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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O SERVO SOFREDOR DE ISAÍAS E O DEBATE COM OS JUDEUS — PARTE 005 — O SERVO DE NOSSAS TRANSGRESSÕES


Resultado de imagem para isaías 53:7

CONTINUAÇÃO... PARTE 005

53:7—9: A submissão do Servo

Os v.7—9 focalizam a morte voluntária do Servo. Apesar das humilhações sofridas, o Servo seria honrado por ETERNO. 

7 Foi oprimido,50 mas livremente ele se humilhou,51 e não abriu a boca;
como cordeiro foi levado ao matadouro;
e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores,
não abriu a boca.52

8 Depois do aprisionamento e do julgamento, foi arrebatado,53
e de sua linhagem, quem dela cogitou?
Porquanto foi cortado da terra dos viventes;
por causa da transgressão do meu povo,54, 55 foi ferido.56

9 Designaram57  a sua sepultura com os ímpios,
mas com o rico58  esteve na sua morte,59
ainda que não praticasse violência,
e nem engano se achasse em sua boca.

O v.7 descreve a morte submissa do Servo, que, como um “cordeiro” conduzido ao “matadouro”, “não abriu a boca”. O termo “oprimido” é a tradução da forma verbal niggas, nifal perfeito de nagas, “ser duramente pressionado”. Apresenta o sentido de ser “maltrato” (BJ). A mesma forma verbal é empregada em Êxodo 3.7, referindo-se à opressão dos egípcios sobre os israelitas. “Não era apenas uma coerção ou uma leve angústia emocional. Denota uma situação real, concreta, de sofrimento pesado.”60 A sentença seguinte inicia-se pela partícula adversativa “mas61 ele livremente se humilhou”. Enfatiza-se assim que o maltrato sofrido é voluntário. No texto hebraico, o sujeito da ação verbal é o pronome independente terceira pessoa masculina hu’, “ele”, que precede o nifal partícipio ‘anah “ser humilhado”, “ser afligido”. Normalmente a língua hebraica não utiliza o pronome pessoal antes das formas verbais. Quando utiliza, é porque focaliza o sujeito da ação. No caso, o pronome aqui em Isaías 53.7 enfatiza a voluntariedade do Servo; ou seja, se sofreu, é porque “ele livremente se humilhou”.  A terceira sentença, por sua vez, descreve o silêncio do Servo: “e não abriu a boca”.

É difícil não identificar aqui o Servo apresentado na nova aliança. As páginas do Novo Testamento apresentam tanto a submissão,
 
Lucas 9:51
Aconteceu que, ao se completarem os dias em que devia ele ser assunto ao céu, manifestou, no semblante, a intrépida resolução de ir para Jerusalém

como o silêncio,  

Mateus 27:11, 14

11 Jesus estava em pé ante o governador; e este o interrogou, dizendo: És tu o rei dos judeus? Respondeu-lhe Jesus: Tu o dizes.

14 Jesus não respondeu nem uma palavra, vindo com isto a admirar-se grandemente o governador.

do Servo. O seu silêncio evidencia sua submissão. Cristo entregou-se voluntariamente. É verdade que Ele foi condenado à cruz por meio de um julgamento injusto e calunioso —

Mateus 26:59—61

59 Ora, os principais sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam algum testemunho falso contra Jesus, a fim de o condenarem à morte.

60 E não acharam, apesar de se terem apresentado muitas testemunhas falsas. Mas, afinal, compareceram duas, afirmando:
61 Este disse: Posso destruir o santuário de Deus e reedificá-lo em três dias.

Lucas 23:2—4, 13—16.

2 E ali passaram a acusá-lo, dizendo: Encontramos este homem pervertendo a nossa nação, vedando pagar tributo a César e afirmando ser ele o Cristo, o Rei.

3 Então, lhe perguntou Pilatos: És tu o rei dos judeus? Respondeu Jesus: Tu o dizes.
4 Disse Pilatos aos principais sacerdotes e às multidões: Não vejo neste homem crime algum.

13 Então, reunindo Pilatos os principais sacerdotes, as autoridades e o povo,

14 disse-lhes: Apresentastes-me este homem como agitador do povo; mas, tendo-o interrogado na vossa presença, nada verifiquei contra ele dos crimes de que o acusais.

15 Nem tampouco Herodes, pois no-lo tornou a enviar. É, pois, claro que nada contra ele se verificou digno de morte.
16 Portanto, após castigá-lo, soltá-lo-ei.

Contudo, não foram essas coisas que levaram Jesus à morte. Ele morreu porque se entregou a si mesmo —

1 Pedro 2:23

Pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente.

Alguém já disse que não foi o ódio dos judeus que matou Jesus, nem o poder dos romanos. Foi Deus, o Pai, que entregou o Filho, e este voluntariamente se entregou como oferta pelos nossos pecados.

