasil, de acordo com a enciclopédia Wikipédia Kenneth Hagin: “Influenciou diversos ministérios e líderes. Entre os líderes influenciados por Hagin está o Missionário R. R. Soares, a Apóstola Valnice Milhomens, o Apóstolo Renê Terra Nova ,o Pr. André Valadão (que estudou no Rhema nos EUA) e o Apóstolo Bud Wright (líder do Rhema no Brasil)”.

Existem algumas informações na rede dizendo que Kenneth Hagin teria passado por uma crise de consciência perto do fim da sua vida e teria convocado muitos dos seguidores dos seus falsos ensinamentos para acusá-los de terem deturpado os mesmos. Não conseguimos ter acesso ao que foi dito nesse encontro, mas podemos concluir algumas coisas de tudo isso:

1. Hagin morreu em 2003.

2. Não notamos nenhuma diferença concreta na pregação da Teologia da Prosperidade nem da Palavra da Fé de lá para cá. Pelo contrário: em termos de Brasil notamos uma considerável piora por parte dos megapastores midiáticos.

3. Hagin escreveu um último livro intitulado em português “O Toque de Midas”, para “corrigir” aquilo que ele considerava de excessos. Mas foi muito pouco e veio tarde demais. A leitura desse livro, apesar de apresentar certas críticas ao sistema que ele ajudou a impulsionar é uma pregação a favor da Teologia da Prosperidade da primeira até a última página usando as mesmas referências e argumentos de sempre, e se concentrando em citações do Antigo Testamento. Portanto, nada de arrependimento ou de mudança de direção como alguns chegaram a anunciar.

4. Aproveitando os dias, mais tranquilos do final de ano me dispus assistir duas pregações da fase final de Kenneth Hagin — 2 horas e 40 minutos. Tudo o que ouvi foi: histórias de sua própria vida, muitas delas, difíceis de acreditar pela falta de verossimilhança, condenação dos pastores presentes numa delas, muitas tolices e bobagens, absolutamente nada de pregação da palavra de Deus, manifestações demoníacas e etc. Foi aí que me dei conta que as pessoas podem e ficam mesmo viciadas em mediocridade e perdem toda a capacidade de discernir o erro. É a prova do juízo de Deus sobre tais pessoas quando Paulo diz:

2 Tessalonicenses 2:9—12

9 Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira,

10 e com todo engano de injustiça aos que perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos.

11 É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira,

12 a fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça.   

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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[1] Nota do Editor do Blog “O Grande Diálogo”: As netas de E. W. Kenyon movem uma ação contra o espólio de Kenneth Hagin pelo roubo de seus textos, algo que pode ser amplamente confirmado nas cuidadosas comparações feitas entre o material de Kenyon e o de Hagin, pelo autor D. R. McConnell em sua obra A Different Gospel — A Historical and Biblica Analysis of the Modern Faith Movement. Hendrinkson Publisher, Peabody, Sixth Printing, September of 1993.

[2] Nota do Editor do Blog o Grande Diálogo: Apesar de ensinar a vitória sobre todas as enfermidades, esse falso mestre faleceu em 19 de Setembro de 2003 vitimado por problemas cardíacos, apesar de ter dito que Deus havia curado seu coração. Seu ensinamento provado mentiroso com sua própria morte, dizia que: É sempre a vontade de Deus que um crente seja curado fisicamente de qualquer doença ou enfermidade em: Word of Faith magazine, 6/90; 7/92; 8/92; 12/92, Kenneth Hagin, Redeemed from Poverty, Sickness and Death and Healing Belongs to Us.