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quinta-feira, 23 de junho de 2016

A ORAÇÃO DO PAI NOSSO - SERMÃO 007 — SANTIFICADO SEJA TEU NOME — Mateus 6:9



Essa série tem por objetivo expor de maneira ampla, bíblica, literária, histórica e teologicamente, a oração que chamamos de “Oração do Pai Nosso”. Nosso desejo é enriquecer a vida de todos por meio desses esboços de mensagens que também estão disponíveis em áudio. Na parte final desse artigo o leitor encontrará os links para os outros esboços e para os áudios à medida que forem sendo publicados.

A ORAÇÃO DO “PAI NOSSO”

Uma Exposição Bíblica, Literária e Teológica de Mateus 6:9—15


 Introdução:

A. Nossa fé cristã têm muitos aspectos que são exclusivos:

1. Nós somos a única fé que está baseada exclusivamente em relacionamentos: com Deus, com Jesus Cristo, com o Espírito Santo, uns com os outros e com as pessoas e o mundo ao nosso redor. A Bíblia é bastante clara nesse sentido:

João 17:3

E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.

2. Nossa fé também é exclusiva quanto à forma de salvação. Existe apenas um Salvador, Jesus, e ele é o único caminho para Deus. Jesus disse:

João 14:6

Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.

3. Outra característica exclusiva da nossa fé Cristã é que nosso Deus é o único Deus que se apresenta como um Deus que é Santo. Como um Deus Santo, Ele é o único que pode santificar coisas e pessoas. Assim sendo, Deus é o único que pode “Santificar” Seu próprio nome conforme a petição de Jesus e, somente Ele, pode pegar pecadores como nós e nos santificar a ponto de sermos chamados de santos. Mas o nome santo de Deus pode ser profanado por nós os pecadores:

Levítico 22:32

Não profanareis o meu santo nome, mas serei santificado no meio dos filhos de Israel. Eu sou o SENHOR, que vos santifico.

Note a relação entre o nome de Deus e a questão da santidade de Deus e nossa santificação.

Efésios 1:1

Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus, aos santos que vivem em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus.


4. Esse é nosso tema de hoje: a santificação do nome de Deus através da petição ensinada por Jesus:

SANTIFICADO SEJA O TEU NOME

I. Os Judeus e o Nome de Deus

A. Os Judeus receberam no Monte Sinai o seguinte mandamento:

Êxodo 20:7

Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.

B. Desde o momento em que Deus se manifestou a Moisés a primeira vez no monte Sinai, no evento que chamamos da “Sarça Ardente”, Deus anunciou seu nome ao povo de Israel. Alguns versículos são importantes aqui:

Êxodo 3:6

Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. Moisés escondeu o rosto, porque temeu olhar para Deus.

Êxodo 3:14

Disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros.

C. O hebraico era, como todas as outras línguas do Oriente Médio, uma língua consonantal. Isso que dizer que o mesmo era escrito usando, exclusivamente consoantes. No primeiro versículo acima Deus afirma que ser — no tempo presente — o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, apesar dos três já estarem mortos há séculos. No segundo verso, o Senhor se apresenta como  אֶהְיֶה אֲשֶׁר אֶהְיֶה — expressão que é traduzida por EU SOU O QUE SOU. Com isso Deus se revela como alguém sempre presente, independentemente do tempo.

D. Os dois versos acima nos ensinam que o SENHOR, o Deus que se revelou a Moisés é eterno. Daí entendemos que a melhor maneira de se traduzir o nome próprio de Deus, representado pelo tetragrama יהוה YHVHseja pela expressão ETERNO. A versão de Almeida Revista e Atualizada (ARA) traduz o tetragrama pela expressão SENHOR. Mas insistimos que a expressão que traduz melhor os conceitos de Deus de Abraão, Isaque e Jacó e EU SOU O QUE SOU, é ETERNO.

E. Os judeus receberam um mandamento para não “usar esse nome de Deus יהוה YHVH — O Eterno, em vão”.

Êxodo 20:7

Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.

F. Diante desse mandamento, um argumento que prevaleceu entre os judeus era que eles não podiam saber quando isso poderia acontecer — usar o nome de Deus em vão. Por esse motivo, eles decidiram nunca fazer uso do nome representado pelo tetragrama יהוה YHVH — O Eterno, porque assim não correriam nenhum risco de quebrar o terceiro mandamento. 