Na primeira frase do v.8, é difícil saber o sentido da preposição min “de”, prefixada no substantivo ‘oser “aprisionamento”. Neste texto, ela pode apresentar três sentidos: o sentido separativo (o Servo foi arrebatado/ “separado da terra”[grifo nosso]62 /libertado da opressão e do juízo – ou seja, foi liberto da morte e levado ao céu pela ressurreição, após sua morte), o sentido causativo (Servo foi libertado por causa dessas coisas) ou sentido temporal (o Servo foi libertado depois dessas coisas). Possivelmente o texto indica a prisão e o julgamento seguidos da prisão. A tradução da Bíblia de Jerusalém apoia essa interpretação: “Após detenção e julgamento, foi preso”. O termo ‘oser “aprisionamento” também apresenta o sentido de sofrimento ou angústia,63 sugerindo um aprisionamento acompanhado de torturas; o significado de ‘oser é “restrição”, “coerção” (Strong) ou “encerrar”, “aprisionar”.64 Esta palavra hebraica só ocorre em outras duas passagens do Antigo Testamento: Pv 30:16 (referindo à esterilidade); Salmos 107:39 (possivelmente referindo ao “aprisionamento”, como em Isaías 53:8). Na sequência do texto isaiano, lê-se o substantivo mixpat “julgamento”. No fim da frase, o verbo traduzido pela BJ como “foi preso” é o hebraico luqah qal perfeito, de laqah “arrebatar”, “tomar e levar embora”, traduzido mais literalmente como “foi arrebatado” (como na ARA). O sentido dessa primeira frase do v.8 é que após a detenção violenta (‘oser) e após o processo de julgamento (mixpat), o Servo foi condenado (luqah).

A sentença seguinte é uma indagação: “e de sua linhagem, quem dela cogitou?”. A palavra hebraica dor “significa geração que está viva num determinado período de tempo” 65 Dessa forma, o texto de Isaías refere-se aos contemporâneos de Jesus que não entenderam a razão de sua morte.66  O significado teológico da morte do Servo só é possível mediante a iluminação do Senhor.67  A sabedoria deste mundo é incapaz de reconhecer a cruz —

1 Coríntios 2:8

Sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século conheceu; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória;

A frase seguinte afirma que o Servo “foi cortado da terra dos viventes”. A raiz verbal gazar “cortar”, empregada em outros textos para o corte de árvores (2 Reis 6:4), descreve uma morte violenta. Isso é evidenciado na última frase do v.8: “foi ele ferido”, literalmente “um golpe para ele” (nega’ lamo). A morte do Servo é evidenciada na tradução da LXX: “ele foi levado à morte” (sugerindo a retroversão para o hebraico lammawet “para a morte”, em lugar lamo “para ele” ).68 O hebraico nega‘ “golpe”, “ferida”, é um ato de Deus (Êxodo 11:1) contra o Servo. Muitos comentaristas salientam que a violência descrita nesse texto é semelhante ao Salmo 22. Portanto, o “golpe” “representava mais que mera doença, ou mera violência, ou mera perseguição, mas seria a combinação de tudo que é mais terrível em todas elas: o total abandono da parte de Deus (Salmos 22:1 [TM: 22:2]) que o Novo Testamento chama de ‘segunda morte’ (Ap 2.11)”.69

Pela frase “por causa da transgressão do meu povo”, o texto novamente reitera, como em 53:4—6, que a morte do Servo é substitutiva. Foi a “transgressão/rebelião” (pexa‘) do seu “povo” que conduziu o Messias à morte.

Na primeira frase do v.9, o verbo “designaram” é tradução de yiten “ele designou”, qal com waw consecutivo imperfeito terceira pessoa masculina singular, de natan “dar”, “pôr”, “estabelecer”. Provavelmente trata-se do singular coletivo daqueles que crucificaram o Servo. A segunda frase, “mas com o rico esteve na sua morte”, apresenta problemas de tradução. Seguimos aqui o TM: ‘axir,“rico” (adjetivo) e bemotayw  “em sua morte”.  Os inimigos do Servo planejaram uma morte desonrosa para Ele. Crucificaram-no entre dois salteadores —

Lucas 23:32—33

32 E também eram levados outros dois, que eram malfeitores, para serem executados com ele.

33 Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, bem como aos malfeitores, um à direita, outro à esquerda.

No entanto, a profecia de Isaías haveria de se cumprir. Por isso, Deus levantou um homem rico de Arimateia, chamado José, que sepultou o Servo num túmulo novo, entre os ricos. Assim o Servo foi honrado, mesmo em sua humilhante morte.

As duas últimas frases do v.9 descrevem a inocência do Servo. Ele foi morto, “ainda que não” (‘al lo’ )70 tenha praticado (verbo ‘asah “fazer”) nenhuma “violência” (hamas). A palavra hamas “violência”, “injustiça” (ARA), essencialmente apresenta a ideia de violência pecaminosa, denotando maldade extrema.71 Também, não havia “engano” em sua boca. O substantivo mirmah, “engano”, “traição”, comumente é empregado no Antigo Testamento para se referir às palavras traiçoeiras e enganosas (Gn 27.35; 34.13; Sl 10.7; 17.1; 24.4; etc.).72  Quer dizer, somente os malfeitores, enganadores e traidores é que mereciam a morte violenta descrita nesses versos. No entanto, o Servo inocente esteve entre os “ímpios”. Foi tratado como um malfeitor. É assim que Cristo foi considerado por seus algozes. 