G. Eles passaram a usar outros nomes dados por Deus mesmo, mas sobre os quais não pesava o terceiro mandamento. Entre esses nomes nós vamos encontrar os seguintes:

אֱלֹהִים — `Elohim — traduzido por Deus na ARA.

אֵל עֶלְיוֹן  — El `Eleyon — traduzido por Deus Altíssimo na ARA.

אֵל שַׁדַּי  — El Shadday — traduzido por Deus Todo Poderoso na ARA.

 אֲדֹנָי — Adonay — traduzido por Senhor na ARA.

 יהוה — YHWH — o tetragrama é traduzido por SENHOR na ARA.

Existem vários outros nomes atribuídos ao Deus verdadeiro no Antigo Testamento. Existem, inclusive, várias combinações com o tetragrama יהוה YHVH — O Eterno.

H. Durante séculos os Judeus se recusaram a pronunciar o nome inefável de Deus יהוה YHVH — O Eterno, traduzido por “SENHOR” e cujo significado é “EU SOU”, de onde derivamos a expressão “O ETERNO”. Com isso, perdemos e pronúncia verdadeira desse Nome ficando apenas com seu significado: “O ETERNO”.

II. O Surgimento do Curioso Nome Jeová e Seus Cognatos — Jehovah, Javé, Iavé, Iahweh e etc.

A. Como dissemos o hebraico era uma língua consonantal.

B. Por volta do ano mil depois de Cristo, a vasta maioria dos judeus já não sabia mais ler o hebraico em sua forma original, como língua consonantal.

C. Por esse motivo um grupo de estudiosos judeus, encarregados de fazer as cópias dos manuscritos na língua consonantal, resolveu “inventar” uma séria de “notações” que pudessem servir como “vogais”, de tal maneira que as pessoas pudessem voltar a ler o hebraico, especialmente o hebraico contido no Antigo Testamento.

D. O trabalho desses homens conhecidos como massoretas ficou pronto e podemos ver o resultado, por exemplo, num nome muito comum usado para Deus que teria as duas formas seguintes:

אלהים — sem as notações vocálicas.

אֱלֹהִים — com as notações vocálicas.

E. Disso surgiu um grande problema: o que fazer com o nome de Deus representado pelo tetragrama יהוה YHVH? De que maneira o mesmo poderia ser vocalizado, mas ainda assim garantir que as pessoas não iriam pronunciar o nome inefável.
F. A solução um tanto engenhosa foi fundir a consoantes do tetragrama יהוה com algumas da vogais de outro nome de Deus: אֲדֹנָי — Adonay. O resultado ficou, então assim: יְהוָה.

G. A pesar da combinação, o nome deveria continuar sendo lido como ADONAY.

H. Todavia, pessoas de fora do círculo judaico, mas que tinham acesso ao texto hebraico já vocalizado passaram a ler a expressão יְהוָה — como sendo YeHVaH ou algo semelhante.  Daí surgiram nomes tais quais Jehovah ou Jeová e todos os seus cognatos.

I. Na realidade esse nome não existe de verdade, já que se trata de combinação das consonantes do tetragrama — יהוה  com as vogais de outro nome de Deus: אֲדֹנָי — Adonay.

J. Em tempos mais recentes os judeus aboliram a forma יְהוָה — lida como Adonay, e passaram a adotar apenas a expressão חַ שְׁמ  ­— ha Shem — O NOME.

III. Jesus e a Santidade do Nome de Deus

A. Jesus viveu no tempo em que os judeus se recusavam terminantemente a usar o nome inefável de Deus representado pelo tetragrama יהוה. Esse é o motivo porque os judeus se escandalizaram quando Jesus usou o nome aplicando-o diretamente a si mesmo quando disse o seguinte:

João 8:58—59

58 Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade eu vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU.

59 Então, pegaram em pedras para atirarem nele; mas Jesus se ocultou e saiu do templo.

B. Mas aqui em Mateus 6, ainda cedo em seu ministério, Jesus não queria ofender os judeus e, por isso, ele faz uso do nome de Deus naquilo que chamamos de forma passiva, ao dizer: SANTIFICADO SEJA TEU NOME.

C. Jesus usa essa forma passiva por dois motivos:

1. Primeiro porque esse era o costume da época.

2. Porque Jesus sabia que não existe ninguém a não ser o próprio Deus que seja capaz de “santificar” Seu próprio nome. Nenhum ser humano tem competência para isso.

D. Dentro do contexto da oração do Pai nosso, qual é o significado do nome de Deus? O nome de Deus aqui representa o ponto de aproximação onde é possível os seres humanos se comunicarem com Deus

E. Se não conhecemos o Nome de Deus como podemos nos relacionar com Ele?

F. O Nome de Deus também nos revela quem Ele é: o ETERNO, o EU SOU SEMPRE PRESENTE. O autor de Hebreus descreveu essa realidade dizendo:
Hebreus 13:8

Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre.

IV. A Relação Entre a Santidade de Deus e a Santidade do Povo de Deus

A. Porque Deus é Santo, espera-se que o povo de Deus também seja santo:

Deuteronômio 7:6

Porque tu és povo santo ao SENHOR, teu Deus; o SENHOR, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra.


Deuteronômio 26:18

E o SENHOR, hoje, te fez dizer que lhe serás por povo seu próprio, como te disse, e que guardarás todos os seus mandamentos.


João 14:15

Se me amais, guardareis os meus mandamentos.


Conclusão

A. Para terminar façamos uma última leitura Bíblica que irá nos ajudar a concluir o que Jesus queria dizer ao nos ensinar a orar dizendo: Santificado seja o Teu nome.

2. A passagem é Isaías 6:1—10 e a mesma diz o seguinte:

1 No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo.

2 Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava.

3 E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.

4 As bases do limiar se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça.

5 Então, disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos!

6 Então, um dos serafins voou para mim, trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz;

7 com a brasa tocou a minha boca e disse: Eis que ela tocou os teus lábios; a tua iniqüidade foi tirada, e perdoado, o teu pecado.

8 Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim.
9 Então, disse ele: Vai e dize a este povo: Ouvi, ouvi e não entendais; vede, vede, mas não percebais.

10 Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos e fecha-lhe os olhos, para que não venha ele a ver com os olhos, a ouvir com os ouvidos e a entender com o coração, e se converta, e seja salvo.

C. Dessa passagem nós podemos tirar as seguintes conclusões:

1. Isaías vê o SENHOR demonstrar sua Santidade — Isaías 6:1—4.

2. Isaías é imediatamente convencido de sua própria pecaminosidade diante da gloriosa presença do Deus SANTO — ver Isaías 6:5.

3. Apesar de não estar dito de forma expressas, Deus, sempre Deus, manda um anjo purificar — santificar — o profeta com uma brasa retirada do altar — ver Isaías 6:6—7.

4. Depois de purificado ou santificado Deus desafia o profeta com um chamado missionário — Isaías 8a.

5. O profeta purificado ou santificado responde ao chamado de Deus dizendo: eis-me aqui, envia-me a mim — Isaías 6:8b.

D. Todas as vezes que oramos: “Santificado seja o Teu Nome”, nós estamos pedindo que Deus intervenha demonstrando Sua santidade. E como precisamos orar cada vez mais essa oração: SANTIFICADO SEJA O TEU NOME.  

E. É minha mais profunda convicção que tanto a passagem de Isaías 6:1—10, quanto a de Ezequiel 36:16—23 estão por trás do pedido de Jesus quando disse: SANTIFICADO SEJA O TEU NOME.

F. De que maneira amor e santidade podem funcionar juntos? O primeiro nos atrai para perto de Deus e a segunda tende a nos afastar do Senhor, como aconteceu com o profeta Isaías.   

G. Na próxima mensagem nós vamos ver como AMOR e SANTIDADE podem andar juntos.

Que Deus abençoe a todos.

OUTRAS MENSAGENS DA SÉRIE DO PAI NOSSO

001 — INTRODUÇÃO A MATEUS 6:9—15

002 — O PAI NOSSO — PARTE 001 — MATEUS 6:9

003 — O PAI NOSSO — PARTE 002 — MATEUS 6:9

004 — O PAI NOSSO — PARTE 003 — MATEUS 6:9

005 — O PAI NOSSO — PARTE 004 — MATEUS 6:9a — PAI NOSSO QUE ESTÁS NOS CÉUS

006 — O PAI NOSSO — PARTE 005 — INTRODUÇÃO À ESTRUTURA DO PAI NOSSO —
Mateus 6:9—13

007 — O PAI NOSSO — PARTE 006 — SANTIFICADO SEJA TEU NOME — Mateus 6:9

008 — O PAI NOSSO — PARTE 007 — A RELAÇÃO DA SANTIDADE DE DEUS
COM A JUSTIÇA E O AMOR — Mateus 6:9

009 — O PAI NOSSO — PARTE 008 — O REINO DE DEUS — PARTE 001 — Mateus 6:10

010 — O PAI NOSSO — PARTE 009 — O REINO DE DEUS — PARTE 002 — Mateus 6:10
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/01/a-oracao-do-pai-nosso-sermao-010-o.html