Portanto, a estrofe composta por 53.7—9 apresenta a entrega voluntária do Servo (v.7), sua prisão, julgamento, condenação e morte (v.8, 9).

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O texto original poderá ser acessado por meio desse link aqui:


Luciano R. Peterlevitz

Bacharel em Teologia (FTBC e FATEO/UMESP); Mestre e Doutor em Ciências da Religião, na área de Literatura e Religião no Mundo Bíblico, pela Universidade Metodista de São Paulo. Coordenador Acadêmico da Faculdade Teológica Batista de Campinas, onde também leciona Hebraico, Antigo Testamento e Hermenêutica Bíblica nos cursos de Bacharelado em Teologia e Pós-graduação em Exposição Bíblica. 

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos. 

NOTAS

50 nagas nifal perfeito “ser duramente pressionado”.

51 wehu’ na‘aneh “mas ele livremente se humilhou”: pronome independente terceira pessoa masculina hu’ “ele”, com ‘anah nifal particípio “ser humilhado”.

52 BHS: provavelmente esta frase precisa ser deletada.

53 laqah qal perfeito “arrebatar”, “tomar e levar embora”.

54 TM: ‘ammi “meu povo”. 1QIsa: ‘amo “seu povo”. Westermann sugere a primeira pessoa comum plural “nosso povo”. Claus Westermann, Isaiah 40-66, p. 254.

55 TM: mippexa‘ ‘ammi “por causa da transgressão do meu povo”.  BHS: provavelmente mippix‘am “por causa da transgressão deles”.

56 TM: nega‘ lamo “um golpe para ele”. 1QIsa: nugga‘ ou nigga‘ (pual?) “ele é ferido”. LXX: “ele foi levado à morte”, propondo a retroversão para o hebraico lammawet “para a morte” em lugar de lamo “para ele”.  

57 TM: wayyiten “e ele designou”, qal com waw consecutivo imperfeito terceira pessoa masculina singular de natan “dar”, “pôr”, “estabelecer”. 1QIsa: wayitnu “eles designaram”. BHS: wayuttan.

58 TM: ‘axir adjetivo masculino singular “rico”. BHS: provavelmente se‘irim  “demônios”. No entanto, tanto a LXX como o Targum traduzem “rico”, e, portanto, o TM não precisa ser alterado. Gary V. Smith, Isaiah 40-66, p. 456.

59 TM: bemotayw “em sua morte”.  1QIsa: bwmtw “o seu túmulo” ou “seu lugar alto”. Para uma defesa da tradução “seu lugar alto”, veja Betty Bacon, Estudos na Bíblia Hebraica, São Paulo, Vida Nova, 1991, p. 258.

60 Isaltino Gomes Coelho Filho. Isaías, p. 172.

61 Waw conjuntivo, aqui no sentido adversativo.

62 J. Ridderbos, Isaías, p. 433. 

63 Joseph Addison Alexander, Commentary on Isaiah, Grand Rapids, Kregel Publications, 1982, p. 300.

64 John N. Oswalt, Comentário do Antigo Testamento: Isaías, p. 478.

65 J. Ridderbos. Isaías, p.434, nota 30.

66 Isaltino Gomes Coelho Filho. Isaías, p. 172.

67 Gary V. Smith, Isaiah 40-66, p. 454.

68 Veja BHS.

69 John N. Oswalt, Comentário do Antigo Testamento: Isaías, p. 477.

70 A preposição ‘al “sobre”, seguida pelo advérbio de negação lo’ “não”, essencialmente significa “porque não”. Nelson Kirst et. al., Dicionário hebraico-português e aramaico-português, p. 179. Abre-se assim a possibilidade de as duas últimas frases serem traduzidas como “porque não praticou violência, nem dolo algum se achou em sua boca”, indicando que a honraria que o Servo receberia por ocasião de sua morte (“com o rico esteve na sua morte”) ocorreria em virtude de sua inocência.

71 R. Laird Harris; Gleason L. Archer Jr.; Bruce K. Waltke (organizadores), Dicionário internacional de teologia do Antigo Testamento, p. 485.

72 R. Laird Harris; Gleason L. Archer Jr.; Bruce K. Waltke (organizadores), Dicionário internacional de teologia do Antigo Testamento, p. 1431.

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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

PARÁBOLAS DE JESUS - LUCAS 15 — UMA EXEGESE ACERCA DA CONDIÇÃO DE PERDIÇÃO DA RAÇA HUMANA — O AMBIENTE E O ARRANJO DE LUCAS 15 — PARTE 002 — SERMÃO 036




Esse artigo é parte da série "Parábolas de Jesus" e é muito recomendável que o leitor procure conhecer todos os aspectos das verdades contidas nessa série, com aplicações para os nossos dias. No final do artigo você encontrará links para os outros artigos dessa série.

CONTINUAÇÃO...

Porém a parte mais importante ainda do assunto tratado por Jesus em Lucas 15 envolvendo todas as suas relações internas — de uma história com a outra — a questão mais fundamental que permanece é: a associação permanente de Jesus com publicanos — coletores de taxas — e pecadores em geral. Isso era, para os judeus daqueles dias, especialmente para a elite em Jerusalém, algo completamente inaceitável.  Vamos notar algumas passagens que nos ajudam a entender essa realidade —

Mateus 9:9—13

9 Partindo Jesus dali, viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu.

10 E sucedeu que, estando ele em casa, à mesa, muitos publicanos e pecadores vieram e tomaram lugares com Jesus e seus discípulos.