011 — O PAI NOSSO — PARTE 010 — A VONTADE DE DEUS
Alexandros Meimaridis 

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sábado, 19 de setembro de 2015

A ORAÇÃO DO PAI NOSSO - SERMÃO 002 — O Pai Nosso — Mateus 6:9




Essa série tem por objetivo expor de maneira ampla, bíblica, literária, histórica e teologicamente, a oração que chamamos de “Oração do Pai Nosso”. Nosso desejo é enriquecer a vida de todos por meio desses esboços de mensagens que também estão disponíveis em áudio. Na parte final desse artigo o leitor encontrará os links para os outros esboços e para os áudios à medida que forem sendo publicados 

Uma Exposição Bíblica, Literária e Teológica de Mateus 6:9—13

Introdução:

A. No sermão passado nos introduzimos o tema geral da oração como uma forma de abordagem inicial à essa oração — a Oração do Pai Nosso ou Oração Dominical, que nos foi ensinada pelo próprio Senhor Jesus. 

B. Naquela mensagem nós falamos que devemos orar somente ao Pai, conforme Jesus nos ensinou em Mateus 6:6 e 9. 


C. Mas não queremos dar nenhuma falsa impressão aos irmãos. Quando fizemos aquela afirmação destacamos que não devemos orar para santos, ou santas, nem mesmo para Maria, nem para anjos da guarda, orixás etc., mas somente para o Pai que é Deus. 

D. Então para que não restem dúvidas devemos afirmar que: 

1. Também nos é lícito orar diretamente ao Senhor Jesus, pois ele é Deus. 

2. Também nos é lícito orar diretamente ao Espírito Santo, pois ele também é Deus. 

E. Mas devemos manter muito bem esse limite de dirigir nossas orações exclusivamente a Deus e a nenhum outro ser. Quem ensina outra coisa está ensinando uma mentira e devemos estar atentos para evitarmos cair nos inúmeros laços que o Diabo tem espalhado por todos os lugares durante os séculos através de seus fiéis servidores.

F. Como falamos também na mensagem anterior, Jesus modificou completamente o modelo ou paradigma de oração dos judeus, ao nos ensinar a orar, diretamente a Deus, como...  

PAI NOSSO


I. A Frase Inicial da Oração do “Pai Nosso” – VERSO 9. 

Mateus 6:9

Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome.

A. A primeira afirmação de Jesus feita na chamada “Oração do Pai Nosso”, se parece com um fulgurante e magnífico relâmpago cortando os céus no meio da noite. 

B. Como vimos antes, as “tefillah” ou orações dos judeus eram e são feitas em Hebraico. A oração do “Pai Nosso”, todavia, foi provavelmente, proferida na língua aramaica, que era o idioma comum falado por todos os judeus em geral. Apenas a elite e, especialmente, a elite sacerdotal que habitava em Jerusalém fazia questão absoluta de falar o hebraico, já que acreditavam que essa era a língua falada pelo próprio Deus! Quanta cegueira! 

C. Assim, temos que Jesus ensinou seus discípulos a orarem em aramaico, que era a língua comum entre eles em vez de usar as orações prontas e clássicas existentes em textos escritos em hebraico. 

D. Como mencionamos, os judeus do primeiro século, estavam acostumados a recitar orações em hebraico e não em aramaico. De modo semelhante os mulçumanos modernos recitam suas orações no arábico clássico falado na Arábia durante o século VII d.C. 

E. Tanto judeus quanto mulçumanos acreditam que são detentores de um idioma sagrado. A fé cristã não acredita em tolices dessa espécie e isso é muito importante. 

II. As Implicações de Jesus Ensinar Seus Discípulos a Orar em Aramaico 

A. Quando Jesus ensina seus discípulos a orarem em aramaico, ele estava causando uma profunda ruptura na religião como praticada em Israel naqueles dias. Jesus nos ensina que não existe nenhuma língua sagrada: Deus não usa nenhum idioma em particular! 

B. Nos dias de Cristo toda leitura pública das Escrituras era feita em hebraico e era nessa língua que as orações precisavam ser proferidas. Nas sinagogas havia sempre tradutores a disposição para verter as Escrituras ou os ensinamentos do hebraico para o aramaico ou grego. 