11 Ora, vendo isto, os fariseus perguntavam aos discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores?

12 Mas Jesus, ouvindo, disse: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes.

13 Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos; pois não vim chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento.

Marcos 2:13—17

13 De novo, saiu Jesus para junto do mar, e toda a multidão vinha ao seu encontro, e ele os ensinava.

14 Quando ia passando, viu a Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu.

15 Achando-se Jesus à mesa na casa de Levi, estavam juntamente com ele e com seus discípulos muitos publicanos e pecadores; porque estes eram em grande número e também o seguiam.

16 Os escribas dos fariseus, vendo-o comer em companhia dos pecadores e publicanos, perguntavam aos discípulos dele: Por que come e bebe ele com os publicanos e pecadores?

17 Tendo Jesus ouvido isto, respondeu-lhes: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; não vim chamar justos, e sim pecadores. 


Lucas 5:27—32

27 Passadas estas coisas, saindo, viu um publicano, chamado Levi, assentado na coletoria, e disse-lhe: Segue-me!

28 Ele se levantou e, deixando tudo, o seguiu.

29 Então, lhe ofereceu Levi um grande banquete em sua casa; e numerosos publicanos e outros estavam com eles à mesa.

30 Os fariseus e seus escribas murmuravam contra os discípulos de Jesus, perguntando: Por que comeis e bebeis com os publicanos e pecadores?

31 Respondeu-lhes Jesus: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes.

32 Não vim chamar justos, e sim pecadores, ao arrependimento.

Mateus 11:9

Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores! Mas a sabedoria é justificada por suas obras.

Lucas 7:34
Veio o Filho do Homem, comendo e bebendo, e dizeis: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores! 

Mateus 21:31—32

31 Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram: O segundo. Declarou-lhes Jesus: Em verdade vos digo que publicanos e meretrizes vos precedem no reino de Deus.

32 Porque João veio a vós outros no caminho da justiça, e não acreditastes nele; ao passo que publicanos e meretrizes creram. Vós, porém, mesmo vendo

Lucas 7:29

Todo o povo que o ouviu e até os publicanos reconheceram a justiça de Deus, tendo sido batizados com o batismo de João.

Lucas 15:1—2

1 Aproximavam-se de Jesus todos os publicanos e pecadores para o ouvir.

2 E murmuravam os fariseus e os escribas, dizendo: Este recebe pecadores e come com eles.

Lucas 18:9—14

9 Propôs também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros:

10 Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano.

11 O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano;

12 jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho.

13 O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador!

14 Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado.

Lucas 19:1—10

1 Entrando em Jericó, atravessava Jesus a cidade.

2 Eis que um homem, chamado Zaqueu, maioral dos publicanos e rico,

3 procurava ver quem era Jesus, mas não podia, por causa da multidão, por ser ele de pequena estatura.

4 Então, correndo adiante, subiu a um sicômoro a fim de vê-lo, porque por ali havia de passar.

5 Quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, pois me convém ficar hoje em tua casa.

6 Ele desceu a toda a pressa e o recebeu com alegria.

7 Todos os que viram isto murmuravam, dizendo que ele se hospedara com homem pecador.

8 Entrementes, Zaqueu se levantou e disse ao Senhor: Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais.

9 Então, Jesus lhe disse: Hoje, houve salvação nesta casa, pois que também este é filho de Abraão.

10 Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.

Pelos versos acima fica evidente que Jesus considerava sua missão principal como sendo buscar e salvar os perdidos. Todos os perdidos. Assim, paralelo com a murmuração dos escribas e dos fariseus que temos em Lucas 15:1—2 é a murmuração do filho mais velho na Parábola dos Dois Filhos Perdidos e a murmuração e o ciúmes manifestados pelos trabalhadores na vinha na Parábola que descreve os mesmos — apesar que nesse último caso é minha convicção pessoal que Jesus não estava se referindo tanto aos escribas e fariseus e sim contra as murmurações que ele percebia existir entre os discípulos —

Mateus 20:11—12

11 Mas, tendo-o recebido, murmuravam contra o dono da casa,

12 dizendo: Estes últimos trabalharam apenas uma hora; contudo, os igualaste a nós, que suportamos a fadiga e o calor do dia.

De modo semelhante, existe um claro paralelo com a murmuração do fariseu Simão acerca da mulher pecadora que ungiu os pés de Jesus — Lucas 7:36—50 —, o desdém do fariseu, na Parábola do Fariseu e do Publicano — Lucas 18:11 —, a murmuração que acontece quando Jesus faz sua refeição com Zaqueu — Lucas 19:7 —, e de modo muito especial a murmuração feita pelos fariseus e os escribas quando Jesus participou duma refeição na casa do publicano Mateus junto com outros publicanos e pecadores de todos os tipos — Lucas 5:27—32. A similaridade dessa última passagem referida com Lucas 15:1—2 marca a importância desse tema para o evangelista Lucas.

Acerca de conexões dentro do próprio capítulo 15 de Lucas a mais evidente é a murmuração dos fariseus em Lucas 15:1—2 e a do filho mais velho na Parábola dos Dois Filhos Perdidos — versos 29—30. A reivindicação do filho mais velho de nunca ter transgredido contra o Pai — verso 29 — faz um paralelo perfeito com o justo que não precisa de arrependimento conforme o verso 7. A alegria celebrada nos versos 5—7 e 9—10 é paralela com a alegria vista no retorno do filho pródigo — Lucas 15:22—27, 32. A celebração e a alegria são dois grandes temas de Lucas 15.

As duas primeiras parábolas de Lucas 15 nos falam de algo que foi perdido e depois achado, algo que mais tarde é tomado como um verdadeiro refrão — estava perdido e foi achado — nos versos 24 e 32 na Parábola dos dois filhos perdidos. Se existe alguma dúvida, é pequena, quanto ao fato das três parábolas aqui em Lucas 15 transmitirem uma mesma mensagem. Mas existem diferenças! Nenhuma falta é atribuída nem à ovelha ou a moeda, apesar do foco das duas primeiras parábolas estar no ato do arrependimento. Já o pródigo admite, por duas vezes, que pecou — Lucas 15:18, 21. Tanto o pastor quanto a mulher buscam por algo que se perdeu, mas esse não é o caso do Pai. Desse único fato, alguns deduzem que as duas primeiras parábolas enfatizam a iniciativa divina, enquanto a última nos fala da responsabilidade humana, mas tal distinção não é suficiente para fixar esse ponto. Apesar do Pai não ir atrás do pródigo o texto nos mostra, claramente que ele vai ao encontro dos dois filhos perdidos! Encontramos, virtualmente, frases idênticas na parábola da Ovelha Perdida e na Parábola da Moeda Perdida. Homem e mulher por sua vez chamam seus amigos e amigas para se alegrarem juntos pelo achados, mas, ainda assim, temos diferenças nelas também. O pastor abandonando as noventa e nove ovelhas não encontra paralelo no caso da moeda perdida. Nessa última parábola nós podemos notar que um esforço muito maior foi feito pela mulher para encontrar a moeda perdida do que pelo pastor para encontrar a ovelha perdida. As duas descrições de alegria pelos achados também são diferentes. Também na Parábola da Moeda Perdida não temos nenhuma referência a necessidade que alguém tem de se arrepender.

Em resumo dessa parte introdutória nós podemos afirmar que os elementos dominantes nas Boas Novas proclamadas por Jesus têm a ver com: celebração, compaixão, a restauração de Israel e o Reino de Deus tanto no presente quanto no futuro. As parábolas que temos em Lucas 15 são a maior evidência do Evangelho de Cristo centrado em celebração e compaixão. Os outros dois temas mencionados acima estão apenas implícitos. Como resultado final, esse capítulo é a mais vibrante descrição do fato que existe um Deus que está buscando pecadores, algo que se revela na conversão dos mesmos.

No próximo artigo falaremos da Parábola da Ovelha Perdida.




OUTRAS PARÁBOLAS DE JESUS PODEM SER ENCONTRADAS NOS LINKS ABAIXO:

001 – O Sal

002 – Os Dois Fundamentos

003 – O Semeador

004 – O Joio e o Trigo =

005 – O Credor Incompassivo

006 — O Grão de Mostarda e o Fermento

007 — Os Meninos Brincando na Praça

008 — A Semente Germinando Secretamente

009 e 010 — O Tesouro Escondido e a Pérola de Grande Valor

011 — A Eterna Fornalha de Fogo

012 — A Parábola dos Trabalhadores na Vinha

013 — A Parábola dos Dois Irmãos

014 — A Parábola dos Lavradores Maus — Parte 1

014A — A Parábola dos Lavradores Maus — Parte 2

015 — A Parábola das Bodas —

016 — A Parábola da Figueira

017 — A Parábola do Servo Vigilante

018 — A Parábola do Ladrão

019 — A Parábola do Servo Fiel e Prudente

020 — A Parábola das Dez Virgens

021 — A Parábola dos Talentos

022 — A Parábola das Ovelhas e dos Cabritos

023 — A Parábola dos Dois Devedores

024 — A Parábola dos Pássaros e da Raposa

025 — A Parábola do Discípulo que Desejava Sepultar Seu Pai

026 — A Parábola da Mão no Arado

027 — A Parábola do Bom Samaritano — Completo

027A — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 1

027B — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 2 — Os Ladrões e o Sacerdote

027C — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 3 — O Levita

027D — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 4 — O Samaritano

027E — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 5 — O Socorro

027F — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 6 — O transporte até a hospedaria

027G — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 7 — O pagamento final

027H — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 8 — O diálogo final entre Jesus e o doutor da Lei

028 — A Parábola do Rico Tolo —

029 — A Parábola do Amigo Importuno —

030 — A Parábola Acerca de Pilatos e da Torre de Siloé

031 — A Parábola da Figueira Estéril

032 — A Parábola Acerca dos Primeiros Lugares

033 — A Parábola do Grande Banquete

034 — A Parábola do Construtor da Torre e do Grande Guerreiro

035 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 001

036 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 002

037A — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 001

037B — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 002

037C — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 003

037D — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 004 — A Influência do Antigo Testamento