C. Ao romper o modelo que se utilizava exclusivamente do hebraico para ensinar seus discípulos a orar em aramaico, Jesus também abriu as portas para que o Novo Testamento pudesse ser escrito em grego, a língua mais popular daqueles dias. Ato contínuo, o gesto de Jesus também permitiu que o Novo Testamento e o Antigo Testamento fossem vertidos em outras línguas, tais como: o siríaco antigo ou aramaico, o copta — a língua falada no Egito naqueles dias — o armênio, o georgiano, o etíope, o arábico, o persa, o latim, o gótico, o eslavo, o anglo-saxão etc. 

D. Se não existe uma língua sagrada, também não existe uma cultura sagrada. Quando discutimos com judeus religiosos é comum eles alegarem que nós não podemos entender os escritos judaicos porque não somos judeus. Mas quanta estupidez! Não existem nem língua, nem cultura e muito menos formas que possam ser consideradas sagradas sagradas etc. Sagradas ou santas são as pessoas, somo nós:

1 Coríntios 6:19

Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? 

E. Por todos esses motivos, crentes em todos os lugares podem comparecer, imediatamente diante da presença de Deus usando a linguagem dos seus corações.  

III. O Uso de Abba — Pai: Seu Significado e Significância – Parte 1. 

A. As tefillah — as 18 orações tradicionais proferidas nas sinagogas judaicas começam de maneiras variadas: 

1. Umas com começam com: Deus de Abraão, Deus de Isaque e Deus de Jacó. 

2. Outras começam com: Deus de Nossos Pais. 

3. Outras ainda começam com: Bendito, Santo, Construtor de Jerusalém, Poderoso, Redentor de Israel, Nosso pai e Deus gracioso.

B. Dessas listas Jesus escolheu “Nosso Pai”, que aparece duas vezes nas 18 tefillah como Abinu. 

C. Ao fazer essa escolha Jesus nos conduz para além dos limites raciais representados por Abraão, Isaque e Jacó, para um relacionamento familiar representado pela presença do Pai e dos filhos e filhas que são os irmãos e irmãs, i.e., nós. 

D. Sendo Deus o Pai de todos os seus filhos, pouco importa a cor de suas peles, a nacionalidade, o nível de instrução, a posição social, o sexo e etc., todos podem se dirigir a ele como Pai. O uso dessa expressão, sozinha, é suficiente para derrubar todas as paredes de separação. Não existe ninguém longe nem mesmo afastado. Todos estão próximos do Pai que nos ama. Daí a orientação de Jesus de como devemos começar nossas orações: 

E. A expressão Abba em aramaico aparece três vezes apenas no Novo Testamento: 

Marcos 14:36

E dizia: Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu queres. 

Romanos 8:15

Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai. 

Gálatas 4:6

E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai! 

E. Note que em todos os três casos acima a expressão aramaica, Aba é, imediatamente, seguida pela expressão Pai, que traduz o grego πατήρ — patér. Isso é feito para ajudar os eventuais leitores que entendiam o grego, mas não o aramaico 

F. O contexto imediato dessas passagens tem a ver com oração. Oração fervente. 

IV. O Convite de Jesus 

A. Ao ensinar essa oração aos seus discípulos, Jesus também nos convida, de fato nos ordena e nos permite falar juntamente com Ele mesmo, com Deus Pai. 

B. Jesus nos permite fazer Sua própria oração. Isso é graça pura! 

C. Quando agimos assim, nos unimos a Jesus de uma forma tal, que adoramos, louvamos e oramos ao Pai em uma única voz: a nossa e de do próprio Senhor, como se fosse uma única voz! 

D. Na próxima mensagem nós vamos traçar um paralelo histórico entre Deus como Pai no Antigo Testamento e Deus como Nosso Pai no Novo Testamento.


Conclusão

A. Qual é a língua falada por Deus?

1. Os judeus acreditam que é o hebraico. 

2. Os cristãos armênios acreditam que é o armênio clássico. Por esse motivo eles nos dizem que Deus tem um bom e velho monge armênio, que conhece todas as línguas faladas no mundo, como seu secretário particular. Esse monge ao ouvir uma oração dirigida a Deus, rapidamente a traduz para o armênio clássico, para que o Todo Poderoso possa entendê-la. 