037E — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 005 — Características Cristológicas da Parábola da Ovelha Perdida

037F — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 006 — A importância das pessoas perdidas.
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/11/parabolas-de-jesus-mateus-181214-e.html

037H — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 008 — Conclusão.
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/05/parabolas-de-jesus-sermao-037h-parabola.html

037 — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Completa
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/06/parabolas-de-jesus-sermao-037-parabola.html



038A — PARÁBOLAS DE JESUS — A PARÁBOLA DA DRACMA PERDIDA — LUCAS 15:8—10 —— PARTE 001
Que Deus Abençoe a todos. 
Alexandros Meimaridis 

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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

DESEMPREGO: UM TEMOR QUE PODE SER FATAL


O artigo abaixo foi publicado no site da Editora Fiel.

Temores Mortais: Desemprego
Jonathan Leeman

Às vezes me preocupo com perder meu emprego. Quer dizer, eu trabalho duro, mas nunca se sabe, não é mesmo? Talvez nossa organização não consiga recursos o suficiente. Ou talvez as necessidades da organização venham a mudar.

Ou até mesmo — e fico até envergonhado de admitir — enfrentemos um colapso social, como naqueles filmes apocalípticos em que aquele projeto de herói tem que defender a si mesmo e seus dois preciosos filhos com nada mais do que sua perspicácia e uma espingarda, enquanto saqueadores patrulham as ruas incendiadas em picapes cheias de arruaceiros na caçamba. Não, não é uma grande preocupação, mas às vezes me passa pela cabeça.

De maneira mais realista, os governos internacionais poderiam cobrar as nossas dívidas, enfraquecendo o dólar e ruindo a economia. Depois um enorme desastre natural poderia acontecer. Você acha que isso jamais aconteceria?

Não é difícil se preocupar com a perda do emprego quando você está lutando para esticar o contracheque até o fim do mês ou vendo os azulejos do seu banheiro velho caírem um a um. Será que devíamos reformar o banheiro ou economizar o dinheiro? Pergunto-me se ouro é o investimento mais seguro. Mas espera aí, o ouro perdeu valor recentemente. Talvez eu devesse investir em proteção pessoal.

Nossa, que bom que eu vou à igreja, porque a minha mente às vezes voa em direções absurdas. Todo domingo meu pastor abre o Bom Livro e me ajuda a ter pensamentos melhores.

Deixe-me mostrar. Nos últimos meses, meu pastor tem pregado no evangelho de João. Eu faço algumas boas anotações. Sabe o que tem me encorajado quando penso na perda do emprego?

Jesus veio para nos salvar do pecado

Ao ensinar em João 4, meu pastor nos disse que Jesus veio para nos salvar do pecado. Assim como a mulher samaritana que queria água, nós também temos necessidades físicas que devem ser satisfeitas. Jesus se preocupa com essas necessidades, mas o objetivo dele é que todos os sintomas da queda — incluindo sede, doença e até mesmo perda de emprego — nos aponte para a verdadeira doença: o pecado.

Deus permite que coisas ruins aconteçam aos seus filhos – alguém perdendo o emprego, por exemplo. A Bíblia não promete que nunca perderemos nossos empregos. Nós podemos perder. Mas se somos cristãos, sabemos que as coisas que realmente nos devem causar temor — o pecado e a punição de Deus — já foram resolvidas. Nosso futuro está garantido.

Deus demonstra a sua glória através das provações

Quando chegamos a João 9, meu pastor nos ajudou a pensar mais sobre os momentos difíceis na vida. “Coloque-se no lugar dos pais do homem cego”, ele disse. “Imagine viver naquela época e ter um bebê que nasceu cego. Você poderia se perguntar se ele seria capaz de prover por si mesmo, se experimentaria a pobreza, se seria socialmente excluído”.

Como foi reconfortante, então, ouvir as palavras de Jesus: “Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus” (v. 3).

Assim como com o homem cego, a Bíblia não promete que não enfrentaremos provações. Mas ela promete sim que Deus manifestará a sua glória através das provações dos seus santos.

Jesus nos preservará

Meu pastor, então, nos levou a uma grande promessa em João 10: ninguém pode tomar das mãos de Jesus as suas ovelhas. Depois ele disse algo interessante: “A Escritura nos apresenta como ovelhas necessitadas. Você pensa em si mesmo como uma ovelha necessitada? Ou você vive de acordo com a fórmula ‘saúde + riqueza = felicidade’?” Essa equação é uma mentira, ele exclamou.

Vou repetir: nós podemos perder nossos empregos. O cristianismo não nos promete o melhor da vida agora, então abandone a falsa religião. Ao invés disso, confie que Jesus nos preservará para si mesmo e pela eternidade.

Tempo e amor perfeitos

Logo na semana seguinte, meu pastor nos ensinou a partir de João 11 que o amor de Deus nem sempre se parece como esperamos que se pareça. Lembra quando Jesus descobriu que Lázaro estava doente? João nos diz: “Jesus amava a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro. Assim, quando soube que Lázaro estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde estava”. Como é? Jesus o amava, então o deixou morrer? Bom, pense naquilo que Jesus orou antes de ressuscitar Lázaro; ele fez tudo isso para que as pessoas cressem.

“Veja”, disse meu pastor, “coisas ruins vão acontecer. E quando acontecerem, não tente forçar uma explicação. Reconheça que a vida pode ser difícil, mas depois se levante. Lembre a si mesmo o que você conhece de Deus, e confie que o tempo e o amor dele são perfeitos”.

Tradução: Alan Cristie
Revisão: Vinícius Musselman Pimentel

O Artigo original poderá ser visto por meio do seguinte link:
http://www.ministeriofiel.com.br/artigos/detalhes/848/7_Temores_Mortais_Desemprego

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

O INIMIGO SENTA AO LADO



Um alerta aos pastores e suas ovelhas

O artigo abaixo é de autoria de Aledsey Neander.

Durante meu pouco tempo no ministério pastoral - pouco mais de sete anos – tenho aprendido, na prática de plantação de igrejas, uma importante lição: os maiores inimigos da igreja de Cristo não são externos, — os de fora da redoma do templo — mas, sim, os internos. Não é por acaso que Jesus cita exemplos contrastantes e atípicos para exemplificar isso, como a parábola do trigo e do joio, a parábola da rede — que pega peixes bons e ruins —, não dar aos cães o que é santo, e por aí vai. O problema não está lá fora, está em quem deixamos entrar.

O maior inimigo da igreja não é o cara que se denomina ateu, não é aquele que diz que nunca vai à sua igreja por ter raiva de crente, nem mesmo aquele que diz crer em Deus, mas que não quer assumir compromisso com igreja nenhuma. Essas pessoas querem mais é viver a vida delas, da forma que eles acharem melhor, sem a intromissão religiosa — com isso não quero dizer que não devem ser evangelizados, nem se serão salvos ou não. Essas pessoas não são acusadas de mornidão, de frieza, de sustentar falsos profetas... Essas acusações foram feitas às igrejas. O maior inimigo da igreja de Cristo se assenta nos mesmos bancos que os verdadeiros crentes, canta louvores, fala de Jesus, faz liturgia, se veste à caráter como crente — se é que isso existe —, lhe deseja a paz do Senhor e pode até ser um dizimista fiel e um frequentador assíduo das reuniões. E o maior perigo desse inimigo é que ele é homogêneo, se mistura com facilidade, se torna anjo de luz, se preciso —

2 Coríntios 11:14

E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz.

Lembram-se de Balaão? Tentou amaldiçoar o povo de Deus 3 vezes. Vendo ele que não teve sucesso, usou outra tática: a influência interna. Aconselhou o rei a introduzir prostitutas cultuais entre o povo de Deus, fazendo com que eles pecassem.

Números 31:16

Eis que estas, por conselho de Balaão, fizeram prevaricar os filhos de Israel contra o SENHOR, no caso de Peor, pelo que houve a praga entre a congregação do SENHOR.

Paulo, sendo pastor e conhecedor dessa tática, alerta os irmãos de Corinto quanto a esses inimigos:

1 Coríntios 5.10—11

Já em carta vos escrevi que não vos associásseis com os impuros; refiro-me, com isto, não propriamente aos impuros deste mundo, ou aos avarentos, ou roubadores, ou idólatras; pois, neste caso, teríeis de sair do mundo. Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais.
A preocupação de Paulo não era com os de fora, nem mesmo essa era a preocupação de Jesus, pois, além de conviver com os "doentes", pediu ao Pai que não nos tirasse do mundo, pelo contrário, nos deu uma missão aqui —

João 17:15—18

15 Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal.

16 Eles não são do mundo, como também eu não sou.

17 Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.

18 Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.

Mas, sendo essa uma realidade, o que fazer? Como pastores temos duas opções: 1. Fingir que nada está acontecendo, ser cego, surdo e mudo para com essas pessoas, ou, crer que sua igreja está livre dessas pessoas. 2. Trabalhar para livrar as verdadeiras ovelhas desses lobos enrustidos, ou, não permitir que eles influenciem o restante. Como? Primeiro é necessário identificá-los e, seguindo os conselhos de Paulo, isso não é difícil. Depois, tratá-los como devem ser tratados.

Quando digo que devemos nos "livrar deles", entendo que temos que ter o cuidado de não julgar erroneamente, nem mesmo sair expulsando gente da Igreja, pois todos devem ter a oportunidade de prestar culto a Deus e ouvir sua Palavra, a fim de serem conduzidos ao arrependimento. Devemos ter muita sabedoria ao identificar e corrigir essas pessoas.

2 Timóteo 2:24—-26

24 Ora, é necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e sim deve ser brando para com todos, apto para instruir, paciente,

25 disciplinando com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade,

26 mas também o retorno à sensatez, livrando-se eles dos laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele para cumprirem a sua vontade.

No entanto, seguindo o conselho de Paulo, esses inimigos de Cristo têm uma característica específica: eles professam uma coisa e vivem outra: "... alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador...". Essa é uma típica atitude farisaica — e sabemos como Jesus tratava esses homens. Também essa é uma característica dos falsos profetas —

Mateus 7:15—20

15 Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores.