3. Mohamed ou Maomé dos Mulçumanos o qual era, alegadamente, analfabeto, diz que o Anjo Gabriel o levou até o céu onde lhe mostrou uma cópia do Alcorão escrito em arábico clássico. Mas se Maomé era analfabeto como poderia saber e ter certeza que o livro que lhe foi mostrado estava mesmo escrito em arábico clássico? Se o arábico clássico é o idioma oficial do céu de Alá, não perca seu tempo tentando falar com Alá em qualquer outro idioma que não seja o arábico clássico do século VII d.C., porque ele não vai entender nada. 

4. Quando eu era aluno no seminário nos EUA cansei de encontrar crentes sinceros, porém muito ignorantes, que acreditavam que a Bíblia usada pelo Apóstolo Paulo era a Bíblia do Rei Tiago I — The King James Bible — produzida em 1611. E muitos me olhavam de forma estranha, quando me ouviam afirmar que o apóstolo Paulo não pregava em inglês e sim grego.

5. Uma boa parte das religiões orientais — especialmente as originadas na índia — dizem que palavras não são importantes e, por esse motivo ensinam as pessoas a meditarem, cujo objetivo maior é “paralisar por completo a atividade do cérebro”, deixando o mesmo vazio e aberto para ser dominado por forças chamadas astrais. 

B. Todas essas coisas não passam de tolices e como temos falado, repetidas vezes, tolices que visam apenas nos escravizar. Jesus veio nos libertar de todas essas tolices e nos ensinou que Deus é Espírito – ver João 4:24 e as implicações dessa afirmação são as seguintes:

João 4:24

Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.

Se Deus é Espírito isso quer dizer que Ele está presente em todo lugar o tempo todo! 

Mateus 18:20

Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.

Não importa o país onde estiverem reunidos e muito menos a língua que eles estiverem falando. Jesus, como Deus, entende todas elas e é o único capaz de ouvir e nos responder

C. Note como a verdade bíblica é muito diferente e muito mais satisfatória do que essas tolices inventadas pelos seres humanos, que não são poucas, diga-se de passagem.

D. Por que Deus teria escolhido a língua grega para produzir o Novo Testamento? Deus agiu assim porque o grego era a língua mais conhecida naqueles dias e a mais apropriada para se alcançar a maior quantidade de pessoas. Era uma questão prática apenas e não porque o grego fosse melhor ou superior às outras línguas como se costuma pensar do hebraico, do arábico clássico, do sânscrito — a língua sagrada dos hindus — do armênio clássico e etc. 

E. Todos os que creem em Cristo, independente da língua em que ouviram as Boas Novas são aproximados de Deus como Pai. E quando nos aproximamos de Deus estamos completamente sem nenhum poder — Ele sim, é o Deus Todo Poderoso, não temos nenhum mérito — a Ele sim, seja toda honra e toda glória — sem fé própria — pois, até mesmo a fé que temos é Dom de Deus —

Efésios 2:8

Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus. — e com as mãos vazias. Mas independente disso tudo, por causa de Cristo, somos Filhos de Deus. 

F. “A realidade da nossa filiação a Deus não seria maior nem estaria mais segura se pudéssemos ajuntar qualquer coisa vinda de nós mesmos. A realidade divina, ela sozinha, é a plenitude de toda a realidade” – Karl Barth

Que Deus abençoe a todos

OUTRAS MENSAGENS DA SÉRIE DO PAI NOSSO

001 — INTRODUÇÃO A MATEUS 6:9—15

002 — O PAI NOSSO — PARTE 001 — MATEUS 6:9

003 — O PAI NOSSO — PARTE 002 — MATEUS 6:9

004 — O PAI NOSSO — PARTE 003 — MATEUS 6:9

005 — O PAI NOSSO — PARTE 004 — MATEUS 6:9a — PAI NOSSO QUE ESTÁS NOS CÉUS

006 — O PAI NOSSO — PARTE 005 — INTRODUÇÃO À ESTRUTURA DO PAI NOSSO — Mateus 6:9—13

007 — O PAI NOSSO — PARTE 006 — SANTIFICADO SEJA TEU NOME — Mateus 6:9

008 — O PAI NOSSO — PARTE 007 — A RELAÇÃO DA SANTIDADE DE DEUS COM A JUSTIÇA E O AMOR — Mateus 6:9

009 — O PAI NOSSO — PARTE 008 — O REINO DE DEUS — PARTE 001 — Mateus 6:10

010 — O PAI NOSSO — PARTE 009 — O REINO DE DEUS — PARTE 002 — Mateus 6:10
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/01/a-oracao-do-pai-nosso-sermao-010-o.html
011 — O PAI NOSSO — PARTE 010 — A VONTADE DE DEUS




Alexandros Meimaridis

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