16 Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?

17 Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus.

18 Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons.

19 Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo.

20 Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis.

Essas pessoas fizeram profissão de fé, declaram a mesma coisa que um discípulo de
Cristo —

Tiago 2:19

Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios creem e tremem.

mas vivem como ímpios; não há sinal de arrependimento nessas vidas — perceba que todas as características dessas pessoas são totalmente explícitas, elas não conseguem esconder o que são. Apesar disso, elas gostam da comunhão, — "dizendo-se irmão" — usam palavreado piedoso, gostam de sentir-se como parte da igreja. Havia um sujeito com esse perfil dentro da igreja de Corinto e Paulo está preocupado com esse tipo de influência na igreja (v. 6).

Mas, ao identificá-los, qual é o tratamento? Paulo é direto: "Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis..." e "com esse tal, nem ainda comais.". "Associar" significa "misturar-se", "ser íntimo" de tal pessoa. Esses inimigos querem inserir-se no grupo, mas o pastor, como responsável pela saúde de suas ovelhas, não deve deixar que ele se sinta como tal e também deve ensinar a igreja a se prevenir dessas influências.

O verdadeiro cristão não se torna confidente de tais pessoas, não somente porque ele não deve, mas porque não há nenhuma possibilidade. Associar-se com eles é ser cúmplice do pecado. Devo tratá-lo à distância e não alimentar sua impiedade (Provérbios 26:1, 5). Interessante que o conselho de Paulo quanto a não "comer" com essas pessoas, assemelha-se muito ao princípio do Salmo primeiro.

Paulo não recomenda, somente, que não haja nenhum tipo de associação com essas pessoas, mas também recomenda uma disciplina eclesiástica, o afastamento da comunhão:

1 Coríntios 5:3—5, 7

3 Eu, na verdade, ainda que ausente em pessoa, mas presente em espírito, já sentenciei, como se estivesse presente, que o autor de tal infâmia seja,

4 em nome do Senhor Jesus, reunidos vós e o meu espírito, com o poder de Jesus, nosso Senhor,

5 entregue a Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor Jesus.

7 Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado.

(Sobre "disciplina eclesiástica", recomendo o livro "Consultório Bíblico", Rev. Odayr Olivetti, p. 133).

Como responsáveis pelo rebanho de Cristo, não devemos ser omissos nesta tarefa. Muitas vezes deixamos que essas pessoas criem raízes no Corpo, em prol de uma falsa paz. E, com o tempo, mais cedo ou mais tarde, colhemos os frutos dessa omissão, quando não, deixamos esse "barco furado" para um outro sucessor. Não deixemos de disciplinar, se necessário, para que as verdadeiras ovelhas não sofram com esses inimigos. Como diz um ditado popular: "Quem poupa os lobos, sacrifica as ovelhas". Diga-lhes o que deve ser dito... Se necessário, com brandura, se preciso, com rispidez. Dependendo do momento, fale em particular, mas se precisar, admoeste publicamente — 1 Timóteo 5:20. Muitas vezes será preciso se utilizar da autoridade que Deus nos deu como ministros, não para colocar medo nas pessoas, como muitos falsos pastores fazem. Os outros precisam ver em você um homem com a autoridade de Deus sobre a vida delas.

Tito 2:15

Dize estas coisas; exorta e repreende também com toda a autoridade. Ninguém te despreze.

Lógico que, cabe a nós, demonstrarmos isso com uma vida irrepreensível e não só com palavras, agindo assim com muito temor diante de Deus.

Não gaste tempo, nem tenha dor de cabeça com essas pessoas.

Tito 3:10—11

10 Evita o homem faccioso, depois de admoestá-lo primeira e segunda vez,

11 pois sabes que tal pessoa está pervertida, e vive pecando, e por si mesma está condenada.

Quanto sono já perdemos por causa de pessoas com este perfil? Quanta paz deixamos de desfrutar por causa de gente assim? Quanto tempo perdemos em estar trabalhando com os verdadeiros servos de Deus tentando "converter" esses ímpios travestidos de cristãos?

Nós, pastores, devemos aprender, desde cedo, que fomos chamados para pastorear as "ovelhas" do Senhor Jesus e não os cabritos. E, até que o Senhor Jesus volte para separar cabritos e ovelhas, joio e trigo, ímpio e santo, temos que saber administrar a situação.

Que não tenhamos pressa em receber novos membros, a fim de encher o templo a qualquer custo. Mas que utilizemos, bem, o processo de discipulado, ou catecúmenos, para conhecer quem está querendo fazer parte da sua Igreja, ensinando, mas também, confrontando sua fé, seus princípios, sua motivação.

Não estou dizendo, com isso, que ficaremos livres dessa influência maléfica, enquanto neste mundo uma crença assim é utópica — a igreja é chamada a avançar contra as portas do inferno, mas durante esse avanço um "misto de gente" caminha junto.

Êxodo 12:38

Subiu também com eles um misto de gente, ovelhas, gado, muitíssimos animais.

Também não creio que sempre teremos sucesso nessa distinção. No entanto, estaremos cumprindo nossa tarefa como servos bons, responsáveis e fiéis ao ministério e às ovelhas que o Senhor nos confiou.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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